sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Zé Lulu



Zé Lulu foi um dos pioneiros do bairro Braga Sobrinho, comunidade tradicional conhecida na cidade como “Bairro da Bolívia”. Devoto de São Sebastião, era dos participantes mais fervorosos da maior festa religiosa de Xapuri, da qual começou a participar aos 15 anos de idade – dizia ter recebido muitas graças do santo padroeiro.

O idoso morreu na noite desta quinta-feira, 6, e foi sepultado cerca de uma hora depois, no cemitério São José, com a presença de poucos familiares. Ele tinha testado positivo para o novo coronavírus depois de apresentar agravamento de outros problemas de saúde que enfrentava.

Maria do Socorro Rocha da Veiga, a Boneca, uma das 6 mulheres entre os 10 filhos que ele teve do casamento com dona Maria Rocha – ele deixou também 30 netos, 25 bisnetos e 4 tetranetos -, disse que o pai estava muito debilitado pelos vários problemas de saúde e que a covid-19 foi apenas mais um fator a contribuir com a sua morte.

“Ele havia testado positivo para o coronavírus, mas não consideramos que a covid-19 tenha sido a causa determinante de sua morte, pois de acordo com os médicos ele apresentava problemas muito graves de saúde e seu estado era de muita fragilidade nos últimos dias”, ponderou.

Foram muitas as mensagens de homenagens e condolências postadas nas redes sociais na noite desta quinta-feira, 6. O advogado José Everaldo Pereira, amigo e vizinho de Zé Lulu, expressou por meio de sua página no Facebook, a importância que o pioneiro da comunidade teve para a cidade.

“Recebemos com muita tristeza a notícia do falecimento do nosso grande Zé Lulu, um dos fundadores e timoneiros da Bairro da Bolívia. Avô carinhoso, esposo dedicado, pai zeloso, amigo leal e cidadão da mais alta linhagem. Deixa um legado de honradez e civilidade visto em poucos”, comentou.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Agora vai?

Data que marcou o início do fato histórico mais relevante do Acre, esse 6 de agosto de 2020 não terá celebrações em Xapuri, local onde eclodiu, há 118 anos, a Revolução Acreana. No entanto, um ato alusivo ao movimento armado liderado pelo gaúcho José Plácido de Castro será realizado pela prefeitura local. Será assinado nesta quinta-feira, 6, a ordem de serviço para a continuidade da reforma do museu Casa Branca.

A obra de restauração do antigo prédio está parada há 5 anos, desde a gestão do ex-prefeito Marcinho Miranda, por conta de problemas com o convênio firmado junto ao Ministério do Turismo. A reforma previa melhorias do patrimônio e da praça Plácido de Castro, que fica ao lado, além de adaptações estruturais para garantir o acesso de portadores de necessidades especiais, como a inclusão de um elevador no projeto original.

Inicialmente, foram destinados R$ 495 mil oriundos de emenda do senador Sérgio Petecão para a restauração do espaço cultural. O contrato de repasse tem a interveniência da Caixa Econômica Federal. De acordo com a assessoria da prefeitura, vários “gargalos” burocráticos vinham adiando a retomada dos serviços, que, finalmente, foi anunciada nesta quarta-feira, 5, pelo prefeito Ubiracy Vasconcelos.

Farsa histórica

Apesar de ser considerado como a sede da antiga Intendência Boliviana de Mariscal Sucre, onde Plácido e Castro teria travado com o intendente Juan de Dios Barrientos o célebre diálogo: “És temprano para la fiesta; não é festa, é revolução”, para alguns historiadores, como o acreano Marcos Vinícius Neves, a atribuição não passa de uma farsa histórica. Segundo ele, em 1902, o prédio sequer existia. Foi construído em 1910 para funcionar como hotel e restaurante.

“Até hoje a fraude da Casa Branca de Xapuri continua sendo ensinada às novas gerações de acreanos e prejudica enormemente a compreensão da formação de uma das cidades mais importantes da história do Acre. Afinal, na verdade, a Intendência boliviana ficava abaixo da boca do rio Xapuri (e não acima como está a Casa Branca) para viabilizar a cobrança de impostos sobre a borracha produzida nos seringais desse rio além dos seringais do rio Acre. Assim turistas acreanos, brasileiros e estrangeiros seguem sendo enganados por um verdadeiro estelionato histórico”, escreveu certa vez na coluna Miolo de Pote, que assinava no jornal Página 20.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Pandemia se agrava em Xapuri

A elevação dos casos de covid-19 que vem sendo registrada em Xapuri desde a última semana acarretou um aspecto preocupante para a estrutura de enfrentamento à pandemia no município: um alto número de contaminações entre os profissionais de saúde das redes estadual e municipal.

No boletim desta terça-feira, 4, foram confirmados os diagnósticos positivos de duas médicas e duas técnicas de enfermagem do hospital Epaminondas Jácome (HEJ). Segundo fonte na unidade, os casos positivos no hospital já passam de uma dezena e novos registros devem sair na atualização do boletim desta quarta-feira, 5.

Procurado pela reportagem, o gerente-geral do HEJ, enfermeiro Josimar dos Santos, afirmou que o atendimento não havia sido afetado pelas confirmações de casos positivos de covid-19 entre os profissionais da unidade, mas disse não saber até quando a situação se manteria em razão do avanço da pandemia.

A previsão feita pelo ac24horas de que a contaminação de profissionais de saúde pode comprometer atendimento em Xapuri se confirmou nesta quarta-feira com o fechamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) Mauro José Lima de Souza, localizada no bairro Braga Sobrinho, conhecido como Bolívia.

De acordo com o subsecretário municipal de Saúde, Daniel Lima, nas últimas 24 horas cinco profissionais da UBS testaram positivo para o novo coronavírus – dois agentes comunitários de saúde, uma recepcionista, uma enfermeira e uma médica. Apenas uma técnica em enfermagem do quadro da unidade testou negativo.

De acordo com a coordenação do enfrentamento à covid-19 em Xapuri, a média móvel dos últimos 7 dias subiu para 12 casos diários. Apenas nos últimos dois dias foram registrados 42 novos casos, um número considerado muito alto para os padrões médios apresentados pela pandemia desde o seu início, em 27 de abril.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Morre, de covid-19, o irmão mais novo de Chico Mendes

Morreu na tarde desta terça-feira, 4, em uma das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Campanha do Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into) de Rio Branco, vítima de complicações decorrentes da covid-19, o irmão mais novo do líder sindical Chico Mendes, o policial militar aposentado Francisco de Assis Alves Mendes, de 58 anos.

Internado desde o dia 29 de julho, Assis Mendes teve o seu quadro rapidamente agravado. Ele era diabético, cardíaco e hipertenso, situações que tornaram o caso muito delicado. A família chegou a fazer uma campanha por meio das redes sociais para a doação de sangue em favor do paciente, que estava recendo tratamento à base de plasma convalescente.

A morte de Assis Mendes se deu por volta das 16 horas desta terça-feira e foi confirmada pela sobrinha Elenira Mendes e pela cunhada Deusamar, que descreveu o sentimento da família com a perda do familiar. Ela também agradeceu às pessoas que foram até o Hemoacre doar sangue em atenção aos apelos da família.

“Estamos arrasados por ele ser uma pessoa tão boa e não poder ter a oportunidade de um enterro e um velório dignos que ele tanto merecia. A família está muito abalada, mas agradece às pessoas que estiveram do nosso lado nesse momento, também às que foram até o Hemoacre doar sangue. E ficam as boas lembranças da pessoa maravilhosa que ele era”, afirmou.

O sepultamento de Assis ocorrerá na manhã desta quarta-feira, 5, dentro dos protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Até o fechamento desta matéria, a família ainda estava reunida discutindo sobre a definição do local do enterro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Coronavírus no Alto Acre

Os municípios da regional do Alto Acre – Brasiléia (832), Xapuri (481), Epitaciolândia (387) e Assis Brasil (340) – superaram nesta segunda-feira, 3, os 2 mil casos do novo coronavírus, com 35 mortes por complicações decorrentes da infecção por covid-19.

O total de 2.040 casos registrados nos quatro municípios corresponde a aproximadamente 10% do total confirmado em todo o estado (20.339). Os dados acima são informados pelos boletins das secretarias estadual e municipais de saúde.

