domingo, 12 de julho de 2020

Da falência a uma esperança de futuro

Inaugurada em 2008 pelo governo do estado em parceria com o governo federal, a fábrica de preservativos masculinos de Xapuri foi anunciada como redenção do extrativismo e saída sustentável para a combalida economia do município, que viveu um momento de sonho quando aportou na cidade o empreendimento de US$ 10,6 milhões, financiado pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Durante 10 anos sob gestões estaduais passadas, a fábrica chegou a gerar cerca de 170 empregos diretos no município, absorvendo látex nativo de 200 seringueiros, em média, apesar de o número de famílias extrativistas cadastradas chegar a 700. Foi um período de euforia em que as boas notícias que ganhavam o mundo pelas páginas dos jornais escondiam o fato de que o empreendimento possuía um futuro incerto.

Em 2018, a fábrica foi à falência em razão do alto custo do preservativo produzido em Xapuri. O valor de R$ 0,14 pela unidade da camisinha acreana pago pelo Ministério da Saúde inviabilizou a produção depois que o governo do estado não conseguiu mais arcar com o custo excedente.

A saída encontrada pelo governo para não ver o projeto morrer, foi repassar o empreendimento à iniciativa particular, em 2018, por meio de uma parceria público-privada (PPP). Com isso, a nova gestora da fábrica passou a ser a empresa CLPO, ligada ao grupo Lima Pontes S/A, que para administrar o negócio criou a firma chamada Indústria de Produtos de Látex da Amazônia S/A.

Nos últimos dois anos, a nova gestão fez pesados investimentos na recuperação dos maquinários e no reposicionamento da indústria para um sistema voltado à obtenção do lucro financeiro. Assim, o empreendimento passou por uma verdadeira reforma nos seus processos de gerenciamento, tendo como resultado uma impressionante redução nos custos operacionais com relação ao que era praticado na gestão estatal. 


A mudança de controle da fábrica também enfrentou sérios problemas de ordem burocrática, principalmente no que se refere ao contrato de fornecimento de preservativos com o Ministério da Saúde, cujo gestor é o governo do estado por meio da Funtac. 

A grande dificuldade consistia em um entrave jurídico que restou do processo de privatização da antiga Natex que impedia que a nova gestão recebesse os pagamentos efetuados pelo MS. A questão foi resolvida por meio de um novo contrato firmado entre a fundação estatal e a indústria para a fabricação das camisinhas.

Na última quinta-feira, 7, foi anunciada mais uma conquista para a nova gestão do empreendimento: a obtenção da certificação de conformidade do Inmetro para a produção dos preservativos, concedida pelo Instituto Nacional de Tecnologia, que permitirá a retomada da linha de produção que estava parada há oito meses.

Dessa maneira, a falência da antiga Natex – a indústria agora se chama Iplasa - se converteu em esperança da manutenção dos empregos e do sonho de muita gente para que o empreendimento se mantenha de pé. Com os duros efeitos da pandemia de covid-19 que o mundo e o Brasil enfrentam, mais do que nunca Xapuri e o Acre vão precisar.

sábado, 11 de julho de 2020

O aumento da covid-19 em Xapuri

Não vou entrar no mérito de que o prefeito Ubiracy Vasconcelos esteja certo ou errado em dizer que a população de Xapuri “relaxou nos cuidados” quanto às medidas de prevenção contra o avanço do novo coronavírus no município, após uma repentina subida no número de casos registrada no boletim desta sexta-feira, 10.  Mas posso garantir que faltando com a verdade ele não está, e uma abundância de fatos comprovam isso.

O meu possível dissenso com o prefeito ocorrerá caso o caráter da afirmação do dirigente municipal seja de desculpabilização com relação a responsabilidades que, no caso da crise que o mundo atravessa, nunca poderão deixar de ser compartilhadas. Via de regra, numa situação de exceção com a atual, todos os encargos relacionados aos erros e acertos deverão ser solidariamente assumidos pelos atores envolvidos na questão – povo e governantes.

É fato incontestável que na cidade poucos têm respeitado o isolamento social e esse notório comportamento tem grandes chances de ser o que faz com que a disseminação do vírus não seja controlada. A normalidade com que as pessoas estão enfrentando a pandemia é escancaradamente visível nas rotineiras “festas covid” que são realizadas em várias residências, em fins de semana ou não, cidade afora e em localidades da zona rural.

O fechamento do comércio do município não passa de mero simbolismo. Nada está de fato fechado, a não ser os escassos restaurantes ou pensões e pousadas. Uma simples volta pelas poucas ruas do centro comercial é suficiente para se constatar que praticamente tudo está funcionando – não que isso seja uma crítica à decisão das pessoas de manterem ativos os seus meios de sobrevivência.

Não raramente, políticos promovem aglomerações – recentemente, o próprio governador Gladson Cameli participou de uma em Xapuri – e já estão em campo, em suas pré-campanhas, mantendo contato direto com a população. Famílias se confraternizam, parentes se visitam e até pessoas que declararam via redes sociais estar infectadas já foram vistas perambulando pelas ruas em total demonstração de descaso com a saúde dos semelhantes.

Cito, por oportuno, uma postagem no Facebook, na qual um usuário critica o prefeito por jogar na população a culpa pela subida dos casos de covid-19 e o aponta como o verdadeiro responsável pela elevação do número de infectados em Xapuri por ter autorizado a abertura de igrejas e academias de ginástica. “Com hipocrisia não vamos vencer esse vírus”, disse o internauta em seu desabafo.

Comungo com o internauta quanto à critica ao prefeito em razão de igrejas e academias terem sido “autorizadas” a funcionar, mas é bom que se registre que essas “autorizações” não partiram do gestor municipal, mas do presidente Jair Bolsonaro que elencou, por decretos, essas atividades, entre outras, no rol dos serviços essenciais que, em razão disto, poderiam funcionar país afora.

Compartilho da crítica citada acima porque o decreto do presidente negacionista é inócuo diante da louvável decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu autonomia a prefeitos e governadores para determinarem as medidas de enfrentamento ao coronavírus, o que deixa claro que Bira Vasconcelos poderia e deveria ter mantido o impedimento inicial dos referidos espaços, caso assim quisesse.

Começo a discordar do internauta, mas jamais desrespeitando a sua opinião ou me opondo ao seu constitucional direito de se expressar, quando ele afirma que as liberações das igrejas e academias contribuiu para o agravamento da pandemia no município. Se essas medidas fizeram alguma diferença, foram mínimas, dada a sua insignificância quando comparada a todo o contexto que descrevi nos dois primeiros parágrafos.

No último decreto municipal sobre as medidas atinentes à pandemia, a prefeitura desaconselha a realização de cultos religiosos, mas faz rigorosas exigências caso, mesmo assim, as lideranças eclesiásticas decidissem por abrir as portas de seus templos, o que não ocorreu em um primeiro momento. A igreja católica, por exemplo, informou que apenas voltaria a celebrar missas quando houvesse condição de segurança aos fiéis.

A liberação das academias também ocorreu com base em exigências similares, entre as quais a de se aceitar apenas quatro usuários por horário, o que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, está sendo obedecido. 

Se as tais medidas irão ter resultado positivo ou negativo, só o tempo poderá dizer, mas diante da despreocupação geral que impera na sociedade com relação à tragédia da covid-19 será difícil se conseguir fazer uma medida exata. 

