sábado, 15 de novembro de 2008

Noticiários fortes

Luciano Pires

Fico imaginando o horror que devem ser as reuniões de pauta dos telejornais brasileiros neste final de ano. As televisões precisam atingir as metas de faturamento e lucro e para isso necessitam de audiência. E este ano vinha muito bem: eleições no Brasil e nos EUA; crise global; Olimpíada; guerra de polícias... E os grandes sucessos de audiência: os casos Isabela Nardoni e Eloá Pimentel.

Mas este último trimestre promete ser magrinho, né? Se não aparecer uma tragédia pavorosa em breve, vamos ter cabeças rolando nas redações! Quer ver? Na Folha de S.Paulo, o colunista Daniel Castro dá a seguinte informação:

“Os telejornais da Record perderam audiência depois das coberturas dos casos trágicos de Isabella Nardoni e Eloá Pimentel. Durante a cobertura do caso Isabella, entre abril e maio, o "Balanço Geral" teve média de 11 pontos na Grande SP. Em setembro, a média do programa caiu para 5,5 pontos. O "SP Record" apresentou um crescimento de 26% durante o caso Eloá, em outubro. Já nos primeiros dias de novembro, perdeu 16% de audiência. Outro noticiário que se beneficiou das tragédias foi o"Jornal da Record", que apresentou uma pequena queda em novembro. Durante o mês de outubro, o programa teve crescimento de 12%. No dia da invasão do cativeiro de Eloá, foi registrado um pico de 17,6 pontos. Em nota, a emissora de Edir Macedo disse que seus telejornais sempre crescem com noticiários fortes e não apenas em casos policiais.”

“Noticiários fortes”. O que faz um noticiário ser forte? O fato noticiado ou a cobertura que se dá ao fato? As duas coisas, não é mesmo? Mas há uma diferença. Uma tragédia, um atentado, tem uma carga “forte” natural que tanto é mais forte quanto mais espetacular o acontecimento. A queda das torres gêmeas, por exemplo. Ou o buraco do metrô. Mas a tragédia esgota-se. Após algum tempo, passou. Acabou. Quem prolonga os efeitos, dramatiza as conseqüências e transforma os espectadores em parte do acontecimento é a imprensa, ao repetir as imagens, montar os videoclipes do terror, buscar lágrimas e dor incessantemente.

Pô, a função da imprensa não é informar? É. Mas onde se encaixa o “noticiário forte”? Na função de informar ou no espetáculo? Você tem alguma dúvida?

Isso é igualzinho à questão das drogas. A produção e tráfico de drogas só existem em função dos consumidores. Enquanto houver gente para comprar drogas, essa indústria vai proliferar.

E com as televisões despejando drogas em nossas salas de jantar acontece o mesmo. Quem dá audiência aos telejornais somos nós, os consumidores da “droga televisiva”. E eles sabem que quanto mais sangue e tragédias, mais nossa audiência terão. E os programadores de mídia das agências de publicidade ficam ouriçados com suas planilhas. E os gerentes de marketing dos anunciantes mais ouriçados ainda com as “oportunidades” de faturar algum. E nesse turbilhão, perdem-se as referências.

Quem não se lembra das promotoras de um energético fazendo uma “ação promocional” na cratera do metrô? Para os “comunicadores” da empresa a cratera era apenas um evento com muita gente reunida e a mídia assanhada. Lugar perfeito para uma ação promocional...

Essa é a lógica que transforma Isabela e Eloá em produtos explorados avidamente pelos apresentadores histriônicos dos telejornais, cuja função é fabricar “noticiários fortes”.

Mas eles só existem por terem a audiência que você dá. Sem audiência não existem anunciantes. Sem anunciantes não existe dinheiro. Sem dinheiro não dá pra botar “noticiários fortes” no ar. E sem “noticiários fortes, a audiência cai...

Entendeu o jogo? Você é a parte mais importante dele.

Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil, acesse www.lucianopires.com.br

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Internet ruim



Hoje passou da conta. Além da lentidão que relembra os tempos do acesso discado, a internet para as bandas de Xapuri abusou da paciência de pobres internautas como eu que passaram o dia a bater cabeça com vai e vem do serviço ADSL da Brasiltelecom. Alguém faça alguma coisa.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Eleição no Senado

Tião busca apoio dos tucanos Serra e Aécio



Josias de Souza - Folha Online

Candidato do PT à presidência do Senado, Tião Viana (AC) decidiu expandir sua campanha para além dos limites do Congresso.

Tião se esforça agora para seduzir o tucanato. Nos próximos dias, vai visitar os dois presidenciáveis do PSDB.

Acha que Aécio Neves e José Serra podem ajudar a dobrar a resistência do pedaço da oposição que se opõe à idéia de confiar o comando do Senado ao PT.

Na Câmara, os governadores tucanos de Minas e São Paulo fecharam com Michel Temer (PMDB-SP).

Faz parte da estratégia da dupla manter com o PMDB, eventual aliado de 2010, uma política de boa vizinhança.

Pela lógica, o mesmo raciocínio valeria para o Senado, Casa em que o PMDB também reivindica a presidência. Mas ali a equação envolve cálculos mais refinados.

Por ora, o nome que o PMDB apresenta como alternativa a Tião é o de José Sarney (PMDB-AP). Um senador que traz o nome de Serra anotado na caderneta.

Sarney acusa Serra de ter conspirado, em 2002, contra a fracassada candidatura presidencial da filha dele, Roseana Sarney.

Ou seja, ao menos para Serra, Tião Viana, se não é o candidato ideal, pode representar um mal menor.

Tião esgueira-se por entre uma fenda que se abriu na bancada de senadores tucanos. O líder Arthur Virgílio (AM) prefere um peemedebista a um petista.

Mas tucanos do porte de Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE) – respectivamente ex-presidente e atual presidente do PSDB — não parecem tão refratários a Tião Viana.

Entre quatro paredes, Jereissati e Guerra não escondem uma ponta de simpatia por Tião, um petista que consideram mais “sóbrio” e “sensato” do que a média do petismo.

Na outra ponta, aparentemente decidido a dificultar a vida de Tião, Virgílio chegou mesmo a superar uma aversão que nutria por Sarney.

Em passado recente, o líder tucano dizia que jamais votaria em Sarney. Revelara o "veto" na tribuna, em discurso. Agora já admite votar.

Nessa matéria, Virgílio fecha com o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), outro oposicionista simpático à alternativa Sarney.

Para Agripino, a eleição de Tião corresponderia a algo parecido com a acomodação do próprio Lula na cadeira de presidente do Senado.

O diabo é que Sarney, que antes estimulava a propagação de seu nome, parece ter dado meia-volta depois de uma conversa com Lula.

Na segunda (10), quatro dias depois da reunião com Lula, Sarney recebeu Tião em seu gabinete. Reafirmou o que dissera ao presidente: não é e não vai ser candidato.

Disse, de resto, que, com um esforço negociador que envolva o Planalto, acha possível arrastar o PMDB para uma composição com o PT.

A se confirmar a saída de cena de Sarney, Renan Calheiros (PMDB-AL), que tricotava o nome dele com Virgílio e Agripino, fica sem chão.

A trinca terá de se escorar num outro peemedebista. Alguém que se disponha a bater chapa com Tião, contra a vontade de Lula.

Antes que esse nome apareça, Tião tenta amarrar pelo menos um pedaço do PSDB.

Quanto a Lula, como que decidido a minar as resistências do PMDB, marcou para a semana que vem uma reunião com os ministros que representam o partido na Esplanada. Encontro já noticiado aqui, doze dias atrás.

Bicho estranho



Que estranha espécie de animal camuflado é esta?

Respondo eu mesmo: trata-se do repórter Joseni Oliveira, da Rádio Educadora 6 de Agosto, durante a oficina de rádio realizada em outubro passado pela Secretaria de Estado de Comunicação na Usina de Artes João Donato, em Rio Branco, matando as saudades de seu habitat natural. Acabar reclamam quando atribuem aos xapurienses uma certa "má fama".

Acre promove TAC's dos depósitos de lixo


Aterro Sanitário de Xapuri

Todos os municípios estão sendo chamados para se legalizar através da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta.

As prefeituras de todos os municípios do estado do Acre estão sendo chamadas para adequar os espaços de depósito final do lixo. Cada prefeitura tem que assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que indica quais as medidas necessárias para adequação e o prazo para realização dos ajustes. Essa é uma ação que reflete a preocupação da gestão estadual com o bem estar da sociedade e do meio ambiente.

Dos 21 municípios acreanos, havia 14 com restrições quanto ao tamanho e vida útil dos locais de depósito do lixo. Porto Acre foi o primeiro a ter o TAC assinado, mas ainda há 6 municípios que não assinaram. A disposição final do lixo é regulamentada pela lei federal n˚ 308 de março de 2002, do Conselho Nacional de Meio Ambiente. No Acre, o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) é o responsável por incentivar e fiscalizar as adequações.