Com os novos números, a regional passou a ter os dois municípios com maior incidência da doença. Assis Brasil é o primeiro, com taxa de 4.584,1 casos por grupo de 100 mil habitantes, seguido por Brasiléia, com 3.166,1 casos por 100 mil/hab.

Xapuri também subiu no ranking da incidência de covid-19 no Acre, passando para o 9º lugar com taxa de 2.359,9 casos por 100 mil/hab. Epitaciolândia é o 15º colocado com incidência de 2.026,0 por grupo de 100 mil/hab.

De acordo com o Boletim Sesacre, os novos casos registrados em Brasiléia nas últimas 24 horas foram 39. Em Xapuri, foram confirmados 27 novos casos nesta segunda-feira. Assis Brasil teve aumento de 12 e Epitaciolândia de 16.

Alguns números divulgados pelo boletim diário do Departamento de Vigilância em Saúde da Sesacre diferem dos informados pelos boletins municipais por conta da maneira diferenciada como os dados são processados nas duas esferas.

domingo, 2 de agosto de 2020

O perigo das Fake News

Cristiano Magalhães

Em tempos de Fake News, não podemos mais acreditar em tudo que lemos, vemos ou ouvimos, principalmente em redes sociais ou grupos de mensagens. Esse fenômeno é uma fonte de desinformação e, por isso, devemos ter atenção redobrada quando recebemos alguma notícia, não importa o meio que ela chegue até nós.
Numa tradução direta, as notícias falsas são informações divulgadas por qualquer meio que não corresponda com a verdade de um fato, a popular e já conhecida mentira. A divulgação destas não é novidade, mas com o alcance proporcionado pela internet, intensificado pelas redes sociais, elas se tornaram ainda mais comuns. E não há limites. Podem estar relacionadas às pessoas, ciência, política, religião, economia, esportes, etc.

A divulgação de notícias falsas pode acarretar sérios prejuízos às pessoas e instituições, tais como, manipulação de comportamentos, prejuízos morais e financeiros para pessoas e empresas, criação ou aumento de sentimento de revolta, estímulo ao preconceito, agravamento de surto de doença.

Imagine, por exemplo, que "A" divulga uma fake news sobre "B", e que esta notícia seja repassada por outras em uma rede social, chegando ao local de trabalho de "B". Em razão desta notícia, a empresa considera a conduta supostamente praticada pelo empregado não condizente com a cultura empresarial a ponto de demitir o empregado.

Além do aspecto trabalhista, outros desdobramentos podem ocorrer: "B" pode denunciar "A" pela prática de difamação (art. 139) ou injúria (art. 140), previstos no Código Penal. "B" pode propor uma ação na Justiça Civil pedindo a reparação de danos à sua imagem e sua honra, ou de ressarcimento de danos patrimoniais causados pela divulgação da fake news .

Agora, imagine o quanto uma notícia falsa pode impactar uma cidade, um estado, o país todo, por exemplo, quando o tema envolve políticas de saúde pública como a ineficiência de vacinas, ou quando envolve questões relacionadas a economia, contratos empresariais, condutas de ocupantes de cargos públicos.

Cabe a cada um de nós ser um obstáculo para a propagação de notícias falsas. Estarmos atentos à origem da notícia, desconfiar de fontes de informações sem autoria ou vínculo com instituições tradicionais, procurar confirmar a notícia com mais de uma fonte, não se deixar levar por manchetes sensacionalistas e ler o conteúdo das notícias é essencial. Buscar informações diretamente com os órgãos oficiais quando possível, essas são algumas medidas importantes que devemos tomar para nos precaver.

Tanto na leitura, como na partilha de notícias, é bom lembrar daquele velho ditado popular, "cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém".

Cristiano Magalhães é advogado especialista nas áreas civil e trabalhista, professor e coordenador do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de São José dos Campos.

sábado, 1 de agosto de 2020

Do que somos capazes?

O palanque ensandecido das redes sociais, que deu voz às massas, me impulsiona a uma série de questionamentos para os quais, certamente, não há prontas respostas. O que somos? no que nos tornamos? Do que somos capazes? São algumas das matutações que me pego a fazer.

Deparo-me, subitamente, com uma inexplicável idolatria a um homem que mandou matar, retalhar e oferecer aos cães a mãe do próprio filho. Paralelamente, assisto a uma avalanche de ódio e preconceito contra a condição de pai obtida por um transsexual.

Chegam-me, inevitavelmente, outros questionamentos. Que mundo é este onde aquele que quer ser pai, independentemente de sua orientação sexual, vale menos que o que matou para não ser? Como encontrar resquício de racionalidade nisso?

Não estou apto a discorrer sobre homossexualidade ou transexualidade. Discuto apenas a questão de humanidade. Antes de ser homem ou mulher, Thammy é gente. Não matou, não feriu e não ofende, com a sua condição, nenhum regramento do Estado de Direito em que vivemos.

Também não sou competente para entrar na seara que trata da homofobia, da transfobia ou de outras maneiras de se ultrajar um semelhante. Reduzo-me a seguir questionando a natureza humana, cada vez mais alimentada por uma cultura de odiar, muitas vezes até mesmo sem saber por quê.

O Bruno? Ah, o Bruno também é gente, sim. Gente que matou, ofendeu e feriu de morte o regramento do estado de direito. Toda a repulsa que a ele é reservada se justifica. As inúmeras alegações em sua defesa e manifestações de afeição, essas não se justificam, principalmente vindas de mulheres.

Mas, talvez seja até mais doentia que o crime cometido por Bruno a cruel perseguição a que os mesmos que absolvem o goleiro da morte submetem o filho da Gretchen. Eliza Samúdio foi assassinada e esquartejada, mas “descansou”, como diz o eufemismo. Thammy, mesmo que fale que nada sente, sofre um martírio em vida, como consequência do que somos ou do que nos tornamos.

Do que somos capazes?

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Puro sangue?

A inauguração do Diretório Municipal do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Xapuri, ocorrida nesta sexta-feira, 31, com a presença do senador Marcio Bittar e do deputado estadual Roberto Duarte, trouxe uma mensagem direta para a conjuntura pré-eleitoral no município.

Com a presença de dois nomes de peso no cenário político atual, o evento reitera que o partido não pretende abrir mão de disputar a prefeitura hoje administrada pelo PT. A agremiação continua conversando com as demais siglas da oposição, mas diz não descartar a possibilidade de sair até mesmo com uma chapa “puro sangue”.

“A vinda dos parlamentares garante que a candidatura do MDB no município é uma decisão tomada pela executiva estadual e municipal do partido”, afirmou o pré-candidato Carlos Venícius, ao anunciar a inauguração do diretório.

Márcio Bittar e Roberto Duarte vieram a Xapuri para refutar os boatos de que o MDB estaria inclinado a abdicar da intenção de encabeçar uma chapa única dos partidos de oposição para enfrentar o atual prefeito Ubiracy Vasconcelos, que vai tentar a reeleição.

Para quem acreditou que Carlos Venícius já teria se conformado em ser candidato a vice-prefeito numa chapa encabeçada pela esposa do deputado estadual Antônio Pedro, a servidora do Tribunal de Justiça Carla Mendonça (PP), a inauguração desta sexta-feira foi uma clara afirmação no sentido contrário.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Ocupação de leitos Covid-19 aumenta no Alto Acre

Caminhando para atingir os 2 mil casos positivos do novo coronavírus, os municípios da regional do Alto Acre tiveram aumento no índice de ocupação dos leitos disponíveis para atendimento à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas 48 horas que antecederam o último Boletim da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).

As unidades de saúde com leitos clínicos disponíveis na regional para esse tipo de atendimento são, de acordo com a Sesacre, o hospital de referência Raimundo Chaar, em Brasiléia, a Unidade Mista de Assis Brasil e o hospital Epaminondas Jácome, de Xapuri, esses últimos com leitos de suporte para o atendimento de SRAG.

Os Hospitais de Referência são os que possuem maior complexidade de atendimento, com oferta de leitos de terapia intensiva, cuidados semi-intensivos e outras tecnologias que garantam a assistência aos pacientes acometidos pela Covid-19.