Volto a concordar com o internauta que me despertou o interesse pelo assunto quando disse que “com hipocrisia não vamos vencer esse vírus”. É fato. Mas também não o venceremos com meias verdades ou completa desinformação a que se acostumou lançar mão em benefício de uns ou de si próprio e em detrimento de outros - e ainda muito menos sem o uso de uma régua justa a ponto de ser capaz de medir todas as responsabilidades quanto ao momento miseravelmente desastroso que o Brasil atravessa em vários aspectos.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Ruína da capela de São Francisco na BR-317

Não sou um frequentador assíduo da igreja em que fui batizado e onde casei uma filha, mas guardo minha religiosidade em um nível de reflexão e contemplação dos mistérios que não consigo compreender a ponto de me sentir em paz com minhas atitudes e maneira de viver. 

Em meio a alguns rituais muito íntimos que mantenho, está o de reservar um grande respeito aos lugares sagrados, independentemente da denominação a que pertençam.

Dentro dessa reverência, conservo uma grande atração por santuários, igrejas, capelas e coisas do tipo. Como quase não viajei até este ponto da vida, as maiores experiências que tenho de visitação a esses espaços se resumem à Catedral do Sagrado Coração de Jesus e a capela de Santo Antônio, em Porto Velho; a catedral de Nossa Senhora da Glória, em Cruzeiro do Sul; e a catedral Nossa Senhora Del Pilar, em Cobija-Bolívia.

Não estão na lista acima a igreja de São Sebastião, de Xapuri, e a catedral Nossa Senhora de Nazaré, em Rio Branco, pois essas são a expressão máxima da minha admiração e nelas não me sinto um visitante. Mas todo esse preâmbulo tem o objetivo de abrir caminho para um registro sobre um lugar muito simples, hoje abandonado, onde um dia foi a capela de São Francisco, na BR-317, nas proximidades da fazenda Araxá, limite de Xapuri com Capixaba.

De um tempo em que famílias ali congregaram, apenas resta a ruína, ainda de pé, da parte frontal da capela. Sempre que viajo a Rio Branco, pratico um daqueles rituais reservados que citei no primeiro parágrafo. Faço uma oração e peço a Deus proteção na viagem e bom encaminhamento nas resoluções que serão tomadas na capital. Na volta, o mesmo procedimento, agradecendo as bênçãos e rogando pela chegada em casa com segurança.

Pelo caminho, sempre me ponho a pensar sobre a energia positiva que aquele lugar esquecido me faz sentir, pois essa relação que com ele alimento me traz uma sensação extrema de paz e de segurança. Imagino que seja efeito dos tempos em que ali pessoas praticaram o amor a Deus e a Ele tanto rogaram por suas vidas, por sua saúde e suas famílias. Pode ser que isso não passe apenas de um puro excesso de minha imaginação, mas que me conforta enormemente o coração.

Pensei, então, que aquele lugar pudesse ser revitalizado. Não retomando a sua condição de congregação, uma vez que a saída de antigos moradores de seus lugares para dar espaço à pecuária e, ainda, a distância para a cidade, torna essa opção inviável. Porém, o espaço poderia ser preservado, restaurando-se a bela parte que ainda lhe resta, cultivando-se ali um jardim, e tornando o local um ponto de parada para orações e fotografias de recordação. 


Talvez seja um devaneio de minha parte, e nem sei se o proprietário da fazenda onde a capela um dia existiu permitiria uma ação como essa. 

No entanto, tenho certeza de a medida agradaria a muitos e seria uma justíssima homenagem a uma personagem das mais importantes da história da religiosidade católica em Xapuri, dona Aurélia Ferreira Castelo, grande mentora das atividades e da vitalidade da comunidade de São Francisco. 

Ministra da Eucaristia e componente do Conselho Paroquial da igreja de São Sebastião, dona Aurélia foi, segundo relatos de alguns fiéis, a maior cuidadora da antiga capela de São Francisco, organizando as procissões que lá ocorriam até ser necessária a desativação da ermida e sua transferência para o Entroncamento, onde uma nova construção foi erguida e se mantém com as suas atividades até os dias atuais. 

Explico não se tratar de mero saudosismo o que me faz tecer essa simples, mas sincera consideração. É uma questão de entender que é importante se preservar determinadas coisas ou fatos que possam guardar grande valor, mesmo que abstrato, para si ou para outrem. O que somos nada mais é do que o conjunto daquilo que herdamos de nossos antepassados, seja pelos genes, seja pela transmissão de valores a nós tão sagrados quanto imprescindíveis.

Ao lado, a nova capela de São Francisco, construída com os esforços de católicos de Xapuri sob a coordenação de dona Aurélia Ferreira Castelo, que teve uma vida de dedicação às causas da igreja católica no município. Ela faleceu no dia 20 de fevereiro de 2017 e seu corpo foi velado no salão paroquial da instituição à qual tanto se ofertou.  

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Abandono e revitalização da Cerâmica de Xapuri

















A antiga Cerâmica Municipal de Xapuri é um daqueles patrimônios que deveriam ser eternamente mantidos e cuidados. Parte relevante do desenvolvimento da cidade passou pela velha olaria e muita coisa, material e imaterial, foi construída com base na mistura do suor vertido de testas e pelo barro amassado por mãos de muitos xapurienses de fibra. 

Ela, durante muito tempo, foi importante para a administração pública municipal por fornecer, com baixo custo, tijolos para o calçamento de ruas, uma das principais necessidades do município na área de serviços urbanos. Para a população, oferecia o mesmo produto a um preço bem mais acessível que os ofertados pelas lojas de material de construção.

Apesar da inegável importância, a Cerâmica de Xapuri nunca foi efetivamente vista pela grande maioria dos administradores da cidade como um instrumento capaz de gerar benefícios à coletividade – conjugando geração de emprego e renda. Sempre esteve nas mãos de um ou de outro, ora da iniciativa privada ora de pessoas ligadas à própria administração pública, servindo como fonte particular de lucro.

Ao longo de seguidos anos, a olaria foi sendo dilapidada e a área ao seu redor invadida irregularmente. Da estrutura que possuía não restou praticamente nada, a não ser a cobertura. O estrago se deu, principalmente, quando esteve nas mãos de empresários ligados politicamente a prefeitos por meio de processos obscuros dos quais nunca foi dado conhecimento ao público.


No início de seu primeiro mandato, em 2009, o atual prefeito, Ubiracy Vasconcelos, entendendo a viabilidade de uma indústria de tijolos na cidade, firmou uma parceria com o governo do estado, via Funtac – Fundação de Tecnologia do Acre - para a realização de um estudo de viabilidade econômica da olaria. A intenção era dotar a cerâmica da capacidade de produzir 18 mil tijolos por dia.

Esse estudo resultou no conhecimento de que são necessários recursos da ordem de R$ 300 mil para que a cerâmica seja adequadamente reestruturada, considerando que lá mais nada existe desde a administração passada. No entanto, os anos se passaram e o objetivo da retomada do empreendimento ficou apenas nesse estudo de viabilidade.

Dessa maneira, a Cerâmica Municipal pode ser considerada como um dos grandes símbolos da incapacidade gerencial de várias administrações para um empreendimento comprovadamente capaz de produzir ganhos à cidade e sua população, se tornando uma espécie de empresa pública geradora de empregos e outros incalculáveis benefícios.

De maneira alheia ou não às questões político-partidárias e do debate eleitoral que já se estabelece em Xapuri, o tema relacionado à revitalização da Cerâmica Municipal é oportuno e pertinente, pois significa esperança de emprego para a mão de obra ociosa existente na própria comunidade do bairro onde a mesma se localiza e que leva o seu nome.


