quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Represália

Estou intimado a comparecer à Delegacia Geral de Polícia de Xapuri logo mais às 10 horas da manhã por queixa prestada contra mim em razão do simples exercício de minha profissão. O motivo, como já informado aqui, é o fato deste blogueiro ter noticiado em primeira mão a ação civil de improbidade administrativa que o Ministério Público Estadual move contra Elenira Gadelha Mendes, Davi Marques Cunha e Ilzamar Gadelha Mendes.

O pretexto usado por dois funcionários da instituição, Jonas Augusto, vice-presidente da mesma, e Clênio Jorge Monteiro, que segundo informa, trabalhou lá até setembro deste ano, para me processarem civil e criminalmente é o fato de Deusamar Gadelha Mendes, irmã de Ilzamar e tia de Elenira, responsável pelas denúncias, ter afirmado aqui no Xapuri Agora que a dupla tinha ciência dos fatos denunciados à Promotoria de Justiça de Xapuri.

Já estou também intimado para audiência de conciliação no Juizado Especial da Vara Cível da Comarca de Xapuri, marcada para o dia 11 de novembro. Está claro que a medida tresloucada é pura represália contra a publicidade dada a fatos negativos que envolvem seus patrões. A falta de siso é tamanha que chegaram a incentivar uma terceira pessoa a acompanhá-los no disparate.

Não será, porém, a primeira nem a última vez, que serei levado às barras da justiça por cumprir com a missão que abracei há 21 anos, quando me tornei radialista. Muitos podem não gostar do que faço neste blog, da qualidade, da forma ou do conteúdo, mas devem admitir - e se ofender - porque aqui costumo contrariar o costume de se jogar o lixo para debaixo do tapete.

Logo mais, relatarei aqui o resultado da conversa com o delegado.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Antoine Olivier e J. L. Bulcão

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O fotógrafo brasileiro J. L. Bulcão, radicado em Paris, conhecido pelo seu trabalho em grandes agências internacionais e algumas das principais revistas do Brasil, como a extinta Manchete e Veja, está de volta a Xapuri, onde no ano passado realizou um trabalho sobre o universo dos 20 anos da morte do líder sindical Chico Mendes.

Desta vez, ele está acompanhado do designer fotográfico Antoine Olivier, francês radicado faz 6 meses no Rio de Janeiro. Bulcão fotografará para um trabalho de Antoine - ele não aprecia ser chamado de Olivier - sobre as pessoas que vivem na (e da) floresta sem ameaçá-la de destruição.

Demonstraram surpresa quando falei da "crise" do extrativismo e da presença do gado na Reserva Extrativista Chico Mendes. "Então vamos embora que acabou nossa reportagem", disse Bulcão, antes de pegarem a estrada para a colocação Fazendinha, seringal Cachoeira, onde está o Projeto de Assentamento Extrativista Chico Mendes.

No caso do Acre, o principal alvo do trabalho de Antoine, que resultará em livro-exposição, é a atividade da extração da seringa. Eles irão a outros estados da Amazônia Legal para produzir sobre outras atividades. O guaraná, em Maués, no Amazonas; o açaí, no Pará; e o babaçu, na região do Bico do Papagaio, no norte do Tocantins.

Bulcão já é acostumado com a Amazônia. No final da década de 90, ele percorreu um trecho da estrada Transamazônica de 198 quilômetros de buracos e atoleiros – devidamente fotografados. Na sua página na internet http://www.jlbulcao.com/ você encontra imagens fantásticas da vida e da destruição na Amazônia.

Sinteac cobra governo

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Está no blog do sindicato:

"O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Manoel Lima (foto), divulgou na manhã de ontem, na sede do sindicato, a insatisfação da categoria com o não cumprimento do governo nas pautas de negociações realizadas no decorrer deste ano.

Entre as negociações acordados com o governo, ficou estabelecido entre outras coisas o prêmio de valorização profissional para os profissionais da educação que estejam desenvolvendo atividades docentes não-regentes, estabelecendo como data-limite para a conclusão dos trabalhos o mês de agosto, e a promoção de servidores PS e PE, no qual o governo do Acre se comprometeu em efetivar a promoção dos servidores dos quadros em extinção (PS e PE) no mês de julho de 2009. Ambos não foram cumpridos, o que está gerando revolta nos profissionais da área.

Segundo Lima, o governo não apresentou propostas, nem tão pouco justificou ao sindicato os motivos de não ter cumprido com os acordos feitos junto a categoria ainda em julho deste ano.

“Não podemos aceitar essa situação. Se o governo prefere manter o silêncio, nós faremos barulho se for necessário para que desperte nos responsáveis o interesse em fazer valer o direito que eles mesmos garantiram junto a categoria”, destaca.

O presidente ressalta ainda, que apesar de reconhecer alguns avanços nas negociações junto ao governo, lembrar que não foi apresentado nenhuma contra-proposta, nem os acordos já estabelecidos estão sendo cumpridos, que na opinião do presidente, isso acaba fazendo o sindicato ser desmoralizado perante a categoria, já que o sindicato anunciou melhorias na educação e até agora isso não ocorreu.

“Estamos nos reunindo nas três regionais, e não vamos de maneira alguma nos manter no esquecimento. Se o governo não cumprir o que acordou com a categoria, vamos entrar na justiça para fazer valer os direitos dos profissionais em educação”, conclui Manoel Lima".

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Segundo lugar em leishmaniose

Salomão Matos - da redação ac24horas

Muito embora os números apresentem uma redução de 29,5% dos casos de leishmaniose em relação ao mesmo período do ano passado, a doença no Acre ainda preocupa as autoridades em saúde.

Segundo a Gerente de Vigilância Estadual de Endemias, Izanelda Magalhães, dos 956 casos registrados até setembro desse ano, 26% concentra-se na capital Rio Branco e 11% na cidade de Xapuri.

A doença, conta ela, pode atingir qualquer família ou classe social, mas o problema maior encontram-se em famílias que vivem em extrema pobreza e nos lugares mais distantes do estado.

"Para se ter uma idéia, para as atenções em saúde chegar até essas comunidades, principalmente no período da estiagem quando os rios secam, demora-se em média até quatro dias de barco", relata.

Os sintomas variam de acordo com o tipo da leishmaniose. No caso da tegumentar, surge uma pequena elevação avermelhada na pele que vai aumentando até se tornar uma ferida que pode estar recoberta por crosta ou secreção purulenta. Há também a possibilidade de sua manifestação se dar através de lesões inflamatórias no nariz ou na boca. Na visceral, ocorre febre irregular, anemia, indisposição, palidez da pele e mucosas, perda de peso, inchaço abdominal devido ao aumento do fígado e do baço.

A gerente de Endemias, diz ainda que o estado fornece gratuitamente aos municípios mediante solicitação, a medicação Glucantime no combate a doença quando nos casos confirmados. Izanelda afirma, que a melhor forma de evitar a doença é se prevenir, usando repelentes, mosquiteiros de tecido fino e evitar que animais domésticos convivam com a família próximos de casa.

"Nós encontramos situações em que o galinheiro ou mesmo o chiqueiro dos porcos, ficavam debaixo da residência de uma família infectada. Em outras, as galinhas dormiam no mesmo ambiente dessas pessoas", comenta.

Segundo ela, diz que quando um animal doméstico apresentar qualquer sintoma da doença, ou seja, feridas principalmente no nariz ou pele, esse deve ser sacrificado imediatamente.

Nota do blog: A foto que ilustra o post mostra agentes de endemias instalando armadilhas para a captura do mosquito transmissor da leishmaniose. Com a lanterna na mão, o técnico de entomologia da Funasa, Joaquim Vidal. Segundo ele, a moléstia  tem um dado alarmante em Xapuri: quase 50% dos casos registrados atingem crianças e adolescentes. Em 2008, por exemplo, foram registrados no município 138 casos de leishmaniose. As ocorrências em crianças de 0 a 5 anos corresponderam a 34% do total; de 6 a 10 anos, 16%, de 11 a 15 anos, 8%, e 16 anos acima, 32% do total de casos.

Cinismo

Rubem Fonseca

A semântica, que estuda o significado das palavras, me lembra Janus, que segundo a mitologia era o porteiro celestial. Ele possuía duas cabeças, simbolizando os términos e os começos, o passado e o futuro, o dualismo relativo de todas as coisas. A semântica também têm duas cabeças, uma sincrônica, que fala de palavras com o mesmo significado ao mesmo tempo, e outra diacrônica, que estuda a modificação das palavras ao longo do tempo.

Vejamos a palavra cínico. Ela deriva da palavra grega kŷ;;ő;;n, kynós, que significa “cão”, animal cuja vida seria igual à pregada pelos cínicos, pois morde aqueles que merecem, é capaz de distinguir os amigos dos inimigos, e principalmente, o cínico é capaz de viver como o cão, indiferente às convenções sociais. (Os cães daquela época deviam ser diferentes dos atuais “cachorrinhos de madame” que viajam com elas para Paris dentro de bolsas Louis Vuitton). Hoje, através de desvios diacrônicos, este termo se refere àquelas pessoas desavergonhadas, impudentes; que desdenham dos escrúpulos alheios, que se mostram atrevidos ou descarados ao seguir seus impulsos ou interesses, uma pessoa, conforme a definição de H.L. Mencken, que quando cheira uma flor olha ao redor procurando o caixão do defunto.

