sexta-feira, 9 de março de 2012

“O policial é um agente transformador”

Relendo alguns arquivos jornalísticos, encontrei uma entrevista do secretário de Polícia Civil Emylson Farias ao repórter Edmilson Ferreira, da Agência de Notícias do Acre, sobre a política de descentralização e qualificação profissional que estabeleceu um novo paradigma na segurança pública do Estado, assolado num tempo recente pelo domínio do crime organizado.

Em um trecho da entrevista, o secretário faz uma magnífica descrição do modelo de policial que a sociedade deveria contar nos dias atuais.

“O policial é, em seu tempo, um agente transformador que deve ter sempre em mente princípios como o respeito aos direitos humanos, promoção da cidadania e a dignidade da pessoa humana. Deve ter sempre em mente o uso proporcional da força, eficiência nas ações de prevenção e repressão, o atendimento imediato ao cidadão”.

Com certeza, infelizmente, esse modelo de policial defendido pelo delegado ainda não é regra no Acre nem no Brasil, mas é evidente que as grandes mudanças promovidas nos últimos anos na área de segurança pública podem, num tempo breve, nos presentear com a oferta de tipos mais  humanos e civilizados a envergar um uniforme e a portar uma arma de fogo.

Clique aqui para reler a reportagem na íntegra.

Seja um idiota

A idiotice é vital para a felicidade

Arnaldo Jabor

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor ideia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.

Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!

Arnaldo Jabor é crítico, cineasta e jornalista carioca.

quinta-feira, 8 de março de 2012

MP fecha cerco contra bingos comerciais

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A promotora de justiça de Xapuri, Diana Soraia Pimentel, publicou recentemente recomendação contra a realização de bingos comerciais em Xapuri. De acordo com o documento, a partir de agora serão autorizados apenas os sorteios que tenham fim exclusivamente beneficente. 

A recomendação é destinada aos órgãos responsáveis pela liberação dos referidos eventos, que têm ocorrido com frequência no município contando sempre com a parceria de alguma entidade, como Lar dos Vicentinos e Associação de Idosos, e até mesmo blocos carnavalescos.

Diana Soraia lembra que a Caixa Econômica Federal deixa claro que a realização de sorteios sem a devida autorização caracteriza prática de jogo de azar, conduta tipificada como contravenção penal no artigo 50 do decreto-lei nº 3.688/41.

A promotora chama a atenção para o risco de que diversos consumidores possam estar sendo vitimados até mesmo por crime contra a economia popular, empregando seus poucos recursos na esperança de um prêmio que não virá.

Os bingões intitulados Xapuri da Sorte já realizaram quase uma dezena de eventos do tipo na cidade nos últimos anos. De acordo com um dos organizadores, cerca de três mil cartelas são vendidas a cada edição do sorteio.

Bolo de cenoura

Delícia que não gera ação na justiça contra o blogueiro

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Ingredientes

  • 1/2 xícara (chá) de óleo
  • 3 cenouras médias raladas
  • 4 ovos
  • 2 xícaras (chá) de açúcar
  • 2 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó

Cobertura

  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 3 colheres (sopa) de chocolate em pó ou achocolatado
  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • Se desejar uma cobertura molinha coloque 5 colheres de leite

Bom apetite e cabeça fresca.

Valeu, Tricolor!

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Flu faz história na Bombonera.

Ao meu povo de Rio Branco

Perpétua Almeida

Eu não me considero uma profissional na política. Só sei fazer política de forma apaixonada, com toda a minha alma, a minha alegria, a minha disposição.

Ainda na juventude vi no PCdoB um lugar onde eu poderia depositar meus sonhos, minha esperança na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A minha história de vida, nascida numa família de quinze irmãos, nos seringais de Porto Walter, me deu a sensibilidade de perceber as angústias que afetam os que têm menos, os que vivem à margem, os que não têm quase nada.

Sempre fiz política com muita dedicação e firmeza. Não tenho medo de enfrentar debates, de enfrentar os assuntos mais polêmicos. Quem me conhece sabe que não me escondo atrás de mandato ou de ninguém, não busco negociatas. Acredito que a nossa vida é um exercício diário de sinceridade e verdade com nós mesmos. Aprendi com meus pais a ter posição na vida, a ter lado.

Milito há vinte anos na Frente Popular porque acredito que é um movimento originado de um desejo do povo, um movimento que se iniciou de partidos pequenos, de pequenas estruturas e sonhos e ideais gigantes. Mas que hoje precisa corrigir seu jeito de ouvir o povo. Nunca encarei a política como uma carreira. E nem concordo com quem a usa para realização de projetos pessoais. E as pessoas me conhecem. Tudo que faço, procuro fazer da melhor maneira possível.

Faço sem medir esforços e energia. E o que me encanta, fascina e inspira é os mandatos que tenho recebido do povo é a possibilidade de ajudar a criar condições melhores na vida para as pessoas. É a capacidade de unir-se em torno de um objetivo comum, em torno de um sonho. Dizem que na política é necessário ser racional, pragmático, mas eu não abro mão, por nada, de ser eu mesma. De ser verdadeira, espontânea e agir de forma clara e sem rodeios. Às vezes, me pergunto quanto ainda tenho da sindicalista que fui. Será que esse meu jeito de fazer política é o problema? Será que ter posições, agir de forma firme e apaixonada limita caminhos? E continuo a me perguntar: será que, realmente, há espaço para, nós, mulheres, nesse mundo da política tão dominado por homens? Lembro que algumas até já desistiram.

Nesses últimos meses ao sair nas ruas de Rio Branco tenho recebido as mais honradas e sinceras demonstrações de respeito pela minha trajetória política. Desconfio que os institutos de pesquisa não conseguem abarcar isso. As pessoas são carinhosas, gentis nos comentários, elogiando o nosso mandato de Deputada Federal e dizendo que eu deveria ser candidata a prefeita de Rio Branco. Foram tantas as insistências, gritos e animação nas ruas.

Por onde passava a abordagem era sempre a mesma: “minha prefeita! Tô com você”. Eu levei esse processo todo muito a sério. Eu, sinceramente, apostei na possibilidade de ser a candidata à prefeita de Rio Branco pela Frente Popular porque acreditei que a minha história de dedicação e militância fosse pesar na hora da decisão. Esperei um gesto de lideranças importantes do PT, que eu sempre disse presente, quando fui chamada na hora de defendê-los e elegê-los. Pensei, sinceramente, que o fato de o nosso país ter, pela a primeira vez na história, uma presidente mulher, seria levado em consideração também na hora de decidir. Mas o fato é que ainda não existem espaços reais para as mulheres na política. As que conseguem chegar é com muita luta.

E é claro que isso tudo me deixa triste. Até chorei com a decisão que a Frente Popular tomou. Mas não posso me abater. Não fui ensinada a correr da luta. Na política prendi a reconhecer resultados, mesmo os que não me são favoráveis.

8 de março se aproxima, é válido refletirmos mais esse significado ao invés de fazermos homenagens plastificadas. Para honrar minha personalidade e os que em mim acreditam, eu vou continuar lutando.

As eleições estão próximas, a vida continua sendo vivida. Mas compartilho uma pergunta que me vem com a mesma frequência que meu coração pulsa: é isso mesmo? E se a Frente tivesse tido a capacidade de ouvir a militância dos seus partidos, essa seria a decisão?

Portanto, companheiros, não há recuo, não há temor e tampouco haverá quedas. O PCdoB faz parte da minha vida. A altivez se faz necessária nos momentos mais delicados e é com essa altivez que seguirei.

Esse momento só me dá mais força interior para continuar acreditando. E eu acredito que ninguém consegue mudar o curso de um rio. E mais uma vez agradeço a todos que apostaram e acreditaram. Eu também acreditei.

Perpetua Almeida é deputada federal (PCdoB).

quarta-feira, 7 de março de 2012

Culinária e jardinagem

Acabo de chegar do município de Capixaba com dois pensamentos na cachola. Lá, compareci à audiência de conciliação no Juizado Especial Cível referente a uma ação movida contra mim pela simples razão de fazer aquilo que considero um direito – mais do que constitucional – sagrado: o de informar e opinar sobre temas de evidente interesse público.

As postagens relacionadas ao caso podem ser acessadas clicando-se aqui.

