sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Luz elétrica em Xapuri

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O historiador Sérgio Roberto Gomes de Souza envia duas páginas do extinto Jornal Folha do Acre em que constam notas sobre a inauguração da luz elétrica em Xapuri. O ano é o de 1914. O acontecimento foi considerado pelas autoridades da época como “considerável melhoramento” e “auspicioso acontecimento”.

Passados quase 100 anos, a sensação que a população tem hoje é de que não ocorreram consideráveis melhoramentos daquele distante ano para cá. A energia elétrica é, sem dúvidas, o pior serviço pago de que dispõe o cidadão acreano da atualidade. Na noite dessa quinta-feira (29), faltou energia por mais de 3 horas seguidas e a Eletrobrás já anunciou que no próximo domingo haverá suspensão do fornecimento das 6 horas da manhã ao meio-dia.

Por aqui, em plena era digital, pequenos geradores de energia passaram a ser um dos bens de consumo mais desejados pela população. E muita gente, com condições financeira de adquirir um, já decidiu por comprar o seu. O pior é que nada de auspicioso se anuncia. Pelo contrário, vem aí mais um reajuste da maldita tarifa.

E antes que eu esqueça, falta luz também na cabeça de muitas pessoas que habitam esse povoado, algumas extremamente imbecis, que continuam a pensar como em 1914.

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Clique nas imagens para ampliá-las.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Bolo de banana

Receita deliciosa que não gera ação na justiça contra o blogueiro.

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  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 xícara (chá) de leite
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó
  • 8 colheres (sopa) de margarina
  • 4 bananas cortadas em fatias
  • açúcar e canela para polvilhar

Modo de preparo

  • Misture bem o açúcar, a farinha, a margarina, o leite e o fermento
  • Coloque a massa numa forma untada e polvilhada com farinha de trigo
  • Por cima, distribua as bananas cortadas
  • Finalize polvilhando bastante açúcar com canela
  • Leve para assar em forno médio

Dica: banana engorda e faz crescer.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sem hipocrisia e sem subterfúgio

A candidata a vereadora derrotada nas últimas eleições Eluanda Moreira Carlos (PSB) me acionou no Juizado Especial Cível de Xapuri por uso indevido de imagem. Acompanha-a na demanda o comerciário Robson Batista Mendes, que no último dia 7 de outubro, domingo das eleições municipais deste ano, foi filmado recebendo algo, de maneira disfarçada, das mãos da fracassada postulante a uma cadeira na Câmara Municipal.

Inicialmente, o vídeo foi publicado no You Tube por um tal Carlos Neche, cujo nome deveria ser falso. Altino Machado, o principal blogueiro do Acre foi o primeiro a reproduzir o vídeo que supostamente mostrava um flagrante de compra de votos. Depois que as imagens “bombaram” no Facebook, resolvi reproduzir também sem fazer qualquer referência a nomes ou emitir qualquer opinião sobre o teor do vídeo.

Ao analisar as imagens, confesso que achei o comportamento da candidata realmente muito suspeito, mas me omiti de fazer-lhe acusações por achar que sua mísera votação apontava para o contrário. Ela obteve apenas 45 votos, o que poderia significar, caso fosse confirmado o crime eleitoral, que além de ruim de urna Eluanda seria também uma péssima negociante.

Em seguida, recebi um mal educado telefonema de Robson que exigia em tom autoritário que eu retirasse a postagem do blog como se fosse eu o responsável pela enorme repercussão causada pelo “mole” que ele e a candidata deram em pleno centro de Xapuri. Expliquei ao garoto que não era assim que se desovava um grilo e deixei claro que caso ele quisesse ver o vídeo excluído da rede que entrasse em contato com o Google.

Atentei-me, no entanto, para postar logo abaixo do vídeo as explicações que de maneira afobada o rapaz me forneceu negando veementemente que tivesse recebido dinheiro das mãos de Eluanda. Como não consegui contatar a candidata, visitei sua página no Facebook e de lá reproduzi suas explicações sobre o episódio. Ela também negava que houvesse entregado dinheiro ao rapaz, mas apenas uma propaganda impressa conhecida como “santinho”.

Parafraseando o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, me causa espécie que o advogado dos reclamantes, Marcos Maia Pereira, tenha solicitado em sua petição que eu informe onde consegui o vídeo. Ora, o título da postagem é “Direto do You Tube”, mas não foi suficiente para que esclarecesse onde consegui o vídeo que foi replicado por centenas de usuários de várias redes sociais? Devo estar precisando ser mais claro quando escrevo.

Bem, considero que não fiz mais que proporcionar à dupla envolvida no episódio a possibilidade de se defender da acusação que o vídeo trazia, coisa que eles dificilmente conseguiriam através das redes sociais. Não consigo encaixar em minha cachola dura de quarentão como posso ter me beneficiado do uso da imagem dos reclamantes se meu blog sequer se configura como “meio de divulgação rendosa (sic)”, no dizer do advogado.

Mas, como os leitores desse antipático blog são sabedores, o blogueiro que vos escreve é feio assim de responder ações na justiça em razão do que aqui publica, a maioria delas sem pé nem cabeça como acredito ser essa também. Caso esteja errado, minha posição será a de responder com honradez e dignidade por meus atos, como sempre fiz, sem nenhuma hipocrisia e sem procurar me esconder sob qualquer subterfúgio.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saúde premia 31 Equipes de Atenção Básica no Acre

Para todo o país, foram liberados quase R$ 75 milhões para mais de 15 mil equipes de 3.532 municípios. No Acre, 31 equipes vão receber um total de R$ 63,2 mil por terem melhorado a qualidade do atendimento à população.

O Ministério da Saúde vai premiar, pela primeira vez, o alto padrão de qualidade das Equipes de Atenção Básica (EAB) que integram a política Saúde Mais Perto de Você. A lista das equipes que foram avaliadas pelo Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) consta da Portaria 2.626. Para o Acre, serão destinados R$ 63,2 mil referente à avaliação de 31 equipes que aprimoraram o padrão de qualidade no atendimento à população. Serão beneficiados 11 municípios acreanos (confira aqui a lista dos municípios).

Em todo o país, serão repassados quase R$ 75 milhões referentes à certificação de 15.095 equipes de 3.532 municípios. Desde o ano passado, o Ministério da Saúde já repassou para o PMAQ R$ 534 milhões. Só para o Acre já foram destinados R$ 642,7 mil. “É a primeira vez que o Ministério da Saúde está repassando recursos com base na qualidade do atendimento na Atenção Básica. Agora, passamos a ter um padrão de qualidade nacional”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Também pela primeira vez, o Ministério da Saúde ouviu, pessoalmente, a opinião dos usuários sobre o atendimento prestado por Equipes de Atenção Básica. Foram entrevistados 55.951 mil usuários. No Acre, 112 usuários participaram da avaliação. Equipes bem avaliadas em indicadores – como atendimento pré-natal, acompanhamento de doentes crônicos, tempo de espera por consulta e adequada atenção à saúde do idoso, entre outros – poderão receber até R$ 11 mil por mês.

INCENTIVOS – Atualmente, cada equipe recebe do governo federal de R$ 7,1 mil a R$ 10,6 mil por mês, conforme critérios socioeconômicos e demográficos, acrescidos ainda recursos para as equipes com Agentes Comunitários de Saúde e profissionais de Saúde Bucal. Equipes consideradas insatisfatórias, que não cumpriram o mínimo necessário do padrão de qualidade, não receberão recursos. Porém, poderão se inscrever novamente para uma nova avaliação, que acontece em março de 2013.

