segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

DELEGADO ANTÔNIO CARLOS E O RIGOR TARDIO DA LEI

A foto ao lado é do dia 29 de março de 2012 logo após a realização da Operação Chapurys, um trabalho de investigação da Delegacia de Repressão ao Entorpecente (DRE) que colocou atrás das grades doze pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas no município de Xapuri. Entre os presos na operação, estava o homem que dois anos depois se tornaria o algoz do delegado Antônio Carlos Marques Mello, o Carioca.

Colocado em liberdade pouco tempo depois da prisão, Elivan Verus da Silva protagonizou uma sequência de crimes jamais vista em Xapuri. Primeiro, no dia 26 de novembro de 2014, ele tentou matar uma ex-namorada, Nágila Costa, mas terminou assassinando a filha da mulher, a estudante Janaína Nunes, que tinha apenas 15 anos de idade.

Foragido da justiça, Elivan adquiriu uma espingarda calibre 20 na Bolívia e no dia 14 de dezembro seguinte sequestrou outra ex-namorada, Fátima Sarkis, que foi obrigada a trazê-lo à cidade. Encurralado em um cerco policial, Elivan conseguiu escapar depois de atirar no delegado Antônio Carlos, que um pouco antes de ser baleado havia dado voz de prisão ao fugitivo. O delegado Carioca morreu 25 dias depois no Hospital das Clínicas, em Rio Branco, depois de uma luta gigantesca pela vida. Elivan foi capturado um dia após o crime numa grande operação policial.

Nos dias 15 de junho e 1º de julho de 2015, Verus foi a júri popular para responder pelos crimes homicídio contra o delegado e a estudante, pela tentativa de homicídio contra Nágila Costa e pelo sequestro de Fátima Sarkis. Considerado culpado para todas as acusações, Elivan foi condenado a 60 anos de reclusão em regime fechado. Rigor da lei que veio tardiamente. Quando cometeu a série de crimes que abalou Xapuri, Elivan Verus cumpria, em regime aberto, pena por crime de tráfico de drogas.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

XAPURI

José Edmílson Figueiredo

Os Xamãs invocam
a mente pro encontro
entre magia e mistério.
Faíscas, fumaças,
e nesgas de feixes
formam véus galácticos
ornados de raios de luz
refletindo miragens
de rastros deixados
por corpos encantados
de forças ocultas.
Sementes e folhas
chovem das árvores,
os frutos trazem festas.
Os entes entoam
cantos oníricos
acompanhados de trombetas
e instrumentos celestiais.
As estrelas mais distantes
sopram luz ao infinito
em atos generosos
de infinitas dádivas.
O bradar ecoa rumo
a paredes que escutam
e reverberam ondas.
No mais distante passado,
no jorro d'água
da fonte do bosque,
os pajés se encontram
nas curvas e ritos
origem de Xapuri.


José Edmilson Figueiredo, Mapinguari ou Bacana, é um xapuriense dos bons. Difícil enumerar todas as coisas que ele faz com maestria e dedicação. Uma de suas artes é a poesia. Neste ano, ele lançará o livro "Poesia Líquida", obra da qual o poema acima faz parte.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

PARABÉNS, TENENTE CARLOS CIRO

Promovido recentemente a oficial da Polícia Militar do Acre, o agora tenente Carlos Ciro Nicácio, 49 anos, é um exemplo de amor pela carreira que escolheu seguir. É um daqueles policiais militares que faz sempre questão de explicitar o orgulho que sente de envergar a farda de uma das mais antigas instituições do Acre.

Nascido e criado na colônia Esperança, às margens do Rio Xapuri, é um dos oito filhos gerados por José Nicácio e Edvirgens Maria. Iniciou seus estudos lá mesmo, na escola Bosque. Já na cidade, estudou nas escolas Anthero Soares Bezerra, Plácido de Castro e Divina Providência, onde cursou os ensinos fundamental e médio. Concluiu o ensino superior na Universidade Norte do Paraná (Unopar), se formando em Recursos Humanos.

Ingressou no quadro da Polícia Militar do Acre no dia 10 de agosto de 1988 e alcançou o oficialato no dia 25 de dezembro de 2015, sendo que a cerimônia de promoção foi realizada no dia 30 do mesmo mês. Casado com dona Gizêlda Nicácio e pai de Carlos Willian, Karla Williane e Quevem Bruno, o militar diz que a família é um dos seus pilares mais importantes.

"Agradeço muito a Deus, à minha família e aos meus amigos que torceram e torcem por mim, e até mesmo aqueles que me criticam, porque através dessas críticas eu consigo enxergar os meus erros. Nada vem de graça, tudo depende daquilo que você determina para sua vida. Você tem a capacidade de escolher ser uma pessoa boa e vencedora ou optar por ser um fracassado e derrotado”, escreveu em sua página pessoal no Facebook.

O presente post é uma pequena, mas justa homenagem do blog ao militar que em minha opinião orgulha a comunidade com o seu empenho em cumprir com a missão de "servir e proteger" a sociedade como um todo e também de servir de exemplo para os mais jovens no que diz respeito à busca pelos seus ideais e à persistência diante das dificuldades encontradas no caminho. E a deferência se estende aos demais membros da corporação em Xapuri.  

Parabéns, Tenente Ciro.

TRESLOUCADOS PARA MUITO ALÉM DO CONVENCIONAL

CLÁUDIO MOTTA-PORFIRO*

Há meses, não fazia contato com a minha alma penada favorita. Parece-me que foi em julho passado a última vez em que a havia encontrado. Agora, ele está voltando de um périplo inter galático, cumprindo tarefas ordenadas não se sabe por quem. Importa, verdadeiramente, que o senhor Astrogildo Berimbau e as suas análises atrozes, uma vez mais, deixam-me estarrecido ante tanta crueza de raciocínio sem meias palavras.

É claro que, nos dias correntes, tudo está para muito além do convencional, até porque ninguém é dono de ninguém e também porque as ideias aqui apostas foram por mim anotadas enquanto resultado do nosso último diálogo, antes das minhas férias folgazãs em terras dos curibocas.

Discordei totalmente dos pontos de vista tresloucados do meu interlocutor do outro mundo. Todavia, dado vivermos nós todos um tempo de grande conturbação e loucura geral, os devaneios couberam muito bem neste espaço e neste instante em que tudo vai para muito além do meramente banal.

