quarta-feira, 30 de junho de 2010

Instituto Dom Moacyr em Xapuri

O governo do Acre através do Instituto Estadual de Desenvolvimento da Educação Profissional Dom Moacyr Grechi abre processo seletivo de educandos para os cursos de qualificação profissional do projeto Floresta Digital. O processo seletivo destina-se ao preenchimento de 200 vagas para o curso configuração de rede wireless a sete municípios do interior do estado e mais a capital. Das 200 vagas, 20 são destinadas a Xapuri.

As inscrições foram abertas hoje e se estendem até às cinco da tarde desta quinta-feira (1º) e são totalmente grátis. Podem ser feitas no pólo moveleiro, situado à Rua Luiz Ramos nº 331. No ato da inscrição, o candidato deve comprovar idade mínima de 18 anos; possuir o ensino fundamental completo; comprovar a realização de curso de informática básica; preencher o cadastro sócio-econômico e participar da entrevista.

A entrevista dos candidatos ao curso em Xapuri será realizada nos dias 22 e 23 do próximo mês no mesmo local das inscrições e será feita por uma bancada examinadora constituída por servidores do próprio instituto. Serão 30 pontos para análise de cadastro sócio-econômico e mais 70 pontos na entrevista.

A nota final se obterá através da somatória da pontuação obtida nas duas fases do certame e será divulgada no diário oficial do estado do acre no prazo máximo de dez dias após a realização da entrevista.

Uma pena

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A paisagem ao redor da Casa de Chico Mendes está assim, como mostra a foto de alguns dias. É o início do trabalho de revitalização da área do entorno do patrimônio histórico nacional que será executado pelo governo do Estado.

Uma das mudanças, no entanto, não estava programada para ocorrer. A frondosa árvore que havia ao lado da casa do seringueiro estranhamente começou a secar e morreu, sendo retirada dali pelo Corpo de Bombeiros como medida de segurança.

Uma pena.

Projeto de Tião Viana evita perda do FPM nos pequenos municípios

 
Municípios brasileiros com populações de até 5.094 habitantes e daí até 10.888 poderão ter alterados a base de cálculo de arrecadação do FPM-Interior dos moldes atuais para um coeficiente fixo de 0,6%, no caso do primeiro contingente habitacional, e um coeficiente gradativo até chegar ao segundo contingente habitacional. Isso evitará que esses municípios sofram quedas na arrecadação do FPM, principalmente no interstício da divulgação do censo demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Hoje, os repasses são feitos com base nos dados populacionais do IBGE, cujos censos são divulgados de dez em dez anos.

Projeto de lei neste sentido acaba de ser apresentado pelo senador Tião Viana (PT-AC) e já foi despachado pelas comissões de Constituição e Justiça e de Assuntos Econômicos do Senado, como forma de garantir dados e custos fixos do setor público, com um piso mínimo de receita aos pequenos municípios. O FPM é o Fundo de Participação dos Municípios, que tem alíquotas diferenciadas em relação ao interior.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Quero ver programas de governo

Valterlúcio Bessa Campelo, Via Blog do Altino

Tenho defendido sempre que a candidatura ao governo deve ser sustentada por um programa de governo. É o "quê" da eleição. Para votar pra governador não basta saber em quem, é preciso saber no "quê". Com os candidatos conhecidos (Tião Viana e Tião Bocalom), é necessário agora que também sejam conhecidos seus programas de governo para o Acre.

O senador Tião Viana (PT) pretende suceder Binho Marques que por sua vez sucedeu Jorge Viana, irmão do Tião e pertencente ao mesmo partido e mesma coligação. Poderia apenas dizer que seu programa é o que está sendo implementado há 12 anos, que vai dar continuidade e estamos conversados. Mas tem que dizer. Se, por acaso, pretende inovar, reciclar, remodelar a florestania, a campanha eleitoral é a melhor oportunidade para que isto seja bem explicado. Se pretende romper com tudo que está ai, idem.

O Tião Bocalom (PSDB) pretende ser governador com um discurso que vai contra a "florestania", o projeto que vem sendo implantado nos últimos 12 anos. Faz isso com base em um arsenal de críticas e acusações. Muitas delas, certamente, válidas. Mas não basta. Ele mais que o outro Tião tem a obrigação de mostrar o que pretende fazer. Não é razoável pedir o voto do eleitor apenas dizendo que está ruim, que pode melhorar etc. Tem que dizer o que vai pôr no lugar daquilo que considera nocivo. Mudança é apenas slogan de campanha.

Quero, portanto, sugerir aos candidatos ao governo do Acre que exponham seus programas de governo, se os tem, na internet, lembrando que 35% dos domicílios urbanos possuem pelo menos um computador no Brasil. Enumero algumas vantagens.

1. Agiliza a comunicação com o eleitorado.
2. Provoca o debate nas famílias, vizinhança e grupos de eleitores.
3. Proporciona o feedeback (as pessoas podem dar o retorno).
4. Alimenta o próprio programa com idéias vindas da população.
5. Facilita a comparação entre programas.
6. Identifica o candidato com suas propostas.
7. Orienta e baliza os programas eleitorais de rádio e TV.

Além disso, se pode firmar compromissos que podem ser, depois, monitorados pela sociedade. Colocar um programa de governo na internet é facílimo. Desde que se tenha um, é claro.

Valterlúcio Bessa Campelo é agrônomo.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Salário mínimo

Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2011, o senador Tião Viana (PT-AC) recebeu ontem em seu gabinete, no Senado, apoio dos dirigentes das centrais sindicais brasileiras para a sua proposta de reajustar o salário mínimo com base na inflação passada mais o crescimento médio da economia em 2009 e 2008. A proposta do senador acreano pode levar o salário mínimo do Brasil em janeiro do próximo ano para R$ 550, contra os atuais R$ 510.

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), dirigente da Força Sindical, destacou que o país tem de aproveitar o crescimento da economia para melhorar o salário mínimo. “Não é hora de parar. O próprio Banco Central diz que o Brasil vai crescer neste ano mais de 7 por cento e, então, há margem para aumentar o salário em mais de 10 por cento”, disse o parlamentar.

As centrais sindicais decidiram procurar os deputados e senadores da Comissão Mista de Orçamento do Congresso para defender a aprovação da proposta de Tião Viana. "Depois, a gente luta mais à frente para aumentar ainda mais o percentual e repassar o valor aos aposentados do INSS que ganham mais que o salário mínimo", afirmou Edmundo Benedetti Filho, representante do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

domingo, 27 de junho de 2010

Bom domingo

“Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida”. (Fernando Pessoa).

sábado, 26 de junho de 2010

Fica para o ano que vem

Fui cobrado por leitores do blog, que não me encontraram no São João do Guarani, conforme prometi aqui neste espaço que estaria participando da festa do “Santo Seringueiro” neste ano. Esclareço que motivos superiores me impediram de fazer a viagem, infelizmente.

Mais uma vez, fica para o ano que vem.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Amar

Mário Quintana

“Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro”.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Rumo a São João do Guarani

Essa pequena capela, com uma cruz de ferro à frente, na colocação Guarani, no seringal Boa Vista, é meu destino nesta quinta-feira, 24 de junho, dia em que o lugar se transforma em palco de manifestações de fé e devoção só vistas em Xapuri na maior festa religiosa do município, a festa de São Sebastião, padroeiro da cidade, no dia 20 de janeiro.

O culto a São João do Guarani, o “Santo da Floresta” tem mais de 100 anos de existência. Teria começado por volta do ano de 1906, depois que moradores começaram a atribuir a um seringueiro morto possivelmente de malária, sozinho no meio da floresta, o status de “alma milagrosa”, uma das mais conhecidas do Acre. Pelo fato de o seringueiro ter se chamado João, o dia de São João foi adotado como o dia da manifestação religiosa no seringal.

A festa atrai para Xapuri pessoas de outros municípios acreanos e até mesmo de outros estados da federação. Com 42 quilômetros, o percurso até a colocação Guarani era tradicionalmente feito a pé ou a cavalo e durava cerca de 12 horas para ser concluído. A dificuldade da caminhada era um dos componentes do pagamento feito pelas graças alcançadas.

Os romeiros que se dirigem todos os anos para o São João do Guarani são pessoas que dizem ter alcançado milagres materializados em forma de cura das doenças mais variadas, solução para dificuldades financeiras e de problemas amorosos. Retornam sempre para pagar as promessas feitas e agradecer pelas graças alcançadas. Apesar da informalidade da manifestação religiosa, a paróquia de São Sebastião adotou o evento e realiza ali celebrações todos os anos.

Posto as informações da festa deste ano assim que retornar da viagem que farei de moto junto com o diretor de Divulgação Social da prefeitura de Xapuri, Haroldo Sarkis. Será a terceira vez que me dirijo ao lugar. Torcendo, é claro, para que São Pedro não interfira, como fez no ano passado, mandando muita chuva e tornando bem mais dificultosa a romaria anual a São João do Guarani.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Feirão Cultural em Xapuri

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As principais praças, os equipamentos culturais, escolas e pontos turísticos de Xapuri serão palco de várias atividades artístico-culturais, de 25 a 27 deste mês. A solenidade de abertura que acontece nesta sexta-feira, 25, às 17 horas, no palco de eventos da Igreja São Sebastião, na praça central do município, com a presença do Presidente da Fundação Elias Mansour, Daniel Zen, representantes do Sebrae, autoridades locais e parceiros. Leia mais na Agência de Notícias do Acre.