No mesmo período, será possível ampliar a adesão para 100% das Equipes de Saúde da Família, o que representa um universo de aproximadamente 33 mil equipes. Será possível também a adesão, ao PMAQ,de Equipes de apoio dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), de Centro de especialidades Odontológicas (CEO) e dos Consultórios na Rua.

As equipes avaliadas são compostas por médico, enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem, além de agentes comunitários de saúde. Há equipes que também oferecem assistência odontológica e são formadas por dentistas, auxiliar de consultório dentário e/ou técnico em saúde bucal.

QUALIFICAÇÃO – Esses resultados correspondem à última fase de avaliação do PMAQ, que consiste no repasse dos recursos e no recredenciamento automático das equipes no programa, com adoção de novos padrões e indicadores de qualidade. O objetivo é garantir um alto nível de atendimento por meio de um conjunto de estratégias de qualificação, acompanhamento e avaliação do trabalho das equipes de saúde.

No próximo mês, serão finalizadas as análises dos dados de todas as equipes participantes. “A expectativa é que a divulgação dos resultados específicos possa dar subsídios às equipes para o reconhecimento dos esforços já empreendidos e para a implantação das melhorias”, explica o coordenador de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Hêider Pinto.

UBS – O Ministério da Saúde também está investindo na qualidade das Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde as equipes de Atenção Básica atendem a população. O Programa de Requalificação das UBS (Requalifica UBS) prevê desde a adaptação da estrutura física das unidades até o trabalho das equipes de saúde.

O programa tem o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos profissionais de saúde, além de modernizar e qualificar o atendimento à população. Prevê, ainda, a construção de novas UBS, além da ampliação e reforma das unidades já existentes. Atualmente, existem mais de 38 mil Unidades Básicas de Saúde no país.

ACRE – No estado do Acre, 35 UBS estão em construção. Outras 31 estão sendo ampliadas e 29 reformadas. O estado possui 221 unidades em funcionamento.

As UBS – também conhecidas como postos ou centros de saúde – oferecem atendimento multiprofissional, além de desenvolverem ações de prevenção e promoção de saúde. A unidade é considerada o serviço de saúde mais próximo da vida das pessoas e a principal porta de acesso ao SUS. Cerca de 85% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na UBS.

O PROGRAMA – O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) é um dos componentes da Estratégia “Saúde Mais Perto de Você” e tem o objetivo de estabelecer um padrão de qualidade na assistência básica ao estimular a instituição de processos que assegurem maior acesso e qualidade aos serviços ofertados pelas Equipes de Atenção Básica (EAB).

Por Tinna Oliveira e Cristina Gumiero, da Agência Saúde - Ascom/MS
(61) 3315-6260/3580.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Paciência

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O leitor Eberson Alves Ferreira enviou e-mail ao blog me ironizando e me acusando de defender os erros do governo do Estado ao afirmar que a razão dos alagamentos ocorridos no bairro do Laranjal no último fim de semana é o fato de o sistema de escoamento de águas pluviais não ser capaz de suportar a vazão de um nível mais elevado de precipitação pluviométrica. Ele se ressente por eu não ter atribuído textualmente culpa ao governador Tião Viana, idealizador do Programa Ruas do Povo.

Diz ele: “Como ‘engenheiro’ o senhor é um excelente defensor dos erros cometidos pelo governo do estado do Acre. O senhor descobriu a roda ao achar a causa do acúmulo de água após fortes chuvas do final de semana. O senhor encontrou a causa do problema. Parabéns. Agora lembro ao senhor que o problema do escoamento  das referidas águas pluviais foi em razão de uma falta de projeto adequado, que não levou em consideração a topografia e o regime de chuvas da região. No mais parabéns ao governo do Acre pela iniciativa, o povo do Acre agradece”.

Realmente não sou engenheiro, mas apenas um mero radialista que nas horas vagas se põe a escrever bobagens em um blog. Tecnicamente, não sei nem posso dizer se o projeto elaborado pelo governo é ou não adequado para a geografia local. O que sei e posso afirmar é que o sistema de escoamento de águas pluviais não é competente para dar conta de um índice pluviométrico mais elevado que a média anual, mas comum nesta época do ano, como foi aquele ocorrido na madrugada do último domingo.

Para Eberson, dizer que o sistema de escoamento não funciona foi o mesmo que isentar de responsabilidades os responsáveis por sua construção. Não foi suficiente para expressar que algo deu errado e que muita coisa precisa ser revista e corrigida. As imagens postadas no Facebook por um internauta e aqui reproduzidas dizem tudo, mostram a realidade mais que as palavras, mas para o leitor faltou ainda o libelo e a sentença.

Ora, se não funciona, é evidente que há problemas no projeto. Se há problemas no projeto, é evidente que a responsabilidade é do governo, que o idealizou. Não foi mais nem menos do que isso o que pretendi deixar evidenciado em meu lacônico comentário. Quanto aos termos técnicos ou a maneira mais correta e abrangente de abordar o assunto, os deixo para os engenheiros, para os entendidos no assunto, como o próprio Eberson.

Não consigo, portanto, enxergar a “defesa” ao governo que o leitor atribui a mim com uma conotação de puxa-saquismo. Se existe o desejo de que em razão das inegáveis falhas do programa governamental se diga que não há mérito na iniciativa ou benefícios para a população, não será este blogueiro e locutor de rádio que irá saciá-lo. O Ruas do Povo é, em minha opinião, um programa revolucionário, que precisa ser aprimorado. É o que penso. Já o que pensam de mim em razão disso, paciência.

Fuleco

 Tatu-bola, mascote oficial da Copa de 2014 Brasília  (Foto: Glauber Queiroz / Portal da Copa)

Esse é o esdrúxulo nome com que foi batizado o tatu-bola mascote da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Segundo a Fifa, Fuleco significa a mistura das palavras futebol e ecologia, "dois componentes fundamentais da Copa". O nome recebeu 48% dos mais de 1,7 milhão de votos na eleição feita pela internet. Zuzeco (31%) e Amijubi (21%) eram as outras não menos esquisitas opções.

No início de setembro, a entidade maior do futebol mundial já havia definido através do mesmo método o nome da bola que será utilizada na Copa. A pelota que substituirá a Jabulani se chamará Brazuca, opção que recebeu 77,8% de 1.119.539 votos, superando Bossa Nova (14,6%) e Carnavalesca (7,6%). Agora resta torcer para que Fuleco e Brazuca tragam sorte à seleção brasileira.

domingo, 25 de novembro de 2012

Efeito colateral

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É inegável que o programa governamental Ruas do Povo trouxe grandes benefícios para as populações dos bairros beneficiados em Xapuri, mas é fato também que um fator extremamente negativo resultou das obras realizadas em alguns locais, como no bairro do Laranjal, onde várias casas foram invadidas pelas águas decorrentes da forte chuva que caiu na madrugada deste domingo.

A montagem acima foi postada no Facebook pelo internauta Marcello Silva e mostra um pouco da situação enfrentada na manhã de hoje por muitos moradores dessa região da cidade. A razão do efeito colateral é simples: em alguns pontos o sistema de escoamento de águas pluviais não é capaz de suportar a vazão de um nível mais elevado de precipitação pluviométrica, como foi o desta manhã.  

Abaixo, mais imagens.

