terça-feira, 25 de agosto de 2009

“Binho candidato ao Senado seria uma bênção.”

Nayanne Santana

Ex-ministra do Meio Ambiente e senadora pelo Acre, Marina Silva concedeu entrevista coletiva aos jornalistas do Estado. Acompanhada da presidente do PV no Acre, Shirley Torres, e do médico Júlio Eduardo, o Julinho, que também faz parte da direção do partido, a ex-ministra acriana falou sobre sua saída do PT e sua filiação ao Partido Verde.
Marina também falou sobre a necessidade urgente que há dos países, empresas e agremiações devem discutir e implementar políticas ligadas ao desenvolvimento sustentável e, por fim, declarou que o candidato de sua preferência ao senado seria o governador Binho Marques (PT).

Filiação no PV

“A executiva nacional já havia pedido ao Dr. Julinho que me fizesse o pedido para ir para o Partido Verde, mas ele sempre me respeitou. O PV organizou uma reunião há uns dois meses e eu me dispus a ouvi-los. Foi uma conversa de quatro horas, em que eu mais ouvi do que falei. Eles trouxeram uma pesquisa, foi uma pesquisa feita por telefone, e eu disse que eu não ia me ater a pesquisas e que não ia doutrinar a minha decisão, a priori, a candidatura até porque se eu tivesse entrado no PT para ser candidata eu nunca teria sido candidata. Se tivesse que ter sido candidata por causa de pesquisas, nunca teria sido”, declarou. A senadora explicou que segue para o PV porque é um partido que está disposto a partir para o debate sobre a sustentabilidade de forma voluntária.

Saída do PT

“Nos últimos quatro ou oito anos, aprendi a não ter mais essa ilusão de que o PT seria um partido perfeito. O PT é um partido que tem problemas e que uma minoria cometeu erros e que uma grande maioria são pessoas de bem que dá contribuição para este país, inclusive o presidente Lula.

Discutir o desenvolvimento sustentável fora do PT

“Marina disse que muita gente chegou a questioná-la sobre os motivos pelo quais ela não entrava nesse embate de discutir o desenvolvimento sustentável dentro do PT. “Eu cheguei à conclusão que não se tratava de fazer um embate para ter que convencer o PT, mas que se tratava de promover um encontro com aqueles que estão se dispondo a colocar essa questão como prioridade. Tendo a clareza de que nem um partido vai hegemonizar esse tem. Esse tema deve está em todos os partidos.

Decisão difícil

Não foi uma decisão fácil, foi difícil. Eu não tenho uma postura de desconstruir tudo o que construímos juntos e tenho dito que não se trata de negar os frutos no celeiro das coisas que plantamos e que colhemos. Trata-se tão somente de jogar a semente em uma outra seara e é isso que eu estou me dispondo a fazer. Eu funciono muito com metáforas. Eu tive que fazer uma metáfora para que esse processo seja menos doloroso quando eu penso no Binho, no Jorge, na Júlia, no Lhé. O fato de você sair ara construir outra casa não significa romper com aquele povo que você morou durante tanto tempo na casa. Significa que você está agora numa outra rua, num outro bairro, numa outra vizinhança, mas a gente continua juntos. A nossa casa nunca foi tão comum, porque é essa casa chamada planeta”.

Candidatura

“Não sou, a priori, candidata. Eu disse isso para o PV. Eu estou em processo de transição para uma filiação, que está sendo construída para o dia 30 com a direção do PV. Sei dos desafios, sei das dificuldades e a decisão de candidatura é em 2010.

Agradecimentos

“Me sinto honrada em ter sido convidada como candidata prioritária do Partido Verde e me sinto honrada também pelas manifestações de respeito que o Brasil tem enviado, particularmente o apoio que o povo do Acre tem dado a mim, a própria Frente Popular”.

Nascente de água boa

Marina disse que o Acre embora seja um Estado pequeno parece uma nascente de água boa porque daqui saiu uma ministra e quase foram dois ministros. Também saiu um candidato à presidência do Senado. “Eu vejo essa água boa brotando não só da Frente Popular. Brotando do coração de todos os homens e mulheres”.

Chico Mendes

Ao falar sobre o companheiro de embates, que tanto a ensinou sobre o amor que ela tem pela Amazônia, Marina se emocionou e dirigiu seu pronunciamento a filha do líder seringueiro, Elenira Mendes. “Talvez, Deus, de alguma forma, me faz agora fazer esse gesto, também, para que eu possa devolver para a filha do Chico Mendes aquilo que ele me deu. O teu pai foi um professor [disse Marina a Elenira]. Ele me ensinou muitas coisas e quem sabe agora eu não tenho a oportunidade de nos meus 51 anos também te ensinar, porque tu és herdeira deste nome, dessa trajetória e o Acre, ainda vai se orgulhar muito de você que tem agora 25 anos”.

Dilma

“A ministra Dilma tem a visão dela, as posições dela, ocupa uma função. Eu tenho as minhas opiniões e visões. Eu não vou me colocar no lugar de vítima. Acredito o que defendo e defendo o que acredito e, a ministra defende o que ela acredita. Os brasileiros é que têm que fazer o julgamento do que é melhor para o Brasil”.

Apoio a FPA

“Sendo ou não candidata à Presidência, eu vou apoiar a Frente Popular no Acre”.

Binho senador

“Eu tenho que falar com muito cuidado, porque o Binho ficou chateado comigo na época da eleição para o governo do Estado porque o Tião não poderia ser candidato, o Jorge não poderia e eu que teria que ser a candidata, eu estava no ministério e achava que deveria continuar ajudando o governo com as políticas estruturantes e o Binho deveria ser o candidato e o Binho resistia. Graças a Deus ele foi candidato e está fazendo um excelente governo. E agora eu preciso ser muito cuidadosa porque eu não quero perder o amigo. Obviamente que se o Binho for candidato ao Senado pra mim seria uma benção e eu vou votar nele e fazer campanha pra ele”.

Fonte: A Tribuna.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Folha diz que Tião omitiu patrimônio

Reportagem de Elvira Lobato, publicada nesta segunda-feira pela Folha de São Paulo, informa que o senador Tião Viana, que disputou com José Sarney a presidência do Senado, em 2008, ocultou patrimônio da Justiça Eleitoral, (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL).

Conforme a reportagem, em sua campanha para senador, em 2006, Viana não declarou um terreno que comprara dois anos antes no melhor condomínio residencial de Rio Branco, cujo valor foi registrado em R$ 30 mil; e no qual construiu uma casa, concluída em maio de 2007, que foi avaliada, pela prefeitura, em R$ 600 mil.

A assessoria do senador Tião Viana alegou que o terreno não foi declarado à Justiça Eleitoral porque pertencia à mulher dele, Marlúcia Cândida Viana. Mas, como o senador é casado em regime de comunhão total de bens, o imóvel pertence aos dois, segundo tributaristas ouvidos pela Folha.

sábado, 22 de agosto de 2009

Um Dia no Seringal

Golby Pullig, Agência de Notícias do Acre

Medidas socioambientais desenvolvidas pelo Governo do Estado para melhorar a economia e a qualidade de vida da população do Acre é tema de reportagem de capa da revista Razão Social, encarte do jornal O Globo. A repórter Camila Nóbrega viajou ao Estado a convite do Ministério do Turismo e Braztoa e descreve um dia na vida do seringueiro Nilson Mendes, morador do Seringal Cachoeira, em Xapuri e os efeitos da retomada da extração do látex para a fabricação de preservativos utilizando matéria-prima dos seringais nativos da região.

A reportagem Um Dia no Seringal - Lucro com a floresta em pé destaca a iniciativa e os investimentos do Governo do Estado com apoio do governo federal estimular a recuperação da atividade e colocar em funcionamento a Natex, fábrica de preservativos de Xapuri, aplicando investimentos na ordem de R$ 30 milhões, oferecendo cursos de formação para os trabalhadores da empresa e completando com subsídios o valor pago ao litro do látex.

O turismo ecológico desenvolvido no município e a gestão compartilhada entre moradores e Governo do Estado na administração do Seringal Cachoeira também é questão abordada pela revista ao enfatizar aspectos da cultura acreana e as possibilidades de crescimento da economia local com a valorização e manutenção da floresta. Um vídeo sobre a coleta do látex foi produzido no local, que utiliza ainda o depoimento de Nilson Mendes, seringueiro primo de Chico Mendes.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Caex: bons negócios à vista



Depois de quase ter ido à falência, como resultado de más administrações que passaram pela entidade, a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri - produto das ideias do líder sindical Chico Mendes - anuncia que vai retomar as vendas de castanha já a partir deste mês de agosto. Luís Íris de Carvalho, o atual presidente (foto), afirma que as perspectivas de negócios são muito boas, principalmente depois da participação na Expoacre desse ano. Em julho, a Caex já havia recebido a visita do empresário italiano Pino Calcagni, da Empresa Besana, uma das maiores processadoras de alimentos da Europa e grande importadora do produto acreano.

Entusiasmo verde

Lideranças do Partido Verde em Xapuri estão mais eufóricas do que nunca com a possível filiação da senadora Marina Silva à sigla. O entusiasmo dos verdes, porém, não é fato recente na terra do líder sindical Chico Mendes que, segundo já assegurou a viúva Ilzamar, se estivesse vivo não estaria hoje no PT e sim no PV. Desde a campanha eleitoral passada, quando chegou a anunciar a pré-candidatura - posteriormente abortada - de Elenira Mendes para a prefeitura de Xapuri, o PV anseia alçar voo solo, após ter abandonado a aliança com O PT no âmbito municipal.

Antes disso, o PV já havia se fortalecido com a chegada de algumas conhecidas lideranças políticas saídas do antigo aliado, como a sindicalista Dercy Teles de Carvalho Cunha, o atual presidente do diretório municipal do partido, Auricélio Azevedo, e o líder comunitário João Jorge Cosmo da Silva e sua esposa, Maria Luceni, que se elegeu vereadora na eleição passada. Elenira chegou em seguida, depois de não ter conseguido o esperado espaço que acreditava naturalmente possuir no PT em virtude do legado do pai, Chico Mendes.