Parceria

72 alunos concluem curso de informática básica oferecido pelo Instituto Dom Moacir em parceria com a prefeitura de Xapuri

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Joseni Oliveira

O Instituto Dom Moacir começa a cumprir a meta de oferecer formação profissional a mais de 600 pessoas da comunidade xapuriense até o final deste ano. Na última terça-feira (22), 72 jovens receberam seus respectivos certificados de conclusão do curso de informática básica oferecido pelo instituto em parceria com a prefeitura de Xapuri e Fundação Banco do Brasil.

Para o coordenador do Instituto Dom Moacir em Xapuri, Aldenor Ferreira da Silva, esse foi apenas o primeiro passo de muitos que ainda virão. “A juventude de Xapuri, que precisa se capacitar e se preparar para o mercado de trabalho está podendo contar com todo o apoio do Instituto Dom Moacir, que não vai medir esforços para fazer o melhor pelos jovens da nossa cidade”, afirmou.

O estudante Eric Eleaquim oliveira, de 19 anos de idade, participou de um curso de informática pela primeira vez. Ele ressalta a importância da capacitação. “Ter conhecimentos de informática tem uma importância fundamental para quem pretende crescer na vida profissional, por isso eu estou muito feliz em receber esse certificado que vai ajudar muito na minha vida”, disse ele.

Rosenilda Barroso da Silva, de 23 anos de idade, também fez um curso de informática pela primeira vez. Ela conta que aprendeu bastante e que os conhecimentos vão servir para entrar no mercado de trabalho. “Aprendi muito com o curso e sei que isso vai ser muito importante para que eu possa conquistar meu espaço no mercado de trabalho”, afirmou a concludente.

A solenidade de entrega dos certificados de conclusão do curso de informática básica aconteceu no auditório da Associação Comercial de Xapuri nesta terça-feira. No rosto de cada concludente, a emoção de concluir o curso e a satisfação pelo dever cumprido.

CNI/Ibope: Dilma 40% x Serra 35%

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Levantamento foi encomendado pela Confederação Nacional da Indústria. Pesquisa é a primeira após as convenções. Marina Silva aparece com 9%. Clique na imagem para ampliar, e aqui para ler a reportagem de Robson Bonin, do G1, em Brasília.

“Casal Nacional”

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Investimentos

Prefeitura de Xapuri assina contratos no valor de R$ 1 milhão com a Caixa Econômica Federal

Prefeitura de Xapuri assina contratos no valor de um milhão de reais com a Caixa Econômica Federal

Fernanda Gomes

Os recursos são de emendas parlamentares para construção de casas populares, quadras esportivas, infra-estrutura rural e espaço de lazer.

A assinatura dos contratos ocorreu nesta quarta feira no gabinete do prefeito Bira Vasconcelos com a presença do gerente geral da Caixa Econômica Valdir Avancini e equipe de planejamento da prefeitura de Xapuri.

De acordo com Valdir Avancini a visita a Xapuri foi para estreitar relações e oficializar a chegada de recursos para o município.

“A vinda a Xapuri é para estreitar as relações e fazer a assinatura de convênios no valor de um milhão e meio de reais para ampliação de negócios e melhoria da qualidade de vida da população.”

Os repasses são no valor de um milhão e meio de reais para a construção de 19 casas populares, duas quadras esportivas, sendo que uma com grama sintética e outra tradicional e um espaço de lazer para beneficiar os moradores do bairro Bolívia.

Para infra-estrutura rural o convênio é no valor de 500 mil reais para a compra de um trator que será utilizado pelo programa Peixe na mesa previsto no programa de governo do Bira. O investimento é para melhorar a produção e a renda de quem vive no campo.

Novas casas populares serão construídas em breve com recursos no valor de 493 mil reais para beneficiar famílias carentes do município que dependem dos programas habitacionais. 19 moradias serão construídas na Rua Rotary, cujo terreno já está comprado.

As emendas parlamentares são dos Deputados Federais Nilson Mourão, Henrique Afonso, Perpétua Almeida e Gladson Cameli.  Além da assinatura dos convênios as equipes da Caixa e prefeitura discutiram a situação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS dos servidores municipais e programa Bolsa Família.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O sapateiro João Santos

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“Em momentos de crise moral no país e nas instituições que o compõem, a ausência inesperada de alguém que figurou sempre como modelo de retidão e conduta, se faz sentir com maior profundidade, marcando a epiderme de nossas almas.

No dia 21 de junho de 2007, o sapateiro João Pereira dos Santos deixou saudades nos corações de familiares e amigos em todos os lugares pelos quais passou. Ele nasceu no Estado do Ceará, no dia 21 de junho de 1924, chegou no Estado do Acre, em especial na cidade em que tanto amou, Xapuri, em meados de 1943, no auge da Segunda Guerra Mundial, sempre destacando-se pela sua conduta moral e o zelo pela profissão que abraçou.

Sempre muito zeloso, criou e educou juntamente com sua esposa, dona Edeltrudes Cavalcante dos Santos, seus 10 filhos. Foi membro da igreja evangelica Assembléia de Deus por mais de 50 anos, onde conquistou e acolheu muitos amigos, participando ativamente da vida da igreja, destacando-se o seu gosto pela música e pelos encontros de casais com cristo, sendo, nas palavras do Pr. Josias, "um verdadeiro cristão comprometido".

Pai, esposo, amigo, irmão e companheiro, que nos seus tenros 83 anos de vida, deixou um extenso legado de dedicação em tudo o que fazia, compromissado sempre com a moral, o respeito e a conduta honrada, que sempre lhe caracterizou a vida pessoal e profissional. Que Deus abençôe e console a familia e amigos ainda enlutados, na certeza de que aquele que se alista na milícia do Senhor Jesus, permanece firme, marchando rumo aos meigos braços do Pai Eterno”.

Comentário: A mensagem acima foi enviada por Joel Cavalcante dos Santos, um dos 10 filhos do João Sapateiro, uma das figuras mais conhecidas da comunidade xapuriense durante as várias décadas em que aqui viveu, antes de se mudar com a família para a capital do Acre. O senhor João Santos criou todos os filhos que teve com o que ganhava no ofício de sapateiro, sempre fazendo questão de demonstrar o orgulho que tinha de sua função. Era pai de uma pessoa muito importante na minha vida, o também já falecido radialista Messias Cavalcante dos Santos, com quem comecei a trabalhar na Rádio Educadora de Xapuri há 22 anos. Reproduzir essa singela homenagem ao sapateiro João Santos, neste dia que marca o segundo aniversário de sua morte, é motivo e muita honra e satisfação para este blogueiro de Xapuri.

“A mão que balança o berço”

Casos escabrosos de violência sexual contra a mulher estão vindo à tona em Xapuri nos últimos dias. De pedofilia a estupro propriamente dito, as denúncias investigadas pela polícia estão se avolumando assustadoramente. Nota-se um esforço fora do comum da atual representação do Ministério Público no município com relação a crimes dessa natureza, apesar de os olhos da Justiça ainda estarem longe de enxergar alguma coisa.

A maioria dos números de abusos começam a ser verificados no seio da família, na pequena parcela de casos que chegam ao conhecimento das autoridades. Se buscasse enxergar um pouco mais adiante, a despeito da venda que usa nos olhos, a mulher da balança, com seu braço armado, poderia identificar facilmente as pessoas e os locais onde a juventude feminina de Xapuri é presa fácil de caçada voraz. A escola nossa de cada dia é um desses lugares.

O que falta é a coragem para a denúncia formal. Repito: os casos não são poucos, mas as vítimas e suas respectivas famílias se calam diante do que ocorre dentro das nossas escolas e outros lugares: omissão e a complacência com a voracidade contra incautos estudantes, especialmente os do sexo feminino. Essa “cultura” é bastante conhecida por essas cercanias.

Tenho acompanhado, à distância, o trabalho da promotora Diana Soraia Tabalipa Pimentel em Xapuri, e tenho notado uma dedicação fora do comum à defesa e preservação da juventude em todos os sentidos que a causa abrange. Mas é notório que uma cultura arraigada na nossa sociedade, baseada no medo e no silêncio, quando não na pura ignorância das leis, cumplicia com uma prática que tem sido tão comum quanto impune na realidade nossa de cada dia.

O post está aberto à discussão. Basta clicar em comentários, logo abaixo, postar um texto e logar com conta do Google.

domingo, 20 de junho de 2010

Mão santa

Luis Fabiano ajeita braço gol

Luís Fabiano dá de ombro para a má fase e para a tal Costa do Marfim, e faz explodir de emoção a imensa torcida brasileira. “Involuntária, mão santa valeu pela pintura do gol”, disse o fabuloso.

A vuvuzela do Maradona

Do blog Insanos Infames.

Saramago

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“Não temo a morte. O pior da morte – isso sim dói – é que a pessoa estava e de repente deixou de estar, se acabou. Creio que a esperarei muito pacificamente, tenho consciência de que a vida não pode ser muito mais longa. Terei mais três ou quatro anos, talvez menos, mas não há problema”. (Ópera Mundo, junho de 2009).

Imperdível o artigo A Pilar de Saramago, no Varal de Idéias do grande professor e jornalista Marcos Afonso.

sábado, 19 de junho de 2010

A perereca verde do Altino

Clique na imagem e aproveite para ler, logo abaixo, a excelente crônica sobre futebol do poeta, cronista e juiz de direito acreano José Augusto Fontes.