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Poesia

sábado, 24 de novembro de 2012

Segurança

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A tragédia ocorrida no último mês de junho, quando três pessoas morreram no naufrágio de uma catraia em Xapuri deixou cicatrizes profundas na comunidade do bairro Sibéria, mas também ensinou uma forte lição. Prevenir é sempre melhor que remediar, como diz o velho clichê. Pena que nem todos se conscientizem disso. Percebam que o catraieiro não usa colete salva-vidas, apesar de haver exigido que os passageiros o fizessem antes de zarpar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O perigo mora ao lado

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A menos de um metro de uma parada de ônibus, um poste da Eletrobrás resolveu distribuir choques em quem passasse por perto, na rua Cel. Brandão, ao lado do prédio do Cartório Eleitoral de Xapuri. A vítima fatal poderia ter sido um ser uma das muitas crianças que utilizam o ponto, mas uma pequena cachorra, de propriedade de Dona Filó, a simpática senhora que aparece ao fundo na imagem, salvou vidas sacrificando a sua própria.

O episódio, ocorrido nesta semana, chama atenção para o risco permanente com o qual convivemos. Segundo funcionários da Eletro, não é muito incomum que ocorram vazamentos de energia nessas estruturas que sustentam a rede. Melhor se manter o mais longe possível deles, o que nem sempre é possível. Em todo caso, estar sempre bem calçado é uma importantíssima medida de segurança. O vazamento no local já foi resolvido.

Do Facebook

Arathana Monteiro

Muitas pessoas já me perguntaram: “Por que você vai tanto à Xapuri? Lá não tem nada para se fazer, o que você faz tanto lá?”

Bom, não vou dizer que é porque Xapuri é uma grande metrópole cosmopolita com várias opções de diversão, pois não é isso, ou que gritos fantasmagóricos de Chico Mendes ecoam e me chamam de volta à Terra prometida, também não é isso.

A razão pela qual, sempre que posso, me desloco 200 Km para este município no interior do Acre é que lá estão as pessoas que eu mais amo no mundo, e que eu sei que me amam também. É lá que encontro a paz de espírito e a força que preciso para enfrentar as adversidades de cada dia. É lá onde posso me sentar em frente à TV em um começo de noite e conversar banalidades sem preocupação alguma.

Enfim, lá está a minha FAMÍLIA e é por essa razão que meu tempo livre é preenchido por idas a Xapuri, porque lá se encontra minha CASA, meu lar. Não me ofendo ou me irrito com as perguntas, até gosto, pois entre tanta gente importante alguém se preocupa em perguntar o meu paradeiro.

Só quis esclarecer, espero ter conseguido. Via a linda Raquel Mércia, cheia de inspiração!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Um pouco do polêmico Belchior

As letras das composições de Belchior, além do forte conteúdo social, buscavam incessantemente o diálogo com outros nomes da MPB ao ponto de fincar posições que contrariavam a direção estabelecida por outros músicos para os rumos da canção brasileira.

O primeiro exemplo é a canção Apenas um rapaz latino-americano, quando Belchior critica Caetano Veloso ressoando:

Mas trago de cabeça uma canção do rádio

em que o antigo compositor baiano me dizia:

- “Tudo é divino. Tudo é maravilhoso”

(...)

Mas sei que nada é divino

Nada é maravilhoso

Nada é secreto

Nada é misterioso

Não

Ele se referia à canção “Tudo é divino, tudo é maravilhoso” que tanto sucesso fez nos anos 70, mas que parecia soar como algo alienado diante de tantos problemas da realidade social. Caetano ainda é alvo de crítica em outra música de Belchior “Fotografia 3x4”, agora se referindo a ele textualmente em sua canção festivalesca “Alegria Alegria”:

Veloso, “o sol (não) é tão bonito” pra quem vem

Do Norte e vai viver na rua

E como quem não quer perder o costume, há uma referência à canção “Baby” de Caetano Veloso, gravada por Gal Costa na música “Coração Selvagem”, polemizando e afirmando o elemento nacional num período de intensa circulação de músicas estrangeiras nas rádios:

Meu bem,

vem viver comigo, vem correr perigo,

vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem.

Oh! Oh! Meu bem

que outros cantores chamam baby!

A peleja entre Belchior e os tropicalistas não para por aí. Em “Velha Roupa Colorida”, cujo título já contém uma forte ironia, o autor aponta sua navalha aos ideais hippies e aos valores tropicalistas vigentes e tentar anunciar um novo rumo à música popular brasileira – um rumo mais comprometido com a realidade política e social do país.

Mas nem tudo eram flores. Nada mais nada menos que Raul Seixas na canção “Eu também vou reclamar” chacota a posição de Belchior acusando-o de querer vender discos:

Mas é que se agora

pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto

Tudo mundo tem que reclamar

Eu vou tirar o meu pé da estrada

E vou também entrar nessa jogada

E vamos ver agora quem é que vai agüentar

...

Ligo o rádio e ouço um chato

Que me grita nos ouvidos

Pare o mundo que eu quero descer

...

Apesar dessa voz chata e renitente

Eu não tô aqui para me queixar

E nem sou apenas um cantor

...

Eu já cansei de ver o sol se por

Agora eu sou apenas um rapaz latino-americano

Que não tem cheiro nem sabor

...

Mas agora eu também resolvi

Dar uma queixadinha

Porque eu também sou um rapaz latino americano

Que também sabe se lamentar

A crítica de Raulzito, cujo alvo também eram os compositores Silvio Brito e Hermes Aquino, se centrava na posição de que tudo aquilo, talvez se referindo à ditadura, era “nuvem passageira” . No entanto, Belchior quer dialogar e não deixa o homem que nasceu há dez mil anos atrás sem resposta. Em A palo seco ele diz:

Se você vier me perguntar por onde andei

No tempo em que você sonhava.

De olhos abertos, lhe direi:

- Amigo, eu me desesperava.

Sei que, assim falando, pensas

Que esse desespero é moda em 73.

Mas ando mesmo descontente.

Desesperadamente eu grito em português

E para não dizer que Belchior ficou ressentido, o músico gravou a excelente “Ouro de Tolo” de Raulzito em 1984 no LP “Cenas do Próximo Capítulo”. Com polêmicas saudáveis como essa só resta dizer, admitindo a saudade, que a MPB já foi muito mais interessante. Hoje, tem gosto de sopa de macarrão aguada e sem sal.

Fonte: Gazeta de Lagoinhas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“Meu pacto é com o povo”

Tião Viana: “Vou conversar com todos os prefeitos. Não farei pactos pessoais”.

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O governador Tião Viana voltou na tarde desta terça-feira, 20, aos estúdios da TV Gazeta para a primeira entrevista após as eleições municipais. Com as férias do apresentador Alan Rick, Tião Viana foi entrevistado pelo jornalista Antônio Klemer, com toda a irreverência que lhe é peculiar. Na pauta, além de política e relações institucionais com os futuros prefeitos, o governador falou dos projetos que estão em execução e o que vem pela frente.

O programa Ruas do Povo, ousada ação de governo que pretende pavimentar, com asfalto ou tijolos, todas as ruas acreanas que nunca sofreram intervenção pública, continua em todos os municípios, exceto Rodrigues Alves, onde todas as etapas foram concluídas, mesmo entre as prefeituras conquistadas pela oposição. Em todos os municípios, com exceção da capital, são 1.048 ruas para pavimentar até  2014. Dessas, 642 estão concluídas e 300 serão entregues oficialmente até o fim deste ano. Em Rio Branco o desafio do governo do Povo do Acre é pavimentar 2.020 ruas até o fim de sua gestão. Hoje são 1.482 contratadas, 800 em execução e 500 com previsão de entrega para este ano.

