terça-feira, 18 de agosto de 2020
Vai ou racha?
Pelo que se observa até o momento, a desejada união entre as siglas partidárias que apoiaram a eleição do governador Gladson Cameli no último pleito estadual não caminha para um final feliz. Falta de consenso diante da importância da união, provocações e propagação de fake news são algumas das razões para esse provável desfecho.
Nesta segunda-feira, 17, o pré-candidato a prefeito pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o advogado Carlos Venícius, fez mais uma de suas transmissões pelo Facebook, oportunidade na qual entrevistou um possível nome a acompanhá-lo na chapa majoritária do partido, o também advogado e policial federal aposentado Eden Barros Mota.
O detalhe é que Eden Barros é recém-filiado ao MDB, convidado exatamente por Carlos Venícius, de quem é tio, o que demonstra que é cada vez mais real a possibilidade de os emedebistas irem “puros” para a disputa da eleição. Outra opção caseira é a médica Raissa Ferraz, filha do presidente da Câmara de Xapuri, Ronaldo Cosmo Ferraz.
Há alguns dias, também por meio da internet, Carlos Venícius fez um comentário pouco enigmático sobre os rumos de uma possível aliança da oposição: “Alianças políticas são e serão bem-vindas desde que o interesse da população esteja em primeiro e único lugar. Qualquer união fora dessa regra será imediatamente afastada”, escreveu.
A mensagem do advogado deixa claro que o caminho da coalizão dos partidos de oposição no município está cada vez mais estreito e transparece ter relação com os boatos propagados por membros do grupo que apoia a pré-candidatura da empresária Carla Mendonça (PP), esposa do deputado Antônio Pedro (Dem), de que o MDB teria aceitado compor com ela uma chapa única indicando Venícius para o cargo de vice.
A resposta da Executiva Municipal do MDB foi imediata e a situação se transformou em bate-boca via redes sociais com acusações trocadas entre o presidente do partido no município, Celso Paraná, e o gerente do escritório local do Depasa, Marcos Mansour. A confusão parece ter sido a gota d’água que faltava para as negociações descambarem de vez.
Os principais movimentos dos partidos até o momento, além das tentativas de acordos que não surtem efeito, têm sido algumas andanças de pré-campanha e as inaugurações de diretórios municipais. No dia 31 de julho, o MDB lançou o seu com a presença do senador Marcio Bittar e do deputado estadual e pré-candidato à prefeitura de Rio Branco, Roberto Duarte.
No próximo dia 21, será a vez do Progressistas lançar o seu diretório. Em convite publicado em sua página no Facebook, a pré-candidata Carla Mendonça anuncia a presença do governador Gladson Cameli e do vice Major Rocha, dos deputados federais Alan Rick, Vanda Milani e Manoel Marcos, além do presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Nicolau Júnior.
Se mantendo longe das discussões em torno da cada vez mais distante chapa única, o pré-candidato do PSD, vereador Gessi Nascimento, tem pautado a sua pré-campanha em visitas a localidades da zona rural, mas também não cogita tirar o seu nome da disputa. Nascimento, também conhecido como Capelão, migrou para o partido do senador Sérgio Petecão após perder a disputa interna pela pré-candidatura do MDB.
Resta aguardar o que as últimas semanas antes das convenções reservarão para o processo eleitoral em Xapuri. De maneira especial, a presença da comitiva liderada pelo governador no próximo dia 21 poderá trazer novos e bons capítulos a essa novela da oposição. De camarote, assistirá o atual prefeito e pré-candidato à reeleição, o petista Bira Vasconcelos. O desenlace dessa queda de braço poderá lhe ser amplamente favorável – ou não.
domingo, 28 de junho de 2020
O princípio da impessoalidade sob os pés do interesse político
Contextualizando, recorro a alguns exemplos bem visíveis em Xapuri, quando ações de cunho puramente administrativo, como a recuperação de um aparelho de raio-x do hospital ou a realização de uma edição do programa Saúde Itinerante, são atribuídas à atuação de determinados políticos, por meio de propaganda disseminada nas redes sociais, além de atos presenciais sob o barulho de fogos e rojões, ao desconhecimento ou omissão do governo.
Outro ponto que merece atenção do povo e dos fiscais da lei é quanto às artimanhas para o beneficiamento de pessoas escolhidas a dedo para ocupar cargos ou funções de cunho temporário, de maneira direta ou pelo serviço terceirizado nas esferas administrativas. Seja por meio das empresas terceirizadas ou pelas chamadas CECs, esses empregos estão nas mãos de políticos amigos do poder que os distribuem a seu bel prazer.
Não estou aqui assegurando que a distribuição das CECs esteja em desacordo com a legislação vigente, mas que vai de encontro ao princípio da impessoalidade, isso eu afirmo plenamente. As CECs são tidas como cargos de confiança, mas não as são de maneira absoluta. As pessoas que as detêm, especialmente as de menor valor salarial, em uma escala que vai de 1 a 7, em grande parte executam serviços comuns, que nada têm a ver com função de chefia, direção ou coordenação, como deveria ocorrer.
Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou sua jurisprudência dominante no sentido de que a criação de cargos em comissão somente se justifica para o exercício de funções de direção, chefia e assessoramento, ou seja, cargos que são de livre nomeação e exoneração, sendo imprescindível a existência de um vínculo de confiança entre a autoridade nomeante e o servidor nomeado, mas não se prestando ao desempenho de atividades burocráticas, técnicas ou operacionais.
Isso significa que centenas de cargos que poderiam ser objeto de concorrência pública, seja por meio de concurso efetivo ou processo simplificado, se mantêm sendo loteados aos partidos apoiadores que deles se utilizam como maneira de angariar dividendos eleitorais e manter os tradicionais currais, que nunca deixaram de existir. E vejamos que o atual governo reduziu, segundo afirma, esses cargos da casa dos 2,5 mil para apenas 900.
Em Xapuri, o olho grande por essas posições na folha governamental promove uma verdadeira caça às bruxas de modo a se remover dos postos aqueles que não contribuem politicamente com o projeto político vigente por outros que sejam compromissados com o voto de cabresto. Em plena pandemia, servidores temporários têm sido demitidos sem justificativas plausíveis e alguns até mesmo sem aviso prévio.
O caso da Câmara de Xapuri, requisitada a explicar como nomeia ou contrata os servidores que não são efetivos – dizendo se existe lei que cria os cargos comissionados e se há processo público para a admissão desses funcionários, deve ser estendido também ao município e ao estado, caso as informações não constem nos obrigatórios portais de transparência.
As vagas disponíveis no serviço público por meio da criação de cargos comissionados que não estejam contemplados na citada jurisprudência do STF podem ser objeto de contestação judicial. O acesso a esses cargos e funções deveria ser aberto à concorrência seja por qual processo for, desde que legal. Qualquer ato que não siga esse objetivo ficar sujeito a invalidação por desvio de finalidade. A administração não pode atuar com vistas a beneficiar ou prejudicar pessoas.
O advogado e engenheiro civil José de Andrade Mota Neto, afirma no artigo O princípio da impessoalidade e sua efetividade na Administração Pública Brasileira que “como resquício de uma cultura herdada do Absolutismo, em que a pessoa do Estado se confundia com a pessoa do Monarca, e passando por outras situações, onde se destaca a naturalidade e normalidade como se encara e se pratica o nepotismo, vê-se que a impessoalidade é um princípio que carece de maior efetividade”.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Trabalho Novo
O cantor xapuriense Paolo Almeida lançará o seu novo trabalho – Paolo Almeida Acústico - na terra natal no próximo dia 31 de janeiro. Paolo faz música desde criança, aprendeu seus primeiros acordes no violão com o músico Carlinhos Castelo e teve influência de outros grandes músicos de Xapuri, como Antônio Magão, Nader Sarkis, Eden Mota e outros.