Como todos sabem, o cinismo foi uma corrente filosófica fundada por Antístenes, um discípulo de Sócrates. O mais famoso dos cínicos se chamava Diógenes, o sujeito que ficava dentro de um tonel, ou vaso funerário, que durante o dia vagueava com uma lanterna acesa a procurar homens virtuosos. Uma história famosa dele é a de que certo dia, quando estava tomando sol, chegou inesperadamente o todo poderoso imperador Alexandre Magno e lhe disse: “Pede-me o que quiseres” e Diógenes lhe respondeu: “Desejo apenas que te afastes do meu sol e não me faças sombras.”

Perguntaram a Platão que tipo de homem era Diógenes e Platão respondeu: “Um Sócrates que ficou maluco”. Por falar em maluco, Nietzsche disse que "o cinismo é a única forma sob a qual as almas vulgares se aproximam do que seja a honestidade.”

Mas afinal, qual a filosofia dos cínicos? Os antigos, da época de Antístenes, pregavam o desapego aos bens materiais e externos, a rejeição à hipocrisia, e estabeleciam uma correlação entre conhecimento e virtude, virtude que consiste, sobretudo, na conduta moral do ser humano, naquilo que lhe é intrínseco – e não nas conquistas materiais. Exatamente o oposto do significado da palavra em nossos dias.

E os filósofos cínicos modernos? Peter Sloterdijk, autor do cultuado Crítica da razão cínica, foi há alguns anos o pivô de uma briga que dividiu a intelectualidade européia. Sloterdijk propôs um Conselho de cientistas e filósofos para criar um discutível “Parque Genético Humano” – “Menschenpark”, para salvar a espécie da imbecilidade e brutalização induzida pelas mídias. O famoso filósofo alemão Jürgen Habermas atacou Sloterdijk e um monte de filósofos se meteu no meio, confundindo mais do que esclarecendo.

Onde se encontram os cínicos autenticamente seguidores de Diógenes?, pergunta o filósofo Michel Onfray, onde se aninham os descendentes do filósofo do cão? Primeiramente entre os filhos de Nietzsche, que, como sabemos, morreu louco. E os outros, quem são eles? Entre os mais recentes Michel Foucault e Gilles Deleuze, “que morderam feito cães, cagaram e mijaram nas falsas aparências da época, levantaram as patas diante das honrarias e dos poderes.”

Mas eles, os cínicos autênticos, existem entre as pessoas simples, “pode ser qualquer um que se sinta revoltado e animado por uma vontade política de acabar com os cínicos vulgares, aqueles que querem vender um amanhã ideal para fazer engolir o hoje insuportável. Sua insubordinação, sua rebelião, sua revolta, sua reinvindicação reatualizam o gesto de Diógenes.”

Todavia, os cínicos autênticos, em sua maioria, não sabem que são cínicos. Eles desafiam as falsas convenções sociais e a moralidade hipócrita, mas não sabem que isto é um cinismo genuíno. Lamentavelmente, a palavra cinismo, para eles, sofreu a diacronia semântica e passou a ter um significado pejorativo. (...)

Prefeitura de Porto Acre arrocha o cinto

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O blog Porto Acre Aki destaca que mais de 70 pessoas foram demitidas na primeira quinzena de outubro no município de Porto Acre, cuja sede está a a 60 quilômetros de Rio Branco, e que grande parte dos demitidos está ainda com os salários atrasados.

A falta de planejamento financeiro e a inabilidade administrativa seriam os grandes culpados do caos que se instalou na gestão municipal da cidade onde terminou a Revolução Acreana, começada aqui, neste rincão.

Foi lá que a Rede Globo a cidade cenográfica para as gravações da minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", da novelista acreana Glória Perez, que contou a saga dos grandes heróis da história do Acre.

Os dois parágrafos a seguir, peguei no blog do Altino (leia mais).

"Puerto Alonso era considerado um povoado grande para os padrões da época. Passou a ser Porto Acre em 24 de janeiro de 1903. Foi nesta data que o Exército Acreano, liderado por Plácido de Castro, tomou a cidade e expulsou os bolivianos de lá.

O conflito teve início em 6 de Agosto de 1902 em Xapuri. Até hoje, o 24 de janeiro é motivo de comemorações em Porto Acre e a data é lembrada como aniversário da cidade. Porto Acre é patrimônio histórico do povo acreano. É uma memória viva da Revolução Acreana".

Bira esclarece denúncia em licitação

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O prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos, falou pela primeira vez a respeito de uma denúncia feita na tribuna da câmara pelo suplente de vereador José Maria Cacau Rocha, PSB, com referência a suposta irregularidade em uma licitação que envolvia o nome do diretor de finanças da prefeitura, Hanaírton Cavalcante, como divulgado aqui neste bog, no dia 10 de outubro passado (leia).

Segundo José Maria Cacau, que naquela oportunidade estava no exercício do cargo de vereador, a empresa vencedora de uma licitação cujo objeto era a recuperação de máquinas e tratores da prefeitura havia sido vencida por uma empresa de propriedade do diretor de finanças. Mesmo não sendo formalizada, a denúncia jogou dúvidas sobre o processo licitatório e deu início à onda de boatos.

Na última sexta-feira (16), fui ao gabinete de Bira, que trouxe à luz alguns esclarecimentos sobre o episódio. Ele afirma que a citada licitação deu-se na modalidade conhecida como pregão, na qual a disputa pelo fornecimento ou prestação do serviço é feita em sessão pública, por meio de propostas e lances, para classificação e habilitação do licitante com a proposta de menor preço.

Três empresas participaram da concorrência, sendo que a vencedora tem como sócia-cotista a esposa do diretor de finanças da prefeitura de Xapuri. O prefeito explica que quando tomou conhecimento dos fatos fez uma consulta jurídica para atestar a possível ilegalidade da licitação, sendo informado de que tendo o processo ocorrido atendendo a todos os trâmites legais e com total garantia da lisura, não haveria impedimentos para a homologação do mesmo.

Mesmo diante disso, o prefeito informa que optou pelo imediato cancelamento do processo licitatório por uma questão de ética. Ele determinou também que a empresa, cuja razão social fico devendo, por enquanto, seja proibida de participar de qualquer concorrência no município de Xapuri enquanto Hanaírton ocupar cargo de confiança na prefeitura.

Bira Vasconcelos reforçou o compromisso com a idoneidade de sua administração e colocou-se a disposição da população para o esclarecimento de qualquer dúvida que pairar sobre os atos de sua equipe de governo. Ele agradeceu ao trabalho dos vereadores, pedindo que continuem a fiscalizar e afirmou que sua administração nada tem a esconder.

- Estamos absolutamente tranquilos quanto a seriedade do trabalho e quanto à lisura em todos os atos da nossa equipe de governo. Mas sabemos que não existe ninguém perfeito e os vereadores e a própria população devem ficar atentos, e quando pairar qualquer dúvida sobre nossa administração, estaremos aqui para discutir isso abertamente, afirmou Bira Vasconcelos, que completa, no próximo dia 1º de novembro, 10 meses frente à prefeitura de Xapuri.

Alguns esclarecimentos

Em uma cidade pequena como Xapuri é comum que as pessoas que trabalham com a informação sejam mal entendidas e muitas vezes demonizadas por tornar públicos fatos desagradáveis que muitos prefeririam que permanecessem ocultos. Isso está mais uma vez ocorrendo em razão das denúncias que envolvem o Instituto Chico Mendes, alvo de ação do Ministério Público Estadual.

Como adiantei no post anterior, sou alvo de queixa-crime na delegacia de polícia de Xapuri por dar publicidade a declarações de Deusamar Mendes - tia de Elenira e funcionária da Fundação Chico Mendes por 11 anos, além de esposa de Zuza, irmão de Chico - onde afirmou que Jonas Augusto, vice-presidente do ICM, e Clênio Jorge Monteiro, funcionário da mesma instituição, eram conhecedores de irregularidades ali cometidas.

Antes de publicar o texto, telefonei para ambos, mas, acredito eu, que já aborrecidos por este blog ter dado publicidade em primeira mão às denúncias que ganharam repercussão nacional pelas mãos do jornalista Altino Machado, não me atenderam nem retornaram as ligações que fiz. Como se tratava de declaração de Deusamar Mendes e não de pessoa qualquer, resolvi postar, colocando o blog à disposição dos envolvidos.

Na manhã seguinte, acredito que cometi o único erro em toda essa história, que não me pertence. Recebo em minha casa Deusamar que pede que eu suprima o nome dos dois funcionários, argumentando que, apesar de serem verídicas as afirmações, ela não teria como prová-las. A contragosto, atendi ao pedido e retirei os nomes de ambos, mantendo a informação de que alguns funcionários do Instituto eram, segundo ela, conhecedores dos fatos.

Surpreendo-me com uma intimação da polícia. Questiono Clênio sobre as razões. "Por dar publicidade a coisas que estão longe de ser verdade", responde. Argumento que as declarações não são minhas, que apenas fiz meu trabalho, que não consegui manter contato antes de postar. "Blog é uma ferramenta pessoal. Você não poderia publicar isso sem antes falar comigo", retruca, como se eu precisasse do seu assentimento para publicar o texto.