Segundo Elenira, que é Secretária de Meio Ambiente na administração do prefeito (petista) Bira Vasconcelos, outros militantes do PT devem seguir o caminho da senadora, entre elas a própria Ilzamar, que com a saída de Marina, deve trocar a militância petista pelo PV, que já anunciou que pretende organizar um grande ato de filiação para o próximo dia 5 de setembro, aqui em Xapuri.
"A saída da Marina do PT é um momento novo na política brasileira. Estamos de braços abertos", comemora Elenira Mendes.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Blog do Noblat:

Jorge Viana: candidatura de Marina não causará barulho

A saída da senadora Marina Silva do PT para uma provável candidatura à presidência da República pelo PV provocou um rebuliço no quadro político do Acre. Para o ex-governador Jorge Viana (PT), principal líder político no estado, o burburinho não resultará em prejuízos à campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula. Viana disse que Marina tem expressão política nacional, mas que o Acre, base da ex-ministra, é um colégio eleitoral pequeno e não influenciará a sucessão presidencial.

Por outro lado, o PV local sonha alto: espera Marina e outros militantes históricos do PT que estariam descontentes com a crescente aproximação de Lula com adversários antigos como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o senador Fernando Collor (PTB-AL).

- Não menosprezamos a importância da candidatura da Marina. Mas ela não terá estrago nenhum (na candidatura da ministra Dilma) - disse Viana.

O ex-governador disse ainda que, por temperamento e estilo, Marina não faria uma campanha contra um candidato de Lula. Mais do que alcançar a presidência, o projeto de Marina seria lançar uma nova proposta de desenvolvimento sustentável, não contemplada nos programas do PT ou do PSDB, segundo ela. Mas o PV e outros partidos locais têm outra expectativa.

Leia mais em: Jorge Viana: provável candidatura de Marina Silva não causará estrago para Dilma

Mais um dia de vexame sinistro para o PT

Vinicius Torres Freire

O senador Flávio Arns (PT-PR) diz que, se a Justiça der sinal verde, sai do partido, dado o vexame de ontem, de cumplicidade no livramento de Sarney ("tenho vergonha de estar no PT").

A senadora Marina Silva (PT-AC) anunciou justamente ontem que sai do PT.

Goste-se ou não do que pensam, os dois não dançam em quadrilhas nem marcham em tropas de choque do cangaço político, de que somos reféns. Com a cobertura de Lula, fomos sequestrados pelos patronos da miséria e da opressão nos Estados mais desgraçados do Brasil.

Foi um dia de vexame sinistro para o PT, para o petismo-lulismo, para o governo Lula e para Lula. Foi um dia de crime de consciência. Crime a mando de Lula, que fez os senadores do PT votarem por Sarney. Senadores que, por sua vez, aceitaram a tese da "obediência devida", de história também sinistra.

Parêntese: tudo isso ocorre um dia depois de Lula colocar no mesmo saco a história de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e Fernando Collor. A mixórdia sinistra que Lula faz da história do país equivale à mixórdia que promove na política partidária.

Aloizio Mercadante (PT-SP), com cara de coveiro em tempo de epidemia, tentou limpar sua barra. Colocou à disposição o cargo de líder da bancada. Mas vai tentar a reeleição vestido com a mortalha do bloco do Sarney e Renan Calheiros. Assim como Ideli Salvatti (PT-SC), Delcídio Amaral (PT-MS) e João Pedro (PT-AM), da milícia de Sarney, que votaram por Sarney no Conselho de Ética. Salvatti, ressalte-se, fez parte da milícia que resgatou Calheiros da lata de lixo da história. Se Mercadante quiser começar a limpar a sua ficha, terá também de sair do PT.

E o mal que o PT fez à ideia de esquerda no Brasil vai durar gerações. Se não é uma peste terminal.

Vinicius Torres Freire é colunista da Folha de São Paulo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Filiação de Marina ao PV pode ocorrer em Xapuri

De Rutemberg Crispim, de agazeta.net:

"A senadora Marina Silva, que na manhã desta quarta-feira, 19, anunciou sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT), pode se filiar ao Partido Verde (PV), no dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, em Xapuri. Não houve ainda nenhum contato da direção regional do PV com a senadora, mas os dirigentes do partido afirmam que trabalham para o ato de filiação ser realizado nessa data.

De acordo com a presidente regional do PV no Acre, Shirlei Torres, a notícia da saída de Marina Silva do PT foi recebida com alegria por todos os membros do partido. Ela garantiu que uma grande festa será preparada para receber a senadora.

"Nós estávamos apenas aguardando a confirmação para comemorar. Não chegamos nem a conversar com a senadora quando ela esteve em Rio Branco, pois essa era uma questão da direção nacional. Mas agora vamos preparar uma grande festa para acolher Marina Silva. Nossa vontade é que essa filiação aconteça no dia 5 de setembro, em Xapuri", comemorou.

Shirlei Torres lembrou que outras lideranças acreanas podem se filiar ao PV juntamente com Marina Silva, no Dia da Amazônia, data escolhida pelo partido para que sejam feitas novas filiações.

Para a presidente do PV a chegada de Marina ao partido tem um significado especial, principalmente pela luta em defesa do meio ambiente. "O PV é o lugar certo para a senadora Marina Silva. Temos como prioridade em nosso partido a defesa da natureza e o desenvolvimento sustentável", destacou.

Na noite desta terça-feira, 18, a direção nacional do PV esteve reunida para definir algumas mudanças no estatuto do partido, já pensando na filiação de Marina Silva".

"Na política brasileira, a história se repete"

Gustavo França

No dia 5 de dezembro de 1963, o senador Arnon de Mello fazia, na tribuna do Senado Federal, um discurso carregado de raiva, lançando acusações contra seu adversário político em Alagoas Silvestre Péricles. Dentro de seus olhos arregalados, viam-se feições psicóticas. No meio do pronunciamento, Arnon de Mello sacou sua arma e fez três disparos contra o inimigo. Não acertou nenhum. Acabou atingindo acidentalmente o senador do Acre José Kairala, que morreu. Devido à imunidade parlamentar, Arnon de Mello não foi sequer cassado (também, naquela época, a política brasileira tinha assuntos mais importantes em pauta, visto que estávamos em meio à tensão política que levaria à deposição do presidente Jango).

Vinte e seis anos depois, em 1989, o filho de Arnon de Mello, que carrega o mesmo olhar que salta assustadoramente das órbitas do pai, foi eleito presidente da República, numa das nossas maiores demonstrações de incompetência eleitoral. O homem candidatou-se pouco tempo antes da eleição, com um discurso totalmente vazio de ideias, e venceu políticos conhecidos no cenário nacional, tanto na esquerda (Lula, Brizola), quanto na direita (Ulysses Guimarães, Mário Covas).

O resultado não poderia ter sido outro. Há alguns dias, tivemos um "déjà vu". Lá estava esse mesmo homem, no Senado Federal, ocupando a mesma posição que o pai ocupava, ouvindo um discurso do senador Pedro Simon, do PMDB do Rio Grande do Sul, que lhe deu pequenas alfinetadas enquanto falava mal do senador de Alagoas Renan Calheiros. Subitamente levantou-se e, com as pálpebras bem erguidas e a respiração ofegante, lançou impropérios contra o orador, fazendo todos reviverem a cena de 1963. Tenho certeza de que foi por isso que Simon parou, com medo de que as suspeitas de psicopatia viessem a se confirmar.

Não restam dúvidas de que o político em questão é Fernando Collor. Ele pode ser considerado a personificação do despreparo do povo brasileiro. Com fortes indícios físicos contra a sua sanidade mental, com um histórico familiar deplorável, ele militou como deputado federal no PDS, partido do governo militar, chegando a votar em Paulo Maluf nas eleições indiretas de 1984. Mesmo assim, foi eleito presidente da República, sofrendo impedimento depois de uma chuva de acusações que o ligavam ao esquema de corrupção mais escancarado da história da política brasileira. Aí está ele novamente, senador da República, demonstrando que é o mesmo de sempre. Não está por livre e espontânea vontade, está por que nós o elegemos. Essa é a triste realidade.

Enfim, este é o Brasil. As sensações de "já vimos isso antes" vão continuar acontecendo. Políticos execrados há 20 anos estão roubando a cena de novo (Sarney, Collor, Renan). A desgraça política brasileira é cíclica. O nosso masoquismo é impressionante. Elegemos os políticos errados, sentimos nossos erros na pele, nos revoltamos contra eles e os elegemos de novo. Considerando que Collor é neto de Lindolfo Collor, velho figurão gaúcho que apoiou Getúlio Vargas na Revolução de 1930, acho que a dinastia dos aloprados não para por aí. Que surpresas nos reservarão seus filhos e netos?

Gustavo França é leitor do jornal O Globo.

Marina deixa o PT



A senadora Marina Silva não é mais do PT. Ela comunicou a decisão por telefone ao presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), na manhã desta quarta, e também entregou uma carta (veja a íntegra do documento no Blog da Amazônia) em que justificou a sua saída do Partido dos Trabalhadores.

Leia a seguir reportagem de Maurício Savarese*, do UOL Notícias em São Paulo.

Marina Silva anuncia saída do PT sem confirmar ida ao PV

Ex-ministra do Meio Ambiente e referência mundial em militância por causas ecológicas, a senadora acreana Marina Silva, 51 anos, anunciou nesta quarta-feira (19) a saída do PT, partido pelo qual militou por 30 anos. Ela deve seguir para o PV, em uma negociação que envolve a candidatura dela à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.

"Cheguei à conclusão de algo muito semelhante ao que fiz há 35 anos, quando decidi, aos 16 anos, sair do seringal Bagaço. Naquele momento tinha sonho de cuidar da saúde, que era frágil, de estudar. Não foi fácil, mas eu tive a coragem de fazer o pedido ao meu pai que deu sua anuência e eu fui para Rio Branco. Uma decisão difícil. Recorro a essa história para dizer como cheguei à decisão de me desligar do Partido dos Trabalhadores", disse Marina em entrevista coletiva.

A senadora afirmou que ainda não se filiou a outro partido, o que deve acontecer nos próximos dias, segundo seus interlocutores.

"Nesse momento, eu devo dizer que não se trata ainda de anunciar a filiação a outro partido. Quero deixar isso muito claro. Eu precisava primeiro decidir se deixava ou não o Partido dos Trabalhadores. A partir de agora, me sinto livre pra fazer essa transição", afirmou.

"O anúncio agora é sobre minha desfiliação do PT. Agora vou estar em conversações com o PV, obviamente respeitando o prazo para filiações partidárias.

"Depois de ser pressionada por colegas, como o ex-governador do Acre Jorge Viana e o governador da Bahia, Jaques Wagner, a não deixar o PT, Marina deixou um recado para os que ficam no partido.

