terça-feira, 8 de setembro de 2009

Portal da polêmica



O polêmico portal construído pelo ex-prefeito Wanderley Viana continua dando o que falar. O representantante do Ministério Público na cidade, Mariano Jeorge de Souza Melo, pediu informações ao prefeito Ubiracy Vasconcelos sobre o futuro do "pórtico", que teve suas estruturas abaladas pelo choque de uma carreta que transportava equipamentos da desativada usina da empresa Guascor do Brasil em Xapuri.

Familiares de Augusto Castelo Branco de Figueiredo, que empresta nome ao portal são, naturalmente, contra a demolição recomendada pelo engenheiro Tadeu Ferreira Castelo, que fez vistoria no local após o acidente. O engenheiro considerou em seu laudo que, pela extensão dos danos, que a recuperação da obra ficará muito cara para o município, recomendando a total demolição da estrutura, objetivando o "binômio segurança-economia".

Adelaide Eluan, filha primogenita do homenageado, que mora em Belém a 42 anos, esposa de Elízio Jorge Eluan, levanta suspeitas sobre o acidente com o portal. "Terá sido proposital para forçar ou justificar a demolição?! Em política tudo pode". A pergunta, com afirmativo, só poderá ser respondida pelo prefeito Bira Vasconcelos e pelo motorista da tal carreta que abalroou o portal.

A verdade é que, conforme comunicação feita pelo prefeito ao Promotor de Justiça Mariano Jeorge, uma nova vistoria no portal foi solicitada, desta vez ao CREA - Conselho Regional de Engenharia do Acre -, para confirmar ou não o resultado da primeira. Caso o CREA confirme a inviabilidade da recuperação da polêmica obra do ex-prefeito Wanderley Viana, o portal deverá mesmo ir ao chão.

Incra dará contrapartida em casas de farinha

Recursos foram conseguidos por Tião Viana junto à direção nacional do órgão

O senador Tião Viana conseguiu aprovar junto à direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) recursos da ordem de R$ 1,2 milhão, que serão usados como contrapartida para a continuidade da construção das 102 casas de farinhas previstas para serem instaladas no estado até o início do próximo ano.

Obtidos junto ao presidente do Incra, Rolf Rockbart, os recursos da contrapartida vão agilizar sobremaneira a construção das casas de farinha idealizadas pelo senador Tião Viana para gerar muita renda e muitos empregos no meio rural do estado. As prefeituras, com muitos compromissos, ficarão dispensadas de oferecer contrapartida para a construção das casas de farinhas dos produtores.

No último sábado, o senador inaugurou a 31ª fábrica de farinha, desta vez na colônia da Dona Cecília, no Projeto Caquetá, em Porto Acre, com a participação do governo do estado, da prefeitura do município e da Fundação Banco do Brasil, que vem financiando o projeto de 102 casas de farinha a um custo de R$ 2,4 milhões.

Cada uma das casas de farinha terá capacidade para produzir até 400 quilos por dia, gerando 40 empregos, somando o plantio com a produção de farinha. Isso significa que as 102 casas de farinha previstas para o início do próximo ano vão gerar mais de quatro mil empregos em todo o estado.

“Quando a gente completar as 102, no início do próximo ano, vamos entrar, imediatamente, com um pedido para fazer um número bem maior. Agora, que já temos a experiência, que já sabemos como fazer, podemos sonhar em fazer até mil casas dessas em todo o estado”, disse o senador Tião Viana (PT-AC).

Os recursos são doados pela Fundação Banco do Brasil (FBB) e as edificações, além dos recursos, contam com a parceria do governo do estado, das prefeituras municipais, das comunidades e de assessoria técnica de instituições como a Embrapa e o Sebrae.

“É um projeto feito a muitas mãos, que conta com a solidariedade do Banco do Brasil. É em nome dessa solidariedade que recorremos à direção do Incra para que libere os recursos para servirem de contrapartida para que novas casas sejam feitas com maior celeridade”, assinalou o senador.

Romerito Aquino – Assessoria de Imprensa do senador Tião Viana – (61) – 3303-2367.

domingo, 6 de setembro de 2009

"Todo mundo vende"

Receita e Polícia Federal visitaram neste final de semana alguns dos donos de festas noturnas de Xapuri habituados a vender cerveja contrabandeada de Cobija. A ação aconteceu no sábado pela manhã e chamou a atenção das pessoas que circulavam pelo centro da cidade naquele momento. Um dos locais onde houve apreensão de cerveja foi o "Bar do Roldão", que fica localizado entre duas casas de festas do mesmo proprietário, o policial militar Roldão Lucas da Cruz.

Segundo o próprio militar, foram apreendidas 150 "caixas" de cerveja boliviana em seu estabelecimento. Segundo ele, a comercialização de bebida oriunda da capital do departamento de Pando é comum em Xapuri. "Todo mundo vende". E desdenha da lei: "Isso não dá nada, nem processo dá". Será? É o que constatarei logo mais com a Delegacia da Receita Federal de Epitaciolândia, onde buscarei mais informações sobre a apreensão.

Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores

O estado do Acre realizará em outubro o II Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores, em parceria com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, segundo a Agência de Notícias do Acre. O campeonato será nos dias 17 e 18 de outubro e podem participar arboristas, coletores de sementes, epífitas e bromélias e orquídeas, praticantes de rapel, pesquisadores da flora e fauna do dossel e pessoas que trabalham com a escalada como técnica de acesso a árvores de grande porte.

Os participantes devem levar seus equipamentos de segurança: capacete, óculos de proteção, corda de segurança, mosquetões de no mínimo duas seguranças, sistema autoblocante e cinto específico de arborista.

No dia 17 será feita a etapa de seleção e os participantes farão escaladas em três modalidades: Footlock, técnica de escalada que utiliza corda e travamento de pés para a ascensão; o Resgate em Altura, que mostra a habilidade do competidor em resgatar um trabalhador de árvore ferido, utilizando todas as técnicas de segurança; e o Deslocamento em Copa, onde é feita a locomoção e caminhada pelos galhos das árvores.

A etapa final terá os concorrentes que cumprirem as normas corretas de escalada, sem danos à árvore, no menor tempo.

Os finalistas irão executar apenas o deslocamento na copa de árvore, seguindo os mesmos critérios de avaliação.

Os inscritos visitarão a Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, e ficarão hospedados na Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira, onde terão a oportunidade de escalar imensas árvores amazônicas como a Samaúma e Castanheira, entre outras espécie que chegam a medir até 50 metros de altura.

Fonte: O Globo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Dia da Amazônia


