quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Que Fluminense é esse?

Com 80% de chances de ser rebaixado para a segunda categoria do futebol brasileiro, o Fluminense do atacante Fred (9 gols em 9 jogos) mostra na também secundária competição do futebol sul-americano uma disposição poucas vezes vista na principal divisão do “football” tupiniquim. O time mais amado do Rio de Janeiro é pura raça e vontade de vencer.

A pergunta de todo torcedor apaixonado eu: por que demoramos tanto a jogar bola como estamos fazemos agora? Certamente não estaríamos na zona de rebaixamento e sim almejando posição bem mais honrosa na tabela de classificação ou, quiçá, o próprio título do certame. Esclarecendo mais: não iríamos ocupar o lugar que por direito pertence ao Clube de Regatas Vasco da Gama.

São dez jogos sem perder (sete pelo Brasileirão e três pela competição continental). Na noite desta quarta, o Cerro Portenho do Paraguai foi massacrado pela autoridade tricolor. O magro placar de 1x0 não condisse com a superioridade do time brasileiro. Na próxima quarta-feira, no Maracanã, o Flu joga por um empate para ir à final. O vencedor deste duelo vai encarar River Plate (URU) ou LDU (EQU).

Antes, porém, o time de Cuca terá uma verdadeira decisão pelo Campeonato Brasileiro. No domingo, o adversário será o Atlético-PR, às 19h30m (de Brasília), também no Rio. Hora de voltar à luta para fugir da zona do rebaixamento, torcendo, é claro por tropeços dos adversários diretos na luta pela permanência na elite do futebol nacional. O Flu está a 5 pontos de sair da degola.

Unitaliban

E ainda:

Veja mais no Bragger, do cartunista Braga.

Resgatem dona Francisca Borges

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Eduardo de Souza  

Entre estarrecido, confuso e indignado, li no seu blog o caso da dona Francisca Borges, prestes a perder sua casa por uma multa do Ibama. Fácil de ficar estarrecido, indignado, quando se percebe que essa mulher guerreira, mãe, avó, cidadã, está numa trincheira lutando desesperadamente a mais de 3 anos para manter sua casa, que é simples e, como foi relatado, quase sem móveis no seu interior, mas que abriga 16 pessoas, 16 dignidades a serem respeitadas.

O confuso entra numa área que desconheço, a jurídica. A multa foi aplicada a uma pessoa que já morreu, e de maneira trágica. Já ouvi em algum lugar que mortos não pagam dívidas, muito menos uma dívida desse porte, com tantos agregados sociais. Até onde meus limitadíssimos conhecimentos de Direito vagam, pensei, achei, que a casa era um bem inexpugnável num resgate de dívidas. No resgate de uma multa, então?... Estou enganado, mal informado?...

Peço socorro, em nome de Dona Francisca, as pessoas do Direito, alguém que “pule” dentro da trincheira, onde ela luta valentemente, e lhe ajude a levantar a bandeira da dignidade, acima de tudo.

Falando em bandeira, consta que a casa da Dona Francisca volta para o arremate, no dia 19 de novembro, coincidentemente dia da Bandeira Nacional, dia do nosso pavilhão auriverde. De novo, não quero crer que o simbolismo desse dia, justamente nesse dia, ocasione o atordoamento de uma guerreira, que da sua trincheira, só quer o reconhecimento de sua causa.

Já perdi a crença em muitas coisas nesse país, mas em alguma coisa a gente ainda tem de acreditar. Não quero imaginar que a luta desigual da dona Francisca Borges seja inútil. Quero crer, e muito, que Themis, a deusa da Justiça, vai fazer valer a ponderação e o bom senso.

Eduardo de Souza é cirurgião-dentista e colaborador eventual deste blog.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Apagão de respeito

É absurda a situação do fornecimento de energia elétrica em Xapuri e, pelas informações, de outros municípios acreanos. As constantes quedas de tensão tiram qualquer um do sério. O bairro da Sibéria, no outro lado do rio Acre, por exemplo, ficou por várias horas, nesta terça-feira, com apenas uma fase ligada. Algumas lâmpadas acendem, mas os aparelhos eletrônicos não podem funcionar.