"Esse gesto não se trata de desconstituir os sonhos construídos durante tantos anos, tanto trabalho, no PT. Trata-se somente da disposição de semear em outras searas. Essa luta não é só de um partido, deve ser de todos os partidos, das empresas, da comunidade científica, dos movimentos sociais", afirmou.

Questionada sobre críticas de que sua eventual candidatura à Presidência serviria apenas para estimular o debate sobre políticas ambientais, Marina rebateu: "Só acha o conteúdo monotemático quem não sabe que falar de desenvolvimento sustentável é resposta para todos os setores da sociedade".

Candidatura a presidente

Nascida com o nome de Maria Osmarina Silva de Lima, ela é vista como ameaça aos candidatos da base do governo nas eleições presidenciais. De acordo com uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada no último domingo, ela já conta com 3% das intenções de voto - concentrados nas classes mais ricas e bem informadas - apesar de ter sido incluída nesse debate somente desde o início deste mês.

Marina deixou a administração federal após mais de cinco anos e quatro meses por conta de divergências com o grupo liderado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto. A saída dela foi noticiada pela imprensa mundial como um golpe contra a preservação da Floresta Amazônica.

Marina Silva exerce seu segundo mandato no Senado. Foi eleita pela primeira vez em 1994, aos 36 anos, e naquele mesmo ano se tornou nome natural do PT para a pasta do meio ambiente no caso de vitória de Lula, o que aconteceu em 2002.

Figuras importantes do PT, como o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, chegaram a sinalizar que o partido poderia tentar reaver o mandato de Marina como senadora por conta da troca de partido, já que seu suplente na Casa, Sibá Machado, foi aliado fiel do Palácio do Planalto ao longo da permanência da acreana no ministério. Mas as principais lideranças petistas já descartaram o movimento.

Trajetória

Marina nasceu em uma família pobre no seringal Bagaço, a 70 km de Rio Branco. Dos onze filhos do casal Pedro Augusto e Maria Augusta, três morreram ainda pequenos. A senadora se tornou a segunda mais velha entre os oito sobreviventes, sete mulheres e um homem. Trabalhou como empregada doméstica e seringueira para ajudar a família e custear seu tratamento de hepatite, doença que contraiu ainda jovem.

Estudante de cursos supletivos, Marina só foi alfabetizada quando adolescente. Depois, graduou-se em História pela Universidade Federal do Acre, onde descobriu o marxismo na década de 1980. Foi ali que entrou para o Partido Revolucionário Comunista (PRC), grupo semi-clandestino de oposição ao Regime Militar (1964-1985). Começou a dar aulas de História e a frequentar as reuniões do movimento sindical dos professores.

Ao lado de Chico Mendes, Marina assumia na maior parte do tempo a liderança do movimento sindical no Estado. E foi para ajudá-lo na candidatura a deputado estadual que ela passou a oficialmente integrar o PT, em 1985. No ano seguinte, fez dobradinha com o líder seringueiro para tentar se eleger deputada federal.

Marina ficou entre os cinco candidatos mais votados no Estado, mas o PT não alcançou o quociente eleitoral e ela não conquistou a vaga para a Câmara Federal na Constituinte. Chico Mendes também não chegou à Assembléia Estadual.

Em 1988, foi eleita como a vereadora mais votada para a Câmara Municipal de Rio Branco, a única declaradamente de esquerda. Em dois anos de mandato como vereadora, Marina atraiu atenção da mídia nacional ao devolver o dinheiro de gratificações, auxílio-moradia, e outras benesses que os demais vereadores recebiam.

Em 1990, candidatou-se a deputada estadual e foi eleita. O PT e os partidos coligados elegeram três membros da assembléia e conseguiram colocar Jorge Viana no segundo turno das eleições para o governo do Estado.

No final do primeiro ano de mandato, Marina passou mal após uma viagem ao interior e teve de ser hospitalizada. Começou um longo período de sofrimento que só foi amenizado com a vinda dela para São Paulo, onde recorreu à ajuda de Lula, José Genoíno e outros líderes do PT para conseguir um melhor tratamento e exames mais completos. O diagnóstico foi de contaminação por metais. Recuperada, disputou e venceu a eleição para o Senado Federal.

Polêmicas

Acreana é evangélica e mais jovem frequentou as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), grupos católicos afinados com pensadores de esquerda. Quando adolescente chegou a ser noviça, mas acabou desistindo da carreira no clero. É acusada por adversários de, mesmo no Ministério do Meio Ambiente, dar ouvidos a teses anticientíficas como o criacionismo -- que faz interpretação literal da Bíblia para explicar o surgimento do Universo.

Os adversários também a definem como uma "trava obras", por conta da suposta demora de sua pasta na concessão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas, estradas e outras obras públicas. Ela responde que não mudou seu compromisso desde os tempos da amizade com o Chico Mendes, assassinado há 20 anos, dois meses depois da eleição de Marina para a Câmara de Vereadores de Rio Branco. Juntos, os dois fundaram a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre.

Sua biografia a credenciou a receber do jornal britânico "The Guardian", em 2007, a condição de uma das 50 pessoas capazes de ajudar a salvar o planeta. Também recebeu o prêmio "2007 Champions of the Earth", a maior honraria concedida pelas Nações Unidas na área ambiental. Marina Silva foi casada duas vezes e tem quatro filhos.

*Colaborou Claudia Andrade em Brasília

Conversa circular

Marina Silva

Na semana que passou, foi feita em Bonn, na Alemanha, mais uma tentativa de chegar perto de um patamar razoável para o acordo a ser assinado em dezembro, em Copenhague, que se constitui em nova etapa dos esforços mundiais, pós-Protocolo de Kyoto, para conter o aquecimento global. As impressões sobre os resultados da reunião ficaram entre o desânimo e o reconhecimento de avanços discretos.

O desânimo, segundo entendo, vem mais da aflição diante do ritmo lento desses avanços, insuficiente para o tamanho e a urgência do problema. Há mais duas rodadas de negociações até o final do ano: em Bancoc, na Tailândia, e em Barcelona, na Espanha. A pergunta é se farão diferença ponderável na atitude dos principais atores.

Os desafios centrais continuam sendo um compromisso mais forte por parte dos países desenvolvidos e a disposição dos emergentes -entre os quais o Brasil- de sair do discurso atual para metas voluntárias e propostas mais ousadas, que tensionem e mudem o tom do que parece ser uma conversa circular, incapaz de concretizar a redução de emissões de gases poluentes.

O necessário é algo em torno de 25% a 40% de redução, em 2020, em relação a 1990. Mas, apesar da boa notícia de semanas atrás, quando os países do G8 (clube dos desenvolvidos) acordaram em buscar metas globais para evitar que a temperatura média no planeta suba além dos dois graus Celsius, ainda não está clara e assumida a tarefa de cada um. O Brasil, particularmente, não pode esquecer que, numa situação em que a temperatura média global ultrapasse a barreira dos dois graus, ficará extremamente vulnerável, pois isso afetará diretamente o equilíbrio do sistema hídrico, base de nossa matriz energética limpa.

O Brasil é uma incógnita de peso para romper a conversa circular das negociações globais. Se apresentar, até o final do ano, uma meta de redução de suas emissões totais, tão relevante quanto foi o seu compromisso de redução de desmatamento, pode destravar o ambiente, pressionando tanto os países desenvolvidos quanto os demais emergentes a serem mais pró-ativos.

O tempo está se esgotando e ainda há um fosso enorme entre anúncios e atitudes. A cadeia de coerência entre uma coisa e outra apresenta falhas e vazios significativos. Enquanto isso, segue sem novidades a disputa tradicional de exigências mútuas de comprometimento e recursos. Recursos, como nos ensinou a crise financeira mundial, aparecem quando são necessários, desde que se queira. Já comprometimento real, não meramente discursivo, continua sendo artigo difícil no mercado global.

Fonte: Revista Digital Envolverde.

Marina Silva



O jornalista Altino Machado diz que a senadora Marina Silva (PT-AC) vai contrariar o ex-ministro da Casa Civil Zé Dirceu, que publicou recentemente um texto no blog dele no qual alegava que o partido deve ficar com o mandato dela, caso a ex-seringueira confirme sua desfiliação para se lançar candidata à Presidência da República pelo Partido Verde.

- Ela já decidiu que não vai renunciar ao mandato - afirma um assessor da senadora.

O Blog da Amazônia, assinado pelo jornalista acreano, obteve com exclusividade a nota técnica que serviu para sustentar a decisão da senadora de não renunciar ao mandato. Intitulada "Fidelidade partidária", a nota assinala que os candidatos recebem mandatos tanto de eleitores como dos partidos políticos, sendo a representação popular e partidária.

Leia também: Gilberto Gil diz que pode ser vice na chapa de Marina em 2010 .

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Náder Sarkis



O cantor da foto é o meu grande amigo Náder Melo Sarkis, pessoa por quem eu guardo profundo respeito e admiração. Neste 18 de agosto, ele está completando mais uma primavera, como costumavam dizer os antigos locutores da Rádio Educadora 6 de Agosto, onde eu conheci uma das vozes mais bonitas do Acre e um dos grandes nomes que já passaram por essa modesta, mas tão importante emissora, que já marcou com glórias o seu lugar na história de Xapuri.

Náder, que enfrentou e venceu um enfarto há pouco tempo, está hoje em São Paulo, acompanhando a esposa Terezinha no tratamento de um delicado problema de saúde. Quero cumprimentar esse sujeito aqui no blog não somente pela passagem do aniversário - que desejo que se repita por muitas e muitas vezes - mas, acima de tudo, pela força e coragem que tem demonstrado, e pelo exemplo de vida que, junto com Têca e família, tem nos oferecido.

Na foto, Náder interpreta o Hino Acreano, acompanhado do filho e sósia Elias Antônio, ao violão, durante a cerimônia de posse do prefeito Bira Vasconcelos, no dia 1º de janeiro desse ano. O vídeo abaixo é de qualidade muito ruim, mas representa uma singela homenagem a esse cara sangue bom, pai também do Haroldo e do Aron e avô do Nader (filho do Haroldo), e cujo único defeito é ser botafoguense irrecuperável.

