domingo, 7 de abril de 2013

A polêmica dos bares

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Os bares se tornaram tema de discussão sobre segurança pública em Xapuri. Para a polícia, eles são responsáveis pelo crescimento das ocorrências de violência na zona urbana do município. Para o vereador Eliomar Soares, do PT, a maioria deles funciona irregularmente e alguns incomodam a população, como seria o caso do “Bebum” (foto), localizado na praça Getúlio Vargas, e do “Formigueiro”, conveniência estabelecida em frente à mesma praça.

O Bebum e o Formigueiro são hoje os principais pontos de encontro de Xapuri. Estão entre as raras opções da cidade para quem aprecia o chamado “happy hour”. Reúnem a nata da sociedade local adepta do bom bate-papo regado a cerveja, petiscos e som ao vivo. São também os locais do gênero onde menos se vê registros de ocorrências policiais. Então, por que tanta polêmica em torno do funcionamento desses prazerosos locais de diversão etílica?

O problema do Bebum começa pela sua localização no interior de um logradouro público. Sua origem se deu quando seu proprietário montou, junto com um amigo, nos anos de 1990, um pequeno quiosque sobre um tablado de madeira onde começaram a comercializar sanduíches e bebidas alcoólicas. Talvez por omissão ou conivência do poder público o Bebum foi ali ficando, caindo no gosto popular e se tornando um point da juventude local.

Atualmente, as principais reclamações contra o barzinho são relacionadas aos banheiros, localizados à beira da calçada aos fundos da praça, sendo que muitos clientes optam por urinar no lado de fora, ao alcance da visão de pessoas que eventualmente estejam frequentando os bancos próximos ao mictório. O juízo formado de que praça pública não é lugar de bar mantém em voga as críticas e manifestações pela retirada do Bebum daquele local.

As queixas contra o Formigueiro são menores, mas existem. Uma vizinha ajuizou ação no juizado especial cível da cidade em razão do nível do som, que estaria atrapalhando o seu sono. Antes disso, porém, a prefeitura havia ameaçado embargar uma melhoria que os proprietários faziam no espaço entre a rua e a calçada para acomodar as mesas. Uma jardineira em torno de uma mangueira que fica ao lado chegou a conclusão impedida pelos fiscais.

A situação mais problemática é realmente a do Bebum. E a maior responsabilidade por isso deve ser creditada ao poder público, nas figuras da prefeitura e da câmara. Não evitaram que o problema fosse criado e não conseguem sequer discutir a sua resolução. Em vez disso, preferem criar bodes expiatórios para a condição de profunda bagunça e desorganização que tomou conta da cidade. Se a questão é irregularidade ou ilegalidade, o Bebum não é uma excepcionalidade.

Durante o segundo mandato do prefeito Vanderley Viana, em lugar de se procurar uma alternativa para o funcionamento do bar, foi autorizada a construção – em alvenaria - de um restaurante, que também vendia bebidas alcoólicas, no interior da mesma praça. O Bebum, que era apenas um quiosque de madeira, se sentiu no direito de se converter em edificação em cimento e tijolo tal qual está nos dias atuais e conforme mostra a imagem principal deste post.

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Na administração passada, o prefeito Bira Vasconcelos chegou a anunciar um projeto de revitalização da praça Getúlio Vargas que contemplaria um espaço destinado tanto ao Bebum quanto à tradicional banquinha do “Café da Dona Maria”, localizada à beira da calçada, no outro lado da rua, que também gera desentendimentos com o proprietário da casa que se situa ali. Com esse pretexto, a prefeitura chegou a indenizar o dono e demolir o restaurante citado no parágrafo anterior (foto acima).

A pretendida revitalização não saiu do papel e o Bebum se tornou hoje o que há de mais interessante na praça, que se encontra em ruínas, abandonada por seguidas gestões municipais. Também construíram no espaço público uma horrorosa “casinha”, que protege da chuva os taxistas que botaram ponto ali. Não se justifica pretender a retirada do barzinho daquele local sem que haja um projeto de recuperação e de utilização da praça pela população.

Conheço os proprietários do Bebum e também sou frequentador do local, mas não possuo com eles afinidade ao ponto de estar fazendo aqui defesa dos seus interesses. Concordo com o vereador Galego quando diz que o problema precisa ser resolvido. Praça, realmente não é lugar de bar. Mas precisam também ser criadas alternativas para que o Bebum continue a funcionar em outro local onde se mantenha como um ambiente que a cidade tanto aprova quanto necessita. 

A solução é de responsabilidade do poder público, que permitiu a criação do problema, assim como permitiu que o local público conhecido como Remanso, no centro de Xapuri, fosse privatizado; que a descida para a Praia do Zaire fosse ocupada por uma boate e um bar; que uma residência fosse construída sobre o terreno da praça do cemitério São José e que uma casa de produtos veterinários fosse erguida aos fundos do campo santo, em um local que deveria ser destinado a construção de uma calçada ou benefício semelhante.

Esclareço que não estou dirigindo qualquer crítica aos proprietários dos empreendimentos citados acima, que ali estão atualmente estabelecidos, formal ou informalmente, com a autorização do poder público. Minha censura se dirige àqueles representantes do povo que por irresponsabilidade e omissão sempre trataram o espaço público como se fosse os quintais de suas casas, trocando favores políticos por permissividade e loteando a seu bel prazer aquilo o que pertence a todos.

A verdade é que Xapuri precisa de um grande projeto de reorganização. É uma cidade feia, esburacada e desordenada em vários sentidos. Mesmo que não tenha 20 mil habitantes, precisa de um plano diretor para garantir um futuro menos caótico na sua expansão urbana. As irregularidades que hoje são muitas não serão resolvidas com o simples fechamento do Bebum, do Formigueiro ou do Bar da Vivi. Esses devem ser ajudados a se adequar, mas nunca ser marginalizados ou tratados como inimigos da ordem e da paz públicas.

Os comentários são livres e bem-vindos.

2 comentários:

álex Bruno disse...

Se antes nao tomaram providencias, ne hoje que vao tomar pois hoje esse bar e o melhor lugar aonde pode se bater um bom papo. Gostei da materia.

álex Bruno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.