Quandos os problemas que ocasionam falta de energia são locais, como quedas de galhos de árvores sobre a rede elétrica e desligamentos de dispositivos conhecidos popularmente como “canelas”, não há funcionários suficientes para atender a demanda do município. Cerca de 4 pessoas são responsáveis por atender as zonas urbana e rural, o que é humanamente impossível.

É um verdadeiro apagão de respeito com o consumidor, refém de um serviço de péssima qualidade e de um preço elevadíssimo, que é pago pontual e religiosamente. A Eletroacre “pinta e borda” com a população. Quando se atrasa duas faturas, infalivelmente vem o corte, muitas vezes de forma grosseira e constrangedora para os clientes, que para religar a energia têm de pagar uma taxa extra.

Soube que os vereadores de Xapuri estão discutindo uma medida a ser tomada com relação à Eletroacre. Não que nível de ação prática  pode ser atingido pela câmara com relação a este problema, mas alguma coisa precisa ser feita para minimizar o sofrimento da população que adormece e amanhece sob o caos provocado pela precariedade do fornecimento de energia. 

Blecaute sem previsão de solução atinge sete estados (leia no G1). Ainda bem que pelo menos esse não chegou até aqui. Por enquanto.

Família pode perder casa por multa do Ibama

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O professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UNB), Roberto Piscitelli, afirmou certa vez que o Estado brasileiro não tem tradição de cobrar, quando se trata dos grandes devedores, aqueles que têm fortes laços políticos nas diversas instâncias. O estudioso asseverou que "falta disposição política para cobrar as dívidas e a lei se torna inócua ou só é aplicada aos mais fracos".

A observação de Piscitelli se aplica perfeitamente à dramática história da produtora rural Francisca Ferreira Borges, 46, mãe de 14 filhos - dos quais 11 estão vivos - e viúva do também trabalhador rural Raimundo José Borges, assassinado há alguns anos, cujo homicida o Estado ainda não logrou êxito em capturar e aplicar a reprimenda da lei, colocando-o atrás das grades.

Francisca Borges está prestes a perder um dos poucos bens deixados pelo falecido marido: uma casa simples, em estado de conservação ruim e sem quase nenhum móvel em seu interior. A casa é habitada - acredite - por nada menos que 16 pessoas, entre filhos, netos e agregados. A moradia foi levada a leilão na manhã dessa segunda-feira (9), no átrio do Fórum da Comarca de Xapuri, como consequência de execução fiscal cujo credor é o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama.

A tentativa de venda judicial do bem não prosperou, dessa vez, pela ausência de interessados no seu arremate, mas novo leilão ocorrerá no próximo dia 19 de novembro, às 9 horas, no mesmo local. Há mais de três anos, a família vem lutando, através da Defensoria Pública de Xapuri, para evitar a execução, mas os embargos interpostos foram todos julgados improcedentes pela juíza da Vara Cível Zenair Ferreira Bueno Vasquez Arantes.

A dívida da família Borges é decorrente de uma multa aplicada pelo órgão ambiental no valor de R$ 8.173,50 como punição pela derrubada de uma área de mata que Raimundo José havia comprado em meados de 2005. Segundo Francisca, o marido havia adquirido a terra com parte da vegetação já devastada. Derrubou o pouco que restava, plantou milho e depois capim, onde criava algumas poucas reses. Logo chegou o Ibama e o enquadrou pelo conjunto da obra.

Francisca não questiona a legitimidade ou não da multa. Só não quer perder o lar que abriga sua numerosa família. Mesmo sem possuir qualquer instrução formal e sem ter acesso à internet - coisa que ela não sabe o que é - ou mesmo assistir aos programas jornalísticos na televisão, ela sabe que quem tem dinheiro e influência política não costuma pagar multas e muito menos perder seus bens em razão delas.