“Esse programa será reconhecido na história do saneamento no Brasil. Hoje 30% das cidades brasileiras não têm drenagem, pavimentação e saneamento. São Paulo não tem 45% de saneamento e nós vamos entregar o Estado com 99% de pavimentação, com um avanço gigante em saneamento. É uma revolução”, disse o governador.

Entre as ações de governo citadas por Tião Viana também estão os sete mil pequenos negócios realizados este ano. Alguns ainda serão entregues. O trabalho da Secretaria de Pequenos Negócios consiste em capacitar profissionalmente, em áreas que apresentem demanda - manicura, mecânico de bicicletas, barcos, roçadores de quintais, salgadeiros e panificadores, entre outros -, pessoas que se encontram na linha de pobreza ou abaixo dela, em geral cadastrados por busca ativa nos bairros e municípios ou através do CAD Único.

Após aprender uma profissão, todos os participantes recebem os equipamentos necessários para o trabalho e acompanhamento técnico por dois anos na área de empreendedorismo. Essa revolução tem mudado a vida de milhares de famílias. “A meta era cinco mil pequenos negócios até 2014, mas já ultrapassamos esse número e agora queremos chegar a 20 mil até o fim do governo”, disse o governador.

A industrialização foi outro tema abordado na entrevista. Com entrega prevista para daqui a quatro meses, o complexo de piscicultura, que tem o desafio de envolver 16 mil famílias na produção de peixes, nasce com a meta de transformar o Acre no endereço do peixe na Amazônia. “Além do peixe hoje, nós começamos o plantio de 600 mil mudas de açaí em Feijó e a distribuição de 35 mil mudas de coco no Juruá”, disse o governador.

Um assunto que não falta em qualquer entrevista é saúde. “Nós avançamos muito na saúde, mas ainda há muito que fazer. Há 14 anos o Estado investia R$ 900 mil na área e hoje nós investimos R$ 22 milhões e não é suficiente. No próximo ano as críticas à antiga Fundação Hospital vão diminuir muito. Estamos licitando a UPA do São Francisco, com 20 leitos, e vamos mandar para licitação a UPA da Baixada. A do Tucumã já foi adaptada e agora vai funcionar também com 24 horas. Vai haver uma relação mais humana na saúde”, comentou o governador.

Sobre a BR-364, o governador falou dos R$ 143 milhões liberados pela presidente Dilma Rousseff para a recuperação do trecho de Rondônia a Sena Madureira. “Também há o asfalto do quilômetro 100 da Transacreana e 40 quilômetros de ramal asfaltado no Bujari”, comentou.

Com relação à parceria do governo com os prefeitos eleitos e reeleitos, incluindo os de oposição, Tião Viana foi enfático ao afirmar que trabalhar é obrigação de todos os governantes.    “Vou conversar com todos os prefeitos. Não farei pactos pessoais. Meu pacto é com o povo”, destacou o governador, que também falou sobre o atendimento na saúde pública do Estado.

“Nós avançamos muito na saúde, mas ainda há muito que fazer. Há 14 anos o Estado investia R$ 900 mil na área e hoje esse valor subiu para R$ 22 milhões, e não é suficiente”.

Fonte: Agência de Notícias do Acre.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

Felicidade tal qual avoante

José Claudio Mota Porfiro

Éramos felizes, sim. A natureza sorria em nossa casa, no jardim, no pomar e através dos rostos pueris e nada preocupados das nossas crianças. Há muito, os ventos benfazejos da bonança habitavam o nosso lar e as nossas vidas cheias de vigor. O trabalho extenuante preenchia todo o meu tempo. De uma forma ou de outra, estava sempre a ajudar na realização dos sonhos mais mirabolantes da minha gente acreana. Ademais, divertíamo-nos muito com o que nos era possível.

Na falta de outro afazer, além da Missa e dos almoços e jantares em nossa residência e nas casas dos amigos, passeávamos de lancha no inverno e no verão, acima e abaixo pelo Rio Acre. Íamos à foz do Riozinho do Rola, de subida, ou à localidade Quixadá, de descida. Outras vezes, íamos à Fazenda Sobral, ou à Fazenda Araripe, andar à cavalo. Fomos ver algumas vezes a Estação Experimental, onde Guiomard Santos implantou uma espécie de laboratório de pesquisa natural para estudo das espécies vegetais da Amazônia, além de observatório para o desenvolvimento de animais de criação. Ocupávamo-nos, sempre, de forma a que a morosidade do tempo não se fizesse tão enfadonha a todos e, principalmente, à Latifa, que também se entretinha com as suas artes manuais que iam desde o tricô e crochê à pintura e à escultura em gesso, este, abundante nos barrancos do Rio Acre. Alguns poetas falariam nas mil maravilhas. Outros, nas mil e uma noites, talvez negras.

Eis, então, que, num dos dias de março de 1952, de chegada para o almoço já preparado por nossa exímia cozinheira, a Dolores, fui informado de que, manhãzinha, Latifa saíra do quarto, fizera os asseios matinais e voltara para a cama sem se alimentar. Mesmo assim, as crianças não deixaram de ir para o Grupo Escolar Sete de Setembro.

Depois do almoço, fui à residência de um jovem médico, Augusto Hidalgo, e o convidei a vir à minha casa auscultar Latifa. De boa temperança e muito solícito, ele não se fez de rogado e já me acompanhou debaixo de um sereno ameaçador de pesada chuva. Em chegando à residência da Floriano Peixoto, encontramo-la embaixo de cobertores, febril, em suores e muito pálida. Depois das providências de praxe, fui aconselhado a levá-la para a Santa Casa de Misericórdia, ali perto. Não havia sequer um carro ou charrete disponível e nós - eu e Seu Zé Cardoso, o carpinteiro marceneiro - a transportamos, na base da força bruta, sentada a uma cadeira de balanço tecida em vime.

Cerca de duzentos metros e já estávamos no hospital católico. Lá estava a nos esperar uma médica chamada Laélia Alcântara para trocar ideias com Augusto Hidalgo. Aplicaram em Latifa uns sedativos e ela dormiu por toda a tarde. Receitaram-lhe uns remédios para doenças do fígado e ela melhorou, mas, no fim do oitavo dia, começou a vomitar uns excrementos enegrecidos. Segundo os médicos, ela estava acometida de tiriça preta, ou hepatite viral. No décimo primeiro dia, depois de passar toda a noite anterior à beira do leito, fui à casa da família Farhat, onde as minhas tristes crianças, em dia santo de guarda, estavam sendo tratadas muito bem. Depois, tirei um sono e, ao acordar, aí pelo meio- dia, apareceu-me um enfermeiro de nome Aristarco com a pior notícia da minha vida. Havia falecido a sempre doce e bela Latifa, a musa dos meus sonhos da juventude e também da idade crepuscular, o meu amor maior, mesmo depois de quase meio século. Meu Deus! E os meus filhos?!

Além de lembrar os sogros falecidos, Radek e Marreb, e a cunhada Samira, residente no Rio de Janeiro, nada mais me passou pela cabeça além do que o que poderia vir a ocorrer aos meus filhos. Onde arranjaria coragem para dar-lhes a notícia? Como faria isto? Quem me poderia ajudar naquela hora tão trágica? Não. Nenhum ser humano jamais há de preparar-se para desconforto de tamanha magnitude.