A estética do futebol

Exposição do artísta plástico Rubens Gerchman se despede neste sábado depois de um mês em  Xapuri

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O texto é de Armando Nogueira:

“Gerchman e eu jogamos juntos desde a Copa do Mundo de 86, no México.

Escrevi um livro, Bola de Cristal, que ele ilustrou, eternizando gestos memoráveis dos heróis do futebol mundial. Como eu, Gerchman vem das peladas da infância. Ambos sem boas histórias para contar. Na biografia do pintor, como na minha, ninguém encontrará um drible, um passe ou um gol que tenha merecido celebração.

Passamos pelos campos sem ser notados pelas bolas do jogo. Uma coisa, porém, nos aproxima: temos um fascínio desmedido pelo esporte, a começar do futebol. E foi justamente essse universo lúdico que inspirou Gerchman a recriar, na poesia de seu pincel, a própria mitologia do futebol brasileiro. De Heleno de Freitas a Ronaldinho, de Leônidas da Silva a Romário, aí estão, de corpo inteiro, epicamente retratados, nossos ídolos.

Feliz o povo que pode reverenciar heróis nascidos não no luto infausto dos campos de batalha, mas no verde refrescante dos campos de futebol. Este álbum e a exposição são frutos de uma parceria. Uma tabelinha na qual eu entro com a palavra, que esclarece, e Gerchman entra com o mistério de sua arte, trazendo a magia de suas tintas às figuras mais legendárias do nosso futebol. Com esta obra, Gerchman faz um verdadeiro gol de letra".

Leia mais em História Multimídia de Xapuri.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

“Ajuda para os infratores”

Cliquem aqui e vejam porque o Brasil continua a ser campeão mundial em acidentes e mortes no trânsito. Nossos parlamentares se esforçam em encontrar meios de facilitar a vida dos motoristas infratores.

As multas resultantes de infrações gravíssimas, a depender deles, poderão ser parceladas em até seis vezes. Vida fácil para quem infringe, e mais ainda para o Estado, que arrecada.

A foto, captada da internet, é mera ilustração.

Proibido respeitar a lei

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Caminhão estacionado para desembarque de mercadorias na perigosa “esquina” das ruas Cel. Brandão e 17 de Novembro, no centro de Xapuri. Vejam pela sinalização que no local é proibido estacionar e ultrapassar. Instantes antes que eu fizesse a foto acima, uma viatura da PM passou calmamente pelo local e não notou qualquer irregularidade no excesso de folga do motorista do caminhão.

Audácia

A presença da Polícia Rodoviária Federal no posto de fiscalização do entroncamento de Xapuri não é motivo de intimidação para os traficantes que usam a BR-317 como rota do tráfico internacional de drogas. Nesta madrugada, três não tiveram sorte ao tentar passar pelo posto com uma carga de cerca de 90 quilos de cocaína pura.

As informações detalhadas e mais fotos estão no site do jornal online O Alto Acre.

Jornalista, procura-se

Washington Araújo

Procura-se jornalista que devote suas energias à busca da verdade e não dos holofotes, que saiba distinguir a diferença entre o personagem que é noticia e aquele que transmite a notícia, que seja tão arejado a ponto de compreender que a luz é boa não importa em que lâmpada brilhe.

Procura-se jornalista que esteja sempre prestes a levar consigo um telescópio para o olho esquerdo e um microscópio para o olho direito de forma a ver a realidade sobre ângulos variados e apto a celebrar que a grande beleza da vida está no entendimento da rica diversidade humana.

Procura-se jornalista que seja especialista em cultura geral, que escreva sobre o que entende e saiba o exato tamanho de sua ignorância sobre o assunto que pretende abordar, que saiba fazer o artesanato dos fatos, ideias e palavras, sem deixar pontas soltas nem fios desencapados.

Procura-se jornalista que saiba distinguir entre liberdade de expressão, de impressão, de pressão; que veja sua atividade não como o Quarto Poder, mas sim como um serviço essencial à vida organizada da sociedade, como um espelho do mundo dotado de visão e fala.

Equação biquadrada

Procura-se jornalista que seja generoso no uso dos substantivos e parcimonioso no uso dos adjetivos, que em caso de dúvida não ultrapasse o sinal vermelho da ética e do bom senso e que concorde que a ética do jornalista é a mesma do marceneiro.

Procura-se jornalista que se sinta indignado e denuncie a quem de direito qualquer empresário ou político, artista ou profissional liberal que lhe acene ou lhe ofereça qualquer vantagem financeira em troca da publicação de notícia favorável aos seus negócios, à sua carreira ou à sua área de atuação político-partidária.

Procura-se jornalista que, em confronto com as forças da natureza, testemunha ocular de eventos catastróficos, ocupe-se em ajudar a salvar uma ou mais vidas, em socorrer e amparar feridos, e que seja sábio o suficiente para deixar de lado obrigações contratuais imediatas como a observância de data-limite para envio de matéria, tomada de fotos específicas e que nunca pergunte a quem se encontra com a vida por um fio "como você está se sentindo?"

Procura-se jornalista que tenha uma visão muito apurada do que é justiça, ética, liberdade, democracia, equidade, bem-estar social, distribuição de renda, mobilidade social, inclusão social, inclusão digital, inclusão étnico-racial e que tenha uma sede de conhecimento insaciável, sempre se atualizando sobre o estado da arte no mundo.

Procura-se jornalista que não resenhe livro sem antes tê-lo lido, não critique filme a que não tenha assistido e não elogie álbum sem antes ter escutado todas as músicas, que se orgulhe mais dos livros que leu do que dos livros que escreveu e que saiba declamar "Navio Negreiro", de Castro Alves, cortar com a mão direita, equação biquadrada de segundo grau, fração e saiba conjugar o verbo "resfolegar".

Matérias arredias

Procura-se jornalista que não se submeta a qualquer forma de pressão, seja ideológica ou econômica e que se apresente de hora em hora ante o tribunal de sua consciência, o único dotado de poderes para julgá-lo de maneira equânime.

Procura-se jornalista que seja tão bom na crítica quanto na autocrítica, que entenda tanto da Ilíada de Homero como do efeito-estufa, que entenda causas e efeitos das crises econômicas mundiais de 1929 e de 2009, que esteja bem familiarizado com índices e siglas como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), FIB (Felicidade Interna Bruta), PIB (Produto Interno Bruto), Índice de Gini, Dow Jones, Nasdaq.

Procura-se jornalista que possua senso crítico, conhecimento do idioma, latitude de ação, humildade para conferir e voltar a conferir suas anotações antes de enviar seu texto para publicação.

Procura-se jornalista que respeite os direitos do leitor, não rotule sua opinião como informação, trate a informação de maneira imparcial sem exigir credenciais ideológicas e que considere muito natural ouvir o outro lado, principalmente quando se tratar de assunto que diga respeito também à honorabilidade de personagens enfocados.

Procura-se jornalista que cultive a independência de pensamento, que não deseje ser mais realista que o rei, mais católico que o papa, que respeite a linha editorial de quem lhe propicia o emprego, mas que não que renuncie à condição de ser pensante e esteja confortável tantas vezes quantas forem necessárias para ser voto vencido em uma discussão editorial.

Procura-se jornalista que apenas numa vista d’olhos saiba diferenciar entre um escândalo real de corrupção e um escândalo pré-fabricado de corrupção, que não empreste seu nome a reportagens tão arredias à verdade dos fatos como os morcegos são à claridade do dia.

Pior tragédia

Procura-se jornalista que entenda a toponímia de São Luiz do Paraitinga, Berlim e Caruaru, que compreenda que as cidades têm alma, que são mais que meras aglomerações humanas, e que possa fazer ampla exposição sobre o que são hidrônimos, limnônimos, talassônimos, orônimos e corônimos.

Procura-se jornalista que entenda tanto de Fernando Pessoa quanto de Umberto Eco, que conheça amiúde as biografias e o pensamento vivo de Winston Churchill e Boris Pasternak, Rui Barbosa e Cláudio Abramo, que compreenda que a História é a também o relato encadeado da vida dos grandes homens.

Procura-se jornalista que conheça em profundidade o que é um linotipo e uma gralha, um tipógrafo e um scanner, um prefácio e um posfácio, prolegômenos, uma composição bem feita, um hipertexto e uma nota de rodapé, uma orelha e um texto indicativo, a gramatura do papel que se tem na mão e a marca d’água, a folha de rosto e o que significa 1.844 terabytes.

Procura-se jornalista bastante familiarizado com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que saiba relacionar seus artigos com a crítica de políticas públicas para a população urbana e rural, para brancos e negros, índios e ciganos, meninos nas creches e meninos de rua, católicos e evangélicos, judeus, muçulmanos e bahá’ís, budistas e hindus, seguidores do candomblé e do Santo Daime, espíritas e ateus.

Procura-se jornalista que entenda, de uma vez por todas, que a pior tragédia na vida de um ser humano é aquilo que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo.

Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México.

Fonte.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Faltou o teste do bafômetro

Vejo com algum atraso, no site do Tribunal de Justiça do Acre, que a denúncia feita pelo Ministério Público contra o médico Marcos Henrique Bruzadin, que no final do ano passado, em estado de completa embriaguez alcoólica, causou um sério acidente de carro em frente ao Campus da Ufac em Xapuri, foi rejeitada pelo juiz da Vara Criminal desta comarca, Anastácio Lima de Menezes Filho, por uma razão técnica: a Polícia Militar, sabe-se lá por que, não realizou o teste do bafômetro (clique na imagem abaixo para ler a sentença do juiz).