Antes de chamar as prefeituras para assinatura dos TAC’s o Instituto realizou um diagnóstico da situação do lixo em todo o Estado. Caracterizando desde o serviço de coleta municipal, característica dos solos dos locais de depósito, super utilização da área e até o georreferenciamento do local.

Cada município recebeu uma classificação de nível de deficiência e em seguinte foram estabelecidas as medidas de mitigação imediata de médio e longo prazo para regularização. Sendo opções viáveis: adequação, viabilidade de novas áreas e a definição de um projeto executivo.

A gerente da Divisão da Indústria e Serviço do Imac, Maura Ribeiro, explica o processo está concordância com o estabelecido no Sistema de Informação de Gestão de Resíduos Sólidos do Ministério de Meio Ambiente e também com as normas da ABNT. “Existem técnicas e leis para que essa situação seja revertida e a assinatura do TAC reflete uma postura mais sustentável e responsável com o meio ambiente e o desenvolvimento humano das regiões”, completou Maura Ribeiro.

Projeto de Excelência

O município de Rio Branco tomou a dianteira na elaboração do projeto da nova Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos e se tornou exemplo em toda região amazônica. O projeto se preocupa com o meio ambiente e com a sociedade. Entre algumas variáveis analisadas estão: topologia, geologia, recursos hídricos, vegetação, acessos, tamanho disponível e vida útil, emissões gasosas e monitoramento de águas subterrâneas.

É levada em conta ainda a relação da população do entorno com o local, o transporte e a melhoria na qualidade de trabalho e vidas das pessoas que trabalham com o lixo, como é o caso da Associação de Catadores de Lixo.

Agência de Notícias do Acre

De olho na arte amazônica


Golby Pullig - Agência de Notícias do Acre
As esculturas do artista plástico Gesileu Salvatore estão sendo conhecidas em vários países por meio da internet. De abril, quando estreou na web, até agora, a página recebeu mais de 2.800 acessos. As visitas foram feitas por pessoas de 24 países, entre eles Arábia Saudita, Japão, África do Sul, Noruega e os mais freqüentes, Portugal, França, Estados Unidos e Espanha.
"Quando um artista do Acre poderia imaginar que vai ser visto em tantos lugares se não fosse a internet?", indaga Salvatore, que desperta o interesse do público brasileiro com suas esculturas sonoras, em relevo e orgânicas feitas a partir de material rejeitado pela própria natureza como cascas, galhos e troncos de árvores.
Gesileu Salvatore se entusiasma com os primeiros resultados gerados pela visibilidade do site e planeja melhorar a galeria com os produtos e traduzir os textos para mais um idioma. "Uso apenas algumas ferramentas para divulgar o site, mas pretendo no ano que vem fazer divulgação em massa e alimentar melhor com fotos e informações sobre as obras", diz.
Ele acredita que palavras-chave como Amazônia, Xapuri - cidade onde nasceu - e Acre estimulem os acessos. No Brasil, os Estados que mais procuram o trabalho do artista são Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, Pernambuco e o Distrito Federal.
Para Salvatore, "essa é a hora para que os artistas acreanos acordem e usem mais a internet como forma de divulgar seus trabalhos para o mundo". O artista prepara uma exposição para o primeiro semestre de 2009 com recursos gerados a partir da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Como uma onda



Lulu Santos

Composição: Lulu Santos / Nelson Motta

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

A fera e a bela



Nervosa e temendo o conhecido temperamento instável do prefeito Vanderley Viana de Lima (PPS), a repórter Fernanda Gomes, da Rádio Educadora 6 de Agosto, se dirigiu, na semana passada, ao palacete Édson Dias Dantas, onde funciona a sede da prefeitura de Xapuri, para entrevistar o político mais polêmico e controverso do Acre, apeado do poder por uma população insatisfeita com a falta de resultados e o excesso de confusões de sua administração a ponto de deixá-lo em último lugar nas últimas eleições com 1.030 votos.

Vanderley Viana, que havia sido convidado por mim, através de sua secretária, a conceder uma entrevista à Rádio Educadora, atendeu à repórter carimbando e assinando papéis no costumeiro estilo irrequieto, mas foi extremamente solícito e a conversa, que durou pouco mais de 10 minutos, transcorreu em um clima de absoluta tranquilidade, como denuncia a foto acima. Com 55 anos a serem completados em março do ano que vem, o prefeito garante que sai da prefeitura de cabeça erguida e certo de ter feito um bom trabalho nos últimos 4 anos.

Nascido politicamente no movimento estudantil de Xapuri, Vanderley se tornou liderança de grande popularidade no início da década de 80, se elegendo vereador em 1981, cargo que exerceu entre 1982 e 1985 e que o alçou à condição de disputar e vencer as eleições municipais que poriam fim a era dos prefeitos biônicos nomeados pela ditadura militar. Divorciado e pai de três filhos - Priscila, Moisés e Raiana - possui formação de Técnico Agropecuário obtida em Cabrália Paulista, no interior de São Paulo, e é professor da rede estadual de ensino, estando, no momento, fora de atividade em sala de aula.

Filho de uma família de cinco irmãos, Vanderley diz que vendeu picolés, foi catador de lixo em Manaus e engraxou sapatos, tendo entre seus clientes a figura do coronel Fontenele de Castro. Morou no bairro do Papouco, em Rio Branco, e comeu casca de banana para sobreviver, entre outras desgraças que utiliza para reforçar a imagem de pessoa sofredora que conseguiu obter conquistas relevantes na vida. Como político, é tido como um mártir em vida por uns e como um anjo decaído por outros. No resumo, um administrador com força de vontade, mas dono de idéias e métodos atrasados para o seu tempo.

Na entrevista, que foi veiculada pela rádio na semana passada e publicada hoje pelo site Ac24horas, apesar da aparente tranqüilidade que demonstra com o resultado negativo obtido nas eleições passadas, quando ficou em último lugar com 1.030 votos, o prefeito não esconde o tom de revolta com o fato de a população haver lhe negado a oportunidade do segundo mandato consecutivo, que seria o terceiro de sua carreira política como prefeito de Xapuri. Vanderley Viana fala sobre seu trabalho, as expectativas para a nova administração do PT e o seu futuro político.

Leia também "Agora vou cuidar de mim".

- O senhor está sendo acusado de abandonar a cidade depois de perder as eleições. Qual a sua opinião a respeito dessas críticas?

VV – Normais. Quem não quer receber críticas que não se meta em política e fique casa. Todo mundo tem o direito de fazer críticas e reclamar, agora eu gostaria de dizer àqueles que fazem críticas que dessem ao menos uma parcela de contribuição e participação para o desenvolvimento da cidade. Mas com crítica ou sem crítica nós vamos levando assim mesmo para concluir minha responsabilidade até o fim do nosso mandato.

- Quer dizer então que a cidade não está abandonada?

VV – De forma alguma. Nós estamos com alguns problemas relacionados à coleta de lixo e ao aterro sanitário por falta dos veículos e máquinas que apresentaram problemas, mas já conseguimos recuperar um e alugamos outro para que nesta semana comecemos um grande trabalho de limpeza, uma faxina geral na cidade para mostrar que a cidade não está abandonada como alguns estão dizendo. Com relação ao aterro sanitário, já está em Xapuri uma máquina que também a partir de segunda-feira vai começar a reorganizar a situação por lá que, neste momento, realmente está desorganizada.

- Qual é a avaliação que o senhor faz da sua administração que acaba no próximo dia 31 de dezembro?

VV – Muito boa. Graças a Deus consegui atingir meus objetivos com obras de infra-estrutura e com a satisfação da população. Eu estou satisfeito. Deus me deu essa oportunidade e o importante é que eu consegui cumprir bem com esse papel.

- Qual foi a sua maior dificuldade?

VV – Foi a questão antidemocrática. As pessoas não respeitam o regime democrático e o voto dado a um cidadão. Mas a gente tem que estar preparado para lidar com as dificuldades e eu superei essas dificuldades.

- Por que o senhor não enviou ainda a proposta de orçamento para o ano que vem à Câmara?

VV – Já coloquei o contador da prefeitura à disposição do prefeito eleito para ele mesmo possa definir as prioridades para o orçamento do ano que vem. Não seria justo que eu definisse prioridades para um orçamento que eu não vou administrar.

- O prefeito eleito, Bira Vasconcelos, está tendo alguma dificuldade para realizar o processo de transição entre os governos?

VV – Absolutamente. Nós estamos cuidando de todos os detalhes para que a nova equipe receba todos os relatórios da nossa gestão, patrimônio, financeiro, tudo. Quanto a isso podem ficar tranqüilos que não haverá nenhum problema e nós entregaremos direitinho com a prefeitura funcionando perfeitamente.

- O que o senhor espera da nova administração?

VV – Que Deus abençoe e ilumine e que Xapuri possa se desenvolver.

- E o seu futuro político?