Sayulita, uma sobrinha distante do senhor Berimbau, reside desde sempre em Málaga, Espanha. Meio romântica, meio realista, um pouco saltitante e muito mais dada à prostituição de alto nível, ela, apesar da vida desvairada, como a superior maioria das fêmeas desta época maluca sob a égide da civilização judaico cristã, também ainda espera enganar alguém que se candidate a marido, depois da última apelidada aventura matrimonial sem pejo e sem vergonha nenhuma mesmo.

Ficara encantada com a possibilidade de enganar um macho do Brasil. Por mais incrível que pareça, ela houve por bem dar de cara com um futebolista brasileiro em uma estada sexual de dois meses em Bilbao. Este, depois de muitas idas e vindas, sobes e desces, ao sabor da libido, apresentou-a a um outro que a fez conhecer um outro da mesma nacionalidade. Os três mulatos musculosos se foram e ela veio a contentar-se com um português branquelo do Alentejo, bem inocentezinho e quase pueril, em quem jogara laço frouxo e conseguira sucesso. Também, pudera!

Papel passado e tudo, foi-se para Portugal, de onde voltou e ainda não haviam se passado seis meses. Em poucos dias, o agora marido Joaquim já estava de orelha em pé. Era besta só na aparência, mas apaixonara-se pelo par de rabo da espanhola. Na butuca, através de detetive particular, o gajo a flagrara em delito carnal na própria alcova - imagine! - com mais um brasileiro, político, capoeirista profissional e carreirista não por acaso.

Agora, já na casa dos trinta e poucos, ela estava a jogar a rede de malhas finas por cima de um cardume de moços na casa dos vinte e poucos, alunos da Universidade de Málaga. O mais besta, um sobrinho do meu despudorado amigo de além galáxia, era a bola da vez. Coitado.

Estes fatos e as suas hilações foram a mim transmitidos em madrugada de insônia, na vivenda acreana do Petrópolis. Parecia que eu era o interlocutor do senhor Berimbau. Vociferante feito um leão de chácara, ele chegava a apontar o dedo na minha cara e eu a sentir o seu bafo de onça, como se o idiota em tratamento fosse eu. Caramba!

As palavras, segundo ele, foram ditas ao parente distante, em sonho, há poucos dias. A revolta era grande. Quase um monte de doidices, não fosse as obviedades deste tempo cansado de tantas guerras e de tanta porralouquice.

Ele esturrava... Não case nunca, seu basbaque. Você não é doido. Se você casar, essa zinha quererá ter um filho, para te prender, ô Alfonsino! Se ela tiver um filho, findo o parto, logo ficará feia, escorrida, pálida nos seus olhos de quenga de fim de feira, e precisará de cirurgias plásticas que poderão chegar à cifra das cinquenta mil pesetas, o que não é viável para quem vive quebrado, como é o seu caso. Com certeza, ela ficará enjambrada, torta e sem o pino de centro. Você, então, irá atrás das outras, as mais bonitas, mais inteiras ou menos estragadas. Daí, se você fizer uma merda dessas e arranjar outra pirua, ela correrá para pedir o divórcio e tomará tudinho o que você ainda nem tem, ou nunca teve, nem em sonho, em termos materiais. Com isso, toda a tezão anterior irá parar nas barras dos tribunais.

E o nosso analista de além galáxia continou, agora se dirigindo diretamente a mim.

Ora, meu caro escriba do norte! Coitados dos juízes e promotores públicos, sempre aptos a resolver encrencas de gente imbecil que não sabe lidar com as mulheres e os homens nascidos e criados sob a égide da civilização capitalista e profana. Acasalem mais e casem-se menos, por favor!

Há incentivos para que tal ocorra e o número de casamentos cresce, é verdade, mas o de divórcios aumenta bem mais. Não vale ganhar a merreca do tal programa do governo. É uma porcaria e você há de se arrepender porque o dinheiro sequer conseguirá pagar a farra tão mal planejada. Bom seria aprender a lidar com esses trastes no Brasil. Lá não há ninguém bobo. Sai dessa, infeliz da costa oca!

É oportuno lembrar a reflexão do Lupicínio Rodrigues, referindo-se aos dois gêneros, quando aconselha: esses moços, pobres mocos, ah se soubessem o que eu sei, não amavam, não passavam aquilo que já passei...

Pensando bem, não entendo porque todas elas, de marias a clarices e berenices, indiscriminada, euforica e efusivamente, querem ter um homem para chamar de seu, mesmo na quase certeza de que cometerão mil desatinos. As estatísticas são mordazes, contundentes, realíssimas, mas ninguém percebe que o amor já não existe na cabeça do homem pós-moderno, do tal macho alfa, mas há tão somente o transcendente carnal, ou trepada, ou coito, segundo os sexólogos. Como dizem os analistas meio ranzinzas, sexo, para ambos os gêneros, hoje, é igual cuia de tacacá: usou, lavou e emborcou, já está mais uma vez novinho em folha. Nem é preciso sabonetes íntimos. Basta um cuidadinho, e pronto: novamente uma verdadeira beleza. Isto posto que, se há algo melhor que isso, Deus deixou só para o seu usufruto exclusivo, guardado a sete chaves de prata, e jamais será revelada a sua existência a nós reles humanóides e imbecis.

Não sei de onde as mulheres tiraram essa ânsia maluca por casar-se. O casamento é uma infeliz invenção delas. Penso que os homens não merecem toda essa deferência e atenção desmesurada. As estatísticas desencantam. Seria melhor conseguir um bom emprego ou uma lavagem de roupa. Daí, arranjariam maridos e fariam com eles o que bem entendessem. (Machinho malandro e ruim de cama tornar-se-ia marido bom de peia em um piscar de olhos.)

Deixando de lado as idiossincrasias do louco acima descrito, o manobrista de palavras - que vos escreve estas tão amarfanhadas linhas - levando em conta a aspereza do tempo, já não é contra e nem a favor a ninguém ou a qualquer coisa, mas muito pelo contrário.

Ele já não dorme direito com tamanho barulho vindo dos tambores de crioulas do seu terreiro de macumba às quatro da manhã. Por Deus!

Então, sejamos felizes juntos ou separados, unidos ou misturados, não importando quem esteja por cima ou por baixo. Qualquer posição é válida, mas o que mais tem valor é o amor em todas as suas acepções, inclusive, as mais sacanas possíveis.

Alvíssaras!