Sentença_Juiz

O médico, um sujeito que ao ingerir álcool muda bruscamente de personalidade, foi denunciado pelo Ministério Público como incurso nas sanções do art. 306 do Código de Trânsito - Conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem –, que prevê pena detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Apesar da gravidade do acidente, Marcos Henrique saiu praticamente ileso do carro, que se chocou violentamente com uma mangueira e, em seguida, capotou, ficando completamente avariado, como mostra a foto acima, do blogueiro Joscires Ângelo (veja mais aqui). Tivesse ocorrido em horário de maior movimentação de pessoas, as chances de terem existido vítimas graves ou mesmo fatais no acidente seriam enormes. Na delegacia, para onde foi levado depois de receber assistência médica, o motorista afirmou não lembrar de nada.

Do episódio ficam duas questões em minha opinião pertinentes e de interesse do público. Primeiro, por que razão a PM não submeteu o médico ao teste do bafômetro, uma vez que tal equipamento já vinha há alguns meses sendo utilizado em Xapuri. E, em segundo lugar, por que os depoimentos das pessoas que testemunharam a embriaguez do acusado e a consequencia da sua irresponsabilidade não foram suficientes para que uma ação como essa tivesse continuidade. O espaço está à disposição.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Marina no Roda Viva

Comentário da Paixão Barbosa, do jornal A Tarde Online, na coluna Política & Cidadania sobre a participação da presidenciável acreana no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira:

“Fiquei muito bem impressionado pela tranquilidade e segurança da candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, em sua entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite da segunda-feira. Embora ela leve a vantagem de estar como franco atiradora e não tenha os mesmos compromissos e amarrações de Dilma Rousseff e José Serra, a senadora acreana deu um banho ao não fugir das perguntas, mostrar conhecimento acerca de questões delicadas (como o pré-sal e a política energética, por exemplo) e revelar suas posições em temas ainda mais delicados, como o casamento entre homossexuais. Enfim, uma performance que deve ter lhe rendido pontos entre aqueles que se dispuseram a ficar acordados até o início da madrugada desta terça-feira para conhecer melhor o seu pensamento. Sabe-se, porém, que eleição no Brasil – e ouso dizer que em todo o mundo – não é decidida pelas qualidades, qualificações e boas intenções dos candidatos, mas pela estrutura política que os cerca. Com as exceções de sempre, é bom que se diga”.

Lobos na pele de cordeiro

É o que não falta cidade afora. A pele de cordeiro, no caso, são algumas igrejas evangélicas que têm arrebanhado tudo quanto é tipo de “fiel”. Confesso que eu mesmo cheguei a acreditar que algumas almas perdidas pudessem estar encontrando o caminho do paraíso. Ledo engano. Parece que um velho adágio popular é mesmo inconteste: “pau que nasce torto até a cinza é torta”.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Marina Silva

"Não é só a força do dinheiro que vence uma eleição"

Sem mencionar seus oponentes, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), a candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, disse em entrevista exclusiva ao portal Terra, que não é só a força do dinheiro e das estruturas que podem vencer uma eleição.

"Hoje, as pessoas estão tratando a política como se alguém já tivesse decidido e que o povo siga apenas um roteiro. Não, o roteiro está sendo escrito pelo próprio povo", afirmou.

Veja no portal Terra a entrevista do jornalista acreano Altino Machado com Marina Silva, que será a primeira presidenciável sabatinada nesta segunda-feira (14), a partir das 22h, no programa Roda Viva, da TV Cultura.

domingo, 13 de junho de 2010

Artesanato

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Personagens da cultura acreana como ribeirinhos, seringueiros, agricultores, são modelados pelas mãos de mulheres do Grupo de Trabalhadoras de Xapuri que participaram de curso de porcelana fria, ou biscuit.

O curso foi oferecido numa parceria entre prefeitura de Xapuri, Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer do Estado e Sebrae. O objetivo é estabelecer no município um padrão de artesanato em massa fria que crie produtos artesanais que possuam a “cara” da cidade e do modo de viver de sua população, seja ela urbana ou rural.

Entre as peças produzidas no desenrolar no curso, estão as figuras do seringueiro com seus instrumentos de trabalho, no corte da seringa e no defumadouro; o agricultor, na plantação e na colheita; as fazedoras de cajuína, doceiras e quituteiras e daí por diante.

De acordo com Regileno Costa, diretor de Turismo da prefeitura de Xapuri, o objetivo do curso é tentar fortalecer a ligação entre o turismo e o artesanato no município, com a criação de produtos artesanais que possuam uma forte identidade com a cidade, um artesanato que identifique Xapuri em qualquer lugar em que chegar.

Cerca de 12 pessoas da comunidade participaram do treinamento. Algumas já trabalham com artesanato e outras tem a firme vontade de aprender e conquistar uma renda pessoal.

A foto é do fotógrafo Sérgio Vale.

sábado, 12 de junho de 2010

Oca-Xapuri

“A OCA de Xapuri é de fato a nova geração das centrais de atendimento ao cidadão no Brasil. O painel utiliza tecnologia de ponta e traz detalhes do processo de atendimento, incluindo o nome completo do usuário, o serviço pretendido e o nível de prioridade. O mecanismo traz equidade, agilidade e objetividade na prestação do serviço, configurando-se no maior passo dado por um Estado em seu processo de modernização da máquina pública”. Agência de Notícias do Acre.

(Foto: Sérgio Vale/Secom).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Já é Copa do Mundo

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Daqui a pouco, a anfitriã África do Sul e o México abrem 19ª Copa do Mundo das história do futebol mundial. Na próxima terça-feira será a vez da nossa seleção iniciar a luta pelo hexa. Dá-lhe, Brasil.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mão no remo e olho na Copa

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Bandeira do Brasil tremula numa das catraias que fazem a travessia de pessoas no Rio Acre, em Xapuri. O espírito patriótico dos xapurienses se manifesta a poucos dias da estréia da seleção de Dunga na África do Sul. Jogamos na terça-feira contra a Coréia do Norte.

PV lança Marina à Presidência

A senadora Marina Silva (PV-AC) será lançada oficialmente na tarde desta quinta-feira candidata à Presidência da Répública pelo PV com desafios pela frente e um currículo marcado pela superação.

A expectativa é que a presidenciável e seu vice, Guilherme Leal, só falem após as 15h. Na entrada do centro de convenções, um enorme boneco de Marina e uma banda animam os militantes verdes.

Leia mais no Globo Online.

Fotos da trajetória de Marina Silva.

Tia Vicência

Uma das figuras mais simbólicas da comunidade xapuriense está em destaque, hoje, na Agência de Notícias do Acre, em reportagem especial do experiente Edmilson Ferreira. Vale a pena conferir.

“A odisséia da farinha que veio do Acre”

Por Warner Bento Filho

Um caminhão quebrado, uma coleção de atoleiros e mais de 4 mil quilômetros rodados. Este é o saldo do esforço de um grupo de agricultores do Acre para trazer seu produto – farinha de mandioca e derivados - para a VII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária – Brasil Rural Contemporâneo.

A odisseia acreana começou no final de maio, quando o caminhão carregado com 1,5 mil quilos de produtos partiu de Cruzeiro do Sul em direção a Rio Branco, pela BR 364. É a única estrada que dá acesso ao Vale do Juruá, onde vivem os agricultores, que integram a Cooperativa Nova Aliança dos Produtores de Farinha do Vale do Juruá (Cooperfarinha).

A via tem um pequeno trecho asfaltado – cerca de 170 km - entre Rio Branco e Sena Madureira. E todo o resto – perto de 500 km - é de terra, ou barro, dependendo da época do ano. “Na verdade, a estrada só é transitável durante quatro meses por ano”, conta a delegada do MDA no Acre, Tatiana Balzon.

“Para que a produção da Cooperfarinha chegasse em Rio Branco e fosse para Brasília, solicitamos autorização do Deracre (Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura, Hidroviária e Aeroportuária do Estado do Acre), que ainda não abriu a estrada para circulação. Ficamos por conta e risco, visto que as condições da estrada ainda estão péssimas e há vários caminhões atolados há semanas na estrada”, conta a delegada.

O primeiro caminhão contratado para fazer a viagem até Rio Branco quebrou no início do trecho, por causa das más condições da estrada. “Como nenhum caminhoneiro queria colocar seus veículos com a estrada naquelas condições, nos articulamos com o Incra, que mandou um caminhão de Rio Branco para buscar a farinha”, conta.

Todo o esforço valia a pena porque a farinha de Cruzeiro do Sul, segundo a delegada, é conhecida por ser crocante e muito saborosa. Cruzeiro do Sul, que fica no extremo oeste do Estado (e do país), tem uma hora de diferença em relação ao horário de Brasília.

Quando é meio-dia em Brasília, são onze da manhã no Acre. Cruzeiro do Sul está tão longe de Rio Branco que se relaciona mais com o Estado do Amazonas, via rio Juruá, que se liga ao rio Amazonas. Nos oito meses em que a estrada fica sem condições de uso, o rio é o único meio de transporte acessível.