O artista começou tocando bateria na igreja do Evangelho Quadrangular, em Xapuri, no início dos anos 2000, quando se mudou para Brasiléia com a finalidade de trabalhar. Na fronteira, o xapuriense lutou muito para conseguir sobreviver fazendo o que gosta até chegar à gravação de seu primeiro trabalho, o CD “Não abro mão de Deus”, em 2012.
Apesar de evangélico, Paolo faz questão de enfatizar que sua música é para todos os públicos. “Fazer música faz parte da minha essência, é um dom que Deus me deu”, afirma o cantor que apesar de ser evangélico faz questão de deixar claro que seu trabalho é direcionado a todos os públicos. “Minha música é para o povão”, diz.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Eden Barros na Ameripol
O xapuriense Eden Barros Mota, Agente de Polícia Federal, será o próximo Oficial de Ligação na Comunidade de Polícias das Américas – AMERIPOL - em Bogotá/Colômbia. Ele representará o Brasil na entidade até o ano de 2015.
Nesta quinta-feira, 6, Eden me enviou a seguinte mensagem:
“Caro Raimari, quero te agradecer por tudo e dizer que sempre que somos atacados ou menosprezados Deus tem algo muito melhor para nós. Poucas são as pessoas com quem ainda tenho algum tipo de contato em Xapuri, e uma delas é você, garoto que nasceu pobre, assim como eu, mas que com conhecimento chegou até onde se encontra. O que nós levamos de melhor na vida é a amizade e o respeito que temos pelas pessoas. Obrigado por tudo”.
O policial federal se refere a quatro ações cíveis movidas contra ele por alguns vereadores, na legislatura passada, em razão de críticas feitas em um blog contra a atuação da Câmara de Xapuri. Eden obteve resultado favorável em todos os processos, mas prometeu nunca mais comentar ou discutir os assuntos de sua terra natal.
Abaixo, a íntegra da portaria através da qual o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, designa o xapuriense para a função de Oficial de Ligação na Ameripol.
PORTARIA Nº 295, DE 31 DE JANEIRO DE 2014
O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 5º, inciso IV, da Lei nº 5.809, de 10 de outubro de 1972, e no art. 8º, inciso III, do Decreto nº 71.733, de 18 de janeiro de 1973, resolve:
Art. 1º Designar EDEN BARROS MOTA, Agente de Polícia Federal, Classe Especial, matrícula 7245, para exercer a função de Oficial de Ligação na AMERIPOL em Bogotá/Colômbia, em sucessão ao Agente de Polícia Federal Ionaldo Carlos Gonçalves Silva.
Art. 2º A missão será realizada com mudança de sede, transporte de mobiliários e bagagens e com acompanhamento de dependentes, com retribuição calculada com base no índice "76" da Tabela de Escalonamento Vertical da LRE e no índice "60" da Tabela 1 -Escalonamento Vertical de Indenização de representação no exterior, nos termos da Lei nº 5.809, de 10 de outubro de 1972 e dos Decretos nº 71.733, de 18 de janeiro de 1973 e nº 72.021, de 28 de março do mesmo ano.
JOSÉ EDUARDO CARDOZO.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
H-WELEM
O último dos grandes grupos musicais de Xapuri. O nome da banda foi formado a partir da combinação das letras iniciais dos nomes dos filhos do quarteto: Lennon e Michele, filhos de Magão; Haroldo e Elias, filhos de Nader; Willian, filho de Ciro; e Eden Klinsmann, que leva o nome do pai, Eden Mota.
O H-WELEM fez muito sucesso em vários municípios acreanos durante a década de 1990. A banda marcou época e deixou saudades de um tempo bom da noite xapuriense, quando ainda havia por aqui uma agenda social. As imagens são do arquivo pessoal do músico Antônio Magão e foram postadas por ele em sua página no Facebook.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
“Foi um dom que Deus me deu”
O artista xapuriense Paolo Almeida lança seu primeiro CD em Xapuri no próximo dia 4, no ginásio poliesportivo Álvaro da Silva Mota.
Conversei em meu programa de rádio, na manhã desta sexta-feira, 27, com o cantor religioso Paolo Almeida, que lança seu primeiro CD em Xapuri no próximo dia 4 de fevereiro, um sábado. O CD já teve seu lançamento em Brasiléia, na 1ª Igreja Batista, onde o artista congrega.
Paolo faz música desde criança, aprendeu seus primeiros acordes no violão com o músico Carlinhos Castelo, que é pai do blogueiro Maxsuel Maia, e teve influência de outros grandes músicos de Xapuri, como Antônio Magão, Nader Sarkis, Eden Mota e outros.
Começou tocando bateria na igreja do Evangelho Quadrangular, em Xapuri, no início dos anos 2000, quando se mudou para Brasiléia com a finalidade de trabalhar. Sempre ligando à música, largou o emprego para se dedicar àquilo que tem sido até hoje o seu meio de vida.
Na fronteira, o xapuriense lutou muito para conseguir sobreviver fazendo o que gosta até chegar à gravação de seu primeiro trabalho, o CD “Não abro mão de Deus”, formado por músicas que foram sendo compostas e guardadas em um caderno de anotações.
Paolo Almeida é um jovem de fé e de fibra que, a despeito da escassez de apoio à arte que impera no Acre - o governo do Estado continua a ser o grande financiador - traçou um objetivo de vida e colocou o pé na estrada para realizar o seu sonho.
“Fazer música faz parte da minha essência, é um dom que Deus me deu”, afirma o cantor que apesar de ser evangélico faz questão de deixar claro que seu trabalho é direcionado a todos os públicos. “Minha música é para o povão”, conclui.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Reação
O ex-blogueiro Eden Barros Mota cumpriu a promessa de acionar judicialmente os vereadores Erivélton Soares da Cruz, Gessi Nascimento da Silva e Ney Eurico Ferreira da Rocha, os três do PSB, por terem aberto contra ele uma representação na Corregedoria Regional da Polícia Federal, órgão do qual Barros Mota é funcionário concursado há 14 anos.
Os vereadores de Xapuri representaram o ex-blogueiro depois de terem sido derrotados, junto com mais quatro colegas, numa ação judicial movida no Juizado Especial Cível da Comarca de Xapuri resultante de um imbróglio já fartamente divulgado neste blog e que não vale mais a pena reprisar. Caso alguém queira reler, basta clicar aqui.
A medida tomada pelo trio de edis também naufragou na Corregedoria da Polícia Federal, que emitiu parecer favorável a Eden Mota, considerando que as opiniões do cidadão nada têm a ver com a sua atuação profissional. Foi o bastante para o superintendente regional em exercício da PF no Acre, Richard Murad, arquivar o malfadado procedimento.
Na reclamação protocolada no último dia 17, no Juizado Especial Cível de Rio Branco, Eden Mota acusa os três vereadores de lhe causarem “indignação, afetando a parte social de seu patrimônio moral (honra, reputação e caráter), bem como a parte afetiva do seu patrimônio moral (dor, tristeza), tirando-lhe, assim, a sua paz de espírito”.
O pedido de indenização por danos morais é de R$ 12.440,00 (o equivalente a 20 salários mínimos) para cada um dos vereadores e as audiências estão marcadas para os próximos dias: 24 de fevereiro (Ney Eurico Ferreira Rocha), 13 de março (Erivélton Soares da Cruz) e 02 de abril (Gessi Nascimento da Silva).
As informações estão disponíveis no sítio do Tribunal de Justiça do Acre.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Em nome da liberdade de expressão
Polícia Federal arquiva representação de vereadores de Xapuri contra ex-blogueiro.
O superintendente regional em exercício da Polícia Federal no Acre, delegado Richard Murad Macedo, decidiu pelo arquivamento da representação feita à corregedoria do órgão pelos vereadores Erivélton Soares da Cruz, Ney Eurico Ferreira da Rocha e Gessi Nascimento da Cruz, todos do PSB de Xapuri, contra o ex-blogueiro Eden Barros Mota, em razão de críticas que este dirigiu aos representantes do poder legislativo do município através de uma página na internet.