__________

*Autor do romance O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE, disponível nas livrarias Paim, Nobel e Dom Oscar Romero; e na DDD / Ufac.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A ARTE DO ENCANTAMENTO

Encantamento é um processo e não um simples evento. Deve ser construído com base no sonho e na causa e não apenas na simples vontade de ganhar dinheiro.
Jeronimo Mendes
Fala sério! Há quanto tempo você não lê um livro diferente, do início ao fim, sem ser interrompido pelo toque do celular ou pelo sinal de um novo e-mail na caixa de entrada? Pensando bem, quantos livros você já leu até hoje, sem contar aqueles obrigatórios do ensino fundamental ou do vestibular?
"Encantamento", de Guy Kawasaki, é um desses livros que vai mudar o seu jeito de avaliar e fazer as coisas. Começa pela capa dura, bem produzida, maneiríssima, ilustrada com uma borboleta simples feita em origami, tradicional técnica da arte japonesa. Simples e encantadora.
Guy Kawasaki é um daqueles sujeitos que você aprende a gostar logo de cara. Por mais de vinte anos, ele foi evangelista-chefe da Apple, uma das empresas mais admiradas do mundo, e criador da Alltop, livraria com revistas on-line que aborda os assuntos populares da web. É uma figura carismática, antenada, com milhares de seguidores no Twitter e uma página encantadora no Facebook.
Encantamento, como diz o próprio Kawasaki, não envolve a manipulação das pessoas, por meio de propagandas enganosas nem sofisticados recursos de mídia, mas sim a transformação positiva de situações e relacionamentos. Converte a hostilidade em civilidade e a civilidade em afinidade permanente, competência escassa nos dias de hoje.
Segundo ele, no mundo dos negócios ou nas relações pessoais, a meta não deve ser apenas alcançar um objetivo, mas sim obter uma mudança voluntária, duradoura e agradável nas outras pessoas. E, aqui entre nós, não é fácil mudar os outros quando você mesmo não está disposto a mudar.
Quer mudar o mundo? Quer transformar lagartas em borboletas? Construir uma história de vida interessante? Isso não será possível nas baladas, nas mesinhas de bar, nas andanças pelo shopping. Para que isso aconteça, é necessário mais do que relacionamentos comuns. É necessário convencer as pessoas a sonhar o seu sonho.
Essa é uma meta desafiadora que pode ser alcançada por qualquer pessoa na face da Terra, porém, antes de tudo, você precisa mudar radicalmente o seu discurso e a sua forma de se comunicar com o público, se qual for o seu projeto.
Quando você é jovem, a coisa mais importante do mundo é ganhar dinheiro, ter sucesso na vida e no trabalho, ser admirado pelos amigos. Quase tudo o que se faz vai de encontro a uma necessidade explícita de autoafirmação e posicionamento perante os amigos e a família.
Na medida em que você envelhece, você se dá conta de que dinheiro é bom, mas, não é tão importante, sucesso é bom, mas não é tudo que você gostaria de ter, ser admirado é bom, mas, se você não é admirado pela família, isso não faz diferença alguma.
Por que o Encantamento? Segundo Kawasaki, quanto maiores forem as suas metas, maior será a sua necessidade de modificar os corações, as mentes e as ações das pessoas. Isso ocorre principalmente quando você tem poucos recursos e grandes concorrentes. Se você precisa encantar as pessoas é porque está realizando algo significativo. Se estiver fazendo algo significativo, você precisa de encantamento.
De maneira geral, o livro é dedicado às pessoas que veem a vida pelo que ela pode ser e não pelo que não pode. Seja qual for a sua causa – produto, serviço, ideia ou organização -, você vai precisar muito mais do que relações instantâneas, rasas e temporárias para conseguir o engajamento das pessoas.
Já aconteceu de você se encantar por alguém ou por alguma empresa que não gosta? Duvido. Para que isso aconteça é necessário uma troca de energia positiva entre você e a pessoa, você e a empresa, você e a ideia que lhe foi apresentada, você e a organização em que trabalha.
Se você já empreende ou está pensando em empreender, não se descuide da arte do encantamento, seja com o seu produto, seja com o seu atendimento. Nas redes sociais, então, nem se fala. São poucos os que lhe conhecem ao vivo, porém, são muitos os que se encantam ou desencantam apenas com os primeiros segundos de olho no seu post.
Encantamento é um processo e não um simples evento. Deve ser construído com base no sonho e na causa e não apenas na simples vontade de ganhar dinheiro. Ao ler o livro, descobre-se porque é necessário aceitar as pessoas e também descobrir algo que você goste em cada uma delas para se tornar uma pessoa encantadora.
Pense nisso e empreenda mais e melhor!
Jerônimo Mendes é administrador, coach, escritor e palestrante.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PM DE XAPURI FAZ BALANÇO DA CRIMINALIDADE NO MUNICÍPIO


A Polícia Militar de Xapuri divulgou nesta semana um levantamento dos indicadores criminais referentes aos anos de 2014 e 2015, além dos resultados operacionais obtidos pela corporação no município. De acordo com os dados divulgados, durante o ano de 2015 foram registradas 1.187 ocorrências policiais sendo que 609 foram atendidas pela Polícia Civil e 578 ocorrências pela Polícia Militar. Desse total, 1.032 ocorrências foram registradas na zona urbana e 155 na zona rural do município de Xapuri. 

O furto, a ameaça e a violência doméstica foram os indicadores criminais que tiveram maiores índices em 2015, assim como também ocorreu em 2014. Os bairros Centro, Laranjal e Pantanal foram os locais em que os indicadores criminais foram mais observados. As ruas Coronel Brandão, 24 de Janeiro, 17 de Novembro e 6 de Agosto foram as ruas que se destacaram negativamente nas estatísticas. Os bens mais visados pelos ladrões em Xapuri são bicicletas, dinheiro em espécie e celulares.

Em 2014 foram registrados 4 homicídios contra apenas 1 em 2015, uma redução de 75% nesse indicador criminal. No caso das tentativas de homicídio foram 6 em 2014 e apenas 2 em 2015, ou seja, redução de 67% para os atentados contra a vida. Esses são, segundo a Polícia Militar, os indicadores mais usados para mensurar a qualidade da segurança pública de um determinado local.

Com relação ao trânsito, em 2014 ocorreram 91 acidentes de trânsito contra 65 em 2015. Desse montante, 12 acidentes ocorreram na zona rural e 53 dentro do perímetro urbano. Foram 42 acidentes com vítima não fatal, 21 com danos materiais e 2 com vítimas fatais, o que em comparação com 2014 representou um aumento de 100%, visto que em 2014 ocorreu apenas um acidente com vítima fatal. No comparativo entre os dois anos, houve uma redução de 29% nos acidentes de trânsito ocorridos em Xapuri.