Simplesmente milagroso

Segundo o presidente da Cooperfarinha, Germano da Silva Gomes, a farinha de Cruzeiro do Sul é boa por dois motivos: primeiro, pela experiência. “Comecei a fazer farinha quando tinha dez anos”, conta o agricultor, que já tem 53 anos. O outro motivo, segundo ele, é a capacitação dos agricultores. “Fizemos muitos cursos, nos preparamos. Então, o que já era bom, ficou melhor ainda”, diz.

O caminhão cedido pelo Incra partiu de Rio Branco na quarta-feira,(2), chegando a Cruzeiro do Sul dois dias depois, na sexta-feira (4). A carga foi então transferida para o veículo, que partiu imediatamente e chegou em Rio Branco depois de outros dois dias de viagem, no domingo (6). “Simplesmente milagroso”, comemorou a delegada do MDA.

Na capital do Acre, a carga foi transferida para uma carreta, junto com os produtos de outras regiões do Estado, e de lá seguiu para Brasília. A Farinha-de-Mandioca é o carro chefe da economia Juruaense e principalmente de Cruzeiro do Sul. A Cooperfarinha foi o único empreendimento do Juruá inscrito na VII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária – Brasil Rural contemporâneo.

Na carga da Cooperfarinha há mil quilos de farinha de mandioca pura, 410 quilos de farinha de mandioca com coco – produto típico da região - 90 quilos de biscoito de goma, 200 pacotes de meio quilo de beiju de goma, 200 pacotes de meio quilo de beiju de massa e 20 quilos de açúcar mascavo.

A VII Feira Nacional da Agricultura Familiar – Brasil Rural Contemporâneo abre na próxima quarta-feira, 16, e vai até domingo (20), na concha acústica, na orla do Lago Paranoá.

Mais informações no portal do MDA.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Festa na Sibéria

Associação de Moradores do bairro celebra 23 anos de criação com quatro dias de muita festa e atendimento ao cidadão

A foto acima, captada no blog do projeto História Multimídia de Xapuri, marca o lugar onde nasceu uma das comunidades mais tradicionais e organizadas de Xapuri: o bairro da Sibéria, que realiza a partir de hoje uma das festas anuais mais importantes do calendário cultural do município, comemorando os 23 anos de fundação da organização de moradores.

Serão quatro dias de muita festa, atividades esportivas e culturais e atendimento ao cidadão. A partir de quinta-feira (10), a população terá à sua disposição os serviços do “mutirão da cidadania”, uma versão ampliada do já conhecido Projeto Cidadão. Na sexta-feira e no sábado será a vez do Saúde Itinerante entrar em ação com atendimento médico em diversas áreas da medicina.

Na parte dos shows musicais, as atrações também serão muitas e para gostos variados, desde as bandas locais Carisma e Babilônia, passando pelos brasi-bolivianos do L4, até chegar à atração principal deste ano que é o cantor Wanderley Andrade, aquele malucão de cabeleira pink e de mechas multicoloridas que em minha opinião canta muitíssimo bem, no seu estilo. 

João Jorge Cosmo da Silva, presidente da Associação de Moradores do bairro, conta que a festa foi realizada pela primeira vez há sete anos e que a partir de então foi ganhando força a cada ano até se tornar uma das mais importantes da cidade. Com poucos recursos no caixa da organização comunitária, a saída, segundo ele, é contar com a contribuição e o trabalho voluntários da própria população.

“A nossa festa custa algo em torno de 24 mil reais, então não teríamos condição nenhuma de organizar um evento como esse sem a ajuda das pessoas que fazem questão de contribuir de alguma maneira com a realização, seja com a doação de animais que são utilizados como prenda de bingos para a arrecadação de dinheiro ou com o próprio trabalho na preparação dos espaços”, explica ele.

João Jorge não esquece também das muitas parcerias sem as quais a festa não poderia ser realizada. Os órgãos da Justiça, incluindo as serventias extra-judicias de Xapuri, agora terceirizadas, na realização do Mutirão da Cidadania, o governo do Estado, no atendimento do programa Saúde Itinerante, prefeitura de Xapuri, que recuperou recentemente a escadaria do porto do bairro, entre outras ações de infra-estrutura que estão sendo realizadas.

A prefeitura está finalizando a recuperação do “deck” que oferece vista para o rio Acre e instalando lâmpadas nos postes para melhorar a iluminação do do bairro. Outra participação importante da prefeitura é no transporte de pessoas do interior do município para a cidade. Caminhões estarão fazendo vários percursos para atender quem deseje vir à Sibéria participar das festividades.

A organização da festa de aniversário do bairro Sibéria conta ainda com o apoio de algumas empresas locais, como as lojas Cícero Movelar, Artmóveis e Magazine do Povo, entre outros. A previsão é de que um número estimado entre 2 a 3 mil pessoas passem pelo bairro Sibéria durante as atividades que começam hoje, quarta-feira, e se encerram somente no próximo sábado (12).

Obras



Maxsuel Maia

Entre algumas obras que serão realizadas em Xapuri, através da parceria entre prefeitura e governo do estado, está a revitalização da Fonte do Bosque, um verdadeiro espaço de memória localizado na ladeira que dá acesso ao bairro da Bolívia. O local é histórico e está presente na memória coletiva do cidadão xapuriense. Sempre que pergunto a um morador quais os principais pontos históricos da cidade, eles respondem vários, entre eles sempre está a Fonte do Bosque.

Mesmo com esse valor histórico e importância na memória dos populares, o local sofre com o abandono, está totalmente depredado e insalubre, muito diferente da época em que jorravam vários litros de água cristalina, que segundo a História, matavam a sede das tropas brasileiras que lutavam em Xapuri na chamada "Revolução Acreana". A fonte, ao longo de sua existência, já passou por algumas restaurações, mas nunca foi tomado o cuidado necessário para sua preservação, na foto abaixo é possível ter uma noção do atual estágio.



A obra de reforma da Fonte do Bosque saiu em um pacotão de obras que serão realizadas no município, além dela também constam na placa informativa a Casa do Artesanato, a Casa Memorial do Seringueiro e a Casa de Café Regional. O prazo de execução das obras é de 90 dias e juntas elas custarão ao contribuinte R$ 250.889,44.

Texto original: Já era hora, no blog do autor.

Casa de Chico ou de Carmem?

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Postei lá embaixo a foto acima, do fotógrafo Sérgio Vale, da Agência de Notícias do Acre, com o título “Casa de Chico Mendes”. De imediato, retrucou a advogada Joana D’Arc Valente Santana:

“Casa de Dona Carmem. Até que seja concluído pagamento com a devida reparação judicial por seus herdeiros que jamais pagaram o
restante das parcelas e jamais foi feito o inventário. Breve novos capítulos”.

A história dessa confusão é antiga e já foi comentada aqui no blog (releia aqui). Segue um breve resumo:

A professora aposentada Carmem Rodrigues Moreira, de 70 anos, atualmente radicada em Rio Branco, acusa o líder sindical Chico Mendes de não haver lhe pagado o valor total relativo à compra da casa onde viria a ser assassinado em 1988. A propriedade se tornou famosa após a morte do seringueiro e transformou-se, em 2007, no primeiro patrimônio histórico nacional tombado no Acre.

A aposentada diz que vendeu a casa ao líder sindical em 1987, um ano antes de sua morte, pelo valor de 400 mil cruzeiros - moeda corrente da época - dos quais afirma ter recebido apenas 150 mil. Com base nestas alegações, a professora se declara ainda proprietária da residência. A questão é motivo de polêmica entre Carmem Rodrigues e a viúva de Chico Mendes, Ilzamar Mendes, que nega haver algum tipo de fundamento nas alegações da aposentada.

O caso já foi parar na justiça, onde a professora chegou a ser condenada a pagar um salário mínimo de indenização por invadir a Fundação Chico Mendes gritando ofensas contra a memória do líder sindical, a quem chamou de “preguiçoso” na presença de visitantes, além de acusá-lo de não quitar a dívida da casa.

Posteriormente, a viúva Ilzamar Mendes informou à imprensa que a professora Carmem Rodrigues assinou todos os recibos de transferência do imóvel para o nome de Chico Mendes. Os documentos, segundo ela, estão na Fundação Chico Mendes.

Como a advogada Joana D’Arc avisa que o caso não está encerrado, resta aguardar os próximos capítulos da história.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Brasiléia terá Parque Ambiental

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Leia aqui.

De aliança com o destino

José Cláudio Mota Porfiro

Apanho-me a observar algumas plantas ornamentais da Praça do Relógio. Estou sentado a um banco, talvez em êxtase, em vista das belezas naturais desta cidade em flor. E quantas e tão belas flores! Logo eu, ranzinza desde a mais tenra infância, cortando o vento feito coisa doida em cima do alazão pelas estradas do Baturité!

Encanto-me com a barulheira de tantos pássaros que pululam e voejam através dos galhos das frondosas e vetustas mangueiras que ornamentam a cidade de Belém. Há poesia no ar diáfano que envolve esta alma quase pura. Vejo a suntuosidade clássica européia das velhas enciclopédias nos traços que compõem o casario de azulejos portugueses do Boulevard, as velhas igrejas da Sé e a de Santo Alexandre, o Teatro da Paz, as estátuas da Praça da República, dentre outros tantos marcos culturais. Sinto que me envolve o doce cheiro de qualquer doce que me invade as narinas. Vivo os dias que me separam de um matrimônio que, juramos, há de durar para sempre, como este imenso caudal formado pela gigantesca foz do Amazonas. Disseram-me, na Faculdade, que estou sentimental demais.