Que fique transparente, antes de qualquer costumeiro mau entendimento, que essa modesta opinião não representa instrumento de crítica destrutiva ou mal intencionada contra as administrações passadas ou mesmo a atual, mas mero relato de fatos testemunhados e constatados pelo acompanhamento ininterrupto da vida do município nos últimos 32 anos.

De igual maneira, também não se presta de defesa ou de ataque para este ou aquele no campo do enfrentamento político local, uma vez que todos os grupos inseridos na atual conjuntura de Xapuri, sem exceções, têm, de alguma maneira, responsabilidades pela situação em que se encontra a velha Cerâmica Municipal, assim como de outros problemas crônicos da cidade.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

O abandono da Pousada do Cachoeira

Fiquei triste em saber que um empreendimento que custou cerca de R$ 200 mil aos cofres públicos foi abandonado à própria sorte. Tinha consciência de que a situação da Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira há tempos não era boa, mas confesso que fui surpreendido pelo cenário mostrado pela reportagem do xapuriense Leônidas Badaró, no jornal ac24horas

Fui testemunha do começo desse projeto que tinha como objetivo primordial gerar emprego e renda para a própria comunidade a partir da exploração turística das belezas e da história de uma das regiões mais simbólicas do movimento dos seringueiros de Xapuri que culminou com o assassinato do líder sindical Chico Mendes em 1988. Era uma iniciativa que tinha todos os motivos e justificativas para dar certo, mas que sem um planejamento de gestão eficiente jamais chegou a se tornar o que se pretendia dela e terminou enveredando pelo caminho do fracasso e do abandono. 

Antes mesmo do fim dos governos do PT, o chamado "turismo ecológico" na região já havia perdido a força, com a presença cada vez menor de visitantes de outros estados e países, que na sua maior parte eram pesquisadores e estudantes de áreas ligadas à natureza e ao movimento social que tinha a localidade como uma das mais importantes referências, por ali serem encontradas figuras diretamente ligadas à história de Chico Mendes. Um dos principais efeitos desse enfraquecimento foi o abandono da estrada que dá acesso ao seringal, que passou da condição de uma das mais bem conservadas do município para um estado muito ruim de trafegabilidade.

De acordo com a reportagem, o atual momento do inicialmente promissor empreendimento é de absoluta rejeição tanto por parte do governo do estado, que o idealizou e construiu, quanto da comunidade local, que foi o principal alvo dos investimentos. A saída para evitar o total abandono e a consequente destruição das instalações é, segundo a secretária estadual de Turismo, Eliane Sinhasique, encontrar algum empresário que tenha interesse em assumir o controle do espaço que até 2018 foi zelado por ocupantes de cargos comissionados do governo do estado, entre eles uma prima de Chico Mendes.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Chuva de estupidez humana

Infectado pelo novo coronavírus e, como sempre, possuído pelo seu desvario negacionista, o presidente Jair Bolsonaro voltou a tripudiar sobre as mais de 65 mil mortes provocadas pela doença no Brasil, na tarde desta terça-feira (7), ao anunciar que contraiu a Covid-19 em entrevista a emissoras de TV.

Para ele, o vírus é como uma chuva, que uma hora vai atingir todo mundo, mas que pouquíssimas pessoas, em especial as idosas e com comorbidades, vão efetivamente ter problemas com a doença. No seu caso específico, não deixou a situação por conta de seu histórico de atleta, mas recorreu a um bom guarda-chuva.

Guarda-chuva esse que a grande maioria dos brasileiros pagadores de tributos, infelizmente, não tem à sua disposição – um bom serviço médico exclusivo e disponível assim que a situação apontar para o menor sinal de complicação. Sem o acessório, milhares já se molharam e foram à cova em caixão lacrado e sem velório.

Aproveitou também - e não poderia ser diferente - para fazer uma propagandazinha da cloroquina, medicamento que para a ciência, no caso da covid-19, não possui eficácia comprovada, além de apresentar efeitos colaterais perigosos, mas que para ele mostrou resultado em poucas horas. “Estou perfeitamente bem”, disse.

Mas a chuva em torno de Bolsonaro não é feita apenas de fake news e coronavírus. Nas redes sociais, bolsonaristas se puseram e choramingar por conta dos memes comemorando a doença do presidente. Dilúvio de hipocrisia de quem muito se divertiu com as pragas atiradas contra Dilma Rousseff durante o seu processo de impeachment.

Não creio que as pessoas de bom senso e desprovidas de patologias político-partidárias queiram ao presidente o que ele já desejou à sua predecessora. Também não entendo que ele deva ser tratado como vem destratando os demais brasileiros, lançando mão de uma verdadeira chuva de estupidez humana.

Xapuri adia IPTU e reduz ISS para aplacar crise do coronavírus

Publicada na edição desta terça-feira (7), no Diário Oficial do Estado, a Lei Municipal nº 10.055, aprovada recentemente pela Câmara Municipal, que adia para o próximo ano a cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e reduz em 50% o valor do Imposto Sobre Serviços (ISS).

No caso do IPTU, que sequer chegou a ser lançado, a cobrança do imposto referente ao ano de 2020 será feita apenas no ano que vem, junto com o tributo de 2021, com desconto de 20% e parcelamento em 10 vezes. A redução do ISS terá a validade de 12 meses a partir da data de publicação da lei.

As medidas de incentivo são motivadas pela pandemia do novo coronavírus, que já afetou diretamente quase 300 pessoas no município e têm o objetivo de auxiliar economicamente a população e o setor industrial, que emprega tanto quanto a prefeitura.

O desconto no ISS vai beneficiar a Fábrica de Preservativos Natex, o Complexo Industrial Florestal, a Usina de Beneficiamento de Castanha Chico Mendes, além das movelarias instaladas no Polo Industrial de Xapuri. De acordo com o prefeito, o principal resultado das ações será a preservação dos empregos.

“É uma notícia boa para todo mundo nesse momento difícil, tanto para os moradores quanto para as indústrias do nosso município, no segundo caso com respeito à manutenção dos empregos, uma vez que esses empreendimentos têm tantos trabalhadores quanto o próprio município e o comércio”, justificou.

O decreto de isolamento em Xapuri foi prorrogado por mais por mais 15 dias com a reformulação de algumas medidas, como a autorização do funcionamento de academias de ginástica, sob normas rígidas de prevenção, e a ampliação do horário de funcionamento de farmácias, que agora poderão ficar abertas até as 22 horas – antes podiam funcionar até as 20 horas.

Eleições e Pandemia

Diversos projetos de lei em análise na Câmara dos Deputados buscam alterar as regras para as eleições municipais de 2020, com o objetivo de adaptar as normas ao contexto da pandemia de Covid-19. De acordo com a Emenda Constitucional 107, promulgada na semana passada, os dois turnos das eleições serão realizados nos dias 15 e 29 de novembro, respectivamente.

Uma dessas propostas é o PL 3602/20, que proíbe, enquanto perdurar o estado de emergência de saúde pública decorrente do novo coronavírus, a realização de comícios e demais eventos de campanha eleitoral que gerem aglomeração de pessoas.

Autor do projeto, o deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE) afirma que, tão importante quanto conter o atual surto de coronavírus, é essencial evitar que surjam novos. “Mesmo que nos próximos meses o surto mais grave seja controlado, apenas a manutenção de medidas sanitárias corretas garantirá a preservação de nossa saúde”, destaca.