Quanto aos resultados operacionais, a 2ª Companhia de Policiamento de Xapuri realizou em 2015 o total de 1.128 ações e operações policiais, algumas contando com a participação da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. Entre os dados mais importantes estão os registros de 287 prisões em flagrante, 469 infrações de trânsito, 121 visitas as escolas, 123 testes bafométricos, 24 autos de infração por embriaguez, 10 prisões por embriaguez ao volante, 23 indivíduos capturados com mandado em aberto, 66 armas brancas e 9 armas de fogo apreendidas, 31 apreensões de entorpecente e a realização de 47 palestras educativas que tiveram a participação de 2.159 ouvintes.

O comandante da Polícia Militar em Xapuri, capitão Sílvio Araújo, afirma que a corporação continuará com o firme propósito de combater a criminalidade e garantir uma cidade mais tranquila e segura para os cidadãos. "Para o ano de 2016, continuaremos com as operações e ações que visem a redução de índice criminal em Xapuri e consequentemente a melhora da qualidade de vida da população da Princesinha do Acre", afirmou.

ACÁCIA AMARELA

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

CARNAVAL SOLIDÁRIO

Depois de longo período de indefinição, a prefeitura bateu o martelo na manhã desta quarta-feira e decidiu que Xapuri vai sim ter carnaval popular em 2016. 

O anúncio foi feito por Joscires Ângelo, chefe de gabinete do prefeito Marcinho Miranda, por meio de sua página no Facebook.

"Fim de trololó. Em reunião ocorrida hoje pela manhã, decidiu-se oficialmente pela realização do Carnaval 2016. A Prefeitura Municipal de Xapuri, juntamente com alguns empresários e amigos realizará a quadra momesca. Será uma festa simples, do tamanho que a atual situação de crise suporta, mas com certeza será realizada com todo o carinho que a população xapuriense merece. Agora é todos que gostam da festa arregaçar as mangas e colaborar", afirmou Joscires.

A banda Frutos da Terra foi a escolhida para alegrar as quatro noites da folia xapuriense.

BANDA DE MÚSICA DE XAPURI: DO SONHO AO PESADELO
























Antônio Cosmo da Rocha (Magão)

A banda de música “Dona Júlia Gonçalves Passarinho” é a realidade de um sonho nascido no início da década de 1970 que já despertava com o talento de vários jovens que aqui viviam. Com a visita do nosso irmão xapuriense e que na época era ministro da Educação e Cultura, Jarbas Passarinho, que aqui esteve em 1971, o pedido dos instrumentos foram feitos e a esperança surgiu para concretização do sonho.

Era prefeito nesta época o senhor Júlio Dias Figueiredo, que formatou e oficializou o pedido e já providenciou um maestro para orientação dos jovens idealistas, banda que seria denominada - “Francisco Mangabeira” em homenagem a este herói, que além de ser autor do hino acreano, sacrificou sua vida às margens do Rio Acre.

À época da visita do então ministro, era governador do Acre o também xapuriense Jorge Kalume, mas por motivos desconhecidos esses instrumentos chegaram ao palácio Rio Branco e o os mesmos ficaram encostados em algum lugar. Nessa ocasião era empossado o novo governador do Estado, Wanderley Dantas, e como naquela época os governadores eram quem indicavam os seus prefeitos, o mesmo indicou seu primo, Edson Dias Dantas, para prefeito municipal de Xapuri.

Os já citados instrumentos só chegaram a Xapuri no ano de 1972, data em que o prefeito já era o senhor Edson Dias Dantas. Somente a partir desta data a banda de música começou a dar seus primeiros passos, recebendo do referido prefeito o nome de – “Dona Júlia Gonçalves passarinho” e não “Francisco Mangabeira” para homenagear a mãe do ministro Jarbas Passarinho.

A banda de música ”Dona Júlia Gonçalves Passarinho” iniciou seus primeiros trabalhos de matrículas e de ensaios, contando com 25 músicos e 1 arquivista, sob a regência do saudoso maestro Ruy Francisco de Melo, falecido no dia 6 de dezembro do ano de 1985. Sua primeira tocata oficial aconteceu no dia 20 de janeiro do ano de 1973, em uma alvorada em louvor ao santo padroeiro de Xapuri, São Sebastião, e ainda no mesmo dia acompanhou a tradicional procissão. Já no dia 22 de março do mesmo ano, data em que se comemora o aniversário de Xapuri, a banda foi batizada pelo vigário da paróquia local, Frei José Carneiro de Lima.

No início desta corporação simples mais famosa em todo estado do Acre, seus componentes passaram por um período de muitas dificuldades, porém o amor à profissão mantinha o sonho dos músicos, levando–os a se conformar em passar dois anos sem receber salários da prefeitura.

A falta de perspectivas fazia com que, muitas vezes, os músicos quisessem desanimar, mas o mestre tenente Ruy Francisco de Melo sempre dava um jeito de conseguir alguns trocados com o prefeito ajudando-os a manter a esperança de um amanhã melhor. Apesar de todo o esforço cinco elementos da banda desistiram da música.

Aos 2 dias do mês de abril de 1975 assumiu a prefeitura de Xapuri o senhor Ivonaldo Portela da Costa que já no final do primeiro mês de sua administração pagou uma gratificação salarial de C$ 200,00 na época, onde nessa ocasião pediu ao maestro Ruy que providenciasse os documentos dos referidos músicos para a tão sonhada contratação.

O esperado dia chegou, e em 1º de agosto do mesmo ano, a banda de música “Dona Júlia Gonçalves Passarinho” foi reconhecida e seus componentes foram finalmente efetivados como funcionários da administração municipal, normalizando a partir de então os salários destes trabalhadores que colocaram acima de tudo o amor a sua profissão.

Diante de tal gesto o prefeito Ivonaldo Portela da Costa, foi considerado o patrono da banda de música que estava prestes ser desfeita. Portanto, é mais do que importante abrir um parêntese para agradecer primeiramente a Deus e ao economista que no meio de tantas análises, números e cálculos e inúmeras dificuldades deu a oportunidade à música e aos jovens do nosso município. Obrigado, Ivonaldo Portela da Costa.