Não voltarei a citar nomes nem fatos, mas registrarei novamente minha indignação por ainda existirem muitos meios amparados na lei para se coagir a liberdade de expressão. Um dos artifícios usados para intimidar jornalistas e outros profissionais do ramo têm sido lançar mão de pleitos judiciais muitas vezes infundados ou ancorados na mais pura má fé.

Nesses casos, abusa-se do direito de petição como forma de constranger, intimidar e causar prejuízo processual a quem se ocupa de uma função fundamental, digna e honesta, mas, ao mesmo tempo, controversa e polêmica: a de manter a sociedade informada de fatos muitas vezes altamente desabonadores para seus protagonistas.

Diz o Direito que apesar de a Constituição garantir o pleno acesso ao Judiciário (art. 05º incisos XXXIV, a, XXXV e LV) não é correto banalizar tal procedimento, vez que as partes devem agir com prudência, lealdade e boa fé, devendo, portanto, ser punidos aqueles que abusam de suas pretensões, desde que, obviamente, comprovado que tal conduta foi maliciosa.

Quanto à citada audiência de conciliação, não houve qualquer possibilidade de acordo, uma vez que o interesse da parte que me reclama aparenta ser o enriquecimento ilícito, já que a proposta feita a mim para por fim ao caso foi o pagamento da exorbitância de R$ 9 mil, a título de indenização por danos morais, acrescida de retratação e etecetera e tal.

Quanto aos dois pensamentos que me percorrem os neurônios. O primeiro me diz para abandonar as opiniões sobre os fatos polêmicos da cidade e me dedicar a fazer comentários sobre culinária regional e jardinagem. O segundo me manda prosseguir fustigando, de maneira especial os desmandos e o desserviço que alguns teimam em prestar à população.

Obviamente, seguirei aqui o segundo pensamento, mas recomendo dedicar tempo também ao primeiro. Afinal de contas, a vida sem gosto e sem beleza pode se tornar uma experiência amarga e escura. Novas cores e sabores podem transformar pensamentos e destruir concepções equivocadas do que significa justiça e democracia. 

terça-feira, 6 de março de 2012

Avô de primeira viagem

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O desajeitado sujeito acima é meu amigo José Mirim experimentando o prazer de ser avô pela primeira vez. Cria da escritora Rannife Zahra, Antônio Jihah chegou com a força das chuvas de fevereiro para alegrar também as vidas da avó, Ziláh e do tio, Melk. Parabéns a todos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Aos alagados do Acre

Do blog Dito pelo Maldito.

De repente o Brasil acordou sabendo que o Acre existe. Infelizmente isso se deu da pior forma. Dessa vez não deu pra levar na brincadeira. Não deu pra esconder a situação como um primo feio que se nega o parentesco. Foi necessário que o estado fosse assolado por uma chuva torrencial e entrasse em estado de calamidade para que a imprensa deslocasse a bunda de suas equipes do ar condicionado e as enviasse rumo ao calor acreano para registrar a triste situação do estado e lembrar a elite brasileira de que chegar atrasado por conta da chuva na Marginal Tietê nem é tão terrível quanto parece.

Qual foi a última notícia que você escutou sobre o Acre? Foi aquela sobre o terremoto? A do político assassino? Foi a morte de algum ativista? Ok. Deixa eu mudar minha pergunta. Qual foi a última BOA notícia que você viu sobre o estado do Acre? Uma que não o coloque nas paginas políticas e policiais. Já te foi sugerido uma viagem ao Acre no caderno de turismo de algum jornal?

Sim, o Acre é longe. Porém, só continua isolado devido a ignorância das pessoas que só tomam conhecimento desse cantinho do Brasil quando alguma crise se instaura por lá. Como se o lugar fosse uma espécie de terra de ninguém.

É justamente essa falta de informação que faz com que as pessoas se sensibilizem mais com o tsunami no Japão do que com a situação do Acre por exemplo. Essa falta de vínculo que faz com que alguns se identifiquem mais facilmente com estranhos do outro lado do mundo do que com seus iguais.

Não sou acreano, mas particularmente, sempre que me olho nu em frente ao espelho me identifico mais com a grandeza selvagem de um índio, do que com a micro tecnologia oriental. Entende o que quero dizer?

Mas se não for o seu caso, desconsidere essa sentença.

Quer ajudar os Alagados do Acre? Comece desafogando sua mentalidade.

O Acre possui uma identidade cultural incrível, de fazer inveja a muitos outros estados que se limitam em copiar as festas típicas das grandes capitais. Tenho certeza que os acrianos também gostariam de ser lembrados pela mídia durante seu Festival do Açaí, na ExpoAcre, pela Cavalgada anual e até mesmo pela sua Parada Gay (Triste do estado que não tem a sua!).

Mas por favor, vamos alterar o chavão do ‘O Acre não existe’ para um ‘Eu não conheço o Acre’, assim sua ignorância fica menos acentuada.  Afinal, eu também não te conheço, mas nem por isso sou idiota a ponto de dizer que tu não existe ou de repetir qualquer estupidez que escuto a seu respeito, justamente porque eu não te conheço.

Deu pra entender a matemática da coisa?

Pra te ajudar, te informo que enquanto muitos estados já tentaram trair a pátria mãe reclamando por independência, o Acre é o único que já lutou de armas em punho pelo direito de fazer parte deste país. Talvez por que seja um dos últimos lugares onde a população ainda se mantém genuinamente brasileira, sem nenhuma ou com bem pouca influencia de imigrantes estrangeiros.
Uma terra que tem o sangue de sua gente impresso em sua bandeira, a mais verde e amarelo do país.

Enfim, o Acre é o Brasil raiz.

domingo, 4 de março de 2012

“Estamos no caminho do rio”

Cheia

Quando cursava a faculdade de Geografia, em meados dos anos 2000, costumava ouvir o professor Rubens Menezes de Santana, o Rubinho, dizer que estávamos no meio do caminho do rio. “Vez por outra ele vem cobrar o que lhe pertence por direito natural”, completava o xapuriense que cresceu à beira do barranco do Rio Acre.

Já que sair do meio do caminho do rio não se apresenta como uma tarefa das mais fáceis, talvez seja o momento de, pelo menos, as autoridades acreanas retomarem o projeto de virar as nossas cidades de frente para o rio. Não fosse solução para todos os problemas causados por enchentes como a deste ano, certamente minimizaria os efeitos devastadores.

As duas casas que aparecem na parte de baixo da imagem acima, captada na Agência de Notícias do Acre, não existem mais. Localizadas na beirinha do barranco, ambas foram devoradas pelos desbarrancamentos causados pela enchente. O local é a rua Major Salinas, na área mais afetada pela inundação em Xapuri.

sábado, 3 de março de 2012

Reconstrução pós-enchente

O prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos, agradece o apoio do governador Tião Viana durante reunião ocorrida nesta sexta-feira (2) envolvendo famílias desabrigadas pela enchente, parlamentares e representantes de instituições de crédito. Ele ressaltou que apesar dos prejuízos, Xapuri não registrou mortes e os prejuízos foram menores que os ocorridos em Brasileia.

“Nós temos avanços na recuperação da cidade e sei que teremos mais graças ao apoio do governador Tião, senadores Jorge Viana e Aníbal, os deputados. Tivemos também um apoio do governo por convênio no valor de R$ 50 mil. Isso nos dá fôlego para enfrentar essa situação”, declarou Bira Vasconcelos.

Isenção de ICMS e IPVA para atingidos pela enchente; crédito para a compra de produtos da “linha branca” como geladeira e fogão; microcrédito com valores que variam de R$ 200 a R$ 15 mil; moratória para as dívidas dos atingidos pelas cheias dos rios no Acre; Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) Emergência; pavimentação e recuperação de ruas foram apenas alguns dos benefícios anunciados nos municípios de Brasileia e Xapuri pelo governador Tião Viana .

“Quero mais uma vez demonstrar o sentimento de solidariedade à população de Brasileia e Xapuri e agradecer o exemplo de solidariedade que Epitaciolândia deu ao ajudar os irmãos de Brasileia. Vamos trabalhar juntos para reconstruir essas cidades que foram devastadas pela força da água. Vamos trabalhar de mãos dadas. O povo está sofrido, mas está de cabeça erguida”, afirmou o governador.

Tião lembrou que são mais de 120 mil pessoas afetadas pelas cheias dos rios no Acre. O governador pontua que desde o início desta catástrofe natural os senadores Jorge Viana e Aníbal Diniz e os parlamentares da bancada de apoio ao Governo estiveram ao lado do Estado para ajudar o povo.

