sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Incentivo à castanha no Acre

Governo investe R$ 7,2 milhões na cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil no Acre

A cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil, no Acre, termina 2009 fortalecida com a  liberação, por meio de um convênio com o Governo do Estado, de R$ 7,2 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Os recursos serão aplicados no transporte, na armazenagem da Castanha-do-Brasil, na readequação das unidades produtivas e na qualificação do trabalhador extrativista – um dos públicos atendidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Em Brasiléia (AC), nessa quarta-feira (28), foram entregues à Cooperativa Central de Extrativismo do Acre (Cooperacre) e à Associação Rural Libertador – afiliada da Cooperacre –  as chaves de três caminhões. Os veículos vão auxiliar as comunidades extrativistas dos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Assis Brasil na coleta e no transporte da Castanha-do-Brasil.

Atualmente, o Acre responde por mais de 40% da produção nacional do produto (12.358 toneladas/ano). Conforme a política fomentada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, grande parte dessa produção já é beneficiada, o que agrega mais valor ao produto e, consequentemente, maior lucro ao público extrativista, estimado em cinco mil famílias acreanas.

Entre os filiados da Cooperacre estão 25 associações e organizações de trabalhadores. O superintendente da cooperativa, Manoel Monteiro, estima que o bom andamento da atividade no Acre proporcionará a geração de mais 160 postos de trabalho formal na Cooperacre.

Recentemente, a Cooperativa recebeu, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Selo da Agricultura Familiar, concedido, entre outros critérios, às empresas que utilizam na produção pelo menos 51% de matéria-prima advinda da agricultura familiar.

Conquistas

A entrega de caminhões e equipamentos à Cooperacre foi marcada, também, por outro momento comemorativo: a devolução antecipada, e simbólica, de R$ 1.499.999,65 à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O recurso foi concedido à cooperativa por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/modalidade Formação de Estoque). O prazo para quitar o financiamento venceria no próximo dia 30 de novembro, mas foi antecipado para esta quarta-feira (29) pela própria Cooperacre.

A delegada do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Acre (MDA/AC), Tatiana Balzon, ressalta que, ao longo dos últimos anos, o setor extrativista tem conquistado ainda mais a atenção do governo federal, que tem redesenhado as políticas públicas para esse segmento produtivo.

"O interessante desse processo inteiro é que, atualmente, o seringueiro da Amazônia, o extrativista e o ribeirinho estão podendo acessar as políticas da agricultura familiar da mesma forma que o agricultor familiar convencional estabelecido, por exemplo, no Sul do País", comemora Balzon.

Somente no Acre, em seis anos, o MDA investiu cerca de R$ 15,5 milhões na cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil. Esse valor foi destinado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/Formação de Estoques). Como produto da sociobiodiversidade, a castanha está também amparada por outras políticas do MDA, como as redes de comercialização e assistência técnica direcionada.

Tatiana Balzon explica que o apoio de políticas públicas, como o PAA, foram fundamentais para o fortalecimento econômico e produtivo da cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil. "O PAA/Formação de Estoque, que tem recurso do MDA e é operacionalizado pela Conab, foi tão importante para a cadeia da castanha que alterou o preço da lata do produto de R$ 6,50, em 2003, para R$ 12, em 2004. O PAA também foi determinante para extinguir a figura do atravessador e regularizar o preço da castanha no mercado", destaca a delegada do MDA no Acre.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra

Um comentário:

Edson disse...

O saudoso Dep. Geraldo Pereira, com quem muito conversei para aprender da vida, me falou uma vez que o pai dele havia escrito um livro dissertando sobre todos os sub produtos que se podem extrair da castanha, infelizmente ele se foi sem que eu tivesse tido a oportunidade de ler tal livro. Essa exploração é mais que centenária, e ainda não se tem no Brasil uma política voltada para fazer o aproveitamento do produto da "bertolethia excelsa". Nós sabemos que o leite de castanha é fácil de se fazer, bem diferente de seu irmão vegetal "leite de soja" tão propalado, mas que só é feito em grandes industrias. Será que ainda há tempo para isso, Raimari? para essa política, numa época em que tanto se fala em valor agregado, e nós vemos a castanha apodrecendo nos grandes armazéns, ao sabor da cotação do mercado internacional.