Mas a história de luta da Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho não termina assim. Depois de lutar pelo reconhecimento, pela contratação, pelo tão sonhado primeiro salário, e depois dos anos de glória e de muitas apresentações em diversos municípios e também nos países fronteiriços do nosso estado, quero relatar outra fase da nossa banda, citando Tim Maia na música tão maravilhosamente interpretada pelo rei Roberto Carlos: “Há muito tempo eu vivi calado, mas agora resolvi falar...chegou a hora tem que ser agora”.

Em nome de todos os meus colegas de trabalho vou em rápidas linhas tentar relatar um pouco da situação da nossa banda municipal. Situação essa completamente desconhecida da população de Xapuri.

Desde o ano de 1986 nossa banda vem sofrendo um total abandono por parte das diversas administrações municipais. Falta apoio, falta material humano, faltam instrumentos, falta estrutura física consistente num alojamento adequado para o exercício das nossas funções, não possuímos fardamento digno, bem como não existe uma agenda cultural em que a banda possa se apresentar, ou seja, fomos completamente esquecidos e estamos sem nenhum prestígio diante da sociedade.

É importante salientar que, por conta desse abandono e do descaso administrativo, todos nós músicos da banda, por diversas vezes, fomos e ainda somos taxados de vagabundos, preguiçosos, que ganham o dinheiro com a cara sem fazer nada, sendo que tais palavras foram proferidas por alguns munícipes e, pasmem, por alguns secretários, diretores e prefeitos, agentes públicos que se cumprissem suas funções teriam que solucionar e dá suporte à Banda de Música, que acima de qualquer coisa faz parte da administração pública municipal.

O pior capitulo dessa história se iniciou na grande enchente que assolou Xapuri em fevereiro do ano passado, onde o alojamento da Banda de Música foi cedido sem o nosso conhecimento para servir de abrigo provisório para uma guardar materiais do hospital Epaminondas Jácome, que foi severamente atingido pelas águas do Rio Acre. Acontece que os instrumentos, partituras e demais materiais não foram retirados do local, simplesmente colocaram o material hospitalar junto com todo o material da Banda sem nenhuma cautela, instrumentos que em sua maioria são manuseados com a boca do músico o que tornou praticamente impossível a retomada dos trabalhos ante a falta de cautela e higienização do material que lá se encontrava com material hospitalar. Me pergunto: quem em sã consciência colocaria em sua boca algo que passou dias e dias misturado com material hospitalar sem nenhum cuidado? Eu não teria essa coragem e tenho a total convicção que os senhores diretores, secretários e quem quer que seja que falou a ou b também não o fariam.

Qualquer departamento público que se digne tem um responsável, ou chefe, um diretor, alguém a quem se possa reportar, mas o descaso e a falta de respeito conosco é tão grande que desde novembro de 2014 essa figura não existe na Banda de Música, não temos nem mestre para nos reger.

Algo que nos deixou muito tristes foi o fato de que, depois de 43 anos de existência, a Banda de Música não pôde participar da Procissão de São Sebastião realizada no último dia 20 de janeiro, participação esta que já está incorporada na tradicional festa do padroeiro. Saliento que não participamos da festa por TOTAL FALTA DE ESTRUTURA E NÃO POR VAGABUNDAGEM como uns e outros falaram. Aos que disseram isso por favor respeitem pelo menos os cabelos brancos da maioria dos componentes.

Registro que nossa última apresentação digna foi em 19 de janeiro de 2013, ocasião em que comemoramos os 40 anos da Banda de Música com a presença de várias autoridades e com o reforço da Banda de Música da Polícia do Exército de Osasco-SP, que com muito esforço veio abrilhantar o evento. Na ocasião contamos com muitas promessas de melhorias que se perderam no vento.

Enfim, são anos e anos de descaso, de desrespeito, de falta de vergonha, perdoem-me o palavreado, mas é isso. Indignação é a palavra que resume nossos anos de dedicação e respeito ao serviço público e principalmente nossa dedicação à nossa arte e a sensação que temos é que de nada adianta falar, fazer reuniões, explicar a situação aos gestores públicos que não adianta nada, absolutamente nada, nosso sentimento de impotência é grande e por conta disso o que me resta é desabafar em nome de todos os componentes de Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho e expor também em forma de imagens um pouco da nossa história do passado e do presente e volto a repetir para aqueles que nos taxaram que vagabundos são aqueles que roubam o dinheiro público e tratam pessoas de bem e servidores públicos como palhaços.

Aos que tiverem alguma dúvida estou à disposição para esclarecer qualquer questionamento.

Antônio Cosmo da Rocha , o Magão, é músico é um dos mais antigos componentes da Banda Musica Dona Júlia Gonçalves Passarinho.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

BAFÔMETRO NO CARNAVAL?

João Baptista Herkenhoff

Ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo. O argumento contra a obrigatoriedade do bafômetro procede.

Entretanto, a recusa de submissão ao procedimento deverá ser ponderada, em desfavor do motorista, se ocorre um acidente.

Quando alguém, que não ingeriu bebida alcoólica, vê-se envolvido num desastre, a melhor conduta será aceitar o teste: a verificação negativa da presença de álcool no organismo será elemento importante em seu benefício.

A “lei seca”, se aplicada com sabedoria, merece aplausos. Entretanto, a virtude está no meio: “in medio virtus”.

Durante o Carnaval será sábio adotar, rigidamente, a política do “álcool zero”? Não permitir ao folião nem mesmo uma cerveja ou um pequeno gole de cachaça?

O Brasil está em clima de Carnaval.  O Carnaval não é, de forma algum, um assunto fútil. Muito pelo contrário, é coisa muito séria.

A busca de identidade é muito forte na alma humana. Alguns afirmam sua identidade praticando crimes. Só a prática de atos criminosos lhes conferem presença no mundo. No submundo do crime têm nome e são ouvidos. A autoafirmação pela rota do crime é prejudicial à coletividade, porém compensadora para a pessoa que tenta fugir do anonimato através desta solução.

Muito mais sábio é buscar ser pessoa através da participação numa escola de samba ou bloco de Carnaval. Quem pertence a uma escola ou bloco tem endereço, raiz, deixa de ser alguém sem lenço e sem documento. As escolas de samba permitem que os mais pobres, pelo menos por um dia, sejam aplaudidos nas avenidas e reconhecidos como gente.

Aquele gari que nunca ouviu um “muito obrigado”, pelo seu importante trabalho de limpeza das vias públicas, é aplaudido com entusiasmo quando desfila fantasiado de príncipe, marinheiro ou aviador.