A mim não interessa se um ou outro sabia ou não dos fatos. Isso é irrelevante, uma vez que o Ministério Público não os acusou da nada, mas deixando que o leitor tire as suas próprias conclusões, quando Elenira Mendes assumiu a Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura de Xapuri, em março deste ano, o vice-presidente Jonas Augusto foi quem assumiu o comando da instituição, como o leitor pode conferir aqui.

Para mim, confesso que é difícil acreditar que um presidente de uma Ong que não reúne mais que meia dúzia de funcionários desconheça a presença de servidores fantasmas nas planilhas de pagamento, bem como os recibos que eram assinados em nome dessas almas para serem apresentados na prestação de contas. Mas, enfim, se a Xuxa já viu duendes, do que mais podemos duvidar?

Hipótese

E se Deus é canhoto
e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.

Carlos Drummond de Andrade.

domingo, 18 de outubro de 2009

Daniel Cotoco

Do Blog do Deputado Luiz Calixto:

O incorrigível Wanderley Viana, duas vezes prefeito de Xapuri, a princesinha do Acre, deu um " cotoco" não sei pra quem e até hoje carrega o apelido de Wanderley "Cotoco".

Como o "cotoco" dele foi registrado pra história, eu nunca vi.

Agora o Blog do Altino ( leia ) reproduz um "cotoco", daqueles de campeonato, devidamente registrado para memória dos grandes "cotocos", oferecido pelo tranquilíssimo Daniel Zen, presidente da Fundação de Cultura.

Pra quem você acha que ele tá mandando este fenomenal " cotoco" ?.

O Wanderley arranjou um parente.

Nota do blog: Talvez a pecha de incorrigível esteja abandonando o ex-prefeito Wanderley Viana. Quem o vê nos dias atuais, com uma bíblia debaixo do braço, não reconhece a figura que se transformou em folclore na política do Acre. Convertido recentemente a 1ª Igreja Batista, Wanderley demonstra que pretende cumprir com o que afirmou que faria quando deixasse o cargo de prefeito: cuidar de si (leia). A despeito do texto cômico do deputado Luiz Calixto que publico acima, eu que me considero um dos maiores críticos do ex-prefeito, encaro com muito respeito a sua mudança de postura, torcendo para que a fé e a prática religiosa lhe tragam bons frutos e uma vida nova. 

Apoio jovem a Elenira

Elenira Mendes me encaminha e-mail enviado a ela por Clênio Monteiro, funcionário do Instituto Chico Mendes, com texto anexo escrito pela estudante Alarice Botelho em apoio a presidente do ICM a ser publicado no meu blog e no do jornalista Altino Machado. Eis a íntegra da mensagem original enviada por Clênio:

"Elenira e Davi está (sic) carta me chegou atraves (sic) da Alarice, ela me pediu para postar no blog do Raimari, mas eu naum quero mais conversa com esse cidadão, portanto peço que vcs postem lá no blog dele e se possivel (sic) no altino também ok!"

Na sequência, o texto de Alarice Botelho:

"Obrigado!

No alto dos acontecimentos que envolvem o Instituto Chico Mendes e a pessoa de nossa querida amiga, Elenira Mendes, quero, aqui, em nome da juventude xapuriense, em especial aos bravos guerreiros fundadores do Coletivo Jovem de Meio Ambiente no ano de 2006, que foi uma iniciativa totalmente apoiada pelo Instituto, deixarmos os nossos sentimentos a cerca dos fatos ocorridos.

Considerando-me uma liderança jovem nos últimos anos, posso afirmar que o Instituto Chico Mendes, do ano de 2006 a 2008, foi considerado por muitos jovens como “a prefeitura dos jovens de Xapuri”.

Durante a gestão passada, não tínhamos apoio da prefeitura do município para realizar-mos nossas atividades culturais, esportivas e muitas outras, foi aí que conhecemos Elenira Mendes e sua proposta de criação de um Instituto que levaria o nome do seu pai e teria como um dos seus objetivos o apoio a atividades que envolvessem jovens na questão ambiental. Como fruto dessa parceria, posso citar atividades como: Cicleata Ambiental, Blitz Ambiental Ecológica, Gincanas Ambientais, Palestras Ambientais nas escolas, e o mais reconhecido trabalho da Juventude xapuriense nos últimos anos “O Movimento Arte na Ruína”, que teve apoio incondicional do Instituto Chico Mendes.

Quero aqui finalizar este texto declarando total apoio da Juventude participante do Coletivo Jovem de Meio Ambiente e Movimento Cultural Arte na Ruína a você Elenira, pela sua grande força de vontade em nos ajudar.

Posteriormente ao recebimento da mensagem, Xapuriense prudente postou comentário com o mesmo texto na postagem Elenira.

Alarice Botelho Nunes".

Comentário do blog: Para quem não entendeu a bronca do sujeito que originou a mensagem com o "cidadão" que escreve esse blog, explico: Deusamar e Zuza Mendes me procuraram, no dia 15 de outubro, para falar sobre os comentários maldosos sobre Chico Mendes, em virtude da denúncia feita contra os dirigentes do ICM, que eles leram no Blog da Amazônia, do Altino Machado. Como o blog está aberto a todos que me procuram, atendi ao pedido e aproveitei para perguntar para Deusamar o motivo de haver levado os documentos ao promotor. No meio da conversa, Deusamar afirmou que Clênio Monteiro e Jonas Augusto, o primeiro, funcionário, e o segundo, vice-presidente do ICM, eram sabedores dos desmandos realizados por Davi Cunha. A publicação da conversa foi a senha para que eles prestassem queixa à polícia contra esse blogueiro e também contra Deusamar, a dona das declarações. Em post que publicarei logo mais, explicarei alguns fatos relacionados a essa confusão que, inusitadamente, vai parar na mesa de um delegado. A audiência está marcada para a próxima quarta-feira, 21 do mês corrente.

sábado, 17 de outubro de 2009

Elenira

“Estão querendo matar o embrião antes dele nascer”.

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Rutemberg Crispim, da Agência Agazeta.net

Afirmando que ainda não foi citada pela Justiça e que não sabe quais acusações o Ministério Público Estadual (MPE) está fazendo, Elenira Mendes, filha do líder seringueiro Chico Mendes, disse na manhã desta sexta-feira, 16, que o caso pode fazer parte de uma estratégia política para tentar denegrir o nome de sua família.

Demonstrando tranquilidade, Elenira Mendes afirmou que seu advogado, Érick Venâncio, está em Xapuri em busca de informações sobre a denúncia que foi feita pelo Ministério Público Estadual.

"Ainda não fomos informados oficialmente de nada. O que sabemos é o que foi divulgado na mídia. Meu advogado está em Xapuri coletando informações e depois vamos conversar para decidir que medidas tomar. Mas estamos tranquilos, pois sabemos do trabalho que realizamos à frente do Instituto Chico Mendes", afirmou.

Para Elenira Mendes, o caso pode fazer parte de uma estratégia para "tentar sujar a imagem de sua família" e lhe prejudicar politicamente. "Algumas pessoas me disseram a seguinte frase: ‘estão querendo matar o embrião antes dele nascer'. Isso me fez refletir sobre o que podem fazer para me prejudicar politicamente", desabafou.

No último dia 9, o MPE impetrou uma ação de improbidade administrativa contra Elenira Mendes, seu esposo Davi Cunha e sua mãe Ilzamar Mendes, afirmando que eles estariam envolvidos em desvios de recursos repassados pelo Governo do Estado ao Instituto Chico Mendes.

Os sonhos de Chico

Não há nada de novo no texto que vou escrever a seguir.

As denúncias de irregularidades no Instituto Chico Mendes, feitas por Deusamar Mendes e levadas a público em primeira mão por este blog, representam apenas mais uma amostra de como os empreendimentos ancorados nos ideais do líder sindical não souberam ser levados a efeito - por incompetência ou por má fé - por aqueles que, legitimamente ou não, se apossaram de sua herança.

A Reserva Extrativista Chico Mendes, criada logo após a morte do seringueiro para garantir a conservação da floresta em harmonia com atividades econômicas sustentáveis, que garantissem a sobrevivência digna dos seus habitantes, até hoje não fez uma coisa nem outra. O extrativista continua vivendo mal, apesar da chegada de benefícios como energia elétrica e ramais, e a área foi aos poucos se transfomando em pastagem para gado.

Quando morreu, Chico Mendes deixou fundada a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri, organização que eliminava a indesejável figura do atravessador do processo de produção e comercialização dos produtos extrativistas. Considerada como a redenção econômica dos seringueiros-sócios, a CAEX passou a ser administrada por pessoas que nada entendiam de cooperativismo e o resultado disso somado a ganância e a má fé de alguns foi a quase falência da cooperativa, que hoje estrebucha sem que saiba o que foi feito com R$ 1 milhão da Conab - Companhia Nacional de Abastecimento - repassados para a compra antecipada da castanha no ano de 2006.

Outro exemplo é o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, certamente o maior símbolo da luta de Chico Mendes e da resistência dos trabalhadores contra as derrubadas nas décadas de 1970 e 1980. Nos últimos 10 ou 15 anos a entidade mergulhou em um poço escuro do qual a atual direção tenta sair na atualidade. No último processo de escolha da presidência do sindicato, uma verdadeira guerra entre antigos militantes do movimento em Xapuri deixou claro que os interesses em torno da entidade que se tornou mero cartório são puramente político-eleitorais.