VV – Agora eu vou cuidar de mim. Eu já fiz muito por Xapuri, já me dediquei muito a Xapuri e me esqueci de mim mesmo. Abandonei minha faculdade e pretendo agora passar a cuidar mais de mim. Com relação à política não sei ainda se saio ou não saio, só sei que pretendo continuar trabalhando por Xapuri, que eu quero ver crescendo e se desenvolvendo.

- Fique a vontade para acrescentar algo mais que ache necessário...

VV – Eu só queria agradecer ao apoio e a oportunidade que a população me deu. Dizer que eu estou satisfeito com o carinho que deram e desejar saúde e sucesso a todos que foram leais comigo. Gostaria de dizer também a algumas pessoas para que elas não fossem tão ingratas e que dessem uma repensada em 2009 e passem a agir como pessoas que têm sensibilidade. Existe muita ingratidão em Xapuri. Eu falo isso porque eu não aceito ingratidão. Eu engulo, mas não aceito.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ver para crer



Um leitor anônimo postou comentário dizendo precisar "ver para crer" (veja) que o prefeito Vanderley Viana seja dono da proeza de varrer as ruas da ecológica cidade de Xapuri com possantes jatos d'água em plena era de presságios assustadores sobre a escassez do precioso líquido no mundo.

Bem, como a imagem não mente, eis aí o prefeito em fim de linha com sua vassoura nada convencional à mão. Vanderley Viana também é inventor de uma fábrica de vassouras ecológicas feitas à base de garrafas plásticas de refrigerantes. A exemplo de sua administração, a indústria artesanal também foi por águas abaixo.

Passaredo

Luiz Angelo Vilela Tannus

Cuidado bicudo, cuidado arara, cuidado azulão!
O homem que pega, que fere e escraviza chegou.
Cuidado canário, cuidado sanhaço, voa gavião;
O homem que prende, que mata e que vende te olhou.

Cuidado na mata, senão ele mata.
Cuidado no chão, senão ele pisa.
Cuidado na água, senão ele fisga.
Cuidado no ar, senão ele mira
E atira...

Cuidado no rio, no mar, no canal,
Cuidado na terra, no campo, na fonte;
Aos carrapateiros que limpam curral,
Cuidado na cerca, no gado e no monte.

Cuidado dobrado, tenham no arrozal.
Cuidado também ao pousar na roseira.
Cuidado graúna, cuidado pardal,
E o pica-pau, que tem asa ligeira.

Cuidado araponga, inhambu e tiziu,
Cuidado pombinha, mantenha-se alerta,
A sanha do homem é pior que o fuzil,
Te olha, te mira, te atira, te acerta.

Cuidado perdiz, cuidado andorinha,
Cuidado ararinha, cuidado falcão;
Cuidado tesoura, cuidado rolinha,
Cuidado com o tiro, a pedrada, o alçapão.

Cuidado gaivota, cuidado marreco.
Avise ao jacu, ao tucano e à mulata.
Cuidado que o homem te dá um peteleco,
Te prende, te humilha, te fere e te mata...

Falta d'água


Acreditava-se que a nova estação de tratamento de água construída no bairro da Bolívia há alguns anos para captar água do rio Acre teria suficiência para dar conta do abastecimento de toda a cidade. Não possuo elementos para afirmar que não tenha, mas é fato que a antiga ETA, instalada no igarapé Enguia (Fura) e que deveria ser desativada após a inauguração da nova, ainda tem importância fundamental para a normalidade do fornecimento do líquido precioso às residências xapurienses.

Com a seca do igarapé, os bairros atendidos pela estação mais antiga ficaram sem água nos últimos dias. O Deas – Departamento Estadual de Água e Saneamento – garante que o serviço será normalizado ainda nesta segunda-feira, com a estação do rio Acre funcionando num regime de 24 horas por dia. Na manhã de hoje, mais um contratempo. A prefeitura quebrou uma tubulação e deixou a área central da cidade sem água. O problema foi resolvido rapidamente e aquela região da cidade voltou a ter água ainda no período da manhã.

O gerente do escritório local do Deas, José Augusto (Mirim), que não fala em microfone nem para ganhar dinheiro, faz um apelo importante à população da cidade cujo prefeito inventou vassouras ecológicas, mas que varre as ruas com abundantes jatos d’água. “A população tem que evitar o desperdício e economizar água, principalmente neste período em que o igarapé se encontra com o nível de suas águas muito baixo”. Resta aguardar que as pessoas acatem o pedido do Mirim e que não sigam o mau exemplo ambiental do prefeito.

Saída política



Josias de Souza - Colunista da Folha Online

O senador José Sarney (PMDB-AP) ajustou o timbre do discurso em relação à disputa pela presidência do Senado.

Passou a defender uma solução negociada para a refrega que opõe o seu PMDB e o PT de Tião Viana (AC).

O senador abriu uma janela para a composição em torno de Tião. Desde que a tribo dos peemedebês receba uma compensação política.

Sarney informou a alguns de seus pares que, na queda-de-braço com o PT, seu cotovelo e seu úmero não irão à mesa.

Deve-se a suavização oratória a um encontro que Sarney manteve com Lula na última quinta-feira (6).

No encontro, o presidente reiterou seu apoio às pretensões de Tião Viana. Fez um apelo ao bom senso.

Sarney deve se reunir nas próximas horas com Tião Viana. Será procurado também pelos líderes da oposição.

Empenhados em evitar que o PT comande o Senado, José Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio (AM) se dispõem a apoiar Sarney.

Ouviram de Renan Calheiros (PMDB-AL) que Sarney estaria no jogo. Porém, receiam estar flertando com uma candidatura virtual. Querem ouvir o dono da voz.

Confirmando-se a opção de Sarney pela composição com o petismo, Renan, Agripino e Virgílio vão atrás de um outro peemedebista que se disponha a arrostar o desafio.

Fica no ar uma pergunta: qual seria a compensação capaz de satisfazer Sarney?

Suspeita-se que o senador se daria por atendido se Lula lhe entregasse o escalpo do ministro petista Tarso Genro (Justiça).

Bom dia!



Foto colhida na página do Orkut da geógrafa e aventureira gaúcha Carla Hirt. Carla esteve em Xapuri no início deste ano, acompanhada dos também geógrafos Dilermando Catanneo e Tomás Rech, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, realizando uma pesquisa sobre a Resex Chico Mendes. Deveriam ter retornado no meio do ano para concluir o trabalho. Acredito que em 2009 dão as caras, afinal de contas quem conhece os encantos desta terra sempre volta.



◙ Carla Hirt, na foto em frente à casa de Chico Mendes, licenciou-se em Geografia em 2006, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente é mestranda junto ao Programa de Pós Graduação em Geografia da mesma universidade. Junto ao NEGA - Núcleo de Estudos de Geografia e Ambiente - colabora na pesquisa Identificação de epistémes inscritas nas práticas de gestão e uso dos recursos hídricos na Reserva Extrativista Chico Mendes / AC e Parque Nacional da Tijuca / RJ.

domingo, 9 de novembro de 2008

Ganhou a sedução

Sempre posto aqui textos do jornalista, escritor, conferencista e cartunista Luciano Pires, dono do site Café Brasil. No artigo da semana, o comunicador trata das eleições nos EUA, sob o prisma dos que tentam convencer e os que tentam seduzir. Ganhou a sedução.

O sedutor

Assim como Alckmin nas eleições presidenciais de 2006, o melhor momento de McCain foi o discurso em que reconheceu a derrota na eleições para presidente dos Estados Unidos. Vê-lo pedindo que seus eleitores parassem de vaiar Barak Obama e dizendo que “meu adversário é agora meu presidente” é um momento histórico. McCain é água, Obama é vinho. Ou vice-versa. E para entender o que se passou vou recorrer a trechos de uma entrevista que o sociólogo e jornalista peruano Rafael Roncagliolo deu ao jornal argentino La Nación, e que recebi por meio do ex-blog de Cesar Maia. Vale pena ler a entrevista completa aqui: http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1050621.

Entendo que meu papel, além de minhas reflexões, é trazer aos leitores idéias de outras pessoas. Então segura:

“Os partidos políticos se converteram em máquinas eleitorais que só funcionam quando há eleições. Isso é parte de uma mudança, na qual a relação cara a cara foi transformada em relações midiáticas. Ao congressista não interessa a repercussão do que diz no Parlamento. O que interessa é a repercussão do que diz no espaço midiático. Isso é uma deterioração da ação do Congresso. Desapareceu a relação cara a cara com a célula partidária.”

“Os partidos funcionam como garagens, porque apenas se retira o carro do estacionamento para competir e, depois, volta-se a guardá-lo..."

“As transformações tecnológicas dos últimos tempos determinaram que os eleitores não fossem considerados cidadãos, mas sim consumidores. A diferença é que, quanto aos cidadãos, é preciso convencê-los e, quanto aos consumidores, é preciso seduzi-los. Neste cenário, as ofertas dos políticos deixam de ser propostas e passam a ser mecanismos publicitários de sedução do eleitor. Isso destrói o pressuposto básico da democracia.”