Já o Projeto de Lei 3623/20 autoriza a contratação de artistas, para apresentações em plataformas digitais da internet, nas campanhas eleitorais de candidatos nos pleitos municipais de 2020, excepcionalmente. Pelo texto, os gastos individuais de cada candidato ficarão limitados a R$ 20 mil, podendo o artista ser contratado por mais de um candidato.

Os chamados “showmícios” em campanhas eleitorais foram proibidos pela Minirreforma Eleitoral de 2006 - proibição que posteriormente foi questionada por alguns partidos e mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Como estão proibidas as aglomerações e, portanto, os comícios, os candidatos devem poder, nos limites previstos, contratar artistas para suas campanhas excepcionalmente, pois estamos vivendo um momento jamais vivido por esta geração”, justifica o autor da proposta, deputado Alexandre Frota (PSDB-SP).

Propaganda eleitoral gratuita

Por sua vez, o Projeto de Lei 3613/20 limita a veiculação da propaganda eleitoral gratuita das eleições de 2020 à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e destina os valores poupados a ações de enfrentamento ao novo coronavírus. A empresa pública é responsável, por exemplo, pela TV Brasil, pela Agência Brasil e pela Rádio Nacional, entre outros veículos.

A proposta altera a Lei das Eleições, que hoje prevê compensação fiscal às emissoras de rádio e TV por ceder o horário gratuito para a propaganda eleitoral.

“Com a disseminação da Covid-19, culminando na decretação de estado de calamidade, é urgente o redirecionamento de recursos para as áreas afetadas, como a saúde e, indiretamente, a setores da economia popular atingidos pela dureza das medidas de contenção da doença”, defende a autora da proposta, deputada Caroline de Toni (PSL-SC). Segundo ela, o horário eleitoral é “gratuito” para o partido político, mas “para a União, ele custa caro”.

O Projeto de Lei 3639/20 acrescenta, nas eleições deste ano, 30 minutos por dia de propaganda eleitoral ao horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e TV. A ideia do autor da medida, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), é dar mais oportunidade para que o eleitor conheça os candidatos. “Teremos uma condução das campanhas de forma diferente da que foram feitas nos últimos pleitos, com muito menos contato físico e social, fato que faz crescer a dificuldade de os candidatos se fazerem conhecidos pelos eleitores”, justifica.

Número de eleitores

Outra proposta (PL 3567/20) limita a cem o número de eleitores por seção eleitoral nas eleições que ocorram durante a pandemia.

Para o autor do texto, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), a medida permitirá “o razoável distanciamento entre as pessoas no momento da votação”. A proposta acrescenta a medida ao Código Eleitoral, que atualmente fixa em 400 o número máximo de eleitores por seção nas capitais e em 300 nas demais localidades.

Hildo Rocha também é autor do Projeto de Lei 3629/20, que prolonga em duas horas o horário de votação neste ano. Pelo texto, durante a pandemia de Covid-19, o recebimento de votos começará às 8 horas e terminará às 19 horas. A ideia também é “abrir margem para maior espaçamento entre eleitores de uma mesma seção eleitoral”.

Benefícios governamentais

Também está em análise na Casa o Projeto de Lei 3105/20, o qual prevê que, nas eleições municipais deste ano, poderá ocorrer distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública desde que com a finalidade específica de mitigar os efeitos da pandemia.

O texto altera a Lei das Eleições, que proíbe, em ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, exceto nos casos de calamidade pública, de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária. “Apesar de a legislação já excepcionar os casos de calamidade pública, entendo que é necessária a alteração para citar especificamente a pandemia de Covid-19”, diz a deputada Geovania de Sá (PSDB-SC), autora do texto. O objetivo, acrescenta ela, é atenuar os efeitos econômicos gerados pela pandemia.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Resposta rápida

A prefeitura de Xapuri agiu rápido e impediu que um sério dano causado à vegetação da área localizada no encontro dos rios Acre e Xapuri tenha continuidade. De acordo com a assessoria da prefeitura, a Secretaria de Meio Ambiente e Turismo foi ao local e notificou o "morador", com quem foi negociado um prazo de 10 dias para que ele retire o casebre ali construído. Ele também terá que reflorestar a área que desmatou. 

O fato ganhou repercussão nas redes sociais depois que uma imagem da ação foi compartilhada por um internauta, causando protestos e pedidos de providências à prefeitura contra a intervenção. A assessoria da prefeitura informou ainda que o ocupante respondeu de maneira positiva à abordagem da Sematur e que a solução para o problema foi encontrada por meio de acordo amigável.

A vegetação das margens dos rios Acre e Xapuri na região em que o segundo desemboca vem se recuperando nos últimos 20 anos, depois de sofrer total remoção por conta das pastagens que ali predominavam. 

Com o fim da utilização dessas áreas, uma mata secundária começou a se formar. No entanto, uma invasão que vem ocorrendo há cerca de dois anos está trazendo de volta a ameaça.

O local escolhido pelo invasor notificado pela prefeitura é um dos mais privilegiados na vista que se tem da praça de São Sebastião para a foz do rio Xapuri. É um dos lugares mais bonitos da cidade e está localizado em frente à histórica Praia do Zaire, onde se localizou um dos principais pontos de embarque e desembarque de navios nos tempos das casas aviadoras. 

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Tião cai, Moisés sobe

Gladson exonera Tião Fonseca do Depasa e nomeia Moisés Diniz na Educação

Leonildo Rosas, no Portal do Rosas.

Afogado pela incompetência e uma alagação de denúncias, o engenheiro Tião Fonseca foi exonerado do cargo de diretor-presidente do Depasa.

Fonseca mergulhou em festival de denúncias desde o primeiro dias à frente do órgão, inclusive com suposto favorecimento de empresas ligadas à sua família.

A exoneração de Fonseca está no Diário Oficial de hoje.

No mesmo Diário Oficial que exonerou o engenheiro, o governador Gladson Cameli nomeou o ex-comunista Moisés Diniz para o cargo de secretário adjunto da Secretaria de Estado de Educação e Esporte.

Moisés Diniz foi líder do ex-governador Tião Viana, no primeiro mandato, e diretor-presidente do Depasa, no segundo mandato.

Ainda no governo Tião Viana, Moisés foi secretário adjunto de Educação e Esporte, sem apresentar resultados. Nas suas mãos foi colocado o programa Quero Ler, mas, como teve fraco desempenho, foi substituído pelo professor Evaldo Viana.

Acostumado a ter cargos na estrutura do poder, Diniz esqueceu os ensinamentos de Karl Marx e decidiu se filiar ao PP, que é o herdeiro da Arena, o partido da ditadura militar, cujo maior expoente é o ex-governador de São Paulo Salim Maluf.

Invasão ameaça margens de rios em Xapuri

Depois de algumas décadas se recuperando do desmatamento causado pela atividade pecuária, a mata ciliar localizada na região onde se encontram os rios Acre e Xapuri volta a ser ameaçada.

A imagem de uma pequena área de desmatamento da vegetação ciliar e a construção de um casebre no lado oposto à cidade, em frente à tradicional Praia do Zaire, gerou protestos de internautas e apelos de providência à prefeitura contra a intervenção. 

A instalação da casa naquele local tem a ver com uma invasão que ocorre há alguns anos naquela região, em uma propriedade rural pertencente a herdeiros e conhecida como Ilha Bela. Uma situação que realmente preocupa pelo evidente prejuízo causado à beleza do lugar e por se tratar de um caso de clara agressão ao meio ambiente.

Leia mais em matéria do site ac24horas.