O trio de vereadores se dirigiu à Corregedoria Regional da PF no Acre no dia 11 de novembro deste ano, logo depois de ter sido, junto com mais 4 colegas de parlamento-mirim, derrotado na justiça em ação cível movida contra Eden Mota, que é escrivão da Polícia Federal, pelas mesmas razões alegadas na igualmente malfadada representação externa. Lá, requereram providências no sentido de apuração de responsabilidade funcional do funcionário em razão de supostas ofensas.
O segundo balde de água fria veio na última quarta-feira, dia 7 de dezembro, quando o superintendente determinou o arquivamento do expediente depois de analisar o parecer do delegado corredor regional da PF no Acre, Alessandro Rodrigues Batista, que afirmou não haver, no aspecto funcional e administrativo, qualquer impedimento legal ou normativo vedando ao servidor público a livre manifestação de seu pensamento, um direito legítimo garantido constitucionalmente.
Quanto às alegações de que as críticas feitas aos vereadores foram ofensivas, o corregedor anotou que o foro adequado para o ressarcimento de eventuais danos à imagem, à moral e à honra é o próprio poder judiciário, que negou aos autores das ações ajuizadas qualquer reparação indenizatória ou reconhecimento de dano. Ainda de acordo com ele, os fatos apresentados pelos vereadores são absolutamente alheios à função do servidor, afeitos de sua vida privada, sem nenhuma repercussão negativa para o nome da Polícia Federal.
Engana-se, porém, quem achar que o novo despacho negativo aos vereadores colocará um ponto final à questão que se desenrola há vários meses. Amparado por duas decisões cujas argumentações lhes foram amplamente favoráveis, Eden Mota garante que agora é ele quem irá ao tribunal em busca de ressarcimento dos danos morais causados pela vã tentativa dos edis de lhe prejudicarem profissionalmente.
Como não consigo deixar de opinar e nem devo, vou desejar – mesmo que não acredite nisso -que esse novo revés sirva para promover alguma mudança na cabeça daqueles que se recusam a conviver com o contraditório, transformando crítica e opinião em demônios da persecução. A liberdade de expressão é, no mundo de hoje, um rio que corre cada vez mais forte e ligeiro, e lutar contra isso significa se atirar, trôpegos e atabalhoados, contra a correnteza.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
É dura a vida de blogueiro
Minha vivência de 23 anos como radialista numa cidadezinha como Xapuri me ensinou que apesar de muito prazeroso e gratificante pela maioria das circunstâncias, especialmente pela relação de carinho e amizade que o profissional adquire junto ao seu público, o ofício se faz também detestado e antipatizado por outras em que o trabalho jornalístico passa a ser visto com maus olhos por aqueles que, subitamente, se vejam como personagens de uma história cuja repercussão lhes negativa ou desabonadora.
Não considero que tenha inimigos, mas a maioria dos problemas de relacionamento humano que tive na vida foram resultado do meu trabalho como radialista. Infeliz e mesquinhamente, as pessoas gostam de ouvir no rádio a desgraça alheia, a má notícia que envolve o fulano ou o beltrano, mas quando o infortúnio transformado em informação recai sobre sua árvore genealógica, aí o mundo desaba e querem que a emissora de rádio pegue fogo e que o radialista arda nas chamas do inferno para toda a eternidade.
Não achando bastante a realidade descrita acima, resolvi me tornar blogueiro. E ser blogueiro é infinitamente pior que ser radialista. Blogueiro é como juiz de futebol, tem a mãe mais xingada do mundo. Ser blogueiro-radialista então foi a gota que faltava para me tornar alvo de uma série de situações desconfortáveis, constrangedoras e até mesmo deprimentes, uma vez que a caixa de comentários do blog se tornou uma espécie de penico ambulante onde os covardes da cidade atiram seus dejetos morais em forma de agressão e xingamento.
O pior de tudo é que as agressões não ficam no âmbito da atuação profissional, mas invadem a vida pessoal do indivíduo causando, por mais preparado que o sujeito seja para situações como essas, um sentimento de revolta e desânimo. Em grande parte dos ataques anônimos é possível suspeitar, mas não comprovar, infelizmente, de onde parte a baixaria cujo objetivo não é outro senão intimidar e desqualificar moralmente.
Foi por essa razão e também por outras que estive perto de finalizar as atualizações neste blog no último mês, quando a página foi atingida por um programa malicioso que fez com que as visitas caíssem em mais de dois terços. Pensei em aproveitar a oportunidade para encerrar a inglória carreira de blogueiro, que, apesar do prazer que oferece, também atiça a sanha covarde de um punhado de pústulas que não conta com o mínimo de escrúpulos.
Mas não são apenas as ofensas e ataques recebidos pela internet que causam desgosto ao blogueiro. As manifestações de reprovação e desagrado recebidas de pessoas que se sentem ofendidas por opiniões ou informações postadas no blog são as que mais causam tristezas e reflexões sobre se vale mesmo a pena, vivendo em um pequeno povoado perdido no meio de pastagens, mexer com um instrumento que causa tanta repercussão e polêmica como é o caso de uma simples e modesta página como esta.
É dura a vida de blogueiro. O vagabundo da periferia vende drogas, é preso, todo mundo corre ao blog para ver a cara do sujeito, saber quantos quilos foram apreendidos, especular os possíveis envolvidos, se deliciar com a desgraça do sujeito. O filho do funcionário público resolve fazer o mesmo que o vagabundo da periferia, é pego com a mão na massa, o blogueiro divulga e se transforma no capeta. Duas semanas depois o malandro sai da cadeia, passa de carro pelo blogueiro e lhe dá uma encarada que é um misto de deboche com ameaça velada.
O político não atua, não tem noção do papel que deve exercer no cargo para o qual foi eleito, o blogueiro critica e em vez de ser questionado, respondido ou até mesmo desmentido, se for o caso, é processado judicialmente. Safando-se na justiça é acossado no campo sagrado de sua atividade profissional, que nada tem a ver (ou pelo menos não deveria ter) com as opiniões que o mesmo emite como cidadão pagador de impostos. Refiro-me ao caso do ex-blogueiro Eden Mota, mas que poderia ser o meu também, como deixou claro em juízo um certo vereador.
Como já disse meu velho e bom amigo Eduardo de Souza, “numa terra mui distante, habitada por sofridos aldeões, dizer o óbvio era muito arriscado”. Aqui, como lá, ser blogueiro realmente não é fácil, é um trabalho árduo, quase insano, cujo retorno é o amor e o ódio em variadas proporções. Mas, afinal, o amor e o ódio não são os sentimentos que movem a humanidade? Então não há motivo para recuar, mas sim para seguir em frente “repetindo os comentários gerais e óbvios, mesmo que por isso sejamos multado em vários dinheiros”.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Muito baixo
Maxsuel Maia
Ao visitar a página do amigo-blogueiro Raimari Cardoso, tive uma infeliz surpresa ao ler que alguns vereadores de Xapuri entraram com representação junto à Corregedoria da Polícia Federal contra o também amigo e ex-blogueiro Eden Mota.
A atitude, que Eden classificou como "jogo baixo", causou em mim um sentimento de preocupação, decepção e vergonha. Nunca é demais lembrar que essa polêmica envolvendo Eden e os vereadores começou quando o ex-blogueiro passou a criticar e questionar os vereadores e suas ações (ou falta delas) em seu extinto blog, o Xapuri Urgente. Sete dos nove vereadores xapurienses se sentiram ofendidos, entrando com uma ação na justiça contra Eden Mota.
Acontece que eu acompanho e sempre acompanhei todos os blogs xapurienses, inclusive o extinto Xapuri Urgente, sempre lia as postagens escritas pelo Eden e em nenhuma delas notei algo que ferisse a honra ou a imagem de qualquer vereador. As críticas feitas por ele, eram embasadas e feitas em virtude do cargo público que essas pessoas exercem, nunca vi nelas algum cunho pessoal, eram críticas feitas aos "representantes do povo" por um cidadão que estava se sentindo mal representado.