Já os Hospitais com Leitos de Suporte são os dotados de leitos reservados aos cuidados transitórios aos pacientes com Síndrome Respiratória. No entanto, quando existe a necessidade de permanência hospitalar, o paciente é transferido para a Unidade de Referência da Regional de Saúde.

Na última segunda-feira, 28, apenas 2 leitos estavam ocupados nas unidades de atendimento da regional, o que representava 10,2% de ocupação. Nesta quarta-feira, 29, esses números subiram para 7 leitos ocupados, dos quais 6 por pacientes testados positivamente para covid-19, o que corresponde a 36,8% dos leitos clínicos.

Até esta quarta-feira, os quatro municípios da regional do Alto Acre acumularam 1.818 casos do novo coronavírus – Brasiléia (763), Xapuri (407), Epitaciolândia (337) e Assis Brasil (311). Assis Brasil e Brasiléia, inclusive, estão entre os 5 municípios com maior incidência de covid-19 no estado.

Os dados referentes a ocupação de leitos são do Boletim de Assistência à Saúde da Sesacre.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Covid-19 em Alta

A Secretaria Municipal de Saúde de Xapuri (Semusa) anunciou na noite desta terça-feira, 28, que vai tomar medidas mais rígidas contra a disseminação do novo coronavírus no município. No entanto, não foram explicadas quais as ações que serão efetivamente adotadas.

A informação foi dada em pronunciamento feito em vídeo publicado na página da prefeitura no Facebook pelo titular da pasta municipal da Saúde, Wagner Soares Menezes, ao atualizar o Boletim Municipal da Covid-19 com o acréscimo de 18 novos casos positivos depois de 10 registros ocorridos no dia anterior.

“Nós temos uma observação a fazer para a população. Muitas pessoas já não estão mais tendo os cuidados devidos que foram tidos dias atrás, nós estamos observando isso. Muitas pessoas estão saindo nas ruas sem máscara, o que é proibido, então a secretaria vai fazer uma atuação mais dura”, disse.

Com os novos diagnósticos, Xapuri chegou a 421 casos confirmados de covid-19, com 17 exames em análise, 407 pessoas sob monitoramento, 292 altas médicas, 2 internações e 5 óbitos registrados desde o dia 27 de abril, marco inicial da pandemia no município.

O blog apurou que uma das prováveis ações da Semusa diante da instabilidade da curva de contágios é a de pôr em prática uma medida que, por enquanto, está apenas no decreto: a aplicação de multas contra pessoas que insistem em desrespeitar as normas estabelecidas pela saúde municipal.

Curva de contágios

A respeito da oscilação de casos que vem ocorrendo em Xapuri desde a metade do mês de junho, o enfermeiro Francisco Andrade, coordenador da equipe de enfrentamento à pandemia no município, disse que uma das razões é a quantidade de testes que vem sendo realizada até agora.

“Estamos testando muito, ainda não enfrentamos a falta de testes. Já fizemos mais de 900 testes e dificilmente alguém sai da unidade sem ser testado. Até alertei a Secretaria sobre pessoas de outras cidades buscando atendimento aqui, alegando facilidade”, explicou.

Atendimento na zona rural

O funcionamento de duas unidades de saúde na zona rural de Xapuri, localizadas no Assentamento Tupá e no seringal Cachoeira, é uma esperança de que a demanda sobre a unidade de referência Félix Bestene Neto seja desafogada. Contudo, a Secretaria de Saúde ainda não confirmou se essas equipes farão atendimento para covid-19.

Para o fortalecimento dessas unidades do interior, a prefeitura convocou recentemente 3 enfermeiras e 3 técnicas em enfermagem. As profissionais foram aprovadas em concurso público realizado em 2018, destinado a selecionar candidatos para assumir vagas efetivas na área de saúde do município.

Outros 6 profissionais foram aprovados em processo simplificado na área de apoio – 3 agentes de portaria e 3 auxiliares de serviços gerais. Para a área médica, o município abriu vagas para três clínicos gerais, mas o primeiro prazo de inscrições venceu sem que surgisse candidatos interessados. O certame foi prorrogado.

Até a última atualização do Boletim Municipal, 26 localidades rurais de Xapuri tinham casos registrados de coronavírus, com um total de 77 pessoas infectadas. Dos 18 casos confirmados nesta terça-feira, 3 são trabalhadores rurais.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Parte da história de Xapuri

A imagem mostra uma equipe do Corpo de Bombeiros de Xapuri desgalhando uma das antigas mangueiras da rua Cel. Brandão para ser cortada em toras. 

Acometidas por envenenamentos na calada da noite ou pela própria ação do tempo, várias dessas árvores históricas já não fazem mais parte da paisagem das principais ruas da cidade. 

Estão, aos poucos desaparecendo. Junto com elas está indo embora parte da história e da cultura de Xapuri. Descrevo um pouco dessa história em matéria feita para o jornal ac24horas

segunda-feira, 27 de julho de 2020

O Acre não merece Bruno

Nada impede, obviamente, que o glorioso Rio Branco Futebol Clube contrate o goleiro Bruno, assim como nada pode evitar que aqueles que têm a menor porção de respeito pela vida sigam reservando ao criminoso a ojeriza pelo delito repugnante que cometeu. O estigma que o assassino carregará pelo resto da sua existência faz parte de seu castigo. Disso, a brandura da lei brasileira não o libertará.

O coro entoado nas redes sociais acreanas em defesa do feminicida me deixa incrédulo. Ele não é digno de apoio popular, não faz jus ao mantra de que todo mundo tem direito a uma segunda chance, pois ele a está tendo sim, mas não poderá dela usufruir sem que tenha de conviver com o clamor pela justiça que para muitos ainda não foi feita.

Muito menos a sua condição se assenta na célebre frase de Jesus Cristo quando disse: “quem nunca errou que atire a primeira pedra”. O crime de Bruno não foi um mero erro, um desvio de conduta, mas uma atrocidade sem tamanho. Bruno não cometeu um crime qualquer, mas matou impiedosamente uma mulher para fugir de uma responsabilidade e jogou o corpo aos cães.

O crime cometido pelo então goleiro do Flamengo foi a consumação, com extremo requinte de maldade, de uma das mais cabais demonstrações de menosprezo pela vida de um semelhante que um ser humano poderia dar. O fato de a perversidade ter sido cometida contra uma mulher indefesa e mãe de uma criança dá intensidade ao sentimento de impunidade que permanece vivo.

Quanto ao Rio Branco, repito: nada o impede dessa nefasta contratação; mas como uma das maiores e mais tradicionais instituições do esporte acreano, o clube se apequena diante da inegável demonstração de indiferença com a causa do combate à violência contra a mulher em um estado que é campeão nesse tipo de mazela social.

O Acre já tem problemas demais; não merece Bruno.

Quem são os nossos ídolos?

Maria Meirelles

O Rio Branco Futebol Clube anunciou, com pompas e celebrações, a contratação do goleiro Bruno Fernandes, assassino condenado de Eliza Samúdio. A modelo foi assassinada, esquartejada e, segundo investigações, teve seus restos mortais servidos aos cães, como alimento. O caso, à época, chocou o país.

Condenado a mais de 20 anos de prisão pelo sequestro, assassinato e ocultação do cadáver de Eliza Samúdio, em julho de 2019, Bruno recebeu autorização judicial para ir ao regime semiaberto e deixou a cadeia.

Bruno ainda não cumpriu a pena. É um feminicida que zomba do crime cometido. Recentemente, fez propaganda de um canil e, agora, é anunciado como ídolo no estado que lidera o ranking de homicídios e feminicídios de mulheres, o Acre.

Sou a favor de um sistema educacional que trate e ressocialize homens autores de violência, a exemplo do Programa Ser Homem, desenvolvido no governo de Tião Viana. A iniciativa oferecia aos homens, que foram ou estavam sendo acusados da prática de violência doméstica, acompanhamento psicológico e social.

O machismo e a violência contra as mulheres têm raízes profundas em nossa cultura, o processo educacional é fundamental para a mudança de paradigma.

Bruno deve e pode ser ressocializado, como diz a legislação. Mas, é inadmissível que seja tratado como ídolo do esporte e ocupe um lugar de destaque, influenciando jovens e gerações. A contratação dele é no mínimo desrespeitosa com as mulheres do Acre.