Com uma riqueza natural sem proporção, a Amazônia preserva uma história de milhões de anos. Ainda assim, detalhes sobre quem viveu nessa área, o que comiam e o que faziam os ancestrais do atual povo amazônico até chegarmos aos dias atuais não são fatos totalmente conhecidos. Neste sábado, 5 de setembro, está sendo comemorado o dia da Amazônia, a maior floresta do mundo, que abrange os estados Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia, Amazonas, Tocantins, Maranhão e parte do Mato Grosso. Parte dela se estende em terras da Venezuela, Guianas, Suriname, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. No total, a área da floresta corresponde a dois quintos da América do Sul.
O Amazonas, maior estado do país em termos territoriais, ainda guarda segredos nunca antes estudados. Em Eirunepé, no sul do estado, por exemplo, fósseis de animais gigantes, que viveram há milhares de anos na região, viraram enfeites exóticos em casas de ribeirinhos e de comunitários. Possivelmente, a falta de pesquisas e de orientações sobre o que essas peças representam, deixaram muitos desses objetos sem a devida importância histórica.
Entre os megafósseis encontrados no Amazonas, estão os do Toxodon - um gigante herbívoro, similar ao atual hipopótamo-, e os do crocodilo Purussaurus - que segundo cientistas, podia chegar a 18 metros de comprimento. A responsável pelo laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Amazonas, Rosemery Silveira, explicou que é considerado fóssil todo e qualquer vestígio de ser vivo preservado em rocha, ou seja, petrificado, e com idade superior a 11 mil anos.
- Ainda falta entender melhor como esses grupos de vertebrados evoluíram na América do Sul e por isso as pesquisas no campo da paleontologia são fundamentais - destacou.
Outras pesquisas revelam que a maior riqueza de fósseis no Amazonas está na área do Rio Juruá. Essas águas seguem justamente até o estado vizinho do Acre, onde já foram identificados mais de 200 geoglifos - sítios arqueológicos construídos há pelo menos 2 mil anos.
Em julho passado, os pesquisadores Alceu Ranzi e Denise Schaan anunciaram a identificação de vinte novos geoglifos no Vale do Acre, elevando para 250 o número de estrutura catalogadas em Senador Guiomard, Rio Branco, Xapuri, Plácido de Castro, Acrelândia e Epitaciolândia.
Um geoglifo é uma marca na terra que, por suas dimensões, só é percebida se vista do alto. O desenho impresso no solo mede de 100 a 300 metros de diâmetro. Essas estruturas de terra se apresentam em formato de círculos, retângulos e outros.
Os geoglifos já fazem parte de uma lista do Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - o Iphan - que recomenda à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o tombamento dessas estruturas. Assim como as pirâmides do Egito e as ruínas de Machu Picchu, no Peru, os geoglifos do Acre poderão se tornar patrimônio cultural da humanidade. Para a arqueóloga do Museu da Amazônia Helena Lima, as curiosidades aqui citadas são apenas alguns exemplos de que a Amazônia concentra muitas informações que precisam ser melhor divulgadas.
- Precisamos descobrir, estudar e pesquisar muitas coisas, mas o mais importante é divulgar esse conhecimento. Tudo isso precisa chegar nas escolas e nas comunidades para que se possa de fato aprender as lições que essa história tem para nos ensinar - resumiu.
Parte da história da ocupação da Amazônia também passa pela África, como comprova pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pernambuco. O estudo descobriu que uma das colônias africanas mais ricas, criada pelos portugueses - a vila de Mazagão, no Marrocos - foi transferida para a Amazônia. Isso aconteceu por ordem do rei de Portugal, no século 18, para pôr fim às constantes invasões e saques que a vila de Mazagão sofria de outros povos interessados na riqueza desses marroquinos.
A escolha pela Amazônia foi uma estratégia e aliou a necessidade de impedir os conflitos constantes com o desejo da Coroa portuguesa de garantir a posse e o domínio da Amazônia brasileira. Depois de um tempo de pesquisa, a localização de restos da primitiva igreja e vestígios de outras unidades funcionais comprovaram a existência da Vila de Mazagão Velho exatamente onde hoje está o estado do Amapá.
Estudar a história da Amazônia poderá contribuir, por exemplo, para entender melhor como se processaram as mudanças climáticas na região, a contar do período pré-histórico até os dias atuais. Além disso, o país pode descobrir se a floresta sempre foi detentora da vasta riqueza biológica tão cobiçada atualmente.
Fonte: Agência Brasil.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

“Binho candidato ao Senado seria uma bênção.”

Nayanne Santana

Ex-ministra do Meio Ambiente e senadora pelo Acre, Marina Silva concedeu entrevista coletiva aos jornalistas do Estado. Acompanhada da presidente do PV no Acre, Shirley Torres, e do médico Júlio Eduardo, o Julinho, que também faz parte da direção do partido, a ex-ministra acriana falou sobre sua saída do PT e sua filiação ao Partido Verde.
Marina também falou sobre a necessidade urgente que há dos países, empresas e agremiações devem discutir e implementar políticas ligadas ao desenvolvimento sustentável e, por fim, declarou que o candidato de sua preferência ao senado seria o governador Binho Marques (PT).

Filiação no PV

“A executiva nacional já havia pedido ao Dr. Julinho que me fizesse o pedido para ir para o Partido Verde, mas ele sempre me respeitou. O PV organizou uma reunião há uns dois meses e eu me dispus a ouvi-los. Foi uma conversa de quatro horas, em que eu mais ouvi do que falei. Eles trouxeram uma pesquisa, foi uma pesquisa feita por telefone, e eu disse que eu não ia me ater a pesquisas e que não ia doutrinar a minha decisão, a priori, a candidatura até porque se eu tivesse entrado no PT para ser candidata eu nunca teria sido candidata. Se tivesse que ter sido candidata por causa de pesquisas, nunca teria sido”, declarou. A senadora explicou que segue para o PV porque é um partido que está disposto a partir para o debate sobre a sustentabilidade de forma voluntária.

Saída do PT

“Nos últimos quatro ou oito anos, aprendi a não ter mais essa ilusão de que o PT seria um partido perfeito. O PT é um partido que tem problemas e que uma minoria cometeu erros e que uma grande maioria são pessoas de bem que dá contribuição para este país, inclusive o presidente Lula.

Discutir o desenvolvimento sustentável fora do PT

“Marina disse que muita gente chegou a questioná-la sobre os motivos pelo quais ela não entrava nesse embate de discutir o desenvolvimento sustentável dentro do PT. “Eu cheguei à conclusão que não se tratava de fazer um embate para ter que convencer o PT, mas que se tratava de promover um encontro com aqueles que estão se dispondo a colocar essa questão como prioridade. Tendo a clareza de que nem um partido vai hegemonizar esse tem. Esse tema deve está em todos os partidos.

Decisão difícil

Não foi uma decisão fácil, foi difícil. Eu não tenho uma postura de desconstruir tudo o que construímos juntos e tenho dito que não se trata de negar os frutos no celeiro das coisas que plantamos e que colhemos. Trata-se tão somente de jogar a semente em uma outra seara e é isso que eu estou me dispondo a fazer. Eu funciono muito com metáforas. Eu tive que fazer uma metáfora para que esse processo seja menos doloroso quando eu penso no Binho, no Jorge, na Júlia, no Lhé. O fato de você sair ara construir outra casa não significa romper com aquele povo que você morou durante tanto tempo na casa. Significa que você está agora numa outra rua, num outro bairro, numa outra vizinhança, mas a gente continua juntos. A nossa casa nunca foi tão comum, porque é essa casa chamada planeta”.

Candidatura

“Não sou, a priori, candidata. Eu disse isso para o PV. Eu estou em processo de transição para uma filiação, que está sendo construída para o dia 30 com a direção do PV. Sei dos desafios, sei das dificuldades e a decisão de candidatura é em 2010.

Agradecimentos

“Me sinto honrada em ter sido convidada como candidata prioritária do Partido Verde e me sinto honrada também pelas manifestações de respeito que o Brasil tem enviado, particularmente o apoio que o povo do Acre tem dado a mim, a própria Frente Popular”.

Nascente de água boa

Marina disse que o Acre embora seja um Estado pequeno parece uma nascente de água boa porque daqui saiu uma ministra e quase foram dois ministros. Também saiu um candidato à presidência do Senado. “Eu vejo essa água boa brotando não só da Frente Popular. Brotando do coração de todos os homens e mulheres”.

Chico Mendes

Ao falar sobre o companheiro de embates, que tanto a ensinou sobre o amor que ela tem pela Amazônia, Marina se emocionou e dirigiu seu pronunciamento a filha do líder seringueiro, Elenira Mendes. “Talvez, Deus, de alguma forma, me faz agora fazer esse gesto, também, para que eu possa devolver para a filha do Chico Mendes aquilo que ele me deu. O teu pai foi um professor [disse Marina a Elenira]. Ele me ensinou muitas coisas e quem sabe agora eu não tenho a oportunidade de nos meus 51 anos também te ensinar, porque tu és herdeira deste nome, dessa trajetória e o Acre, ainda vai se orgulhar muito de você que tem agora 25 anos”.

Dilma

“A ministra Dilma tem a visão dela, as posições dela, ocupa uma função. Eu tenho as minhas opiniões e visões. Eu não vou me colocar no lugar de vítima. Acredito o que defendo e defendo o que acredito e, a ministra defende o que ela acredita. Os brasileiros é que têm que fazer o julgamento do que é melhor para o Brasil”.

Apoio a FPA

“Sendo ou não candidata à Presidência, eu vou apoiar a Frente Popular no Acre”.

Binho senador

“Eu tenho que falar com muito cuidado, porque o Binho ficou chateado comigo na época da eleição para o governo do Estado porque o Tião não poderia ser candidato, o Jorge não poderia e eu que teria que ser a candidata, eu estava no ministério e achava que deveria continuar ajudando o governo com as políticas estruturantes e o Binho deveria ser o candidato e o Binho resistia. Graças a Deus ele foi candidato e está fazendo um excelente governo. E agora eu preciso ser muito cuidadosa porque eu não quero perder o amigo. Obviamente que se o Binho for candidato ao Senado pra mim seria uma benção e eu vou votar nele e fazer campanha pra ele”.