Mesmo assim, os vereadores seguiram com a ação judicial. Não entendem eles que, a partir do momento em que se elegem para exercer um cargo público, precisam estar abertos às críticas, saber absorvê-las e aproveitá-las, respeitando sempre a liberdade de pensamento e de expressão. Aliás, como tenho certeza de que muitos dos vereadores xapurienses nunca leram a Constituição Federal, aí vai uma passagem importante da Carta Magna: "É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato".
Por razões óbvias, o juiz da comarca de Xapuri decidiu pela total improcedência da ação movida pelos vereadores. Inconformados com a derrota e com os egos feridos, "os representantes do povo xapuriense" decidiram agora por tentar prejudicar a vida profissional de um cidadão xapuriense que com muito esforço conseguiu chegar a um lugar almejado por muitos brasileiros, a Polícia Federal.
O que estão querendo nossos vereadores? Cercear a liberdade de expressão? Censurar o direito de criticar dos cidadãos xapurienses? Quer dizer então que eu tenho que ficar preocupado após publicar essa postagem? Os tempos são outros meus caros, a sombria época da ditadura ficou pra trás.
O que conforta é saber que assim como a ação judicial não deu em nada, essa também não dará, será mais um vergonhoso tiro no pé de "nossos representantes". Digo isso por saber que em nenhum momento o ex-blogueiro se utilizou do cargo que exerce para legitimar seu discurso ou intimidar quem quer que seja. A Corregedoria da PF, como órgão sério que é, sequer dará importância a tamanha sandice.
Ao amigo Eden, minha solidariedade como amigo, blogueiro e cidadão xapuriense que também não abre mão do direito de cobrar de seus representantes.
Aos vereadores responsáveis por essa infeliz ação, minha profunda vergonha e um pequeno conselho: aproveitem o vasto tempo ocioso para criar e aprovar algum projeto de significância para o município, ao invés de perseguir e tentar prejudicar um cidadão xapuriense. Outra coisa: amadureçam! Levar críticas feitas à legislatura para o lado pessoal é uma grande prova de imaturidade política e despreparo para ocupar cargos públicos.
Maxsuel Maia é blogueiro.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
“Jogo baixo”
A pendenga entre os vereadores de Xapuri e o ex-blogueiro Eden Mota ainda promete dar o que falar. A novela começou a render capítulos após Eden Mota ser acionado judicialmente por criticar a atuação dos representantes da casa do povo. Apenas dois vereadores, Ronaldo Ferraz (PMDB) e Maria Luceni (PV) não participaram da demanda.
Recapitulando, sete vereadores acionaram Eden na justiça em razão de críticas ferrenhas feitas aos representantes do Poder Legislativo através de um blog, o Xapuri Urgente. Derrotados na justiça (leia aqui), um grupo de edis levou queixa contra o ex-blogueiro à Corregedoria da Polícia Federal, órgão do qual Eden Mota é agente.
Por telefone, Eden classificou de “jogo baixo” a atitude dos vereadores e afirmou que aguardará com a consciência tranquila o pronunciamento da Corregedoria. Em seguida, afirmou que representará os vereadores na justiça pela tentativa de prejudicá-lo profissionalmente como represália às críticas que ele fez como cidadão.
Como comentei em post anterior, também fui envolvido na questão quando o vereador Ney Eurico (PSB) afirmou em seu depoimento que eu também costumava a fazer, através deste blog, comentários ofensivos contra os vereadores. Desafiei o vereador a apresentar provas do que afirmou, mas, até o momento, ele permanece mudo feito uma pedra.
Nunca concordei muito com o tom das críticas de Eden Mota contra os vereadores e contra a administração do prefeito Bira Vasconcelos. Eu disse com o tom. Quanto ao conteúdo concordo com muitas e discordo de outras tantas. Quanto ao direito de Eden criticar, esse eu defendo plenamente. Prova disso é o fato de que ele sempre teve espaço aqui no blog.
Jamais fui procurado por qualquer vereador para reclamar de críticas minhas ou para solicitar direito de resposta neste espaço que sempre esteve e continua estando aberto a quem quer que seja. Assim, volto a desmentir o vereador Ney quanto às baboseiras que disse ao juiz, ficando à sua disposição para qualquer esclarecimento que ele se preste, caso deseje, a fazer.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Malogro
Resultaram em nada as sete ações movidas na justiça contra o ex-blogueiro Eden Barros Mota pelos vereadores José Cecílio Evangelista (PT), Francisco Barbosa de Aquino (PT), Gessi Nascimento da Silva (PSB), Erivélton Soares da Cruz (PSB), José Maria da Silva Miranda (PT), José Gonçalves de Oliveira (PMDB) e Ney Eurico Ferreira da Rocha (PSB).
Os vereadores pleiteavam indenização por danos morais em face de uma publicação (leia aqui) feita por Eden Mota no blog intitulado Xapuri Urgente no dia 19 de maio deste ano, que teria atingido a honra dos citados representantes do legislativo municipal. Na postagem, o então blogueiro se referiu aos edis como “parasitas” e “sugadores do dinheiro público”.
A defesa do ex-blogueiro requereu a improcedência da ação alegando que o fato de fazer críticas contra os membros da Câmara de Xapuri insere-se no exercício da liberdade de manifestação, garantido no art. 5º, inciso IV da Constituição Federal/88, e que a crítica manifestada em no blog contra os autores da ação foi em razão do cargo que os mesmos exercem.
O juiz Luis Gustavo Alcalde Pinto decidiu pela total improcedência da demanda dos vereadores por “falta de legitimidade ad causam”, uma vez que o pedido de indenização por danos morais, segundo a decisão, “se refere à suposta ofensa pessoal proferida pelo requerido ao reclamante e não a ato administrativo do Poder Executivo Municipal”.
O magistrado também considerou inexistir qualquer ofensa às pessoas dos autores, pois tudo não passou de uma manifestação de pensamento por parte do demandado, dentro dos limites que lhe confere a Constituição da República, sem a intenção de causar qualquer dano aos requerentes. “Ademais, nada foi provado pelos autores no tocante ao alegado dano às suas
personalidades”, afirmou o juiz.
Em dois trechos da decisão desfavorável aos vereadores, o magistrado ainda destaca:
“Evidentemente, existisse na crítica um caráter verdadeiramente ofensivo à
reputação do autor, ou de cunho discriminatório, ou, ainda, flagrantemente inverídico, a
hipótese ensejaria lesão a direito de personalidade, passível de ser indenizada, não sendo, pelos
motivos já examinados, o caso dos autos”.
“Portanto, não vislumbro dano concreto ou prova indiciária mínima de que o
autor tenha sofrido angústia, humilhação ou que fosse submetido à situação capaz de violar de
forma exacerbada sua higidez psíquica, bem como sua honra, imagem ou qualquer dos direitos
personalíssimos tutelados no art. 5º, incisos V e X, da CF/88”.
Um fato que chamou a atenção deste blogueiro foi um trecho do depoimento do vereador Ney Eurico (PSB), quando afirmou o que segue:
Que conhece o Blog do Raimari, chamado de "Xapuri Agora", e que o mesmo já fez
comentários ofensivos aos vereadores de Xapuri. Os vereadores de Xapuri nunca
ajuizaram ação contra Raimari por causa das ofensas contra os vereadores publicadas
em seu blog, pois o vereador José Gonçalves procurou conversar pessoalmente com
Raimari. (...)”
Pra começo de conversa, para não perder a compostura e chamar o vereador de mentiroso, vou desafiá-lo a provar que eu tenha, em algum momento, feito comentários ofensivos a qualquer componente desta ou de outra legislatura. Outra inverdade é que o vereador José Gonçalves (PMDB), com quem costumo tomar uma cervejinha e assistir jogos de futebol, tenha sequer tocado, comigo, em assunto parecido com esse.