Depois das providências iniciais, fui ter com os préstimos da senhorinha Silvia Maluf Farhat e da professora Maria Angélica de Castro, minhas amigas de um bom tempo. Unidos, fomos os três para junto dos meus filhos. Nada foi tão dilacerador em toda a minha vida. O choro das crianças era cortante. E não nos era possível, enquanto adultos, conter as lágrimas. Mais de hora nós ficamos ao pé delas acalentando-as, em nome de Deus que precisara de Latifa para outras funções mais importantes no céu. Ao que ouvíamos imprecações que lançavam dúvidas em relação ao amor divino...

- Deus pode até gostar de mamãe, mas não gosta de nós!
- É! Esse Deus é muito ruim... Tirar logo a nossa mãezinha!...
Ao que eu disse:
- Deus, esse nosso grande Pai, haverá de nos confortar. Nós ainda seremos muito felizes, apesar da irreparável perda da sua mãe.
Ai de mim, se não fosse, nesse e em outros muitos momentos, o apoio daquela gente acreana tão querida.

***
Logo, Seu Zé Cardoso já havia tomado as medidas do corpo da falecida tão amada e já providenciava a confecção do ataúde em sua oficina, na Base. Só às três da tarde trouxeram o corpo da mulher querida para o velório na nossa casa antes tão feliz. E tudo já estava arrumado, com flores e cadeiras para os visitantes, além de biscoitos, chocolate, café e guaraná. Vieram as autoridades do Território, os amigos da repartição e os parceiros das horas festivas. Vieram muitas crianças da escola próxima frequentada pelos meus filhos. O Bispo Dom Julio Mattioli benzeu o corpo, rezou um terço e o encomendou a Deus. Só depois é que o alvoroço foi maior com a chegada das minhas tristes crianças e com o choro que vinha dos presentes, todos, condoídos da nossa tristeza maior.

Na manhã do dia seguinte, o corpo foi levado para a Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, inaugurada recentemente, ali próximo, para uma missa de corpo presente, rezada pelo próprio Bispo, este, uma espécie de soldado de Cristo e um amigo querido da família desde algum tempo.

***
Chega-se ao campo santo, de nome São João Batista, através de uma estradinha que parte da minha rua, dobrando à esquerda, em sentido contrário ao rio, no rumo da Colônia Floresta, defronte ao abrigo das crianças sem berço e sem raiz. A areia úmida do caminho parece ter-se embebido das minhas lágrimas de viúvo maldito. O cortejo silencia a cidade nascente e a tristeza aumenta com os murmúrios de orações em voz abaixo do normal. Os cânticos católicos mais parecem lamúrias sem fim e sem piedade. Os véus negros na cabeça das mulheres aumentam o terrível ar do féretro daquela que vai e só deixa boas lembranças. À beira do sepulcro, discurso e loas são proferidos em homenagem à Latifa. Eu, de minha parte, nada consigo dizer. Estou engasgado e as lágrimas grossas não me deixam quase respirar.

Nada pior que a volta para casa, apesar do ombro amigo de muitos, apesar dos cuidados extremos para com os meus filhos. Também esta noite foi passada em claro. Nos meus braços, as minhas crianças cochilam, mas logo acordam em choro copioso. O amparo vem de Dolores, do Seu Abílio Mendonça e do Seu Zé Cardozo que, durante todo o tempo e até durante toda a noite posterior ao velório estão de pé, ao nosso lado, sempre solícitos e condoídos da minha situação e da dos meus filhinhos. Nunca terei certeza se agradeci como deveria a esses meus ternos amigos. Certo é que, por mais de semana, eles e as famílias turcas, tão apiedados, todos, dão toda a atenção e cuidam muito bem de mim e dos meus filhos.

Em verdade, esses são tempos de provação. Mas Deus é misericordioso e a grande perda seguirá sendo aliviada, paulatinamente, com o passar dos anos.

Prova inconteste de todo o amor e de toda a dor foi uma espécie de flâmula que encontrei entre os pertences da esposa morta. Um poema de Florbela Espanca, a poetisa portuguesa, havia sido bordado em belas letras estilo clássico. Era Renúncia, do Livro de Sóror Saudade:

A minha mocidade há muito pus
No tranquilo convento da tristeza,
Lá passa dias, noites, sempre presa,
Olhos fechados, magras mãos em cruz...

Lá fora, a Noite, Satanás, seduz!
Desdobra-se em requintes de Beleza...
E como um beijo ardente a Natureza...
A minha cela é como um rio de luz...

Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada!
Empalidece mais! E, resignada,
Prende os teus braços a uma cruz maior!
Gela ainda a mortalha que te encerra!
Enche a boca de cinzas e de terra
Ó minha mocidade toda em flor!

Por que teria Latifa me presenteado com tanto simbolismo?

***
Samira, a cunhada, desembarcou no Aeroporto de Rio Branco três semanas depois da morte de Latifa, comunicada que foi por telegrama. A chegada foi um recrudescimento da dor. Mais lágrimas e mais pesares. Quanta tristeza junta.

Mais não havia a discutir. A razão turca falava mais alto que as minhas emoções à flor da pele. As crianças já estavam em fase de conclusão do ensino primário. Não havia como continuar os estudos como nós gostaríamos. No Rio de Janeiro, os tios e mais uns amigos, todos residentes no Bairro da Urca, cuidariam dos meus filhos melhor que eu enquanto durar a minha experiência no Acre.

Novas consternações e novas lágrimas já cansadas de tanta desdita. Em vinte dias, com todos os documentos prontos, inclusive os escolares, vi meus filhos tomarem um avião para se fixarem no Rio de Janeiro.

Hoje, ainda sigo melhorando das dores da saudade. Às vezes os sentimentos melancólicos trazem consigo algum prazer também, um prazer suave, íntimo, consolador.

Divago muito, mastigando a solidão, e concluo que muitas vezes pensamos que as infelicidades são constantes, notadamente, nesses momentos em que apenas sentimos desânimo.

Ora! É preciso ir sempre em frente. Esta é a lógica mais pura na relação entre Deus e o humano. Caminhamos por essas estradas de seringa da vida até que o texto que é a nossa vida tenha, enfim, um parágrafo chamado conclusão e, depois, um ponto final, o nada, a morte.

Mas, pensando bem melhor, depois de sobreviver por tantas décadas, vejo agora que a morte não pode ser pensada, pois é ausência de pensamento. Mais certo é viver como se fôssemos eternos. Como todo sertanejo calejado pelas asperezas da vida, eu também sou um forte. Vou em frente! A vida continua. Deus é pai e não é padrasto.

sábado, 17 de novembro de 2012

Eletrificação rural

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Caminhão-munck embarcando na balsa em Xapuri para fazer o transporte de postes para a região da comunidade Tabocal.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Novo Homem

O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.

Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.

Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objecto
fará escultura.

Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.

Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.

O homem será feito
em laboratório
muito mais perfeito
do que no antigório.

Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.

Seja como for
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.

Vai abrindo a porta
com riso maroto:

«Nove meses, eu?
Nem nove minutos.»

Quem já concebeu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.

Seu nascer elide
o sonho e a aflição.

Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?

Claro: não é mito,
é planificado.

Nele, tudo exacto,
medido, bem posto:
o justo formato,
o standard do rosto.

Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)

Quer um sábio? Peça.

Ministro? Encomende.

Uma ficha impressa
a todos atende.

Perdão: acabou-se
a época dos pais.

Quem comia doce
já não come mais.

Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.

Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.

Liberto da herança
de sangue ou de afecto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.

Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio,
e, per omnia secula,
livre, papagaio, sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.

