quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lamparina e geladeira a querosene

No Acre mudou-se até o fuso horário, mas não se resolve a situação caótica do fornecimento de energia elétrica. Sejam lá quem forem os responsáveis pelos serviços prestados ao consumidor, não existe o menor respeito com quem paga a tarifa estratosférica e os impostos absurdos que incidem sobre ela. Somente nos últimos 10 minutos foram três as interrupções "relâmpago" no fornecimento de energia. Não há paciência nem eletrodomésticos que aguentem.

Podem me chamar de doido pela ideia, mas sugiro que a Eletroacre dispense os consumidores do pagamento das contas de luz enquanto perdurar o caos que tanto atrapalha, aborrece e causa prejuízos a tanta gente. Que cobrem a taxa mínima pelo serviço que não tem qualidade nem garantia ou nos indenizem pelos transtornos causados, que - diga-se de passagem - não são poucos. Não é isso o que ocorre quando compramos um produto defeituoso?

Se a situação continuar como está, se tornará mais viável voltarmos a usar lamparinas e geladeiras a querosene do que lutar contra a afronta dos homens que dão a luz. É engraçado, ainda, que no seu site (da Eletroacre) a empresa divulga avisos de desligamentos programados como se isso trouxesse algum benefício real para os consumidores. Como as quedas acontecem a todo instante, tornam-se desnecessários os comunicados.

Xapuri firma parceria com o Detran

Estruturar e otimizar as atividades das Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans). Este é o principal objetivo das visitas realizadas pelo diretor-geral do Detran/AC, Reginaldo Prates, ao interior do Estado. Durante a semana passada, ele esteve nos municípios para firmar e renovar convênios de cooperação técnica com as prefeituras.

O prefeito de Xapuri, Francisco Ubiracy de Vasconcelos, esteve na capital para assinatura do convênio. O município de Plácido de Castro, por meio do prefeito Paulo César da Silva, também já renovou o convênio.

O Detran irá orientar, supervisar e fiscalizar as atividades executadas, além de equipar o espaço físico com material permanente e de consumo. Por sua vez, compete às prefeituras a cessão e indicação de um servidor do quadro da prefeitura municipal que será treinado pelo Detran para auxiliar nos trabalhos das Ciretrans.

"Com essas parcerias, quem ganha é a população. Pretendemos melhorar a engenharia, a educação e o atendimento para emissão de documentos e outros serviços", disse Prates.

Fonte: Assessoria Detran-Acre.

Polícia

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Um doce para quem adivinhar quem é o bravo soldado da foto.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

'Caso Baiano'

Mais três acusados serão submetidos a Júri Popular no dia 9 de novembro.

O juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, confirmou para o dia 09 de novembro, próxima segunda-feira, o julgamento dos últimos três réus do caso que repercutiu nacionalmente como o crime da motoserra.

Pedro Pascoal Duarte Pinheiro, Aureliano Pascoal Duarte Pinheiro e Amaraldo Uchoa Pinheiro foram denunciados e pronunciados juntamente com Hildebrando Pascoal Nogueira Neto, Adão Libório de Albuquerque, Alex Fernandes Barros (já julgados pelo processo nº 001.99.010284-0), Sete Bandeira Pascoal e Alípio Vicente Ferreira (falecidos) como autores do assassinato do mecânico Agilson Santos Firmino, o "Baiano", crime ocorrido em julho de 1996.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual em novembro de 1999, os réus foram acusados da sessão de tortura que redundou na morte de "Baiano". A denúncia indica que o crime foi praticado mediante a provocação de intenso sofrimento físico à vítima. Ainda vivo, o mecânico teve os olhos perfurados, braços, pernas e pênis amputados com a utilização de uma motosserra, além de um prego cravado na testa, culminando os atos de tortura com vários disparos de arma de fogo contra a cabeça da vítima.

Na próxima semana, precisamente no dia 12 de novembro, acontecerá ainda o julgamento do processo nº 001.99.010318-9, pelo qual Pedro Pascoal também será submetido a Júri Popular pelo assassinato de Wilder Firmino, filho de Agilson Firmino, ocorrida em 30 de julho de 1996.

As informações estão na página do Tribunal de Justiça do Acre na internet.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fuso horário

Câmara aprova realização de referendo no Acre

Claudia Andrade, do UOL Notícias em Brasília

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (3) a realização de um referendo para que a população do Acre decida se é a favor ou contra a mudança que diminuiu de duas para uma hora (a menos) a diferença de fuso horário daquele Estado em relação a Brasília. O decreto foi aprovado pela Câmara por 223 votos a favor, 123 contrários e cinco abstenções. A matéria ainda terá de ser analisada pelo Senado Federal.

A mudança está em vigor desde junho do ano passado e vale também para parte do Amazonas, que tinha duas horas a menos em relação a Brasília. As alterações constam da lei 11.662, que estabeleceu ainda que o Pará - que tinha dois fusos horários - passaria a seguir o horário de Brasília. Com isso, o país passou a ter três fusos horários diferentes, em vez de quatro.

De acordo com o decreto, o referendo deverá ser realizado junto com as eleições e o resultado será determinado por maioria simples.

Em defesa da matéria, o deputado Flaviano Melo (PMDB-AC), autor da proposta, argumentou que a mudança não foi discutida com a população, que teria ficado insatisfeita.

A deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC) manifestou-se contra o decreto. Para ela, os parlamentares deveriam debater questões relacionadas ao desenvolvimento do Estado.

- O que nós queremos é transformar o Acre no melhor lugar para se viver na Amazônia. Esse sim deve ser o debate, não sobre a mudança do fuso horário. Isso pode ficar para um segundo momento.

Celeridade

O juiz xapuriense Edinaldo Muniz dos Santos ganhou as manchetes há alguns meses ao determinar a prisão de um delegado de polícia que mantinha presos ilegais na delegacia de Epitaciolândia, onde o magistrado era titular da comarca (veja aqui).

Desta vez, Edinaldo vai ao noticiário por usar um torpedo de celular para proferir uma sentença e expedir alvará de soltura em caso de prisão por não pagamento de pensão alimentícia. Uma decisão no Acre e talvez uma das primeiras experiências de utilização do recurso na Justiça brasileira.

A sentença foi proferida no feriado da última sexta-feira, dia 30 de outubro, permitindo que o réu fosse colocado em liberdade, após comprovar a quitação da dívida, mesmo com o juiz estando em Rio Branco, a capital do estado.

Em agosto passado, pela primeira vez na história do judiciário acreano, um juiz realizou uma audiência judicial por meio de um telefone celular. Cloves Augusto, titular da 4ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco, extinguiu em três minutos e três segundos um processo que poderia durar anos para ser julgado.

Que bom seria se a modernidade que começa a ser utilizada nas decisões dos magistrados, por meio da utilização de ferramentas tecnológicas, chegasse também às leis arcaicas que vigoram no país, em especial ao Código Penal, que data do ano de 1940.

Motos novas

Na semana passada, o Presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Desembargador Pedro Ranzi, realizou a entrega de sete novas motocicletas (marca Honda, modelo Broz, ano 2010) às Comarcas de Senador Guiomard, Capixaba, Xapuri e Brasiléia.

Em Xapuri, Pedro Ranzi foi recebido pela Juíza da Vara Cível, Zenair Bueno, que juntamente com os servidores da Comarca agradeceu o apoio recebido da Administração do Tribunal.