Por fim, o próprio Instituto que leva o nome de Chico Mendes, que de organização cujos objetivos são preservar a memória do herói e desenvolver projetos e programas de cunho educacional e ambiental, se tornou numa caixa de pandora aberta recentemente com as denúncias feito ao Ministério Público. Vale lembrar que a Fundação Centro de Memória Chico Mendes, criada após a morte do seringueiro, atolada em dívidas fiscais e trabalhistas, já não funcionava de fato, servindo a sua estrutura física ao ICM.

A leitora Lucimar, seringueira e sócia fundadora da Fundação Centro de Memória Chico Mendes, faz o seguinte comentário:

- Conheci o sindicalista em 1979, cortanto seringa na colocação do meu pai, portanto tive a oportunidade de conhecer de perto a pessoa humilde e trabalhadora que ele foi. Depois da sua morte, criamos a Fundação Chico Mendes na intenção de beneficiar os SERINGUEIROS, no entanto, não é o que vejo hoje, os seringueiros nem sequer são beneficiados por essa instituição. Hoje, trabalho na fábrica de preservativos de Xapuri e fico feliz em ver um pouquinho do sonho de Chico Mendes ser realizado, que era ajudar verdadeiramente a vida dos seringueiros.

Na foto que ilustra a postagem, o busto em bronze de Chico Mendes, exposto no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. (Foto: ARTExplorer/Flickr).

Chico Mendes sonhou com uma vida melhor para os seringueiros e anunciou sua própria morte, depois de colocar em xeque o império da pistolagem em Xapuri, feito que beneficiou a todos, mas certamente não sabia que os caminhos que seriam trilhados pelos herdeiros de sua luta fariam parada em pontos tão constrangedores e contrários à sua história na defesa dos trabalhadores da floresta.

Na hora errada, no lugar errado

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O último dia 13 de outubro, uma sexta-feira, foi uma data para nunca ser esquecida na vida da estudante Thailane Dantas da Silva Nascimento, 18. Aluna do 3º ano do Ensino Médio da Escola Divina Providência, a garota conta que dobrava as roupas do irmão, Thales, que acabara de ser preso em um flagrante de tráfico de drogas, feito pela Polícia Civil de Xapuri, quando os agentes voltaram ao local da apreensão e prenderam mais quatro pessoas, entre elas Thailane e uma prima, menor de idade, que a acompanhava naquele momento.

A estudante afirma que estava em hora e lugar errado quando os policiais chegaram à residência e efetuaram a prisão. Sem entender direito o que estava ocorrendo, ela e sua prima foram algemadas e levadas para a delegacia junto com dois homens que estavam no local, Ítalo Ferreira da Silva e um menor de idade. As garotas passaram cerca de 6 horas detidas e foram liberadas após a polícia averiguar que as mesmas não tinham relação com a venda de drogas naquela localidade.

Preocupada com a repercussão que episódio teve na cidade, por envolver jovens bastante conhecidos, e com o fato de seu nome ter sido divulgado na imprensa com envolvimento no caso, ela procurou o blog para dar sua versão dos fatos e esclarecer para toda a sociedade que, apesar de estar naquele local no momento em que a polícia chegou, nada tem a ver com tráfico ou consumo de drogas. Thailane diz que a experiência foi muito traumática e que está tendo dificuldades para dormir e ir à escola.

- Foi muito traumático para mim tudo o que aconteceu. Não consigo dormir direito e tenho tido dificuldade de ir para a aula. Sou uma pessoa humilde, mas tenho coragem para trabalhar e sou totalmente contra quem vende ou consome drogas. Peço para que ninguém me julgue para que não sejam julgados também, disse ela.

A história de Thailane é mais um exemplo de como a droga está destruindo a juventude de Xapuri. Mesmo inocente no caso, ela sofre as consequências do envolvimento do irmão com o tráfico. Mais uma prova de que há de se fechar o cerco contra aqueles que dominam o comércio de entorpecentes na cidade. Muitos desses jovens, muitos deles menores de idade, são recrutados por gente maior, que raramente cai nas mãos da polícia. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Passarinho está internado em UTI

Do Diário do Pará

O ex-governador do Pará, Jarbas Passarinho, está internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Luzia, em Brasília. Aos 89 anos, ele foi vítima de uma bactéria que causou desidratação, o que chegou a interromper suas funções renais.

Ontem à noite, com a melhora do quadro de saúde, a família estava otimista. Passarinho foi governador nomeado do Estado do Pará de 1964 a 1966. Em seguida, foi eleito senador pelo Pará, cargo que exerceu nos mandatos de 1967 a 1974, de 1975 a 1983 e de 1987 a 1995. Foi presidente do Senado de 1981 a 1983.

Nos últimos meses, o ex-senador se valeu da imprensa para falar do desgosto que vinha sentindo pela política nacional e por seus personagens. Em seu último artigo publicado em um jornal de Brasília, providencialmente intitulado “Enquanto Posso”, Jarbas Passarinho falou dos reflexos dos escândalos do Senado.

“Acompanhei muito pouco – e felizmente – as ocorrências lastimáveis que têm dominado o noticiário sobre o Senado...”.

Logo após a publicação do artigo, a saúde de Jarbas Passarinho fragilizou-se ainda mais. Acometido no final de agosto por uma forte gripe que resultou em uma pneumonia, o ex-governador acabou adquirindo uma bactéria que provocou diarreias e desidratação. O quadro foi agravado por uma disfunção renal.

Nascido em Xapuri, no Acre em 11 de janeiro de 1920, Passarinho foi militar da Artilharia e político. Foi presidente do Senado de 1981 a 1983. Foi ministro da Educação no governo Garrastazu Médici (1969-1974); do Trabalho no governo Costa e Silva (1967-1969); da Previdência no governo João Figueiredo; e da Justiça no governo Fernando Collor.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sobre segurança em Xapuri

Reportagem do site Ac24horas afirma que o novo delegado de polícia de Xapuri, Pedro Henrique Resende Teixeira Campos, 24, vem extrapolando o poder que lhe foi conferido por decreto governamental e, segundo denúncias, invadindo residências e fazendo prisões ilegais.

Alguns episódios ocorridos no último final de semana, principalmente no que diz respeito ao endurecimento da fiscalização feita pela polícia com relação à permanência de menores de idade em bares e festas noturnas, geraram polêmica e criaram uma onda de reclamações contra o estilo enérgico do delegado.

Pedro Henrique é o primeiro delegado titular de Xapuri, depois da cidade passar uma longa temporada sem a presença de um delegado que se dedicasse exclusivamente ao município. O resultado disso era uma grande reclamação da população pela incapacidade - mais do que natural - de um único delegado cuidar de duas ou três delegacias simultaneamente, como ocorria.

Na situação em que Xapuri se encontra atualmente, já há trabalho em demasia para um único xerife. Tráfico de drogas em expansão, violência doméstica, violência no trânsito, menores de idade à solta pelas ruas, pedófilos e aliciadores de plantão, além das infalíveis brigas entre vizinhos. Tudo isso acaba na mesa do delegado, antes de seguir o seu curso normal.

Para se colocar ordem na verdadeira bagunça que toma conta de Xapuri na área de segurança, como se isso fosse apenas atribuição de um delegado, é necessário que se tenha realmente energia e dureza na maneira de agir, sem, é claro, que isso passe a significar abuso de autoridade e desrespeito com os direitos do cidadão.

As "denúncias" de abuso de autoridade de que fala o Ac24horas devem ser formalizadas e, caso comprovadas, a direção da Polícia Civil e o Ministério Público devem tomar providências imediatas. Mas é preciso também que se tenha bastante cuidado para não se satanizar injustamente um policial que chega à cidade mostrando disposição para trabalhar e combater o crime.

Aqui, todos sabem o que está acontecendo nas barbas do poder constituído. Vende-se drogas em tudo quanto é bairro, tentativas de homicídio e homicídios consumados ocorrem em pleno centro da cidade, nas saídas das festas noturnas, adolescentes enlouquecidos pelo uso de drogas lícitas e ilícitas dominam a noite, motoqueiros embriagados atropelam e se matam nas ruas e carros desfilam carregando meninas de 13, 14, 15 anos como se nisso nada houvesse de ilegal.

Sabe-se também que somente com o trabalho duro e enérgico das autoridades policiais, MP, Conselho Tutelar, juízes e a própria comunidade é possível se devolver à cidade uma relativa tranquilidade, mais condizente com o tamanho desse povoado. É certo que o respeito às leis e à dignidade dos cidadãos está sempre em primeiro lugar e não pode ser atropelado pelos excessos de vontade. Que isso fique claro.

Mensagem de Davi Cunha

O marido de Elenira Mendes, Davi Marques Cunha, postou o comentário abaixo no post anterior "Chico Mendes não deixou esse exemplo":

"Caro Raimari,

Vejo com grande respeito as palavras da senhora Deuzamar e do senhor Zuza Mendes. Mas o que vejo também é que hoje ele joga culpa nas pessoas da instituição porque a sua esposa foi demitida por violar as correspondências pessoais da senhora Elenira e ainda tirar cópias das contas de seu telefone, de seu celular, sem contar outras documentações da própria instituição.

Eles dizem que o Instituto Chico Mendes é uma farsa, mas o que percebo é que fizemos um bom trabalho na cidade de Xapuri, os frutos ficaram, apoiamos a juventude, trabalhamos com os jovens e resgatamos muitas coisas que estavam paradas.