Única a possuir renda fixa na casa, a mãe de família alimenta as quase duas dezenas de bocas com o que recebe da aposentadoria de viúva e do aluguel de um pequeno prédio comercial que também faz parte do espólio do falecido. Fora ela, apenas duas filhas se dedicam a alguma atividade fora do lar, mas a renda somada de ambas não passa dos R$ 40,00 reais mensais.

Inconformada com a situação, Sebastiana Borges, uma das filhas (de cabeça baixa na foto), faz um apelo para que alguém se sensibilize com o drama de sua família e interceda contra o que ela entende como uma grande injustiça.

"Não compreendo como o governo que divulga que trabalha para que as pessoas tenham sua moradia seja o mesmo que tira a casa de uma família como a nossa, que não possui nenhum recurso. Espero que alguém tome consciência da nossa situação e faça alguma coisa para evitar essa injustiça", desabafou.

Um projeto de lei apresentado recentemente ao Congresso pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) defende o perdão das dívidas dos "povos da floresta". A anistia atingiria ribeirinhos, seringueiros, pescadores e pequenos produtores de todas as multas ambientais por um período de 10 anos.

Segundo a deputada, o projeto é uma tentativa de conter a virulência com que os órgãos ambientais castigam os agricultores familiares. "Sabemos que a repressão fiscal imposta aos pequenos não é adotada contra os grandes depredadores do meio ambiente", defendeu a deputada.

Abaixo, fotos da casa e de parte da família de Raimundo Borges.


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Termo de Intimação e Edital de Leilão















segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Deracre vai apurar denúncias

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O diretor-geral do Deracre, Marcos Alexandre, afirmou à repórter Fernanda Gomes, da Rádio Educadora 6 de Agosto, na manhã desta segunda-feira (9), que vai apurar rigorosamente as denúncias sobre o uso máquinas do órgão para a realização de serviços para terceiros em Xapuri, feitas pelo vereador Selmo Dantas, do PT.

O vereador fotografou um caminhão-caçamba do Deracre despejando barro em uma área de lazer em construção na entrada de Xapuri. O parlamentar já vinha investigando denúncias de que funcionários do órgão estariam fazendo os chamados "bicos" com a estrutura do Estado, como construção de açudes e aradagem de terras, entre outros.

Marcos Alexandre disse que o Deracre é um órgão muito rigoroso com questões como a que foi levantada pelo vereador de Xapuri e que será iniciado imediatamente um processo de apuração. Segundo ele, a equipe interna do órgão já se mobilizou para analisar os fatos apresentados, os servidores serão ouvidos e, caso as suspeitas forem confirmadas, os envolvidos serão responsabilizados. 

- O importante é que se faça uma apuração detalhada com amplo direito de defesa para que não cometamos injustiças. Caso seja confirmado qualquer tipo de desvio a determinação é de que seja aberta sindicância, no caso de funcionários do órgão, com o afastamento dos envolvidos até o fim da apuração, e processo de demissão no caso de colaboradores eventuais.

Sobre a lentidão nos serviços de recuperação de ramais em Xapuri, Marcos Alexandre afirmou que o rigor do período chuvoso tem dificultado o cumprimento das metas estabelecidas pelo programa no município. De acordo com ele, a severidade do regime de chuvas neste ano não permitiu que o Deracre trabalhasse três meses consecutivos, motivo do atraso nos serviços.

- Em 2009, começamos a trabalhar somente em agosto, pois o "verão" demorou muito a chegar este ano, o que atrasou os serviços. Outro problema que o Deracre está enfrentando é a péssima condição dos ramais que, em virtude do rigor do "inverno", estão oferecendo uma adversidade muito maior que a de anos anteriores, afirmou.

Quando assumiu o governo municipal, em janeiro deste ano, o prefeito Ubiracy Vasconcelos encontrou a malha viária do município totalmente impraticável. Para resolver o problema, foi firmado termo de cooperação com o governo do Estado, em junho passado, no valor de R$ 845 mil. De lá para cá, pouca coisa foi feita. E pelo andar da carruagem, com o "inverno" batendo à porta novamente, só para o ano.