Leia a reportagem completa, de Nayanne Santana, na Agência de Notícias do Acre.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Apoio aos desabrigados

Cem estudantes do IFAC vão receber auxílio

Reitor, Governador, Superintendente da CEF, Pró-reitora e o Secretário de Comunicação no anúncio do edital para os alunos desabrigados

Assessoria/Ifac

O Governo do Estado do Acre firmou parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre e com a Caixa Econômica Federal para o atendimento de mais 100 famílias desabrigadas nas regiões do Alto Acre, Baixo Acre, Purus e Juruá.

Os estudantes do IFAC em situação de desabrigados irão se inscrever a partir da quinta-feira, dia 1º de março, conforme Edital de Assistência Estudantil Especial, para receber bolsas de R$ 500,00 por mês durante seis meses. Os auxílios referem-se ao apoio a moradia (R$ 300,00) e alimentação (R$ 200,00). Ao todo serão investidos R$ 300 mil.

O anúncio desta iniciativa foi realizado na tarde desta quinta-feira, 1º, no Gabinete do Governador Tião Viana, com as presenças do Prof. Marcelo Minghelli, reitor do IFAC, do superintendente da CEF, Aurélio Cruz, da Pró-reitora de Assistência Estudantil do IFAC, Prof.ª Juliana Dantas, e do secretário de Estado de Comunicação, Leonildo Rosas.

O Instituto Federal do Acre está iniciando nesta quinta-feira, dia 1º, seu ano letivo. A estimativa é que haja cerca de 100 alunos de cursos técnicos (nível médio, subsequente e Proeja) e superiores (tecnologia e licenciaturas) dos campi de Rio Branco, Sena Madureira, Xapuri e Cruzeiro do Sul em situação de vulnerabilidade sócio-econômica em consequência das cheias dos rios Acre e Iaco.

“Esta iniciativa do IFAC reforça o compromisso da presidente Dilma com a Educação e a situação do Estado do Acre. Auxiliando a estruturação destas 100 famílias de estudantes da instituição, o IFAC ajuda o Governo para que outras 100 famílias possam receber benefícios”, argumenta o Governador Tião Viana.

A Caixa Econômica Federal entra na parceria auxiliando na agilidade na abertura das contas para o recebimento dos recursos. “Estamos todos unidos com o compromisso em atender a população do Acre. Com as bolsas garantiremos que o estudante em situação de vulnerabilidade pelas enchentes possa reconstruir sua vida de forma digna e tranquila”, explicou o reitor do IFAC, Prof. Marcelo Minghelli.

Solidariedade

Servidores e alunos do IFAC estão mobilizados em ações voluntárias do Acre Solidário desde o carnaval. Aproveitando o início do ano letivo, os campi de Rio Branco, Sena Madureira, Xapuri e Cruzeiro do Sul estão promovendo gincanas para a arrecadação de mantimentos. Outra iniciativa é da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas que organizou uma ação solidária para o Dia Internacional da Mulher na próxima semana.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um centro cultural para Xapuri

José Cláudio Mota Porfiro

O que chamamos cultura tem duas formas, ou modos. A cultura é uma espécie de aperfeiçoamento que cada um vai fazendo da sua própria vida. Esse grande estágio se faz por dois caminhos. O aprimoramento direto se chama arte e o indireto é ciência. Pela arte nos aperfeiçoamos a nós mesmos. Pela ciência, edificamos em nós o nosso conceito de mundo. Para que fique mais claro, a cultura é um caminho que nos leva à edificação do espírito.

Por isto, a cultura é uma necessidade imprescindível por toda a vida do homem produtivo. É uma dimensão que constrói o ser humano, assim como as mãos são atributos que temos para a realização de qualquer obra.

Então, no que se relaciona à questão da disseminação real da cultura, o interior do Estado do Acre se recente da falta de políticas públicas concretas que lancem luzes para o longo prazo, que se efetivem de forma a que os eventos não sejam esporádicos, mas que busquem a tradição, como outrora, quando os homens e mulheres dos primeiros tempos, no início e em meados do século passado, notadamente os nordestinos, portugueses, sírios e libaneses, fizeram erguer, a custo próprio, um teatro que recebeu companhias até estrangeiras, que traziam a ópera para estes recantos tão ermos, principalmente, se observarmos a época em que tais eventos ocorreram.

Centro-xapuri

LOJA A LIMITADA, DE ADÃO GALO E FILHOS

Foram esses mesmos pioneiros que ergueram o Cine Rialto, que exibiu o festejadíssimo, internacionalmente, Marcelino Pão e Vinho, filme com base no romance do espanhol Jose Maria Sánchez Silva, bem como muitas outras produções do tempo do cinema mudo.

Na mesma época, foi erguida uma associação comercial em estilo art nouveau. Assim como foram construídos os dois colégios Divina Providência e as duas igrejas de São Sebastião. Neste mesmo tempo, surgia o inconfundível Maestro Zeca Torres e a sua banda municipal. Por muitos anos, sob a batuta do grande músico, os desfiles de 5 e 7 de setembro foram exibições de gala a partir de um povo interiorano que ainda ama a Pátria, porque foi à guerra e derramou lágrimas e sangue, para poder viver esse amor mais pleno por todo o sempre.

Foi em Xapuri onde ocorreu a primeira partida de futebol em terras acreanas. No velho estádio da Rua Vitorino Maia, desfilaram craques que depois brilharam na capital e em outras plagas pelo Brasil afora. Incluam-se nesta síntese, ainda, as casas comerciais e as residenciais que eram verdadeiros monumentos em homenagem à economia da borracha... E tudo apenas com o próprio dinheiro dos pioneiros ou com as arrecadações feitas pelos padres e freiras católicos junto ao povo.

Não havia a dependência das verbas governamentais. Este tipo de sensibilidade estatal só se cristalizou bem depois, com o passar do tempo. Depois dos anos oitenta, as instâncias públicas começaram a fazer a sua parte. Mas o Acre, desde sempre, deu significado às propaladas distâncias amazônicas, uma expressão imprópria, inconveniente, inadequada, que serviu de justificativa para políticos nossos que não tinham nenhum amor por esta terra. Por outro lado, também os demais estados do Brasil, de norte a sul, com raras exceções, lutavam para se estabelecer enquanto unidades federativas viáveis e estavam - como estão - localizadas próximas aos centros das decisões mais importantes que poderiam ajudar a todos e não apenas a uma meia dúzia.

É oportuno levar em consideração que há pontos de cultura em todo o Estado do Acre. Boa parte deles são reflexos dos esforços dos homens e mulheres dos primeiros tempos. Outros, por demais interessantes, exuberantes mesmo, foram erguidos agora, a partir de 1998, principalmente em Rio Branco.

Assim, a ideia que norteia o projeto da construção do Centro Cultural de Xapuri tem base na revitalização do antigo Bilhar Clube e na necessidade de um uso efetivo dos espaços a partir de políticas públicas que tenham foco, principalmente, na extrema utilidade social de uma casa de cultura que tenha vida real. (Sim, porque pontos turísticos e culturais como a Fundação Chico Mendes não vivem, mas vegetam na eterna dependência de quem lhes estenda a mão com um centavo que lhes supra as necessidades mais elementares).

Considere-se, então, o benefício social de que se reveste a construção do Centro Cultural de Xapuri. A juventude sem rumo e sem perspectivas pode ter em espaços como o que propomos o seu norte e o seu futuro, principalmente, aqueles tantos que enveredaram pelo mundo obscuro das drogas por falta do algo mais que pode significar a salvação de muitos.

Um garoto ou uma garota que tem a certeza de que a partir de janeiro os esforços serão redobrados para o alcance de uma medalha, com certeza, irão treinar ou ensaiar e não irão frequentar locais onde as influências lhes levem no rumo dos caminhos sem retorno.

É claro que o espaço para os grandes bailes tradicionais deverá ser garantido. Da mesma forma, os encontros anuais dos músicos de Xapuri não serão esquecidos. Para tanto, há, já, o esboço de um calendário para as atividades do gênero.