A opressão enfrentada pelas mulheres, no Brasil, é tamanha que temos que engolir um presidente que exalta torturador/estuprador [me refiro ao amor de Bolsonaro por Ustra], uma sociedade que nos culpa pela violência sofrida e um time que idolatra feminicida.

Maria Meirelles é jornalista e feminista.

domingo, 26 de julho de 2020

Fim do calvário

O empresário Manoel de Jesus Leite Silva vai, enfim, poder descansar. Seu corpo desceu à sepultura nas primeiras horas da manhã deste domingo, 26, no cemitério Morada da Paz, em Rio Branco, depois de uma verdadeira maratona desde o seu falecimento, na última quarta-feira, 22, em São Paulo, até a chegada ao Acre na noite deste sábado, 25.

No meio tempo entre a saída da capital paulista e a chegada a Rio Branco ocorreram idas e vindas em torno do polêmico translado, proibido por norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por ser a morte decorrente de covid-19, uma doença infectocontagiosa. 

Inicialmente alertada da ilegalidade da medida e da possibilidade de responsabilização criminal, em questão de horas a família do empresário conseguiu a autorização da Vigilância Sanitária para trazer o corpo até Xapuri, com base na documentação que comprovaria a ausência de risco de contaminação, e novamente foi impedida de fazer o sepultamento onde o empresário pediu, caso morresse.

Ao entrar no Acre, o corpo chegou a ficar retido por algumas horas no Posto Fiscal Tucandeira. A ordem da Saúde Acreana era para que o sepultamento ocorresse o mais próximo dali possível. Depois de negociações, a família conseguiu confirmar o sepultamento para a manhã deste domingo no cemitério Morada da Paz.

A cerimônia foi rápida e reuniu apenas os familiares mais próximos, conforme preconiza o protocolo do Ministério da Saúde para os enterros durante a pandemia. Por meio de seu representante legal, a família informou que não daria mais declarações à imprensa a respeito do assunto, deixando claro o enorme desgaste com a repercussão que foi gerada em torno do caso e que o único desejo era o de, enfim, sepultar o familiar.

Que o Manoel Leite descanse em paz. 

sábado, 25 de julho de 2020

Corpo de empresário não será mais sepultado em Xapuri

Segue rendendo polêmica o translado de São Paulo para o Acre do corpo do empresário Manoel Leite, cunhado do deputado Manoel Moraes e irmão da vice-prefeita de Xapuri, Maria Auxiliadora. Depois de dar o aval para o sepultamento em Xapuri, como é o desejo da família, o Departamento Estadual de Vigilância Sanitária voltou atrás e determinou que o enterro seja realizado em Rio Branco.

Vigilância Sanitária volta atrás e corpo de empresário não será mais sepultado em Xapuri

A nova informação chegou no momento em que o veículo da empresa funerária contratada para fazer o transporte do corpo se aproximava de Rio Branco. O chefe do Núcleo de Serviços em Saúde, Advagner Prado, confirmou a informação de que o corpo do empresário não poderá mais ser trazido para Xapuri, mas não informou quais foram as razões que motivaram a mudança de posicionamento. 

Assim, de acordo com a família, o sepultamento do empresário ocorrerá em Rio Branco, às 8 horas da manhã deste domingo, 26, no cemitério Morada da Paz, localizado na Estrada do Calafate. O advogado Maxsuel Maia informou que a família está desgastada com o fato de ter que lidar, além da perda do ente querido, com a repercussão que o caso ganhou e não deseja mais dar declarações sobre o assunto.

Outras informações a qualquer momento.

Manoel Leite: família faz esclarecimentos sobre translado

A morte do empresário Manoel de Jesus Leite Silva, 45 anos, vitimado por complicações decorrentes da infecção pelo novo coronavírus, suscitou uma polêmica até então inédita no Acre, no âmbito da pandemia de covid-19. Tendo o óbito ocorrido no hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, a família decidiu de maneira imediata providenciar o translado do corpo para o estado, apesar dessa medida, a princípio, não ser permitida por uma resolução da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 

A proibição do translado de corpos, no caso de mortes causadas por doença infectocontagiosa, é respaldada no parágrafo 10 da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n° 33/2011, editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A vedação da RDC se dá para o traslado aéreo, marítimo ou terrestre. Em razão disso, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), por meio da Vigilância Sanitária Estadual, divulgou nota alertando que o procedimento é ilegal e sujeito a processo criminal.

A notícia do translado do corpo do empresário também resultou em manifestações de insatisfação, via redes sociais, de pessoas que relatam a dor de haverem perdido familiares e não terem tido a autorização para sepultá-los nas cidades de origem. Fatores como a condição econômica do empresário falecido e o seu parentesco com o deputado Manoel Moraes (cunhado) e com a vice-prefeita de Xapuri, Maria Auxiliadora Silva de Sales (irmã), foram citados como razão para um suposto privilégio.

Diante de todos esses fatos, a família, por meio de seu representante legal, o advogado Maxsuel Maia, encaminhou a este blogueiro uma nota de esclarecimento a respeito das razões e circunstâncias que motivaram a decisão de trazer o corpo de Manoel Leite para ser sepultado em Xapuri. Primeiro, os familiares 
sustentaram, com base em um exame de Detecção Qualitativa de Coronavírus, realizado pelo laboratório Delboni Auriemo, de Barueri (SP), que teve resultado negativo, não existir mais risco de contaminação pelo corpo.

O exame demonstra que, apesar de ter morrido por complicações causadas pela infecção por coronavírus, no momento do óbito, ocorrido mais de 60 dias depois da contaminação, o vírus não era mais reagente no organismo do empresário. O documento foi fundamental para que a autorização de saída do corpo de São Paulo fosse obtida. O advogado informou que a mesma documentação foi apresentada ao Departamento de Vigilância Sanitária do Acre nesta sexta-feira, 24.

A nota diz também que, apesar da convicção a respeito da condição demonstrada no parágrafo anterior, a família teve a preocupação e a responsabilidade de contratar uma empresa funerária especializada nesse tipo no traslado de corpos de pessoas que morreram vítima de doenças infectocontagiosas, obedecendo rigorosamente a todas as normas da Anvisa no que tange à preparação dos restos mortais, isolamento e vedação de urnas.

A família de Manoel Leite diz ainda que em nenhum momento anunciou velório público ou qualquer outro ato que possa gerar aglomerações, garantindo que o único intuito dos familiares é garantir que o sepultamento ocorra em terras acreanas, atendendo a um pedido que ele fez, quando teve uma melhora em seu quadro, em São Paulo, para que, caso ocorresse o pior, seu corpo fosse enterrado em Xapuri, ao lado de seu pai, o senhor João Bento Silva, falecido em 2015.

O advogado Maxsuel Maia afirmou ao blog que a relação feita por algumas pessoas entre a decisão de se transladar o corpo para o Acre e a questão ligada à situação econômica de Manoel Leite e a influência política do deputado Manoel Moraes não é aceita pela família, apesar de o posicionamento tomado quanto a isso é o de compreensão e respeito com a situação de outras famílias que não conseguiram sepultar os seus entes queridos no local de residência.

“Nós jamais cometeríamos a loucura, a irresponsabilidade e a ilegalidade de se valer de fins financeiros do empresário Manoel Leite ou de aspectos políticos do deputado Manoel Moraes para trazer o corpo se não estivéssemos devidamente convencidos da ausência de riscos e da inexistência de ilegalidade. E para finalizar de verdade, a gente espera que essa história tenha um fim de uma vez por todas e que o Manoel Leite possa descansar em paz”, afirmou Maxsuel Maia.

O corpo do empresário está sendo trazido para o Acre por via terrestre com previsão de chegada para a madrugada do próximo domingo, 26. A programação da família é para que o sepultamento ocorra momentos depois de realizadas as despedidas dos familiares. Natural de Tarauacá, Manoel de Jesus Leite Silva veio para Xapuri junto com a irmã e o cunhado no início dos anos 1990. Ele deixou a esposa, Divinéia, com três filhos, entre os quais uma menina de pouco mais de um mês.


Atualização - Na manhã deste sábado, 25, o chefe do Núcleo de Serviços em Saúde, do Departamento de Vigilância Sanitária da Sesacre, Advagner Prado, informou que diante do exame apresentado e da garantia de que a documentação da empresa funerária que faz o translado do corpo está regular, demonstrando que não há risco de uma provável disseminação da doença, o sepultamento poderá ser realizado em Xapuri como deseja a família.