Violência

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A violência está tomando dimensões preocupantes em Xapuri. No último fim de semana foi registrado o segundo incêndio criminoso do ano na cidade. Em ambos os casos, as famílias vitimadas pela violência perderam tudo o que tinham e ficaram sem ter onde morar.

No caso mais recente, uma mãe de duas crianças pequenas viu a casa ser reduzida a cinzas por um ex-namorado que se encontra foragido. Ele estaria inconformado com o rompimento da relação. Ela, com medo, pediu para não ter seu nome divulgado aqui.

Em outro caso registrado no fim de semana, um pequeno comerciante agrediu um suposto ladrão a marteladas. O segundo para o hospital, o primeiro para a cadeia sem ter ficado claro que foi vitima ou agressor.

Fato é que a banalização da violência deixou há muito tempo de ser excepcionalidade dos centros mais avançados. Como lá, também aqui, nos grotões onde nos escondemos, a vida deixou de valer muita coisa. E o álcool e a droga sempre estão por trás dos registros.

Máquinas do Deracre fazem "bicos" em Xapuri

Em vez de dar andamento aos trabalhos de recuperação de estradas vicinais em Xapuri, parte das duas patrulhas mecanizadas do Deracre - Departamento de Estradas de Rodagens do Acre - enviada ao município para este fim tem se dedicado a fazer os chamados "bicos" em propriedades particulares em prejuízo do atendimento à coletividade.

De acordo com informações do vereador Selmo Dantas (PT), alguns funcionários do Deracre estão utilizando equipamentos do órgão para fazer serviços particulares como abertura de açudes em propriedades rurais e beneficiamento de trechos de ramais que atendem a interesses de determinadas pessoas em especial, que estariam pagando pelos serviços.

Na última quarta-feira, o vereador flagrou um caminhão-caçamba do Deracre entregando barro em um terreno onde está sendo construída uma área de lazer de propriedade particular localizada na estrada da Borracha, logo na entrada de Xapuri. O parlamentar fez fotos da ação, mas infelizmente não disponibilizou cópias a este blog.

Por telefone, Selmo Dantas disse que as fotografias foram apagadas acidentalmente da câmera após ele ter imprimido algumas como prova do flagrante. Prefiro apostar na boa intenção do vereador de minimizar o desgaste do governo com o caso a acreditar que máquinas fotográficas passaram a ter vontade própria.

Hoje pela manhã, Selmo Dantas informou que fez comunicado dos fatos ao gabinete do governador Binho Marques solicitando providências contra o que vem ocorrendo em Xapuri. Segundo ele, as atitudes são prática de uma minoria dos funcionários que estão operando máquinas no município, e que governo e prefeitura não podem ser prejudicados pela irresponsabilidade desses, que deverão ser rigorosamente punidos.

Dias antes, outro vereador petista já havia chamado atenção para o caso. José Cecílio Evangelista, grande conhecedor da zona rural de Xapuri, confirmou as informações de que os serviços não caminhavam como era esperado pela prefeitura de Xapuri, que firmou termo de cooperação com o governo do Estado, em junho passado, no valor de R$ 845 mil para a recuperação de ramais no interior do município.

domingo, 8 de novembro de 2009

Vivos

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Tarde de domingo, Maracanã com 65 mil torcedores, Fluminense 1x0 Palmeiras com gol do atacante Fred e futebol condizente com a grandeza do clube. Se o time das Laranjeiras tivesse resolvido começar a jogar assim um pouquinho antes, certamente estaria fora da zona de rebaixamento e eu não estaria passando por tamanho sofrimento nos dias de jogos, como hoje.

Porém, apesar de continuar vivo, talvez a reação seja tardia para o tricolor mais charmoso do Brasil. Mas como bem disse o grande Lamartine Babo, autor dos hinos dos principais clubes do Rio de Janeiro, "quem espera sempre alcança" e o Fluminense, "com o verde da esperança",  há de premiar sua imensa torcida com a permanência na elite do futebol brasileiro.

