quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carnaval como antigamente

Carlos Estevão Ferreira Castelo

Desde muito pequeno sempre gostei de “pular” carnaval, em Xapuri, é claro. Minhas primeiras aventuras carnavalescas aconteceram nos bailes infantis do “Bilhar”. Costumava acompanhar, também, os famosos “ranchos” que aconteciam nos sábados chuvosos de fevereiro.

Lembro que depois do “vinte”, para a criançada xapuriense começava a temporada das máscaras. Em Xapuri de meus verdes anos era assim, tempo de papagaio, tempo de peteca, de caçar passarinhos, de fazer máscaras para o carnaval.

Iniciada a temporada das máscaras, a meninada de minha rua se reunia para planejar como e onde buscar o barro, aquele mesmo das “palanquetas”, para confeccionar os famosos adereços carnavalescos. A busca do barro, por si só, já era uma aventura.

Lembro que preparávamos as bicicletas durante a manhã, para, depois do almoço, sairmos em comitiva em busca da preciosa matéria-prima (precisávamos moldar a forma da máscara em barro, para, depois, cobri-la com várias camadas de papel com uma cola feita de goma). Com o barro necessário, escolhíamos um local e ficavamos horas a fio fazendo as máscaras. Como não queríamos ser reconhecidos nos ranchos, geralmente o local escolhido ficava embaixo de alguma casa de alguém do grupo (muitas casas de minha infância em Xapuri, não sei o porquê, eram altas e propiciavam um espaço interessante para brincadeiras).

Outra curtição da criançada de meu tempo era o baile infantil. Eu costuma sair dos bailes literalmente ensopado. Lembro claramente da banda tocando com seu “Manoel Ramos” na batera. Geralmente aconteciam dois bailes para a criançada, um no domingo e outro na terça. Eu ficava até o final, sempre. Lembro como se fosse hoje. Acho que meu primeiro beijo aconteceu em um baile infantil.

Carlos Estevão é professor de Teoria Econômica da Universidade Federal Do Acre. Na sua infância beijoqueira em Xapuri era carinhosamente chamado pelos colegas pela alcunha de ‘Baratinha’.

4 comentários:

Acea disse...

Deu saudade agora...
saudades dos ranchos do Hélio Rodrigues, saudades das "voltas" que dávamos no "Bilhar", saudades do campinho na dona Lourdes. Saudades de uma Xapuri que, infelizmente, não existe mais. Não sou afeito a sentimentos saudosistas, mas é bem verdade que a "modernidade" acaba com o charme de algumas coisas que teimam em continuar na lembrança.

Leônidas Badaró

Gewan disse...

Carliiinho, que memória essa tua hein!!!..lembrei dos velhos tempos de Divina Providência!!....quanta coisa boa vc relatou sobre a nossa gloriosa época de carnaval......grande abraço e continue rresgatando essas HISTÓRIAS que nos dão orgulho e nos fazem ver o quanto fomos felizes em Xapuri!!!

Janiffe disse...

Eita terrinha boa! Eita bailes divertidos! Eita saudade de tudo isso!

Magao disse...

Depois de ler linda a matéria de meu grande amigo e conterrâneo Carlos Estevão( O Baratinha Falado), tambem com grandes lembranças e de tocar grandes carnavais em mnossa cidade, e os famoso rancho pelas ruas de Xapuri, na verdade nos causa grandes lembranças de figuras importante do nosso carnaval como: Tio Het, Hélio Rodrigues, Canela, Pindoba, Murilo Américo, Dona Albertina do Bananau, e suas irmãs, Bia do Valdir, Dodora, Professor Marinho Galo, Nego SAHAD com suas lindas e perfeitas alegorias carnavalescas. É uma infinidade de foliões que não dar pra contar, eita tempo que não volta mais, E A FAMOSA BANDA DE MÚSICA TOCANDO GRANDES MACHAS E FREVOS, pelas ruas de nossa terra, muita saudade, abraço do amigo.