De fato, mal dados os primeiros passos, mesmo antes do noivado, já me sinto profundamente comprometido com tantas palavras cheias de esperança que houve por bem dizer à dama que cruzou o meu caminho em hora tão propícia. Domenico Cieri, napolitano, nas suas Meditações, leva-nos a concluir que uma das surpresas mais agradáveis que podemos experimentar ao nos comprometermos totalmente com algum projeto específico, como o casamento, é que vão sempre surgindo forças e oportunidades que não houvéramos imaginado até então. Por isto o barco singra cada vez mais veloz através das águas claras e mansas deste festim celestial hoje por mim vivido. Não é tão bom ser feliz sozinho. Até já o fui. Bom mesmo é compartilhar a felicidade com a alma gêmea que se nos colocam em meio ao caminho. É meloso, sim, mas as paixões regadas pelo amor são assim mesmo.

A melhor roupa já não é a da solenidade de Sete de Setembro. Encomendei ao alfaiate Osvaldo Tertuliano um terno de brim HJ bege para ir ao Cinema Olímpia. Cinco dias apenas e já o apanhei passado e engomado. Houvera apressado o especialista em vestuário masculino ao máximo. Oferecera-lhe uma frasqueira de um vinho do Porto, o São Gustavo, já entregue.

Trinta minutos antes da hora aprazada, cá já estou eu, todo ancho, dentro do terno HJ, comendo pipoca, tomando sorvete, bebendo água, esbaforido, nervoso, com o coração aos pulos feito cabrito na várzea. Não estou cabendo em mim de tanta ansiedade. Sinto-me como se estivesse entalado dentro da roupa. Jamais experimentei uma sensação assim, tão pulsante, tão febril.

De repente, não mais que de repente, duas esquinas depois do cinema, no rumo de cima, aparecem as duas de braços dados e sob uma única sombrinha a lhes proteger do sol ainda cálido. Maida, a irmã, vem vestida de um rosa claro, mas completamente desinchavida e desinteressante. A musa dos meus sonhos, Latifa, sorridente mas altiva, desce a ladeirinha, de lá pra cá, de sapato de salto branco, vestido da mesma cor, de cambraia bordada, em maquilagem simples mas encantadora. Duas petecas de olhos pretos e dóceis. Os cabelos negros e lisos, agora um pouco cortados, não passam dos ombros cobertos pelas mangas curtas da vestimenta.

- Olá! Boa tarde! Ninguém poderá dizer que não somos pontuais. – Foi o que me veio à cabeça, posto que as pernas estavam bambas e o coração feito cavalo doido.

- Oi! Esta é minha irmã Maida, de quem já lhe falei. Ela é menor de idade, tem apenas dezessete e, por isso, deve assistir à sessão das cinco, ou seja, um pouco mais cedo, em vista das recomendações de nossa mãe.

- É um grande prazer. – Disse automaticamente. – Antecipei-me e já comprei as entradas. Não sei se é do agrado, desculpem-me; mas, pensando em provar a mim mesmo que já lhe conheço um pouco dos gostos, escolhi assistirmos A parada do amor, com o Maurice Chevalier.

- Ótimo! É uma grande idéia. É o Oscar de 1931 e eu ainda não havia assistido... Podemos entrar?

O primeiro estágio não poderia ter sido melhor. Acertei em cheio. Findei por agradar as duas. E agora, penso comigo, será que o filme não vai mostrar muito beija-beija? Talvez fosse um tanto fora de ocasião. Mas, pensando bem, dela, então, daquela diva libanesa, ao menos um beijo, e só um único beijo, já me deixaria felicíssimo... Há de ser o que Deus quiser.

As horas se passaram celeremente. Sequer lembro uma passagem única da trama criada pelo autor da película. Boa parte do tempo, ficamos de mãos dadas sob o olhar inquisidor da irmã menor.

Agora, vamos em passeio pela Praça da República. Olho-a de soslaio.

Quanta beleza cabe numa mulher só! É como se Deus tivesse caprichado muito mais nela do que em todos os seres da face da terra... E isto é paixão ou é amor?

Talvez sejam os dois... E tudo isso é muito bom.

Estou a caminho do paraíso. Sinto-o em todos os odores de todas as esquinas, em todos os instantes do relógio compassado da velha Igreja de Santo Alexandre, em todas as paisagens que vão até os confins de todos os lugares por onde tenho andado, mesmo em sonhos, como esta quimera que os lhos vêem, o coração sente e a alma rejubilada se entontece, sim, esta faixa azulada longínqua que dizem ser a entrada para a grande hiléia amazônica. Em verdade, é preciso dar razão ao poeta velho que prega para todos os rincões da terra que os brutos também amam.

Em sonho noturno depois de dois copos de vinho, contemplo, da janela do meu quarto, um estranho cenário: a água lenta, a floresta compacta, ilhas em distâncias regulares umas das outras. Olho longamente a paisagem a apagar-se no crepúsculo. Diante dos meus olhos, diante do meu inquieto espírito, dilui-se na sombra, afoga-se na noite, a paisagem patética. O silêncio - um grave e estranho silêncio - tomou conta do por do sol e do nascer da noite que descia devagarzinho, mansamente, como temendo perturbar o começo do sono da mata e do rio, que iam adormecendo no silêncio. Só havia luzes no céu, e eram estrelas. E a noite dissolvia docemente tudo o que havia de brutal naquela imensidão da natureza. A minha alma angustiada aconchegava-se na escuridão que tomou conta de tudo. O silêncio noturno - o delicado e solene silêncio - era uma música, a música da natureza, música da água, do vento, das árvores adormecidas, que me enchiam a alma de uma singular emoção. E, detendo-me calado diante daquela perturbadora fusão de silêncio e escuridão que era a magia da noite amazônica, despertei quando já era sábado, mais um dia para viver a sofreguidão de uma espera quase eterna.

Está combinado. Depois de amanhã, iremos à Missa das sete da noite, na Catedral da Sé. Por enquanto, vou ficando entre os mais doces e os mais pecaminosos pensamentos, olhando o relógio de algibeira a cada cinco minutos, isto, por quarenta e oito horas sem fim.

Estou novamente adiantado em relação ao que acertamos. Incrível é observar que Latifa, apesar da descendência libanesa, freqüenta a Santa Missa todos os domingos, confessa-se junto ao Padre Clemente, comunga, foi batizada e crismada, tudo como manda o figurino da nossa Igreja Católica Apostólica Romana. Nunca a tinha visto antes exatamente pelo fato de fazer o meu exercício religioso em outro horário e, às vezes, em outro templo.

Luvas brancas mais curtas que as primeiras, vestido branco de organza, um olhar a cada dia mais encantador e, agora, a companhia da mãe, a senhora Marreb.

- Este é o senhor Melchíades, de quem já lhe falei, mamãe! Talvez hoje tenhamos alguma coisa a lhe dizer. – Foram estas as palavras que em mim mais causaram surpresa durante toda a vida.

- Boas noites! Estamos já atrasados para um compromisso religioso que tenho. Depois conversamos. – Disse a mãe com sotaque médio asiático bastante carregado.

Ao término da Missa, fomos à residência da família que fica na Rua Padre Eutíquio. Numa sala de visitas elegante, sou convidado a sentar-me. Depois dos salamaleques de praxe, o cafezinho e as broas. Dizemos à senhora Marreb, então, que estamos enamorados, com o que ela concordou, tendo, antes, ficado um tanto irresoluta:

- Talvez também o marido goste de tal namoro porque você já é quase um doutore. Ele gosta dos que estudam e pensam com clareza no futuro.

Fui para casa agradecido a Deus pelo fato de aquela senhora de fartos seios e bundas grandes ter-me achado aproveitável. Afinal, a primeira impressão é a que fica.

De saída, já na porta, roubei-lhe o primeiro beijo, um tanto demorado, é claro, mas sem maiores saliências, afinal, eu, novamente, já quase me sentia parte de uma família, como todo bom cearense perdido nessas idas e vindas deste mundo afora.

Muito do que passava pela minha cabeça, antes, enquanto euforia de rapazola empolgado com possibilidades tão tênues, passa agora a ter significados bastante reais, como algo que se aproxima das verdades mais irrefutáveis. Talvez ela ainda não me ame, mas já gosta de mim, e isto já é muito para um sertanejo atarracado nos procedimentos e quase sem origem, uma vez que não guardo lembrança alguma dos meus pais. Fui criado por duas tias velhas que me deram carinho, vergonha na cara e zelo. E só.

A família Nagib é dona de uma loja de tecidos, roupas e outros badulaques vindos de Paris, a Le Coq. O pai, Radek, está passando temporada em Soures, a cidade da saúde, curando-se de uma grave enfermidade no pulmão, já há seis meses porque, segundo Latifa, teve uma experiência terrível ao escapar de um naufrágio na viagem para Marajó, no meio da reponta. Há um médico amigo, o Dr. Chaves, meu conhecido do gamão do clube Centro Galego, que o visita a cada quinze dias, ocasião em que também as filhas o vêem. O homem, dizem, tem quarenta e nove anos, é forte, e não se sabe como ficou tuberculoso. Certo é que, no meio do naufrágio, quando a maré ainda estava alta e a baía em rebuliço, por erro de um tal Comandante Alencar, o navio Caiçara embicou e onze pessoas morreram afogadas. O turco sobreviveu, mas os pulmões já doentes tiveram de suportar uns bons litros de água. Segundo a família, em mais ou menos um mês, ele já poderá voltar para casa são e salvo, isto tudo por obra e graça das propriedades medicinais de uma água milagrosa (sulfurosa) e do vento saudável que corre do mar e se mistura ao clima temperado e ameno da ilha.