“É óbvio que os candidatos não mais têm interesse sobre os temas a debater. Interessa a eles os aspectos formais do debate, como a luz, a ordem da exposição, os tempos e a disposição das câmeras. Ou seja, a vida política passou a ser controlada por novos especialistas.”

“Hoje, é preciso estar nos meios de comunicação de massa para existir. Os meios não têm êxito no momento de dizer quem ganha, mas sim ao estabelecer quais os que estão na competição. Pode-se dizer que os meios substituíram os políticos no papel de fixar a agenda. Então, não são mais dirigentes, voltados para oferecer uma direção aos cidadãos, mas sim dirigidos, no sentido de que o bom político é o que melhor interpreta as pesquisas e que faz o que o público pede.”

“Isso não significa que os meios de comunicação possam fazer o que quiser com a opinião pública, mas sim que alguns deles têm um papel desmedido. Os legisladores foram substituídos por líderes midiáticos em sua influência sobre a opinião pública.”

Viu só? Legisladores ou lideres midiáticos. Cidadãos ou consumidores. Quem entendeu a complexidade destes novos tempos levou a melhor. Enquanto McCain tentava convencer, Obama seduzia. E o resultado está aí: não me lembro de ter visto outra liderança com o impacto que Barak Obama está causando no mundo. Ao menos em termos de percepção. Talvez o último tenha sido John Kennedy, que também era um sedutor.

Criou-se uma expectativa sem precedentes, os noticiários parecem anunciar a volta do messias. Barak Obama sabe usar o tal “espaço midiático” como poucos. Usou a juventude, a família, a inexperiência e a questão racial com maestria. Tem gestual, tem repertório, tem voz, tem olhares, tem todos os trejeitos de grande estrela que sabe como seduzir os admiradores. E tem uma equipe de profissionais midiáticos afinadíssima.

Isso é bom. O mundo precisa de líderes carismáticos. Mas também é perigoso.

Vai que ele acredita que é mesmo o messias...

Francisco Alves Mendes Filho



“Meu pai não deixou órfãos apenas eu e meus dois irmãos, ele deixou órfãos vários pais de família, várias famílias, várias pessoas que defendiam e defendem até hoje a floresta, que dependem dela para sobreviver”, desabafou Ângela Mendes, ao falar do legado do pai durante o lançamento do Prêmio Chico Mendes de Florestania, que aconteceu na última sexta-feira, 7, em solenidade na Biblioteca da Floresta Marina Silva.

“Ele lutava pelo bem-estar social, para que todos vivessem em harmonia. Ele sempre defendeu o cooperativismo, a união entre os povos. Essa é a causa que movia meu pai, sempre humilde, mesmo com os vários prêmios internacionais que recebeu", concluiu a presidente do Comitê Chico Mendes.

“O Prêmio Chico Mendes de Florestania é sempre um momento muito especial durante a Semana Chico Mendes, que acontece entre os dias 17 e 22 de dezembro”, disse Elenira Mendes, presidente do Instituto Chico Mendes. “Este ano eu vejo o formato do prêmio com muito mais energia do que nos anos anteriores, afinal, é uma homenagem alusiva aos 20 anos sem Chico. Em decorrência disso, teremos a oportunidade de homenagear vinte pessoas que caminharam com ele durante essa luta em defesa da Amazônia.”

O Prêmio Chico Mendes de Florestania, conferido anualmente pelo Governo do Estado do Acre, através da Fundação Elias Mansour, tem por finalidade reconhecer e estimular os programas, projetos, atividades e ações que têm como objetivo consolidar o conceito de florestania.

As indicações podem ser conferidas a pessoas físicas, maiores de 18 anos, ou jurídicas de direito privado com ou sem fins lucrativos, sociedades de fato, bem como instituições públicas ou privadas de pesquisas, que, além dos critérios mencionados, serão analisadas objetivamente nos quesitos efetividade, impacto social e ambiental, potencial de difusão, adesão e participação, e originalidade.

As candidaturas podem ser enviadas até o dia 1º de dezembro, através de remessa postal registrada e endereçada ao Prêmio Chico Mendes de Florestania, Fundação Elias Mansour, Rua Senador Eduardo Assmar, 1291, Segundo Distrito, Calçadão da Gameleira – CEP 69909-710, ou por ofício protocolado diretamente na sede da Fundação no mesmo endereço. Realização Governo do Estado/FEM.

Leia mais na Agência de Notícias do Acre.

Chico Mendes

Pobre e iletrado, o pai de Chico Mendes ganhava a vida extraindo látex das seringueiras na floresta amazônica. Aos nove anos, o garoto Francisco Alves Mendes Filho também entrou para a profissão de seringueiro: era sua única opção, já que lhe foi negada a oportunidade de estudar. Até 1970, os donos da terra nos seringais não permitiam a existência de escolas. Chico só foi aprender a ler aos 20 anos de idade.

Indignado com as condições de vida dos trabalhadores e dos moradores da região amazônica, tornou-se um líder do movimento de resistência pacífica. Defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros, ele organizou os trabalhadores para protegerem o ambiente, suas casas e famílias contra a violência e a destruição dos fazendeiros, ganhando apoio internacional.

Fundou o movimento sindical no Acre em 1975, com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Participando ativamente das lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos, montou o Conselho Nacional de Seringalistas, uma organização não-governamental criada para defender as condições de vida e trabalho das comunidades que dependem da floresta.

Chico Mendes também atuou na luta pela posse da terra contra os grandes proprietários, algo impossível de se pensar na região amazônica até os dias de hoje. Dessa forma, entrou em conflito com os donos de madeireiras, de seringais e de fazendas de gado.

Participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, em 1977, e foi eleito vereador para a Câmara Municipal local, pelo MDB, único partido de oposição permitido pela ditadura militar que governava o país (1964-1985). Nessa época, Chico sofreu as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Ao mesmo tempo, começou a enfrentar vários problemas com seu próprio partido: o MDB não era solidário às suas lutas.

Em 1979, o vereador Chico Mendes lotou a Câmara Municipal com debates entre lideranças sindicais, populares e religiosas. Lembre-se: era tempo de ditadura militar. Foi acusado de subversão e passou por interrogatórios nada suaves. Foi torturado secretamente e, como estava sozinho nessa luta, não podia denunciar o fato, ou seria morto.

Foi assim, em busca de sustentação política, que decidiu ajudar a criar o Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se seu dirigente no Acre. Um ano depois de ser torturado, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de ter participado da morte de um fazendeiro na região que assassinara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia.

Em 1982, tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri e foi acusado de incitar posseiros à violência, mas foi absolvido por falta de provas.

Quando liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, a luta dos seringueiros começou a ganhar repercussão nacional e internacional. Sua proposta de "União dos Povos da Floresta", apresentada na ocasião, pretendia unir os interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta amazônica. Seu projeto incluía a criação de reservas extrativistas para preservar as áreas indígenas e a floresta, e a garantia de reforma agrária para beneficiar os seringueiros.

Transformado em símbolo da luta para defender a Amazônia e os povos da floresta, Chico Mendes recebeu a visita de membros da Unep (órgão do meio ambiente ligado à Organização das Nações Unidas), em Xapuri, em 1987. Lá, os inspetores viram a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros, tudo feito com dinheiro de projetos financiados por bancos internacionais.

Logo em seguida, o ambientalista e líder sindical foi convidado a fazer essas denúncias no Congresso norte-americano. O resultado dessa viagem a Washington foi imediato: em um mês, os financiamentos aos projetos de destruição da floresta foram suspensos. Chico foi acusado na imprensa por fazendeiros e políticos de prejudicar o "progresso do Estado do Acre".

Em contrapartida, recebeu vários prêmios e homenagens no Brasil e no mundo, como uma das pessoas de mais destaque na defesa da ecologia.

Casado com Ilzamar e pai de Sandino e Elenira, Chico realizaria alguns de seus sonhos, ao assistir à criação das primeiras reservas extrativistas no Acre. Também conseguiu a desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves da Silva, em Xapuri. Foi quando as ameaças de morte se tornaram mais freqüentes: Chico denunciou o fato às autoridades, deu nomes e pediu proteção policial. Nada conseguiu.

Pouco mais de um ano após sua ida ao Senado dos Estados Unidos, o ativista acabava de completar 44 anos quando foi assassinado na porta de sua casa. Em 1990, o fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, Darci, foram julgados e condenados a 19 anos de prisão, pela morte de Chico Mendes.

sábado, 8 de novembro de 2008

Lavanderia Comunitária

Uma obra que custou R$ 80 mil aos cofres públicos (veja aqui) e nunca funcionou é um dos símbolos das más administrações que passaram por Xapuri nos últimos anos.



Concluída em 2002, na administração do petista Júlio Barbosa de Aquino, a lavanderia comunitária localizada na rua Rotary, no bairro da Cerâmica, jamais lavou uma peça de roupa e foi deixada abandonada pelas duas últimas administrações que por aqui passaram.