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Falta de excelência



O vereador João Ribeiro de Freitas (PT) informou hoje que pretende encaminhar requerimento à mesa diretora da câmara solicitando que a empresa Oi seja questionada quanto à qualidade dos serviços de telefonia e internet que estão sendo prestados em Xapuri. Segundo o vereador, existe na cidade uma grande quantidade de reclamações de clientes insatisfeitos com os serviços, que não sabendo a quem recorrer está reivindicando dos vereadores uma tomada de posição quanto ao problema.

A má qualidade dos serviços de telefonia e internet em Xapuri vem de longe, sem que, até hoje, as autoridades tenham se dedicado ao assunto. Vem em boa hora a iniciativa do vereador. E sugiro que a cobrança se estenda também à Eletroacre, que - seja com termelétrica ou com o "linhão" - não consegue manter um padrão de qualidade no fornecimento de energia. É verdade também que a mesma situação se repete nas outras cidades do Acre, mas alguém, em algum lugar, tem que começar a dizer onde o sapato está apertando.

"O pior já passou"



Como o presidente Lula, o prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos, também é chegado a uma metáfora. Em abril deste ano, acossado pelas cobranças da população por mudanças imediatas na situação em que ele encontrou a cidade, Bira reagiu dizendo que “não poderia andar de helicóptero se não tinha nem um carro”, se referindo ao estado deplorável em que a prefeitura lhe foi repassada pelo ex-prefeito Wanderley Viana.

Agora, parece que pelo menos o carro o prefeito já tem. Em entrevista concedida ao programa Espaço do Povo, da Rádio Educadora de Xapuri, nesta segunda-feira, Bira recorreu novamente à figura de estilo tão utilizada pelo colega maior de partido para ilustrar como tem sido o trabalho de administrar Xapuri nos últimos 7 meses e meio de administração. Segundo ele, o pior já passou.

“Nós pegamos um carro desgovernado descendo uma ladeira. Então, a gente já conseguiu parar o carro, fizemos a volta desse automóvel e estamos subindo de novo a ladeira devagarzinho que é para a gente poder chegar de novo no plano, e andar mais tranqüilo. Nós estamos nessa fase da retomada, sabemos onde estamos e daqui pra frente é só muito trabalho. O pior já passou”, afirmou o prefeito petista.

Bira considera como uma das principais conquistas da sua administração a retomada do diálogo do poder público municipal com a sociedade, que havia sido perdido num passado recente. Como exemplo disso, ele enumera a chegada ao acordo que resultou no reajuste salarial dos servidores municipais, que não ocorria há quatro anos, e a regularização da situação do serviço de táxi em Xapuri, que se encontrava em desacordo com a lei.

Durante a conversa, o prefeito falou a respeito das ações que o município está desenvolvendo e da certeza de que sua administração começa a atingir resultados positivos, apesar dos grandes problemas estruturais ainda continuarem a fazer parte da realidade do município. Para Bira, a população já começou a entender que as transformações de que o município anseia devem acontecer dentro dos limites impostas pela atual realidade financeira.

E no que depender de fé, o prefeito tem boas razões para estar otimista nesse momento do seu trabalho. Ainda na segunda-feira, à noite, o prefeito acompanhou o show do cantor gospel Cléber Lucas, atração da III Semana Evangélica de Xapuri. Durante o evento, recebeu as bênçãos dos pastores e orações do público pelo sucesso de sua administração e entregou as chaves do município aos líderes religiosos. A prefeitura é a principal apoiadora da festa dos evangélicos neste ano de 2009.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sagarana



Na literatura, Sagarana é um livro de contos do escritor João Guimarães Rosa publicado em 1946, com temas relacionados à vida rural do estado de Minas Gerais. Em Xapuri, Sagarana é o nome pelo qual é conhecida uma faixa de terra que foi esquecida pelo poder público depois da criação da Reserva Extrativista Chico Mendes, em 1990. Durante os últimos 19 anos, a região, que é uma das mais produtivas do município, vem sendo objeto de disputas e confusões pela posse da terra, que já andaram perto de descambar para a violência por mais de uma vez.

Não se sabe se o nome dado à faixa de terra de cerca de 20 mil hectares tem alguma relação com a obra de Guimarães Rosa, mas nesta última semana as promessas dos órgãos federais ligados à questão fundiária parecem ter saído do campo da ficção para se tornar realidade para cerca de 150 famílias de posseiros que sonham em obter o título de suas terras. A Secretaria do Patrimônio da União, juntamente com o Incra e o Instituto Chico de Conservação da Biodiversidade deram início ao trabalho de regularização da gleba Sagarana, começando pelos moradores estabelecidos nas margens dos rios Acre e Xapuri.

De acordo com o Gerente Regional do Patrimônio da União no Acre, Glenílson Araújo, o trabalho inicial consiste em um cadastramento das famílias ocupantes da área, que está sendo realizado por uma equipe de cerca de 25 técnicos que visitarão todas as propriedades rurais localizadas na região da gleba Sagarana. A ação está dentro do que prevê a Medida Provisória 458, que trata da regularização de terras na Amazônia Legal até o final de 2010, abrindo a possibilidade de que os posseiros formalizem juridicamente seu direito a essas propriedades.

Pela MP 458, as propriedades de terra com até um quilômetro quadrado (100 hectares), que representam 55% do total dos lotes, serão doadas aos posseiros. Quem tiver até 4 quilômetros quadrados (400 hectares) terá de pagar um valor simbólico, e os proprietários com até 15 quilômetros quadrados (1,5 mil hectares) pagam preço de mercado. Os posseiros interessados em adquirir as terras precisam ainda atender a algumas condições, entre elas, ter na propriedade sua principal fonte econômica e ter obtido sua posse de forma pacífica até dezembro de 2004.

Após a transferência, o proprietário terá ainda de cumprir certas obrigações, como por exemplo, recuperar áreas que tenham sido degradadas. Pelo Código Ambiental, pelo menos 80% de cada propriedade na Amazônia deve ser preservada. O principal argumento em torno da Medida Provisória 458 é de que a regularização fundiária tornará mais fácil o trabalho de fiscalização e punição a eventuais desmatadores. A MP foi aprovada pelo presidente Lula no final do mês de junho, mas vetou o artigo 7° e o inciso II do artigo 8° que tratam da transferência de terras da União para as pessoas jurídicas e para quem não vive na Região Amazônica.

Dercy Teles de Carvalho Cunha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri - instituição que mais vem lutando nos últimos anos pela regularização da gleba Sagarana -, lembra, no entanto, que apesar de extremamente importante, a regularização fundiária não põe um fim às discussões em torno do futuro das populações que vivem e trabalham na região. Para ela, que já afirmou que o extrativismo florestal está falido, é necessário que se discuta também a criação de alternativas concretas de sobrevivência para essas populações. Diz Dercy:

- O exemplo disso está na Reserva Extrativista Chico Mendes que, depois de quase 20 anos de sua criação, ainda precisa ver muita água rolar por debaixo da ponte para chegar a ser aquilo o que um dia se pensou como modelo de desenvolvimento sustentável.

domingo, 16 de agosto de 2009

Circuito Chico Mendes de Corrida


Com pouca presença de público e baixo número de participantes, foi realizada neste domingo (16), em Xapuri, a 3ª Etapa do Circuito Chico Mendes de Corrida de Rua 2009, promovida pelo Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Esportes, Turismo e Lazer - Setul - em parceria com a prefeitura de Xapuri. Os vencedores foram os corredores Evandro Saraiva, no masculino, e Maria José, no feminino, ambos vencedores também das duas primeiras etapas do circuito estadual deste ano.

A etapa de Xapuri foi disputada em dois percursos, um deles promocional individual de 3,5 km, aberto para todo o público adepto da prática de corridas, com medalhas para todos os participantes. O outro percurso foi de 10 km individual, com a participação de atletas rankiados, com premiação para os cinco primeiros colocados. Cerca de 50 corredores particparam da etapa, um número pequeno, segundo o coordenador do circuito, Alex Cavalcante.

"Infelizmente a população de Xapuri foi pouco participativa nesse evento. Acredito que a Fundação de Cultura e Desportos de Xapuri precisa fomentar e massificar a corrida pedestre para que num próximo evento possamos ter uma participação maior de pessoas. Mesmo assim, o evento ocorreu sem incidentes, com uma boa organização por parte da prefeitura, e nós temos certeza que no próximo ano teremos uma etapa bem melhor", disse o coordenador.


Morena Marina

De Ruth de Aquino, revista Época:

Marina, você faça tudo, mas faça o favor. Não mude o discurso da ética, que é só seu. Marina, você já é respeitada com o que Deus lhe deu. O povo se aborreceu, se zangou, e cansou de falar. Lula e Dilma estão de mal com você e não vão perdoar. Mas o eleitor não poderia arranjar outra igual para embaralhar o jogo sonolento da sucessão em 2010. Ao menos num dos turnos, vamos discutir princípios e fins. E principalmente os meios.

Nem em suas orações diárias Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima sonharia provocar tanto medo antes mesmo de decidir trocar o PT pelo PV. Nascida no Acre, filha de seringueiros migrantes cearenses, analfabeta até os 16 anos, aprendeu a ler quando trabalhava como empregada doméstica. A mãe tinha morrido. Pelo Mobral, fez em quatro anos o primeiro e o segundo graus. Contraiu cinco malárias, duas hepatites. Formou-se em história. Queria ser freira, mas virou marxista. Hoje é evangélica. Tem quatro filhos. Foi a mais jovem senadora do Brasil, aos 35 anos.

Lula a nomeou ministra do Meio Ambiente. Cinco anos depois, saiu derrotada e desgastada. Ao pedir demissão, citou a Bíblia: “É melhor um filho vivo no colo de outro”. O filho era a política ambiental. Ela tinha brigado com outra mãe cheia de energia, a do PAC.

Católicos como Frei Betto e Leonardo Boff receberam telefonemas de Marina na semana passada. Ela falou de desenvolvimento sustentável, de vida, de humanidade, da terra.

O mais forte cabo eleitoral de Marina, neste agosto, se chama José Sarney – e tudo o que ele representa. O país ficou desgostoso com o presidente do Senado, suas mentiras inflamadas na tribuna, seu sorriso bonzinho de avô da República – e com o apoio incondicional de Lula ao maranhense. O nome Marina, sussurrado, ganhou a força da natureza no olho do furacão em Brasília.

O ex-ministro José Dirceu escreveu que o mandato da senadora “pertence ao PT”. Marina disse que já enfrentou madeireiros, fazendeiros, cangaceiros: “Com certeza o Zé (Dirceu) não fez isso para me intimidar; não faz parte do caráter dele”.