Todavia, com a aquisição do terreno onde se localizava o Cine Rialto, ao lado do antigo Bilhar Clube, serão instalados espaços para a prática de esportes, como a capoeira e o judô. Aí, também, em uma outra sala, serão oferecidas aulas de dança popular ou de cunho clássico, oficinas de cinema, teatro e literatura. Haverá os locais para o aprendizado do artesanato e das confecções de tecido ou crochê ou tricô, dentre muitas outras possibilidades.

Uma coordenadoria de cultura planejará e executará atividades relativas aos eventos e às atividades voltadas para a área em pauta. Uma outra coordenadoria planejará e executará as atividades esportivas, como os campeonatos e os torneios anuais das mais variadas modalidades esportivas possíveis. Uma presidência responsabilizar-se-á pela absorção dos recursos do Ministério da Cultura, dentre outras instâncias inclusive da iniciativa privada, que farão frente ao cumprimento efetivo das políticas próprias do futuro Centro Cultural de Xapuri. É claro que os coordenadores e o presidente, bem como todos os funcionários de apoio, serão pessoas da comunidade que demonstrem sensibilidade para com a causa em questão.

A denominação Centro Cultural de Xapuri ainda é provisória. Os mentores deste projeto jamais tomariam para si os direitos inalienáveis que têm os xapurienses. Haverá o momento certo para que a comunidade escolha a denominação que melhor lhe aprouver, segundo uma enquete (ou pesquisa) a ser feita entre os munícipes.

Certo é que a juventude não pode ficar ociosa sob pena de, mais tarde, ao invés de construirmos centros culturais e escolas, estarmos construindo mais estabelecimentos penitenciários, o que, em si, já é uma grande lástima e o problema social mais sério vivido pelos brasileiros.

Há de se considerar que o que deve caracterizar a juventude, conforme Sócrates, o clássico grego, é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça e a educação. São estas as virtudes que hão de erguer o seu caráter.

Ainda com relação aos cuidados que os mais velhos devem ter para com os mais jovens, é oportuno lembrar o que deixou escrito e gravado o bom Elvis Presley.

Tudo o que os jovens precisam é de esperança e do sentimento de que pertencem a algo ou a alguém de um modo especial. Se eu pudesse dizer ou fazer alguma coisa que forjasse neles esse sentimento, eu acredito que poderia ter contribuído muito mais para a construção de um mundo melhor.

O blog Impressões Gerais está entre os sete melhores do Brasil via UOL

O Rio Acre e os ratos

Leila Jalul

Via Blog do Altino.

Dia 25 último, entre amigos, taças de cerveja e caviar, completei meus exatos 64 anos de vida. Vida plena de baixos e altos, depressões e loucuras. Vida. Muita vida.

Olhando o tempo que passou, o tanto que vivi, que sorri e que chorei, voltei-me para “apreciar” o fenômeno da cheia que acontece no Rio Acre, de vez em sempre. Não fico chocada com as coisas que o rio faz. Fico chocada, sim, com o que fizeram com ele.

E fui lembrando, lembrando, era pequena, e era lindo este mesmo rio que ainda insiste cortar minha cidade. Quem viveu antes de mim, por certo há de lembrar, era mais lindo ainda. Deslizando por seu leito, médias e pequenas embarcações traziam gente e coisas de comer. Gente de longe, de muito longe, até...

Era pequena, sim, mas na minha retina ainda persiste a velha imagem da cidade iluminada sobre suas águas. Velhos e novos batelões, chatas e navios mostravam a vida em seu curso. Era festa na cidade a chegada dos navios. Na singeleza das nossas ambições, tudo era festa.

Na avidez da minha gulodice, cada navio aportado significava comida e fartura. Azeitonas pretas, biscoitos confeitados, manteiga, trigo e outros produtos que abasteciam a loja do meu avô e de outros tantos comerciantes da minha cidade. O rio era o condutor do futuro.

Lembro, apesar de tão menina à época, o quanto de terra firme existia diante da casa onde nasci. Havia um complexo hospitalar mantido por uma entidade religiosa. Havia mais terra atrás e muito distante, até que se avistasse o rio. Dos seus barrancos retirei gesso para o fabrico dos meus artesanatos.

Havia o Bita. Um Dr. Davi Friale sem diploma. E ele dizia do fim do rio com mais exatidão que as previsões atuais. Havia mata onde surgiu o bairro Cidade Nova. Havia praias, diversão, festas, tartarugas e tracajás poedeiras. Havia vida.

Um dia, após o primeiro desbarrancamento na Floriano Peixoto, escutei numa reunião de família, que a cidade iria para o brejo. Uma equipe de geólogos contratada pelo governo do antigo Território do Acre, deu o veredito: o leito do Rio Acre iria mudar ao longo dos anos. Não disseram quantos. E fiquei assombrada. Segundo o tal laudo, fosse como fosse, desapareceriam a catedral, o Palácio Rio Branco, sede do governo, e tudo o mais que encontrasse pela frente.

Uma “castrátofe”, como dizia minha avó. E de noite, ao colocar a cabeça no travesseiro, qualquer barulho que viesse da rua aterrada por mais de metro e meio de barro, ficava cagada de medo. É agora, José?

O tempo foi passando, passando e o desbarrancamento continuou. Foi-se o “Papouco”, o Preventório, a Minas Gerais e a Rio Grande do Sul.

Voltando ao laudo técnico, o da desgraceira, o governo deveria criar políticas de subir “pra cima”. Em outras palavras: transferir o centro administrativo lá para o lado do bairro das Placas, Apolônio Sales, Juarez Távora e mais e mais, sempre no rumo de cima, evidentemente.

É tradição, nas cidades não planejadas, a aglomeração em torno das repartições públicas e dos mercados. Não é segredo que o Acre é teúdo e manteúdo do governo central, desde que o diabo se chamava Lúcifer. Ora, pois.

Apesar dos laudos e do transcorrer dos meus tempos, o tinhoso RIO ACRE (maiúsculo, por respeito), encheu, vazou, vazou e encheu muitas vezes.

Agora, em meio à tragédia deste ano, relembro.

O ano, salvo engano, foi 1987. O mês foi fevereiro. No torrencial inverno, e ponham torrencial nisso, a capital Rio Branco e outras cidades do Acre foram invadidas pelas águas. Tanto quanto agora, em 2012, o clamor dos alagados ecoou.

O governo estadual pediu dinheiro e foi ouvido. De Brasília, nesta alagação de agora, uma pequena merreca foi autorizada (e ainda não liberada). O dinheiro é tanto que não cobre o que foi engolido pelas águas em dois ou três bairros. É muita lama e sofrimento para pouco dinheiro. Isso tudo, atente-se, sem contar as misérias pessoais. Uma criança que morre, um voluntário de 19 anos eletrocutado e as doenças que as águas trarão a curto e médio prazos.

Em 1987, do governo brasileiro chegou um montante que, de longe, também não cobriu um terço do prejuízo. Sempre foi assim. Outros governos, entretanto, ficaram comovidos com a tragédia traduzida em imagens. E veio de Cuba, um país que sabe de tragédias – políticas e naturais -, uma importante e possível contribuição: medicamentos e equipamentos hospitalares. De outros países vieram alimentos enlatados: queijos holandeses, atum sueco, leite em pó da Inglaterra, colchões, roupas de cama e muitas, muitas outras doações, incluindo geradores a diesel. Do exterior e de outros estados brasileiros. Além da conta aberta para recebimento de doações em dinheiro, claro!

As águas foram baixando. Antes que isso acontecesse, entretanto, o filé das doações já estava nas mãos dos ratos políticos que gerenciavam a calamidade. Geradores de energia a diesel, colchões e outros donativos foram armazenados nas fazendas de vereadores e deputados estaduais. Eles não perderam tempo. 1988 seria ano de eleições.

Eu mesma, na minha casa, recebi de uma parenta de um deputado de Tarauacá, umas latas de queijos vindas da Europa. Devolvi. Não tinha porque aceitá-las. Dei a maior escrachada na doadora e devolvi. Minha mãe, através de uma pessoa ligada à família de um genro, ganhou de presente um jogo de pinças, bisturis e tesouras cirúrgicas doadas por Cuba. Fiz mamãe devolver. Quis armar um escândalo e denunciar. Denunciar para quem? Os ratos estavam no poder. Denunciar? Como?