Bem feito.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Versiprosa'.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Fábrica de Tacos

O Complexo de Xapuri tem capacidade de processar aproximadamente 100 mil m³ de madeira por ano, gerando mais de 200 empregos diretos e cerca de 500 indiretos (Foto: Assessoria Sedens)

Da Agência de Notícias do Acre

O Governo do Estado, a empresa Hevea e a Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários (Cooperfloresta), se uniram e transformaram a Fábrica de Pisos de Xapuri em o Complexo Industrial Florestal de Xapuri, com capacidade de fabricar diversos produtos derivados da madeira como: portas, janelas, batentes, dormentes.

O Complexo de Xapuri tem capacidade de processar aproximadamente 100 mil m³ de madeira por ano, gerando mais de 200 empregos diretos e cerca de 500 indiretos (Foto: Assessoria Sedens)

Com um capital de giro avaliado em quase R$ 2 milhões e mais de R$ 1 milhão investidos na compra de novos equipamentos, o Complexo de Xapuri tem capacidade de processar aproximadamente 100 mil m³ de madeira por ano, gerando mais de 200 empregos diretos e cerca de 500 indiretos.

A matéria-prima utilizada no Complexo é totalmente manejada, proveniente da Reserva Extrativista Chico Mendes, da Floresta Pública Estadual do Antimary e Planos de Manejos Privados.

Com todos esses investimentos a nova administração do Complexo já almeja alcançar mercados internacionais. “Nós estamos trabalhando com madeira totalmente manejada, estamos aqui do lado da transoceânica, ou seja, temos todas as chances de em breve, exportarmos produtos para os mercados internacionais”, explicou Antônio Roldão, diretor da empresa Hevea, que administra o Complexo Industrial Florestal de Xapuri.

O Governo do Estado entra no empreendimento por meio da Agência de Negócios do Acre (Anac), na qual possui 25% das ações. A Secretaria de Desenvolvimento Florestal, da Indústria do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens), também tem participação através da viabilização dos Planos de Manejo Comunitários.

Atualmente, mais de 600 famílias em todo o estado estão sendo beneficiadas com Planos de Manejo em suas áreas. “Agora, são mais de 600, mas pretendemos ampliar para mais famílias. Isso, além de gerar emprego e renda para quem mora na floresta, garante o abastecimento para diversas empresas do estado, que necessitam da madeira como matéria-prima para trabalhar, como é o caso do nosso Complexo Florestal de Xapuri ”, garantiu o secretário da Sedens, Edvaldo Magalhães.

O Complexo Industrial Florestal de Xapuri começou a operar há cerca de dois meses, “ainda estamos na fase de arrumação”, comenta Moreira, diretor de produção. A unidade já desdobra e bitola cerca de 90 m³ de madeira por dia e emprega diretamente mais de 70 funcionários. A indústria está fechando o mês com uma folha de pagamento de R$ 109 mil.

E esses números ainda irão aumentar, porque nos próximos dias o setor de beneficiamento voltará a funcionar, e o número de funcionários sairá de 70 para 250. “Só para mulheres nós teremos 50 vagas”, garante Moreira.

Com a fábrica funcionando a todo vapor terá capacidade de beneficiar 100 mil m³ de madeira ao ano, produto que já tem destino certo, para os mercados do Sul e Sudeste do Brasil.

O Complexo Industrial Florestal de Xapuri é  um empreendimento autossustentável. Tudo que é produzido é vendido, e tudo que é gerado de resíduos é consumido por uma caldeira, que gera a energia para mantê-lo funcionando.

“Madeira com defeito, madeira branca, pequenas peças, tudo isso é vendido. É barato, mas dá dinheiro”, garante Moreira, que toca a fábrica em dois turnos e futuramente abrirá uma terceira turma.

“Ver essa indústria funcionando é de ‘encher os olhos’. Estamos vendo de perto a concretização de um sonho de todos nós acreanos, que é ter essa indústria funcionando, industrializando nossos produtos e gerando emprego e renda para nossa gente”, comentou Magalhães.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Haja pó de arroz

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Do blog Flupress.

O Fluminense é o campeão brasileiro de 2012.

É o tetracampeão que ignorou solenemente as fórmulas mágicas dos pseudo entendidos. Campeão sem firulas. Campeão de alma e merecimento.

Campeão contra o ceticismo de botequim que insiste em reduzir as conquistas aos fatores objetivos do jogo.

Futebol pode ser objetivo e talvez possa até ser medido nos tais gols pró, saldo de gols, número disso ou daquilo.

Mas venho escrevendo por aqui que futebol e Fluminense não têm relação obrigatória.

Fluminense não se mede assim. É certamente o único time no mundo capaz de ir do céu ao inferno e do inferno ao céu numa medida de tempo ignorada e incompreendida pelos torcedores de qualquer outro time.

O jogo de ontem foi apenas um resumo do que é nossa história, disparada a mais bonita história de um time de futebol.

No 2 x 2 eu tenho certeza de que a cidade voltou a especular. Os secadores de sempre voltaram suas atenções de novo nas televisões. “O Fluminense vai entregar. Não é possível que esse time não oscile”.

Oscila não, chefe…

Aos 45, no meu relógio aos 45, fizemos o que todo tricolor saberia que faríamos desde que este campeonato começou: vencemos. A partida e o próprio campeonato.

Acabou, meus amigos, acabou.

E juro que ao sair das Laranjeiras na noite de ontem fui acometido da maior das felicidades. Sou capaz de jurar que, além dos vivos, vi os tais mortos que saíram de suas tumbas, festejados em prosa e verso pelo maior de nossos torcedores.

A cidade respira o Fluminense. A inveja toma conta de bares, lojas e repartições. Sairei por esta porta e não me permitirei a virtude da humildade. Espero passar o dia de hoje sem responder a qualquer desses “parabéns” ordinários que os mesmos camaradas que não pararam de falar de arbitragem e de favorecimento me darão.

Torço pelo maior time do mundo e não tenho o menor problema em admitir de forma direta, clara e definitiva a superioridade do Fluminense e de sua torcida perante qualquer outro rival.

Somos, sim, os melhores; somos, sim, os maiores.

E seremos ainda mais.

Ontem escutei em nossa sede a palavra renascimento. Bobagem.

O Fluminense não irá renascer jamais. Quem é eterno não precisa dessas analogias.

O que o Fluminense está fazendo é a reafirmação de seu gigantismo. Minha sensação – mais que isso, minha plena certeza – é de que nosso futuro será ainda mais glorioso do que o presente.

A torcida tomou o clube, pegou o que é seu.

A eletricidade desta cidade, e de cada uma das cidades onde exista um camarada com nossa camisa a andar pelas ruas, está diferente.

O Brasil tem um novo campeão, o maior dos campeões. Daqui a pouco eles estarão lá, os professores, os cronistas do óbvio, fazendo malabarismo, como se girassem pratos de circo, tentando um sorriso, um ângulo, uma frase de efeito que os tirem da vergonha de não terem visto o óbvio, mesmo após o campeonato se aproximar de seu final.

Não me enganarão.

Seus 4-3-3, suas análises matemáticas, suas concepções de 40 anos atrás…

Nada sabem de Fluminense.

De Fluminense sabemos nós.

O resto é menor. E isso não é soberba, meus amigos, é apenas a sorte de termos feito a escolha mais fantástica de qualquer torcedor.

Comemorem, esqueçam das tabelas e dos adversários. Nunca tivemos um que não nossos próprios medos.

Este Fluminense, o Fluminense tetracampeão é imbatível. E o mais incrível é que, ao contrário de todo o resto, nos certificamos disso depois das derrotas.

Coisas de Fluminense.

Vem muito mais por aí.

Orgulho demais desses jogadores que mostraram para todo mundo o que é o Fluminense.