O outro forte cabo eleitoral de Marina é a ministra Dilma Rousseff, pela falta de carisma. Marina não ameaçaria tanto se a ministra do crescimento tivesse conquistado o país ou ao menos seu próprio partido. Não se nega o valor pessoal de Dilma, mas seu nome foi imposto. Lula botou na cabeça que vai eleger seu poste. “Da campanha da Dilma cuido eu”, teria dito a um cacique do PT paulista.

As baratas todas voaram. Quem tem amigos como o deputado federal Ciro Gomes não precisa de inimigos. Lula chegou a apostar nele para o governo em São Paulo. Mas Ciro quer outros voos: foi o primeiro a dizer que Marina “implode a candidatura de Dilma”... “uma persona política em formação”...“que foi obrigada a defender Sarney”.

Dilma pediu a Marina que ficasse. “Estou triste. Preferia que ela continuasse no PT porque é uma grande lutadora.” Vocês acreditam? A ministra já esqueceu as rixas com a ambientalista que botava areia nas hidrelétricas? Depois, Dilma mudou o tom: “Eu sempre acho que quanto mais mulher melhor”. É mesmo?

Dilma é vista como “a mulher do Lula” – a massa ainda não conseguiu decorar seu nome. Lula ergueu a mão da mãe do PAC nos palanques país afora e disse que o Brasil está preparado para “uma mulher na Presidência”.

Lula só não esperava que uma sombra austera de saias emergisse da floresta. Com seu fundamentalismo, a fé, as convicções, a integridade, a coerência em 30 anos de PT. Sem dedo em riste. É muita ironia. E na mesma semana em que Lula dá uma rádio para o filho de Renan Calheiros, outro senador que “obra e anda” para a opinião pública.

O maior trunfo de Marina não é ser mulher nem petista de raiz ou defensora do verde. Ninguém supõe hoje que ela possa ser eleita presidente sozinha, contra as duas máquinas. Mas sua biografia e as frases recheadas de atitude – “perco o pescoço mas não o juízo” – entusiasmam os desiludidos.

Marina Silva obriga tanto Dilma quanto o tucano José Serra a se perguntar: como combater quem fala, baixo mas firme, a sua própria verdade?

sábado, 15 de agosto de 2009

Acordo

Reportagem do jornal O Globo desta última sexta-feira (14) diz que o PT do Acre promete a Lula que Marina não baterá em Dilma na campanha presidencial do ano que vem.

"Um 'pacto de convivência' entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora Marina Silva e seu grupo político no Acre foi acertado, nesta sexta, em encontro no gabinete do presidente Lula. O acerto precede o anúncio da saída da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do PT, o que deve ocorrer nos próximos dias. Participaram Lula, seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e três petistas que, ao lado de Marina, comandam a política do Acre há 15 anos: o ex-governador Jorge Viana, o atual, Binho Marques, e o senador Tião Viana". Leia mais em O Globo.

Tom de campanha

Claudia Andrade, do UOL Notícias em Brasília.

A senadora Marina Silva (PT-AC) afirmou neste sábado (15) que a decisão sobre uma eventual mudança para o PV vem antes da de sair candidata à Presidência da República ou não. A primeira decisão ela deverá tomar nos próximos dias. Em relação à segunda, apesar de não falar abertamente sobre suas pretensões, já discursa em tom de campanha.

"Eu vou tirar esse fim de semana e o início da próxima semana para tomar minhas decisões. Já terminei o ciclo de conversas com várias pessoas e estou na fase final desse amadurecimento. Não coloquei prazo nem dia, mas não quero transformar isso numa novela", disse aos jornalistas, depois de participar de um evento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

A ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que sua decisão, no momento, está restrita a saída ou permanência no PT. "O PV me fez um convite honroso para integrar o partido, mas deixei claro que não vou condicioná-lo a pesquisas ou a candidatura, a priori. O PV está propondo uma discussão programática de colocar a questão do desenvolvimento sustentável em seu programa e isso me levou a fazer essa reflexão. Ninguém sai de um partido para ser candidato".

Quando os jornalistas insistiram em saber qual seu posicionamento sobre uma eventual candidatura à presidência, Marina Silva deu indícios do que pode vir a ser sua decisão. "É algo que faz parte de um processo, mas não pode ser colocado a priori. Primeiro tem que ter ideias, projetos, programas e aí desdobramentos para que as coisas aconteçam. No Brasil nós temos 30 anos de lutas pela questão ambiental; está na hora de transformar essas boas ideias e boas experiências em políticas amplas que tenham a escala da magnitude do país".

Questionada sobre a preocupação que o Planalto teria a respeito dos votos que a senadora poderia tirar da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Marina ponderou que voto não tem dono. "A luta ambiental não atrapalha ninguém. Não existe voto a ser dividido. O voto é do cidadão. O voto está livre para ser dado para quem o cidadão entende que quer dar".

Discurso com poema

Ao falar sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável para uma plateia formada por integrantes do MST que participam do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, a ex-ministra destacou que a crise econômica não será resolvida sem que o problema ambiental seja sanado.

"Muitos não entendem quando se diz que a crise ambiental, que é mais grave, também precisa de recursos e tecnologia. A prioridade não é para a crise ambiental, mas a crise econômica não se resolverá sem que se solucione a crise ambiental", disse Marina Silva, acrescentando que para os pobres do mundo todo, a crise econômica já existia. "A diferença é que agora a crise atingiu quem nunca tinha atingido. Quando ela atingia só os que não têm, os que não podem, ninguém falava em crise".

A senadora voltou a citar o sociólogo francês Edgar Morin ao dizer que "a mudança, no começo, é apenas um desvio". "Temos que ficar atentos para ver qual desvio queremos deixar prosperar".

Defendeu ainda a "distribuição equitativa" dos frutos do crescimento, para que se transformem em saúde e educação. Encerrou sua fala com um poema de sua autoria, que declamou de pé. No poema, ela se compara ao arco e à flecha e diz que, quando é flecha, age impulsionada por boas ideias. Quando é o arco, seu trabalho é empurrar a flecha para o alvo.

Ilustrou essa metáfora com seu trabalho no Congresso e a carta aberta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo veto a alguns artigos da MP 458, que regulariza terras na Amazônia Legal.

No fim da apresentação, foi aplaudida de pé. Depois, tirou foto com integrantes do MST. Mas negou que o evento tenha tido um tom de campanha eleitoral. "Não, não. Em todos os lugares que vou as pessoas me tratam com muito carinho. É uma demonstração de respeito pela causa. Isso mostra o compromisso com a luta ambiental".

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Carreta bate em Portal



Uma carreta que fazia o transporte de containers contendo equipamentos da usina termelétrica da empresa Guascor, recém-desativada em Xapuri, bateu no portal Augusto Castelo Branco de Figueiredo, no início da Estrada da Borracha, provocando sérios danos à estrutura que marca a entrada da cidade. O acidente aconteceu por volta das 5 horas da manhã, quando o veículo saía da cidade com destino a Rio Branco. Apesar da força do impacto, ninguém ficou ferido. No entanto, os pilares que sustentam o portal ficaram com grandes rachaduras em sua base, como também na sua parte superior.



Construído na administração passada e considerada a menina dos olhos do ex-prefeito Wanderley Viana, o portal foi motivo de polêmica desde a sua concepção. Muita gente, inclusive eu, fez críticas à obra pela sua evidente inutilidade e por se constituir em um enorme desperdício de recursos públicos que poderiam, por exemplo, ser investidos na recuperação de ruas e em outras ações de melhoramento da precária estrutura urbana do município.

O Ministério Público Estadual também cismou com o fato de a prefeitura jamais ter oferecido ao público informações sobre a quantidade e a origem dos recursos utilizados, prazo de conclusão das obras e processo de contratação da firma executora. Em julho de 2007, o MP instaurou inquérito civil público para investigar o favorecimento da empresa responsável pela execução dos serviços ou, no mínimo, a não observância dos termos da legislação quanto à realização do processo de concorrência pública. Até hoje, porém, não se sabe do resultado do inquérito.

Desde quando foi inaugurado, o portal foi testemunha de vários acidentes envolvendo principalmente motocicletas. Além de aparentar ter sido mal projetado, o monumento está localizado em uma curva e as obras de construção destruíram o asfalto das pistas de rolamento, que jamais foram recuperadas. Resta a atual administração decidir se vai recuperar a obra ou demolí-la, o que eu, particularmente, acho ideia bem mais interessante.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

III Semana Evangélica

Evangélicos prometem realizar um dos maiores eventos do ano em Xapuri. A terceira Semana Evangélica começa no próximo domingo e apresenta na segunda-feira (17) show do cantor gospel Cléber Lucas. Os organizadores esperam a presença de caravanas de vários municípios do Acre e um público superior a 10 mil pessoas. O evento conta com relevante apoio do empresariado local, assim como da prefeitura municipal. O prefeito Bira Vasconcelos acompanhou, no dia de ontem, os pastores das igrejas locais em visita a jornais e emissoras de rádio e televisão em Rio Branco, com o objetivo de divulgar o evento que deve movimentar Xapuri nos próximos dias.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Cine Ambiental entrega prêmio Chico Mendes

A 17ª edição do Gramado Cine Vídeo, evento que está sendo realizado na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, fará este ano a entrega do Troféu Chico Mendes, destinado a pessoas ou entidades com reconhecida atuação nas questões de preservação ambiental. Será agraciado com o prêmio o casal Paula Saldanha e Roberto Werneck, do Instituto Cultural Ecológico Terra Azul, que receberá o troféu das mãos da filha de Chico Mendes, Elenira Mendes.

Uma voz incansável pela cultura

Éden Mota

Depois de vários meses sem ir a minha cidade, no último dia 29, para lá fui com o objetivo de rever meus velhos amigos. No entanto - vou tornar a reclamar – o descaso que pude observar com a Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho e seus integrantes é lastimável.

Dirigi-me ao Centro Social Urbano - local onde por dez anos funcionou a sede da Banda - e ali pude observar o descaso da administração pública municipal, não só com a cultura da Bandinha em si, mas, acima de tudo com os servidores que a compõem.

A antiga sede encontra-se da mesma forma que antes da Bandinha mudar de local - já que agora está instalada na Casa Branca - fincada em meio a um verdadeiro matagal, ficando, claramente explícita a forma pela qual a administração pública municipal trata seus órgãos e seus servidores, com total desrespeito.

