quinta-feira, 6 de agosto de 2009

"Não é festa, é revolução"

Era madrugada de 6 de agosto de 1902 quando o gaúcho José Plácido de Castro tomava de assalto, junto com um punhado de seringueiros, a Mariscal Sucre do intendente Juan Dios Barrientos, dando início a um dos mais importantes capítulos da história do Acre e do Brasil, a Revolução Acreana, que tornou brasileiro este pedaço de chão.

107 anos passados, a cidade onde nasceu a Revolução Acreana ainda não alcançou na realidade prática o mesmo nível de importância que lhe atribui a história e a luta daqueles que, desde os primeiros instantes do Acre brasileiro, deram suor e sangue por este rincão. Xapuri, como há muito tempo acontece, luta para alcançar o lugar de destaque que sua fama sugere.

A prefeitura realiza, no período da tarde, programação alusiva à data tão importante para a cidade, mas que tem sido seguidamente esquecida no decorrer dos últimos anos. Artistas de teatro encenarão a "Tomada da Casa Branca", apesar de a história dizer que a antiga intendência boliviana jamais ocupou aquele lugar.

"Não é festa, é revolução", respondeu o caudilho gaúcho a Barrientos, que creditava à festa de 6 de agosto, data nacional da Bolívia, o burburinho causado momentos antes de sua rendição. Para ele, era "temprano para la fiesta". Atualmente, parece tardar cada vez mais a última das revoluções, a do progresso e do desenvolvimento do "Berço da Revolução".

2 comentários:

Clenes Alves disse...

Raimari,

na verdade o Grupo Poronga, com o auxílio dos integrantes do Pró-Jovem, apresentou o espetáculo "O Acre é nosso". Somente foi encenado na Casa Branca a pedido da Fundação de Cultura e divulgado erroneamente como 'Tomada da Casa Branca".
Inclusive no texto - que eu próprio encenei - já finalizando o espetáculo, deixa bem claro que a antiga Intendência Boliviana ficava no local onde hoje se localiza o Hospital Hepaminondas Jácome, tendo em vista que a Casa Branca somente foi construída em 1909/10 para outros fins.
Fica registrado aqui a versão do nosso grupo, que faz questão de esclarecer o 'engano' histórico.
Um abraço.

Clenes Alves disse...

Mas, voltando para a questão 'revolução', lembro que um professor e amigo meu disse uma vez que para ser considerada revolução é necessário haver não apenas briga, tomada de algo, mas mudança de valores, conceitos, percepções, "radicalizações", resumindo.
Assim, conforme o seu texto e de acordo com nossas percepções, ainda falta para, de fato, enxergarmos essa dita revolução na "Princesinha do Acre"...
Mas tenho fé que dias melhores virão.
E que não seja apenas uma festa, realmente, que seja de fato revolução!
Um abraço