A alegria segundo Francisco

João Baptista Herkenhoff

O maior anseio das pessoas, individualmente, e dos povos, coletivamente, é encontrar, nesta vida transitória, a felicidade e a alegria.

No mundo capitalista, onde tudo se transforma em mercadoria, pretende-se fazer da felicidade um objeto de consumo e, por consequência, submetido a operações de compra e venda.

Na contramão do pensamento circulante, marcado pelos desvalores, o Papa Francisco começa sua encíclica “Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho) denunciando a falsa alegria:

“O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho.”

 Em oposição à enganosa proposta de felicidade fundada no egocentrismo, Francisco aponta uma outra rota para conduzir nossas vidas:

“Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro.”

As exortações do Papa não devem merecer ausculta apenas dos crentes e dos cristãos, e muito menos receber a restrita atenção dos católicos.

O texto é ecumênico, aberto aos múltiplos pensares contemporâneos. Não pretende, de modo algum, converter quem quer que seja ao redil confessional de Roma.

Numa época em que se faz da mulher um objeto, de forma explícita ou sub-reptícia, Bergoglio exalta a dignidade do feminino e não utiliza meias palavras para profligar o machismo e a violência doméstica.

Segundo prognostico, durante a permanência de Francisco no Vaticano a mulher será admitida ao sacerdócio católico, com lamentável atraso, pois em outras igrejas evangélicas já temos mulheres exercendo, em plenitude, o pastoreio e ocupando as sedes episcopais.

Em recente Missa do Galo, disse o Papa que o mundo precisa de ternura.

Papas anteriores doutrinaram que o mundo precisa de Justiça, Solidariedade, melhor distribuição dos bens, convivência harmônica entre as nações.

Nunca tinha ouvido um Papa dizer que o mundo precisa de ternura.

O que é essa ternura que o Papa argentino deseja que habite o coração da Humanidade?

Essa ternura não resume todos os valores, todas as metas, todos os sonhos?

Parece que, naquele momento, São Francisco de Assis habitou o espírito do seu homônimo: “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.”

A ternura não tem rótulo de um credo religioso, nem está enclausurada nos domínios da Fé.

Foi resumida, não por um filósofo, na academia, mas por um cantor argentino, num cabaré:

“Tenemos que abrirnos, no hay otro remédio.” (Carlos Gardel).

João Baptista Herkenhoff é juiz de Direito aposentado (ES) e escritor.

Pobreza e covid-19

As pessoas  mais pobres do país são as mais afetadas pelos impactos da Covid-19, segundo o Fundo de População da ONU no Brasil (UNFPA Brasil).

Em regiões com elevadas desigualdades, como é o caso da América Latina, no médio e longo prazo os impactos podem explicitar e aumentar as iniquidades já existentes, seja na renda, no acesso a serviços ou na concretização de direitos básicos. Nesta última quarta-feira (01/07), aconteceu a décima edição da série de webinários, População e Desenvolvimento em Debate, promovido pelo Fundo de População da ONU no Brasil (UNFPA) e Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP). Foram convidados para o debate virtual, especialistas para discutir sobre  Impactos sociais e econômicos da Covid-19. Foi concluído que as populações mais pobres são as mais afetadas pela crise.

O sociólogo e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP, Rogério Barbosa, acredita que a pandemia e a má recuperação do mercado de trabalho desde 2015, especialmente para as camadas mais pobres da população, no médio e longo prazos agravam ainda mais as desigualdades no Brasil. Pontua também que, a leitura dos indicadores sociais foi alterada pela pandemia da Covid-19. “Quando vemos a pobreza caindo [durante a pandemia da Covid-19], significa que a pobreza monetária está caindo e não necessariamente as condições de vida da população estão melhorando. Quando este programa [Auxílio Emergencial] for desligado, certamente esse índices irão subir, pelo menos para 28% da população”, explica Rogério Barbosa.

Paulo Saad, diretor do Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografía (CEPAL/CELADE), por sua vez, traz o contexto de toda a América Latina e Caribe. De acordo com Saad, a população que vive em situação de pobreza ou extrema pobreza na região vem crescendo nos últimos anos e existe uma desaceleração do processo de redução da desigualdade na região O diretor da CEPAL explica que “as comunidades pobres não só estão muito mais expostas ao contágio, mas quando pegam o vírus, possuem muito menos recursos para a devida atenção ao tratamento. Além disso, os pacotes de apoio estatal geralmente encontram muito mais dificuldade para alcançar estas comunidades, incrementando a dificuldade dos moradores em manter o confinamento”.

Além disso, aponta que 80% da população vive em cidades, sendo que 17% se concentram principalmente em seis megacidades (com mais de 10 milhões de pessoas). “As cidades na América Latina e Caribe são caracterizadas pela segregação e pela urbanização informal, onde há superlotação e acesso limitado a água e saneamento básico, que amplificam o risco de propagação nessa áreas mais pobres”, conclui o Saad.

“A pandemia escancarou as enormes desigualdades sociais no Brasil pela primeira vez”, refletiu, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho Administrativo do Magazine Luiza. Dado o cenário, Luiza acredita que existe a necessidade da realização de novas reflexões e atitudes, tanto da pessoa física quanto das empresas, para amenizar os impactos nas populações mais vulneráveis diante desta nova realidade. A convidada também compartilhou as ações que têm promovido, como a criação do projeto Parceiro Magalu para aqueles que estão desempregados, a ampliação de campanhas de violência contra a mulher, e, junto com o Estudo do Desenvolvimento do Varejo, tem tido contato com os secretários do Ministério da Economia para o auxílio na criação das medidas.

Além disso, Trajano relata que percebeu que o que chamou de cultura da doação também cresceu com a grande exposição das desigualdades sociais que a pandemia da Covid-19 trouxe, e pontua que empresas estão agindo para auxiliar as populações mais vulneráveis.

Os e as palestrantes convidados para o debate foram: Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza; Rogério Barbosa, sociólogo, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP; e Paulo Saad, diretor do Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografía (CEPAL/CELADE). A mediação do webinário foi realizada por Astrid Bant, representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil.


Assista esse debate na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=H1e0yzjVNOY

A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realiza discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento. Na próxima quarta-feira 08/07 o tema será:  Saúde Reprodutiva, Direitos e a Covid-19. Acompanhe no perfil do UNFPA no Youtube: youtube.com/unfpabrasil.

domingo, 5 de julho de 2020

"Túnel da Felicidade"

É como o prefeito do município mais famoso do Acre está chamando essa bela arborização das margens da rodovia estadual AC-485, conhecida como a Estrada da Borracha. Ubiracy Vasconcelos diz que quem passa pelo "Túnel da Felicidade" encontra uma cidade tranquila, de vida agradável.

A plantação de seringueiras em toda a extensão da via de 12 quilômetros que dá acesso a Xapuri não se desenvolveu uniformemente, mas logo na entrada para a cidade, após sair da BR 317, passando pelo Entroncamento, o visitante se depara com uma paisagem muito bonita e agradável.

O local se tornou, nos últimos tempos, uma atração da cidade. Comumente, quem passa por ali se depara com pessoas - casais e até famílias inteiras - fazendo fotos para a posteridade, aproveitando a beleza do lugar. As imagens fazem sucessos na internet, postadas nas diferentes redes sociais. Eu mesmo já parei lá para fazer algumas que não ficaram muito boas, pois até para a natureza existem certos limites.