Mas já que me envolveram no assunto, vou deixar minha contribuição ao debate. Sempre fiz críticas a uma instituição que, no caso de Xapuri, vem perdendo no decorrer dos anos sua identidade e se afastando de sua função maior, em minha opinião, que é representar o povo. O fato de a câmara ser o que é hoje, alvo de críticas e de descrença, não pode, porém, ser atribuído apenas aos atuais vereadores, eles são parte de um processo longo de deterioração institucional que não se consegue conter ou que não se deseja ser contido.
Minhas opiniões sobre a câmara de Xapuri, enfim, são conhecidas de todos os que visitam esse blog. Elas sempre foram sinceras, responsáveis, expressaram o que penso e nunca interferiram, creio eu, na relação de amizade que mantenho com alguns dos representantes daquela Casa, e muito menos com o sentimento de respeito que tenho por todos, sem distinção.
Com relação ao processo movido, penso que acionar um blogueiro na justiça por uma opinião emitida foi, com todo respeito ao direito dos vereadores de defenderem suas honras onde acharem que devem, um verdadeiro tiro no pé, e reconhecer isso seria, no mínimo, louvável por parte de quem ocupa espaço de atuação em um poder que notoriamente não goza da melhor avaliação popular.
Foi sábio o presidente da Câmara, Ronaldo Cosmo Ferraz (PMDB), que na época em que as ações foram ajuizadas não estava em Xapuri, quando afirmou que mesmo que estivesse na cidade naquele momento não teria acompanhados seus colegas pelos motivos alegados, mas sim se fosse por alguma ofensa pessoal.
- Vinte anos de legislatura já me fizeram acostumado com elogios e críticas, afirmou o mais experiente dos atuais vereadores de Xapuri.
A vereadora Maria Luceni (PV) também não embarcou na malograda ideia.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Eden Mota no Papo Xapuriense
O Papo Xapuriense do blogueiro Maxsuel Maia entrevistou o ex-blogueiro Eden Mota. Sempre polêmico, ele reafirma as críticas feitas contra os vereadores que em razão delas lhe processaram e diz não ter esperanças de renovação na política xapuriense. Leia.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Vereadores x blogueiro
Ainda não foi realizada nenhuma das audiências de um total de 7 reclamações registradas no juizado especial da Vara Cível de Xapuri em que figura como parte reclamante quase a totalidade dos vereadores do município e como reclamado o ex-blogueiro Eden Barros Mota.
A razão da mobilização conjunta dos edis contra Barros Mota é uma só: a ‘carrada’ de críticas dirigidas contra os representantes da Câmara Municipal de Xapuri via weblog. “Parasitas” e “sugadores do dinheiro público” foram alguns dos elogios feitos pelo blogueiro.
Dos 9 vereadores xapurienses, apenas o presidente da Câmara, Ronaldo Ferraz (PMDB), e Maria Luceni (PV) não engrossam o caldeirão dos descontentes contra a série de cobranças via internet, que ganhou grande repercussão na cidade.
As audiências estavam previstas para acontecer no final do mês de julho, mas foram suspensas a pedido da parte reclamada. De acordo com a secretaria do Juizado Especial Cível, a nova data para tentativa de conciliação é 10 de outubro do corrente ano.
sábado, 6 de agosto de 2011
Xapuri vale uma boa briga
De tão acalorado, o debate sobre o universo xapuriense ganha novos contendores ao mesmo tempo em que ameaça perder outros. O desejo do blog é de que apenas cresça o número de vozes a utilizar este espaço como canal de discussão sobre as questões relacionadas a Xapuri, a “terra que um dia foi princesa e que hoje está mais para gata borralheira”, seguindo a tendência das críticas que têm costumeiramente recaído sobre os ombros da atual e de outras administrações.
Sobre as baixas, primeiro foi o escrivão da Polícia Federal Eden Mota, xapuriense que largou seu blog depois que os vereadores resolveram processá-lo pelas críticas ferrenhas que despejou contra a “casa do povo” e seus representantes. Alegou questões pessoais para guardar a pena, mas penso, aqui com meus botões, que a reação desproporcional dos edis contribuiu para que o ex-blogueiro resolvesse trocar a escrita do seu blog pela leitura de apostilas preparatórias para concursos públicos.
Agora quem ameaça abandonar o debate é o xapuriense Carlos Estevão, que apesar de viver fora de Xapuri há muito tempo, tem sido assíduo tanto nas visitas à sua terra de nascimento quanto nas discussões sobre as mais diversas questões levantadas aqui neste blog sobre o cotidiano da cidade.
Abespinhado com recente manifestação do assessor de Divulgação Social da prefeitura, Haroldo Sarkis, relacionada às críticas que têm sido direcionadas à administração “Todos por Xapuri”, Carlos afirmou que, doravante, se absterá de tecer comentários sobre a administração xapuriense atual, o que será, em minha opinião e com todo o meu respeito, uma decisão boba, com trejeito de birra de menino buchudo, pelas razões que exponho a seguir.
Num artigo brilhante, no qual viajou do poeta Castro Alves ao cineasta Glauber Rocha, Carlos Estevão se contrapôs às afirmações do assessor do prefeito, que havia tachado de “grosseiras”, “vulgares”, “irônicas” e “preconceituosas” as opiniões que os críticos estariam tentando “empurrar goela abaixo” da população contra a atual administração de Xapuri. Sentindo-se incluído na reprimenda do assessor, Carlos soltou o verbo e brindou o blog e seus leitores, sem dúvida nenhuma, com uma opinião franca, equilibrada e esclarecedora sobre a sua maneira de pensar e avaliar a atual realidade de Xapuri.
Vejam que o pronunciamento escrito do assessor Haroldo, independentemente de ser justo ou não, resultou na elevação à estratosfera do nível do debate até então proposto por aqueles que opinam pública ou anonimamente neste espaço. Sarkis rebateu as críticas feitas ao governo para o qual trabalha, e fez isso expondo números, enumerando ações e realizações da administração municipal. A despeito de ter empregado adjetivos deselegantes às opiniões desse ou daquele xapuriense, fez aquilo que há muito tempo não se via por parte de um assessor do prefeito Bira Vasconcelos: responder às críticas, prestar informações, apresentar dados, enfim, mostrar a cara para o povão que é mais representado por blogueiros inconvenientes e comentaristas ranzinzas e exigentes que mesmo por aqueles que detêm diploma do TRE.
Em contrapartida, o artigo de Carlos Estevão, longe de retribuir os predicados que considerou inadequados e nada polidos, admitiu que a atual administração de Xapuri tem méritos, acertos, arrumou a casa e desenvolve várias ações importantes. Ao mesmo tempo, afirmou que o que ocorre hoje no município é pouco para quem goza do suposto privilégio de contar com governos do mesmo partido nas esferas estadual e federal. E concluiu convidando os administradores de Xapuri ao sempre saudável exercício da autocrítica, oferecendo vários pontos passíveis de serem usados como “matéria-prima” para tal avaliação, ou seja, oferecendo sugestões onde foram colocadas as críticas que tantas vezes aborrecem e melindram.
Em tudo o que li e reli não vi razão nem motivo para que ninguém tire a camisa e abandone o campo de jogo. Isso, com todo o respeito que repito ter ao bom xapuriense, parece coisa de quem não sabe brincar, como dizíamos nos bons tempos, quando, numa das infalíveis peladas que todos nós invariavelmente jogamos, o dono da bola se aborrecia com uma entrada mais dura do adversário, colocava a pelota debaixo do braço e punha fim à brincadeira.
Do fantástico texto com que o xapuriense Sérgio Roberto, filho do saudoso João Mucuim e de Dona Nadir, brindou este blog, tomo emprestadas duas frases que se complementam e dão o exato tom daquilo que talvez mais precisamos apreender quanto à maneira de lidar com diferentes opiniões e expressões do pensamento. “Quando as vozes ecoam (…), entendamos que elas podem destoar de concepções sacras. As vozes são bem superiores às ‘verdades absolutas’ de alguns e tem uma enorme capacidade de ‘desconstruir’ e reinventar”.