“Foi apresentado para nós o resultado do exame negativando o senhor que foi a óbito, mas foi informado ao advogado que alguns procedimentos seriam adotados. Caso esteja tudo conforme preconiza a legislação vigente e atendendo aos protocolos sanitários de distanciamento e evitar aglomerações não haverá empecilhos para que a família possa fazer os procedimentos funerários em Xapuri”, explicou.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Mais respeito pelo médico

Murilo Batista

Nas últimas semanas intensificaram-se ataques injustos e descabidos à categoria médica, ofensas generalizadas e acusações que não se verificam como reais, por isso acredito ser justo debater o assunto que vem incomodando a mim e aos colegas. A impressão repassada é de ódio contra a classe, não importando o trabalho realizado com dedicação, principalmente nesse período de pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19), em que boa parte da categoria está atuando e correndo risco de contaminação e morte.

Mesmo com risco de comprometer a própria saúde para continuar atendendo as pessoas que mais precisam, o médico continua sendo alvo de ofensas, como vistas nas redes sociais e em outros meios, palavras que trazem apenas a discórdia e a ameaça para as vidas daqueles que buscam curar, independentemente da burocracia governamental e da falta de estrutura.

Existe ainda um desrespeito pelo ato médico, opinião técnica descrita nos prontuários e em rotinas adotadas em hospitais que são exclusivamente pautadas pelo profissional formado em medicina, e que vem sendo questionada de forma oportunista por pessoas de outras áreas, pessoas com nível superior que deveriam entender e respeitar.

Para rebater ataques, o nosso Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) vem trabalhando diuturnamente, acolhendo a reclamação do profissional e dando apoio aos filiados, acionando a banca de advogados e buscando mostrar que o médico não é o culpado pelos males vividos pelos pacientes.

Faço um recorte da realidade: profissional que sai de casa para um plantão de, no mínimo, 12 horas. Jornada inclui sábado, domingo e feriados, não importando o dia santo ou a data festiva. Mesmo com os problemas causados pelo sistema, o médico está atuando, lutando contra o câncer, contra uma parada cardiorrespiratória e até contra a Covid-19, que vem ceifando vidas de forma surpreendente.

Existem problemas? Sim, sempre, pois o profissional, que por lei tem direito ao intervalo de descanso, muitas vezes, precisa fazer uma jornada sem se alimentar ou sem ir ao banheiro, mesmo sendo um ser humano, uma pessoa, que precisa estar bem para tratar de outras pessoas. Existem vários casos de médicos morrendo durante o próprio plantão, ou atendendo um paciente, enquanto ele mesmo recebe medicação via intravenosa ou um soro.

É importante informar que o paciente ou os acompanhantes chegam à unidade com os ânimos já alterados. Claro, o medo de ter algum problema de saúde que resulte em morte causa alterações de humor, falas mais ríspidas e exaltadas, mas o paciente não é denunciado nas redes sociais ou em jornais por isso, nem tão pouco é negado atendimento. Ele é recebido, medicado e examinado, como prevê o treinamento e o juramento.

É preciso ter respeito pelo profissional e confiar que ele realizará o seu melhor. Não é correto tentar interferir na ação do médico. Outro médico, por dever ético, sabe que não deve interferir na atuação do colega, Outros profissionais também precisam respeitar, pois apenas o paciente pode permitir acesso ao seu prontuário, e o tratamento é discutido entre o paciente e o médico, assim, um terceiro só pode intervir se possuir autorização expressa da parte interessada. Mais respeito ao médico!

Murilo Batista é presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC).

Praia e Covid-19

O semblante carregado do prefeito Ubiracy Vasconcelos no vídeo em que anunciou o acréscimo de mais duas dezenas de casos positivos do novo coronavírus em Xapuri demonstra o cansaço de quem há quase 90 dias luta contra o vírus e a teimosa incompreensão de muitos dos seus munícipes. 

Numa clara demonstração de que não existirá estabilidade da situação e muito menos trégua da doença que não seja por meio da conscientização das pessoas e respeito pelas medidas de isolamento social, os números sempre estão voltando a subir depois de uma aparente inclinação da curva de contágios.

Há algumas semanas, uma manchete de jornal sentenciou que as igrejas e academias de ginástica, recém-abertas por decisão da prefeitura, eram as responsáveis pela elevação no número de novas infecções por covid-19. A repercussão provocou o Ministério Público, que recomendou que a gestão municipal retrocedesse da medida. Assim foi feito. Uma semana depois disso, vem a confirmação do que já estava comprovado: os espaços de orações e exercícios físicos foram condenados em vão.

O aumento dos casos no município se dá em função da irresponsabilidade e do desrespeito de alguns para com a vida dos semelhantes, assim como com a própria. Os 21 casos confirmados nesta quinta-feira, 23, coincidência ou não, ocorrem quase uma semana depois de a praia da cidade ficar lotada e mais uma vez os famosos piseiros e bundalelês pipocarem em vários lugares. Em outra situação, uma aglomeração teve data e hora marcadas em propaganda volante pelas ruas da cidade e ficou por isso mesmo.

Pode parecer que não, mas essas "inocentes" transgressões das normas impostas para o bem de todos se somam e se assemelham com tantas outras que terminam contribuindo com a perda das 84 mil vidas que o Brasil confirmou hoje. É uma inaceitável despreocupação com o futuro, em nome de um imediatismo esdrúxulo e inconsequente. Praias e festas continuarão, assim como o vírus também seguirá, mesmo que não se saiba até quando. Já quanto a nós, não temos essa garantia. Isso só o tempo dirá.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Cooperativa Mãos de Mulher é tema de documentário de diretor acreano

Gravado em Xapuri, o curta metragem "Cooperativa Mãos de Mulher - Xapuri", documentário do diretor acreano, Elenckey Pimentel, vai estrear no próximo dia 31 de julho, às 19 horas, no canal da Associação de Cinema do Acre (Asacine), no link: https://www.youtube.com/watch?v=tqZ9E1G78dc.

O filme retrata o cotidiano de mulheres empreendedoras da cidade que tiveram sua trajetória de vida fortalecida a partir do engajamento em uma cooperativa de artesanato regional. De acordo com o diretor, sua busca foi evidenciar a força que há nas ações da cooperativa e nas transformações de cada mulher ligada a ela.

"O filme mostra a criatividade, o vigor, a perseverança e tantos outros bons adjetivos com que as cooperadas levam seu trabalho adiante. Um ideal de vida inspirador de protagonistas de suas próprias histórias", detalha.

Nascida em 2006, a cooperativa Mãos de Mulher trabalha com artesanato em costura, colagens, crochê, esculturas e cosméticos naturais, produtos enviados para todo o Brasil.

Diretor acreano

Xapuriense, Elenckey Barbosa Pimentel é professor de idiomas, tradutor e intérprete em inglês, francês, espanhol, italiano e catalão básico. Trabalhou no Acre, no Rio de Janeiro, em Bolonha (Itália) e em Xangai (China).

Se tornou mestre em Linguística pela Universidade de Bolonha, Alma Mater Studiorum, por meio de bolsa de estudos dada pelo Ministério das Relações Exteriores italiano a alunos estrangeiros com base em seus currículos.

Pimentel foi um dos vencedores no I Prêmio Garibaldi Brasil de Literatura Acreana, com dois textos publicados a partir deste concurso.

Frequentou curso de roteirista de cinema, na escola de escritura do jornalista italiano Carlo Lucarelli, Bottega Finzioni, onde conquistou a bolsa de estudos 2015, oferecida pela escola, em Bolonha – Itália.

Já morou no Rio de Janeiro, onde atuou em peças de teatro e escreveu outras, entre elas, O $€GURO, encenada no teatro Dercy Gonçalves. De volta ao Acre, dirigiu dois musicais no madrigal do SESC, em Rio Branco.

Atualmente, trabalha na tradução da peça teatral de sua autoria (português-inglês), também em roteiro de cinema em português, baseado na peça e ainda, no documentário de curta-metragem "Cooperativa Mãos de Mulher – Xapuri".