O desfile de uma escola de samba é o teatro do povo, e o teatro, por uma longa tradição, construiu consciências. Não é por acaso que temas de escolas de samba foram vetados nas ditaduras brasileiras. Hoje vivemos num clima democrático. As escolas de samba ou blocos carnavalescos podem satirizar a presidente da República, governadores de Estados, legisladores, magistrados e até o Prefeito que paga pelo Carnaval. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo povo, que tesouro sem preço é a Liberdade!

Os que zelam pelo trânsito não devem ser prepotentes, como não deve ser prepotente quem quer que tenha, nesta ou naquela função, alguma parcela de autoridade.

Uma política de segurança no trânsito não se limita à utilização do bafômetro, como forma de coibir a embriaguez. Todo um trabalho educativo há de ser realizado para inspirar na coletividade, principalmente nos jovens, atitudes de respeito ao próximo, responsabilidade, moderação, convívio fraterno.

João Baptista Herkenhoff é juiz de Direito aposentado (ES), professor e escritor.

domingo, 31 de janeiro de 2016

O CAMINHO DA ESCOLA

Leôncio Queiroz

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

O que nos diferencia
Vem da construção do ser
No caminho que traçamos
Para chegar ao saber

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

Quanto mais sabedoria
Mais tato, olfato e audição
É mais doce o paladar
E mais profunda a visão

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

O saber e o sentimento
Permitem falar com Deus
Quem usa tais instrumentos
Sabe o crescimento seu

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

O saber acorda o espírito
Que temos dentro de nós
Quem o tem sente alegria
Pois nunca estará a sós

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

Os nossos educadores
São mestres da bela obra
Sentando cada tijolo 
com seu poder de manobra
Na construção do saber
Que a nossa existência cobra

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

Nossos pais, tios e avós
São fontes de energia
Que o barco vai carregando
No rumo da travessia
Do mar da ignorância
Aos cais da sabedoria

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

Os funcionários da escola
São como uma vela acesa
Fachos de luz do saber
De incomparável beleza
Pois quando um aluno vence
Ele é quem sente a grandeza

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

Os livros são meus amigos
Cada matéria é meu guia
Física, História, Matemática
Português, Biologia
São vitaminas da alma
Da santa sabedoria

Vou no caminho da escola
Abraçar o meu saber
Saber que me dá vida
Saber que me faz viver

Se a poesia humaniza
O ser mais embrutecido
Quem não usa a poesia
Não sabe o tempo perdido
É o futuro do campo fértil
Que Deus do céu tem escolhido

Leôncio Queiroz é bacharel em Ciências Contábeis-UFRN Natal-RN-Brasil, Tem formação nas áreas Tributária, Administrativa e Social.

sábado, 30 de janeiro de 2016

110 ANOS DA MAÇONARIA NO ACRE

A Maçonaria acreana acaba de completar 110 anos de criação. A loja pioneira do Estado nasceu a bordo do navio Rio Tapajós, que esteve ancorado em Xapuri no dia 3 de janeiro de 1906. A sessão solene contou com a participação de 51 obreiros, os quais exerciam ofícios de seringalistas, comerciantes e comerciários. Seu primeiro venerável mestre foi Francisco d’Oliveira Conde.
Na década de 1920, as lojas Acre e União Acreana fundiram-se no dia 7 de agosto de 1924 na loja Bandeirantes do Acre Nº 1, que está localizada na rua 24 de Janeiro, centro de Xapuri. Dentre seus veneráveis pode-se destacar o empresário Alberto Zaire, o ex-governador e ex-senador Jorge Kalume e Almir Santana Ribeiro, que chegou ao grão-mestrado, cargo máximo da Maçonaria.

A Maçonaria na construção do Estado

A loja Bandeirantes do Acre relembra o pioneirismo dos que desbravaram com dinamismo e espírito revolucionário os rios e terras que compõem o Estado. Eram homens comprometidos com seu tempo e sua pátria, por isso se revoltaram e participaram ativamente da Revolução Acreana, não contra a Bolívia, mas contra o esbulho que seria promovido pelo Bolivian Sindicate sobre nossas riquezas.

Destaca-se aí a figura do coronel José Cardoso Ramalho Júnior, venerável mestre por várias vezes reeleito para dirigir a Loja Esperança e Porvir, em Manaus. Governador do Amazonas de 1998 a 1900, quando o Brasil parecia disposto a entregar o Acre à Bolívia, discordou e enviando dinheiro e apoio para que a luta continuasse, desembocando na grande Revolução Vitoriosa de Plácido de Castro. Graças ao espírito desprendido de José Ramalho o Amazonas perdeu parte de suas terras para ajudar a formar o Acre.

Outro exemplo foi o grão-mestre Antônio Pinto do Areal Souto, foi prefeito do Departamento do Alto Purus, intendente de Sena Madureira, secretário geral do Departamento e segundo governador do Território do Acre. Defendia da libertação do homem pela instrução e assim criou diversas escolas pioneiras como a Escola normal Carneiro Ribeiro e é um dos fundadores da Academia Acreana de Letras.

Primeiro venerável mestre da Maçonaria no Acre, Francisco d’Oliveira Conde era autodidata , mergulhou fundo em seus estudos e chegou à função de adjunto de Promotor Público do Departamento do Alto Acre.
Nomeado pelo presidente da República, Hermes da Fonseca como tenente coronel comandante do 5º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional. Foi um dos fundadores do Colégio Acreano, além de outros cargos chegou a ser vice-governador do Acre.
História da Maçonaria
De modo simples, a história da Maçonaria pode ser dividida em três períodos que são: o Lendário, o Medieval ou Operativo, o Moderno ou Especulativo. Não há registros claros sobre sua origem no período lendário, mas sabe-se que alcança a construção do primeiro grande templo do rei Salomão, pouco mais de 500 anos antes do nascimento de Cristo. No início da era medieval as escolas de ofício do Império Romano deram origem às associações de artífices da mesma profissão que tinham como objetivo guardar os segredos de suas profissões a fim de que poucas a dominassem. Eram então contratados para construir palácios, templos e outras obras civis.
O período moderno ou especulativo surgiu durante o século XVII quando as construções das catedrais foram diminuindo, isso levou as associações de operários a aceitar em seu meio pessoas eruditas, os quais, com seus estudos tornaram a Maçonaria especulativa. A Maçonaria tal como é hoje surgiu em 1717 quando quatro lojas que se reuniram em Londres formaram a primeira grande loja do mundo, a qual passou a credenciar outras lojas e grandes lojas em outros países.
O que é a Maçonaria
A Maçonaria é uma ordem universal formada por homens de todas as raças e credos fundamentados na fraternidade e na esperança de que o amor a Deus, à Pátria e à Família apoiados na tríade da liberdade, igualdade e fraternidade, possa contribuir para o progresso da humanidade. É um movimento filosófico, educativo, filantrópico e progressista que adota a investigação da verdade em regime de plena liberdade. Uma sociedade formada por homens livres, pensadores e amantes da cultura moral.
Os nomes das lojas maçônicas evocam o espírito que inspira seus membros, como pedreiros construtores da ordem e da sociedade em si.Os ensinamentos maçônicos são ministrados através de rituais que contêm princípios de todas as artes iniciáticas, como o hermetismo, cabala, simbolismo, além de conceitos sobre as cores, números e lendas antigas. Em resumo, a Maçonaria é uma escola de sabedoria.