Em 1988, no ardor da campanha, colchões, roupas, queijos e outros alimentos vencidos foram distribuídos a rodo. Os alagados, bem antes das eleições, reergueram suas casas e trataram de recomeçar suas vidas à custa de suas coragens. Não se sabe, até hoje, notícias de inquéritos e punições. Os ratos são fortes. São frios. Dos limões das tragédias humanas eles fazem suas próprias e doces limonadas. E vivem rindo, à espera de outras enchentes que, felizmente, não são anuais. No período de poucas águas eles se confortam com qualquer coisa, principalmente nos anos eleitorais, onde se fazem presentes em enterros e lutos dos que sempre enganaram. São verdadeiros Farofinos na arte de encantar incautos.

Ratos são ratos. Ladrões de vidas e roedores da decência. Não creio que hoje eles existam como em 1987. Ratos amorais, talvez. Há quem se aproveite das circunstâncias, mesmo sem ser convidado.

O povo acreano é forte e sempre conviveu com adversidades políticas e climáticas. O rio, por sua vez, quer ter vida própria. Às vezes míngua e vira filete e poças d’água. Às vezes se vinga e transborda. O rio não sabe dos ratos. E corre livre, apesar deles. Infelizmente, inocentes úteis vão da carona na sua ira. Talvez para que fiquem na espreita e se alertem, antes das próximas eleições.

Leila Jalul é cronista acreana.

A lição do Acre

Vássia Silveira

Em novembro de 2008, após dias de chuva ininterrupta, vi a água subir no quintal e ficar a poucos centímetros da porta. Morava em Florianópolis há três anos. Nesse período havia enfrentado a força do vento – o “sule”, segundo meus vizinhos da Armação –, fazendo tremer as paredes de madeira da casa e arrastando telhas, roupas no varal, cadeiras de praia, sandálias. Mas nada parecido com aquela água que trazia para tão perto de casa lesmas, sapos, vermes.

Passei pequenos transtornos com a chuva e as goteiras, que me obrigaram a ficar parte da noite enxugando o piso da sala, da cozinha, dos quartos – apenas um escapou –, afastando móveis, enxotando pererecas e outros bichos com a vassoura, o rodo, o balde. Durante toda a noite e o dia seguinte ficamos em casa, eu e minhas filhas, sem comunicação: o telefone não funcionava, a TV havia molhado, o computador eu não arriscava ligar na tomada.

Então a água baixou. Vi, pelo vidro a varanda, o quintal e senti vontade de chorar. Mas não dava tempo porque ao meu redor outras mães pranteavam a perda dos filhos ou da casa, em uma tragédia que mobilizou a imprensa nacional: as enchentes em Santa Catarina.

Hoje, passados pouco mais de três anos, vejo a água subir novamente. Desta vez nos quintais de minha gente, desse povo simples, forte, trabalhador e hospitaleiro que cresceu ouvindo o silêncio dos rios e não o barulho do mar.

Aqui não temos o pranto por centenas de filhos soterrados ou arrastados pela correnteza. Mas vejo, assim como vi em muitas cidades catarinenses durante as enchentes de 2008, telhados submersos, milhares de famílias desabrigadas, casas arrastadas pelas águas, destruição, lama e tristeza – a maior delas, talvez, com o silêncio.

Não o dos rios – pois mesmo quando furiosos, guardam tanta poesia! –, mas o da imprensa, que a despeito das chuvas nesse rincão da Amazônia, elege suas pautas baseadas em critérios tão perversos quanto o número de acessos que uma notícia pode gerar: o que interessa ao Brasil se parte do Acre está embaixo d’água?

Não tenho intenção de convencer ninguém do que vou dizer agora, mas depois de ter acompanhado de perto o drama das enchentes de 2008 em Santa Catarina, este belo e rico estado brasileiro, passei a acreditar que solidariedade também se ensina. E a mais eficiente lição é dada pelos veículos de comunicação de massa.

Vejam que escrevi “a mais eficiente”. Porque foi graças às imagens veiculadas na internet ou jornais televisivos que o Brasil chorou junto com os catarinenses. E se mobilizou em uma campanha nacional da qual também colaboraram os acreanos. Esse povo simples e tão solidário.

Hoje, a despeito da mídia nacional e, portanto, longe dos olhos e dos corações de outras famílias brasileiras, os acreanos esperam as águas de seus rios baixarem.

Em alguns municípios, como Brasileia, as imagens provocam em mim o mesmo desolamento que senti ao ver fotografias de Itajaí, em 2008. Com uma diferença: após ter 95% de sua área atingida pela cheia, a pequena cidade acreana, localizada na fronteira com a Bolívia, se prepara para a reconstrução sem alarde.

Sem a grande solidariedade que poderia brotar caso a imprensa nacional resolvesse mostrar a cor de nossos barrancos, mas com a ajuda dos governos estadual e federal; de campanhas organizadas no próprio estado e de pessoas humildes que não têm muito mais a doar além de seu tempo, a força de seus braços, suas palavras de conforto, sua fé – em uma demonstração, genuína, do significado de abraçar o outro.

Vássia Silveira é jornalista.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Cruzar os braços, não!

Nader Sarkis

Indiscutivelmente a situação de Xapuri depois dessa alagação é lastimável. Alguns dias de trabalho intenso na tentativa de minimizar o sofrimento de nossos irmãos que tiveram seus lares tomados pelas águas do rio Acre, alguns desmoronaram no pós-cheia, outros definitivamente comprometidos, hoje interditados pela defesa civil. Quem viu certamente não se esquecerá.

No entanto, a solidariedade dos verdadeiros xapurienses, centenas de pessoas que arregaçaram as mangas e, principalmente, as calças, saias, bermudas foi fator primordial na parceria com os corajosos funcionários da prefeitura que antes dos bombeiros, polícia militar, exército e defesa civil se arriscaram dedicando seu tempo integral na ajuda humanitária.

Esse trabalho anterior ao qual me refiro foi decisivo pra diminuir a aflição das mais de 100 famílias desabrigados e desalojados, acomodadas no ginásio de esportes, salão paroquial, pousadas e casas de parentes e amigos. Foi uma demonstração de AMOR dos verdadeiros xapurienses.

Cometeria um equívoco se tentasse nominar todos esses verdadeiros xapurienses que em pelo menos um dia contribuíram nesse trabalho, porque não conseguiria, mas no fundo acredito que esse número de pessoas poderia ter sido maior, poderíamos ter aproveitado o feriadão do carnaval e contribuir em uma horinha, pelo menos, com nossos irmãos.

Mas a solidariedade não acaba na medida em que precisamos unir forças para o retorno das famílias às suas casas com a devida segurança. Lembrando que algumas não terão essa oportunidade devido à interdição de alguns imóveis e o desmoronamento de outros. Sabemos que já pagamos vários impostos e essa responsabilidade poderia ser exclusiva das diferentes esferas governamentais, mas acredito que pensar assim é endossar a burocracia brasileira, mesmo quando a situação é de emergência, esse país é lento.

Logo, cruzar nossos braços é esquecer tudo o que foi feito nesse período, então seja realmente xapuriense e procure a prefeitura, defesa civil, pastoral familiar e outros órgãos que se mantêm dispostos à causa. Faça suas doações: colchões, roupas, material de limpeza, higiene pessoal. Os verdadeiros xapurienses não podem cruzar os braços nesse momento, movam-se!

Nader Sarkis é radialista.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mirante da praça de São Sebastião

Antes de depois da enchente

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As imagens são de Haroldo Sarkis.

Ajuda

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Agência Saúde

A Força Nacional do Sistema Único da Saúde (FNSUS) envia ao Acre nesta terça-feira (28) mais uma equipe de profissionais para reforçar a assistência à população dos municípios mais afetados pelas fortes chuvas e pela elevação do nível do rio Acre. No sábado (3), partirão outras duas equipes, todas elas compostas por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Trinta voluntários da FNSUS estão neste momento atuando em Rio Branco, Santa Rosa do Purus, Xapuri, Brasiléia e Porto Acre.

A participação das equipes da FNSUS atende solicitação do governo do Acre, estado onde nove municípios foram atingidos pelas fortes chuvas: Rio Branco, Manuel Urbano, Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Assis Brasil, Brasiléia, Xapuri, Porto Acre e Epitaciolândia. Ao todo, 12.578 pessoas ficaram desabrigadas, necessitando de abrigos temporários para serem alojadas. Foram identificados 22 abrigos, que são avaliados pelas equipes da Vigilância em Saúde do ministério. Outras 116.151 pessoas ficaram desalojadas, com habitações danificadas ou destruídas, mas ainda sem necessidade de recorrer aos abrigos temporários. Não foi registrado óbito até agora no Acre por causa das enchentes.