Vitória da vida

No dia em que o Brasil mais uma vez quebrou o triste recorde de mortes diárias, Xapuri celebrou uma grande vitória sobre a doença que vem causando perdas de vidas, dor e tristeza em todo o mundo. Aos 101 anos, o senhor João Honório Matias recebeu nesta quarta-feira, 22, a alta médica depois de se tornar um dos pacientes da covid-19.

Uma vitória da vida não apenas contra a nova patologia, da qual ainda pouco se conhece, mas contra tudo o que ela malvadamente vem arrastando na sua esteira. Preconceitos e juízos absurdos de que apenas idosos e portadores de comorbidades seriam vítimas fatais da doença, como se o fato de a morbidade realmente ser mais perversa com esses fosse razão para se minimizar o caos.

A recuperação do senhor João Honório, assim como a morte de tantos jovens, entre os quais muitos aparentemente saudáveis, é razão indiscutível para se aceitar que de nada sabemos e para se rebater com energia as teorias negacionistas e charlatanices propagadas pelo próprio presidente da República e seus seguidores, que empurram o país cada vez mais para o abismo da desgraça.


A história do senhor João Honório está em matéria deste blogueiro no jornal ac24horas.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Sem memória e sem história

É da historiadora Emília Viotti da Costa um trecho de frase que diz: “Um povo sem memória é um povo sem história".

Entristece ver o abandono de um patrimônio importante da história e da cultura de Xapuri. O velho casarão onde viveu o professor Joffre Alves Koury e família.

Já escrevi sobre o assunto aqui neste blog, na postagem Patrimônio abandonado.

Já houve interesse do Departamento de  Patrimônio Histórico do Acre em restaurar e tombar a velha casa, mas as negociações com os representantes do espólio de Joffre Koury não prosperaram, o que é uma pena tanto para história de Xapuri como para a própria família do professor de língua inglesa que chegou a ser prefeito da cidade e um dos nossos mais importantes educadores.

Localizada à margem direita do Rio Acre, onde hoje é feita a travessia por balsa entre os dois lados da cidade, a antiga casa foi sede da fazenda Monte Líbano, cujas terras há muitos anos foram sendo loteadas e vendidas pelos herdeiros da família Koury, resultando na formação da parte mais recente do espaço urbano do município.

Encerro o post com o restante da frase de Maria Viotti da Costa: "E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”.

Unanimidades e discordâncias

João Batista Herkenhoff

Quem escreve em jornais, ou edita livros, está sujeito a receber palavras de aprovação e de reprovação. Quando o email é registrado nos textos publicados, fica implícito que o autor se dispõe a acolher opiniões. Não fosse essa pré-disposição, omitiria o endereço eletrônico onde quer que os escritos apareçam. De minha parte, quando os temas que abordo são polêmicos, pululam opiniões contraditórias. Habitualmente respondo as abordagens com boa vontade e prazer. Por diversas vezes aprimorei trabalhos a partir de críticas recebidas.

Quando o assunto por sua natureza comporta divergências, as contestações me tranquilizam e me dão a segurança de que estou sendo lido por pessoas que pensam.

O iconoclasta Nelson Rodrigues disse, com acerto, que toda unanimidade é burra. De fato, a unanimidade é sempre preocupante. Mas faço uma ressalva. Há unanimidades que, se conquistadas num clima de liberdade, debate e contestação, representam avanço ético.

A mim o que incomoda é a unanimidade sem aprofundamento, a unanimidade que se contenta com uma análise parcial dos fatos e despreza o desdobramento que os fatos podem ter. O que me repugna é a unanimidade obtida através do silenciamento das consciências e da pretendida cassação da inteligência, é a unanimidade que a voz única, proferida de Norte a Sul, de Leste a Oeste, pode alcançar.

Causa-me mal estar a acusação sem defesa, o monopólio da fala por uma corrente de opinião, o decreto da verdade.

A desconfiança é uma virtude. Quando todos falam exatamente a mesma coisa é prudente desconfiar, ir fundo, descobrir arestas.

É lamentável quando alguns fatos são enclausurados numa manchete, numa frase sonora, numa palavra de ordem unida (virar à direita, virar à esquerda, descansar armas). Perde-se a oportunidade de um avanço na visão crítica do povo.

Que sabedoria a Ciência Jurídica transmitiu à Civilização quando estabeleceu o princípio do contraditório como um dos fundamentos do Direito. Nenhum réu pode ser julgado sem defesa e a defesa deve ser ampla, geral e irrestrita.

O princípio do contraditório não prevalece apenas no processo judicial. Ele deve ser acolhido e praticado no debate político, religioso, ideológico e das questões sociais.

Quando todos apontam o dedo de condenação contra alguém que foi escolhido como Inimigo Público Número Um, não nos deixemos enganar pela manobra. Procuremos encontrar, onde for possível, a opinião divergente, o voto favorável ao indigitado Inimigo Público. Ainda que, no final, nos convençamos de que a maioria está certa, nossa adesão à opinião majoritária terá sido fruto do pensamento livre e não da imposição dos que querem fazer de nós cordeiros obedientes.

João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor. Email: jbpherkenhoff@gmail.com.

Reforço contra a pandemia

Com o objetivo de efetivar o funcionamento de duas unidades de saúde da zona rural, localizadas no Assentamento Tupá e no seringal Cachoeira, além de dar suporte à Unidade de Referência no Tratamento da Covid-19 no município, a prefeitura de Xapuri publicou nesta quarta-feira, 22, no Diário Oficial do Estado (DOE) a convocação de mais 3 enfermeiras e 3 técnicas em enfermagem.

As profissionais foram aprovadas em concurso público efetivo realizado em 2018, destinado a selecionar candidatos para assumir vagas efetivas na área de saúde do município. Os candidatos devem observar as exigências contidas no edital e apresentar os documentos e exames médicos necessários. O prazo de entrega é de 5 dias, contados a partir da data de publicação da convocação.

As enfermeiras convocadas:

· Vanderlina da Silva Farias Ferraz

· Polyanna Rodrigues da Silva

· Larissa da Silva Vasconcelos

As técnicas de enfermagem convocadas:

· Rozineide Padilha da Silva

· Nelcilene Nogueira do Nascimento

· Daniele Souza da Silva

O município ainda vai proceder este ano a contratação de novos profissionais para reforçar a área da saúde. Por meio de Processo Seletivo Simplificado que está em andamento, serão admitidos mais 3 médicos, 3 agentes de portaria e 3 auxiliares de serviços gerais para concluir a formação de mais duas 2 novas equipes de saúde, que irão atuar no combate à pandemia do novo coronavírus.

Com informações do jornal ac24horas.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Frágil democracia

Ricardo Viveiros

Quem assistiu a "Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht e Kurt Weill, pode traçar um paralelo da "República de Weimar", na Alemanha dos anos 1920, com a atual democracia brasileira. Ambas frágeis e dominadas por grupos rebeldes. Na Alemanha havia os monarquistas, os nacionalistas, os comunistas, os democratas e os oportunistas de plantão que, aproveitando a efervescência causada pelos demais, corrompiam o país que contrastava a miséria de muitos com a riqueza de poucos.

No Brasil temos, há décadas, uma sociedade que se frustra eleições após eleições. Nada pior que desesperança para dar espaço aos radicais, de qualquer ideologia, como também aos oportunistas. Desde a República, faz 130 anos, ironicamente o que menos tivemos foram governantes republicanos. Decepções com "salvadores da Pátria" foram sucessivas: Getúlio; Jânio; Collor; Lula.

Quanta esperança frustrada. Reformas sempre prometidas foram sempre postergadas. Quantas justas expectativas jamais aconteceram de modo pleno. O que tivemos? Corrupção, desmando, fisiologismo, insegurança política e social. Muitos problemas que impediram o desenvolvimento.

Jair Bolsonaro foi a mais recente esperança para gerações de brasileiros que desconhecem a plena democracia. Porque quando faltam direitos básicos, mesmo com liberdade, inexiste legítimo estado democrático. Impedir corrupção, embora relevante, não é o único dever do presidente, mesmo que seus antecessores não o tenham cumprido. E demais compromissos? Cultura, por exemplo, ainda não mereceu deste governo o cuidado que exige como garantia de liberdade e progresso.