Internamente, o quadro era ainda mais deplorável: instrumentos que custaram dinheiro para a administração pública, jogados por sobre bancos, porque não havia, como de fato ainda não há, local adequado para a sua guarda. O banheiro então é bem melhor nem comentar.

Faço essas críticas porque a Banda de Música que poderia servir de instrumento para afastar a juventude xapuriense das drogas, como acontece em vários outros locais de nosso País, onde essa cultura é vastamente divulgada, em Xapuri trata-se a cultura pelo lado oposto.

Atualmente, a nossa bandinha encontra-se “jogada” na Casa Branca, misturada ao antigo museu que pouco a pouco também vai se acabando em razão da forma deplorável pela qual se encontra a antiga Intendência Boliviana.

Os integrantes da Banda de Música - sente-se no olhar dos mesmos - não têm qualquer motivação para exercerem sua atividades, porque, desde que o então Prefeito Jorge Akel Hadad deixou a Prefeitura, aqueles se tornaram órfãos, se transformando em verdadeiros servidores públicos ambulantes.

Em diversas viagens que faço por este País, sempre vejo a juventude sendo parte integrante das Bandas de Músicas Municipais ao estilo Dona Júlia Gonçaves Passarinho, através de Projetos Sociais voltados para crianças e adolescentes, onde o principal objetivo é formar cidadãos músicos e afastá-los das drogas.

Pergunto-me se ao longo de tanto tempo ainda não foi possível se fazer um projeto para além de locar a Banda de Música em uma sede digna - já que a mesma nunca teve uma - não se pudesse fazer um projeto social integrador com a nossa juventude.

Diversos municípios de nosso País têm amenizado a situação de nossos jovens com tais projetos, não seria possível a administração pública municipal desenvolver um projeto no mesmo sentido? O que falta? Técnicos? Idéias? Vontade?

O poder público tem de deixar de ver os integrantes da Banda como simples sopradores de instrumentos e investir no potencial de cada um para além de estimulá-los ao trabalho, incentivá-los para formar cidadãos de bem.

Com a nova administração espero que esse quadro mude.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Saúde sem médicos em Xapuri

Mais da metade das unidades do Programa Saúde da Família em Xapuri está sem médicos. Dos cinco postos, apenas dois estão com o atendimento normalizado. A secretária municipal de saúde, Maria Maciel de Araújo, informa que dois dos médicos contratados pelo município receberam proposta melhor fora do estado e foram embora da cidade.

Maria Maciel orienta à população a procurar os postos de saúde do bairro Mutirão e Félix Bestene Neto, no centro da cidade, enquanto durar a falta de médicos em Xapuri. Ela explica que a demora na contratação de novos médicos se deve à falta de profissionais com registro no CRM - Conselho Regional de Medicina - no mercado acreano.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Comendo mosca

A postagem que vai lá embaixo sobre a fábrica Natex ser atração turística no Acre carece de uma correção, como reclama o "samurai" Archibaldo Antunes em comentário deselegante que mandei à lixeira. A fábrica, realmente não está aberta à visitação de turistas como a nota publicada pelo site G1 leva o leitor a crer. Apesar disso, o site do Ministério do Turismo afirma (veja aqui) que a indústria de preservativos é atração turística no Acre. Reproduzida pela Agência de Notícias do Acre, a informação serviu de fonte para a barriga do G1. Como não me preocupei em confirmar a informação com Dirley Bersh, diretora da fábrica, admito que comi mosca.

A respeito de Marina

Governador Binho Marques fala, na Agência de Notícias do Acre, sobre convite recebido pela senadora acreana para possível candidatura presidencial pelo Partido Verde:

"A possibilidade de uma candidatura presidencial da senadora Marina Silva foi, para mim, uma notícia surpreendente. Por isto não comentei o assunto com nenhum jornalista e decidi só fazê-lo depois dela tomar e anunciar sua decisão definitiva.

É público que neste final de semana Marina veio ao Acre e teve uma longa conversa comigo e o ex-governador Jorge Viana. Mas nenhum encontro, por mais sincero e produtivo possível, seria suficiente para esgotar um assunto tão relevante, ainda mais com os longos anos de história e luta que une a nós e a tantos outros companheiros, inclusive aqueles que deram a própria vida nessa caminhada, como Chico Mendes.

Ainda esta semana devemos voltar a conversar com a Marina, procurando preservar todas as formas possíveis de encaminhamento da nossa luta, já que nossos propósitos são inseparáveis.

O que posso afirmar é que qualquer decisão da senadora Marina Silva, certamente será fruto de uma opção de vida que merece todo o nosso respeito. Como amigo, companheiro e conhecedor de suas virtudes, serei sempre solidário a ela. Também reconheço sua importância na defesa de uma causa maior, uma causa do mundo.

Como governador do Acre, tenho responsabilidades que não posso descuidar. Nosso Governo vive o seu melhor momento e tem no presidente Lula o apoio decisivo para consolidar novas conquistas para o Acre e, sobretudo, para os acreanos mais pobres.

Minha participação política é construída no coletivo, assegurando a continuidade deste trabalho no Partido dos Trabalhadores e com a Frente Popular do Acre, onde queremos ter sempre a senadora Marina.

A vida às vezes cobra decisões de partir o coração, mas a maturidade é essencial quando se quer fazer o melhor. Marina tem o espírito livre. Sempre terá. Como terá sempre o meu respeito, a minha amizade e o meu amor de irmão".

Binho Marques
Governador do Acre

Assis Brasil: pires na mão

Montezuma Cruz

Tarde calorenta de julho. No apertado gabinete da prefeita Maria Eliane Gadelha Carius (PT), ouve-se um diálogo que retrata a dura realidade de uma cidade com 5,3 mil habitantes, situada num município gigante, com 2.884 km².

– Temos um orçamento de R$ 130 milhões para todos os nossos investimentos na capital e no interior. Não quero onerar em nenhum centavo o seu município, só preciso de um terreno sem declive e livre de inundações – diz o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, desembargador Pedro Ranzi.

– Nossos terrenos são bem situados, são bons. Nenhum vai inundar – garante-lhe a prefeita. Em seguida, promete escolher um, escriturá-lo e transferi-lo para o Poder Judiciário.

Distante 350 quilômetros de Rio Branco, a comarca de Assis Brasil, porta de entrada brasileira para os portos do Oceano Pacífico, no Peru, está sem juiz titular, sem promotor de Justiça e sem delegado de polícia. Há quatro anos um juiz itinerante comparece periodicamente à comarca, mas atende numa sala improvisada, onde simples audiências causam constrangimentos. Não é tudo, para quem reclama a presença da autoridade.

A prefeita parece cansada de tanto esforço para pôr ordem na casa. Maria Eliane é quem toma as rédeas de uma série de situações que competem a outras pessoas:

– Aqui me convocam para tudo, desembargador. Dou conselho a casais, participo de celebrações religiosas, dou palpite no comércio. Já me pediram até para ajudar nos partos – ela desabafa, olhando nos olhos de Ranzi. Acompanhado de três assessores, na conversa descontraída, o desembargador ouve atento o elenco de problemas desfilado pela prefeita.

Lembra o papel da prefeitura na integração étnica na região. Diz que socorre na medida do possível a mais de 1,3 mil indígenas de 13 aldeias. Emenda os assuntos e vai direto ao ponto, identificando outros problemas: a necessidade de localizar pais desertores para reconhecimento de paternidade de filhos; auxiliar na obtenção de aposentadorias, certidões de nascimento; a obtenção de recursos essenciais ao bom funcionamento da saúde pública; e atividades que possam atenuar os drásticos efeitos do narcotráfico internacional.

– É uma situação delicada  – conclui Ranzi.

– Delicadíssima – responde Maria Eliane.

Criado em 1976, o município homenageia o político e diplomata gaúcho Joaquim Francisco de Assis Brasil, ministro da Agricultura até dezembro de 1932. Foi ele quem negociou a compra do Acre do governo boliviano, juntamente com o ministro das Relações Exteriores, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.

Ao sul da cidade, do outro lado do rio, fica cidade de São Pedro de Bolpebra, pertencente ao Departamento de Pando, território boliviano. A um quilômetro a oeste da prefeitura, também ao sul do município, corre o pequeno rio Yaverija, que desemboca na margem direita do rio Acre. Ali fica a cidade peruana de Iñapari. Daí, o ponto tripartite Brasil-Bolívia-Peru determinar a junção de três fronteiras.

Vizinhos obtêm mais recursos

É quase uma luta de David contra Golias, mas ela convoca o presidente do TJ para fazer a sua parte. Ranzi lhe relata o encontro, meia hora antes, com o juiz de direito distrital de Iñapari, Hugo Mendonza. No lado peruano, a Justiça também está concluindo sua sede própria.

Com orçamento anual de R$ 2 milhões, a prefeita lamenta as conseqüências geográficas na formação das suas finanças. "A maior parte dos recursos saem para Brasiléia (fronteiriça a Cobija, cidade boliviana do Departamento de Pando). Aqui, pagamos R$ 500 para o táxi levar o doente em estado grave para o hospital em Rio Branco. E isso é quase toda semana". A população reivindica um hospital regional.

Segundo a prefeita, Brasiléia e Xapuri têm mais apelo com o governo, conseguindo recursos para todos os setores. "Enquanto nós, em Assis Brasil, perdemos para Brasiléia até o monumento da Alma do Bonsucesso", diz.  A alma é a seringueira Raimunda, tida como santa por brasileiros, bolivianos e peruanos. Três nacionalidades creditam milagres à santa, cuja festa religiosa é celebrada a cada 15 de agosto, com romaria até a capela de Bonsucesso, a 32 quilômetros da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri.

Expectativa

O repórter da Agência Amazônia visitou Assis Brasil no dia da visita do presidente do TJ a Assis Brasil e a Iñapari (Na província de Tahuamanu, no Departamento de Madre de Dios). E presenciou a negociação entre a prefeita e o desembargador para que o juiz titular desfrute de instalações adequadas. A prefeita acredita que agora "a coisa anda": a Secretaria Estadual de Segurança Pública já confirmou a nomeação de um delegado.

No meio de notícias ruins, um alento: Assis Brasil está entre os beneficiados pelo Programa Pró-Município do governo estadual. Primeiro estado brasileiro a oferecer educação infantil a crianças de comunidades isoladas em suas próprias residências, o Acre prevê o atendimento a 1,2 mil crianças com idades entre quatro e cinco anos. São moradoras em assentamentos, seringais, margens de rios e unidades de conservação.