Para o estado, o Ministério da Saúde já encaminhou em fevereiro 25 kits (o equivalente a mais de seis toneladas) de medicamentos e insumos estratégicos, o que permite o atendimento de até 12,5 mil pessoas desabrigadas e desalojadas por um período de três meses. Além de todo o trabalho de assistência, orientação, monitoramento e orientação técnica, a FNSUS tem realizado busca ativa de pacientes em tratamento de hemodiálise ou quimioterapia e de grávidas nas áreas inundadas. A FNSUS monitora também a quantidade de doses de vacinas e soros antiofídicos disponíveis. As equipes ainda estão distribuindo folhetos educativos em abrigos e para a população afetada pelas enchentes.

“A Força Nacional do SUS trabalha de forma integrada com o governo do estado do Acre, Exército, Força Aérea Brasileira, Defesa Civil Nacional e a Força de Segurança Pública. Essa atuação coordenada ajuda muito na troca de informações e na eficiência do nosso trabalho, com foco nas demandas da população e nas necessidades da rede pública local”, ressalta o secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde, Adriano Massuda.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Situação delicada

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Com a vazante do Rio Acre, a preocupação agora é outra: os desbarrancamentos que já engoliram algumas casas e resultaram na interdição de dezenas.

Dois engenheiros estão na cidade fazendo levantamentos da situação e laudo deverão ser emitidos em breve sobre o nível de risco a que estão expostos outros imóveis.

De acordo com o tenente-coronel Gundim, do Corpo de Bombeiros, cinco casas já desabaram e outras 30 foram isoladas a fim de manter a segurança das pessoas. “A alagação já passou, agora vem a segunda parte, que é o desmoronamento”, explicou ele.

Leia mais na Agência de Notícias do Acre.

Defesa Civil interdita casas em Xapuri

Várias casas nas ruas Plácido de Castro, 17 de Novembro, 6 de Agosto, Major Salinas e Dr. Batista de Morais já foram interditadas pela Defesa Civil. Prefeito Bira Vasconcelos concede entrevista à Rádio Educadora neste momento e informa que engenheiros avaliam situação dos barrancos do Rio Acre. Os locais que estão sendo interditados são considerados de alto risco e a orientação continua sendo a de que as pessoas aguardem pelas informações das autoridades.

A imagem é de Haroldo Sarkis.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O blog previu e cravou

Vasco eterno vice e Flu campeão da Taça Guanabara.

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O Fluminense derrota a empáfia vascaína e é campeão da Taça Guanabara, o primeiro turno do melhor e mais charmoso campeonato regional brasileiro. Com cardápio técnico variado e avassalador, tricolor mostra que trabalho supera arrogância e repreende time da Colina com lição dura e incontestável. Foi o fim, em grande estilo, de um longo jejum em clássicos.

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Que venha a Taça Rio.

Brasiléia

Prefeita decreta Estado de Calamidade Pública

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Do jornal A Tribuna

A prefeita de Brasileia, Leila Galvão, decretou Estado de Calamidade Pública em decorrência da enchente que atingiu 70% da área urbana da cidade. A Situação de Emergência e o Estado de Calamidade Pública são duas possibilidades legais de exceção regulamentadas pelo Conselho Nacional de Defesa Civil desde 1999 e que são utilizadas para combater os efeitos de acidentes e desastres nos municípios.

De acordo com a prefeita, o Poder Executivo, ao reconhecer a situação de emergência ou estado de calamidade pública, apoiará, de forma complementar, os Estado, o Distrito Federal e os municípios, por meio dos mecanismos previstos em lei. Brasileia, segundo a prefeita, 70% da cidade foi destruída pela enchente, casas foram arrancadas e ruas destruídas pelos desbarrancamentos, além de outros prejuízos que precisam ser reparados.

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Segundo a prefeita Leila Galvão, o decreto de Calamidade Pública foi baseado em cima do impacto e prejuízos causados à população do município em decorrência da enchente. De acordo ela, além da área urbana, a zona rural também sofreu grandes prejuízos com a alagação. “Muitas famílias de ribeirinhos tiveram que abandonar suas casas e perderam toda a produção”, disse.

A Prefeitura, com a ajuda dos governos Federal e Estadual, já realizou levantamento dos prejuízos com o apoio de técnicos e ajuda das famílias atingidas pela enchente. “Espero que as autoridades reconheçam o Estado de Calamidade Pública e ajudem o município a se recuperar dos prejuízos e volte a sua vida normal no menor espaço de tempo possível”, concluiu a prefeita.

A energia elétrica começa a se normalizar em toda a cidade, inclusive nas áreas afetadas pela enchente. Os telefones, embora ainda em situação precária, começam a receber ligações, mas os serviços de internet ainda não estão funcionando. Para quem desejar ajudar as famílias atingidas pela enchente de Brasileia poderá depositar qualquer quantia pelo S.O.S Enchente Brasileia: C/C 1000-6, AG: 1662-4.

Redemoinhos

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José Cláudio Mota Porfiro

Fui à missa no mesmo dia da chegada, à noite. Estive presente ainda à celebração nos dias 17, 18 e 19. De lá, pelas três noites consecutivas, propus-me tomar um chocolate nas ruas da beira do rio, mas findei me achegando do bar do Dino. No primeiro dia, lá encontrei o Tatu, o moço de convés e, com ele, bebi umas quatro ou cinco cervejas. Depois, partimos para o Bilhar Clube, onde um baile se desenrolou até as três.

Às dez do dia 17, já estou em frente à igreja apreciando o movimento das famílias de seringueiros que chegam de todos os lados, em cima de burros, em carros de boi, carregando sacos de encauchado, feito formigas de roça que caminham para todos os sentidos debaixo de pesos que ultrapassam até os limites do quão pesado ou leve é o seu próprio corpo.

Penso que este Padre Felipe me parece uma boa pessoa. Se for o caso  - se ele tiver tempo - trocaremos uns dedos de prosa. Gosto muito de conversar com os religiosos. Apesar de algumas leituras mais à esquerda, guardo comigo este costume desde as minhas origens cearenses.

Ademais, tenho-me enquanto uma pessoa capaz de, um dia, colocar em papel as impressões que levo do povo do Acre e o seu dilema amazônico.

O homem é italiano e, enquanto o espero numa antessala da casa paroquial, vem à memória o que me disse o Luís Amado, com quem cheguei a ter alguma amizade na escola superior, em Belém.

O ambiente eclesiástico, tranquilo, me permite viajar no tempo. Vêm à memória mil lembranças de tempos idos.

A mãe do português Luís Amado era siciliana e, segundo ele próprio, lá ela havia passado por poucas e boas, em vista do exercício da profissão mais antiga do mundo nos portos da Calábria. Ali ela conheceu todos os tipos humanos. Por isto, as más impressões de uma prostituta acerca da humanidade se impregnaram na cabeça do filho, uma espécie de Oliver Twist à europeia.

Mas ele não era um sujeito desumanizado. Não tinha traumas e, muito pelo contrário, tornava-se um falastrão quando colocava ao nosso dispor uma análise muito sua acerca do mundo e dos homens.

Gina, a mãe do Luís, depois, fugiu para Portugal porque, quase todos os dias, depois de cumprir o seu papel em camas fétidas, ainda apanhava dos homens vindos dos mais distantes portos do mundo.

Para ele, os italianos são todos uns escroques. Aliás, para esse mal Amado, três quartos da humanidade significa pouquíssima coisa. Conforme os comentários feitos por ele, e por mim anotados em caderneta de campo, o humano nascido na Itália, com raras exceções, é inconfiável, mentiroso, vil, traidor, sente-se mais à vontade com o punhal que com a espada, melhor com o veneno que com o fármaco, é escorregadio nas negociações e coerente apenas em trocar de bandeira a cada vento.

Sobre napolitanos e sicilianos -  mulatos não por erro de mães meretrizes - mas pela história das gerações, diz-se terem nascido de cruzamentos entre levantinos desleais, árabes suarentos e ostrogodos degenerados, que herdaram o pior dos seus antepassados híbridos: dos sarracenos a indolência, dos suevos a ferocidade, dos gregos a irresolução e o gosto por se perder em tagarelices, até procurar cabelo em ovo.