O novo "salvador da Pátria" usa slogans semelhantes aos do Nazismo: Deutschland über alles, ("Alemanha acima de tudo"). Ou ainda, como disse Adolf Hitler no livro Minha Luta: "O que a maioria quer é a vitória dos mais fortes e o aniquilamento ou a captação incondicional dos mais fracos", que Bolsonaro repete: "Vamos fazer o Brasil para as maiorias; as minorias têm que se curvar às maiorias. As leis devem existir para defender as maiorias; as minorias se adequam ou simplesmente desaparecem…".

Não podemos deixar o Brasil cair no obscuro radicalismo, seja de qual ideologia for. O presidente parece buscar saída honrosa para se livrar de um desafio para o qual descobriu não estar preparado. Faz oposição a si mesmo, busca ser vítima de impeachment para deixar o poder como "herói". Quem sabe tenha plano para ser o "Jânio que deu certo"? Sair para voltar nos braços do povo, realizar o sonho de ser "dono" do País. Governar sem os demais poderes que não respeita, pois apoia manifestações contra eles ao arrepio da Constituição.

No Brasil, as consequências da Covid-19 somam-se às crises política e econômica em um país dividido: os contra, os a favor e os oportunistas. Exatamente como na frágil democracia alemã da República de Weimar que, registra a História, não acabou bem. Queremos um País com paz, união, respeito e trabalho. Como disse o saudoso publicitário, Carlito Maia: "Nós não precisamos de muitas coisas, só uns dos outros. Acordem e progresso!"

Ricardo Viveiros, jornalista e escritor, é autor, entre outros, dos livros: "A vila que descobriu o Brasil", "Justiça seja feita" e "Educação S/A".

40 anos da morte de Wilson Pinheiro

Wilson Pinheiro foi assassinado no dia 21 de junho de 1980 com vários tiros pelas costas. Precursor do sindicalismo na região e dos “empates”, ações que mobilizavam as comunidades, unindo seringueiros, ribeirinhos e colonos para impedir a derrubada da mata nativa, inscreveu seu nome como um dos precursores da árdua batalha pela preservação ambiental. 

Chico Mendes, que posteriormente transformou-se num ícone da luta ambientalista, compunha a diretoria do Sindicato comandada por Wilson Pinheiro, vindo posteriormente a ser a principal liderança do movimento em defesa dos povos da floresta. Em virtude deste compromisso, também foi assassinado, oito anos depois, em 22 de dezembro de 1988.

Wilson de Souza Pinheiro nasceu dia 15 de fevereiro de 1933, no município de Carreiros, estado do Amazonas. Migrou para Acre em meados dos anos 1960, com o objetivo de cortar seringa. Em sua ampla trajetória de luta sindical, destacou-se desde cedo como ativista e militante do movimento sindical pela sua coragem e fé em uma vida melhor aos seus companheiros.

Em 1979, foi eleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e em 1980 fez parte da Comissão Organizadora da fundação do Partido dos Trabalhadores no Acre. Era um homem alto, determinado de fala mansa e rara e olhar poderoso, além de ser um trabalhador e pai de família exemplar. Partiu deixando esposa e 8 filhos e um legado eterno, a este município e ao estado do Acre.


Nesta terça-feira, 21 de julho, foi homenageado pela Câmara Municipal e por representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, cidade onde morreu.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Pirão desandando

Os mais recentes capítulos do estica e puxa em que se converteu a política acreana durante a pandemia do novo coronavírus podem ter influência direta no modorrento cenário eleitoral de Xapuri, onde não se sabe ainda quem enfrentará o atual prefeito, Bira Vasconcelos (PT).

Caso se confirme, a anunciada e comentada desfiliação do governador Gladson Cameli do Progressistas (PP) deixará mais uma vez o deputado Antônio Pedro (Dem) e sua trupe de calças curtas em terreno alagadiço.

Já meio atabalhoado com o naufrágio da pré-candidatura do filho, Aílson, que se tornou recentemente promissor dono de supermercado, o parlamentar terá que se desdobrar para se manter na briga pela ponta da chapa de oposição à prefeitura.

Como creio que o nome de sua esposa, Carla, não vai adiante com a saída de Cameli do PP - e ela não poderá ser lançada por outra sigla – uma nova opção terá de ser buscada no chão árido do cardume que ele comanda no município.

Como lhe faltarão boas alternativas, a não ser que ressuscite nome do herdeiro e reponha o próprio Dem na disputa, Antônio Pedro terá pela frente algumas opções não muito aprazíveis, do ponto de vista de um deputado estadual da base de apoio ao governo.

Manter o nome da consorte pelo PP esvaziado pela saída do governador não me parece lógico. Abrir mão da cabeça de chapa me aparenta menos improvável, apesar de, concretizando-se, esse desfecho soar como desonrosa derrota.

Se render ao jovem advogado do MDB ou ao vereador do PSD que sonha em ser prefeito? Eis a questão, não tão elementar assim. É o chamado dilema, que na música do cantor inglês Ritchie, de grande sucesso no Brasil nos 1980, “nem o cinema sabe resolver”.

Se as coisas já não estão fáceis sob a sombra do poder da qual desfruta sozinho desde o começo do atual governo, imagine-se agora com o amparo se movendo em uma direção canhoteira a que seu grupelho bajulador tanto odeia e persegue em Xapuri.


São os descaminhos que a política costuma tomar, especialmente quando se faz opção, de maneira cristalina e despudorada, pela estratégia da “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Assim como o caldo entorna, o pirão desanda, o que aparenta ser o caso em questão. 

Mas esperemos o desfecho da novela Cameli-PP-Socorro Neri, que poderá em breve me proporcionar o prazer de ver figuras locais que tanto desancam os esquerdistas batendo palmas para uma prefeita socialista, eleita por petistas.

A leve partida do Sinvaldo

Recebo com tristeza a notícia do falecimento de uma pessoa muito querida em Xapuri, o ex-comerciante Francisco Gomes Ribeiro, 60 anos, popularmente conhecido pela alcunha de Sinvaldo.

Sinvaldo era uma boa alma. Ele foi dono de um tradicional ponto comercial no Mercado Municipal da cidade, onde era muito respeitado pelo apego ao trabalho e a seriedade que faziam parte de sua maneira de ser, sempre reta e discreta. 

Vivendo em Rio Branco já há vários anos, ele vinha enfrentando sérios problemas de saúde, entre eles doença renal crônica, o que lhe impunha sofridas sessões de hemodiálise. 

Sinvaldo morreu como viveu: de maneira leve. "Partiu como um passarinho", disse-me a irmã Cirnelândia muito abalada com a perda.

O corpo chegará a Xapuri nesta tarde e irá diretamente para a Capela Municipal, no cemitério São José onde, depois de velado, será sepultado ainda nesta segunda-feira, 20. 

Meu abraço e minha solidariedade à família Ribeiro. 

Há quase 8 anos Xapuri não tem uma mulher na Câmara

Já se vão quase oito anos - duas eleições seguidas -  que uma mulher não é eleita para o cargo de vereadora em Xapuri. O último mandato feminino na Câmara Municipal da Princesa do Acre foi entre os anos de 2009 e 2012, com a eleição da vereadora Maria Luceni da Silva.

Neste ano, apesar de haver uma pré-candidatura feminina anunciada à prefeitura, no campo proporcional o indicativo de mulheres que pretendem efetivamente disputar uma vaga na câmara no município não é dos mais animadores. 

Mesmo que cada partido que lançar chapa proporcional tenha que respeitar a cota de 30% das vagas para mulheres, a tendência é de que serão poucas as que de fato disputarão o pleito. Caberá às agremiações políticas locais que disputarão cadeiras na câmara em 2020 fazer valer a legislação e prover efetivas candidaturas femininas nesta eleição. 

Nas eleições deste ano, com o fim das coligações proporcionais, a indicação de mulheres deverá ser feita por cada partido (cota de 30% com aporte proporcional dos recursos do Fundo Partidário), o que se espera que fomente as candidaturas femininas, com o lançamento de um maior número de candidatas. 

As alterações mais recentes ocorridas na legislação que trata do tema dizem respeito à garantia de candidaturas femininas concretas e buscam coibir os arranjos partidários costumeiramente usados para se cumprir com a obrigatoriedade da cota. O desafio imposto aos partidos passará também pela correta destinação dos recursos financeiros do Fundo Partidário para que elas possam investir em suas campanhas e ter chances reais de serem eleitas.

