quarta-feira, 6 de julho de 2011

Viúva fecha Casa de Chico Mendes

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Guias da Casa de Chico Mendes, tombada no ano de 2008 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, informam que o ponto turístico foi fechado, na última segunda-feira (4), pela viúva do líder sindical, Ilzamar Mendes, que levou as chaves para Rio Branco. O prédio da Fundação Chico Mendes também foi fechado ao público.

A razão da atitude, segundo os mesmos informantes, seria o fato de o governo do Estado ter revitalizado o entorno da Casa de Chico Mendes, que ganhou a companhia de uma casa de café, do Memorial do seringueiro e de uma casa de artesanato, mas não ter feito o mesmo com o prédio da Fundação Chico Mendes, que estaria necessitando de reforma.

A notícia é mais um episódio na pendenga entre a família de Chico Mendes e o governo do Estado, que há muito tempo não se entendem sobre o gerenciamento do espaço que representa a memória do líder sindical assassinado no ano de 1988. A casa já havia sido fechada, no ano passado, por decisão da família do seringueiro sob a alegação de que o governo não estaria apoiando financeiramente a Fundação Chico Mendes.

Naquele momento, o governo do Estado informou, através da Assessoria de Comunicação, que a renovação do convênio com a Fundação Chico Mendes não havia ocorrido porque não havia recebido a prestação de contas referente ao exercício anterior, não podendo, assim, desobedecer à legislação e dar tratamento diferenciado à Fundação.

Não é demais lembrar que Ilzamar Mendes, sua filha Elenira e seu genro Davi Cunha foram denunciados pelo Ministério Público Estadual, em setembro de 2009, por atos de improbidade administrativa praticados na gestão de recursos provenientes de convênios celebrados com o governo do Estado pelo Instituto Chico Mendes, um braço da Fundação Chico Mendes, presidido por Elenira.

Na denúncia, o promotor de justiça Mariano Jeorge de Souza Melo averiguou que entre os anos de 2007 e 2009 o Instituto Chico Mendes recebeu do governo do Acre o valor de R$ 685.138,00 (seiscentos e oitenta e cinco mil, cento e trinta e oito reais), sendo que a maior parte desse dinheiro não havia sido aplicada conforme previam os objetivos dos convênios com o Estado.

O promotor constatou desvios para diversas finalidades e apropriação indevida dos recursos pelos acusados. Como exemplos dessa apropriação, Mariano citou o fato de Elenira receber salário do Instituto que orbitava em torno de R$ 4.000,00. Ilzamar, que sequer trabalhava para o Instituto Chico Mendes, recebia, conforme a denúncia, salário indevido de R$ 3.000,00.

Deusamar Mendes, irmã de Ilzamar e mulher de Zuza, irmão de Chico Mendes, foi a responsável por fazer chegar ao representante do Ministério Público em Xapuri as denúncias de irregularidades no Instituto Chico Mendes, criado em 2006 para desenvolver atividades de educação ambiental, principalmente. Ela havia sido demitida da Fundação Chico Mendes depois de lá trabalhar desde a fundação da entidade.

Na época, Deusamar afirmou que a criação do Instituto Chico Mendes foi uma estratégia usada para que Elenira pudesse assumir o comando da estrutura da Fundação Chico Mendes, mas dispondo de uma organização com situação regularizada, uma vez que a instituição criada para preservar a memória do seringueiro, a Fundação Chico Mendes, estava com suas atividades inviabilizadas em virtude do acúmulo de dívidas fiscais e trabalhistas, entre ou outros problemas.

Sobre o novo fechamento da Casa de Chico Mendes, o chefe do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural, da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, Liberalino Alves, informou na manhã desta quarta-feira (6), por telefone, que se reunirá com a direção do Iphan no Acre para discutir a situação. Segundo ele, uma posição sobre o impasse será dada brevemente pelo governo do Estado.

Um comentário:

neri disse...

ilzamar ta querendo apareçer ja nao basta o dinheiro que ela ganha com o nome do finado?para de show............