Para o Luís, os judeus têm olhos invisíveis que nos espreitam. Os sorrisos maldosos, aqueles lábios de hiena arreganhados sobre os dentes, aqueles olhares pesados, infectos, embrutecidos, aquelas dobras entre nariz e lábios sempre inquietas, escavadas pelo ódio, aquele nariz que parece o grande bico de uma ave do gelo, tudo é de má recomendação. Fora os olhos que giram febris nas pupilas da cor de pão tostado e revelam enfermidades do fígado corrompido por um ódio de vinte séculos, que se apertam em pequenas rugas e se acentuam com a idade. Quando sorri, as pálpebras inchadas se cerram a ponto de deixarem apenas uma linha imperceptível, sinal de astúcia, para uns, ou de luxúria, dizem os demais.

O judeu, além de vaidoso como um espanhol, é ignorante como um croata, cúpido quanto um sérvio, ingrato como um maltês, insolente como um cigano, sujo como um inglês, untuoso como um belga, autoritário como um prussiano e maldizente como um albanês, é adúltero por um cio irrefreável  -  resultado da circuncisão, que os torna mais eréteis, dizem eles.

Nenhuma boa recomendação o Amado faz com relação aos alemães. Trata-se do mais baixo nível concebível de humanidade. Um alemão produz em média o dobro das fezes de um francês. É a hiperatividade das funções intestinais, em detrimento das cerebrais, o que demonstra a sua inferioridade fisiológica. No tempo das invasões bárbaras, as hordas germânicas espalhavam nos caminhos e percursos das guerras montes descomunais de matéria fecal. Qualquer forasteiro rapidamente percebe quando ultrapassa a fronteira germânica pelo volume anormal de excrementos abandonados ao longo das estradas. É típico do alemão o odor repugnante do suor, e está provado que a urina de um alemão contém vinte por cento de azoto, ao passo que a das outras raças, somente quinze.

O alemão vive em estado de perpétuo transtorno intestinal, resultante do excesso de cerveja e daquelas salsichas de porco com as quais se empanturra. Eles habitam aqueles ambientes fedorentos a sebo e a toucinho, até mesmo a dois, ele e ela, mãos apertadas em torno daquelas canecas de bebida, nariz com nariz, num bestial diálogo amoroso, como dois cães que se farejam, com as suas risadas fragorosas e deselegantes. Eles falam do seu espírito  -  geist  -  alemão, mas é o espírito da cerveja que os estupidifica desde jovens.

É verdade. O abuso da cerveja torna os alemães incapazes de ter a mínima ideia da sua vulgaridade, mas o superlativo da sua vulgaridade é que não se envergonham de ser alemães. Levam a sério um monge glutão e luxurioso como Lutero, só porque arruinou a Bíblia traduzindo-a para a língua deles.

Os alemães se consideram profundos porque a sua língua é vaga, não tem a clareza do português, por exemplo, e nunca diz exatamente o que deveria, de modo que nenhum alemão sabe jamais o que queria dizer - e toma essa incerteza por profundidade. Com os alemães é como com as mulheres, nunca se chega ao fundo.

As crises econômicas e financeiras rondarão para todo o sempre a nação francesa porque os franceses são extremamente preguiçosos, além de trapaceiros, pedantes, rancorosos, ciumentos, orgulhosos além de todos os limites - a ponto de pensarem que quem não é francês é um selvagem - e incapazes de aceitar críticas.

Para induzir um francês a reconhecer uma tara da sua corja, basta lhe falar mal de outro povo, por exemplo, “nós, poloneses, temos esse ou aquele defeito”. E, como não querem ficar atrás de ninguém, nem sequer no mal, eles reagem com “oh, não, aqui na França somos piores” e passam a difamar os franceses até notarem que você os apanhou na armadilha.

Os franceses não amam os seus semelhantes, nem quando tiram vantagem deles. Ninguém é tão mal educado como um taberneiro francês, que parece odiar os fregueses e desejar que não estivessem ali. São maus. Matam por tédio. É o único povo que durante vários anos manteve seus cidadãos ocupados em se cortarem reciprocamente as cabeças. E a sorte foi que Napoleão desviou-lhes a raiva para os de outras raças, enfileirando-os para destruir a Europa.

Acham que o mundo inteiro fala francês. Para eles, as memórias antigas de gente como Calígula, Cleópatra e Júlio César foram escritas em francês, quando qualquer criancinha sabe que a língua usada pelos eruditos na idade média era o latim. Os doutos franceses não fazem ideia de que outros povos falam de modo diferente do francês.

Talvez a ignorância seja efeito da sua avareza, o vício nacional que eles tomam por virtude e chamam de parcimônia. Vê-se a avareza pelos seus aposentos empoeirados, pela forma nunca refeita, pelas banheiras que remontam aos ancestrais, pelas escadas em caracol, de madeira instável, pra aproveitar sovinamente pouco espaço. Enxertem, como se faz com as plantas, um francês com um judeu de origem alemã e terão aquilo que temos, uma França eternamente à beira da ruína.

As mulheres fazem mal até de longe, é o que acha o Luís, sempre entre muitas gargalhadas, principalmente, depois que ele foi traído por uma zinha da Rua dos Inválidos. Segundo ele, alguns homens odeiam as mulheres apenas pelo pouco que sabem delas. E mais: nós não sabemos se os espíritos animais e o líquido genital são a mesma coisa, mas é certo que esses dois fluídos têm uma certa analogia. É por isto que, depois de uma boa noite de sexo, nós perdemos as forças, o corpo emagrece, o rosto empalidece, a memória se desfaz, a vista se enevoa, a voz se faz rouca, o sono é perturbado por sonhos irrequietos, sentem-se dores nos olhos e aparecem manchas vermelhas na face; alguns cospem matérias calcinadas, outros reclamam de prisão de ventre ou de emissões cada vez mais fétidas. Por fim, vem a cegueira.

Quanto aos padres, a opinião do nosso tratadista é que eles têm, em sua maioria, olhos fugidios, dentaduras estragadas, hálitos pesados e mãos suadas e libidinosas. Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz frade só para viver no ócio e, entre os padres mais indignos, a Santa Sé escolhe os mais estúpidos e os faz bispos.

Conforme prega o Luís, você começa a ter os padres ao seu redor quando nasce, já no batizado. São depois reencontrados nas escolas. Estão depois no catecismo, na primeira comunhão e na crisma. Lá está o padre no dia do seu casamento a lhe dizer o que você deve fazer no quarto e, no dia seguinte, a lhe perguntar, para poder se excitar atrás da treliça, quantas vezes você fez aquilo. Enfim, segundo o nosso tratadista, a civilização não alcançará a perfeição enquanto a última pedra da última igreja não houver caído sobre o último padre, e a Terra estiver livre dessa corja.

Esse Luís é, na verdade, mais um dentre uns tantos escroques que se fizeram advogados na minha classe, em Belém.

A plenos pulmões, em meio às tertúlias dos acadêmicos paraenses, solenemente, bradava o Luís Amado:

- Os brasileiros são hoje, e serão para todo o sempre, o melhor povo da Terra. Prestem atenção! A cada dia tenho mais certeza do que advogo. Ainda escreverei uma tese sobre este tema.

José Cláudio Mota Porfiro é xapuriense, professor universitário, escritor, cronista…

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sequência dramática

Casas são engolidas pelo Rio Acre, na Rua Major Salinas, em Xapuri. A sequência mostrada pelas imagens de Haroldo Sarkis causaram alvoroço e apreensão nas pessoas que assistiam à cena.

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A enorme cratera que ficou ameaça apartar uma das ruas mais antigas e tradicionais de Xapuri.

Efeito da enchente histórica

Ponto turístico de Xapuri ameaça ruir e imagem de São Sebastião é removida.

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Um dos principais locais de visitação de Xapuri, a Praça de São Sebastião, localizada no centro histórico da cidade, começou a desabar na tarde deste sábado (25), em virtude da rápida vazante do Rio Acre, proporcionando uma imagem jamais vista pela população: a ausência da imagem do santo padroeiro em seu pedestal ao centro do logradouro.

A imagem foi removida pela prefeitura, com a autorização do padre Francisco das Chagas, pároco de Xapuri, como medida de segurança. O inusitado acontecimento chamou a atenção de muitas pessoas, umas assustadas, outras incrédulas com as consequências que o fenômeno da enchente está causando em Xapuri e outros municípios do Acre.