Os veículos, adquiridos com recursos próprios, integram a política de renovação da frota do Poder Judiciário acreano e serão utilizados nos serviços prestados pela unidade de Protocolo nas diversas Comarcas do Estado.

Fotos: Ascom TJ-Acre.

Isto é uma vergonha

Éden Barros Mota

Estive por dois dias em Xapuri - 30 e 31 de outubro - e me deparei com uma cena deplorável, para não dizer vergonhosa.

Dirigi-me até a casa do saudoso Chico Mendes e verifiquei in loco o que todos me diziam e eu não acreditava. Comprovei que, realmente, a rua Doutor Batista de Moraes e o final da Pio Nazário se encontram intrafegáveis há mais de um ano, ou seja, quem quiser chegar até a ex-residência de Chico Mendes, se for de carro, tem que largar o mesmo a uns 100m e seguir viagem a pé, posto que as ruas não oferecem trafegabilidade.

Gostaria que alguém da Prefeitura de Xapuri desse uma resposta não só para mim, mas principalmente para a população xapuriense e para os turistas que para ali se dirigem.

Em relação a esse episódio, ouvi uma explicação tão vergonhosa quanto o estado em que se encontram as ruas. Informaram-me que a Prefeitura de Xapuri ainda não havia tomado uma providência, visto tratar-se de patrimônio histórico cultural. E eu pergunto: desde quando um patrimônio histórico não pode ser restaurado?

Para adentrarmos nesse tema é importante esclarecermos o que é tombamento.

Vejamos: o tombamento é uma modalidade de intervenção na propriedade privada por meio da qual o Poder Público procura proteger o patrimônio cultural brasileiro.

Quatro são as espécies de tombamento: o voluntário, quando o proprietário consente o tombamento; o compulsório, quando o Poder Público realiza a inscrição do bem como tombado, mesmo diante da resistência e do inconformismo do proprietário; o provisório (que é o caso da Casa de Chico Mendes) enquanto está em curso o processo administrativo instaurado pela notificação do Poder Público e o definitivo, quando depois de concluído o processo, o Poder Público procede à inscrição do bem como tombado, no respectivo registro de tombamento.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN através do DOU – Diário Oficial da União de 13/02/2008, notificou (tombamento provisório) a respeito do tombamento da Casa de Chico Mendes e se seu acervo. Queremos deixar claro, que esta fase de notificação quanto ao processo para tombamento do bem ainda não é conclusiva ou final, uma vez que as fases do processo de tombamento são as seguintes: a) o parecer do órgão técnico cultural; b) a notificação do proprietário, que poderá manifestar-se anuindo com o tombamento ou impugnando a intenção do Poder Público de decretá-lo, c) decisão do Conselho Consultivo da pessoa incumbida do tombamento, após as manifestações dos técnicos e do proprietário; d) possibilidade de interposição de recurso pelo proprietário, contra o tombamento, a ser dirigido ao Presidente da República.

No momento, após pesquisas, verifiquei que a Casa de Chico Mendes ainda não chegou à última fase, qual seja a do tombamento definitivo, encontrando-se, ainda, em fase de notificação. Mesmo nesta fase, há de se ressaltar que o bem já se encontra sob uma proteção legal, desta forma, realmente, sem autorização do órgão competente, não poderá ocorrer qualquer tipo de restauração. Em palavras mais claras, desde que devidamente autorizado, pode sim haver a restauração do bem. Aliás, um dos motivos que levam o tombamento é justamente a proteção do bem.

A afirmação acima se encontra devidamente consubstanciada no Art. 17 do Decreto-Lei n° 25/37 que trata do Patrimônio Artístico Nacional. Assim reza o referido art.: “As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena da multa de cinqüenta por cento do dano causado”.

Já que as imediações da Casa de Chico Mendes são parte provisória do Patrimônio Histórico Nacional e a população de nossa cidade é a mais interessada na conservação de tal bem, o que impede que a Prefeitura de Xapuri ou o próprio governo do Estado do Acre procedam a arrumação da rua, já que dizem ser um obstáculo a questão do tombamento? Resposta: a autorização do órgão competente. Pela forma como tratam do assunto, pelo visto, esta autorização nunca foi pedida, pelo menos foi o que deixaram transparecer. E vou além, tenho a certeza absoluta que o IPHAN não iria em hipótese alguma se opor à restauração, uma vez que o bem estaria sendo conservado.

Enquanto isso, praças, avenidas, parques são construídos em Rio Branco em nome de Chico Mendes e a nossa cidade não recebe nem as migalhas, nem a atenção que o líder sindical queria.

Na administração anterior não se fazia porque os governos municipal e estadual eram opositores. E agora qual a explicação? Particularmente, acredito mais na falta de interesse e na falta de vontade dos administradores ante o próprio desinteresse do povo de Xapuri, que infelizmente se encontra órfão de verdadeiros representantes municipais.

Desta forma, é por demais cômoda a resposta de que não se arrumam ou restauram às Ruas Pio Nazário e Doutor Batista de Moraes em razão da impossibilidade face ao tombamento. É a inoperabilidade devidamente justificada. Isto é uma vergonha!

Éden Barros Mota é xapuriense e escrivão da Polícia Federal.

Nota do blog: No dia 21 de fevereiro do ano passado, a promotora Nelma Araujo Melo Siqueira, da Promotoria de Justiça Especializada em Direitos Difusos e Coletivos de Defesa do Meio Ambiente da Bacia Hidrográfica do Alto Acre, recomendou à prefeitura de Xapuri que fossem suspensos imediatamente os serviços de pavimentação asfáltica das ruas Pio Nazário e Dr. Batista de Moraes (leia aqui). Fato é que os serviços não estavam sendo nem nunca foram realizados nessas ruas.

Na mesma recomendação, a promotora deixava claro que o  município deveria solicitar autorização prévia ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, bem como comunicar ao Ministério Público Estadual e ao Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Cultural para poder realizar a "execução de obras, intervenções, instalação de anúncios ou cartazes na vizinhança da 'Casa Chico Mendes', o que incluia obras de pavimentação de ruas".

Leia o comentário que faço sobre o assunto no post Coisas de Xapuri).

Nos convênios firmados em junho deste ano entre Estado e município de Xapuri constam recursos da ordem de R$ 340 mil para a execução das obras de drenagem da famosa cratera existente na rua Dr. Batista de Moraes - nas proximidades da Casa de Chico Mendes - com tubo de concreto diâmetro de 1.200 milímetros e pavimentação em tijolos de  7.040 m² da mesma via pública.

Recentemente, o prefeito Bira Vasconcelos informou que os serviços não haviam sido iniciados em razão de um outro problema: o embargo das obras de um projeto de saneamento básico do Ministério da Saúde, via Funasa, cujos canos permanecem enterrados em algumas ruas do centro da cidade, entre elas a rua Dr. Batista de Moraes. Com a retomada da obra, tudo indica que em breve os serviços de recuperação da rua Dr. Batista de Moraes terão início.

O prefeito não falou, no entanto, sobre a necessidade de pedir autorização ao Iphan para executar as obras nas proximidades da Casa de Chico Mendes como orienta o Ministério Público.

Leia também: Dinheiro enterrado.