As seringueiras foram plantadas ao longo da estrada quando a rodovia era asfaltada, entre os anos de 1999 e 2000, no governo Jorge Viana, depois de uma história de décadas em que a população local teve que enfrentar a lama e os atoleiros para chegar à BR. Em algumas épocas do ano, se levava mais tempo para chegar ao Entroncamento do que o que se gasta até Rio Branco nos dias de hoje. Quando a 317 foi asfaltada no governo Orleir Cameli, o "Ramal do Entroncamento" foi deixado no esquecimento.

O propósito, no entanto, não é o de enaltecer as gestões petistas das quais fiz parte, mas o de reavivar algumas verdades que a paixão político-partidária costuma embaçar. Os governos do PT tiveram mais acertos do que erros, especialmente no duplo mandato de Jorge Viana e no único de seu sucessor, Binho Marques. A torcida de todos, creio, é a de que o atual governo também tenha menos falhas e mais corretidão para que ações que melhorem a vida dos acreanos possam seguir acontecendo.

Em tempo: a foto que ilustra o post é de Mirray Rodrigues. 

O “Pau do Jorge” resiste

O velho e polêmico desenho de uma castanheira, emblema do slogan “Acre: Governo da Floresta”, durante o primeiro mandato do ex-governador Jorge Viana (1999-2002), ainda resiste no monumento onde está a placa inaugural da mais importante obra de Viana em Xapuri: o asfaltamento da rodovia estadual (AC-485), batizada de Estrada da Borracha.

“O Pau do Jorge”, como ficou popularmente conhecido o símbolo, levou à impugnação da candidatura do petista à reeleição, em 2002, em uma ação do Movimento Democrático Acreano (MDA), do então candidato de oposição, o peemedebista Flaviano Melo, por causa do uso da imagem da castanheira e do slogan na campanha eleitoral daquele ano. Entretanto, dias depois, o TSE revogou a impugnação do TRE e o petista foi reeleito para mais um mandato.

Admira o fato de o antigo símbolo ainda estar ali, passados mais de 18 meses da atual gestão estadual, cujo início foi marcado por uma raivosa e esdrúxula caça às bruxas intitulada “despetização” por meio da qual petistas e simpatizantes do governo findo e qualquer tipo de alegoria que se remetesse ao Partido dos Trabalhadores foram alvo de investidas persecutórias de membros do atual governo.

Depois de algum tempo do fim do domínio petista, analisando a atual situação em que o estado se encontra, sem que o atual mandato tenha apresentado nenhuma grande novidade com relação ao último, fica evidente que as mudanças que são pensadas e propostas nas campanhas eleitorais não se concretizam por meio de ações político-passionais. Demonização de pessoas e a mera destruição de símbolos não leva governo nenhum a lugar algum.

sábado, 4 de julho de 2020

Meros pitacos

Depois de realizada uma reunião na casa do deputado Antônio Pedro (Dem), no último dia 26 de junho, com direito a almoço e uma temerária aglomeração de mais de 20 pessoas, da qual participou o governador Gladson Cameli e o seu vice Major Rocha, o grupo de oposição em Xapuri, que reúne o MDB, o DEM, o PSD, agora, o PP, deu um verdadeiro nó cego na curiosidade de quem se propõe a acompanhar o desenrolar da política paroquiana.

A pauta do encontro não foi outra senão o impasse que há entre os partidos que apoiaram Cameli a se eleger governador nas eleições passadas para definirem quem vai encabeçar uma pretendida chapa única para enfrentar o atual prefeito Ubiracy Vasconcelos, do PT, pré-candidato à reeleição. Segundo fonte do blog presente ao encontro, os pretensos candidatos à cadeira de prefeito de Xapuri entraram mudos e saíram calados da reunião.

Cuidadoso, o chefe do executivo estadual não opinou na questão local, resumindo-se a orientar que os representantes das agremiações partidárias se unissem e resolvessem a indefinição. Com relação às eleições municipais, Gladson tem feito poucas sinalizações sobre apoio a candidaturas, mas abriu uma crise em seu próprio partido ao fazer um anúncio público de apoio à atual prefeita de Rio Branco, Socorro Neri, do PSB.

Em Brasiléia, jornais locais divulgaram recentemente a aproximação entre o PP municipal e a atual prefeita Fernanda Hassem. E o próprio Gladson Cameli não esconde a simpatia pela gestora petista que, por sua vez, não nega a reciprocidade. Em Xapuri, recentemente, o governador trocou afagos com o também petista Bira Vasconcelos, dizendo que "no combate à pandemia não há cores partidárias, mas salvar vidas”.

A falta de um posicionamento mais incisivo de Gladson no campo político tem sido motivo de um clima de "dormindo com o inimigo" entre os partidos de oposição em Xapuri que, em um caso específico, já causou até uma desistência. Apontado pelo governador no início do mandato como o seu candidato a prefeito em Xapuri, o empresário Aílson Mendonça, filho do deputado Antônio Pedro, largou a sua pré-candidatura sob o argumento de cuidar de suas empresas.

A não surpreendente renúncia do filho, que aparentava ter o significado de facilitação do processo interno, deu lugar ao imediato anúncio do nome da madrasta, Carla Mendonça, deixando a situação igualmente complicada. A coisa está parecendo uma prova de resistência do Big Brother Brasil e não se sabe quem será o próximo a pedir o chapéu. O meu palpite é o de que a aliança não vai dar rock, mesmo conhecedor de que em política tudo é possível.

As razões que tenho para pensar que a “sacramentação” da união tem consideráveis chances de não se concretizar não são nenhuma novidade e já falei sobre elas em outros escritos. Em primeiro lugar está o já conhecido egocentrismo do grupo do Democratas no município. Acham-se os melhores e ponto, mesmo já tendo tido sinais claros da rejeição que lhes ronda. E depois vem a convicção do realmente bom pré-candidato do MDB, o advogado Carlos Venícius, de que seu nome é insuperável na oposição local.

Em análise minha, Carla Mendonça só decolaria caso fosse empurrada goela abaixo pelo staff governamental. Apesar de ser um nome contra o qual nada possa se dizer de negativo, não passa de uma estratégia desesperada do marido, após a desistência de Aílson, para não perder o poder de barganha, o que é natural a quem detém um mandato. Reforço que essa é apenas uma opinião, que pode ser confirmada posteriormente ou não.

Outro palpite é o de que Gessi Capelão (PSD) corre por fora, apesar de ele não estar menos convicto da sua força, principalmente na zona rural, onde se mantém permanentemente presente. Sob a batuta de Sérgio Petecão, aceita o que lhe oferecerem para abrir mão de sua candidatura e tomar outro caminho, como voltar a se eleger como o vereador mais votado, caso a proposta lhe seja vantajosa.

Enfim, são apenas meros pitacos.

O desastre aéreo que comoveu Xapuri na década de 1950

Segunda-feira, 30 de abril de 1951, uma data que ficou marcada na história da família Melo Sarkis que, na verdade, ainda nem existia quando o avião Beechcraft-Bonanza PP HTI “Tarauacá”, do Serviço Aéreo do Governo do Acre, caiu ao chegar a Xapuri após sobrevoar a cidade e bater em uma castanheira, se precipitando nas imediações da pista de pouso, por volta das 17h30.

No acidente, morreram José Raimundo de Melo e Miguel Gomes Bezerra, além do piloto, o tenente Manoel de Souza Fortes. José de Melo é o pai da matriarca da família Melo Sarkis, Velissa Guaraciaba de Melo Sarkis, que se casaria com Elias Cher Sarkis, três anos após a tragédia que enlutou as cidades de Xapuri e Rio Branco, onde as vítimas do infortúnio eram personagens muito conhecidas das sociedades locais. 