Ao lado da praça de São Sebastião, o Mirantes Bar, um dos locais mais conhecidos e frequentados da cidade, também foi duramente afetado pela força da enchente. A casa noturna foi quase que completamente encoberta pelas águas e ficou em situação precária com a vazante. Interditada pela Defesa Civil, seu futuro deve ser a demolição.

Destruição em Brasiléia

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Estive, neste sábado (25), no município vizinho prestando solidariedade aos colegas do Sistema Público de Comunicação do Acre. No prédio da Rádio e TV Aldeia o prejuízo foi mínimo graças ao heroísmo dos funcionários, entre eles meu amigo Joncirley Barbosa, que enfrentaram a madrugada para salvar os principais equipamentos.

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No centro da cidade o cenário é devastador. A imagem acima é da Rua Odilon Pratagy, que mesmo depois de alguns dias depois do começo da vazante do Rio Acre, permanecia na manhã de hoje com um volume gigantesco de água empoçada, lama e entulhos. Abaixo, uma sequencia de imagens que ilustram um pouco da destruição ocorrida em Brasiléia.

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Na rua do comércio a destruição da parte que se precipitava à beira do rio ficou quase que totalmente destruída. Algumas casas comerciais desabaram completamente, outras parcialmente, mas a impressão que tem é a de que a erosão irá avançar sobre o que restou da devastação. É o rio cobrando dos homens o que por natureza lhe pertence.

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Lojas sendo sugadas pelo barranco.

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Bairros periféricos também sofreram com a alagação. Veja na parte de cima da foto que a imagem não é em preto e branco.

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o Parque Centenário de Brasiléia, um espaço de mais de oito hectares construído em uma área conhecida como Igapó do Kayrala/Bacurim, inaugurado no último ano da gestão do ex-governador Binho Marques como homenagem aos 100 anos de Brasiléia e aos 50 anos de Brasília, também foi devastado pela força das águas. Clique aqui para ver como era o parque antes da enchente.

Mutirão

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Moradores do bairro Braga Sobrinho, um dos mais atingidos pela enchente em Xapuri, se uniram para fazer a limpeza de casas e do trecho de rua atingido pelas águas do Rio Acre. A população receberá neste sábado (25) os kits de limpeza para que seja feita a desinfecção das residências.

O trabalho será coordenado pela Defesa Civil, que nesse momento de vazante do rio faz um trabalho de conscientização em todos os bairros atingidos pela cheia para que as pessoas não precipitem o retorno para suas residências.

O biomédico Thiago Viana, da Secretaria Estadual de Saúde, coordena, na manhã deste sábado, a distribuição dos kits de limpeza e as orientações sobre os cuidados que a população desabrigada deve tomar na volta para casa.

“É importante que as pessoas aguardem o momento certo para voltar para casa. Com a descida das águas é necessário que a Defesa Civil faça averiguações relacionadas à segurança das edificações e proporcione as condições de desinfecção e higienização”.

O apoio do governo do Estado e a organização das frentes de atendimento às vítimas da enchente em Xapuri têm se manifestado nos mais diversos aspectos. O secretário-adjunto de Segurança Pública, Ermício Sena, diz que o apoio do governo será intenso e constante até que cesse a situação de emergência gerada pela alagação.

“O apoio do governo do Estado à população de Xapuri tem sido intenso e constante e assim será até que tenha fim o estado de emergência por que passa a cidade. Recebi ordens diretas do governador para aqui permanecer prestando ajuda e solidariedade”.

Em Xapuri, a enchente do Rio Acre afetou 1.194 pessoas. O número de desalojados e desabrigados somou 497. Na zona rural, 40 casas foram atingidas desalojando um total de 132 pessoas. Não foram registrados óbitos pela inundação e nem ocorrências policiais nos abrigos públicos organizados por prefeitura e governo do Estado.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mundo pequeno

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Manoel Domingos da Silva, 42, é motorista do Tribunal de Contas do Estado do Acre. Foi enviado a Xapuri, sua terra natal, pelo presidente Ronald Polanco para auxiliar, na sua função, a Defesa Civil na assistência aos desabrigados pela alagação do Rio Acre.

Domingos me reconheceu dos tempos de seringal Novo Catete, local onde ele estudou na infância, na escola Epaminondas Martins, há mais de 30 anos. Fiquei surpreso com a memória do sujeito simples que fugiu de casa com 15 anos para ganhar a vida em Rio Branco.

O motorista é filho de Cornélio de Souza Silva, mais conhecido na região da colocação Simitumba como ‘velho’ Gaudêncio. “Meu pai era muito carrasco e só permaneci em Rio Branco por causa da interferência de minhas irmãs”, diz se referindo à rigidez do patriarca.

Domingos nasceu no seringal Barra, colocação Boa Vista, nas margens do rio Espalha. Ingressou na Polícia Militar do Acre no ano de 1987 e foi para a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) em 2004, de onde foi solicitado para prestar serviços ao TCE pelo presidente Polanco, que já o conhecia das suas andanças pelos seringais de Xapuri.

Almoçamos juntos no restaurante da pousada Ayshawa – eu, ele, o secretário-adjunto de Segurança Pública Ermício Sena e o biomédico Thiago Viana, sobrinho do governador Tião Viana - e falávamos do quanto o mundo é pequeno.

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Thiago Viana é filho de um xapuriense do pé rachado, o músico Luiz Carlos, do grupo musical Os Siderais, formado no ano de 1968 com os seguintes integrantes: Luiz Carlos (Bateria), Zequinha dos Correios (Guitarra Base), Tatu (Guitarra Solo), Cardosinho in memorian (Voz e Guitarra Base) e Raimundinho Boy (Voz e Guitarra Base). A primeira música executada pelos Siderais foi “Sentado à beira do caminho” da dupla Roberto e Erasmo Carlos.

No início dos anos 70, o grupo teve sua segunda formação e Luiz Carlos também estava lá junto com Guilherme Ferreira (Bateria) in memorian, Carlos Koury (Contrabaixo), hoje guitarrista da Banda Mugs II, Zequinha (Órgão), Tatu (Guitarra Solo), Roberto Eluan (Guitarra Base), Hiran Melo (Guitarra Base), Gualberto in memorian (Bateria), Geraldo Leite (Voz e Fátima Figueiredo (Voz).

Thiago Viana é diretor de Apoio e Diagnóstico da Secretaria Estadual de Saúde e tem participação importante no processo de volta pra casa das pessoas desalojadas e desabrigadas pela enchente do Rio Acre. Na manhã deste sábado ele coordena a distribuição dos kits de limpeza e as orientações para que as famílias retomem com segurança suas rotinas de vida.

Ao fundo, na segunda imagem, está o secretário-adjunto de Segurança Pública, Ermício Sena, que recebeu determinação do governador Tião Viana para permanecer em Xapuri até o desfecho desse momento de crise gerado pelo fenômeno natural mais avassalador dos últimos 15 anos no estado do Acre. Apoio justo e merecido ao povo de Xapuri e ao prefeito Bira Vasconcelos, que têm passado noites insone em razão do momento difícil que o município atravessa.

Passeio pelo Rio Acre

Belo e assustador

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Assim é o Rio Acre visto de dentro, na força de uma das maiores cheias da história do município de Xapuri. Passeio é maneira de falar, na verdade acompanhava o trabalho das equipes da Defesa Civil no atendimento às vítimas do bairro Bolívia, um dos mais atingidos da cidade.

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O trabalho, no entanto, rendeu imagens belíssimas como a da imagem acima, no encontro dos rios Acre e Xapuri. Abaixo, a foz do igarapé Santa Rosa, manancial que represado pelo Rio Acre causou a inundação de parte do bairro Bolívia, e, em seguida, a Casa Branca, patrimônio histórico e cultural do município, ameaçada pela erosão.

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Uma coisa que nos dispensa ser especialistas para perceber é que a povoação dessa região da cidade é totalmente incompatível com o regime das águas. O bairro Bolívia está situado na margem de ataque do rio, que faz apenas o seu trabalho natural: alagar e erodir.

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Lá atrás, no comando da “voadeira” da Polícia Militar, o bom velho Orlando Chegué, foi garantia de um passeio tranquilo pelo rio agitado. O empenho de profissionais das mais diversas áreas e voluntários em geral foi fundamental no atendimento ao desabrigados.