Pergunto para o casal, se o Instituto Chico Mendes é uma farsa, o que faz a filha deles estudando medicina em Cuba, pois este é um projeto do Instituto Chico Mendes e que já enviou a filha do casal e mais três jovens, e ano que vem a instituição pretende enviar mais dois estudantes de Xapuri.

Ele diz que "Chico Mendes não deixou esse exemplo". Mas acredito que quando um pai de família morre, ele deixa a herança para a viúva e os filhos, e não para um irmão que procura viver às custas do nome do Chico Mendes.

Pergunto ao seu Zuza quantos anos faz que ele não pisa na secretaria na qual ele é lotado (Seaprof).

Acredito que todas essa denúncias vão ser esclarecidas para sociedade.

Essa ação é orquestrada para desestabilizar a moral da senhora Elenira, jogada política e todos vocês verão quem vai ser o candidato apoiado pela família Mendes, aí descobrirão os motivos de tudo isso que estar acontecendo.

Davi Cunha".

"Chico Mendes não deixou esse exemplo"

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A frase que dá título a essa postagem é de José Alves Mendes, o Zuza, 54, irmão mais novo do líder sindical que ao ser assassinado em 1988, em Xapuri, deixou um legado que é disputado por muitos, mas verdadeiramente defendido por poucos daqueles que, de uma forma ou de outra, e com objetivos variados, lançaram mão da sua história de luta em defesa da floresta e dos seus habitantes tradicionais.

Acompanhado da esposa Deusamar, Zuza me procurou na manhã desta quarta-feira para falar a respeito dos comentários negativos ao nome e à imagem de Chico Mendes publicados na internet em virtude da repercussão causada pela notícia da ação de improbidade movida pelo Ministério Público contra a filha de Chico, Elenira, e Ilzamar, viúva do seringueiro.

Zuza orgulha-se de ter acompanhado os passos do irmão famoso desde o início da sua luta em defesa da causa pela qual morreu. Vice-presidente vitalício da Fundação Centro de Memórias Chico Mendes, criada logo após o assassinato do seringueiro, ele diz que nunca teve espaço para exercer de fato a função na entidade que ajudou a fundar.

O irmão de Chico Mendes conta que logo percebeu que os objetivos da fundação criada para preservar a memória do herói estavam sendo desvirtuados. Ao solicitar de Ilzamar, presidente da Fundação, informações sobre as contas da entidade, Zuza recebeu da cunhada a resposta de que ela - Ilzamar - não tinha nenhuma satisfação a lhe dar.

Zuza Mendes afirma que o grande prejudicado com a repercussão sobre as denúncias de irregularidades no Instituto Chico Mendes, instituição criada por Elenira em 2006, é o próprio seringueiro, que jamais teve o seu nome envolvido em corrupção e que nunca se beneficiou do reconhecimento que alcançou mundialmente para melhorar de vida.

- O Chico morreu pobre como sempre foi. Não deixou esse exemplo para ninguém e não merece ter seu nome envolvido nesses desmandos. Ele foi um homem que trabalhou e que deu a sua vida por uma causa que não pertencia somente a ele, mas a todos nós. Eu e todos os irmãos do Chico - Margarida, Celita, Lino e Francisco de Assis - não aceitamos que ele tenha sua imagem denegrida pelos atos alheios.

Zuza revela que em certa oportunidade Chico Mendes foi procurado por um fazendeiro que lhe ofereceu dinheiro para que ele abandonasse os empates. Ele lembra que Chico reagiu com tranquilidade ao episódio, deixando claro que dinheiro nenhum o faria abandonar a sua luta em defesa da floresta, mesmo que tivesse que dar sua vida em razão disso.

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"O Instituto Chico Mendes é uma farsa"

Deusamar Bezerra Gadelha Mendes, 48, casou com Zuza em 1981, dois anos antes que Chico Mendes se casasse com sua irmã mais nova, Ilzamar. Ela conheceu Chico ainda criança, quando o seringueiro trabalhou na colocação de seu pai, no seringal Santa Fé, onde ele alfabetizou toda a família.

A forte amizade e admiração nascidas na infância fizeram com que Deusamar se tornasse uma espécie de guardiã da memória do cunhado na Fundação Centro de Memórias Chico Mendes, onde trabalhou por 11 anos, antes de sair, em janeiro passado, para se tornar a responsável pelas denúncias de irregularidades feitas ao Ministério Público em Xapuri.

Ela forneceu ao promotor Mariano Jeorge de Souza Melo farta documentação que evidencia desvios de finalidade de convênios firmados com o governo do estado, lançamento de funcionários fictícios em folha de pagamento, falsificação de recibos e apropriação indevida de dinheiro destinado ao desenvolvimento das ações do Instituto.

Deusamar afirma que não possui problemas familiares com a irmã Ilzamar e que não levou as denúncias ao MP com o intuito de prejudicá-la. Ela diz também que tentou, sem sucesso, abrir os olhos da irmã e também de Elenira para os problemas que estavam ocorrendo fazia muito tempo no Instituto.

Para ela, o grande responsável pelos desmandos no ICM é o marido de Elenira, Davi Cunha, que contava com o apoio de outras pessoas que trabalham no Instituto. Segundo Deusamar, outras pessoas que trabalham no Instituto Chico Mendes também são conhecedoras das práticas irregulares que eram realizadas.

- Davi é manipulador e fez a cabeça de Elenira e Ilzamar.

Deusamar confirma também que a criação do Instituto Chico Mendes foi uma estratégia para que Elenira pudesse assumir o comando da estrutura da Fundação Centro de Memórias, mas dispusesse de uma organização com situação regularizada, uma vez que a Fundação estava praticamente inviabilizada em virtude do acúmulo de dívidas fiscais e trabalhistas.

- O Instituto Chico Mendes é uma farsa, diz Deusamar.

Em 2006, quando foi criado o Instituto Chico Mendes, todos os funcionários da Fundação foram transferidos para o ICM, que passou a ocupar o mesmo prédio e, segundo Deusamar, muita coisa começou a mudar. Designada para compor o Conselho Fiscal da entidade, suas observações sobre supostas irregularidades passaram a ser mal vistas por Elenira e Davi Cunha.

A relação entre Deusamar e Elenira começou a ficar ruim quando, em maio de 2007, a mulher de Zuza impediu a entrada do ex-prefeito Wanderley Viana no Centro de Memórias durante uma visita da então vice-prefeita de Sena Madureira, Wânia Pinheiro, a Xapuri. Elenira repreendeu a tia e fez um pedido formal de desculpas ao prefeito.

Zuza Mendes e Deusamar não sabem qual será o desfecho do caso que envolve o Instituto Chico Mendes. Mas sonham em ver resgatada a Fundação Centro de Memórias, a legítima organização de preservação dos ideais e da história do seringueiro mais famoso do Brasil. Como vice-presidente nato da instituição, Zuza promete lutar por esse objetivo.

- Uma das primeiras coisas é reaver o prédio da Fundação, que hoje é ocupado pelo Instituto, afirma ele.

Há alguns dias, falei com Davi Cunha, que não quis se pronunciar sobre o assunto.

- Nisso, quanto mais se mexe, mais fede, disse ele.

Ao jornalista Altino Machado, Elenira Mendes e Davi Cunha disseram que preferiam não se manifestar sobre as acusações feitas pelo MP. Elenira se limitou a dizer que estava muito assustada e que avaliava se divulgaria um comunicado à imprensa.

- Eu e Elenira não escondemos nada durante nossos depoimentos ao promotor. Muita coisa da denúncia dele é verdade, mas infelizmente está em jogo uma briga familiar - disse Davi Cunha.

Elenira informou também que deveria me enviar uma carta com alguns esclarecimentos. Continuo aguardando, assim como fico aguardando contato de qualquer das partes envolvidas. O e-mail está disponível no blog e o espaço à inteira disposição de todos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Debate Público precede Conferência

Mariama Morena

Com Sistema Público de Comunicação integrado e fortalecido, moradores dos 22 municípios do Estado poderão participar das discussões via internet, rádio e televisão.

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A I Conferência Estadual de Comunicação já tem dia e local certos: 30 e 31 de outubro, no teatro da Usina de Arte João Donato. Mas antes de realizar este grande encontro que promete reunir comunicadores de todo o Estado, a comissão organizadora do evento promove nesta sexta-feira, 16 de outubro, um debate público para aproximar mais os participantes do tema da conferência nacional, proposta pelo Governo Federal. "O debate servirá para nós refinarmos os roteiros, qualificarmos mais a discussão. É como uma etapa preparatória para a Conferência estadual", diz o jornalista Itaan Arrudas, um dos representantes do Governo do Estado na comissão organizadora.

Leia mais na Agência de Notícias do Acre.

Conferência Estadual de Comunicação

Val Sales, jornal Página 20.

Coordenador do evento ressalta a importância da participação popular na formação de uma política nacional para o setor

O Acre se prepara para a maior discussão já vista a respeito da comunicação em todos os seus aspectos. Trata-se da Etapa Estadual da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, a ser realizada nos dias 30 e 31 deste mês na Usina de Arte João Donato. O evento acontece por determinação do próprio presidente da República, com vista na implementação e formação de uma política nacional do setor no país.