Foto: arquivo do blog.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Saudade, lembrança e abandono

Dia de recordação dos entes queridos que já partiram para outro plano, o feriado de Finados também mostra que, além de lembrança e saudade, a morte pode significar esquecimento de muitos daqueles que já cumpriram com suas missões neste mundo.

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Cemitérios sempre despertaram em mim um sentimento misto de medo e curiosidade. Entrar em um deles remete-me, inevitavelmente, ao pensamento que procuramos manter afastado do rol de nossas principais preocupações em vida. Salutarmente, evitamos pensar na morte mesmo sabendo ser ela a única certeza de nossa existência. Por outro lado, as necrópoles também me despertam o interesse pelas muitas histórias de vidas encerradas em seus túmulos frios e silenciosos. Como e quando viveram, como morreram e o que fizeram por este mundo em que continuamos a dar sequência à vida até que seja chegada a nossa vez.

Essa curiosidade me faz perambular quase que todos os anos por entre as antigas catacumbas e os modernos jazigos construídos pelas famílias mais abastadas financeiramente. É curioso que mesmo após a morte, destino comum a todos os viventes, as pessoas continuam a ser distinguidas pela condição social e econômica. Simples sepulturas, muitas vezes providas apenas de mera cruz de madeira, dividem o espaço com túmulos bem ornados e capelas recobertas de caríssimas peças de mármore e belos epitáfios que denunciam a notoriedade de uns e o anonimato de outros.

Outra realidade que se nota ao visitar o cemitério São José, em Xapuri, é o abandono de vários túmulos, muitos dos quais, de tão antigos, já se encontram quase que completamente destruídos pela ação do tempo. Impossível saber ao certo a razão desse triste abandono que fatalmente culminará com o total desaparecimento  daquilo que certamente representa o último vestígio material da existência e da passagem de um ser humano pela vida. Famílias que deixaram a cidade para viver em locais distantes ou pessoas que vieram de outros lugares para cá e que, ao morrer, não deixarem quem zelasse de sua última morada são algumas das circunstâncias que imagino explicar o esquecimento. 

Entre esses túmulos antigos e abandonados do cemitério de Xapuri, localizei há alguns anos o que resta do mausoléu (fotos acima) de um personagem ilustre da história da cidade. Trata-se do professor cearense Anthero Soares Bezerra, que relevantes serviços prestou à nossa educação nos séculos XIX e XX, motivo pelo qual dá nome a uma das principais escolas da rede estadual de ensino no município. O educador nasceu no distante ano de 1855 e faleceu em 1927, em um dia 25 de dezembro. Voltei ao túmulo do professor neste dia de Finados e constatei que a velha estrutura começa a tombar para um lado ameaçando ruir.

Certa vez, sugeri a um vereador conhecido meu que indicasse ao município a recuperação do mausoléu do professor Anthero Soares Bezerra. Seria o mínimo que se poderia fazer pela memória - quase que perdida - de uma pessoa que, além de haver contribuído sobremaneira com os esforços de progresso e desenvolvimento da cidade, nos honrou em entregar seus restos mortais a esta terra que certamente adotou como sua. Minha sugestão, é claro, não foi ouvida e o tal vereador foi merecidamente sepultado politicamente nas últimas eleições municipais. Penso em voltar a sugerir a providência ao poder público. A morte deve ser razão para saudade e lembrança; jamais para o abandono.

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Nas fotos acima, outros exemplos de túmulos abandonados no cemitério São José, de Xapuri. Um deles serve de canteiro a uma espécie de arbusto que já toma dimensão de árvore frondosa.

Cliquem nas fotos para ampliá-las.

Morte, tema tabu?

Frei Betto

2 de novembro é dia de finados, dos que findaram, os mortos. Será, no futuro, o dia de cada um de nós. Mas quem encara este destino inelutável?

Entre crianças de seis anos de idade convidadas a escrever cartas a Deus, uma delas propôs: “Deus, todo dia nasce muita gente e morre muita gente. O Senhor deveria proibir nascimentos e mortes, e permitir a quem já nasceu viver para sempre”.

Faz sentido. Evitar-se-iam a superpopulação do planeta e o sofrimento de morrer ou ver desaparecer entes queridos. Mas quem garante que, privados da certeza de finitude, essa raça de sobre-humanos não tornaria a nossa convivência uma experiência infernal? Simone de Beauvoir deu a resposta no romance “Todos os homens são mortais”.

É esse ideal de infinitude que fomenta a cultura da imortalidade disseminada pela promissora indústria do elixir da eterna juventude: cosméticos, academias de ginástica, livros de auto-ajuda, cuidados nutricionais, drágeas e produtos naturais que prometem saúde e longevidade. Nada disso é contra-indicado, exceto quando levado à obsessão, que produz anorexia, ou à atitude ridícula de velhos que se envergonham das próprias rugas e se fantasiam de adolescentes.

Conto sete amigos com câncer nos últimos dois anos. Dois, em estado terminal, me chamaram para conversar sobre a morte. Um deles observou: “Outrora, era tabu falar de sexo. Hoje, é falar de morte”. Concordei. A morte era vista como um fenômeno natural, coroamento inevitável da existência. Hoje, é sinônimo de fracasso, quase uma vergonha social.

A morte clandestinizou-se nessa sociedade que incensa a cultura do prolongamento indefinido da vida, da juventude perene, da glamourização da estética corporal. Nem sequer se tem mais o direito de ficar velho. Nós, que já temos acesso ao Estatuto do Idoso, somos tratados por eufemismos que visam a aplacar a “vergonha” da velhice: terceira idade, melhor idade ou, como li na lataria de uma van, “a turma da dign/idade”. A usar eufemismos, sugiro o mais realista: turma da eterna idade, já que estamos próximos a ela.

No tempo de meus avós morria-se em casa, cercado de parentes e amigos, no espaço doméstico impregnado de pessoas e objetos que constituíam a razão de ser da existência do enfermo. Hoje, morre-se no hospital, um lugar estranho, cercado por pessoas – médicos, enfermeiras, auxiliares – cujos nomes ignoramos. A agonia é suprimida pelos avanços da ciência – o coma induzido, a medicação que elimina a dor. Não há quase choro nem vela nem fita amarela. O rito de passagem – unção dos enfermos, luto, missa de 7º dia, proclamas – é quase imperceptível.

“Morrer é fechar os olhos para enxergar melhor”, disse José Martí por ocasião da morte de Marx. As religiões têm respostas às situações limites da condição humana, em especial a morte. Isso é um consolo e uma esperança para quem tem fé. Fora do âmbito religioso, entretanto, a morte é um acidente, não uma decorrência normal da condição humana.

Morre-se abundantemente em filmes e telenovelas, mas não há velório nem enterro. Os personagens são seres descartáveis como as vítimas inclementes do narcotráfico. Ou as figuras virtuais dos jogos eletrônicos que ensinam crianças a matar sem culpa.

A morte é, como frisou Sartre, a mais solitária experiência humana. É a quebra definitiva do ego. Na ótica da fé, o desdobramento do ego no seu contrário: o amor, o ágape, a comunhão com Deus.

A morte nos reduz ao verdadeiro eu, sem os adornos de condição social, nome de família, títulos, propriedades, importância ou conta bancária. É a ruptura de todos os vínculos que nos prendem ao acidental. Os místicos a encaram com tranqüilidade por exercitarem o desapego frente a todos os valores finitos. Cultivam, na subjetividade, valores infinitos. E fazem da vida dom de si – amor. Por isso Teresa de Ávila suspirava: “Morro por não morrer”.