Ao participar, no dia 27 de julho, da inauguração de uma casa de farinha no Assentamento Paraguaçu, ela constatou que já tem clientela para esse programa educacional inédito.

Maria Eliane espera que agora a Polícia Federal, a Receita Federal e a combalida Polícia Rodoviária Federal designem agentes para a fronteira. A estrada internacional deve ser aberta para importações e exportações, entre 2010 e 2011. É preciso pressa.

Fonte: Agência Amazônia

domingo, 9 de agosto de 2009

Marina tem potencial para seduzir eleitores de Dilma e Serra

Por Carmen Munari, Reuters/Brasil Online.

A eventual candidatura à Presidência da senadora Marina Silva (PT-AC) pelo PV trouxe frescor ao cenário político nacional e preocupação, principalmente, aos aliados da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), pelo potencial de transferência de votos.

O PV vai além e acredita que a campanha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), líder das sondagens, também será afetada. Um tarimbado analista de pesquisa eleitoral, no entanto, se mostra descrente, classificando a iniciativa de "simbólica".

Ex-ministra que empunha a bandeira da defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, com forte ênfase na Amazônia, Marina Silva tem chance de atrair votos principalmente da classe média informada e preocupada com a preservação ambiental.

Na disputa direta com Dilma, pesaria não apenas sua trajetória política como a disputa pelo voto feminino.

"Ela claramente é um figura com imagem positiva, biografia respeitável e tem entrada em certos setores de esquerda, os mesmos aos quais Dilma se dirige", disse à Reuters o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da UFMG.

Mesmo o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), acredita que Marina corre na mesma raia eleitoral que Dilma.

"Ela tem um perfil mais próximo do eleitor do PT. Se for candidata, estaria mais no nosso campo", previu o deputado. "Não duvido que possa ter esse efeito (tirar votos de Dilma)."

Pesquisa divulgada pelo PV indica que Marina tem, dependendo do cenário de candidatos previsto para 2010, entre 10 e 28 por cento. A sondagem telefônica encomendada ao Ipespe, instituto do sociólogo Antonio Lavareda, entrevistou 2 mil eleitores. Em um embate com Dilma, Serra, o deputado Ciro Gomes (PSB) e a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL), Marina teria 10 por cento.

A decisão da senadora de trocar o PT pelo PV, partido que lhe convidou há duas semanas para disputar a sucessão de 2010, será tomada nos próximos dias, no mais tardar até o fim de agosto, de acordo previsão de integrantes das duas legendas.

Nesse período, ela está conversando com políticos, na maioria petistas do Acre, seu Estado de origem. Ela viajou para Rio Branco nesta sexta-feira e passa o fim de semana em contatos, segundo sua assessoria.

O PT, sigla em que Marina milita há 30 anos, promete tentar convencê-la a não deixar a legenda, mesmo tendo claro que ela está descontente com o partido e com o governo Lula ao afirmar que não há prioridade para a questão ambiental em ambos. A primeira conversa ao vivo com Berzoini deve ser na terça.

Ela já recebeu apelos não apenas de Berzoini, mas do candidato a presidente do partido, José Eduardo Dutra, e do atual secretário-geral, deputado José Eduardo Cardozo (SP).

"Não podemos abrir mão da Marina, mas não podemos obrigá-la a ficar", admite Berzoini. Ele afirma que o projeto do partido para o país inclui a dimensão do meio ambiente, "mas pode estar menos presente do que ela gostaria".

Leonardo Brito, presidente do PT do Acre, nem conta com a saída da companheira. "Não trabalho com a hipótese dela sair. Com 30 anos no PT, ela deve ficar onde tem espaço para o debate do desenvolvimento sustentável", disse.

Marina, de 51 anos e no segundo mandato no Senado, pediu demissão da pasta do Meio Ambiente em maio de 2008 em meio a pressões em torno do licenciamento ambiental de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), comandado por Dilma. A desavença final veio da decisão de Lula de encarregar o então ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) de tocar o projeto de desenvolvimento da Amazônia. Ela havia assumido o posto em 2003.

VERDE

Um dos principais articuladores do convite feito à senadora, o vice-presidente do PV e vereador Alfredo Sirkis, acredita que, com base na pesquisa encomendada pela legenda, a candidatura de Marina incomoda o PT e o PSDB.

"Ela tira votos da ministra (Dilma) porque é mulher e é do PT e do Serra pela classe média progressista que vota nele meio a contra-gosto", avalia.

Sirkis e o deputado Fernando Gabeira já concorreram à sucessão presidencial pelo PV.

A legenda, no entanto, é rachada entre o apoio ao governo Lula no nível nacional e a Serra em São Paulo. "A Marina unifica o PV 100 por cento", avalia Sirkis.

DESCRENÇA

Enquanto Sirkis admite que a pesquisa, por ser telefônica, tem restrições, mas avalia que ainda assim aponta uma tendência, o sociólogo e diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, é descrente dos resultados da sondagem divulgada pelo partido. Duvida ainda da capacidade de a senadora atrair votos dos líderes das sondagens.

"Me surpreendem os números. São altos os números dela (Marina)", disse Coimbra, que comanda o instituto há 25 anos.

Ele argumenta que o melhor cenário atual para Dilma, de 20 por cento, está atrelado à alta exposição da "mãe do PAC", enquanto a senadora, mesmo tendo sido ministra, não tem sua imagem veiculada na mesma proporção. "Acho melhor aguardar outras pesquisas", recomenda.

A não ser haja uma "extraordinária surpresa", diz o especialista, Marina Silva não retirará votos de "maneira significativa" da ministra Dilma. "Deverá ser uma candidatura quase simbólica, como foi a do senador Cristovam Buarque", sentencia. O senador concorreu à Presidência pelo PDT em 2006.

sábado, 8 de agosto de 2009

10 anos do grupo Poronga


O grupo de teatro xapuriense Poronga comemora neste domingo 10 anos de história. Na festa, homenagem à estrela do grupo, Daliana, morta em dezembro de 2006. Em uma década, o Poronga movimentou ativamente a produção cultural no município, realizando oficinas permanentes, contação de histórias e circulação de espetáculos por outros lugares do estado. Clique na imagem acima para visualizar o convite.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Natex é atração turística

Foto: Gleilson Miranda/Agência de Notícias do Acre

Turismo ainda é uma atividade incipiente em Xapuri, mas a Natex, fábrica de preservativos masculinos feitos à base de látex natural, se lança como uma das opções para o crescimento do setor no município. Turistas podem conhecer desde a extração do 'leite' da seringa, nas matas, até a sua transformação em camisinhas. Veja o que diz o Portal G1 sobre o assunto.

Brasil: O grito que vem da Amazônia

"Na contramão da história, o Brasil está devastando sua Amazônia, com uma agressividade inaudita, utilizando uma tecnologia infernal. O último pulmão da terra que causa inveja a todos os povos do mundo, está nas vascas da agonia, agravando a doença do planeta", escrevem Antônio Cechin e Jacques Távora Alfonsin, em artigo que segue:

José Lutzemberger, nosso ecologista maior, através de sua fundação Gaya, localizada no município de Pantano Grande, divulgou entre nós o dado científico levantado por Lovelock, de que o planeta Terra é um ser vivo. O cientista europeu passou a se referir ao planeta, desde então, com o carinhoso nome mitológico de Gaya.

Ninguém mais ignora, hoje, que Gaya está doente, ferida de morte. Lutz, como era também designado pelos íntimos nosso ecologista conterrâneo, certamente foi levado a também “batizar”de Gaya, em Pantano Grande, a cratera a que estava reduzida uma imensa pedreira abandonada. Chamando de Gaya a cicatriz rochosa, Lutz demonstrou que escutara o grito lancinante lançado aos céus pela natureza em revolta. Mais que um grito, esse animal Terra ferido, a partir da Amazônia, último rincão de natureza ainda virgem, repleto de biodiversidade, solta hoje um grito terrificante face às terríveis agressões que recebe do bípede predador por excelência, em que se transformou o homem. É verdade que esse grande defensor da natureza fez restrições equivocadas, segundo nosso ver, aos objetivos e à ação dos agricultores sem terra, mas isso não pode lhe tirar o mérito do pioneirismo com que desbravou, no nosso país, a defesa do meio-ambiente.

O 12º Encontro Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base que acaba de se realizar na Amazônia, foi convocado pela Igreja que está em Porto Velho, capital do Estado de Rondônia, através de seu Pastor, Dom Moacir Grechi. De todos os recantos do país acorreram 3.010 lideranças de Comunidades, mais 2000 pessoas envolvidas nas equipes de serviço, perfazendo um total de mais de 5 mil pessoas. De 1975, ano do primeiro Encontro Nacional, este 12º de 2009 é o que conseguiu reunir maior quantidade de participantes populares das CEBs, mau grado as quase infinitas distâncias desse país continente.

O lema do Encontro foi: “Do ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia!” “Põe GRITO nisso aí” exclamam em coro hoje, os ecologistas do mundo. Esse lema que deu o mote para a grande convocação do POVO DE DEUS das eclesíolas de base, foi secundado à perfeição pelo tema: Ecologia e Missão.

O objetivo do Encontro era trazer para a Amazônia a representatividade de toda a Igreja da Libertação do Brasil. Sabemos que somente duas instituições nacionais cobrem absolutamente todo o território brasileiro, não sobrando sequer um metro quadrado sob o qual não tenham jurisdição: a Igreja Católica e o exército brasileiro. Estiveram presentes quase todas as 272 dioceses do Brasil. As 3010 lideranças que estiveram em Porto Velho eram leigos (povão), sendo 1.234 mulheres e 940 homens. Pela primeira vez, uma maioria constituída de mulheres. Já aqui enxergamos o avanço acontecido. No início da Caminhada das CEBs, ainda imperava muito machismo, fazendo com que dificilmente o homem deixasse a mulher sair sozinha para longas distâncias. Através do método educativo das CEBs avançou a mulher em seu esforço de emancipação feminina.

Além dos leigos, 197 religiosas, 41 religiosos irmãos, 331 sacerdotes, 56 bispos dos quais um da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, além de pastores, pastoras e fiéis dessa Igreja; da Igreja Metodista, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e da Igreja Unida de Cristo do Japão. Nada menos que 38 nações indígenas representadas, além de irmãos e irmãs de 9 países da América Latina e Caribe, cinco da Europa, um da África, outro da Ásia e da América do Norte. Muitos jovens e de múltiplas organizações. Foi um sucesso em termos de macro-ecumenismo.