Por esse motivo, todos os Estados estão reunindo seus cidadãos em torno do tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. Esse tema se divide em três eixos temáticos, sendo eles Produção de conteúdo, Meios de distribuição e Cidadania: direitos e deveres. O coordenador  comissão organizadora da conferência no Acre, Itaan Arruda, fala de forma detalhada sobre a importância da participação popular no debate.

Ele adianta que nunca o governo federal havia parado para ouvir a sociedade a respeito da comunicação, sendo que esse é o momento de o cidadão fazer a sua voz ser ouvida em todos os cantos do país. Na entrevista a seguir, Itaan Arruda dá detalhes do evento e de que forma as pessoas podem participar, ressaltando que o debate não está voltado exclusivamente para o jornalismo, porque possui uma abrangência maior da comunicação. Nesse sentido, o cidadão, seja doutor em letras ou dona de casa analfabeta, pode manifestar sua opinião, sugestão ou crítica inerente ao tema.

Qual o real motivo de o governo federal parar para ouvir o cidadão do país?

Essa conferência tem como finalidade, em primeira lugar, a formação de uma política nacional de comunicação. E esse objetivo partiu do governo federal, que precisa, em um ambiente de extrema mudança, no que se refere à comunicação, compreender o que está acontecendo no mundo, em relação ao setor, para poder formular políticas e ações de governo na área. Então, para que a comunicação pública, ou a comunicação feita pela iniciativa privada tenha eficiência, regras claras e focos, nós precisamos compreender o que está acontecendo no mundo para então planejar e formular ações de governo.

A conferência tem ligação com a área do jornalismo?

Nós vamos tratar, como o tema propõe, da comunicação como meio para a construção de direitos e cidadania na era digital e não exclusivamente de jornalismo. O jornalismo será objeto de análise e de discussão, mas, ele não é o foco principal, assim como a comunicação feita pelo poder público local também não é o foco das discussões. O que está em discussão é a comunicação de uma forma mais ampla, seja ela feita pela iniciativa privada, pelo poder público, entre as pessoas, pela internet ou por novas mídias. O que está em jogo é: como o surgimento de novas mídias podem contribuir para o fortalecimento dos direitos e promoção da cidadania.

Então, seria essa uma forma de maior compreensão da comunicação no Brasil?

Se a juventude está, via internet, criando coisas e exigindo dos meios tradicionais de comunicação uma nova postura, nós então temos que compreender para melhorar aquilo que nós estamos oferecendo. É importante que tenhamos a compreensão de que o tema proposto pela comissão nacional da conferência é muito mais abrangente do que simplesmente ficarmos focados no jornalismo.

Como será a participação do Acre na Conferência Nacional?

Nós temos que formular dez propostas para cada um dos eixos temáticos, somando um total de 30. O relatório final do Acre precisa demonstrar para o governo federal o que que o Estado pensa sobre comunicação seguindo esses três eixos: Produção de conteúdo, Meios de distribuição e Cidadania: direitos e deveres. O documento acreano tem que expressar essa vontade popular e isso vai ser feito na conferência nacional que acontece de 14 a 17 de dezembro em Brasília. No nosso encontro local (14 a 17) vamos eleger os delegados que irão à Brasília apresentar essas propostas.

Como as pessoas podem participar do debate?

Nós pensamos as mais diversas formas de as pessoas participarem desse debate. Primeiro, decidimos que haverá um debate transmitido ao vivo pela Rede Pública de Comunicação (TV Aldeia, Rádio Aldeia FM e Rádio Difusora Acreana),  no dia 16, das 9h ao meio dia. A transmissão acontece ao vivo a partir da filmoteca da Biblioteca Pública para todos os municípios acreanos. Nela o cidadão vai poder participar por telefone, acompanhar via internet, mandar email, fazer suas críticas e sugestões. Nós estamos utilizando as mais diversas formas para que as pessoas possam se aproximar dessa discussão. Claro que não se trata de um trabalho simples, é complexo.

Esclareça melhor sobre essa questão...

Nós somos os únicos animais que conseguem estabelecer valores por meio da comunicação. De outra forma não teríamos como fazer isso. Nesse aspecto, esse tipo de discussão é tão importante para o Phd em filosofia quanto para a dona de casa. Ela também precisa se identificar com esse tipo de debate porque necessita dessa ferramenta para melhorar o seu dia-a-dia. Uma dona de casa que não consegue estabelecer uma comunicação mínima no meio familiar terá problemas. O Phd, por mais brilhante que seja, que não consegue estabelecer uma comunicação eficiente com seus alunos, também vai ter problemas.

Qualquer pessoa pode pedir para ser ouvidas na conferência?

Qualquer pessoa pode pedir para ser ouvida e será ouvida. Também pode participar por meio do debate público do dia 16 pelos telefones 3223-1702, 3223-6937 ou enviar mensagens para o email debate.com@ac.gov.br. Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email. Em resumo, a  população vai ter as mais diversas ferramentas de comunicação para participar. Uma das características que essa conferência terá é a da transparência e da democracia. Nesse caso, o governador Binho Marques, tão logo soube da necessidade de realizarmos a conferência, se prontificou a realizá-la. Nem todos os Estados do país irão fazer isso, a exemplo do Amazonas, Rondônia e Santa Catarina, que é o próprio governo federal que vai realizar.

Como profissional da comunicação, o que o senhor espera do debate?

O meu desejo é que essa discussão sobre a comunicação não pare. Nós criamos um blog (confecom-acre.blogspot.com.) para para que esse debate se efetive. Por meio desse endereço nós vamos tentar alimentar a discussão de forma ininterrupta. É preciso que estudantes de comunicação, cientistas sociais, sociólogos e antropólogos possam contribuir com o debate de forma incessante. Não podemos nos mobilizar apenas para uma conferência, uma vez que a comunicação é algo que está sendo revisto dia-a-dia e  precisa ser pensada no dia-a-dia.

Esse debate pode levar a uma nova visão da comunicação?

A reflexão sobre o assunto deve ser incessante. A conferência nos dá novo varadouro e precisamos agora cuidar desse caminho. Acho que, se o tema for bem compreendido, e se nós pudermos nos mobilizar em torno dele, ele não vai parar. Se a conferência fizer isso, então conseguirá realmente efetivar um bom serviço público. Não podemos nos dar ao luxo de perder essa oportunidade.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Xapuri tem novo delegado

No cargo há menos de 15 dias, o goiano Pedro Henrique Resende Teixeira Campos, 24 anos, novo delegado de polícia de Xapuri, já estabeleceu um ritmo de trabalho que há muito tempo não se via na monótona rotina da pequena delegacia da cidade.

O estilo do jovem delegado, enérgico e bastante agitado, já começa também a suscitar algumas polêmicas em uma cidade acostumada com a lassidão reinante nos últimos tempos. No final de semana passado, a polícia civil apertou o cerco contra a presença de menores em bares e festas noturnas.

A vida também ficou um pouco mais difícil para os traficantes de drogas. Somente na manhã desta terça-feira (13), foram feitos dois flagrantes de venda de substâncias entorpecentes na cidade. Oito pessoas foram detidas, entre elas quatro menores de idade, e apreendidos 50 papelotes de - possivelmente - pasta de cocaína e maconha.

No primeiro flagrante foram presos Marcos Vinícius Cândido, 22 anos, e Tales Dantas da Silva, 20 anos. Com eles estavam duas menores. F.L.L, 17, e W.R.S, 16. No segundo flagrante, os presos foram Ítalo Ferreira da Silva, 23, Thailane Dantas Silva Nascimento, 18, e os menores J.G.N.B, 16, e B.S.M, 17. Abaixo, as fotos da droga e outros produtos apreendidos.

Nesta semana, um novo promotor (ou promotora) também estará chegando a Xapuri. Mariano Jeorge, que atuava nesta comarca desde 2006, foi promovido para a capital.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Querosene

Um acidente de trânsito ocorrido em Rio Branco, na quarta-feira da semana passada, dia 7, tirou a vida de Carlos Augusto da Silva, 58 anos, que na década de 1970 trabalhou na Rádio Educadora de Xapuri. Não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, mas ouvir contar muitas histórias suas pelos muitos amigos que deixou por aqui. Fica, então, o registro do falecimento do "Querosene", mais uma vítima da violência do trânsito no Acre.

Padres caçadores

Pitter Lucena*

Os padres José Maria Carneiro de Lima, e seu irmão Pelegrino, foram figuras que jamais serão esquecidas no Acre. Suas estórias e, principalmente seus sermões nas missas de domingo, lotavam a pequena igreja do município de Plácido de Castro, durante mais de 40 anos. Padre José era irmão mais novo e mais extrovertido. Pelegrino, mais sério, sisudo, tinha como doutrina o conservadorismo da igreja católica. Da Ordem Servos de Maria, morreram na década de 90. Suas estórias, entretanto, continuam vivas nas mentes e corações de milhares de acreanos que conviveram com eles por mais de quatro décadas.