Padre Vieira, cujo quarto centenário de nascimento se comemora este ano, advertia no sermão do 1º domingo do Advento, em 1650: “No nascimento, somos filhos de nossos pais; na ressurreição, seremos filhos de nossas obras”.

Frei Betto é frade dominicano e escritor. Autor de 51 livros, editados no Brasil e no exterior, nasceu em Belo Horizonte (MG). Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia.

domingo, 1 de novembro de 2009

Com amor e com vigor

"O time, desta vez, flechado pelo cupido, adentrará o Mineirão com o imperecível estandarte da paixão. E aí eu sou mais Flu".

A frase acima é do tricolor João Marcelo Garcez, vaticinando no blog do torcedor do Fluminense, no site globoesporte.com, a heroica virada que se traduziria em histórica vitória do Flusão sobre o Cruzeiro, neste domingo, em pleno Mineirão.

Sim, a torcida do Fluminense tem motivos de sobra para dormir feliz esta noite. Apesar do iminente rebaixamento, os apaixonados e fiéis tricolores viram o time mostrar em campo - no segundo tempo do jogo - toda a magia que explica essa enorme paixão.

Mais do que nunca o time mostrou que está vivo e que ainda é possível escapar da degola. Mais do que isso, deixou claro que, apesar da péssima fase, continua a ser o grande Fluminense, "time que orgulha o Brasil retumbante de glórias e vitórias mil".

Como bem escreveu o grande jornalista e escritor tricolor Artur da Távola, ser Fluminense é pelejar, tentar, ousar, crescer, descobrir, viver, saber, vislumbrar, ter curiosidade e construir. É rejeitar abuso, humilhação, manha, soslaio, arrogância, suborno ou hipocrisia.

O post é dedicado ao meu amigo Chico Broca, que neste final de semana, junto comigo, suportou as gozações do vascaíno Sérgio Roberto e os insurportáveis gritos de guerra do também cruzmaltino Melke Carvalho, lá no Ninho do Urubu.

Com amor e com vigor.

sábado, 31 de outubro de 2009

"Não tentem interpretar"

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Trecho de reportagem da revista Veja desta semana:

Por onde se olha na América Latina, há um governante com a ideia fixa de que seus fracassos seriam menos gritantes se só existisse a imprensa oficial. O Brasil vinha sendo a excepcionalidade na região. Agora o próprio presidente Lula está desenhando o que ele imagina ser a imprensa ideal. "Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar", disse Lula há duas semanas. Na quinta-feira passada, ele voltou à carga com o seguinte discurso, direcionado a repórteres que cobriam uma cerimônia que reunia catadores de papel, em São Paulo: "Hoje vocês têm a oportunidade de fazer a matéria da vida de vocês. Se vocês esquecerem a pauta do editor de vocês e se embrenharem no meio dessa gente (…) Publiquem apenas o que eles falarem. Não tentem interpretar".

É espantoso. Lula não lê jornais. Mas quer ensinar como editar jornais. Má notícia, senhor presidente. Ter 80% de popularidade não credencia ninguém a ser repórter ou editor. Não existe jornalismo a favor. Não existe jornalismo feito pelo estado. Não é atributo do Poder Executivo traçar limites para o exercício da imprensa. A liberdade de expressão não pertence ao universo oficial dos gabinetes executivos, não tangencia os planos de governo e não obedece às orientações dos ministérios da propaganda. Seus limites estão estabelecidos na Constituição e eternizados na cultura dos países democráticos. Os próprios leitores e a Justiça punem os jornalistas que ultrapassam os limites éticos.

Chave de cadeia

Se continuar no mesmo ritmo com que vem flagrando e trancafiando indivíduos envolvidos com o tráfico de drogas na cidade, o delegado Pedro Henrique Resende Teixeira Campos será em breve um dos maiores responsáveis pelo aumento da população carcerária no presídio estadual de Rio Branco.

Em menos de um mês no cargo, o novo xerife de Xapuri city já tirou de circulação quase uma dezena de conhecidos integrantes do clube de vendedores de substâncias entorpecentes, entre os quais estão alguns dos principais responsáveis pelo comércio de drogas no município, segundo as investigações policiais.

Enquanto isso, boata-se que começa a ganhar força um movimento que tem por objetivo abreviar a estadia de Resende em Xapuri. Uma lista de assinaturas estaria percorrendo as ruas para se transformar em reivindicação pela saída do delegado da cidade. Cidade esta que tanto clamou pela presença de alguém que enfrentasse a bandidagem e colocasse ordem na casa.

Resta saber quem são os responsáveis pela suposta lista e de que lado estão. Da lei e da ordem ou da bandalheira generalizada que tomou conta de Xapuri. Que interesses defendem e se esses dizem respeito a anseio popular ou atendem a conveniências de pessoas que se sentem prejudicadas pelas ações rigorosas e contínuas que estão sendo colocadas em prática pela polícia.

Antes que me acusem de advogar em favor do delegado, adianto que não teria a menor razão para isso. Pouco o conheço, e se vocação tivesse para bajulador, os últimos que escolheria seriam exatamente aqueles que guardam as chaves da cadeia, ciente que sou de que ao incorrer em delito, não hesitariam em me oferecer estadia no lugar de onde se vê o sol nascer quadrado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Combate à fome

Brasil é líder no combate à fome, diz ONG internacional

Marcelo Torres

Entre os países em desenvolvimento, o Brasil é o que mais tem combatido a fome e a desnutrição, segundo pesquisa desenvolvida pela Action Aid, uma organização não-governamental (ONG) que atua em 40 países no combate à pobreza.

O trabalho, denominado Índices Globais de Alimentação,  elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais de combate a fome a pobreza e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero, a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e a aprovação da Lei de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan).

Os avanços no Brasil são importantes, mas é preciso aprimorá-los ainda mais com uma melhor integração entre os diferentes sistemas de proteção social como saúde (SUS), assistência social (SUAS) e segurança alimentar (SISAN), ressalta Rosana Heringer, coordenadora executiva da ActionAid.

Para a ONG, o Brasil revela "o que pode ser atingido quando o Estado tem recursos e boa vontade para combater a fome". O estudo foi elaborado a partir de pesquisas sobre políticas públicas de combate à fome e à pobreza em 50 países.

O estudo aponta que a estratégia Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome - incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos".

Clique aqui para ter acesso a dados da pesquisa

Incentivo à castanha no Acre

Governo investe R$ 7,2 milhões na cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil no Acre

A cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil, no Acre, termina 2009 fortalecida com a  liberação, por meio de um convênio com o Governo do Estado, de R$ 7,2 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Os recursos serão aplicados no transporte, na armazenagem da Castanha-do-Brasil, na readequação das unidades produtivas e na qualificação do trabalhador extrativista – um dos públicos atendidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Em Brasiléia (AC), nessa quarta-feira (28), foram entregues à Cooperativa Central de Extrativismo do Acre (Cooperacre) e à Associação Rural Libertador – afiliada da Cooperacre –  as chaves de três caminhões. Os veículos vão auxiliar as comunidades extrativistas dos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Assis Brasil na coleta e no transporte da Castanha-do-Brasil.