Com 21 anos de idade à época do acidente, Velissa já namorava com Elias Sarkis, ao lado de quem gerou Andrias, Constantino, Jorge Elias (falecido com uma semana de vida), Afonso, Tadeu, Nader e Rachide, a caçula, depois de se casarem no ano de 1954. Os filhos cresceram ouvindo histórias a respeito do acidente que comoveu profundamente a sociedade da época, que ainda lembra de momentos como a missa de corpo presente na igreja de São Sebastião ainda em construção. 

O bancário aposentado Andrias, o filho mais velho, ainda guarda uma peça do avião, recolhida por Elias Sarkis, que quando soube da notícia do acidente correu para o local acompanhado do amigo Afonso Zaire, ainda conseguindo ver a aeronave em chamas. É um cabo de aço que ligava uma das asas, não atingida pelo fogo, à fuselagem da aeronave. Uma triste lembrança da tragédia que completará 70 anos em 2021.

“Esse cabo de aço foi guardado por meu pai durante 54 anos até a sua morte, em fevereiro de 2005. O apego com a peça, que ele usava como um instrumento de defesa pessoal quando se deslocava do trabalho para casa – Elias Sarkis foi trabalhador histórico da antiga usina de energia de Xapuri – lhe rendeu o apelido de “Cabinho de Aço, que chegou a ser transferido para mim”, conta Andrias. 

Andrias conta também que seus pais relatavam que ao sair da aula no fim da tarde do dia fatídico se encontraram para namorar, como era de costume, quando, ao passearem, dona Velissa disse ao futuro marido que acabara de ter uma visão de José de Melo vestido de branco. O namorado respondeu, tranquilizando-a, que seu pai estava em Rio Branco, o que significava que aquele pressentimento era irreal. Momentos depois receberam a notícia do acidente. 

O radialista e professor Nader Sarkis, outro neto de José Raimundo de Melo, conta, com base em relatos da família, que o seu avô estava retornando de Rio Branco onde acabara de ser nomeado para o cargo de Delegado Geral de Xapuri. Ele retornaria da maneira que foi, de batelão, mas quando estava prestes a embarcar foi avisado de que um avião sairia para a sua cidade. Como a viagem de subida pelo rio durava cerca de quatro dias, ele teria optado pelo voo fatal. 

“Pela história que ouço desde criança, o avião caiu após o piloto fazer um voo rasante sobre a cidade, como maneira de avisar a moça com quem namorava de sua chegada, como era habitual fazer. Ela morava na rua Sadala Koury, em frente de onde hoje é a pousada Chapurys. Depois dessa rasante, segundo o que se conta, ele não teria conseguido retomar a altitude para fazer o pouso, batendo nessa árvore e caindo”. 

Além de dona Velissa, falecida no dia 25 de agosto de 2016, o nordestino José Raimundo e a esposa Maria de Nazaré de Melo tiveram outros três filhos, Utilde Cardoso, Raimundo Francisco e Getúlio José de Melo. Dos filhos, nasceram 22 netos, dos quais um deles, José Raimundo Hadad Melo, que vive em Belém (PA), se tornou piloto de avião. 

Um dos irmãos, Raimundo Francisco de Melo, falecido no dia 29 de julho de 2009, foi pioneiro no serviço de radiodifusão e radiotelegrafia em Xapuri. Ele foi o criador da “Raimelo”, emissora de caráter comunitário que animava as noites da cidade após as missas de domingo, na década de 1960. No dia do acidente, Melo, como era conhecido, estava em Brasiléia, a trabalho, e não chegou a tempo para ver o sepultamento do pai.

A imagem ao lado é de uma versão moderna de um Beechcraft-Bonanza, aeronave monomotor executiva com capacidade para transportar com razoável conforto um piloto e cinco passageiros em viagens domésticas. 

Fabricada nos Estados Unidos a partir de 1947, é uma das mais conhecidas aeronaves civis da história da aviação e um dos mais respeitados projetos de monomotores a pistão para uso executivo, com manutenção simples e fácil de pilotar.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

O imbecil coletivo e a velha política dando as cartas

Depois de um árduo esforço de muita gente, entre as quais pessoas a quem eu muito estimo, com o fim de me persuadir de que por trás de tanta coisa que se passou de estranha na vida brasileira nos últimos anos estaria o brotar de um novo momento, me convenço de que estava certo em resistir.

No entanto, não carrego comigo nenhum tipo de orgulho. No fundo do coração, meu desejo era, apesar do ceticismo, o de estar errado. De ter que dar o braço a torcer, entregar os pontos. Mas não foi assim, infelizmente, para mim, que nunca acreditei, e nem para aqueles que confiaram piamente no improvável.

Este, certamente, é o ano mais conturbado de que tenho lembrança na minha experiência de mundo. Uma pandemia que torna inseguro o presente e incerto o futuro, agravada pela loucura igualmente epidêmica que assola o país de norte a sul à medida em que mais e mais cadáveres são sepultados sem qualquer cerimônia.

Em Brasília, o centrão dando as cartas no governo do país já é informação mais do suficiente para entendermos que o fundo do poço não está longe. O comando do país foi tomado de uma mediocridade bem ao estilo O Imbecil Coletivo II: a longa marcha da vaca para o brejo, de autoria do ex-guru do Bozoloide, o filósofo Olavo de Carvalho.

No Acre, a recente rasteira aplicada pela direção nacional do PSL no então pré-candidato do partido à prefeitura de Rio Branco, o pecuarista Fernando Zamora, mostra que a correnteza do fisiologismo é muito difícil de ser vencida. Como ele mesmo disse, a velha política ganhou mais uma batalha, e assim seguiremos.

Aqui, na terra da Revolução Acreana e de Chico Mendes, a política da conveniência, seja nos discursos, seja nas ações práticas, segue dando as cartas tal qual o centrão na capital do poder, e o que também não é nenhuma novidade, com o aval, disfarçado de omissão, da atual estrutura de governo.

Sendo mais claro, refiro-me à interferência política na administração pública, perseguição a servidores que não se alinham com ações que não são relacionadas a políticas de governo, mas de cunho estritamente pessoal e eleitoreiro, demissão orientada de servidores temporários que “não somam politicamente”, entre outras vigarices que se tornaram contumazes.

Resta saber até onde esse caminho nos levará. Se temos algo de realmente novo a vislumbrar, sem nos prendermos a velhas amarras de um passado não tão distante; se há, mesmo, uma estrada nova a ser seguida; ou se não existe nada pronto e a construção tenha que ser erguida desde o primeiro tijolo.

Que sigamos, se assim tiver que ser, mas desde que a argamassa de um novo Brasil, de um novo Acre, seja feita de alguns princípios e valores que há muito tempo foram esquecidos. O que não creio é que a grande maioria dos que estão aboletados na atual estrutura de poder possa servir de pedreiros.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Eleições e pandemia

Em Xapuri, a pandemia do novo coronavírus não tem sido obstáculo para que os pré-candidatos da oposição ponham o pé na estrada em busca do personagem mais importante e requisitado do período que antecede às eleições: o eleitor.

Nesta quarta-feira, 1º, Carlos Venícius (MDB) e Carla Mendonça (PP), apareceram em campo em publicações feitas nas respectivas páginas no Facebook.

O emedebista esteve no bairro Sibéria, com passagem pela balsa, onde aparece conversando com passageiros.