A admissão na ordem não é um fim em si, mas um começo para uma vida que exigirá muito esforço e trabalho. Nela domina o princípio da tolerância para com todas as doutrinas religiosas e políticas porque está acima e fora das rivalidades que as coloca em conflito.

Seus lemas fundamentais são a Liberdade, Igualdade e a fraternidade. Liberdade porque o homem venceu a si mesmo e liberta-se da opressão que o escraviza. Igualdade porque a Maçonaria reconhece que todos os homens nascem iguais. As principais distinções que admite são o mérito, o talento, a sabedoria, a virtude e o trabalho de cada um. Fraternidade porque aspira que a compreensão reine entre seus adeptos; a fraternidade diminui os males dos povos e aumenta e a compreensão e o respeito entre os homens.

A Maçonaria possui aspecto religioso porque reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito que denomina Grande Arquiteto do Universo. Mas a Maçonaria não tem a pretensão de tomar o lugar da religião na vida de ninguém. Para ser membro da Maçonaria o cidadão deve professar uma crença firme em Deus, gozar de boa reputação e ter uma conduta limpa.

A presença feminina na Maçonaria está na família sempre considerada em primeiro lugar, assim existem diversas organizações para senhoras, como a Associação das Acácias, por exemplo. Recentemente começou a funcionar no Brasil a Ordem do Arco-Íris com o objetivo de formar moças dos 11 ao 19 anos, aspecto semelhante ao que existe na Ordem DeMolay para rapazes com idade entre 13 e 21 anos incompletos. Nelas preparam-se para ávida futura e aprendem a moldar seu caráter para num cidadania plena e responsável.

O modo de viver maçônico pode ser resumido em caridade para com todos. Ser maçom é amar seu país, servir a Deus com reverência, tratar os familiares com brandura e afeto, ter humildade, ajudar nos fracos e desvalidos da sorte. É praticar virtudes.

Com  informações de Ratione Temporis.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

OS TERRÍVEIS ENIGMAS DA CASA AO LADO

CLÁUDIO MOTTA-PORFIRO*

Naquele dia invernoso, ainda manhãzinha, o menino do dedo azul esfregava os olhos na soleira da porta da casa humilde da rua das castanholas. Espreguiçava-se. Estava ainda sonolento aos onze de idade e com responsabilidades como aquela. Dormira cedo e, agora, às cinco, deveria correr, acelerado mesmo, até a padaria, onde estava o pai com os pães quentinhos feitos há pouco por ele e por alguns outros padeiros.

Com pés de vento forte e rasteiro, era preciso correr mesmo porque, ainda um pouco escuro, a cabeça fervilhava lembrando as histórias que lhe contavam os mais velhos, tios e avós cearenses cheios de crendices, acerca das famigeradas almas do outro mundo prestes a se materializarem e a se manifestarem a qualquer momento a partir dos velhos casarões erguidos no início do século anterior, na cidade principesca.

Hoje, o menino diz ser muito bom lembrar a época em que a cidade era bem feliz na sua miscigenação feita por portugueses, sírios, libaneses e nordestinos do Brasil. Quanta gente obreira fez o pioneirismo daquele rincão. Quantas boas almas vieram de tão longe para ali plantarem os seus destinos e vidas no mais das vezes tão prósperas.

O pensamento voa, então. É como viajar por aí, pela Ásia agressiva, pela Europa em guerra e pelo nordeste brasileiro onde a fome expulsava homens amarrotados, esqueléticos, mas de tanta fímbria.

À lembrança, sim, vêm muitos deles que hoje já fazem parte de outros mundos onde, por certo, continuam a sua obra gloriosa em favor do bem-estar de tantos.

Viajar na imaginação é algo fantástico. Como diz o livro sagrado dos hindus, nós vamos voando por aí, mesmo em sonhos, sem limites, porque a alma é uma coisa que a espada não pode ferir, o fogo não pode destruir, que as águas não podem maltratar, que o vento do meio-dia não pode secar. Por isso somos assim. Em milésimos de segundos, o nosso espírito viaja até opaís do sol nascente, e volta tão rápido quanto foi. Poderia ser dito tratar-se de espíritos vagabundos esses que vivem à mercê do tempo e do vento, pra cá e pra lá, meio sem ter o que fazer da vida.

A caminho da padaria, a memória do menino do dedo azul voltava-se tão somente para a possibilidade de uma aparição, ali, no meio da rua, debaixo da mangueira centenária plantada por Sadala, um próspero libanês que por ali viveu há muito tempo.

Certo é que, pelo menos naquela época, nenhuma criança merecia passar por essa fase da vida sem umas boas histórias de assombração, sem uma ou duas casas misteriosas nas circunvizinhanças. Hoje, já não é mais assim. A gurizada, às voltas em meio ao cyber espaço, já não tem medo de nada, nem das maluquices contadas pelos avós ávidos por pregar peças e fazer surpresas aos netos boquiabertos e medrosos, como era lá em casa. De arrepiar.

Diziam ser o menino um sensitivo em grau médio. Mas a avó era mediúnica de alta patente e de certos poderes. Melhor ainda é que também havia pelo meio uma tia que até conversava com almas do outro mundo como que por esporte.

A tia, metida a celebridade, era a mais velha dentre os seis filhos da avó. Por estar em um estágio avançado, em termos de mediunidade, pegava caboclo como quem conversa com a vizinha. Algo quase inacreditável. Às quintas-feiras, era dia de seção, principalmente, depois que ela casou com um cearense que também tinha possibilidades extra-sensoriais. Lá, ela deitava e rolava. Às vezes, dialogava com os espíritos, outras vezes batia boca mesmo, em uma voz rouca e grave, usando expedientes até pornográficos... Minha tia era do balacobaco!