Em toda a sua história, o município de Xapuri teve apenas quatro mulheres exercendo mandatos na câmara de vereadores. Entretanto, já se passaram exatos oito anos sem que uma representante do sexo feminino seja eleita no município para uma das cadeiras no parlamento mirim.

De acordo com os registros da Câmara Municipal de Xapuri, as mulheres que foram vereadoras no município são: Francisca Américo de Souza (1989-1992), Fátima Santana de Almeida (1993-1996), Elisabeth Farias da Silva (1993-2000), que também foi vice-prefeita (2001-2004), e Maria Luceni da Silva (2009-2012). Desde então, apenas homens têm sido eleitos para o cargo de representante do Poder Legislativo Municipal.

No Poder Executivo, Xapuri teve três mulheres ocupando o cargo de vice-prefeita, sendo uma delas a atual, Maria Auxiliadora Silva de Sales, que é esposa do deputado estadual Manoel Moraes. As outras duas foram a ex-vereadora Elisabeth Farias, entre os anos de 2001 e 2004, no segundo mandato do ex-prefeito Júlio Barbosa de Aquino, e Eliana Pereira, no período de 1989 a 1992, no mandato do ex-prefeito Juarez Ribeiro Maciel Filho. 


Alarice Botelho Nunes, de 31 anos de idade, que atua desde muito jovem na área de cultura, é uma das anunciadas pré-candidatas à Câmara de Xapuri para as eleições deste ano. Ela diz que colocou seu nome na disputa porque acredita que as mulheres devam ocupar de fato e de direito o seu merecido espaço na política do município e que esse debate precisa ser pautado também pela igualdade de gênero, garantindo a representatividade feminina na câmara de vereadores. 

“Minha expectativa é de que nós, mulheres, possamos nos unir em busca da transformação dessa realidade. É o momento de termos voz ativa, representativa e participativa nas tomadas de decisões que envolvem o bem comum da nossa querida Xapuri. Precisamos de oportunidades, ideias e projetos que venham, por meio de homens e mulheres, de maneira igualitária, garantir dias melhores em nossa cidade”, assegura.


A ex-vereadora Maria Luceni, que foi eleita pelo Partido Verde no ano de 2008, pensa em voltar a se candidatar neste ano, pelo PSD, mas ainda não se decidiu como pré-candidata. Sobre a sua experiência como uma das poucas mulheres a cumprir mandato em Xapuri, ela afirma que a oportunidade foi engrandecedora do ponto de vista pessoal, mas diz que o segmento feminino ainda não acordou para a importância do seu protagonismo na vida política. 

“Adquiri muitos conhecimentos nos quatro anos em que estive na câmara municipal e isso me fez ver que por meio da política podemos fazer muito mais por nós mesmas e pelo todo. Então, tenho a convicção de que as mulheres precisam se conscientizar da importância dessa participação e mostrar que o gênero feminino possui força suficiente para ocupar o seu espaço em condições de igualdade com os homens”, afirma a ex-vereadora.

Sub-representatividade feminina no Brasil e no mundo

Segundo o Inter-Parliamentary Union, organização global dos parlamentos nacionais, o Brasil é um dos piores países do mundo em termos de representatividade política feminina, ocupando o terceiro lugar na América Latina em menor representação parlamentar de mulheres.

No ranking da entidade, a taxa do Brasil é de aproximadamente 10 pontos percentuais a menos que a média global e está praticamente estabilizada desde a década de 1940. Isso indica que além de estar atrás de muitos países em relação à representatividade feminina, o país tem apresentado poucos avanços nas últimas décadas.

Os parlamentos do mundo não são exceção quando se trata da questão. Com uma média global de 25% de mulheres, a maioria deles permanece dominada por homens, e as mulheres parlamentares geralmente estão sub-representadas nos órgãos de tomada de decisão.

Ações

A adoção, desde os anos de 1990, de uma série de regras eleitorais para aumentar a quantidade de mulheres candidatas e eleitas em eleições proporcionais, ou seja, para as câmaras municipais, assembleias legislativas e Congresso Nacional, jamais atingiu resultados satisfatórios.

O fim das coligações nas eleições proporcionais pode vir a ser um novo alento para a maior presença de mulheres em cargos eletivos. Os resultados desse mais novo incremento à participação feminina na política poderão ser conferidos ainda em 2020, nas eleições para as câmaras municipais em todo o país.

Lição de tolerância

João Baptista Herkenhoff

O mundo é uma construção coletiva. Exaltam-se benfeitores, inventores, líderes políticos, escritores e profetas. São esquecidos os que trabalham na sombra. Entretanto, a obra anônima de milhares suplanta em muito o acréscimo feito ao patrimônio humano pelo pequeno grupo das pessoas que são lembradas. 

O mundo é uma construção permanente. As gerações se sucedem. Cada uma deixa sua contribuição ao acervo geral.

O mundo é um tecido talhado por diferentes aptidões e profissões. Não existe um trabalho mais importante que outro.

O mundo é uma sucessão de idades. Cada uma tem seu selo, cada uma imprime sua marca no mosaico da vida. Crianças, adolescentes, jovens, pessoas maduras e idosos – cada idade traz seu canto para a sinfonia universal.

O mundo é um conflito de opiniões. Ninguém é dono da verdade. De muitas fontes pode vir o bom conselho. Que se tenha ouvido magnânimo para receber e acolher as inspirações para o bem.

O mundo é feito de rupturas, mas também de convergências. Na travessia da vida é preciso que haja pontes.

O mundo é feito de confrontos, mas também de diálogos. Que haja mediadores capazes de suprimir aparentes abismos.

O mundo é feito de saudades, mas também de esperanças. Que haja sempre alma de criança para divisar o futuro.

O mundo requer presença, ação, cidadania. Que haja espaço para que todos falem, sugiram, somem.

Adquiri experiência para formular estes conceitos, no desenrolar da vida. Mas a semente de tudo começou numa cidade e os leitores entenderão a seguir a relação das idéias aqui colocadas.

Fui a minha terra para celebrar com Davi Cruz e Wilson Lopes de Rezende o “Dia de Cachoeiro”. Recebi um banho de poesia, naquele pedaço de chão abençoado. A página que escrevo hoje, inspirada na “alma cachoeirense”, não pode ser senão uma página dirigida à sensibilidade.

A pedido do Prefeito Ferraço, discursei, brevemente, junto ao busto de Newton Braga, o criador da Festa.

Falei a meus conterrâneos e aos amigos de Cachoeiro presentes ao ato sobre a “singularidade” de nosso torrão. Com muita pertinência, nós o consideramos a “capital secreta do mundo”.

Para provar essa singularidade, observei que Cachoeiro é uma cidade que sempre se abriu à tolerância, à supremacia dos grandes valores humanos. E para que essa afirmação não caísse no vazio de um bairrismo exacerbado, citei uma passagem ligada à vida de Demistóclides Baptista, nosso saudoso Batistinha. Fiz a remissão histórica na presença de Moema Baptista que, como eu, foi Cachoeirense Ausente Número 1 em anos pretéritos. Moema, sobrinha de Batistinha, confirmou com um aceno de cabeça a exatidão do episódio.

Batistinha estava exilado. Falece então, em Cachoeiro, sua Mãe. Avisado, o filho corre o risco, mas ingressa, clandestinamente, no Brasil, para ir a Cachoeiro prestar a última homenagem àquela que lhe trouxe ao mundo. Um enterro não se faz às ocultas. Era evidente que, Batistinha, um exilado político, “foragido” da Justiça Militar, estava na cidade. Ninguém, porém, delatou Batistinha. Ninguém se movimentou para que Batistinha fosse preso.

Eu arrematei a narração do fato com uma conclusão. Batistinha era um exilado político, um proscrito. Quem, sendo cachoeirense, se atrevesse a prendê-lo, naquelas circunstâncias, assinaria sua própria sentença de “proscrição moral”. Cachoeiro não aceitaria um ato de tamanha indignidade.

E assim Batistinha, depois do sepultamento de sua Mãe, voltou ao exílio, peso do qual só se libertou quando a Anistia foi conquistada por aqueles que aqui ficamos.


João Baptista Herkenhoff é juiz aposentado.