Além de trazer toda a Igreja da Libertação do Brasil, também a finalidade era a constatação in loco, do grande grito de infinita dor da Amazônia, devastada a ferro e fogo. Esse objetivo de conscientização totalmente ecológica, também foi plenamente atingido. Por isso o Encontro foi espraiado ao máximo. Visitamos muitos rios, igarapés, muitas matas, comunidades indígenas, de quilombolas, de seringueiros, de ribeirinhos, de posseiros, de migrantes do campo e da cidade. Todos foram imbuídos de sumo cuidado - os que vínham de fora da Amazônia - para abrir bem olhos e ouvidos a fim de poderem voltar para seus pagos como doutores em Amazônia, em condições de converter os sofrimentos dos povos da floresta, em preocupação de todos os brasileiros sem exceção. Fazer eco ao grito imenso que é reprodução do grito do povo escravo do Egito que, como escrito na Bíblia, foi escutado por Deus desde o sétimo céu, e também foi grito final de Cristo na Cruz antes de entregar seu Espírito nos braços de seu Pai.

Entre tantas andanças, com mais de 50 ônibus diariamente à disposição, os participantes foram para uma liturgia penitencial a 18 quilômetros de Porto Velho, onde está sendo construída a famigerada hidroelétrica de Santo Antônio, junto ao rio Madeira. Mais a juzante será também local de mais uma: a do Jirau. Que profanação “batizar” esse aborto da moderna tecnologia, com o nome do Santo mais querido do povo brasileiro. Deve-se esse nome à igreja de Santo Antônio, uma das mais antigas de Porto Velho, construída no contraforte da usina em construção.

Saltando dos ônibus na coxilha em que está a igrejinha, ao deparar com a cratera à frente, deu vontade a todos, de chorar de indignação. Imaginavam estar vendo o que terá sido a bomba atômica sobre Hiroshima ou Nagasaki. Aterros e mais aterros, ao lado de paredões de pedra e concreto. Uma azáfama de tratores e caçambas indo e vindo. As mais de 3000 pessoas recém-chegadas foram descendo até o rio Madeira, imenso caudal de águas, agora bem próximo, já transposto em seu novo leito, para o outro lado da montanha à nossa frente, bem ao fundo, no horizonte.. Mas aqui pertinho, no pedaço de leito em que as águas já não correm mais, imensas pedras cobertas de limo. Havia aqui uma linda cachoeira. Do grande poço que restou, um cheiro fétido da quantidade de animais aquáticos mortos. A mídia nos informara que, quando da transposição, neste pedaço de rio desviado, pela preocupação de ação “ecologicamente” correta, haviam extraído 15 toneladas de peixes. Mera propaganda. O fedor se encarregou de escancarar a verdade sobre a tragédia da morte de peixes que aconteceu.

Estavam todos iniciando a liturgia penitencial quando lá ao longe, em cima do trecho em que a usina geradora de energia vai ser construída, um enorme estrondo fez estremecer a terra. Nada menos que uma linha reta do solo, medindo uns 300 ou 400 metros de comprimento, se ergue lançando material para o ar em meio a uma coluna de poeira. Essa fumaceira demorou mais de hora para se esvair no espaço, levada pela brisa amena que soprava. À direita do estrago “atômico”, a beleza da paisagem aquática e florestal, com navios indo e vindo, de uma margem a outra, carregando materiais de todo tipo.

Na contramão da história, o Brasil está devastando sua Amazônia, com uma agressividade inaudita, utilizando uma tecnologia infernal. O último pulmão da terra que causa inveja a todos os povos do mundo, está nas vascas da agonia, agravando a doença do planeta.

Em outro momento da Missão, um dia inteirinho com mais 50 companheiros, em uma Comunidade Extrativista. As famílias de seringueiros relataram a história da borracha no Brasil. Destacaram o grande surto desenvolvimentista, quando os nordestinos foram premidos pelos exército brasileiro a mando dos Estados Unidos a abandonar seus rincões de origem, para se transformarem em soldados da borracha, particularmente durante as duas últimas grandes guerras mundiais, em condições de total escravidão. Depois quando os próprios americanos do norte levaram as sementes de seringueiras para a Ásia, como naquele continente a borracha ficou muito mais barata, a decadência econômica que sobreveio sobre toda a Amazônia. Nesses tempos que são os últimos, está acontecendo um verdadeiro assalto dos sequiosos de lucro fácil por capitalistas do sul do país: gaúchos, paulistas ou paranaenses, chamados todos pelos povos da floresta pelo genérico de “paulistanos”, que estão invadindo rios, campos, florestas, etc. A exuberante natureza se reduz a desmatamentos, grandes criações de gado, plantações infinitas de soja, garimpo, etc. etc.

Porém o Povo de Deus que está na Base não se entrega. Através das Comunidades Ecológicas de Base, Chico Mendes, o mártir organizador dos povos da floresta, especialmente índios e seringueiros, inventou os Empates que estão na ordem do dia até hoje. A Comunidade da Seringa teatralizou para todos a realização de um EMPATE. Quando gente com motosserra se anuncia ao longe, a quilômetros de distância, o povo de Deus se articula rapidamente, com umas 20 a 30 pessoas no mínimo. Munido de alguma garrucha ou arma de caça, vai em direção ao lugar em que ronca a ferramenta desmatadora. O grosso da caravana segue unida, e um que outro, por duas outras frentes. Chegam até os derrubadores e “mãos ao alto!”gritam em coro. Dependendo da reação, às vezes também é necessário um tiro para o alto. Vão até os 2 ou 3 trabalhadores de motosserra e mandam soltar ao chão a máquina derrubadora.

Se não soltam, começa imediatamente o diálogo: “sabemos que é o ganha-pão de vocês... vocês são tão pobres quanto nós... porém nós, para sobreviver necessitamos da floresta em pé... nós não vamos prejudicar vocês... queremos o bem de vocês tanto quanto o nosso... Prometemos que vamos até o patrão de vocês, todos juntos, para defende-los, dizendo que fomos nós que os impedimos de desmatar...”

Se ainda não largaram ao chão a motosserra, ainda há um recurso quase infalível: um da Comunidade sugere: ”Companheiros, vamos pedir a Deus que ilumine nossos irmãos para que entendam a necessidade de atender nossas colocações”. Juntos rezam um Pai Nosso. Não raro, os das motosserras, para rezar, das cócoras em que estavam para o manuseio da motosserra enfiada na árvore, se levantam para rezar juntos, e instintivamente colocam a ferramenta no chão. Aí, sorrateiramente, um dos seringueiros que veio para o empate, por detrás, sem ser visto, recolhe a ferramenta. Todos juntos então, em cortejo, caminham à procura do patrão ou coronel para a negociação. Na maioria dos empates, do patrão, a negociação acaba no INCRA e aí, geralmente os seringueiros esbarram no fato de que a papelada dos desmatadores está totalmente “em ordem”. Sim, mas que tipo de ordem? Sabemos como impera a corrupção aí onde não funciona o poder judiciário.

Nosso José Lutzemberger, quando soube da invenção do empate por Chico Mendes, foi até Xapuri, cidade do Acre em que o seringueiro morava e convenceu-o a fazer-lhe companhia numa viagem. Lutz, com o herói-mártir a tiracolo, seguiu para Washington. Os dois lograram convencer o Banco Mundial para não emprestar mais dinheiro para empresas desmatadoras.

Concluindo: Assim como aqui no Rio Grande do Sul as Comunidades Eclesiais de Base – Povo de Deus – pariram o Movimento dos Sem Terra, exatamente no dia 7 de setembro de 1979 com a ocupação da Fazenda Macáli em Ronda Alata, Chico Mendes e Marina Silva, à frente das Comunidades Eclesiais de Base da Amazônia, pariram os Movimentos Populares dos Povos da Floresta, particularmente Índios e Seringueiros. Aqui são os assentamentos da Reforma Agrária a caminho, e lá são as Reservas Extrativistas.

Confirmam-se as palavras de Maria, a mãe de Jesus, em seu canto de ação de graças, quando entoa: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Saciou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias”. Também enche-se de razão Gustavo Gutierrez o criador da Teologia da Libertação quando assim intitula um de seus livros: “A força histórica dos pobres.”

Até parece que o poeta modernista Mário de Andrade, um dos corifeus da ”Semana de arte moderna” em São Paulo, que revolucionou nossa cultura brasileira, descreveu antecipadamente como se deu o processo de conversão realizado pelo o 12º Encontro com a seguinte poesia:

DESCOBRIMENTO

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De sopetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido.
com o livro palerma olhando para mim.

Não vê que me lembrei que lá no norte, meu Deus!
Muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

Antônio Cechin, participou do 12o. Encontro Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base, realizado, recentemente, em Porto Velho, RO.

Antonio Cechin é irmão marista, miltante dos movimentos sociais. Jacques Távora Alfonsin é advogado do MST e procurador do Estado do Rio Grande do Sul aposentado.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

"Não é festa, é revolução"

Era madrugada de 6 de agosto de 1902 quando o gaúcho José Plácido de Castro tomava de assalto, junto com um punhado de seringueiros, a Mariscal Sucre do intendente Juan Dios Barrientos, dando início a um dos mais importantes capítulos da história do Acre e do Brasil, a Revolução Acreana, que tornou brasileiro este pedaço de chão.

107 anos passados, a cidade onde nasceu a Revolução Acreana ainda não alcançou na realidade prática o mesmo nível de importância que lhe atribui a história e a luta daqueles que, desde os primeiros instantes do Acre brasileiro, deram suor e sangue por este rincão. Xapuri, como há muito tempo acontece, luta para alcançar o lugar de destaque que sua fama sugere.

A prefeitura realiza, no período da tarde, programação alusiva à data tão importante para a cidade, mas que tem sido seguidamente esquecida no decorrer dos últimos anos. Artistas de teatro encenarão a "Tomada da Casa Branca", apesar de a história dizer que a antiga intendência boliviana jamais ocupou aquele lugar.

"Não é festa, é revolução", respondeu o caudilho gaúcho a Barrientos, que creditava à festa de 6 de agosto, data nacional da Bolívia, o burburinho causado momentos antes de sua rendição. Para ele, era "temprano para la fiesta". Atualmente, parece tardar cada vez mais a última das revoluções, a do progresso e do desenvolvimento do "Berço da Revolução".