Mais do que nunca é disso que Xapuri precisa. De compreender e não apenas ouvir as vozes que ecoam nos quatro cantos da cidade. Do debate, da discussão, dos contrapontos e até mesmo das altercações que geram mais discussão e mais debate que contribuem para estabelecer uma opinião mais elevada e mais abalizada sobre a realidade na qual Xapuri está mergulhada desde sempre. E para isso não podemos prescindir do talento de pessoas como o Carlos Estevão, da chatice do Eden, do maravilhoso “pitaco” que o Sérgio Roberto tascou logo abaixo e de outros tantos que se arriscam a expor pensamentos e a vender ideias assinando o nome embaixo. Os processos na justiça e as réplicas raivosas são apenas parte do processo.
No íntimo, acredito que o bom xapuriense Carlos Estevão Ferreira Castelo não abandona a contenda. Xapuri vale uma boa briga e pelo que conheço do filho do Estevão e de Dona Aurélia, ele dá uma boiada para não sair de uma.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
“A praça é do povo, como o céu é do condor”
Carlos Estevão Ferreira Castelo
O cinemanovista Glauber Rocha, comentando sobre sua espetacular obra “Terra em Transe”, certa vez escreveu que seu filme, lançado em 1967, tratava do que existe de grotesco, horroroso e pobre na América Latina. Afirmou, em livro, que a obra não apresentava personagens positivos, não era um filme de heróis perfeitos, que continha conflito, miséria, e a podridão do subdesenvolvimento. Neste filme, Glauber é bastante duro com a intelectualidade de esquerda, extremamente duro. Inclusive, essa parece ser uma das maiores mensagens que se pode apreender vendo “Terra em Transe”. Glauber Rocha foi duro com os intelectuais que transitavam e se aliavam com o empresariado, crítico com a intelectualidade que mantinha relações complicadas com políticos, etc. Relações essas que, na maioria das vezes implicavam (sempre implicarão), em claros prejuízos para a população.
Para muitos, Glauber era de esquerda e, mesmo assim, criticou duramente a esquerda em “Terra em Transe”. A película, mesmo trazendo em seu bojo a necessidade de mudanças sociais, de transformação da sociedade, na verdade é um convite à autocrítica. Então, influenciado pelo filme de Glauber Rocha, que revi recentemente, faço, nesse texto, um convite a Administração “Todos por Xapuri”: Companheiros, não seria o momento de fazer uma autocrítica?
Como o leitor pode perceber, iniciei o texto antecipando o seu final, como no filme de Glauber, onde o personagem principal morre nas primeiras cenas. Mas vamos aos fatos, e motivos, de um novo artigo sobre Xapuri, “a velha princesa que virou plebeia”.
Recentemente, motivado por um depoimento lido em um post do Blog do Altino, prestado por D. Carmem Veloso, postei um pequeno comentário. Achei que sua frase sintetizava, de forma espetacular, o imaginário de muitos xapurienses (de que “Xapuri estava uma merda”), mesmo não concordando com a frase. Comentário esse repercutido pelo competente jornalista xapuriense Raimari Cardoso, em seu Blog. Meu Deus. A partir de então a “coisa começou a feder”. Não “a merda”, mas as reflexões que apontei.
Xapurienses se manifestaram, alguns publicamente, outros não. Até ai tudo bem, esse era mesmo o objetivo. Minha caixa de mensagens lotou de e-mails não muito polidos. Então, atendendo solicitação de familiares resolvi que não mais escreveria sobre Xapuri, ou melhor, sobre nada que tivesse relação com a administração atual da cidade. Para não provocar ruídos desnecessários. Administração essa, diga-se de passagem, que me tornei apoiador de primeira hora.
Entretanto, quebro a promessa feita, com esse texto. Faço isso, motivado pelo artigo do Assessor de Divulgação Social da Prefeitura de Xapuri, Sr. Haroldo Sarkis. Em seu artigo, o assessor aponta que alguns (me senti incluído), “... a pretexto de defender a terra onde nasceram...” apresentaram “...opiniões grosseiras e irônicas”... utilizando “...expressões que, além de vulgares, são negativas e preconceituosas...” Claramente, o texto de Haroldo Sarkis é uma “resposta” a meus comentários e de outros. No meu caso, isso fica muito claro quando o autor utiliza a expressão “já teve”, exatamente um dos tópicos que apontei no post/comentário sobre D. Carmem.
Mas até ai tudo bem. Nada contra o assessor destacar “o lado” da Prefeitura. Afinal, ele está sendo pago para isso. Entretanto, as palavras “não foram bem colocadas”. Na medida em que eu e outros tantos xapurienses fomos tachados de grosseiros, irônicos, vulgares e preconceituosos. Por isso, é necessário um contraponto. Afinal, se a ditadura ainda sobrevive através de vários aspectos, resta a todos nós combatê-la.
Dessa forma, inicio historiando minha “relação” com a administração xapuriense do tempo presente, bem como os motivos que tive para escrever os comentários “polêmicos”. Em seguida, destaco alguns pontos dos argumentos de Haroldo, para, no final, como Glauber faz em “Terra em Transe”, retornar ao inicio, já antecipado. Ou seja, convidando “Todos por Xapuri” a uma reflexão critica. Para isso, utilizo algumas expectativas que tinha da administração, e que não vi realizadas.
Como Haroldo é sabedor, fui apoiador de primeira hora da Administração atual. Votei em Ubiracy Vasconcelos e, sendo assim, ajudei a colocá-lo na Prefeitura. Fiz isso por acreditar que era o melhor nome, naquele momento histórico, para Xapuri. Após a eleição, cheguei a colaborar diretamente com a administração, mesmo que rapidamente. A participação se deu a título de colaboração, em um Planejamento Estratégico realizado pelo Prefeito 100 dias após ter assumido o cargo. Fui além, me manifestei publicamente em 15 de maio de 2009, no post publicado no “Xapuri Agora” com o título “Sobre Xapuri”. No texto, dialoguei com comentários que “rolavam” na cidade relacionados com a “fraca equipe técnica montada pelo Prefeito”. Cheguei a afirmar: “...o que vi em Xapuri é um pessoal com grande capacidade de trabalho, muita humildade e vontade de querer aprender, e isso, para mim, é muito mais importante do que especialistas”.
Ainda em 2009, influenciado pelo bom xapuriense Rubinho, comecei a participar de alguns encontros com um grupo denominado “Filhos e Amigos de Xapuri”. Com o objetivo de planejar como poderíamos (os membros do grupo) colaborar com a gestão “Todos por Xapuri”, de forma voluntária, é claro. Entretanto, a ideia não andou. Para alguns, por falta de iniciativa do próprio Prefeito que viu no grupo “pretensões políticas”. Já para outros, a “coisa não andou” por problemas do próprio grupo (de agenda, de disponibilidade, etc.). Então, “esqueci” Xapuri e passei a me dedicar a outras metas. Como se fosse possível esquecer a velha princesa.
Em 2010, no final do ano, a UFAC me convoca para orientar os alunos de Economia de Xapuri. Estavam concluindo suas monografias e necessitavam de Professor orientador. Prontamente atendi ao pedido, mesmo sem condições objetivas. Aceitei somente porque eram alunos de minha terra. Vi ali uma maneira de contribuir com a cidade. Foi então que os temas dos trabalhos, as idas frequentes até a cidade para conversar com os alunos, a mania de perguntador e observador que costumo ter, etc., começaram a disparar elementos internos.
Imediatamente voltei a pensar no futuro da velha princesa, pensar sobre seus problemas, possíveis soluções, etc. Confesso que, até então, somente acompanhava, de longe, o que acontecia. Não de muito longe, acompanhava da Capital da “florestania”, Rio Branco. O meio principal era os blogs. Esse fato (de não está vivendo em Xapuri), para alguns, significa que eu não teria crédito para criticar a administração. Eu aceito o argumento, mas não concordo.