Atualmente, o Acre responde por mais de 40% da produção nacional do produto (12.358 toneladas/ano). Conforme a política fomentada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, grande parte dessa produção já é beneficiada, o que agrega mais valor ao produto e, consequentemente, maior lucro ao público extrativista, estimado em cinco mil famílias acreanas.

Entre os filiados da Cooperacre estão 25 associações e organizações de trabalhadores. O superintendente da cooperativa, Manoel Monteiro, estima que o bom andamento da atividade no Acre proporcionará a geração de mais 160 postos de trabalho formal na Cooperacre.

Recentemente, a Cooperativa recebeu, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Selo da Agricultura Familiar, concedido, entre outros critérios, às empresas que utilizam na produção pelo menos 51% de matéria-prima advinda da agricultura familiar.

Conquistas

A entrega de caminhões e equipamentos à Cooperacre foi marcada, também, por outro momento comemorativo: a devolução antecipada, e simbólica, de R$ 1.499.999,65 à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O recurso foi concedido à cooperativa por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/modalidade Formação de Estoque). O prazo para quitar o financiamento venceria no próximo dia 30 de novembro, mas foi antecipado para esta quarta-feira (29) pela própria Cooperacre.

A delegada do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Acre (MDA/AC), Tatiana Balzon, ressalta que, ao longo dos últimos anos, o setor extrativista tem conquistado ainda mais a atenção do governo federal, que tem redesenhado as políticas públicas para esse segmento produtivo.

"O interessante desse processo inteiro é que, atualmente, o seringueiro da Amazônia, o extrativista e o ribeirinho estão podendo acessar as políticas da agricultura familiar da mesma forma que o agricultor familiar convencional estabelecido, por exemplo, no Sul do País", comemora Balzon.

Somente no Acre, em seis anos, o MDA investiu cerca de R$ 15,5 milhões na cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil. Esse valor foi destinado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/Formação de Estoques). Como produto da sociobiodiversidade, a castanha está também amparada por outras políticas do MDA, como as redes de comercialização e assistência técnica direcionada.

Tatiana Balzon explica que o apoio de políticas públicas, como o PAA, foram fundamentais para o fortalecimento econômico e produtivo da cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil. "O PAA/Formação de Estoque, que tem recurso do MDA e é operacionalizado pela Conab, foi tão importante para a cadeia da castanha que alterou o preço da lata do produto de R$ 6,50, em 2003, para R$ 12, em 2004. O PAA também foi determinante para extinguir a figura do atravessador e regularizar o preço da castanha no mercado", destaca a delegada do MDA no Acre.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra

A cultura da banalidade

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Luciano Pires

"A afilhada de Rita Cadillac, Cléo Cadillac (foto), será capa da revista Sexy Especial de maio de 2009." Esse era o título de uma das dezenas de mensagens de assessorias de imprensa que recebo diariamente. E chega cada coisa... Existe uma indústria focada no desenvolvimento de conteúdo banal para a imprensa. São fofocas sobre celebridades, tipo: "Fulano de tal faz compras em Punta Del Leste". "Cicrana leva a filha para tomar sorvete". "Beltrano troca beijos com desconhecida"... E assim vai. São dezenas de releases diários que - acreditem - são aproveitados por jornais, revistas e blogs dedicados à cultura do banal.

Pois comecei a colecionar esses releases. E fico imaginando um profissional de jornalismo pesquisando e redigindo essas coisas. Será que ele sente que seu trabalho é uma banalidade? Mas se tem gente que compra, o jornalista está apenas cumprindo sua missão, um trabalho honesto como outro qualquer. E dá-lhe banalidade...

O ensaio fotográfico com a Cléo Cadillac foi realizado em uma loja de carros antigos, tendo como destaque um cadillac modelo 74. Foi o primeiro ensaio nu da dançarina, que colocou silicone, fez lipoaspiração e - atenção - aumentou o bumbum, que passou de 102 para expressivos 122 centímetros! Cléo quer ser a celebridade com o maior bumbum do Brasil. Muito bem. Não sei o que vocês acham, mas pra mim não existe bumbum com 122 centímetros. Com essa metragem é bunda mesmo. Ou lordo, como diz meu pai lá em Bauru. A moça apresenta-se como afilhada da ex-chacrete e atriz pornô Rita Cadillac. Afilhado não é parente, portanto não existe nenhum ascendente genético que explique a abundância. Pouco tempo atrás estourou na mídia a Mulher Melancia, uma dançarina de funk que também tem uma senhora bunda. A Melancia acabou na capa da Playboy, um sucesso estrondoso. Agora vem a Cléo Cadillac. É curiosa essa fixação que nós, brasileiros, temos pela bunda. Mas já escrevi a respeito, quem se lembra?

Não sei não... É implicância minha ou o nivelamento por baixo do repertório cultural dos brasileiros, tem relação com isso? Musiquinhas sem vergonha, pagodeiros de acrílico, sertanejo corno, livrinhos de auto-ajuda, baixarias na televisão... Uma corrente de estudiosos garante que a indústria não induziu o consumo da banalidade, mas nasceu da necessidade, do clamor popular. O povo gosta de baixaria, dá audiência para a baixaria, pede baixaria. Desde que comecei meu combate pela despocotização do Brasil afirmo que o povo, tendo opção, não quer consumir a baixaria. Mas estou começando a mudar de opinião. O povo não é tão ingênuo assim, gosta mesmo é de sacanagem...

Pois quer saber? Acho até que isso é lógico. Se essas porcarias não desenvolvem o cérebro devem estar desenvolvendo as bundas.

Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil, acesse www.lucianopires.com.br.

Entre a ilegalidade e a necessidade

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A prefeitura de Xapuri corre o risco de dar um passo atrás para resolver um dos problemas mais graves da atual administração com relação ao atendimento à população: a crônica falta de médicos nos postos de saúde da cidade. Sem oferta de profissionais com CRM no mercado acreano, o município pode recorrer à usual saída da contratação de médicos sem registro na entidade de classe.

A decisão do prefeito Ubiracy Vasconcelos de não mais contratar profissionais sem registro no Conselho Regional de Medicina, levada a efeito desde o início do mandato, tornou claro o motivo pelo qual as administrações anteriores não abriam mão desse expediente. Médicos com CRM são mais caros e geralmente não vêem com bons olhos a possibilidade de trabalharem em municípios do interior do estado.

Os poucos profissionais que vieram para Xapuri este ano, contratados em parceria com o governo estadual, logo encontraram propostas melhores para atuar na capital ou em outros estados da federação, o que, naturalmente, os fez largar os cargos recém-assumidos. O resultado disso foi a continuidade da deficiência de médicos que se arrasta desde a administração passada.

Outro problema decorrente da falta de médicos nos postos de referência do Programa Saúde da Família é a sobrecarga nos atendimentos ambulatoriais do hospital estadual Epaminondas Jácome. O aumento da demanda na unidade de saúde está fazendo com que as pessoas que procuram o hospital esperem por várias horas para serem atendidas.

Diante da reclamação geral da população por conta da situação, a secretária municipal de saúde, Maria Maciel de Araújo, informa que todos os esforços possíveis estão sendo feitos para normalizar a situação em Xapuri. Junto com o prefeito, ela se reuniu há alguns dias com a direção do Conselho Regional de Medicina, em Rio Branco, para discutir a situação do município.