As grandes lavadoras elétricas foram todas sucateadas e tiveram seus motores levados para outros locais.



O prédio abandonado é lugar propício para a criminalidade.



Nem o forro de PVC escapou à pilhagem realizada no local.

Leia mais no Ac24horas.com sobre um exemplo de como não se deve utilizar os parcos recursos de um município pobre como Xapuri.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Projeto ecológico é abandonado em Xapuri


Clique na foto para ampliar

A prefeitura de Xapuri voltou a abandonar os procedimentos de destinação correta do lixo no aterro sanitário da cidade, localizado no quilômetro 06 da estrada da Variante. A denúncia é de funcionários da própria Secretaria de Meio Ambiente do município, que informam não haver máquinas no local para realizar a abertura de células para a acomodação de lixo doméstico e hospitalar. Fotografias tiradas no local na manhã da última quarta-feira (5) comprovam que o projeto ecológico implantado na cidade há sete anos se converteu em um grande fracasso.

A situação, na atualidade, é a pior possível. O lixo está sendo amontoado na área do aterro em virtude da falta de máquinas para realizar os procedimentos de acomodação correta dos resíduos. O mau-cheiro é fortíssimo no local e os urubus tomam conta da paisagem. No ano passado, depois de receber denúncia de vereadores com relação ao problema, o promotor de justiça de Xapuri, Mariano Jeorge de Souza Melo, advertiu a prefeitura a retomar as medidas de controle do lixo recolhido nas ruas da cidade. A recomendação foi atendida por algum tempo, mas logo o descaso e o abandono voltaram a imperar no local.

O prefeito Vanderley Viana nega que o aterro sanitário esteja abandonado. Segundo ele, o que há é apenas "desorganização", e afirma que a partir da próxima semana os procedimentos normais de destinação de lixo voltarão a ser tomados. Continue lendo no site ac24horas.com.

Prêmio Chico Mendes de Florestania 2008



Rose Farias

O Prêmio Chico Mendes de Florestania edição 2008 será lançado nesta sexta-feira, às 10 horas, no auditório da Biblioteca da Floresta Marina Silva. Motivado pelas homenagens aos vinte anos da morte do líder seringueiro, o Prêmio é conferido anualmente pelo Governo do Estado do Acre, por meio da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, com o objetivo de reconhecer e estimular os programas, projetos, atividades e ações que propaguem o conceito de florestania.

"Desde sua criação em 2004, o Prêmio vem valorizando os ideais do líder Chico Mendes, que lutou pela defesa dos direitos dos povos da Amazônia e das populações tradicionais. Como um estímulo aos projetos comunitários, programas e outras ações que consolidam o conceito de florestania, neste ano, ele traz um caráter especial de premiação focado em critérios de sustentabilidade, numa homenagem aos vinte anos da morte de Chico Mendes", explica Daniel Zen, presidente da Fundação Elias Mansour.

Algumas novidades ganham destaque nesta edição. Uma delas é que o prêmio será conferido apenas por indicação, não mais por inscrição. Essa indicação poderá ser feita por instituições internacionais, nacionais, estaduais, municipais, públicas ou privadas, que serão contatadas pela Fundação de Cultura Elias Mansour. Outra novidade é que a premiação será concedida aos 20 primeiros classificados.

"Outras alterações dizem respeito aos critérios para premiação - de três passaram para cinco - e em relação às categorias - o Prêmio será conferido por meio de um Certificado de Reconhecimento assinado pelo governador Binho Marques acompanhado de um troféu", diz Daniel.

Nas últimas edições, o Prêmio contemplava iniciativas de origem nacional ou internacional, iniciativa de origem estadual e iniciativa de origem comunitária. Em 2008, os critérios para avaliação são sustentabilidade ambiental, sustentabilidade cultural, sustentabilidade social, sustentabilidade política e sustentabilidade econômica.

As indicações podem ser conferidas a pessoas físicas, maiores de 18 anos, ou jurídicas de direito privado com ou sem fins lucrativos, as sociedades de fato, bem como a instituições públicas ou privadas de pesquisas, que, além dos critérios mencionados, serão analisadas objetivamente nos quesitos: efetividade, impacto social e ambiental, potencial de difusão, adesão e participação e originalidade.

As candidaturas podem ser enviadas até o dia 1º de dezembro, através de remessa postal registrada e endereçada ao Prêmio Chico Mendes de Florestania 2008, Fundação Elias Mansour, Rua Senador Eduardo Assmar, 1291, Segundo Distrito, Calçadão da Gameleira - CEP 69909-710, ou por ofício protocolado diretamente na sede da Fundação no mesmo endereço. Realização
Governo do Estado/FEM.

Serviço: Biblioteca da Floresta - Via Parque - Em frente à Concha Acústica - Tel.: 3223-9939

Agência de Notícias do Acre

Dinheiro enterrado

Prefeitura não consegue executar projeto de saneamento do MS e enterra dinheiro do contribuinte



O saneamento básico é um dos principais problemas estruturais de Xapuri. A rede de esgotos existente, além de antiga e precária, atende a bem menos que metade da população urbana.

As obras de construção de três mil e duzentos metros de rede de esgotamento sanitário para atender cerca de duzentos e cinqüenta domicílios no centro de Xapuri, que começaram a ser executadas pela prefeitura no primeiro semestre deste ano, resultado de um convênio entre o município e o Ministério da Saúde, através da Fundação Nacional de Saúde, foram paralisadas repentinamente, há alguns meses, e nem prefeitura nem Funasa, conveniada e concedente dos recursos, respectivamente, prestaram mais informações sobre a continuidade do projeto, que tem como um dos objetivos proteger o rio Acre da poluição oriunda de esgotos domésticos.

Debaixo do chão ficaram centenas de metros de tubos de PVC levando coisa nenhuma do nada para lugar nenhum. A única informação que consta, fornecida pela direção do DEAS - Departamento Estadual de Águas e Saneamento - em Xapuri, é que a Funasa determinou que os serviços fossem paralisados por não estarem atendendo aos critérios técnicos exigidos. Dos recursos da ordem de R$ 500.000,00, destinados pelo Ministério da Saúde para a obra, foram liberados R$ 400.000,00, de acordo com o Portal da Transparência dos Recursos Públicos da Controladoria Geral da União.

De acordo com o gerente local do Deas em Xapuri, José Augusto Mirim, a rede de canalização dos esgotos estava sendo feita acima da rede de distribuição de água, o que estava colocando em risco o abastecimento das residências. José Mirim explica que existem critérios, exigidos pela Organização Mundial da Saúde, para evitar que haja qualquer risco de contaminação do sistema de abastecimento de água potável, que não estavam sendo obedecidos pela empresa responsável pela execução do projeto.

Um fato que o gerente do DEAS não sabe explicar é porque sendo uma obra de saneamento básico, cujo órgão concedente dos recursos é a Funasa, o departamento não foi convidado a participar de nenhum planejamento acerca dos cuidados que deveriam ser tomados com relação à rede de abastecimento de água. Durante um mês os funcionários do DEAS atenderam a várias ocorrências de rompimento nas tubulações de água em virtude das obras que estavam sendo realizadas sem que houvesse o menor conhecimento da rede de água existente no subsolo.

O diretor-presidente do Departamento de Águas e Saneamento (Deas), José Bestene, explica que o projeto para a rede de saneamento feito pela prefeitura de Xapuri não passou pela análise da equipe técnica do Deas, como deveria ter acontecido. E acrescentou que haviam sido detectadas anteriormente graves falhas na implantação do sistema, como canos inadequados, além da confirmação dos problemas denunciados à Funasa.

Segundo informações prestadas na época em que as obras estavam sendo realizadas, pelo engenheiro responsável pelos serviços, Antônio José Castro Pinto, a construção desse sistema de esgotamento sanitário faria com que os dejetos provenientes dos banheiros das residências não fossem mais jogados no Rio Acre. Os restolhos seriam depositados em umas espécies de caixas coletoras e depois recolhidos para terem outra destinação que não as já poluídas águas do rio.

O prazo para a conclusão da primeira etapa, que atenderia as ruas do centro da cidade era de 90 dias. A segunda etapa deveria ser realizada apenas em 2009. Nos últimos dias a reportagem tentou entrar em contato com dois fiscais da Funasa que acompanham a execução do projeto em Xapuri para saber de previsões para a retomada dos serviços, mas os telefones celulares que foram fornecidos pela direção do Deas não atenderam às ligações feitas.

O saneamento básico é um dos principais problemas estruturais de Xapuri. A rede de esgotos existente, além de antiga e precária, atende bem menos que a metade da população. Um grande córrego a céu aberto, alimentado pelas águas da chuva e de um posto de lavagem, corta quase toda a cidade, passando ao lado do ginásio coberto Álvaro Mota e desaguando no rio Acre. No seu caminho recebe as descargas de banheiros de centenas de residências. Ocorre ainda o caso de moradores de áreas periféricas que constroem canalizações clandestinas e as direcionam para terrenos baldios ou áreas particulares.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Brutalidade



Em uma das escolas mais tradicionais de Curitiba, os alunos estão de luto nesta quarta-feira (5). O corpo de uma das alunas foi encontrado nesta madrugada, em uma mala abandonada perto de uma escada, na rodoviária da cidade.