Somos totalmente responsáveis pela qualidade da nossa vida e pelo efeito exercido sobre os outros, construtivo ou destrutivo, quer pelo exemplo quer pela influência direta. Os mais velhos com quem tive o prazer de compartilhar de alguns conselhos, até agora, dizem que a nós, humanos, cabe a busca da felicidade nossa e daqueles a quem amamos. Agindo responsavelmente, como tenho agido desde muito tempo, dou exemplos e, certamente, fortifico uma relação conjugal que já no nascedouro é bastante sólida e convicta, em vista dos nossos propósitos sempre baseados no compromisso e na responsabilidade.

Todos os meus projetos de vida a dois, agora, são plenamente exeqüíveis. Já não vejo dificuldade em comprar uma casa, mobiliá-la, ter um jardim de frente e outro nos fundos de um grande quintal de esquina, seja em São Brás ou no Umarizal, para onde temos projetado o nosso destino a dois e o futuro endereço.

Capítulo XVIII, do romance O Inverno dos Anjos do Sol Poente, do escritor xapuriense José Cláudio Mota Porfiro. Mais no blog do autor, Impressões Gerais.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Muito bom

Pra quem me pediu que relatasse aqui o desempenho do telefone celular Sansung B5702, primeiro aparelho de fabricação nacional a suportar dois chips de operadoras diferentes, segue uma rápida e leiga avaliação depois de alguns dias de uso da engenhoca.

Muito bom para quem deseja a funcionalidade de usar os serviços de duas operadoras diferentes em um mesmo aparelho. Eu uso Vivo e OI e ambas estão funcionando muito bem, inclusive sem apresentar alguns problemas comuns aos conhecidos “da China”.

O aparelho permite escolher qualquer um dos dois SIM CARDS instalados na hora de fazer uma ligação, enviar mensagens ou acessar à internet. É possível também receber chamadas em ambas as linhas simultaneamente.

O preço ainda está um pouco salgado, mas o usuário pode economizar um bom dinheiro aproveitando as ofertas de bônus que estão sendo oferecidas pelas operadoras na briga pela preferência do consumidor. Bem mais prático e cômodo que usar dois telefones.

O aparelho está à venda em Xapuri na loja Artmóveis. Mais informações sobre lançamentos mais recentes de telefones da linha duos no site da Sansung do Brasil.

Em tempo: A LG acaba de lançar no mercado nacional dois aparelhos dual sim, a exemplo da Sansung.

Flu campeão de 1970

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João Marcelo Garcez

Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Didi; Cafuringa, Flávio (Mickey), Samarone e Lula.

Quarenta anos depois da conquista do primeiro Campeonato Brasileiro da história do Fluminense – à época, chamado de Taça de Prata –, a equipe campeã de 70 não sai da cabeça dos tricolores. Disputado ainda sob o regime militar, durante os chamados Anos de Chumbo, a competição nacional daquele ano é tida até hoje como a mais difícil de todos os tempos.

Aglomerado de craques, o também chamado Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi disputado ainda sob a euforia da conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira, cujos campeões se encontravam reunidos em muitos dos 17 clubes participantes, o que fez dele, além de mais disputado, o mais badalado entre todos os campeonatos nacionais do país, desleixadamente esquecido depois pela CBF (a despeito de todas as evidências, como na capa da conceituada revista Placar da época, em destaque, e em boletins da CBD).

Mas não pelos tricolores, que, através do apurado texto do jornalista Roberto Sander, verão agora o Campeonato Brasileiro de 1970 eternizado em livro, cujo lançamento se dará logo na primeira semana de agosto. Convidado por Sander, teve este colunista honrosa participação na orelha da obra, obrigatória na estante de qualquer tricolor.

João Marcelo Garcez (31) é jornalista, publicitário e autor dos livros “Libertadores 2008 – O Ano em que a Magia Tricolor Encantou o Mundo” (2009) e “Epopéia Tricolor – A Conquista do Brasil e a Volta à América” (2008).

domingo, 6 de junho de 2010

Domingo de pescaria no Ina

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Essa maravilha da natureza está ameaçadoramente rodeada por pastos de várias fazendas da região de Xapuri. De dentro do rio, onde passei o domingo pescando, de barco, ouve-se o tempo todo o berro dos bois nos campos próximos.

Mais fotos:

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E para provar que a pescaria não foi apenas passeio de barco e turismo ecológico, eis um Surubim (Pseudoplatystoma fasciatum) de uns 4 quilogramas. Apesar de possuir hábitos noturnos, o apreciado peixe foi fisgado por volta das 4 horas da tarde com linha, anzol e pescador inadequados.

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Boa semana.

sábado, 5 de junho de 2010

Soldados do tráfico

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A juventude de Xapuri continua a ser arregimentada pelos comandantes do tráfico na região. O delegado Thiago Fernandes Duarte informa que nos últimos 4 meses 10 menores foram apreendidos, sendo que 4 desses foram encaminhados ao Centro de Recuperação de Menores, número considerado expressivo para uma cidade de apenas 15 mil habitantes, segundo o agente da lei, e mais ainda pelo fato de que muitos desses habitam a zona rural.

No mesmo período, 12 pessoas foram indiciadas em Xapuri por tráfico de drogas e conduzidas ao presídio de Rio Branco. Menores ou maiores de idade, esses indivíduos quase sempre são apenas peixes miúdos, meros soldados a  serviço dos tubarões da droga, a quem a mão da justiça tem mais dificuldade de alcançar, ressaltando-se que a polícia de Xapuri tem feito um trabalho exemplar de combate a esta modalidade de crime que parece encantar a juventude.

Leia.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Deu no Correio Braziliense

A Continuidade nos Estados

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi:

Como nossa experiência com eleições presidenciais no Brasil contemporâneo é pequena, é sempre ilustrativo olhar em torno, procurando identificar, em outros aspectos de nossa cultura política, elementos que nos ajudem a entendê-las. Por exemplo, nas eleições para os governos estaduais.

Já fizemos mais de 150 eleições para o cargo de governador desde 1982, quando, depois do intervalo imposto pela ditadura em 1965, recuperamos o direito de realizá-las. A lógica que as preside, o modo como os eleitores pensam e participam delas é diferente do que acontece no plano nacional. Ainda assim, há o que aprender com elas.

Tomemos uma questão central nas eleições presidenciais de 2010, a escolha entre continuidade e mudança. Lula, desde quando começou a imaginar como vencê-las, investiu sua liderança e agiu para fazer com que fosse essa a disjuntiva apresentada aos eleitores. Suas primeiríssimas manifestações sobre a sucessão foram de que a sociedade brasileira teria que se pronunciar sobre os anos do governo do PSDB vis-à-vis aos do PT. Seria o plebiscito entre ele e Fernando Henrique, a respeito do qual tanto se falou. Continuar era manter o que se tinha, mudar voltar ao passado.

No plano federal, a proposta de Lula pareceu estranha a muitos. Nossas cinco eleições presidenciais não envolveram escolhas parecidas. Mas ela tem semelhanças com dezenas de eleições estaduais nos últimos anos. Na hora de escolher governadores, é muito comum que o processo envolva opções como a que ele quer que façamos agora: continuar ou mudar.

Pensemos nas eleições para governador este ano. Se olharmos as pesquisas disponíveis para os 27 estados, vemos que praticamente todos os governadores que terminam agora um primeiro mandato são candidatos à renovação. Todos estão bem colocados, sendo alguns favoritos absolutos (como Eduardo Campos e Cid Gomes), outros liderando com vantagem (como Sérgio Cabral e Jaques Wagner) e os demais competitivos. A única exceção é a governadora do Rio Grande do Sul, mal colocada em um distante terceiro lugar dos favoritos.

Há dois governadores que poderiam, mas não vão disputar. São Binho Marques, do Acre, e Alcides Rodrigues, de Goiás. Ambos são ex-vice-governadores que se elegeram graças ao prestígio de seus patronos políticos, que agora retornam. São casos que se poderiam encaixar na imagem de “terceiros mandatos”. Não podendo disputar, Marconi Perillo fez de seu vice o sucessor, como fez Jorge Viana, no Acre, com Binho. Nos dois estados, os eleitores referendaram a indicação. Agora, os chefes são favoritos para voltar (no Acre, por interposta pessoa, o irmão de Jorge, senador Tião Viana).

O fenômeno de vices que assumem e disputam um mandato com cara de continuidade nunca foi tão frequente quanto neste ano. Ele está presente no Amapá e no Amazonas, em Mato Grosso e Minas Gerais, no Paraná, Piauí e no Rio Grande do Norte, em Rondônia e em Santa Catarina. Se somarmos os governadores eleitos em 2006, esses vices e os casos do Acre e de Goiás, temos candidaturas de estrita continuidade em 23 estados. Quase todos podem ganhar, alguns com mais, outros com menos chances.

Nos 4 que restam, temos São Paulo, onde um vice assumiu sem aspirar a permanecer, e Alckmin lidera, abrindo a possibilidade de um quinto governo peessedebista em sequência. Temos o Espírito Santo, onde o governador resolveu permanecer no cargo para orquestrar sua sucessão, algo que parece que conseguirá. O último estado é Tocantins, que tem hoje um governador eleito por voto indireto e que pretende se manter no cargo pelo voto popular. E o Distrito Federal, o único lugar em que ninguém fala em continuidade, mas que pode eleger o criador de tudo que os seguintes fizeram.