Orgulho demais desse treinador de caráter que temos.

Orgulho demais da torcida que é disparada a mais fantástica do mundo.

Orgulho do sangue tricolor que sempre correu nas minhas veias.

E das lágrimas vertidas pela felicidade de viver essa paixão inexplicável, insubstituível e, acima de tudo, ETERNA.

Acabou. Os maiores somos nós!

sábado, 10 de novembro de 2012

Governo prepara plano para fortalecer o extrativismo

Agência Estado Giovana Girardi

Perto do aniversário de 25 anos da morte do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado no dia 22 de dezembro de 1988, em Xapuri, no Acre,e após mais de duas décadas do início da criação de reservas extrativistas no País, o governo federal começa a se mobilizar para a elaboração de um Plano de Ação Nacional para o Fortalecimento do Extrativismo.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas e representantes de outros ministérios como do Desenvolvimento Social, do Planejamento e da Saúde assinaram nesta semana uma portaria que cria um Grupo de Trabalho Interministerial para elaborar propostas para os problemas dessas populações.

A ideia é buscar ações conjuntas para consolidar políticas públicas de gestão das áreas protegidas que apoiem essas comunidades, atendendo demandas como a regularização fundiária - um dos principais problemas apontados nas reservas extrativistas -, a dificuldade de acesso à crédito rural; programas de incentivo aos produtos da floresta, falta de luz, escola e saúde.

A orientação do grupo de trabalho vem da chamada Agenda de Marajó, formulada em agosto do ano passado com reivindicações dos povos da floresta após reunião de representantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) com o Ministério do Meio Ambiente

De acordo com Izabella, os trabalhos começam com uma nova avaliação a ser feita em 76 unidades de conservação de uso sustentável para saber exatamente quem mora nelas e quais são os problemas. "Queremos ter uma única base de dados que possa ser acessada pelos vários ministérios para decidir as políticas públicas para cada unidade de conservação."

Assistência técnica

A primeira ação concreta do plano deve ter início ainda neste mês, com o lançamento de uma chamada pública para a promoção de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para o extrativismo. É a primeira vez que esse tipo de assistência, elaborada originalmente para atender a agricultura familiar, vai ser fornecida para populações tradicionais.

A expectativa é atender 14 mil famílias. "Historicamente o Estado brasileiro não fez políticas públicas para essa população", admite o ministro Pepe Vargas. "Isso será decisivo porque o processo de assistência técnica vai atuar na organização produtiva, na agregação de valor, além de indicar novas necessidades dessas famílias."

O papel do extensionista, que vai promover essa assistência, é discutir a produção, o beneficiamento, a comercialização. Além disso, ele vai capacitar a família para que ela possa acessar outras políticas públicas, hoje uma das maiores dificuldades enfrentadas por esses produtores. As políticas não chegam até eles, em parte porque eles nem sequer saber como pedir.

Vargas se refere em especial a duas políticas, como o programa de aquisição de alimentos e o programa nacional de alimentação escolar. Ambos podem adquirir produtos do extrativismo e tiveram neste ano um orçamento de R$ 2,3 bilhões. "Mas muitas famílias não atingem por falta de capacidade."

Para Manoel Cunha, presidente da CNS, a assistência para 14 mil família ainda é pouco perto do universo de 68 mil famílias que vivem só nas 76 unidades de conservação de uso sustentável. Fora as que estão em projetos de assentamento extrativista e nas regiões onde estão propostas outras 200 Resex. "Mas nosso ânimo não é pelo volume, mas por ser ao menos um começo de uma atenção aos povos extrativistas. Pelos nossos cálculos não temos nenhuma resex que esteja 100% resolvida."

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ganhou, mas pode não levar

Prefeito reeleito de Senador Guiomard é acusado pelo MP de compra de votos e pode não ser empossado no segundo mandato.

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Tião Maia – Página 20.

O prefeito reeleito de Senador Guiomard, James Gomes (PSDB), corre o risco de não tomar posse no segundo mandato. O Ministério Público do Estado, por meio da promotoria eleitoral da 8ª Zona, ajuizou ontem, na Justiça local, representação pedindo a cassação do registro da candidatura e do eventual diploma de eleição do prefeito e da vice-prefeita eleita, a professora Maria Raimunda Rodrigues Pinheiro Menezes, além do candidato a vereador Gesiel Moreira Lopes (PSDB), todos acusados de compra de votos.

Lopes, que obteve 240 votos mas não se elegeu, é acusado de sair às ruas, um dia antes da eleição, comprando votos ao preço de R$ 50 mil para ele e para o prefeito de seu partido. James Gomes é acusado de comprar votos por preço mais elevado - da ordem de R$ 300 - e de doar equipamentos da prefeitura para que desempregados beneficiados com a doação ilegal também votassem em seu nome. O nome verdadeiro do prefeito é James Pereira da Silva. Na hipótese da cassação, o prefeito e vice a serem empossados são, respectivamente, André Maia e Rodinês, do Partido dos Trabalhadores (PT), que obtiveram 5.365 votos - 39,99%.

As acusações contra os três tucanos constam da representação por captação ilícita de sufrágio, assinada pelo promotor Wendy Takao Hamano, na qual os crimes são descritos. De acordo com a representação, no dia 10 de outubro deste ano, três dias após a eleição que consagrou James Gomes como prefeito reeleito com 6.191 (46,14%) votos, compareceram espontaneamente à sede da Promotoria de Justiça os eleitores Maria José Ramos de Melo e Edigleison de Araújo Souza para noticiar supostas ilicitudes praticadas por James. Maria José disse ao promotor que um cabo eleitoral de nome Josias, na manhã do dia da eleição, oferecera e entregara a quantia de R$ 50 para que ela votasse no candidato a vereador Gesiel Moreira Lopes e no prefeito James. “Tá aqui o dinheiro combinado. Pega o dinheiro, vota e vai para casa”, teria dito o cabo eleitoral, pedindo, logo após entregar o dinheiro, que a eleitora lhe entregasse o título, do qual ele subtraiu e anotou o número do documento e a seção em que ela votaria. “Que a declarante aceitou a proposta, recebendo a quantia informada, além do ‘santinho’ do próprio candidato”, reproduz o promotor em sua peça. Ainda segundo o documento, o tal Josias se fazia acompanhar por duas mulheres. que, apesar de não usarem crachás, traziam no peito adesivos com o número 45.

Por sua vez, Edigleison informou que, no mesmo dia sete de outubro, por volta das 15 horas, quando se deslocava de casa para sua seção eleitoral, na Escola Estadual 15 de Junho, também foi abordado por dois cabos eleitorais que também lhe ofereceram e entregaram o valor de R$ 150, recomendando o voto em James.

Já no dia 11 de outubro, quatro dias após as eleições, também na sede do Ministério Público em Senador Guiomard, compareceu  o senhor Erlenilson do Nascimento Souza para informar que, poucos momentos de depositar seu voto na urna, fora abordado, pessoalmente, pelo próprio prefeito James Gomes. “Que na ocasião, o prefeito James perguntou ao declarante se já tinha candidato a prefeito, respondendo que sim, o candidato do PT André Maia. Que o prefeito James, então, ofereceu a quantia de R$ 300,00 para que votasse nele, o que foi aceito pelo declarante”, escreve o promotor ao reproduzir trecho do depoimento do denunciante.