Veja o site do Jornal Hoje

Rachel Maria Lobo Genofre, de 9 anos, fazia o mesmo caminho da escola para casa, todos os dias. Ela andava cem metros a pé, até um ponto de ônibus, sempre sozinha. A menina foi vista pela última vez nesse trajeto, na saída da aula, na segunda-feira (3).

Nesta madrugada, a família recebeu a notícia da tragédia. O corpo foi encontrado em uma mala, na rodoviária, com sinais de violência sexual e estrangulamento.

Os parentes estão em choque. Rachel havia recebido uma boa notícia na última sexta-feira (31). Ela ganhou o primeiro lugar em um concurso infantil de redação na biblioteca pública do Paraná.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Os pombos

Luciano Pires

Este ano está sendo uma festa para a mídia, olha só: tivemos o pai que jogou a menina pela janela, seguido da Olimpíada, depois as eleições, o seqüestro de Santo André e as eleições nos EUA. Quando a bola baixa temos o aquecimento global para ocupar o espaço. As tiragens e a audiência estão garantidas pela alimentação diária da percepção de que estamos em risco. Medo. Como agora, com a crise econômica.

Vou adaptar uma comparação que ouvi anos atrás, olha só: a Praça de São Marcos em Veneza é um dos mais populares pontos turísticos do mundo. Pelo significado histórico, pela arquitetura, pelos monumentos e pelos... pombos . Milhares de pombos que vivem por lá comendo das mãos dos turistas. De vez em quando uma criança ou um adulto espírito-de-porco faz "buuuuu!!". E as pombas saem voando. Como são desconfiadas, quando uma voa assustada todas as demais seguem numa revoada barulhenta.

E por algum tempo a praça fica vazia.

Aos pouquinhos as pombas começam a retornar, ainda amedrontadas e mais desconfiadas. Até sentir que o perigo passou. Então a Praça continua em festa.

A Praça, os monumentos, os turistas, os vendedores, os moradores, os trabalhadores, todos sofrem com as pombas. Mas elas são necessárias. Dão vida à praça, tornaram-se uma marca registrada e o que Veneza fez foi aprender a conviver com elas, com a sujeira, com o barulho, com a impertinência.

De tempos em tempos algumas medidas devem ser tomadas para controlar a superpopulação, para evitar que as doenças se espalhem e que prejuízos sejam causados à praça e às pessoas. É quando alguns pombos têm que ser abatidos. Mas esse é o preço do equilíbrio naquele caos.

Muito bem. O “mercado global” é como a Praça de São Marcos. E os pombos são como os investidores. São nervosos, fazem montes de cagadas e precisam de controle ou destroem tudo. E a qualquer sinal de perigo saem voando.

A praça precisa dos pombos, tanto quanto o mercado precisa dos investidores. E os pombos precisam da praça. Sem a praça os pombos perdem. Sem os pombos, a praça perde.

E na crise, como pombos, todo mundo está apavorado e recolhido enquanto os "sanitaristas" aplicam superdoses de remédios e a esquerda tenta enterrar o capitalismo – o doente que não morreu.

Sabe o que é que vai acontecer?

Já-já a crise de confiança começa a passar. Os pombos voltarão e a muita gente encontrará oportunidades fantásticas naquele excesso de remédios. E fortunas serão criadas sobre as que foram destruídas.

O capitalismo não morreu, o mercado não morreu. Como a Praça, estão lá à espera do retorno dos pombos.

Um dia, num futuro distante, o mar vai tragar Veneza e a Praça de São Marcos. E as pombas buscarão outra praça. Os “companheiros” dirão que é culpa do capitalismo, que causou o aquecimento global que derreteu as calotas polares. E continuarão pregando a morte do capitalismo e aquela utopia socialista muito bem definida por um bispo anglicano chamado Mendell Creighton:

"Socialismo só será possível quando todos nós fomos perfeitos. Aí ele não será necessário".

Tem sido assim desde sempre.

Olha, eu também quero que todos sejamos perfeitos.

Mas enquanto somos só pombos vou dar uma voadinha até a Praça pra ver se acho uns milhozinhos.

Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista.

Polêmica sobre a Casa de Chico Mendes

Recebi um telefonema, ontem à tarde, do cientista político Ermício Sena, me deixando a par de uma história confusa de que um jornalista de Rio Branco, de nome que ele não soube informar, estaria atribuindo a mim informações caluniosas e prejudiciais à memória do líder sindical Chico Mendes. Eu seria a fonte das informações ou teria publicado aqui neste blog algo neste sentido.

Não sei de quem se trata o tal jornalista, mas conheço o assunto. Trata-se da questão entre a aposentada Carmem Rodrigues Moreira que afirma há algum tempo que o líder sindical não lhe pagou pela compra da casa onde viveu e foi assassinado em 1988, e a viúva do seringueiro, Ilzamar Mendes, que já ganhou uma causa na justiça contra a aposentada.

Tratei do tema aqui no blog na postagem intitulada Polêmica e desconheço qualquer conteúdo calunioso no texto que publiquei. Como a polêmica era - e ainda é - bastante comentada na cidade, relatei as alegações da professora aposentada e confrontei com a argumentação de Ilzamar Mendes, que havia prestado informações ao jornalista Gilberto Lobo, autor de reportagem sobre a questão.

Segundo Ilzamar, as acusações de Carmem Rodrigues são infundadas. A viúva apresenta documentação comprobatória de que os débitos referentes à casa foram quitados e informa que a aposentada já havia sido condenada em ação na justiça por denegrir a imagem do líder sindical. Portanto, o que fiz foi cumprir com a obrigação de colocar luz sobre os fatos boatados na cidade e não prejudicar a imagem de Chico Mendes e de seus familiares.

O jornal Página 20, na sua edição desta terça-feira (4), traz uma reportagem sobre o assunto que também se refere a uma suposta reportagem caluniosa sem citar os autores (Carmem sofre novo processo por mentir sobre casa de Chico Mendes). Que fique claro que não há erro em dar espaço às afirmações da aposentada. Erro seria não garantir o direito ao contraditório à viúva Ilzamar para que ela pudesse apresentar os argumentos e documentos que possui.

Na foto, do Página 20, Ilzamar apresenta documento que comprova que Chico Mendes realmente pagou pela casa que comprou de Carmem Rodrigues.

Esta é verdade dos fatos. O resto é puro melindre ou total incapacidade de interpretar um texto escrito.

Cronologia

Chico Mendes: o homem da floresta (*)



Chico Mendes, tinha completado 44 anos no dia 15 de dezembro de 1988, uma semana antes de ter sido assassinado. Acreano, nascido no seringal Porto Rico, em Xapuri, se tornou seringueiro ainda criança, acompanhando seu pai.

Sua vida de líder sindical inicia com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, em 1975, quando é escolhido para ser secretário geral. Em 1976, participa ativamente das lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos através dos "empates". Organiza também várias ações em defesa da posse da terra. Em 1977, participa da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, além de ter sido eleito vereador pelo MDB à Câmara Municipal local. Neste mesmo ano, Chico Mendes sofre as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros, ao mesmo tempo em que começa a enfrentar vários problemas com seu próprio partido, o MDB, que não era solidário às suas lutas.

Em 1979, Chico Mendes transforma a Câmara Municipal num grande foro de debates entre lideranças sindicais, populares e religiosas, sendo por isso acusado de subversão e submetido a duros interrogatórios. Em dezembro, do mesmo ano Chico é torturado secretamente. Sem ter apoio, não tem condições de denunciar o fato.

Com o surgimento do Partido dos Trabalhadores, Chico transforma-se num de seus fundadores e dirigentes no Acre, participando de comícios na região juntamente com Lula. Ainda em 1980, Chico Mendes é enquadrado na Lei de Segurança Nacional, a pedido dos fazendeiros da região que procuravam envolvê-lo com o assassinato de um capataz de fazenda que poderia estar envolvido no assassinato de Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia.

No ano seguinte, Chico Mendes assume a direção do Sindicato de Xapuri, do qual foi presidente até o momento de sua morte. Nesse mesmo ano, Chico é acusado de incitar posseiros à violência. Sendo julgado no Tribunal Militar de Manaus, consegue livrar-se da prisão preventiva.

Nas eleições de novembro de 1982, Chico Mendes candidata-se a deputado estadual pelo PT não conseguindo eleger-se. Dois anos mais tarde, é levado novamente a julgamento, sendo absolvido por falta de provas.