Fonte: A Tribuna.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Folha diz que Tião omitiu patrimônio

Reportagem de Elvira Lobato, publicada nesta segunda-feira pela Folha de São Paulo, informa que o senador Tião Viana, que disputou com José Sarney a presidência do Senado, em 2008, ocultou patrimônio da Justiça Eleitoral, (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL).

Conforme a reportagem, em sua campanha para senador, em 2006, Viana não declarou um terreno que comprara dois anos antes no melhor condomínio residencial de Rio Branco, cujo valor foi registrado em R$ 30 mil; e no qual construiu uma casa, concluída em maio de 2007, que foi avaliada, pela prefeitura, em R$ 600 mil.

A assessoria do senador Tião Viana alegou que o terreno não foi declarado à Justiça Eleitoral porque pertencia à mulher dele, Marlúcia Cândida Viana. Mas, como o senador é casado em regime de comunhão total de bens, o imóvel pertence aos dois, segundo tributaristas ouvidos pela Folha.

sábado, 22 de agosto de 2009

Um Dia no Seringal

Golby Pullig, Agência de Notícias do Acre

Medidas socioambientais desenvolvidas pelo Governo do Estado para melhorar a economia e a qualidade de vida da população do Acre é tema de reportagem de capa da revista Razão Social, encarte do jornal O Globo. A repórter Camila Nóbrega viajou ao Estado a convite do Ministério do Turismo e Braztoa e descreve um dia na vida do seringueiro Nilson Mendes, morador do Seringal Cachoeira, em Xapuri e os efeitos da retomada da extração do látex para a fabricação de preservativos utilizando matéria-prima dos seringais nativos da região.

A reportagem Um Dia no Seringal - Lucro com a floresta em pé destaca a iniciativa e os investimentos do Governo do Estado com apoio do governo federal estimular a recuperação da atividade e colocar em funcionamento a Natex, fábrica de preservativos de Xapuri, aplicando investimentos na ordem de R$ 30 milhões, oferecendo cursos de formação para os trabalhadores da empresa e completando com subsídios o valor pago ao litro do látex.

O turismo ecológico desenvolvido no município e a gestão compartilhada entre moradores e Governo do Estado na administração do Seringal Cachoeira também é questão abordada pela revista ao enfatizar aspectos da cultura acreana e as possibilidades de crescimento da economia local com a valorização e manutenção da floresta. Um vídeo sobre a coleta do látex foi produzido no local, que utiliza ainda o depoimento de Nilson Mendes, seringueiro primo de Chico Mendes.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Caex: bons negócios à vista



Depois de quase ter ido à falência, como resultado de más administrações que passaram pela entidade, a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri - produto das ideias do líder sindical Chico Mendes - anuncia que vai retomar as vendas de castanha já a partir deste mês de agosto. Luís Íris de Carvalho, o atual presidente (foto), afirma que as perspectivas de negócios são muito boas, principalmente depois da participação na Expoacre desse ano. Em julho, a Caex já havia recebido a visita do empresário italiano Pino Calcagni, da Empresa Besana, uma das maiores processadoras de alimentos da Europa e grande importadora do produto acreano.

Entusiasmo verde

Lideranças do Partido Verde em Xapuri estão mais eufóricas do que nunca com a possível filiação da senadora Marina Silva à sigla. O entusiasmo dos verdes, porém, não é fato recente na terra do líder sindical Chico Mendes que, segundo já assegurou a viúva Ilzamar, se estivesse vivo não estaria hoje no PT e sim no PV. Desde a campanha eleitoral passada, quando chegou a anunciar a pré-candidatura - posteriormente abortada - de Elenira Mendes para a prefeitura de Xapuri, o PV anseia alçar voo solo, após ter abandonado a aliança com O PT no âmbito municipal.

Antes disso, o PV já havia se fortalecido com a chegada de algumas conhecidas lideranças políticas saídas do antigo aliado, como a sindicalista Dercy Teles de Carvalho Cunha, o atual presidente do diretório municipal do partido, Auricélio Azevedo, e o líder comunitário João Jorge Cosmo da Silva e sua esposa, Maria Luceni, que se elegeu vereadora na eleição passada. Elenira chegou em seguida, depois de não ter conseguido o esperado espaço que acreditava naturalmente possuir no PT em virtude do legado do pai, Chico Mendes.

Segundo Elenira, que é Secretária de Meio Ambiente na administração do prefeito (petista) Bira Vasconcelos, outros militantes do PT devem seguir o caminho da senadora, entre elas a própria Ilzamar, que com a saída de Marina, deve trocar a militância petista pelo PV, que já anunciou que pretende organizar um grande ato de filiação para o próximo dia 5 de setembro, aqui em Xapuri.
"A saída da Marina do PT é um momento novo na política brasileira. Estamos de braços abertos", comemora Elenira Mendes.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Blog do Noblat:

Jorge Viana: candidatura de Marina não causará barulho

A saída da senadora Marina Silva do PT para uma provável candidatura à presidência da República pelo PV provocou um rebuliço no quadro político do Acre. Para o ex-governador Jorge Viana (PT), principal líder político no estado, o burburinho não resultará em prejuízos à campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula. Viana disse que Marina tem expressão política nacional, mas que o Acre, base da ex-ministra, é um colégio eleitoral pequeno e não influenciará a sucessão presidencial.

Por outro lado, o PV local sonha alto: espera Marina e outros militantes históricos do PT que estariam descontentes com a crescente aproximação de Lula com adversários antigos como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o senador Fernando Collor (PTB-AL).

- Não menosprezamos a importância da candidatura da Marina. Mas ela não terá estrago nenhum (na candidatura da ministra Dilma) - disse Viana.

O ex-governador disse ainda que, por temperamento e estilo, Marina não faria uma campanha contra um candidato de Lula. Mais do que alcançar a presidência, o projeto de Marina seria lançar uma nova proposta de desenvolvimento sustentável, não contemplada nos programas do PT ou do PSDB, segundo ela. Mas o PV e outros partidos locais têm outra expectativa.

Leia mais em: Jorge Viana: provável candidatura de Marina Silva não causará estrago para Dilma

Mais um dia de vexame sinistro para o PT

Vinicius Torres Freire

O senador Flávio Arns (PT-PR) diz que, se a Justiça der sinal verde, sai do partido, dado o vexame de ontem, de cumplicidade no livramento de Sarney ("tenho vergonha de estar no PT").

A senadora Marina Silva (PT-AC) anunciou justamente ontem que sai do PT.

Goste-se ou não do que pensam, os dois não dançam em quadrilhas nem marcham em tropas de choque do cangaço político, de que somos reféns. Com a cobertura de Lula, fomos sequestrados pelos patronos da miséria e da opressão nos Estados mais desgraçados do Brasil.

Foi um dia de vexame sinistro para o PT, para o petismo-lulismo, para o governo Lula e para Lula. Foi um dia de crime de consciência. Crime a mando de Lula, que fez os senadores do PT votarem por Sarney. Senadores que, por sua vez, aceitaram a tese da "obediência devida", de história também sinistra.

Parêntese: tudo isso ocorre um dia depois de Lula colocar no mesmo saco a história de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e Fernando Collor. A mixórdia sinistra que Lula faz da história do país equivale à mixórdia que promove na política partidária.

Aloizio Mercadante (PT-SP), com cara de coveiro em tempo de epidemia, tentou limpar sua barra. Colocou à disposição o cargo de líder da bancada. Mas vai tentar a reeleição vestido com a mortalha do bloco do Sarney e Renan Calheiros. Assim como Ideli Salvatti (PT-SC), Delcídio Amaral (PT-MS) e João Pedro (PT-AM), da milícia de Sarney, que votaram por Sarney no Conselho de Ética. Salvatti, ressalte-se, fez parte da milícia que resgatou Calheiros da lata de lixo da história. Se Mercadante quiser começar a limpar a sua ficha, terá também de sair do PT.

E o mal que o PT fez à ideia de esquerda no Brasil vai durar gerações. Se não é uma peste terminal.

Vinicius Torres Freire é colunista da Folha de São Paulo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Filiação de Marina ao PV pode ocorrer em Xapuri

De Rutemberg Crispim, de agazeta.net:

"A senadora Marina Silva, que na manhã desta quarta-feira, 19, anunciou sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT), pode se filiar ao Partido Verde (PV), no dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, em Xapuri. Não houve ainda nenhum contato da direção regional do PV com a senadora, mas os dirigentes do partido afirmam que trabalham para o ato de filiação ser realizado nessa data.

De acordo com a presidente regional do PV no Acre, Shirlei Torres, a notícia da saída de Marina Silva do PT foi recebida com alegria por todos os membros do partido. Ela garantiu que uma grande festa será preparada para receber a senadora.

"Nós estávamos apenas aguardando a confirmação para comemorar. Não chegamos nem a conversar com a senadora quando ela esteve em Rio Branco, pois essa era uma questão da direção nacional. Mas agora vamos preparar uma grande festa para acolher Marina Silva. Nossa vontade é que essa filiação aconteça no dia 5 de setembro, em Xapuri", comemorou.

Shirlei Torres lembrou que outras lideranças acreanas podem se filiar ao PV juntamente com Marina Silva, no Dia da Amazônia, data escolhida pelo partido para que sejam feitas novas filiações.

Para a presidente do PV a chegada de Marina ao partido tem um significado especial, principalmente pela luta em defesa do meio ambiente. "O PV é o lugar certo para a senadora Marina Silva. Temos como prioridade em nosso partido a defesa da natureza e o desenvolvimento sustentável", destacou.

Na noite desta terça-feira, 18, a direção nacional do PV esteve reunida para definir algumas mudanças no estatuto do partido, já pensando na filiação de Marina Silva".

"Na política brasileira, a história se repete"

Gustavo França

No dia 5 de dezembro de 1963, o senador Arnon de Mello fazia, na tribuna do Senado Federal, um discurso carregado de raiva, lançando acusações contra seu adversário político em Alagoas Silvestre Péricles. Dentro de seus olhos arregalados, viam-se feições psicóticas. No meio do pronunciamento, Arnon de Mello sacou sua arma e fez três disparos contra o inimigo. Não acertou nenhum. Acabou atingindo acidentalmente o senador do Acre José Kairala, que morreu. Devido à imunidade parlamentar, Arnon de Mello não foi sequer cassado (também, naquela época, a política brasileira tinha assuntos mais importantes em pauta, visto que estávamos em meio à tensão política que levaria à deposição do presidente Jango).

Vinte e seis anos depois, em 1989, o filho de Arnon de Mello, que carrega o mesmo olhar que salta assustadoramente das órbitas do pai, foi eleito presidente da República, numa das nossas maiores demonstrações de incompetência eleitoral. O homem candidatou-se pouco tempo antes da eleição, com um discurso totalmente vazio de ideias, e venceu políticos conhecidos no cenário nacional, tanto na esquerda (Lula, Brizola), quanto na direita (Ulysses Guimarães, Mário Covas).

O resultado não poderia ter sido outro. Há alguns dias, tivemos um "déjà vu". Lá estava esse mesmo homem, no Senado Federal, ocupando a mesma posição que o pai ocupava, ouvindo um discurso do senador Pedro Simon, do PMDB do Rio Grande do Sul, que lhe deu pequenas alfinetadas enquanto falava mal do senador de Alagoas Renan Calheiros. Subitamente levantou-se e, com as pálpebras bem erguidas e a respiração ofegante, lançou impropérios contra o orador, fazendo todos reviverem a cena de 1963. Tenho certeza de que foi por isso que Simon parou, com medo de que as suspeitas de psicopatia viessem a se confirmar.

Não restam dúvidas de que o político em questão é Fernando Collor. Ele pode ser considerado a personificação do despreparo do povo brasileiro. Com fortes indícios físicos contra a sua sanidade mental, com um histórico familiar deplorável, ele militou como deputado federal no PDS, partido do governo militar, chegando a votar em Paulo Maluf nas eleições indiretas de 1984. Mesmo assim, foi eleito presidente da República, sofrendo impedimento depois de uma chuva de acusações que o ligavam ao esquema de corrupção mais escancarado da história da política brasileira. Aí está ele novamente, senador da República, demonstrando que é o mesmo de sempre. Não está por livre e espontânea vontade, está por que nós o elegemos. Essa é a triste realidade.

Enfim, este é o Brasil. As sensações de "já vimos isso antes" vão continuar acontecendo. Políticos execrados há 20 anos estão roubando a cena de novo (Sarney, Collor, Renan). A desgraça política brasileira é cíclica. O nosso masoquismo é impressionante. Elegemos os políticos errados, sentimos nossos erros na pele, nos revoltamos contra eles e os elegemos de novo. Considerando que Collor é neto de Lindolfo Collor, velho figurão gaúcho que apoiou Getúlio Vargas na Revolução de 1930, acho que a dinastia dos aloprados não para por aí. Que surpresas nos reservarão seus filhos e netos?

Gustavo França é leitor do jornal O Globo.

Marina deixa o PT



A senadora Marina Silva não é mais do PT. Ela comunicou a decisão por telefone ao presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), na manhã desta quarta, e também entregou uma carta (veja a íntegra do documento no Blog da Amazônia) em que justificou a sua saída do Partido dos Trabalhadores.

Leia a seguir reportagem de Maurício Savarese*, do UOL Notícias em São Paulo.

Marina Silva anuncia saída do PT sem confirmar ida ao PV

Ex-ministra do Meio Ambiente e referência mundial em militância por causas ecológicas, a senadora acreana Marina Silva, 51 anos, anunciou nesta quarta-feira (19) a saída do PT, partido pelo qual militou por 30 anos. Ela deve seguir para o PV, em uma negociação que envolve a candidatura dela à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.

"Cheguei à conclusão de algo muito semelhante ao que fiz há 35 anos, quando decidi, aos 16 anos, sair do seringal Bagaço. Naquele momento tinha sonho de cuidar da saúde, que era frágil, de estudar. Não foi fácil, mas eu tive a coragem de fazer o pedido ao meu pai que deu sua anuência e eu fui para Rio Branco. Uma decisão difícil. Recorro a essa história para dizer como cheguei à decisão de me desligar do Partido dos Trabalhadores", disse Marina em entrevista coletiva.

A senadora afirmou que ainda não se filiou a outro partido, o que deve acontecer nos próximos dias, segundo seus interlocutores.

"Nesse momento, eu devo dizer que não se trata ainda de anunciar a filiação a outro partido. Quero deixar isso muito claro. Eu precisava primeiro decidir se deixava ou não o Partido dos Trabalhadores. A partir de agora, me sinto livre pra fazer essa transição", afirmou.

"O anúncio agora é sobre minha desfiliação do PT. Agora vou estar em conversações com o PV, obviamente respeitando o prazo para filiações partidárias.

"Depois de ser pressionada por colegas, como o ex-governador do Acre Jorge Viana e o governador da Bahia, Jaques Wagner, a não deixar o PT, Marina deixou um recado para os que ficam no partido.

"Esse gesto não se trata de desconstituir os sonhos construídos durante tantos anos, tanto trabalho, no PT. Trata-se somente da disposição de semear em outras searas. Essa luta não é só de um partido, deve ser de todos os partidos, das empresas, da comunidade científica, dos movimentos sociais", afirmou.

Questionada sobre críticas de que sua eventual candidatura à Presidência serviria apenas para estimular o debate sobre políticas ambientais, Marina rebateu: "Só acha o conteúdo monotemático quem não sabe que falar de desenvolvimento sustentável é resposta para todos os setores da sociedade".

Candidatura a presidente

Nascida com o nome de Maria Osmarina Silva de Lima, ela é vista como ameaça aos candidatos da base do governo nas eleições presidenciais. De acordo com uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada no último domingo, ela já conta com 3% das intenções de voto - concentrados nas classes mais ricas e bem informadas - apesar de ter sido incluída nesse debate somente desde o início deste mês.

Marina deixou a administração federal após mais de cinco anos e quatro meses por conta de divergências com o grupo liderado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto. A saída dela foi noticiada pela imprensa mundial como um golpe contra a preservação da Floresta Amazônica.

Marina Silva exerce seu segundo mandato no Senado. Foi eleita pela primeira vez em 1994, aos 36 anos, e naquele mesmo ano se tornou nome natural do PT para a pasta do meio ambiente no caso de vitória de Lula, o que aconteceu em 2002.

Figuras importantes do PT, como o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, chegaram a sinalizar que o partido poderia tentar reaver o mandato de Marina como senadora por conta da troca de partido, já que seu suplente na Casa, Sibá Machado, foi aliado fiel do Palácio do Planalto ao longo da permanência da acreana no ministério. Mas as principais lideranças petistas já descartaram o movimento.

Trajetória

Marina nasceu em uma família pobre no seringal Bagaço, a 70 km de Rio Branco. Dos onze filhos do casal Pedro Augusto e Maria Augusta, três morreram ainda pequenos. A senadora se tornou a segunda mais velha entre os oito sobreviventes, sete mulheres e um homem. Trabalhou como empregada doméstica e seringueira para ajudar a família e custear seu tratamento de hepatite, doença que contraiu ainda jovem.

Estudante de cursos supletivos, Marina só foi alfabetizada quando adolescente. Depois, graduou-se em História pela Universidade Federal do Acre, onde descobriu o marxismo na década de 1980. Foi ali que entrou para o Partido Revolucionário Comunista (PRC), grupo semi-clandestino de oposição ao Regime Militar (1964-1985). Começou a dar aulas de História e a frequentar as reuniões do movimento sindical dos professores.

Ao lado de Chico Mendes, Marina assumia na maior parte do tempo a liderança do movimento sindical no Estado. E foi para ajudá-lo na candidatura a deputado estadual que ela passou a oficialmente integrar o PT, em 1985. No ano seguinte, fez dobradinha com o líder seringueiro para tentar se eleger deputada federal.

Marina ficou entre os cinco candidatos mais votados no Estado, mas o PT não alcançou o quociente eleitoral e ela não conquistou a vaga para a Câmara Federal na Constituinte. Chico Mendes também não chegou à Assembléia Estadual.

Em 1988, foi eleita como a vereadora mais votada para a Câmara Municipal de Rio Branco, a única declaradamente de esquerda. Em dois anos de mandato como vereadora, Marina atraiu atenção da mídia nacional ao devolver o dinheiro de gratificações, auxílio-moradia, e outras benesses que os demais vereadores recebiam.

Em 1990, candidatou-se a deputada estadual e foi eleita. O PT e os partidos coligados elegeram três membros da assembléia e conseguiram colocar Jorge Viana no segundo turno das eleições para o governo do Estado.

No final do primeiro ano de mandato, Marina passou mal após uma viagem ao interior e teve de ser hospitalizada. Começou um longo período de sofrimento que só foi amenizado com a vinda dela para São Paulo, onde recorreu à ajuda de Lula, José Genoíno e outros líderes do PT para conseguir um melhor tratamento e exames mais completos. O diagnóstico foi de contaminação por metais. Recuperada, disputou e venceu a eleição para o Senado Federal.

Polêmicas

Acreana é evangélica e mais jovem frequentou as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), grupos católicos afinados com pensadores de esquerda. Quando adolescente chegou a ser noviça, mas acabou desistindo da carreira no clero. É acusada por adversários de, mesmo no Ministério do Meio Ambiente, dar ouvidos a teses anticientíficas como o criacionismo -- que faz interpretação literal da Bíblia para explicar o surgimento do Universo.

Os adversários também a definem como uma "trava obras", por conta da suposta demora de sua pasta na concessão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas, estradas e outras obras públicas. Ela responde que não mudou seu compromisso desde os tempos da amizade com o Chico Mendes, assassinado há 20 anos, dois meses depois da eleição de Marina para a Câmara de Vereadores de Rio Branco. Juntos, os dois fundaram a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre.

Sua biografia a credenciou a receber do jornal britânico "The Guardian", em 2007, a condição de uma das 50 pessoas capazes de ajudar a salvar o planeta. Também recebeu o prêmio "2007 Champions of the Earth", a maior honraria concedida pelas Nações Unidas na área ambiental. Marina Silva foi casada duas vezes e tem quatro filhos.

*Colaborou Claudia Andrade em Brasília

Conversa circular

Marina Silva

Na semana que passou, foi feita em Bonn, na Alemanha, mais uma tentativa de chegar perto de um patamar razoável para o acordo a ser assinado em dezembro, em Copenhague, que se constitui em nova etapa dos esforços mundiais, pós-Protocolo de Kyoto, para conter o aquecimento global. As impressões sobre os resultados da reunião ficaram entre o desânimo e o reconhecimento de avanços discretos.

O desânimo, segundo entendo, vem mais da aflição diante do ritmo lento desses avanços, insuficiente para o tamanho e a urgência do problema. Há mais duas rodadas de negociações até o final do ano: em Bancoc, na Tailândia, e em Barcelona, na Espanha. A pergunta é se farão diferença ponderável na atitude dos principais atores.

Os desafios centrais continuam sendo um compromisso mais forte por parte dos países desenvolvidos e a disposição dos emergentes -entre os quais o Brasil- de sair do discurso atual para metas voluntárias e propostas mais ousadas, que tensionem e mudem o tom do que parece ser uma conversa circular, incapaz de concretizar a redução de emissões de gases poluentes.

O necessário é algo em torno de 25% a 40% de redução, em 2020, em relação a 1990. Mas, apesar da boa notícia de semanas atrás, quando os países do G8 (clube dos desenvolvidos) acordaram em buscar metas globais para evitar que a temperatura média no planeta suba além dos dois graus Celsius, ainda não está clara e assumida a tarefa de cada um. O Brasil, particularmente, não pode esquecer que, numa situação em que a temperatura média global ultrapasse a barreira dos dois graus, ficará extremamente vulnerável, pois isso afetará diretamente o equilíbrio do sistema hídrico, base de nossa matriz energética limpa.

O Brasil é uma incógnita de peso para romper a conversa circular das negociações globais. Se apresentar, até o final do ano, uma meta de redução de suas emissões totais, tão relevante quanto foi o seu compromisso de redução de desmatamento, pode destravar o ambiente, pressionando tanto os países desenvolvidos quanto os demais emergentes a serem mais pró-ativos.

O tempo está se esgotando e ainda há um fosso enorme entre anúncios e atitudes. A cadeia de coerência entre uma coisa e outra apresenta falhas e vazios significativos. Enquanto isso, segue sem novidades a disputa tradicional de exigências mútuas de comprometimento e recursos. Recursos, como nos ensinou a crise financeira mundial, aparecem quando são necessários, desde que se queira. Já comprometimento real, não meramente discursivo, continua sendo artigo difícil no mercado global.

Fonte: Revista Digital Envolverde.

Marina Silva



O jornalista Altino Machado diz que a senadora Marina Silva (PT-AC) vai contrariar o ex-ministro da Casa Civil Zé Dirceu, que publicou recentemente um texto no blog dele no qual alegava que o partido deve ficar com o mandato dela, caso a ex-seringueira confirme sua desfiliação para se lançar candidata à Presidência da República pelo Partido Verde.

- Ela já decidiu que não vai renunciar ao mandato - afirma um assessor da senadora.

O Blog da Amazônia, assinado pelo jornalista acreano, obteve com exclusividade a nota técnica que serviu para sustentar a decisão da senadora de não renunciar ao mandato. Intitulada "Fidelidade partidária", a nota assinala que os candidatos recebem mandatos tanto de eleitores como dos partidos políticos, sendo a representação popular e partidária.

Leia também: Gilberto Gil diz que pode ser vice na chapa de Marina em 2010 .

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Náder Sarkis



O cantor da foto é o meu grande amigo Náder Melo Sarkis, pessoa por quem eu guardo profundo respeito e admiração. Neste 18 de agosto, ele está completando mais uma primavera, como costumavam dizer os antigos locutores da Rádio Educadora 6 de Agosto, onde eu conheci uma das vozes mais bonitas do Acre e um dos grandes nomes que já passaram por essa modesta, mas tão importante emissora, que já marcou com glórias o seu lugar na história de Xapuri.

Náder, que enfrentou e venceu um enfarto há pouco tempo, está hoje em São Paulo, acompanhando a esposa Terezinha no tratamento de um delicado problema de saúde. Quero cumprimentar esse sujeito aqui no blog não somente pela passagem do aniversário - que desejo que se repita por muitas e muitas vezes - mas, acima de tudo, pela força e coragem que tem demonstrado, e pelo exemplo de vida que, junto com Têca e família, tem nos oferecido.

Na foto, Náder interpreta o Hino Acreano, acompanhado do filho e sósia Elias Antônio, ao violão, durante a cerimônia de posse do prefeito Bira Vasconcelos, no dia 1º de janeiro desse ano. O vídeo abaixo é de qualidade muito ruim, mas representa uma singela homenagem a esse cara sangue bom, pai também do Haroldo e do Aron e avô do Nader (filho do Haroldo), e cujo único defeito é ser botafoguense irrecuperável.

Falta de excelência



O vereador João Ribeiro de Freitas (PT) informou hoje que pretende encaminhar requerimento à mesa diretora da câmara solicitando que a empresa Oi seja questionada quanto à qualidade dos serviços de telefonia e internet que estão sendo prestados em Xapuri. Segundo o vereador, existe na cidade uma grande quantidade de reclamações de clientes insatisfeitos com os serviços, que não sabendo a quem recorrer está reivindicando dos vereadores uma tomada de posição quanto ao problema.

A má qualidade dos serviços de telefonia e internet em Xapuri vem de longe, sem que, até hoje, as autoridades tenham se dedicado ao assunto. Vem em boa hora a iniciativa do vereador. E sugiro que a cobrança se estenda também à Eletroacre, que - seja com termelétrica ou com o "linhão" - não consegue manter um padrão de qualidade no fornecimento de energia. É verdade também que a mesma situação se repete nas outras cidades do Acre, mas alguém, em algum lugar, tem que começar a dizer onde o sapato está apertando.

"O pior já passou"



Como o presidente Lula, o prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos, também é chegado a uma metáfora. Em abril deste ano, acossado pelas cobranças da população por mudanças imediatas na situação em que ele encontrou a cidade, Bira reagiu dizendo que “não poderia andar de helicóptero se não tinha nem um carro”, se referindo ao estado deplorável em que a prefeitura lhe foi repassada pelo ex-prefeito Wanderley Viana.

Agora, parece que pelo menos o carro o prefeito já tem. Em entrevista concedida ao programa Espaço do Povo, da Rádio Educadora de Xapuri, nesta segunda-feira, Bira recorreu novamente à figura de estilo tão utilizada pelo colega maior de partido para ilustrar como tem sido o trabalho de administrar Xapuri nos últimos 7 meses e meio de administração. Segundo ele, o pior já passou.

“Nós pegamos um carro desgovernado descendo uma ladeira. Então, a gente já conseguiu parar o carro, fizemos a volta desse automóvel e estamos subindo de novo a ladeira devagarzinho que é para a gente poder chegar de novo no plano, e andar mais tranqüilo. Nós estamos nessa fase da retomada, sabemos onde estamos e daqui pra frente é só muito trabalho. O pior já passou”, afirmou o prefeito petista.

Bira considera como uma das principais conquistas da sua administração a retomada do diálogo do poder público municipal com a sociedade, que havia sido perdido num passado recente. Como exemplo disso, ele enumera a chegada ao acordo que resultou no reajuste salarial dos servidores municipais, que não ocorria há quatro anos, e a regularização da situação do serviço de táxi em Xapuri, que se encontrava em desacordo com a lei.

Durante a conversa, o prefeito falou a respeito das ações que o município está desenvolvendo e da certeza de que sua administração começa a atingir resultados positivos, apesar dos grandes problemas estruturais ainda continuarem a fazer parte da realidade do município. Para Bira, a população já começou a entender que as transformações de que o município anseia devem acontecer dentro dos limites impostas pela atual realidade financeira.

E no que depender de fé, o prefeito tem boas razões para estar otimista nesse momento do seu trabalho. Ainda na segunda-feira, à noite, o prefeito acompanhou o show do cantor gospel Cléber Lucas, atração da III Semana Evangélica de Xapuri. Durante o evento, recebeu as bênçãos dos pastores e orações do público pelo sucesso de sua administração e entregou as chaves do município aos líderes religiosos. A prefeitura é a principal apoiadora da festa dos evangélicos neste ano de 2009.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sagarana



Na literatura, Sagarana é um livro de contos do escritor João Guimarães Rosa publicado em 1946, com temas relacionados à vida rural do estado de Minas Gerais. Em Xapuri, Sagarana é o nome pelo qual é conhecida uma faixa de terra que foi esquecida pelo poder público depois da criação da Reserva Extrativista Chico Mendes, em 1990. Durante os últimos 19 anos, a região, que é uma das mais produtivas do município, vem sendo objeto de disputas e confusões pela posse da terra, que já andaram perto de descambar para a violência por mais de uma vez.

Não se sabe se o nome dado à faixa de terra de cerca de 20 mil hectares tem alguma relação com a obra de Guimarães Rosa, mas nesta última semana as promessas dos órgãos federais ligados à questão fundiária parecem ter saído do campo da ficção para se tornar realidade para cerca de 150 famílias de posseiros que sonham em obter o título de suas terras. A Secretaria do Patrimônio da União, juntamente com o Incra e o Instituto Chico de Conservação da Biodiversidade deram início ao trabalho de regularização da gleba Sagarana, começando pelos moradores estabelecidos nas margens dos rios Acre e Xapuri.

De acordo com o Gerente Regional do Patrimônio da União no Acre, Glenílson Araújo, o trabalho inicial consiste em um cadastramento das famílias ocupantes da área, que está sendo realizado por uma equipe de cerca de 25 técnicos que visitarão todas as propriedades rurais localizadas na região da gleba Sagarana. A ação está dentro do que prevê a Medida Provisória 458, que trata da regularização de terras na Amazônia Legal até o final de 2010, abrindo a possibilidade de que os posseiros formalizem juridicamente seu direito a essas propriedades.

Pela MP 458, as propriedades de terra com até um quilômetro quadrado (100 hectares), que representam 55% do total dos lotes, serão doadas aos posseiros. Quem tiver até 4 quilômetros quadrados (400 hectares) terá de pagar um valor simbólico, e os proprietários com até 15 quilômetros quadrados (1,5 mil hectares) pagam preço de mercado. Os posseiros interessados em adquirir as terras precisam ainda atender a algumas condições, entre elas, ter na propriedade sua principal fonte econômica e ter obtido sua posse de forma pacífica até dezembro de 2004.

Após a transferência, o proprietário terá ainda de cumprir certas obrigações, como por exemplo, recuperar áreas que tenham sido degradadas. Pelo Código Ambiental, pelo menos 80% de cada propriedade na Amazônia deve ser preservada. O principal argumento em torno da Medida Provisória 458 é de que a regularização fundiária tornará mais fácil o trabalho de fiscalização e punição a eventuais desmatadores. A MP foi aprovada pelo presidente Lula no final do mês de junho, mas vetou o artigo 7° e o inciso II do artigo 8° que tratam da transferência de terras da União para as pessoas jurídicas e para quem não vive na Região Amazônica.

Dercy Teles de Carvalho Cunha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri - instituição que mais vem lutando nos últimos anos pela regularização da gleba Sagarana -, lembra, no entanto, que apesar de extremamente importante, a regularização fundiária não põe um fim às discussões em torno do futuro das populações que vivem e trabalham na região. Para ela, que já afirmou que o extrativismo florestal está falido, é necessário que se discuta também a criação de alternativas concretas de sobrevivência para essas populações. Diz Dercy:

- O exemplo disso está na Reserva Extrativista Chico Mendes que, depois de quase 20 anos de sua criação, ainda precisa ver muita água rolar por debaixo da ponte para chegar a ser aquilo o que um dia se pensou como modelo de desenvolvimento sustentável.

domingo, 16 de agosto de 2009

Circuito Chico Mendes de Corrida


Com pouca presença de público e baixo número de participantes, foi realizada neste domingo (16), em Xapuri, a 3ª Etapa do Circuito Chico Mendes de Corrida de Rua 2009, promovida pelo Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Esportes, Turismo e Lazer - Setul - em parceria com a prefeitura de Xapuri. Os vencedores foram os corredores Evandro Saraiva, no masculino, e Maria José, no feminino, ambos vencedores também das duas primeiras etapas do circuito estadual deste ano.

A etapa de Xapuri foi disputada em dois percursos, um deles promocional individual de 3,5 km, aberto para todo o público adepto da prática de corridas, com medalhas para todos os participantes. O outro percurso foi de 10 km individual, com a participação de atletas rankiados, com premiação para os cinco primeiros colocados. Cerca de 50 corredores particparam da etapa, um número pequeno, segundo o coordenador do circuito, Alex Cavalcante.

"Infelizmente a população de Xapuri foi pouco participativa nesse evento. Acredito que a Fundação de Cultura e Desportos de Xapuri precisa fomentar e massificar a corrida pedestre para que num próximo evento possamos ter uma participação maior de pessoas. Mesmo assim, o evento ocorreu sem incidentes, com uma boa organização por parte da prefeitura, e nós temos certeza que no próximo ano teremos uma etapa bem melhor", disse o coordenador.


Morena Marina

De Ruth de Aquino, revista Época:

Marina, você faça tudo, mas faça o favor. Não mude o discurso da ética, que é só seu. Marina, você já é respeitada com o que Deus lhe deu. O povo se aborreceu, se zangou, e cansou de falar. Lula e Dilma estão de mal com você e não vão perdoar. Mas o eleitor não poderia arranjar outra igual para embaralhar o jogo sonolento da sucessão em 2010. Ao menos num dos turnos, vamos discutir princípios e fins. E principalmente os meios.

Nem em suas orações diárias Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima sonharia provocar tanto medo antes mesmo de decidir trocar o PT pelo PV. Nascida no Acre, filha de seringueiros migrantes cearenses, analfabeta até os 16 anos, aprendeu a ler quando trabalhava como empregada doméstica. A mãe tinha morrido. Pelo Mobral, fez em quatro anos o primeiro e o segundo graus. Contraiu cinco malárias, duas hepatites. Formou-se em história. Queria ser freira, mas virou marxista. Hoje é evangélica. Tem quatro filhos. Foi a mais jovem senadora do Brasil, aos 35 anos.

Lula a nomeou ministra do Meio Ambiente. Cinco anos depois, saiu derrotada e desgastada. Ao pedir demissão, citou a Bíblia: “É melhor um filho vivo no colo de outro”. O filho era a política ambiental. Ela tinha brigado com outra mãe cheia de energia, a do PAC.

Católicos como Frei Betto e Leonardo Boff receberam telefonemas de Marina na semana passada. Ela falou de desenvolvimento sustentável, de vida, de humanidade, da terra.

O mais forte cabo eleitoral de Marina, neste agosto, se chama José Sarney – e tudo o que ele representa. O país ficou desgostoso com o presidente do Senado, suas mentiras inflamadas na tribuna, seu sorriso bonzinho de avô da República – e com o apoio incondicional de Lula ao maranhense. O nome Marina, sussurrado, ganhou a força da natureza no olho do furacão em Brasília.

O ex-ministro José Dirceu escreveu que o mandato da senadora “pertence ao PT”. Marina disse que já enfrentou madeireiros, fazendeiros, cangaceiros: “Com certeza o Zé (Dirceu) não fez isso para me intimidar; não faz parte do caráter dele”.

O outro forte cabo eleitoral de Marina é a ministra Dilma Rousseff, pela falta de carisma. Marina não ameaçaria tanto se a ministra do crescimento tivesse conquistado o país ou ao menos seu próprio partido. Não se nega o valor pessoal de Dilma, mas seu nome foi imposto. Lula botou na cabeça que vai eleger seu poste. “Da campanha da Dilma cuido eu”, teria dito a um cacique do PT paulista.

As baratas todas voaram. Quem tem amigos como o deputado federal Ciro Gomes não precisa de inimigos. Lula chegou a apostar nele para o governo em São Paulo. Mas Ciro quer outros voos: foi o primeiro a dizer que Marina “implode a candidatura de Dilma”... “uma persona política em formação”...“que foi obrigada a defender Sarney”.

Dilma pediu a Marina que ficasse. “Estou triste. Preferia que ela continuasse no PT porque é uma grande lutadora.” Vocês acreditam? A ministra já esqueceu as rixas com a ambientalista que botava areia nas hidrelétricas? Depois, Dilma mudou o tom: “Eu sempre acho que quanto mais mulher melhor”. É mesmo?

Dilma é vista como “a mulher do Lula” – a massa ainda não conseguiu decorar seu nome. Lula ergueu a mão da mãe do PAC nos palanques país afora e disse que o Brasil está preparado para “uma mulher na Presidência”.

Lula só não esperava que uma sombra austera de saias emergisse da floresta. Com seu fundamentalismo, a fé, as convicções, a integridade, a coerência em 30 anos de PT. Sem dedo em riste. É muita ironia. E na mesma semana em que Lula dá uma rádio para o filho de Renan Calheiros, outro senador que “obra e anda” para a opinião pública.

O maior trunfo de Marina não é ser mulher nem petista de raiz ou defensora do verde. Ninguém supõe hoje que ela possa ser eleita presidente sozinha, contra as duas máquinas. Mas sua biografia e as frases recheadas de atitude – “perco o pescoço mas não o juízo” – entusiasmam os desiludidos.

Marina Silva obriga tanto Dilma quanto o tucano José Serra a se perguntar: como combater quem fala, baixo mas firme, a sua própria verdade?

sábado, 15 de agosto de 2009

Acordo

Reportagem do jornal O Globo desta última sexta-feira (14) diz que o PT do Acre promete a Lula que Marina não baterá em Dilma na campanha presidencial do ano que vem.

"Um 'pacto de convivência' entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora Marina Silva e seu grupo político no Acre foi acertado, nesta sexta, em encontro no gabinete do presidente Lula. O acerto precede o anúncio da saída da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do PT, o que deve ocorrer nos próximos dias. Participaram Lula, seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e três petistas que, ao lado de Marina, comandam a política do Acre há 15 anos: o ex-governador Jorge Viana, o atual, Binho Marques, e o senador Tião Viana". Leia mais em O Globo.

Tom de campanha

Claudia Andrade, do UOL Notícias em Brasília.

A senadora Marina Silva (PT-AC) afirmou neste sábado (15) que a decisão sobre uma eventual mudança para o PV vem antes da de sair candidata à Presidência da República ou não. A primeira decisão ela deverá tomar nos próximos dias. Em relação à segunda, apesar de não falar abertamente sobre suas pretensões, já discursa em tom de campanha.

"Eu vou tirar esse fim de semana e o início da próxima semana para tomar minhas decisões. Já terminei o ciclo de conversas com várias pessoas e estou na fase final desse amadurecimento. Não coloquei prazo nem dia, mas não quero transformar isso numa novela", disse aos jornalistas, depois de participar de um evento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

A ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que sua decisão, no momento, está restrita a saída ou permanência no PT. "O PV me fez um convite honroso para integrar o partido, mas deixei claro que não vou condicioná-lo a pesquisas ou a candidatura, a priori. O PV está propondo uma discussão programática de colocar a questão do desenvolvimento sustentável em seu programa e isso me levou a fazer essa reflexão. Ninguém sai de um partido para ser candidato".

Quando os jornalistas insistiram em saber qual seu posicionamento sobre uma eventual candidatura à presidência, Marina Silva deu indícios do que pode vir a ser sua decisão. "É algo que faz parte de um processo, mas não pode ser colocado a priori. Primeiro tem que ter ideias, projetos, programas e aí desdobramentos para que as coisas aconteçam. No Brasil nós temos 30 anos de lutas pela questão ambiental; está na hora de transformar essas boas ideias e boas experiências em políticas amplas que tenham a escala da magnitude do país".

Questionada sobre a preocupação que o Planalto teria a respeito dos votos que a senadora poderia tirar da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Marina ponderou que voto não tem dono. "A luta ambiental não atrapalha ninguém. Não existe voto a ser dividido. O voto é do cidadão. O voto está livre para ser dado para quem o cidadão entende que quer dar".

Discurso com poema

Ao falar sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável para uma plateia formada por integrantes do MST que participam do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, a ex-ministra destacou que a crise econômica não será resolvida sem que o problema ambiental seja sanado.

"Muitos não entendem quando se diz que a crise ambiental, que é mais grave, também precisa de recursos e tecnologia. A prioridade não é para a crise ambiental, mas a crise econômica não se resolverá sem que se solucione a crise ambiental", disse Marina Silva, acrescentando que para os pobres do mundo todo, a crise econômica já existia. "A diferença é que agora a crise atingiu quem nunca tinha atingido. Quando ela atingia só os que não têm, os que não podem, ninguém falava em crise".

A senadora voltou a citar o sociólogo francês Edgar Morin ao dizer que "a mudança, no começo, é apenas um desvio". "Temos que ficar atentos para ver qual desvio queremos deixar prosperar".

Defendeu ainda a "distribuição equitativa" dos frutos do crescimento, para que se transformem em saúde e educação. Encerrou sua fala com um poema de sua autoria, que declamou de pé. No poema, ela se compara ao arco e à flecha e diz que, quando é flecha, age impulsionada por boas ideias. Quando é o arco, seu trabalho é empurrar a flecha para o alvo.

Ilustrou essa metáfora com seu trabalho no Congresso e a carta aberta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo veto a alguns artigos da MP 458, que regulariza terras na Amazônia Legal.

No fim da apresentação, foi aplaudida de pé. Depois, tirou foto com integrantes do MST. Mas negou que o evento tenha tido um tom de campanha eleitoral. "Não, não. Em todos os lugares que vou as pessoas me tratam com muito carinho. É uma demonstração de respeito pela causa. Isso mostra o compromisso com a luta ambiental".

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Carreta bate em Portal



Uma carreta que fazia o transporte de containers contendo equipamentos da usina termelétrica da empresa Guascor, recém-desativada em Xapuri, bateu no portal Augusto Castelo Branco de Figueiredo, no início da Estrada da Borracha, provocando sérios danos à estrutura que marca a entrada da cidade. O acidente aconteceu por volta das 5 horas da manhã, quando o veículo saía da cidade com destino a Rio Branco. Apesar da força do impacto, ninguém ficou ferido. No entanto, os pilares que sustentam o portal ficaram com grandes rachaduras em sua base, como também na sua parte superior.



Construído na administração passada e considerada a menina dos olhos do ex-prefeito Wanderley Viana, o portal foi motivo de polêmica desde a sua concepção. Muita gente, inclusive eu, fez críticas à obra pela sua evidente inutilidade e por se constituir em um enorme desperdício de recursos públicos que poderiam, por exemplo, ser investidos na recuperação de ruas e em outras ações de melhoramento da precária estrutura urbana do município.

O Ministério Público Estadual também cismou com o fato de a prefeitura jamais ter oferecido ao público informações sobre a quantidade e a origem dos recursos utilizados, prazo de conclusão das obras e processo de contratação da firma executora. Em julho de 2007, o MP instaurou inquérito civil público para investigar o favorecimento da empresa responsável pela execução dos serviços ou, no mínimo, a não observância dos termos da legislação quanto à realização do processo de concorrência pública. Até hoje, porém, não se sabe do resultado do inquérito.

Desde quando foi inaugurado, o portal foi testemunha de vários acidentes envolvendo principalmente motocicletas. Além de aparentar ter sido mal projetado, o monumento está localizado em uma curva e as obras de construção destruíram o asfalto das pistas de rolamento, que jamais foram recuperadas. Resta a atual administração decidir se vai recuperar a obra ou demolí-la, o que eu, particularmente, acho ideia bem mais interessante.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

III Semana Evangélica

Evangélicos prometem realizar um dos maiores eventos do ano em Xapuri. A terceira Semana Evangélica começa no próximo domingo e apresenta na segunda-feira (17) show do cantor gospel Cléber Lucas. Os organizadores esperam a presença de caravanas de vários municípios do Acre e um público superior a 10 mil pessoas. O evento conta com relevante apoio do empresariado local, assim como da prefeitura municipal. O prefeito Bira Vasconcelos acompanhou, no dia de ontem, os pastores das igrejas locais em visita a jornais e emissoras de rádio e televisão em Rio Branco, com o objetivo de divulgar o evento que deve movimentar Xapuri nos próximos dias.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Cine Ambiental entrega prêmio Chico Mendes

A 17ª edição do Gramado Cine Vídeo, evento que está sendo realizado na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, fará este ano a entrega do Troféu Chico Mendes, destinado a pessoas ou entidades com reconhecida atuação nas questões de preservação ambiental. Será agraciado com o prêmio o casal Paula Saldanha e Roberto Werneck, do Instituto Cultural Ecológico Terra Azul, que receberá o troféu das mãos da filha de Chico Mendes, Elenira Mendes.

Uma voz incansável pela cultura

Éden Mota

Depois de vários meses sem ir a minha cidade, no último dia 29, para lá fui com o objetivo de rever meus velhos amigos. No entanto - vou tornar a reclamar – o descaso que pude observar com a Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho e seus integrantes é lastimável.

Dirigi-me ao Centro Social Urbano - local onde por dez anos funcionou a sede da Banda - e ali pude observar o descaso da administração pública municipal, não só com a cultura da Bandinha em si, mas, acima de tudo com os servidores que a compõem.

A antiga sede encontra-se da mesma forma que antes da Bandinha mudar de local - já que agora está instalada na Casa Branca - fincada em meio a um verdadeiro matagal, ficando, claramente explícita a forma pela qual a administração pública municipal trata seus órgãos e seus servidores, com total desrespeito.

Internamente, o quadro era ainda mais deplorável: instrumentos que custaram dinheiro para a administração pública, jogados por sobre bancos, porque não havia, como de fato ainda não há, local adequado para a sua guarda. O banheiro então é bem melhor nem comentar.

Faço essas críticas porque a Banda de Música que poderia servir de instrumento para afastar a juventude xapuriense das drogas, como acontece em vários outros locais de nosso País, onde essa cultura é vastamente divulgada, em Xapuri trata-se a cultura pelo lado oposto.

Atualmente, a nossa bandinha encontra-se “jogada” na Casa Branca, misturada ao antigo museu que pouco a pouco também vai se acabando em razão da forma deplorável pela qual se encontra a antiga Intendência Boliviana.

Os integrantes da Banda de Música - sente-se no olhar dos mesmos - não têm qualquer motivação para exercerem sua atividades, porque, desde que o então Prefeito Jorge Akel Hadad deixou a Prefeitura, aqueles se tornaram órfãos, se transformando em verdadeiros servidores públicos ambulantes.

Em diversas viagens que faço por este País, sempre vejo a juventude sendo parte integrante das Bandas de Músicas Municipais ao estilo Dona Júlia Gonçaves Passarinho, através de Projetos Sociais voltados para crianças e adolescentes, onde o principal objetivo é formar cidadãos músicos e afastá-los das drogas.

Pergunto-me se ao longo de tanto tempo ainda não foi possível se fazer um projeto para além de locar a Banda de Música em uma sede digna - já que a mesma nunca teve uma - não se pudesse fazer um projeto social integrador com a nossa juventude.

Diversos municípios de nosso País têm amenizado a situação de nossos jovens com tais projetos, não seria possível a administração pública municipal desenvolver um projeto no mesmo sentido? O que falta? Técnicos? Idéias? Vontade?

O poder público tem de deixar de ver os integrantes da Banda como simples sopradores de instrumentos e investir no potencial de cada um para além de estimulá-los ao trabalho, incentivá-los para formar cidadãos de bem.

Com a nova administração espero que esse quadro mude.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Saúde sem médicos em Xapuri

Mais da metade das unidades do Programa Saúde da Família em Xapuri está sem médicos. Dos cinco postos, apenas dois estão com o atendimento normalizado. A secretária municipal de saúde, Maria Maciel de Araújo, informa que dois dos médicos contratados pelo município receberam proposta melhor fora do estado e foram embora da cidade.

Maria Maciel orienta à população a procurar os postos de saúde do bairro Mutirão e Félix Bestene Neto, no centro da cidade, enquanto durar a falta de médicos em Xapuri. Ela explica que a demora na contratação de novos médicos se deve à falta de profissionais com registro no CRM - Conselho Regional de Medicina - no mercado acreano.