Já no dia 24 de outubro, quando James Gomes participava de passeatas em Rio Branco tentando levar à vitória o candidato Tião Bocalom, de seu partido, outro cidadão de Senador Guiomard, Daniel Moreira da Silva, noticiou ao Ministério Público que o prefeito havia obtido seu voto porque, pessoalmente, o havia beneficiado com vantagens ilegais. No caso, “uma roçadeira em troca de voto”, escreve o promotor. “Constatou-se, ao final, que o bem em questão fora entregue àquele eleitor, segundo demonstra a certidão subscrita pelo SGT PM Mizael Ramos do Nascimento e pelo assessor jurídico do Ministério Público Saint’Clair Cidreira Júnior”, escreve o promotor Wendy Takao. “Que o declarante, ao chegar à residência do prefeito James Gomes, pediu a roçadeira, pois estava desempregado e precisava sustentar a família. Que James Gomes ligou para o secretário municipal de Meio Ambiente, Luiz Dalboni, conhecido como ‘Luiz da Fogás’, pedindo para que este entregasse a roçadeira que estava na posse do senhor ‘Dadá’, chefe da limpeza da Secretaria de Obras. Que o prefeito James Gomes disse ao declarante que não esquecesse de votar nele no dias das eleições, pois era candidato à reeleição. Que recebeu a roçadeira dois dias depois daquele telefonema”, descreve o promotor.

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Trechos do despacho

Para embasar a denúncia, com muita jurisprudência sobre o tema, Wendy Takao assim se posiciona: “Como é cediço, as mencionadas condutas representam grave afronta à legislação eleitoral vigente, pois constitui captação de sufrágio vedada pela Lei 9.504/97 o candidato doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleito, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de cinquenta mil Ufir, e cassação do registro ou do diploma…”.

O outro lado

O Página 20 tentou ouvir os acusados, principalmente o prefeito James Gomes, que foi procurado por telefone e pessoalmente pela reportagem em Senador Guiomard. A informação fornecida por pessoas ligadas ao prefeito foi de que ele não se encontrava na cidade. Por telefone, o assessor de comunicação da prefeitura de Senador Guiomard, Francisco Nazareno, que também faz as vezes de porta voz do prefeito, disse que, até o fim da tarde de ontem, James Gomes ou a assessoria jurídica da prefeitura, e muitos menos a coligação partidária que elegera o prefeito, haviam sido notificados da existência da  ação. “Enquanto não formos intimados, isso não existe para nós”, disse o assessor.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Recado

Um paletó e uma gravata, combinados com aquela pose de gente do bem, pinta de pessoa compromissada com os necessitados, além de outros tantos exemplos da mais pura desfaçatez, podem esconder muito mau-caratismo e safadeza. Inclui-se no rol de canalhices comuns a muitos pseudo-homens honrados de Xapuri a exploração sexual de mulheres e o favorecimento à prostituição. Em tempos de operação Delivery, tem muito barrigudo engravatado por aqui que deveria começar a pôr as barbas de molho. Tá dado o recado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Bodão no Shooto 36

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O lutador xapuriense Francimar Bodão volta ao octógono no dia 23 de novembro no Shooto 36, que acontecerá em Brasília, no ginásio Nilson Nelson. Bodão enfrentará Cristiano “Bobsapp” pelo cinturão sul-americano até 100 quilos. O evento será transmitido ao vivo pelo canal fechado Combate.

O Shooto foi o primeiro evento de Vale Tudo profissional realizado no Japão e foi fundado por Satoru Sayama. Organizado pela primeira vez no fim da década de 80 recebeu o nome de Japan Open, contando com os nomes mais sagrados do Vale Tudo. É um dos mais tradicionais eventos de MMA do mundo, que já foi considerado no meio da luta como o “Pride dos Leves” e que revelou ao mundo grandes nomes do Vale Tudo mundial.

O Shooto South America é um evento que acontece 6 vezes por ano no Rio de Janeiro ou em outros Estados brasileiros. O objetivo do Presidente André Pederneiras é oferecer uma oportunidade para que os melhores lutadores participem da competição no Japão.

sábado, 3 de novembro de 2012

Assuero Veronez

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Do G1.

A polícia do Acre prendeu na manhã desta sexta-feira (2) dois pecuaristas sob suspeita de participar de uma rede de exploração sexual. Segundo investigações da Polícia Civil, Assuero Doca Veronez, de 62 anos, e Adálio Cordeiro Araújo, de 79 anos, eram clientes da rede e contratavam os serviços sexuais de adolescentes.

Veronez é vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre.

As prisões ocorreram por volta das 6h desta sexta e são um desdobramento da operação Delivery deflagrada no dia 17 de outubro, quando seis pessoas foram presas sob suspeita de fazer parte da rede de exploração sexual.

De acordo com a Polícia Civil, a rede aliciava e explorava sexualmente adolescentes entre 14 e 18 anos. A investigação já dura cerca de quatro meses.

Araújo e Veronez foram encaminhados à sede da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (DECCO). Depois de serem ouvidos, os dois foram encaminhados ao presídio do estado.

A ação contou com a participação das polícias Civil, Federal e do Ministério Público Estadual.

A polícia não descarta outras prisões de pessoas envolvidas com exploração sexual e favorecimento à prostituição de crianças e adolescentes.

Em nota, a  diretoria da CNA disse que determinou o afastamento imediato de Assuero Veronez. "Ele permanecerá afastado até que sejam concluídas as investigações policiais sobre suposta rede de prostituição de menores", disse a confederação.
Procurada pela reportagem para comentar o caso, a Federação da Agricultura e Pecuária do Acre ainda não respondeu. Os advogados dos suspeitos não foram localizados.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Borrachudos da Antônia Lúcia

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Os cheques sem fundos emitidos pela Comissão Provisória do Partido Social Cristão do Acre (PSC) em favor dos candidatos a vereador que disputaram a eleição em Xapuri estão dando mais dor de cabeça que cerveja quente. Os borrachudos podem causar problemas até para o Banco do Brasil, que deve sofrer ações judiciais de parte das pessoas que se declaram ludibriadas pela deputada federal Antônia Lúcia.

A suposta responsabilidade do Banco do Brasil se deve ao fato de a instituição ter creditado o valor de alguns cheques que foram depositados nas contas de clientes e os devolvido depois de passados 5 dias, colocando no vermelho quem sacou as quantias correspondentes. Entre os prejudicados está o ex-prefeito Vanderley Viana, cuja tentativa de eleger vereador foi um dos maiores fracassos das últimas eleições.

No caso do cheque acima, emitido em favor do candidato a vereador Thiago Amorim, no valor de R$ 1 mil, o documento foi depositado no dia 5 de outubro e devolvido no dia 10 pelo motivo 13 (conta encerrada), como mostra a imagem abaixo. Na sequência os recortes do extrato de conta com as datas das movimentações e o saldo devedor de R$ 999,70 – valor que foi sacado assim que ficou disponibilizado na conta corrente.

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Cabe ao banco explicar se o procedimento de disponibilizar o valor de um cheque antes de comprovar se o mesmo possui provisão de fundos é correta ou se não foi esse o caso em questão. Quanto à deputada Antônia Lúcia, sua afinidade com confusões dessa natureza já são bastante conhecidas. Leia no Blog da Amazônia o que conta um ex-motorista dela.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Bolivianos

A foto é do blog Xapuri em Destaque, de Haroldo Sarkis. O blogueiro denuncia o desleixo das autoridades brasileiras com relação à presença de bolivianos praticando comércio ambulante por todos os lugares da cidade causando prejuízos a quem gera emprego e paga imposto. Na imagem, a praça do cemitério São José tomada por “hermanos” na véspera de Finados.