Nascidos no interior do Ceará, ainda adolescentes decidiram pela vida religiosa e os ensinamentos de Jesus em ajudar os mais necessitados. Concluído o curso de Teologia na capital cearense, seguiram para a Itália terminar os estudos. Durante a Segunda Guerra Mundial, retornaram ao Brasil optando pela cidade de Plácido de Castro, um pequeno povoado no interior do Acre, para viverem a vida sacerdotal. Não eram difíceis de serem identificados em meio a uma multidão. Desde o ordenamento no Vaticano, nunca mais deixaram de usar a batina preta, fosse para rezar missa, casamento, batizar, cultivar a terra, caçar ou pescar. A mesma roupa vestiam para uma simples reunião com agricultores, como para encontros com o Papa em Roma. Os amigos mais próximos dos sacerdotes afirmavam que José e Pelegrino dormiam com a “roupa de trabalho”.

José e Pelegrino se gabavam de serem excelentes caçadores. Não só de fiéis, mas, de animais da mata também. Caçavam por prazer, diversão. À época não havia o Ibama para pegar no pé de ninguém. Durante as desobrigas nos seringais - algumas duravam meses - os sacerdotes não deixavam escapar uma boa caçada. Os bichos serviam de alimento na casa onde estavam hospedados. O clima por onde passavam era sempre de muita alegria. A missão deles era levar a palavra de Deus aos seringueiros, casar e batizar seus filhos, enfim, ensinar a mensagem da paz e amor ao próximo, mesmo se esse próximo estivesse o mais distante possível.

Aos domingos, a igreja estava sempre lotada de fiéis para ouvir o sermão da semana. Em vez do sermão de praxe, contavam em detalhes as caçadas feitas durante o período das desobrigas. Nos detalhes, eles aumentavam um pouco de tudo. Se um veado pesava 20 quilos, faziam questão em afirmar que ultrapassava aos 80 ou 100. Chegaram a contar certa vez que com apenas um tiro de espingarda mataram dois animais ferozes. Essas estórias ninguém discutia. Imagine discutir a caçada dos padres, que tinham a fama de grandes contadores de estórias!

Numa caçada, padre José afirmava que seus dois cães de caça não conseguiam encurralar uma paca. Depois de uma hora de muita correria, ele avistou rapidamente que a paca tinha oito pernas. Isto mesmo, oito patas! Desse jeito, os cães com apenas quatro patas, nunca iriam pegar aquele animal estranho. José pensou, pensou e pimba!: encontrou a solução. Chamou os dois cães e amarrou um de costas no outro. Assim, quando um estivesse cansado dava um pulinho, se virava no ar, e o outro continuava a perseguição. Dito e feito. Em menos de meia hora a paca estava no jamaxi do padre.

Em outra oportunidade, José e Pelegrino foram chamados às pressas para uma reunião com o bispo em Rio Branco. Os dois tinham um jipe velho que utilizavam nos trabalhos religiosos na zona rural. Apressados entraram no jipe e saíram quase voando pela a estrada que à época não tinha asfalto. Contam eles que, numa curva muito fechada quase cometem um grave acidente. Por conta da alta velocidade, ao fazer a curva, tiverem muita sorte de não bater na traseira do próprio jipe que dirigiam. Escaparam do acidente por milagre.

Causos a parte, José e Pelegrino foram os maiores comunicadores na vida sacerdotal e no serviço de evangelização da Amazônia e do Acre. Nos seringais, nas colônias, onde estivessem, incorporaram o espírito da humildade para se comunicar. Com muita sapiência souberam se aproximar e evangelizar um povo falando das coisas da floresta, dos problemas do dia-a-dia. Trouxeram para junto de si a cultura do homem amazônico e, através dessa cultura, geraram mitos na construção do caminho entre o homem e Deus.

Esses dois sacerdotes dedicados aos mais necessitados, devem estar alegrando o céu com essas e outras estórias dos seringais da Amazônia, que conheceram como ninguém, desde os mistérios da mata, os rios como o Abunã, seringueiros e ribeirinhos. Levaram consigo para o céu, os segredos de sua gente e os encantos da floresta que tanto amaram. Eles foram e deixaram saudades, muitas saudades.

*Pitter Lucena é jornalista acreano.

domingo, 11 de outubro de 2009

MP denuncia Elenira e Ilzamar por improbidade

Elenira e Ilzamar Mendes, respectivamente filha e viúva do líder sindical Chico Mendes, mais o marido de Elenira, Davi Marques Cunha, estão sendo denunciados pelo Ministério Público por atos de improbidade administrativa praticados na gestão de recursos provenientes de convênios celebrados com o governo do estado pelo Instituto Chico Mendes, presidido por Elenira.

A proposta de ação de improbidade foi protocolada na última sexta-feira (9) pelo promotor Mariano Jeorge de Souza Melo na Vara Cível da Comarca de Xapuri depois de abrir investigação preliminar e ouvir os três acusados e cinco testemunhas, entre funcionários e ex-funcionários do ICM.

De acordo com o promotor, desde 2007 o Instituto Chico Mendes recebeu do governo do Acre o valor de R$ 685.138,00 (seiscentos e oitente e cinco mil, cento e trinta e oito reais), sendo que a maior parte do dinheiro não foi aplicado conforme previam os objetivos dos convênios, havendo grandes desvios para diversas finalidades e apropriação indevida pelos acusados. Como exemplos dessa apropriação, o promotor cita o fato de Elenira receber salário do Instituto que orbita em torno de R$ 4.000,00 - segundo depoimento do próprio marido de Elenira, Davi Marques Cunha.

Ilzamar, que sequer trabalha para o Instituto Chico Mendes, recebe, conforme as declarações de Davi, o salário indevido de R$ 3.000,00. Cópias de recibos entregues ao promotor por Deusamar Mendes - irmã de Ilzamar e esposa de Zuza Mendes, irmão de Chico Mendes - comprovam que a víúva do seringueiro chegou a receber da entidade o valor de R$ 6.000,00 de salário.

Deusamar Mendes é a responsável por fazer chegar ao representante do MP em Xapuri as denúncias de irregularidades no Instituto Chico Mendes, criado em 2006 para desenvolver atividades de educação ambiental, principalmente. Ela fora demitida há algum tempo da Fundação Chico Mendes, onde trabalhou desde a criação da entidade.

Outra irregularidade constatada pelo promotor é o lançamento de nomes e CPF's de pessoas que já não trabalham ou que nunca trabalharam no Instituto Chico Mendes nas planilhas de pagamento da entidade. Davi era o responsável por assinar os recibos em nome dos funcionários fictícios. Um desses funcionários-fantasma é Raimilson Mendes Dantas, que prestou serviços para o ICM em 2007, recebendo salários que giravam entre R$ 300,00 e R$ 350,00. Em recibos datados de setembro, outubro e novembro de 2007, consta, porém, que ele recebia mensalmente a quantia de R$ 720,00. Já na planilha referente ao mês de março de 2009, consta que Raimilson teria recebido o salário de R$ 1.846,00.

Na proposta de ação, o promotor Mariano Jeorge pede, em sede de liminar, a proibição de que o ICM firme convênios com municípios e governos estadual e federal até que as irregularidades sejam sanadas. Se condenados, além de terem que ressarcir o cofre público dos danos e pagar multa civil, os réus poderão perder os direitos políticos pelo prazo de 10 anos. O Instituto Chico Mendes poderá ser proibido, também por 10 anos, de contratar com o poder público ou receber benefícios e incentivos fiscais e creditícios.

sábado, 10 de outubro de 2009

Prefeitura: denúncia de irregularidade em licitação

Correm de um canto a outro da cidade rumores sobre uma suposta malfeitoria que envolve o nome do diretor de finanças da prefeitura de Xapuri, Hanaírton Cavalcante. Segundo denúncia feita na tribuna da câmara pelo suplente de vereador José Maria Cacau (PSB), que havia assumido a cadeira no mês passado, uma empresa vencedora de determinado processo de licitação da prefeitura seria pertencente à esposa de Hanaírton.

De acordo com o presidente da câmara, vereador Ronaldo Cosmo Ferraz (PMDB), a denúncia realmente foi feita, mas não chegou a ser investigada pela Casa pelo fato de o prefeito Ubiracy Vasconcelos ter informado prontamente ao legislativo que o referido processo licitatório já havia sido cancelado. Resta ficar devidamente esclarecido o que realmente aconteceu e, caso comprovada a denúncia, quais providências serão tomadas pela administração.

E isso não deverá demorar a acontecer, dada a preocupação que o prefeito petista sempre demonstrou ter com a lisura de sua administração. A transparência e a honestidade, tão ausentes nas últimas administrações que por aqui passaram, foram bandeiras amplamente defendidas por Bira em campanha, postura coerente com a sua trajetória no serviço público até se tornar prefeito de Xapuri. Patrimônio que certamente não será colocado em risco de uma hora para outra, acredito eu.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Gado no lugar errado

Alex Henry

São cerca de 230 quilômetros da capital acreana até Cobija, na Bolívia, pela já mítica “Estrada do Pacífico”. Se você ainda não ouviu falar dela, vai ouvir. O Brasil e o Peru estão pavimentando uma rodovia que permitirá ligar o Centro-Oeste brasileiro, passando por Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC), a um porto peruano no Oceano Pacífico. A ideia é escoar por ali a produção brasileira destinada aos mercados asiáticos. A ideia deles, é claro. A minha e a de muitos aventureiros é usar a estrada para cortar de carro a Amazônia, os Andes, passear em Machu Picchu e, depois, descer pelo Chile, passar pela Argentina e voltar para o Brasil.