Sem revelar nomes, Maria Maciel adiantou que estão ocorrendo negociações com pelo menos três médicos, que podem chegar a Xapuri nas próximas semanas. Ela se refere a médicos com registro no CRM-Acre, mas não está descartada a possibilidade serem contrados profissionais sem esse requisito para suprir a imensa necessidade de médicos pela qual passa o município na atualidade.

Entre a ilegalidade e a necessidade, a população certamente opta pela presença de médicos na cidade, independentemente do fato de possuírem registro ou não. O diploma de medicina basta. Assim foi por vários anos, sem que tenham havido problemas maiores que a inaceitável falta de médicos. Alguns profissionais sem CRM, vale lembrar, prestaram excelentes serviços em Xapuri, alcançando grande prestígio junto à população. Exemplo disso é o "Dr. Franz", médico boliviano que hoje atua no município de Acrelândia.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

História da Música em Xapuri

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Adianto aqui a arte provisória do outdoor do Resgate Cultural II, O Baile, programado para o próximo dia 5 de dezembro no ginásio de esportes de Xapuri. O evento é uma sequência do Baile Show De Siderais a H-Uelem, realizado no dia 1º de março do ano passado.

Mais uma vez, os grandes nomes da música xapuriense se reunirão para relembrar os grandes sucessos que embalaram a sociedade local por décadas e marcaram na memória da cidade uma época muito especial na história da música em Xapuri.

Essa história começou com um pequeno grupo musical chamado Bandinha do Ginásio Anthero Soares Bezerra, que tinha como componentes: Zequinha dos Correios, (Acordeom), Tatu (Cavaquinho e Violão), Manoel Ramos in memorian (Bateria) e Walter Nicácio in memorian (Pandeiro).

A partir dali, começava em Xapuri um movimento que resultou na criação de muitos conjuntos musicais de sucesso, que animavam os eventos sociais não só localmente, mas também em vários municípios acreanos. Siderais, The New Stop, The Super Sonic e H-Uelem foram somente alguns desses conjuntos que fizeram história.

No próximo dia 5 de dezembro, o público xapuriense mais poderá mais uma vez matar as saudades daquela época de sonhos. Os mais novos poderão conhecer o que seus pais e avós ouviam e como aproveitavam a juventude. Em ritmos e comportamentos bem diferentes do que se vê na atualidade.

Leia mais sobre o projeto Resgate Cultural, de autoria do músico Antônio Magão, no post De Siderais a H-Uelem, uma história de amor à música.

Acre mal em pesquisa sobre estradas

Pesquisa divulgada nessa quarta-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), aponta que a maior parte das rodovias brasileiras asfaltadas apresenta algum tipo de problema. De acordo com o levantamento, 69% das estradas estão em situação regular (45%), ruim (16,9%) ou péssima (7,1%), enquanto 31% estão em condições favoráveis, sendo ótima (13,5%) ou boa (17,5%).

A situação mais crítica é no Amazonas, que tem toda a malha rodoviária considerada como regular, péssima ou ruim. Em seguida, está o Acre, que tem 98,7% das estradas em condições precárias. Roraima foi o que teve a maior parte das estradas avaliadas como ruins (43,6%) - a BR-210 foi considerada a pior estrada no estado.

O trabalho inclui apenas rodovias pavimentadas. Entre os problemas encontrados, estão a má qualidade do asfalto (63,9%), estradas com sinalização ruim (54,2%) e rodovias sem acostamento (46,3%). Mais de 90% delas apresentam más condições. Leia mais na reportagem do jornal O Globo.

MediaOn

O maior fórum de jornalismo da América Latina, realizado em São Paulo nessa quarta e nesta quinta-feira, trata dos novos rumos que a revolução tecnológica impõe à profissão e o que as empresas de comunicação estão fazendo para fidelizar os seus usuários.

O acreano Altino Machado, do Blog da Amazônia, participou do debate sobre o poder de blogs e twittes no jornalismo online, mediado por Marion Strecker, diretora de conteúdo do UOL.

- O blog deu dimensão internacional ao meu trabalho. A internet é algo que supera fronteiras. Recebo mensagens de todas as partes do mundo. E pensar que já transmiti matérias por telex, como a da morte de Chico Mendes, em Xapuri, no ano de 1989, disse Machado em uma de suas participações.

Veja fotos no blog dele e depoimenttos de outros jornalistas no Portal Terra.

Acordo de cavalheiros

Predominou o bom senso na audiência de conciliação realizada na manhã dessa quarta-feira (28), no Juizado Especial Criminal da Comarca De Xapuri, relacionada à reclamação ali oferecida contra este blogueiro e Deusamar Gadelha Bezerra Mendes por Jonas Augusto Costa dos Santos, vice-presidente do Instituto Chico Mendes, e Clênio Jorge Rodrigues Monteiro, funcionário da mesma instituição até o mês de setembro deste ano.

Depois de serem colocadas à mesa as queixas e suas justificativas, audiência progrediu para o acordo, saída sensata para um caso que causou muitos aborrecimentos e que, certamente, viria a causar muitos outros caso ganhasse o caminho da mesa de um juiz togado. Mas isso não aconteceu sem que alguns pontos ficassem devidamente explicados e outros fossem combinados para que os alegados prejuízos fossem, dentro do possível, minimizados.

Os fatos que deram origem a querela já são bastante conhecidos dos leitores do blog. As declarações feitas por Deusamar Mendes, afirmando que Jonas Augusto e Clênio Jorge eram conhecedores das irregularidades no Instituto Chico Mendes denunciadas à justiça pelo Ministério Público, foram interpretadas por eles como insinuações de que ambos eram cúmplices dos acusados ou coniventes com os fatos denunciados à promotoria de Xapuri.

Os dois reclamantes alegaram que o motivo de terem oferecido reclamação também contra mim, além de Deusamar, foi o fato de eu não os haver procurado antes de publicar o texto, mesmo tendo eu explicado exaustivamente que fiz várias tentativas de contatá-los e de haver colocado o veículo à disposição dos mesmos. No entanto, o propósito deste post não é discutir o mérito da questão e sim corrigir algumas imprecisões e jogar luz sobre alguns pontos que podem ter dado margem para interpretações equivocadas da informação, conforme ficou estabelecido em acordo selado entre as partes.

No texto publicado aqui no blog, Deusamar afirmava que Davi Cunha, marido de Elenira, acusado na ação do MP de falsificar assinaturas em recibos de pagamento, era apoiado por outras pessoas no Instituto Chico Mendes. No mesmo parágrafo, o texto dizia que Jonas Augusto e Clênio Jorge eram conhecedores das práticas ocorridas na instituição. A relação entre as afirmações levou os reclamantes a considerar, com razão, que o resultado das sentenças fez com que os leitores entendessem que eles seriam cúmplices de Davi.

Diante do exposto, passo a cumprir com minha parte no acordo. Deixo claro que em nenhum momento acreditei, insinuei ou tentei levar alguém a crer que o possível fato de Jonas Augusto e Clênio Jorge serem conhecedores de algumas supostas irregularidades ocorridas na instituição onde trabalham ou trabalaharam tivesse relação direta ou obrigatória com participação, conivência ou cumplicidade. Considero que uma coisa, não tem, necessariamente, relação com a outra.

Por outro lado, retiro a afirmação que fiz no mesmo texto, de que Clênio Jorge seria uma "espécie de assessor" de Davi Cunha, uma mera dedução minha, que tinha como base apenas as atividades desempenhadas por Clênio no ICM, a quem por várias vezes Davi me autorizou a procurar para me informar melhor sobre assuntos relacionados ao ICM, com fins de divulgação de ações da referida entidade, e não no sentido ou com o objetivo de atar as duas pessoas com laços de cumplicidade ou conluio.