Já em 2011, em uma das visitas aos alunos, aproveitei para realizar entrevistas informais com populares para tentar “sentir melhor o clima”. Também para coletar informações preliminares para meu projeto de tese de doutoramento, que trata dos “Modos de vida de seringueiros de Xapuri em anos de florestania”. Ou seja, precisava “acertar as contas” sobre o que ouvia de minha terra, aqui na Capital. Tinha curiosidade de verificar, “de forma mais científica”, o que lia nos blogs, principalmente nas redações de Eden Mota. Então, como bom pesquisador, deixei os sujeitos sociais falarem. E eles falaram.
Foi com base nos depoimentos que coletei que escrevi os comentários citados no inicio (aqueles do post sobre D. Carmem). Na verdade, somente falei o que ouvi de xapurienses, sem criticar muito os depoimentos, confesso. Apenas reproduzi o consenso das falas. Para os estatísticos de plantão, informo que entrevistei 30 pessoas. Mas os adultos detestam ouvir coisas que não os agradam, principalmente adultos políticos com mandatos.
Como já assinalado, havia decidido não meter mais “minha mão naquela cumbuca”, mas, aos 45 do segundo, aparece o texto de Haroldo. O autor “entra rachando”, mostrando “as travas da chuteira”. Penso que foi infeliz. Poderia, simplesmente, mostrar as realizações da Prefeitura, como bem fez, mas decidiu “ser mais realista do que o rei”. Devo anotar que, no primeiro texto publicado pelo autor, feito em seu próprio blog, o “Xapuri em Destaque”, é possível verificar modificações no título e no conteúdo. Comparativamente ao texto do “Xapuri Agora”.
Bem, sobre o “já teve”, diria para Haroldo que foi o “sentimento” mais presente nos depoimentos colhidos em Xapuri. Portanto, foi a população que demonstrou, e não eu. Os depoentes apresentaram uma espécie de saudosismo, uma nostalgia de tempos passados, de coisas que hoje não existe mais. É bem possível que os depoimentos, por terem sido feitos por adultos com mais de 30 anos, tenham influenciado nesse consenso. Penso que os mais velhos, na maioria das vezes, costumam falar que bom mesmo era “nos seus tempos”. Principalmente quando o tempo presente não está “lá grandes coisas”.
Comigo é assim também. Futebol bom era o de 82, de Zico e cia, o do “meu tempo”, tempos verdes onde jogava pelada no campinho do Colégio Divina Providência sonhando ser o Renato Sá, do Botafogo. “Futebol mesmo tinha Xapuri na época de Ivonaldo, e seu Brasília...”. Com certeza, para Haroldo, o bom é o “seu tempo”. Isso é legitimo e natural. Entretanto, mesmo Haroldo não concordando com o sentimento do “já teve”, penso que se trata de uma valiosa pista, dada por populares, que poderia ser considerada como objeto de reflexão da administração atual. Mas é só o que eu penso. Quem disse que estou certo.
Outro ponto que gostaria de destacar foi uma afirmação sobre drogas e prostituição em Xapuri, de crianças. Nessa questão especifica, devo informar que se trata de afirmação. Afirmação que sustento onde for necessário. Dessa forma, não tem relação com os depoimentos que colhi. Eu presenciei. Ao “vivo e a cores”.
Os depoentes falaram do “já teve” com bastante intensidade, falaram ainda sobre a economia comercial – para muitos falida devido a ZOFRA Boliviana, e, também, sobre certa falta de iniciativa do Prefeito. Mas nada informaram sobre drogas e prostituição. Ia esquecendo, falaram também sobre os empregos gerados pelas “fábricas” (de piso e camisinhas). Nesse caso especifico (dos empregos), ponderei nos comentários que preferiria esperar pelos dados das monografias dos alunos de Economia. Portanto, penso que em momento algum fui preconceituoso, irônico, ou coisa parecida. Mesmo assim aceito, e respeito, a opinião do Assessor, mesmo sem concordar. Pergunto: o que vi na “balada xapuriense”, onde crianças se drogavam com drogas legais e ilegais, também não mereceria reflexão de “Todos por Xapuri”?
Acho que conheço a maioria das realizações da Prefeitura, as mesmas que lista o autor em seu texto. Como disse, desde o final de 2010 venho acompanhado, “mais de perto”, o que acontece em Xapuri. Isso devido minhas atividades como orientador dos alunos de Economia, como já apontei. Entretanto, afirmo: é muito pouco, companheiro. Muito pouco para uma administração do mesmo partido político do Governo Federal e do Estadual.
O sentimento que muitas vezes tenho, principalmente quando estou em Xapuri, é que “a cidade” está perdendo o “bonde da história”, que um cavalo selado está passando na porta e não estão conseguindo montá-lo. Mas posso está completamente errado. Sinceramente, torço para que Haroldo esteja certo. Não no palavreado que utilizou comigo e outros, mas na certeza do caminho.
Em outros pontos de seu texto, Haroldo fala de administrações anteriores. Concordo que “dizimaram” a cidade. Parar mim é bastante claro que os problemas maiores de Xapuri são explicados pelas desastrosas administrações anteriores. Foram péssimos, realmente. Mas o Candidato que virou Prefeito sabia disso. Sabia o que encontraria. Então, se topou o desafio...
Imagino as dificuldades que teve para “deixar a casa em ordem”. Pelo pouco que vi no planejamento estratégico, a coisa estava “mesmo complicada”. Mas acho que tiveram tempo suficiente. Tanto tiveram, que penso ser o maior mérito de “Bira” o fato de ter conseguido “arrumar a casa”.
Mas não posso deixar de falar que mais iniciativa faltou, e falta. Mais proatividade. Por exemplo: “Todos por Xapuri” deveria exigir, vou repetir, exigir do Governo do Estado tratamento diferenciado para a cidade. Talvez isso esteja no imaginário da população, daí a necessidade de uma reflexão crítica. Em certo momento escrevi no blog do Altino comentando um post: “os xapurienses deveriam cobrar royalties todas as vezes que o Governo do Estado utilizar, nas justificativas dos projetos de financiamentos, o nome da cidade de Xapuri, dos seringueiros de Xapuri, de Chico Mendes”. Penso que a “florestania” deve muito a cidade de Xapuri, principalmente ao povo xapuriense. Não deveriam retribuir com um pouco mais de intensidade?
Como eu vibraria se tivesse visto o Prefeito de Xapuri dentro das Secretarias Estaduais chateando os Secretários (alguns da Gestão Binho, eram/são xapurienses, da gema. O que eles fizeram por Xapuri? Não deveriam ser mais cobrados?). Como seria bom ter visto o Prefeito “batendo na mesa do Governador” (como respeito é claro), e exigindo dias melhores para os conterrâneos de Chico Mendes (como demorou para fecharem o buraco na rua em frente da casa de Chico).
Ter presenciado com mais intensidade o Prefeito viajando para Brasília, com bons projetos em baixo do braço, buscando investimentos em Ministérios e outras Organizações. Nesses locais é onde possivelmente se encontra dinheiro para realizar “as coisas”, inclusive dinheiro a “fundo perdido”. E a cobrança sistemática a Deputados e Senadores, foi realizada?
Tem dias que fico a pensar sobre quantas vezes representantes da administração xapuriense foram até a sede da SUFRAMA, buscando viabilizar investimentos? Quantas vezes conversaram com o Banco da Amazônia e CEF? Eles (Bancos) gostam de financiar, também a fundo perdido, projetos culturais e de pesquisas. Mas só quanto provocados.