Se quiséssemos eleições para governador mais marcadas pela continuidade, seria difícil encontrar. O que isso sugere para as eleições presidenciais é fácil imaginar.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Hanseníase

Brasil é o pior do mundo em um mal milenar

Ano passado, país registrou mais de 36 mil novos casos de hanseníase; nenhum estado atingiu meta de redução da OMS

Por Redação Multimídia ES Hoje redacao@eshoje.com.br

Encravado na Floresta Amazônica, Lábrea, a sete dias de barco de Manaus, é um município de pouco mais de 30 mil habitantes. O saneamento é precário, e boa parte da população ainda vive nas margens dos rios. Segundo dados do Datasus, do Ministério da Saúde, de 2008 a 2009, a cidade registrou 34 novos casos de hanseníase, uma moléstia que há milênios transforma seus portadores em alvo de preconceito e segregação.

No Brasil, a hanseníase é mais uma das enfermidades que se somam às doenças da negligência, associadas à pobreza e à falta de tratamento adequado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a meta que o Brasil devia ter atingido em 2005 era de menos de um caso para cada dez mil habitantes.

No entanto, dados de 2009 mostram que Lábrea não é exceção: nenhum estado brasileiro atingiu o índice da OMS. No ano passado, mais de 36 mil pessoas ficaram doentes, e a taxa de detecção ficou em 19,18% para cada cem mil habitantes. O país registrou taxa de prevalência de 2,19% para cada dez mil habitantes, índice maior que em 2008, quando o número era 2,06%.

Uma das doenças mais antigas do mundo, a hanseníase teve a cura descoberta na década de 1940. Quase 70 anos depois, o Brasil, segundo o ministério, está apenas atrás da Índia no número de casos, e em 2008 registrou 15,6% de todos os casos do mundo. Se a conta for feita levando em consideração a taxa de prevalência da enfermidade, o país ostenta um título pior: é o primeiro no ranking mundial, seguido por Timor Leste e Nepal, únicos países que também não cumpriram a meta da OMS.

Moradora de Lábrea, Maria de Nazaré, de 55 anos, não se surpreende com os casos diagnosticados e acredita que o número na região é ainda mais alto: - Vivemos numa área de difícil acesso e onde as pessoas descobrem tarde que estão doentes. A cidade não tem dermatologista, os médicos vêm uma vez por ano de Manaus e ficam só por uma semana. Arrisco dizer que em Lábrea vivem três mil pessoas que já tiveram ou têm hanseníase, muitas com sequelas - conta Maria, que há 25 anos ajuda os pacientes, há cinco se descobriu portadora da enfermidade e hoje é coordenadora do núcleo que o Movimento pela Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) tem na cidade

Preconceito ainda é rotina. Segundo o ministério, o número de casos vem caindo, já que foram registrados 57.941 em 2003, 29% a mais do que em 2009. Coordenador do Morhan, Artur Custódio diz que existem avanços, mas lembra que o Brasil não acompanhou o patamar de redução de outros países.

- Reduzimos os casos lentamente.

Perdemos muito tempo na década de 1990, tanto que o Timor Leste está prestes a cumprir a meta da OMS, e nós vamos continuar tendo mais de um caso para cada dez mil habitantes - diz Custódio.

Mesmo sem ter cumprido a meta da OMS, o ministério impôs outra ao país. O Brasil deve até 2011 diminuir em 10% o número de novos casos em menores de 15 anos. O objetivo faz parte do PAC-Mais Saúde e do Plano Nacional de Saúde.

- Essa é a principal meta para o monitoramento, já que esses casos têm relação com doença recente e são focos de transmissão ativos - diz Maria Aparecida de Faria Grossi, coordenadora do Programa Nacional de Controle da Hanseníase.

Segundo Maria Aparecida, para fazer com que os índices continuem caindo, o ministério realiza anualmente a programação de medicamentos com as coordenações estaduais de hanseníase e da assistência farmacêutica, e promove campanhas para informar sobre a doença: - Temos parcerias com centros de referência nacionais, ONGs e entidades científicas para dar suporte ao programa.

Mas quem precisa de informação ainda tem queixas. Morador de Rio Branco, no Acre, Elson Dias da Silva, 27 anos, vê desde que nasceu os pais sofrerem com a doença e há alguns anos foi chamado para ajudar um menino que havia sido isolado pela família, em Xapuri.

- Eles não tinham informação, fizeram uma casa nos fundos do terreno onde moravam e só se aproximavam para passar comida. O rapaz escreveu uma carta dizendo que ia se matar, e o pai foi me procurar. É o que acontece em áreas isoladas, onde os programas não chegam.

Morador do Piauí, Ruimar Batista descobriu que tinha hanseníase em 1984 e desde então trabalha para ajudar quem recebe o diagnóstico e também os que tiveram que amputar mãos, pernas e pés: - O governo federal devia ter mais parcerias com os estados e os municípios. No Piauí, uma ação nas escolas podia evitar que casos sejam descobertos tardiamente. Em 84, eu nunca tinha ouvido falar em hanseníase.

Em 2010, muita gente no meu estado não sabe o que é.

O presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, Marcos Virmond, diz que o país precisa de mais investimentos a longo prazo para conter a doença: - Para evitar mais lesões, é preciso fazer testes para detectar precocemente a doença, que pode ficar incubada até 35 anos e leva em média cinco para aparecer.

É necessário operacionalizar melhor a entrega dos remédios, melhorar a informação passada aos pacientes e o acesso ao diagnóstico. Com a política que temos, não vamos resolver em um ano ou em 30, vamos levar 50 anos para termos índices melhores. Não acredito que o país consiga reduzir 10% do total de casos em dez anos.

Revitalização

Parceria entre Governo e Prefeitura garante revitalização de ruas em Xapuri. Cerâmica Municipal está sendo reformada para ofertar os tijolos usados na pavimentação de ruas importantes da cidade.

Tatiana Campos, Agência de Notícias do Acre

As ruas Doutor Batista de Morais e Pio Nazário, duas vias principais em Xapuri, estão em fase final de revitalização. A pavimentação, feita com tijolos produzidos no município, está quase concluída. As ruas são de grande movimentação, pois dão acesso a dois pontos turísticos importantes da cidade: a Casa de Chico Mendes e a Fundação que leva o nome do líder seringueiro.

As ruas Coronel Brandão, Vinte e Quatro de Janeiro e Dezessete de Novembro estão passando por uma operação tapa-buraco e a ponte que faz a ligação com o bairro Bolívia também está em fase final de construção. Além destas obras, um convênio com o Governo do Estado no valor de R$ 340 mil garante o trabalho de drenagem e esgoto das principais ruas da cidade.

A pavimentação das ruas com tijolos, segundo o prefeito Bira Vasconcelos, traz várias vantagens e não foi escolhida por acaso. "Além de ser mais adequada por não produzir tanto calor em dias ensolarados, também gera emprego e renda em nossa cidade, já que os tijolos são produzidos na cerâmica que o Governo está revitalizando".

A reforma e revitalização da Cerâmica Municipal é executada através de um convênio no valor de R$ 252 mil entre a Prefeitura de Xapuri e Governo do Estado, através da Fundação de Tecnologia do Acre, a Funtac.

"O convênio prevê a construção dos fornos, que não existiam, a reforma dos maquinários, legalização da jazida para extração de argila e treinamento dos funcionários. Estamos na fase de conclusão dos fornos, por isso os tijolos fabricados ainda não têm a qualidade superior ideal, pois ainda são queimados em caieras", explicou o diretor da Funtac, César Dotto.

Bira Vasconcelos, Prefeito de Xapuri

“Além de ser mais adequada, por não produzir tanto calor em dias ensolarados, a pavimentação com tijolos também gera emprego e renda em nossa cidade, já que os tijolos são produzidos na cerâmica que o Governo está revitalizando”.

As fotos são de Ângela Peres, Secom-Acre.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Darly próximo do regime aberto

O repórter Jairo Carioca, do Ac24horas.com, noticia que a juíza da Vara de Execuções Penais, Maha Manasfi, fez solicitação ao Juiz da Vara Criminal da Comarca de Xapuri, Anastácio Lima de Menezes, para que o fazendeiro Darly Alves da Silva cumpra o restante da pena pela morte de Chico Mendes em Xapuri.

“A juíza ressaltou que Darly já se encontra no regime semi-aberto, com autorização para trabalho externo desde abril de 2009. Darly ganhará direito ao sistema aberto no dia 23 de outubro deste ano. Aos 70 anos de idade, o principal acusado pelo assassinato do líder sindical Chico Mendes, reclama de problemas de saúde”, escreveu o jornalista.

Às vésperas da morte de Chico Mendes completar 20 anos, eu e o jornalista Altino Machado fomos até a fazenda Paraná, onde Darly Alves, em regime de prisão domiciliar, se recuperava de problemas de saúde (leia aqui e aqui). Na ocasião, o fazendeiro manifestou a intenção de deixar o Acre para viver em Brasília, onde cumpriu parte de sua pena, que tem previsão de acabar somente em 2015.

Sobre os comentários de que o governo prentendia transformar a área da fazenda Paraná em um pólo agroflorestal, Darly disse que poderia vender suas terras caso lhe oferecessem um preço justo.