Deusamar, por sua vez, confirmou minhas afirmações e afirmou que em suas declarações não teve o objetivo de acusar Jonas e Clênio de participação ou de serem apoiadores das irregularidades denunciadas na ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público contra Elenira, Davi e Ilzamar. Ela ratificou que eles eram simplesmente conhecedores de algumas irregularidades que ocorriam, assim como todos os demais funcionários do Instituto Chico Mendes.

Satisfeito com o acordo de cavalheiros que colocou fim à pendência, espero, volto a colocar o blog à inteira disposição dos reclamantes, assim como fiz quando da publicação da postagem. A página estará sempre aberta também àqueles que se sintam atingidos pelas opiniões ou informações aqui propagadas. Ou também àqueles que simplesmente não gostem do que aqui publico. Eu mesmo, vez por outra, também me emputeço com as baboseiras que aqui escrevo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A banalização da criminalidade

Antonio Gonçalves

O legislador nacional caminha em desacordo com os anseios da própria sociedade a qual representa, pois o clamor social latente defende um maior endurecimento da legislação penal e, principalmente, no que tange a uma maior penalidade para os criminosos. Foi assim através de movimentos recentes como a mobilização pela lei dos crimes hediondos, a redução da maioridade penal, etc. No entanto, no que concerne o combate às drogas, o mesmo cuidado por parte do legislador ficou à margem.

A Lei n. 11.343, que trouxe modificações recentes a tratativa das drogas, pode ser novamente protagonista de alterações penais no que se trata do tráfico com a apresentação pelo governo de um projeto que irá para votação no Congresso para alterar a pena no que se refere ao pequeno traficante.

O objetivo é que a pena em relação ao pequeno traficante seja convertida em prestação de serviços a comunidade. Da forma atual, a pena ao infrator pode ser reduzida a um mínimo de um ano e oito meses sem possibilidade de comutação.

A justificativa ao projeto é o receio de “contaminação” por parte desse infrator que pode aperfeiçoar seus métodos e, inclusive, aderir ao crime organizado, ou seja, uma forma de preservar o agente de um dano maior.

Entretanto, algumas reflexões sobre o tema são urgentes e necessárias. A primeira delas é a justificativa em si, já que o escopo de comutar a pena para evitar uma maior criminalização caminha na contramão do próprio conceito de ressocialização prisional ao qual o nosso sistema penitenciário é calcado.

A segunda se refere à banalização da própria pena, pois se o governo admite que o sistema prisional atual produz um dano a seus componentes, não se trata de reparar a conduta e devolver o indivíduo ao convívio social após o cumprimento de pena, mas sim apartá-lo em definitivo da sociedade. Em outras palavras: a concessão de uma pena de morte em vida.

Se tal iniciativa for adiante, então é chegado o momento de se oferecer outro projeto para votação: o de esquecer a existência dos presídios, porque estes perderam em completo sua função social.

A função da pena não é diferenciar criminosos bons ou ruins, muito menos extirpar o direto à liberdade, portanto, o projeto de iniciativa do governo fere todos os preceitos que baseiam o próprio sistema penitenciário e não respeitar a isso é o mesmo que não respeitar as próprias leis.

Outra questão que pode ser levantada é em relação aos crimes que acontecem por intermédio de pequenos traficantes. Vemos inúmeros casos na imprensa de pessoas que cometem roubos, furtos e até mesmo matam sob efeito de droga, muitas vezes compradas de pequenos traficantes. É este mesmo traficante que está na porta das escolas, inserindo jovens ao mundo da droga.

A banalização da criminalidade não pode existir num país que se diz em evolução, brada os louros seus avanços, mas também mostra sua pequenez legislativa em lidar com a questão do crime organizado e do combate às drogas. Um verdadeiro retrocesso.

◘ Antonio Gonçalves é advogado, pós-graduado em Direito Tributário e Direito Penal Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas; Direito Penal - Teoria dos Delitos pela Universidade de Salamanca - Espanha; e Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP.

Lenta recuperação de ramais

Alguém do Deracre precisa explicar porque o programa de recuperação de ramais em Xapuri anda a passos de cágado. Pelo menos é isso que tenho escutado de dezenas de produtores rurais com quem converso diariamente durante visitas que fazem à Rádio Educadora 6 de Agosto, onde trabalho.

Segundo as informações de que disponho, as máquinas estão no interior do município, não há falta de combustível para que as mesmas funcionem, muito menos de operadores que as ponham para funcionar, e ainda estamos no período convencionalmente chamado de verão amazônico. Então, qual a explicação para a pachorra?

Fui informado hoje por fonte que exigiu sigilo - não da informação, mas de sua identidade - que o prefeito Ubiracy Vasconcelos anda bastante descontente com a situação dos serviços que estão sendo realizados nos ramais do município que administra. Já teria cobrado pessoalmente explicações para a lentidão aos responsáveis pelo andamento das obras.

O programa de recuperação, abertura e conservação de ramais que está em andamento em Xapuri faz parte dos convênios que foram firmados com o governo do Estado, em junho passado, no valor de R$ 5,5 milhões, dos quais a maior parte é destinada a ações na área de educação. No caso dos ramais, foi assinado termo de cooperação no valor de R$ 845.720,00.

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Na foto acima, o prefeito Bira Vasconcelos assinava os termos de cooperação com o governo do Estado no salão paroquial da Igreja de São Sebastião: dia de festa e esperança em Xapuri com a presença do governador Binho Marques, do ex- governador Jorge Viana e da então senadora petista Marina Silva.

Dia da Animação

Este é o primeiro ano que Xapuri recebe a mostra de filmes de animação, comemorando o Dia Internacional da Animação. O evento, maior do mundo na categoria, vai acontecer este ano simultaneamente em mais de 400 cidades brasileiras.

A mostra, que será apresentada em Xapuri nesta quarta-feira (28), contará com as parcerias do Grupo Fuxico de Contadores de Histórias, Grupo de Teatro Poronga, Museu do Xapury, Movimento Arte na Ruína e Prefeitura Municipal (através da Fundação Municipal de Cultura).

Neste mesmo dia, a mostra de animação contará com a exibição de curtas-metragens de realizadores do Acre, intervenções teatrais e contação de histórias.

Clenes Alves, coordenador da programação local, está ansioso com o evento: “Certamente será um grande sucesso, já que teremos grandes parcerias, além de estudantes dos Cursos de Artes Visuais e Teatro da UAB/UnB e da população em geral, que receberá muito bem as mais recentes criações no gênero da animação”, explicou.

Segue a programação:

28/10/2009

Manhã

Mostra de Filmes educativos da série As aventuras do nosso amiguinho - “De olho no trânsito”, “Peso pesado” e “Vamos pôr a preguiça para correr”.

Local: Museu do Xapury

Rua Cel. Brandão, 156 – Centro

Horário: 9:00h.

Espetáculo/show de humor: Faz-me rir

Grupo de Teatro Poronga de Xapuri

Local: Museu do Xapury

Rua Cel. Brandão, 156 – Centro

Horário: 9:30h

Tarde

Mostra do Documentário do Revelando os Brasis: ‘Arte na Ruína’

do Grupo Arte na Ruína (local).