Um dia, a tia estava doentinha e fraca. Já marcava mais de quarenta voltas. Aí pelo meio dia, no quarto soturno, uma vez mais, ela teve a rede embalada, suavemente, por duas mãos masculinas, ao que ela fez comentário atroz:

- Porra! Primeiro, aparecia alma da cintura pra cima, sempre. Agora, me vem uma alma apenas com as mãos. Reprovo. Eu gostaria de ver os pés das almas.

Não deu quinze minutos e lá estavam uns dez pés, de coturnos, em marcha como se fossem para a guerra. Pense numa doidice!

Ela era do tipo que dizia assim:

- Traga uma camisa sua, que esteja meio suada, e eu faço aquela quenga largar do seu pé. – Ou:

- Traga uma libra de velas e umas dez folhas de mucuracá, misturado com tipi, e o América sairá vencedor da partida de amanhã. – Era batata!

Um dia, à tardinha, ela passava, acompanhada de um tio, pela esquina da Maçonaria com a cabeça rente ao muro. Veio uma danada de uma alma do outro mundo e sapecou-lhe um cascudo, um cocorote tão potente que ela passou cinco meses com dor de cabeça. Sacanagem da grossa!

A avó ficava seis meses no seringal e seis meses na cidade em atendimento às filhas que residiam cá e lá. Quando ela estava no principado, as capacidades da tia perdiam a graça. Só dava a velha. Todas as aparições ficavam para ela, que também sabia mexer com os pauzinhose tinha certeza de onde as corujas dormiam. Ela era do caráter!

O grande barato, entretanto, era a casa ao lado. Segundo reza o populacho, ali haviam morrido pelo menos uns dez cearenses e mais um português de nome Ozias e um turco chamado Oded.

Sobre algumas dessas maluquices, o menino do dedo azul serve, ainda hoje, enquanto testemunha, como quando, por várias vezes, ao cair da tarde, quando a avó se sentava à calçada para apreciar o movimento mínimo da cidade pacata, começavam a ser atiradas pedras de bom tamanho que rolavam, como se percorressem uns dez metros, pelo assoalho de madeira da casa fechada e sem nenhum morador, como se não houvesse paredes internas. Lá atrás, na cozinha, panelas caíam ao chão e faziam um barulho ouvido por qualquer transeunte que fosse chamado a ouvir.

Um dia, o estivador, que tomava de conta das chaves da casa vazia e à procura de locatário, no momento das ocorrências macabras, abriu a porta e lá, como era sabido por todos, realmente, não havia pedras e muito menos panelas.

Nos idos de 1930, a prima da avó morava na casa ao lado. Elas eram muito unidas e se comunicavam por intermédio de um buraco - formado pela ausência de um nó que caíra da tábua grossa de castanheira - na parede de madeira que separava as duas casas. Eis, então, que a prima vendeu a casa e foi morar com o filho na rua das mangueiras. Mas a fenda, através da qual passavam xícaras de café pra lá e pra cá, continuou aberta e, um dia, não se sabe o porquê, a avó resolveu olhar através do buraco. Quanto ela botou a vista, veio do lado de lá, rapidamente, de encontro, um olho enorme que se chocou contra a madeira fazendo um barulho de vidro partido. Arre égua!

Sem muito o que fazer, o buraco foi tapado com argila e passada alguma tinta por cima. Nunca mais ninguém teve coragem de encarar a tal brecha excomungada.

Com tudo o que por ali aconteceu desde antes da revolta, incluindo chacinas e emboscadas, segundo os especialistas, razões de sobra havia para que tais fenômenos fossem vistos e sentidos.

Durma-se com um barulho desses!
__________

*Escritor. Autor do romance O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE, disponível nas livrarias Paim, Nobel e Dom Oscar Romero; e na DDD/Ufac.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

DIREITOS HUMANOS, UTOPIA?

João Baptista Herkenhoff

Consolidar a ideia de Direitos Humanos é uma exigência para que a Humanidade possa sobreviver sem se desnaturar.

Constatamos, no leque das culturas que se espalham pelo orbe terráqueo, um “núcleo comum universal de Direitos Humanos”. Este “núcleo comum” corresponde aos “universais linguísticos” descobertos por Chomsky.

Na visão de algumas pessoas, os Direitos Humanos são uma utopia, coisa de poeta que não tem os pés na terra. Nisto de colocar o rótulo de utopia nos Direitos Humanos, os que pensam desta forma estão certos. A meu ver, o equívoco está em supor que a utopia é sonho irrealizável.

A utopia é a representação daquilo que não existe ainda, mas que poderá existir se o homem lutar para sua concretização. É a consciência antecipadora do amanhã.

A primeira função do pensamento utópico é favorecer a crítica da realidade. (Pierre Furter). As utopias propõem aos homens os meios para proverem seu destino à luz de uma visão global do desenvolvimento histórico. (Ernst Bloch).

Para que a utopia seja força progressista, é preciso transformar as aspirações em militância.

O presente pertence aos pragmáticos. São eles os vitoriosos de hoje. Frequentam as manchetes dos jornais, as chamadas da televisão, as revistas de celebridades. Supõem que seu êxito é eterno. Enganam-se. Talvez na próxima geração ninguém nem saiba lhes declinar o nome.

A competição gera um progresso conflitivo e desumano. A cooperação é que pode produzir o verdadeiro progresso, em benefício de todos e não apenas em proveito de alguns.

A felicidade de um povo mede-se por indicadores muito mais profundos do que o simples consumo, ainda mais esse consumo que alcança somente uma fração da coletividade.

Sempre foi a utopia que moveu a História. Tomás Morus, Campanella, Marx, Teilhard de Chardin, Kierkegaard, Gabriel Marcel, Ernest Bloch, Roger Geraudy, Martin Luther King, Che Guevara, Tiradentes, Frei Cameca, Dom Hélder Câmara foram alguns dos grandes utopistas que alimentaram a caminhada dos homens na busca de uma existência compatível com sua dignidade.

Dizer que a utopia morreu é assinar carta de abdicação à face das forças poderosas que comandam este mundo.

É preciso alimentar a Utopia com a nossa Fé, em todos os espaços sociais onde possamos atuar: construir a utopia em nosso país, em nosso Estado, em nosso município, em nosso bairro, em nosso local de trabalho.

A edificação da utopia não é obra de uma só geração. Temos de fazer o que cabe ao nosso tempo e transmitir o bastão aos que vierem depois de nós.


João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor.