quinta-feira, 11 de novembro de 2010

“O lugar onde vivo”

“Eu vivo num lugar quentinho, cheinho de passarinhos, nos seus ninhos, cheinhos de ursinhos coloridinhos.

“Mas lá é floridinho, tinha aquele parquezinho, tão arrumadinho, cheinho de brinquedinhos para brincar”.

Com uma igrejinha, que fazemos nossas orações para nos abrirmos com os santos”.

A poesia acima foi escrita por uma garota doce e meiga de 11 anos de idade chamada Diersy. Era um trabalho escolar de um projeto chamado Olimpíadas de Português realizado no dia 14 de julho deste ano. Ela era aluna da 6ª série A da escola Anthero Soares Bezerra, em Xapuri.

Faz exatamente uma semana que Diersy adentrou minha casa pela última vez, acompanhando meu filho Matheus, da mesma idade, assim como fazia, vez por outra, há uns 3 anos. Veio conhecer um casal de coelhos comprados recentemente em uma loja de animais. Veio, talvez, se despedir de nós.

Diersy supostamente se suicidou na última sexta-feira, dia 5, deixando muitas saudades e um enorme sentimento de impotência e incompreensão frente à dura realidade. O que levaria uma criança linda e aparentemente feliz como ela a cometer um ato tão trágico e extremo? Que amarguras se escondiam por trás do sorriso tímido e do olhar profundo de Diersy?

Diersy morreu atrás de uma igrejinha. Certamente depois de fazer suas orações e se abrir com os santos sobre aquilo que sofria e que não conseguiu dizer a ninguém. Que esteja em paz em “um lugar quentinho, cheio de passarinhos e ursinhos coloridinhos”. Que esteja perto de Deus, longe da maldade do mundo e daqueles que não tiveram a capacidade de amá-la e protegê-la.

4 comentários:

sandra disse...

nossa muito triste essa historia mais ta ai no nosso cotidiano.quero deixar meus sentimentos a mae dela e dizer q deus sabe de tudo e que consertesa sua filha estar em um lugar melhor do que aqui.

Clenes Guerreiro disse...

A vida nos obriga diariamente a sermos muitos e ao mesmo tempo únicos... tão únicos que por vezes nos tornamos egoístas, egocêntricos, pouco solidários e apesar de termos dois ouvidos e apenas uma boca nos preocupamos mais a falar do que a ouvir... e quando nos dispomos a ouvir muitas vezes nem deixamos as pessoas falarem tudo.
Sei que para alguém chegar ao ato extremo de tirar a própria vida – único patrimônio de que de fato temos nessa missão terrena – é porque a dor, nem sempre evidente se entranha, como um câncer, em todo o ser.
E no caso de uma criança, que tem (ou pelo menos deveria ter) experiências lúdicas, quando a dor se torna maior do que o desejo de viver é porque algo de muito errado se intensifica no roteiro que deveria ser “normal” no cotidiano infantil que constrói o adulto que serão (ou poderiam ser).
A lástima, mesmo tarde, se abate no cotidiano pacato de uma cidade tão pequena e tão cheio de tragédias.
Que o espírito de Diersy encontre a luz e conforto nos braços da espiritualidade. Que lhe sejam dados o amor, o carinho e o conforto que não encontrou nessa existência terrena.
E que nos seja dada a reflexão e o esclarecimento necessário para que não permitamos que mais à frente outros casos idênticos venham a acontecer.
Muito amor (a todos... nós)!

arathana monteiro disse...

Nossa, isso me fez chorar...Que ela esteja em um lugarzinho bem quentinho...Com Deus

Magao disse...

é.. na realidade é de profunda dor que nós seres humanos recebemos uma notícia tão triste com essa, e numa cidade tão pequena como a nossa Xapuri. Mais seja láo que for só ela e Deus sabe o motivo de uma criança dessa idade tomar uma decisão trágica como essa, mais que Deus tenha compaixão dela e de todos seus familiares. O momento é amargo mais Deus é doce e ele não desampara seus filhos, que ela esteja do lado do Pai e do Filho e do Espírito Santo amém.