Quantas vezes técnicos da Prefeitura de Xapuri participaram do Plano Plurianual do SEBRAE? organização que tem tanto dinheiro que muitas vezes nem sabe onde gastar. Quantos projetos de Xapuri estão em carteira do BNDES? Organização que chegou a colocar um escritório dentro da SEPLAN/AC para atender o setor público acreano. Quantos convênios foram feitos com a EMBRAPA? Ou mesmo com a UFAC? Em todas as organizações citadas, era, e é possível, ainda, encontrar xapurienses que, com certeza, estariam dispostos a colaborar. Mas repito, somente quando provocados. Sem querer comparar Xapuri “perante outros municípios acreanos" (mas já comparando), a Prefeita de Brasiléia teve ação diferenciada.
Bem, são alguns pontos que poderiam servir como matéria-prima para a autocrítica sugerida.
Penso que a administração xapuriense optou pelo caminho do “gerencialismo capenga”, quando, na minha visão, poderia adotar uma gestão mais social. Cheguei a sugerir isso, em artigo. Na época exagerei, propondo “uma gestão societal radical”. Inclusive, a palavra radical gerou criticas. Criticas boas, do bom Dr. Eduardo, vizinho aqui na capital e velho concorrente nas partidas de ping-pong de Xapuri de meus verdes anos. Penso que diferentemente da falácia do gerencialismo, que transforma cidadão em cliente, uma gestão verdadeiramente participativa, com envolvimento total da população, poderia ter sido uma alternativa interessante e inovadora. Mas, de novo, posso está totalmente equivocado.
Acho que ainda “é tempo”. Não sou negativista como insinua Haroldo. Por isso sugiro uma reflexão critica sobre o que está acontecendo. Reflexão sobre o porquê de tantos comentários que desagradam; sobre o que está por trás da reportagem que a TV Gazeta fez recentemente, etc. Reflexão feita, poderia contribuir para melhores resultados, em um próximo mandato da administração “Todos por Xapuri”. Digo mais resultados, pois penso que a administração atual possui muitos méritos. E o principal é ter colocado as “coisas em ordem”. De minha parte, estarei sempre disposto.
Finalizo dizendo que estou parando por aqui com comentários sobre a administração xapuriense atual. Simplesmente por ter mais o que fazer na vida. Entretanto, volto a afirmar: diante dos nomes que se apresentam até então, não tenho a mínima dúvida que votaria, de novo, em “Bira” para Prefeito.
Um abraço a todos.
Carlos Estevão Ferreira Castelo é xapuriense.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
“Estou indignado”
Eden Mota
Li, nos blogs de Xapuri e Rio Branco, alguns comentários com críticas a atual situação de Xapuri. A maioria dos xapurienses, certamente, não concorda com as críticas feitas nos diversos meios de comunicação. Os que criticam, um dia entenderão a missão difícil que é administrar um município.
Mas, senhores administradores, não deem importância às críticas. Elas são feitas por uma gente estranha, que confunde utopia com projeto. Gente que imaginou que os critérios poderiam ser melhor discutidos. Os blogueiros e jornalistas não podem, realmente, opinar sobre um assunto que não interessa a eles, tampouco têm conhecimento.
Mais ainda: comentar que Xapuri passa por uma séria crise é pura maldade dessa gente. Está na cara que Xapuri vem em um elevado crescimento econômico e social. Está na cara de todos, basta visitar. Só não vê quem não quer. Como podem criticar algo tão injustamente? Mas os críticos são mesmos terríveis. Ninguém entende como eles podem defender tal absurdo.
Sei que os administradores de Xapuri não precisam de conselhos, mas vou cometer a ousadia. Mantenham suas ideias - a realidade é que precisa ser modificada. Um dia os críticos entenderão que a administração atual tinha razão, a tal da realidade é que teimava em dizer o contrário - fato anteceder norma é mero detalhe.
Concluindo. Não fiquem aborrecidos comigo. Certamente vão querer me intrigar com os administradores de Xapuri. Não vão conseguir. Acreditem, vibro com o trabalho dos senhores frente à nossa “Capital Mundial da Ecologia”, como costumo dizer. Sei que corro um risco enorme de ser mal interpretado, espero que não pensem em me processar como fizeram os vereadores de Xapuri. Se isso acontecer, vou me socorrer dos direitos humanos, mas sem usar a Declaração Universal da ONU. Prefiro os Estatutos do poeta Thiago de Mello, que no artigo quinto, diz:
“Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura das palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo, porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa”.
Fico por aqui, um abraço afetuoso de um admirador da administração municipal.
Éden Mota, cidadão brasileiro, xapuriense de coração, flamenguista, com os direitos políticos em dia.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Mensagem
Eden Mota
Amigos xapurienses,
Oficialmente, ainda não tomei conhecimento de nenhuma ação judicial movida contra a minha pessoa ajuizada por Vereadores de Xapuri. Deixo claro a todos que estou muito tranquilo para responder qualquer ação, mesmo porque tenho plena certeza que seremos vitoriosos perante o Judiciário.
Tenho tanta convicção, que não aceitarei qualquer conciliação, no entanto, ao final iremos requerer a condenação dos mesmos na sucumbência. O problema é que eles querem impedir as pessoas de tecerem críticas contra suas formas de atuarem perante o Legislativo Municipal. Xapuri inteira sabe que nossos Vereadores não correspondem aos anseios da população para o cargo que foram eleitos.
A seguir, transcrevo posicionamento do STF acerca dos agentes políticos.
Clique nas imagens para ampliá-las.
Um abraço a todos.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Eden Mota
O ex-blogueiro Eden Mota voltou à pena para explicar aos leitores que sua decisão de findar com o Xapuri Urgente não foi motivada por nenhum tipo de “constrangimento”.
Eden explicou que está se preparando para fazer alguns concursos públicos e, por isso, não teria tempo para se dedicar ao blog.
Diz que estudará por um ano e que depois voltará a comentar a “falta de cuidados” que os homens públicos têm com Xapuri.
A propósito, fui informado hoje que no próximo dia 28 de julho ocorrerão audiências relativas a ações individuais que vários vereadores moveram contra Eden Mota.
Os vereadores pretendem também convocar o ex-blogueiro à câmara para explicar o que ele quis dizer com os termos “parasitas” e “sugadores do dinheiro público”, direcionados aos representantes do legislativo de Xapuri através do extinto blog.
Sem entrar no mérito da pendenga entre Eden e os vereadores, fico aliviado em saber que o fim do Xapuri Urgente não decorre de qualquer pressão relacionada à repercussão que seus comentários alcançaram.
Críticas, desde que responsáveis e desprovidas de qualquer má intenção, são sempre necessárias, tanto para quem sabe lidar com elas quanto para os que são acostumados a ouvir apenas o que lhes convêm.
É necessário também que as respostas às críticas não se deem apenas no âmbito judicial ou no reservado das esquinas. O bom debate, franco e aberto, é boa maneira de manter informado aquele que tem todo interesse no assunto: o povão.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
O fim do Xapuri Urgente
Faltou ao blogueiro Eden Mota explicar as razões que o levaram a encerrar as atualizações do seu Xapuri Urgente. Eden comunicou o fim do blog em postagem feita neste domingo com o título de Despedida.
O blogueiro criou boas polêmicas em Xapuri ao desencadear uma onde de críticas contra os poderes executivo e legislativo de Xapuri. Dias atrás, ele afirmou ter recebido informações de que vereadores preparavam uma ação judicial contra ele.
Alguns vereadores, com quem toquei no assunto, não confirmaram existir qualquer ação na justiça contra Eden Mota, mas deixaram claro o desconforto com as críticas que teriam, segundo esses, evidente interesse ou objetivo eleitoreiro.
Seja qual for a razão que tenha colocado fim ao blog do Eden, espero que esta seja de ordem pessoal ou profissional. Altercações e controvérsias, desde que tenham como objetivo bem informar a população, sempre serão válidas e pertinentes.
De qualquer maneira, o Xapuri Agora se põe à disposição do agora ex-blogueiro, caso queira utilizar esse espaço para falar sobre sua decisão. No mais, resta dizer ao caro Eden que, independentemente de concordar ou não com suas opiniões, sentirei falta de suas postagens.