Em outubro de 1985, lidera o 1° Encontro Nacional dos Seringueiros, quando é criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), do qual torna-se a principal referência. A partir de então, a luta dos seringueiros, sob a liderança de Chico Mendes, começa a ganhar repercussão nacional e internacional, principalmente com o surgimento da proposta de "União dos Povos da Floresta", que busca unir os interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta amazônica propondo ainda a criação de reservas extrativistas que preservam as áreas indígenas, a própria floresta, ao mesmo tempo em que garantem a reforma agrária desejada pelos seringueiros. A partir do 2° Encontro Nacional dos Seringueiros, marcado para março de 1989, Chico deveria assumir a presidência do CNS.

Em 1987, Chico Mendes recebe a visita de alguns membros da ONU (Organização das Nações Unidas), em Xapuri, onde puderam ver de perto a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causadas por projetos financiados por bancos internacionais. Dois meses depois, Chico Mendes levava estas denúncias ao Senado norte-americano e à reunião de um banco financiador, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Trinta dias depois, os financiamentos aos projetos devastadores são suspensos e Chico é acusado por fazendeiros e políticos de prejudicar o "progresso" do Estado do Acre. Meses depois, Chico Mendes começa a receber vários prêmios e reconhecimentos, nacionais e internacionais, como uma das pessoas que mais se destacaram naquele ano em defesa da ecologia, como por exemplo o prêmio "Global 500", oferecido pela própria ONU.

Durante o ano de 1988, Chico Mendes, cada vez mais ameaçado e perseguido, principalmente por ações organizadas após a instalação da UDR (União Democrática Ruralista) no Acre, continua sua luta percorrendo várias regiões do Brasil, participando de seminários, palestras e congressos, com o objetivo de denunciar a ação predatória contra a floresta e as ações violentas dos fazendeiros da região contra os trabalhadores de Xapuri. Por outro lado, Chico participa da realização de um grande sonho: a implantação das primeiras reservas extrativistas criadas no Estado do Acre, além de conseguir a desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves da Silva, em Xapuri.

A partir daí, agravam-se as ameaças de morte, como o próprio Chico chegou a denunciar várias vezes, ao mesmo tempo em que deixava claro para as autoridades policiais e governamentais que corria risco de vida e que necessitava de garantias, chegando inclusive a apontar os nomes de seus prováveis assassinos.No 3° Congresso Nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Chico Mendes volta a denunciar esta situação, juntamente com a de vários outros trabalhadores rurais de todas a partes do país. A situação é a mesma, a violência criminosa tem a mão da UDR de Norte a Sul do Brasil. No mesmo Concut, Chico Mendes defende a tese apresentada pelo Sindicato de Xapuri, "Em Defesa dos Povos da Floresta", aprovada por aclamação por cerca de 6 mil delegados presentes. Ao final do Congresso, ele é eleito suplente da direção nacional da CUT.

Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes é assassinado na porta de sua casa. Chico era casado com lIzamar Mendes e deixa dois filhos, Sandino, de 2 anos, e Elenira, 4.

(*) Biografia publicada em janeiro de 1989 na Revista "Chico Mendes" pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Conselho Nacional dos Seringueiros e Central Única dos Trabalhadores.

A Consagração Amazônica de Clementino

Exposição destaca a essência dos povos da floresta - índios, ribeirinhos, seringueiros - e a mitologia acreana



Rose Farias

Jovem talento das artes plásticas, o xapuriense Clementino Almeida nos brinda com a mostra de seus trabalhos apresentando em A Consagração Amazônica cerca de 40 obras em óleo sobre tela, "uma celebração à mãe natureza", como define o artista. O vernissage acontece no próximo dia 6, às 19h30, na Galeria de Arte Juvenal Antunes. A Consagração Amazônica destaca a essência dos povos da floresta - índios, ribeirinhos, seringueiros - e a mitologia acreana.

Experimentando elementos naturais como látex, barro e folhas, Clementino pretende criar uma interação entre o público e sua obra. "Além da própria temática da exposição, os visitantes poderão perceber um trabalho diferenciado. Dessa forma é visível que até mesmo a produção dos trabalhos envolve aquilo que retrato nas obras", explica. "Espero que as pessoas observem as telas e se identifiquem, pois a essência é bem nossa, e as adquiram."

O artista - Clementino nasceu no seringal Bom Lugar. Sua arte transita por espíritos luminosos, onde desenha a essência sublime e êxtase espiritual numa consagração amazônica. O artista começou a manusear os pincéis ainda criança, com sete anos de idade. Até o ensino médio fazia apenas trabalhos para a escola e chegou a participar de algumas exposições coletivas. Morando atualmente em Rio Branco, Clementino decidiu que já era hora de mostrar um trabalho mais apurado ao público.

"Quando vim de Xapuri, comecei a divulgar meu trabalho pintando em praças, no Parque Chico Mendes e na Expoacre", conta. Foi a partir daí que o artista conseguiu dar visibilidade a sua criação e passou a receber convites para participar de exposições e ilustrar cartilhas das secretarias de governo. Em 2006 participou do Salão Hélio Melo de Artes Plásticas, tendo ganhado o primeiro lugar na categoria desenho e uma menção honrosa na categoria pintura. Na edição deste ano foi mais uma vez contemplado com o primeiro lugar na categoria desenho.

A Consagração Amazônica fica em cartaz na Galeria de Arte Juvenal Antunes até o dia 19 deste mês. O espaço fica aberto de segunda-feira a sexta-feira, das 8 às 20 horas, e aos sábados, domingos e feriados das 16 às 20 horas. A exposição é uma realização do Governo do Estado/FEM, com apoio da Associação dos Artistas Plásticos do Acre (AAPA).

Serviço: Galeria de Arte Juvenal Antunes - Rua Senador Eduardo Assmar, 1291 - Tel.: 3223-9688.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Morre 'seu' Lamberto

Morreu no início da tarde desta segunda-feira (3), no hospital Epaminondas Jácome, o ex-seringalista e político xapuriense Lamberto Rômulo Magalhães Ribeiro, aos 84 anos de idade.

Lamberto Magalhães foi vereador em 1963, onde junto com outros quatro vereadores elaborou a época a Lei Orgânica do município em vigor até os dias atuais. Ele foi também interventor municipal na administração do ex-prefeito Juarez Ribeiro Maciel Filho, afastado do cargo por suspeitas de irregularidades, em 1994, quando administrou Xapuri por um período de sete meses. Em 1996, disputou as eleições vencidas pelo petista Júlio Barbosa de Aquino, ficando na última colocação com 914 votos.

Diversas autoridades e políticos estão presentes no velório que está acontecendo na câmara municipal, entre eles, o ex-prefeito Jorge Hadad, o Jorgito, que veio de Belém no Pará para prestar as últimas homenagens a quem ele mesmo classificou como “um grande amigo”. O sepultamento está marcado para as onze da manhã desta terça-feira no cemitério São José.

Segunda-Feira

Comece a segunda-feira fazendo uma limpeza!

Varra de seu coração:
a tristeza, a angústia, a aflição,

Varra de sua vida:
a inveja, a maledicência, a fofoca

Varra do seu corpo:
a preguiça, o tédio, os maus pensamentos

Varra de seu caminho:
o mau olhado, o mau agouro, o mau pressentimento

Deixe fluir a alegria de sua alma
Trabalhe seu corpo para o bem

Agradeça por seu trabalho
e acima de tudo começe sua semana com
FELICIDADE no coração

Pois novos horizontes se aproximam
novas alegrias irão chegar e seu coração
estará pronto pare receber tudo isso.

Desejo a vocês, uma linda semana!

Autor Desconhecido

◙ E como disse o poeta Mário Quintana...

"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça".

domingo, 2 de novembro de 2008

Morte lenta ameaça Amazónia

Produção de biocombustíveis e madeireiros são causas

André Pereira, Jornal da Manhã, Lisboa, Portugal, 1/11/2008.

A maior floresta tropical do planeta Terra está em risco de desaparecer, resultado das alterações climáticas, mas, acima de tudo, devido à acção do homem que continua a desbastar milhares de quilómetros de árvores por ano. A cerca de dois meses de se assinalar os vinte anos do assassinato de Chico Mendes, o principal rosto da luta pela defesa da floresta amazónica, Ângela Mendes, filha do seringueiro brasileiro, estará em Lisboa este fim-de-semana para uma série de encontros com ambientalistas portugueses.

Um dos assuntos a ser abordado será a floresta amazónica que, de acordo com especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil, pode transformar-se numa savana, tal como as existentes em África, até ao final deste século.

O aumento da temperatura média do Planeta em quatro graus, previsto pelo Painel Intergovernamental para Alterações Climáticas, irá provocar mudanças radicais nas fronteiras da floresta. O aquecimento das zonas tropicais, a consequente diminuição das chuvas e o aumento do risco de incêndios são factores de preocupação para cientistas e ambientalistas.

"A Amazónia corre o risco de savanizar. No futuro, a floresta será uma savana empobrecida de espécies", afirma Carlos Nobre, um dos investigadores do INPE. A floresta amazónica concentra uma em cada dez espécies vivas do planeta Terra.