Local: Museu do Xapury

Rua Cel. Brandão, 156 – Centro

Horário: 15:00h

Contos & Recontos de Xapuri

Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri

Local: Museu do Xapury

Rua Cel. Brandão, 156 – Centro

Horário: 15:20h

Noite

Mostra Oficial – Curtas Brasileiros e Estrangeiros (recomendada para maiores de 16 anos).

Abertura com o Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri

Local: Museu Casa Branca

Endereço:Rua 17 de Novembro, s/n° – Centro

Horário: 19h30min (Horário de Brasília)

Coordenação Local: Clenes Alves

Telefone: (68) 8406-5252

E-mail: clen-alves@hotmail.com

Todos os eventos são com entrada franca.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Energia elétrica confiável?

A assessoria da Eletronorte informa (veja aqui) que Acre e Rondônia passaram a ser interligados ao Sistema Nacional de Energia desde a última sexta-feira, dia 23. Segundo a empresa, a interligação garantirá o fornecimento de energia elétrica confiável e maior segurança no atendimento.

Na prática, até o momento nada mudou. Somente hoje, já somam mais de uma dezena as quedas repentinas de energia em Xapuri. Elas duram poucos segundos. A energia vai embora e retorna imediatamente, não dando tempo para que as pessoas sequer retirem seus aparelhos das tomadas e evitem que os mesmos virem carvão. 

Final do mês chegando, o consumidor vive o suspense da visita do leiturista da Eletroacre e sua maquininha inconveniente. A conta de luz infalivelmente vai consumir boa parte do orçamento do pobre trabalhador. É outra coisa que não entendo: a Eletronorte fala em economia com a troca dos sistemas. Isso não deveria resultar em uma tarifa mais barata para o consumidor?  

Pesca predatória em Xapuri

Apesar do período de proibição da pesca em rios acreanos ainda não ter começado, é um absurdo que as autoridades ambientais do Estado e do município fechem os olhos para a verdadeira agressão ao meio ambiente que está acontecendo nos rios de Xapuri. Pescadores surgidos sabe-se-lá de onde, com farto equipamento, estão promovendo verdadeiros arrastões nos rios Acre e Xapuri, pescando centenas de quilos peixes de variados tamanhos, descartando nos barrancos aqueles que não serão aproveitados.

Tem sido comum carros deixarem a cidade com dezenas de caixas térmicas abarrotadas de pescado sem serem incomodados por ninguém. Numa exceção, na semana passada, pescadores foram abordados pela Polícia Militar e funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente na saída de Xapuri com cerca de duas toneladas de peixes. Apesar de estarem com a documentação do carro irregular e de não portarem a Guia de Transporte Animal, foram liberados sem maiores problemas, segundo o funcionário da secretaria, por possuírem a carteira de pescador.

O principal alvo dos pescadores é o piranambu (Pinirampus pirinampu), que é retirado em larga escala das águas do município. A pesca tem fins comerciais e o destino do produto deve ser países como o Peru, onde o peixe é apreciado pela população. No Brasil, a fama de se alimentar de carne humana de vítimas de afogamento, o que lhe rendeu o apelido de "urubu d'água", faz dele uma das espécies menos procuradas e consumidas, apesar de muita gente não dar atenção para este detalhe.  

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Prefeito maluco beleza é afastado

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O prefeito da cidade de Raposos (MG), João Carlos da Aparecida (PT), foi preso na tarde do último domingo (25), após ser flagrado com três pedras de crack em seu carro, na cidade de Belo Horizonte. Ele foi liberado após prestar depoimento.

O Jornal da Globo informou agora há pouco que João Carlos foi afastado do cargo por 180 dias, em decisão unânime da câmara, que poderá afastá-lo definitivamente. Reincidente, o prefeito petista já havia sido flagrado pela polícia em uma boca-de-fumo.

Sede do Ibama em Xapuri

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Não, isto não é uma chácara. É a sede do antigo escritório do Ibama em Xapuri, localizado à rua João Antônio de Carvalho, que - em razão da presença da instituição no local - passou a ser chamada simplesmente de "Rua do Ibama". O órgão foi desativado no município há quase 20 anos, desde então o prédio está abandonado, assim como, de certa forma, a proteção ao meio ambiente no município.

Na época da desativação do escritório do Ibama, na década de 1990, Xapuri perdeu também as agências do Banco do Brasil e do Banco da Amazônia. O fato foi motivo de revolta e indignação de autoridades locais e população que protestaram contra a saída das instituições e reclamaram o retorno do funcionamento dos órgãos no município por longo tempo.

Durante alguns anos, funcionários públicos foram obrigados a se deslocar mensalmente até o município de Epitaciolândia para receber seus vencimentos. As agências bancárias voltaram a funcionar em Xapuri alguns anos depois. O Banco da Amazônia retornou como posto de atendimento, sendo em seguida elevado à categoria de agência, e o Banco do Brasil retornou em 2005, já como agência bancária.

No ano passado, o superintendente do Ibama no Acre, Anselmo Forneck, anunciou que o núcleo do recém-criado ICMBio responsável por acompanhar as ações na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, seria instalado e inaugurado em Xapuri até o final do ano, ocupando a antiga estrutura já existente, que passaria por adequações para tal.

- Chico Mendes foi o grande idealizador da reserva Chico Mendes. A inauguração da sede reforça a lembrança dos 20 anos sem ele, disse, à época, o superintendente.

O tempo passou e nada do anunciado aconteceu. O velho prédio continua lá. Abandonado, depredado, em meio a um imenso matagal que, vez por outra, é desbastado, enfeiando a cidade e servindo de esconderijo para toda a sorte de insetos e malfeitores.

Sem comentários

Do blog Bragger, do cartunista Braga.

Será que o vendedor acima usa uma geladeira para cozinhar o feijão?

Nílson Mendes ensina ecologia em Xapuri

Usar a floresta com sabedoria. Este é o primeiro mandamento da lei de Nilson Mendes, 47 anos, casado, três filhos, criado com 18 irmãos, quase todos eles seringueiros em Xapuri, a 188 quilômetros de Rio Branco. Uma aula dele faz o leigo entender, por exemplo, porque a temida motosserra também auxilia nos cortes programados de árvores que se renovam nas regiões do Alto e Baixo Acre.

Nilson, primo do líder seringueiro Chico Mendes (assassinado em 1988), é vítima de surdez. Ele aponta a textura das seringueiras e samaúmas ao grupo formado por alemães, funcionários públicos do Acre e jornalistas, contando que tira 15 a 20 litros de látex por dia. Não se descuida um só minuto dos cuidados dedicados às plantas, árvores e insetos. Fala alto:

– Não é bom ir muito longe agora, porque as borboletas estão em transformação. Elas são um pedaço dessa vida saudável que vocês estão vendo.

Leia a reportagem completa do jonalista Montezuma Cruz na Agência Amazônia de Notícias.

domingo, 25 de outubro de 2009

Do blog do Altino

Picolé de cerveja Skol. Não se preocupe, não acusa no bafômetro. O álcool evapora no processo de preparação.

Disse ao Altino que a receita deve fazer sucesso em Xapuri.

- Caxinguba, sugeriu ele.

Impressionante como a frutinha agrada a tanta gente, exceto aos xapurienses com garantia de qualidade, como este blogueiro, é claro.