Não fiz essa viagem agora, mas no último fim de semana peguei um trechinho dela, entre Rio Branco e Brasileia/Acre, divisa com Cobija, na Bolívia. A intenção do rápido roteiro era conhecer a capital acreana, pegar um pedacinho da Estrada do Pacífico e chegar até Cobija, uma zona franca onde os acreanos vão comprar eletrônicos, perfumaria e outras bugigangas.

Quanto a Rio Branco, descobri que é um xodó de cidade, lindinha, do tamanho de Uberaba, cheia de parques, construções bem cuidadas, uma iluminação bacana e uma orla do rio Acre voltada para o turismo e o lazer. Os hotéis não são baratos, uma regra da região Norte, mas não tive outras reclamações. A única tristeza foi entrar na Estrada do Pacífico. Não, a rodovia não está ruim: o asfalto anda muito bem conservado. Tristeza foi percorrer os 230 quilômetros até Cobija, em plena zona de floresta, e ver apenas cana de açúcar e pastagens, imensas pastagens com gado zebu sendo criado. Doeu o coração, juro por Deus! Cruzei floresta em apenas dois quilômetros da viagem. O resto foi pasto, só pasto. Meu Deus, onde vamos parar?! Para que criar gado na Floresta Amazônica, no sistema extensivo? Se podemos criar gado em outros locais ou, pelo menos, no sistema intensivo, por que derrubar uma vastidão de floresta para deixar um boi pastando? No meio do caminho, desolado com a paisagem, fiz um pequeno desvio para conhecer Xapuri, cidade de Chico Mendes, o grande defensor da floresta. Fui até a casa dele, vi a escada onde um tiro covarde o acertou, vi a toalha (que ele segurava naquele momento) manchada de sangue e perfurada pelo chumbo, e percebi que aquilo era a própria encarnação da Amazônia: um corpo agonizante, sendo assassinado para que árvores possam continuar dando lugar a pastagens. Triste.

A Estrada do Pacífico faz escala em Epitaciolândia e Brasileia, no Acre, vizinhas de Cobija. No ano que vem, farei o restante da viagem e espero que meus olhos possam ver, ainda no Brasil, ao menos um pouquinho de floresta preservada. Uma aventura tão legal não pode deixar apenas imagens de devastação.

Alexandre Henry é jornalista e escritor. Além da coluna Modo de Ver, publicada às quartas-feiras no Correio de Uberlândia (MG), é responsável pelo site dedodeprosa.com.

De volta, mais uma vez!

Atendendo aos muitos pedidos e reclamações pela ausência de novidades por aqui, estou, mais uma vez, de volta à rotina de escrever neste espaço que se tornou, nos últimos dois anos, a principal fonte de informações sobre o cotidiano da nossa querida Xapuri. Não sem antes dizer que nos últimos tempos uma série de questões de ordem pessoal me afastou do prazer que sempre tive em atualizar a página diariamente. E confesso que estive muito próximo de acabar definitivamente com o Xapuri Agora, que durante certo período chegou a pautar a imprensa acreana com os fatos ocorridos na terra de Chico Mendes. Tomo, então, um novo fôlego, um novo ânimo e conto com a companhia dos leitores de sempre, xapurienses ou não, para tocar o barco para frente. Não unicamente como leitores, mas como participantes ativos do espaço, colaboradores ou mesmo co-editores do blog. O convite está feito. Será um prazer continuar recebendo os comentários sérios, textos, opiniões, sugestões, enfim, dividir o blog com todos vocês.

sábado, 19 de setembro de 2009

Assalto atrapalhado em lotérica de Xapuri

Lamberto Ribeiro Filho, o Pida, proprietário da casa lotérica Globo da Sorte, em Xapuri, tinha a certeza de que mais cedo ou mais tarde seria assaltado. Em janeiro passado, a Polícia Militar chegou a fazer plantão nas imediações das agências do Banco da Amazônia, dos Correios e da própria lotérica - que se localizam no mesmo quarteirão a apenas alguns metros de distância uma da outra - temendo a ocorrência de um assalto que não aconteceu em Xapuri mas em Plácido de Castro, na agência dos Correios. Naquela oportunidade, o dono da lotérica fora avisado de que uma ação de bandidos estaria sendo planejada para aqueles dias.

Desta vez, não houve aviso e o assalto realmente se consumou. No entanto, o que mais chamou atenção não foi a ação do assalto, coisa rara em Xapuri, mas sim a sequência de trapalhadas cometidas pelos assaltantes - cinco no total - que acabaram todos presos poucas horas depois do roubo no centro da cidade. Lamberto Ribeiro, o proprietário, conta que eram por volta das 2:20 da tarde da última quinta-feira (17) quando dois homens entraram na lotérica. Um deles pediu uma "raspadinha" para em seguida mostrar um revólver e anunciar o assalto. Recolheram o dinheiro da gaveta, que foi colocado em um envelope e saíram do local.

As trapalhadas começaram antes da fuga. Primeiro, não chegaram a perguntar pela localização do cofre, se contentando com míseros R$ 2.400,00 encontrados na gaveta, o que não renderia R$ 500,00 para cada um dos facínoras. Em seguida, na fuga, não conseguiram trancar o dono da lotérica no prédio, que sem ter sido amarrado, acionou a polícia em poucos segundos após a retirada dos atrapalhados bandidos. Perseguidos pela Estrada da Borracha, os assaltantes, que utilizavam um táxi Fiat Uno no roubo, entraram em um ramal sem saída, o que facilitou o trabalho dos agentes civis que faziam a perseguição.

Inicialmente, três dos suspeitos foram presos, entre eles José Nilton Oliveira Nascimento, que possui apenas uma das pernas e que, sendo xapuriense, seria, de acordo com a polícia, o responsável pelas informações sobre a rotina ca casa lotérica. Os demais presos são: Aloildo Nerys da Silva, o taxista, residente no bairro Cidade Nova, em Rio Branco, responsável por trazer os assaltantes a Xapuri e dar fuga aos mesmos; Renato Cruz de Almeida; Jameson Alves Nogueira e Fábio André de Araújo, os dois últimos presos posteriormente, quando já estavam atravessando a fronteira com a Bolívia.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Furto de energia e apagão



A queda no consumo das UC's (Unidades Consumidoras) residenciais e comerciais registrada nos últimos meses levou a Eletroacre a contratar uma empresa para realizar trabalho de combate ao furto de energia elétrica em Xapuri e demais municípios da regional. A informação é do gerente regional da Eletroacre, Valmir Correia Vidal, que afirma ser os famosos "gatos" a principal razão das perdas que a empresa sofre todo mês. Três equipes farão o trabalho de fiscalização. Furto de energia é crime e pode dar em cadeia para quem for flagrado na prática.

Nada a ver uma coisa com a outra, mas bom seria também se a empresa que vende a luz se preocupasse em melhorar a qualidade do caro serviço que fornece. Nesta terça-feira, por exemplo, Xapuri e região ficaram sem energia elétrica por seguidas 7 horas e 30 minutos. Os prejuízos, principalmente no comércio não foram pequenos. Panificadoras e açougues foram os mais atingidos pelo apagão que durou toda a tarde e entrou pela noite. Um mero disjuntor, segundo a empresa, foi o responsável pelo problema.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Augusto Castelo Branco de Figueiredo

Mensagem de Jorgewan Hadad, neto de Augusto Castelo Branco de Figueiredo, o cearense homenageado pelo ex-prefeito Wanderley Viana no portal de Xapuri, obra que nasceu fadada à polêmica:

"Caro Raimari e amigos do blog,

Estou encaminhando uma breve HISTORIA do meu avô, Augusto, que foi homenageado no portal de Xapuri. Acho que deveriam, se for o caso, adequar o portal, mas jamais destruí-lo.

Augusto Castelo Branco de Figueiredo nasceu em Fortaleza no dia 01 de Janeiro de 1911, mas foi criado em Xapuri, onde seus pais, João Ramalho de Figueiredo e Adelaide Castelo Branco de Figueiredo, fixaram residência.

Augusto teve 12 irmãos, sendo 06 nascidos em Xapuri. O Sr. João Ramalho participou da Revolução Acreana e contribuiu com diversas melhorias para a cidade. Em 1936, retornou a Fortaleza com a família e não mais voltou ao Acre.

Augusto não os acompanhou, permaneceu morando em Xapuri e trabalhando em embarcação, o único meio de transporte, por muitos anos, na rota: Xapuri X Brasiléia e Xapuri X Rio Branco. Em Fevereiro de 1942, casou-se com Maria Adélia Xavier de Lima e tiveram 05 filhos: Adelaide, Wanda, Carlos Augusto, João e Vera Lúcia.

Em 1952, Augusto Castelo Branco de Figueiredo foi nomeado funcionário da Coletoria Federal de Xapuri, permanecendo até sua morte em 09 de Julho de 1962, ocorrida em Belém do Pará.

Essas poucas palavras permitem vislumbrar a curta vida de 51 anos, mas cheia de nobreza, do cearense, porém acreano e xapuriense de coração, Augusto Castelo Branco de Figueiredo.

Muito obrigado".

Comentário do blog: Bonita a história do cearense Augusto, assim como a de tantos outros nordestinos que para cá vieram e tiveram tão importante papel no desenvolvimento e na formação da nossa sociedade atual. Não merecia - e nem merece  - a família ver seu nome estampado em uma obra envolvida em tanta irregularidade e falta de critérios legais em sua execução como foi essa do malfadado portal de Xapuri.