A desflorestação da Amazónia, provocada pelo abate desregrado de árvores pela indústria madeireira, e o aproveitamento da área florestal para a agricultura é responsável por 18 por cento do total da área que desaparece todos anos.

Sendo um dos principais países produtores e consumidores de biocombustíveis do Mundo, o Brasil debate-se com o problema da procura cada vez mais de áreas para a plantação intensiva da cana-do-açúcar necessária para a produção de etanol. Tratando-se de um negócio mais lucrativo para os agricultores brasileiros do que a própria produção de alimentos, as áreas destinadas à cana-do-açúcar têm aumentado para prejuízo da floresta amazónica.

A solução, diz Carlos Nobre, membro do Painel Intergovernamental para Alterações Climáticas, passa "por um uso sustentável dos recursos", reconhecendo ser "muito difícil reverter o cenário actual".

DEFESA DA FLORESTA ATÉ À MORTE

Chico Mendes nasceu em Xapuri, Acre, no Brasil, em Dezembro de 1944. Só aos vinte anos aprendeu a ler e tornou-se líder sindical em 1975, como secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia.

A luta pela defesa da floresta amazónica e das suas gentes começou em 1976 – lutou pela criação de reservas que garantissem o futuro da Amazónia. Em 1980 foi um dos co-fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi assassinado à porta de casa, em Xapuri, a 22 de Dezembro de 1988.

"MUITAS LUTAS SEM CONQUISTA" (Ângela Mendes, Activista e filha de Chico Mendes)

Correio da Manhã – Qual o impacto da desflorestação da Amazónia?

Ângela Mendes – Os impactos são muitos e variados: o aumento na emissão dos gases do efeito de estufa, destruição dos habitats de animais e plantas, escassez de géneros alimentícios. Até a monocultura para a produção de biocombustível na região amazónica é perigosa.

– Que balanço faz das lutas ambientais?

– As lutas são muitas, mas as conquistas são poucas. Chico Mendes defendia a criação de reservas que garantissem o futuro da Amazónia e de quem vivia dela. Sabia que a Amazónia não se poderia tornar num lugar intocável, mas também sabia que o desmatamento avançava a passos largos e que as grandes criações de gado ameaçavam não só a floresta, mas também a vida de todo o Planeta.

– As reservas extractivas são uma realidade...

– A floresta amazónica dá sementes, óleos, seivas, plantas medicinais que são transformadas em matéria-prima para a indústria farmacêutica, de cosmética ou de perfumes. Também se retira matéria-prima para artesanato e joalharia. Só falta olhar a Amazónia com olhos de quem a ama e vê nela vida e alegria.

SECA

Os dois grandes rios, Negro e Solimões, na Amazónia, são responsáveis por levar humidade a todo o Brasil e gerar a quantidade de chuva necessária para a floresta. O aumento da temperatura está a colocar a sua existência em risco, podendo secar até ao final do século.

Tinha outro alemão no caminho


Massa com o troféu da prova em Interlagos

Foi por muito pouco que o piloto brasileiro Felipe Massa não tirou o título mundial de pilotos das mãos do inglês Lewis Hamilton. O campeonato foi decidido na última volta, quando o piloto alemão Timo Glock, que estava segurando o 4º lugar na prova sem ter trocado os pneus quando a chuva retornou ao circuito de Interlagos, foi ultrapassado por Vettel e Hamilton, que vinham em 5º e 6º, respectivamente.

Com a 5ª colocação, Lewis Hamilton se tornou, ao mesmo tempo, o mais jovem piloto e o primeiro negro campeão de Fórmula 1. Na coletiva à imprensa, Massa disse estar satisfeito com o título de construtores conquistado pela Ferrari. Sobre a maneira como o título foi decidido, disse: "Deus sabe o que faz". Tomara que daqui a pouco, pelo menos, o Fluminense vença o Vasco e se afaste mais um pouquinho da degola.

Poema de Finados

Manoel Bandeira

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.

sábado, 1 de novembro de 2008

Regularidade fundiária é precária em Xapuri

Na semana passada, constatei que a Casa de Chico Mendes, principal ponto turístico de Xapuri, não possui registro na Serventia de Imóveis do município. Os únicos documentos existentes são os recibos de compra e venda que estão na Fundação Chico Mendes. O problema, no entanto, não é uma exclusividade da casa que se tornou famosa depois da morte do líder sindical. Muitos dos antigos prédios localizados na área mais antiga de Xapuri também não são encontrados nos livros de registro da serventia de imóveis da comarca.

A própria Fundação Chico Mendes, vizinha à Casa que virou museu, também está em área irregular. Prédios antigos como das escolas Plácido de Castro e Anthero Soares Bezerra, e outros mais recentes como o do ginásio poliesportivo Álvaro da Silva Mota também não são localizados como regulares e documentados. A oficial do registro de imóveis da comarca de Xapuri, Maria Audilena Novaes, explica que a maior parte dos terrenos ocupados por residências na cidade se encontra ainda em nome de terceiros.

Grande parte da povoação mais recente de Xapuri encontra-se sobre as terras da antiga fazenda Jiquiá, de propriedade da família Koury. Essa área de terra de cerca de 60 hectares começou, há algumas décadas, a ser loteada e vendida pela família de forma meramente verbal. Por desconhecimento e pela confiança na boa-fé que era comum naqueles tempos, os compradores deixavam de lado a exigência de documentos de transferência e iam passando os terrenos adiante através, apenas, de recibos de quitação ou recibos de compra e venda.

Não existe informação sobre nenhuma ação do município de Xapuri, no decorrer das últimas décadas, com relação a processos de regularização fundiária na zona urbana. Por outro lado a prefeitura vem, nos últimos anos, realizando ações de urbanização nessa região, construindo conjuntos habitacionais, além de cobrar o IPTU dos ocupantes de áreas irregulares. O próprio prédio onde hoje funciona a sede do poder municipal é pertencente à União, que já manifestou a intenção de reaver a posse do local onde há muitos anos funcionou o Hotel Xapuri.

Outro exemplo de ocupação de área da União em Xapuri é o conjunto habitacional Vanderley Viana de Lima, conhecido por “Mutirão”, construído pelo prefeito que lhe dá nome, em seu primeiro mandato, há cerca de 20 anos, numa área de propriedade da Comara – Comissão de Aeroportos da Amazônia – órgão vinculado ao Ministério da Aeronáutica. Ali perto, alguns anos depois, foi construído outro residencial, o conjunto Amadeu Dantas, conhecido por “Mutirão de Alvenaria”. Até os transmissores da Rádio Educadora 6 de Agosto, única emissora de rádio da cidade, estão localizados nessa região.

Na zona rural o município possui um problema sério conhecido por Gleba Sagarana, uma área remanescente da Reserva Extrativista Chico Mendes, que é dividida em várias “colônias” sob o regime de posse. Os ocupantes da área aguardam há mais de 15 anos por uma ação do INCRA. Neste intervalo, várias ameaças de conflito entre posseiros, principalmente pela incerteza sobre os limites de cada uma das posses, já ocorreram. De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Dercy Teles de Carvalho, o órgão federal tem sido omisso com a questão.

O INCRA, por sua vez, afirma que a reordenação fundiária da Gleba Sagarana está em pleno andamento. Segundo as informações do superintendente Raimundo Cardoso, o seringal Albrácia já teve a sua vistoria agronômica concluída e os proprietários da área estão sendo comunicados da improdutividade da área. O próximo passo é aguardar o decreto de expropriação.

Nas fazendas Nazaré e Soberana, a vistoria agronômica foi iniciada no dia 23 de abril de 2007. Já com relação à fazenda Filipinas, o processo encontra-se em fase de montagem e análise da cadeia dominial na Procuradoria Federal Especializada. Sobre os seringais Porto Franco, Boa Vista, Bosque, Sibéria e São Francisco, o INCRA informa que encaminhou expediente ao IBAMA-Acre, solicitando mapas e memoriais descritivos dos citados imóveis para que os trabalhos possam ser iniciados nas áreas que não foram abrangidas pela Resex Chico Mendes.

De acordo com Raimundo Cardoso, o trabalho é relativamente lento porque as informações demoram a chegar, e também pelo fato de a grande maioria dos proprietários das áreas a serem desapropriadas não residirem mais no Acre, se tornando bastante difícil notificá-los da expropriação. Mas, segundo as previsões do superintendente do INCRA, em pouco tempo muitas áreas já estarão devidamente regularizadas. É o que esperam as centenas de posseiros da região, que lutam por essa conquista há mais de 15 anos.

A Gleba Sagarana é uma área localizada em uma faixa de terra entre seu limite e a margem esquerda do Rio Acre, com aproximadamente 20 mil hectares, abrangendo 7 seringais (Albrácia, Porto Franco, Boa Vista, Sibéria, Bosque, Nazaré e Tupá), onde residem e trabalham cerca de 400 famílias. Desde a criação da Resex essa região passou a ser alvo de disputas entre posseiros em virtude da falta de definição de limites entre as diversas “propriedades”.