“Pré-campanha com responsabilidade”, postou em uma das fotos publicadas.

A recém-lançada candidata progressista visitou a “Cidade de Deus”, como é popularmente conhecido o conjunto Armando Nogueira, um dos lugares mais pobres e socialmente vulneráveis da cidade.

“Olhando de perto as necessidades do nosso povo”, diz ela em um trecho de sua postagem.

Já o pré-candidato do PSD, Gessi Nascimento, não tem aparecido muito na rede social, ultimamente. Na última conversa que mantive contato com ele, afirmou que está “direto na zona rural, mas visitando os bairros também”.

Com as três pré-candidaturas medindo forças, não se sabe ainda como a oposição irá às eleições desse ano – apesar de um suposto entendimento pela aliança, não há indicativo, até o momento, de que alguém pretenda ceder tão facilmente.

De seu gabinete, o prefeito e pré-candidato à reeleição Ubiracy Vasconcelos (PT) apenas tem dado notícias a respeito do combate à pandemia, um fardo que tem sido pesado.

“Não é hora de baixar a guarda”, disse ele numa transmissão pela internet na noite desta quarta-feira.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Quase 32

A Rádio Educadora de Xapuri é uma das coisas mais importantes da minha vida. Ali, cheguei no dia 1º de julho de 1988, aos 16 anos, e me orgulhava de jamais haver saído, até de lá ser excluído pelo atual governo estadual, no dia 27 de janeiro deste ano, o que me impede de neste dia 1º julho completar 32 anos de história na emissora. 

Posso dizer que minha história profissional e também de vida se confundem com a história da “Rádio 6 de Agosto”, nome que homenageia a data em que se iniciou a Revolução Acreana.

Na velha “6 de Agosto” encontrei pessoas que influenciaram de modo decisivo a minha formação moral e ética, me ensinando valores que tento aplicar tanto na vida profissional quanto pessoal até os dias presentes. Lá encontrei personalidades que fazem parte da história da emissora, como Nader Sarkis, Messias Cavalcante e Walter Nicácio, este último um dos grandes patrimônios da emissora, os dois últimos já falecidos.

É verdade que quando cheguei à emissora ela já havia passado pelo seu “período de ouro”, quando grandes nomes por aqui passaram e fizeram grande sucesso, saindo, posteriormente, para trabalhar em outros lugares. Dois exemplos são os radialistas Ailton Farias, que trabalhou nas rádios Caiari e Eldorado, além de outras, em Porto Velho, Rondônia, e Raimundo Nonato da Cruz, que aqui era o R. N. Cruz e que depois, em Rio Branco, no Rádio e na TV, se tornou o Nonato Cruz, na Rádio Difusora Acreana.

Minha relação com o rádio se iniciou, no entanto, bem antes que começasse a trabalhar na pequena emissora como sonoplasta. O radialista Ailton Farias, meu cunhado, me levava, ainda garoto, para o estúdio, durante os programas, e para as transmissões de futebol no velho estádio Góes e Castro. Nosso futebol, a propósito, dava gosto de ver naquela época. Foi ali que comecei a pegar gosto pelo esporte e pelo rádio, através das narrações esportivas do próprio Aílton Farias e também de Andrias Sarkis, outro narrador fantástico.

Na Rádio 6 Agosto, tive quatro grandes incentivadores: Sebastião Rodrigues, hoje comerciante, no período em que trabalhei como sonoplasta. Sem ele, acho que não teria aprendido a mexer com aqueles botões de uma obsoleta mesa de som e velhas vitrolas. Pouco tempo depois fui incentivado pelo diretor da emissora, Messias Cavalcante, a fazer um teste de locução. Foi o momento mais difícil desses 32 anos. O saudoso Messias foi um grande companheiro de profissão e amigo. Como locutor fez sucesso em Xapuri com o inesquecível programa “Correio Musical”. 


Outro grande amigo, Nader Sarkis, comigo em uma das fotos que ilustram essa postagem, foi meu espelho no rádio e uma espécie de ídolo ao alcance das mãos. Foi um dos melhores locutores de rádio que já pude ouvir, dono de uma belíssima voz e de uma maneira muito especial de fazer comunicação radiofônica. 

A quarta pessoa com quem tive uma ligação muito forte nesta trajetória na Rádio 6 de Agosto foi Walter Nicácio Pereira, uma figura extraordinária que deixou sua marca impressa na história da emissora. Walter tinha uma personalidade marcante e uma grande identificação com o ouvinte da zona rural. Costumo dizer que ele não era locutor e sim animador de rádio. Fazia sucesso em qualquer evento em que houvesse um microfone ligado. Como já disse, é um dos grandes patrimônios da emissora e baluarte da sociedade xapuriense.

Recordo-me também, com imenso carinho, do primeiro locutor com quem trabalhei, na função de sonoplasta, o grande Francisco Silva de Oliveira, ou simplesmente Chico Silva, uma das figuras mais fantásticas com quem tive o prazer de conviver. Chico lia muito pouco, mas tinha grande facilidade de comunicação e parecia conhecer cada um dos moradores dos seringais do município de Xapuri. “Cruz de maçaranduba” e “Se não ajuda, não atrapalha”, são dois bordões inesquecíveis do grande Chico Silva.

Não poderia deixar de citar aqui e registrar o meu agradecimento a outros nomes não menos importantes como: Francisco Monteiro Franco, João Barbosa de Farias, Francisco Pereira, Ormindo Salim, Ricardo Melo, Uziel Alves, Ilário Rodrigues, Aldemir Rodrigues, Luiz Soares, Valdimar Barbosa, Raimundinho Castelo, Joncirlei Barbosa, Joseni Oliveira, Odahil Cardoso Monte, Ana Paula Braga, Leônidas Badaró e vários outros.

Encerro dizendo que o grande propósito deste texto é o de registrar essa data importante para mim, destacando os grandes amigos, colegas e companheiros que fizeram - e os que ainda fazem - parte desta minha humilde trajetória nesta gloriosa emissora de rádio. Impossível lembrar de todos, por isso peço desculpas a quem não está aqui sendo citado.


Um grande abraço a todos.

Narcisismo Político

O jornalista Jânio de Freitas disse certa vez, em uma entrevista ao famoso programa Roda Viva, da TV Cultura, que quando um sujeito decide se candidatar a alguma coisa ele já está acreditando ser merecedor do reconhecimento pelas qualidades que em geral não tem, mas que supõe possuir, numa clara demonstração do narcisismo político que toma conta daqueles que se apresentam ao povo não como instrumento para a equação de problemas, mas como a própria solução.

Essa autoafirmação à qual se refere o renomado jornalista impregna, de maneira injustificável, um punhado de gente que sem uma base mínima de avaliação sobre sua preparação para exercer um cargo eletivo se atira a promover o seu nome pelas redes sociais ou imprensa paga como se os seus atributos fossem um conhecimento tácito, que pudessem prescindir de comprovação por meio de argumentos competentes. Essa é a razão de tantos maus candidatos que se tornam, fatalmente, péssimos mandatários.

Não fosse a paixão político-partidária, que ofusca a visão de grande parte do eleitorado, um grau mínimo de exigência poderia ser estabelecido para a aceitação de um nome como um promissor representante do povo. Não me refiro a diplomas ou títulos acadêmicos, mas a indicativos de aptidão para desenvolver funções tão fundamentais para a vida de todos. Fosse assim não teríamos tão sinistros ocupantes de cargos eletivos a quem somos obrigados a tolerar por longos quatro anos.

Para pensar.