E para não ficar só no Fluminense, esse foi um final de semana especial para o futebol do Rio de Janeiro. Vasco de volta ao seu lugar verdadeiro lugar, Botafogo fugindo da degola e o Flamengo surpreendentemente encostando naqueles que brigam pelo título. O comentário sobre a boa fase carioca é do botafoguense incurável Náder Melo Sarkis:

- Faz muito tempo que não víamos os 4 grandes do Rio somando 12 pontos numa rodada do campeonato brasileiro. Seu tricolor, de tantas histórias, não perde nas últimas 6 rodadas... Torço para que haja tempo pra ficar na série A. Meu glorioso, 9 pontos nos últimos 3 jogos, parece que deixou a degola... Aquele das cores vermelho e preto está com sorte... E o bacalhau está de volta a elite. Andam dizendo que vem querendo muito mais que o acesso. O futebol carioca andou em alta nesse fim de semana, bom pro futebol brasileiro que ganha o charme do melhor futebol do mundo.

Os neocaretas

Luciano Pires

Geysi tem 20 anos, carnes fartas e - suprema arrogância - gosta de si a ponto de usar um vestido vermelho e curto, deixando de fora um bom naco das coxas generosas. E vai vestida assim para a escola, justificando-se:

- Depois da aula vou numa festa.

Convenhamos: não é de bom tom ir à aula de minissaia, qualquer que seja a cor, certo? Pode provocar tumulto. E foi exatamente o que aconteceu neste ano de 2009 do novo milênio. Além de usar a minissaia, Geysi subiu a rampa que dá acesso às salas de aula... E alguém sentiu-se incomodado com o vestido e as coxas da moça e falou para outro alguém, que também se incomodou. Outros alguéns compartilharam da incomodação e começaram a xingar a moça, juntando mais gente e encurralando-a numa sala de aula da universidade Uniban, em São Bernardo, SP.

Foi necessário que a polícia fosse chamada para Geysi ser retirada do local em segurança, vestindo um jaleco branco sobre o vestido escandaloso.

Pelas cenas, calculei que umas 300 pessoas estiveram envolvidas na confusão.

Tenho certeza de que pelo menos 270 estavam no tumulto pelo tumulto. Queriam fazer algazarra, tirar fotos e participar da bagunça. Mas alguns estavam realmente irados e dispostos a dar um corretivo na moça que ousou usar uma minissaia na escola.

O ser humano em grupo é um perigo. Perde o senso do ridículo, o medo, a capacidade de usar a lógica e é capaz de cometer as maiores barbaridades. É assim com as torcidas organizadas, nas brigas na balada, e com aqueles grupos de jovens que destroem os orelhões.

Em grupo, somos irracionais.

E ali, dentro de uma universidade, local que tradicionalmente chama a si a vanguarda pelas "lutas democráticas", assistimos a uma demonstração de intolerância, brutalidade e estupidez como há muito não se via. Provavelmente a maioria dos "defensores da moral e bons costumes" eram garotos e garotas que não veem mal em dançar aqueles funks com letras pornográficas, navegar por sites de sacanagem, dar audiência para a mulher melancia - que mostra o útero em rede nacional de televisão - ou consumir algumas substâncias pra "ficar mais alegre". Essa gente tão liberal ficou zangada com o vestido da Geysi. E decidiu partir para a porrada.

E o Brasil conheceu a versão atualizada dos cara-pintadas: os neocaretas.

Parece que apenas um professor defendeu a garota. Ninguém mais. Até dá para entender: o medo de apanhar pode ter espantado os defensores habituais... Mas e depois? Cadê as declarações estridentes daquelas ONGs que defendem a mulher? Cadê as ameaças daqueles grupos que se mobilizam pelos direitos humanos? Cadê a pastoral do bairro? Ninguém se manifestou. Geysi está só.

Geysi Arruda é a Geni do novo milênio. Mas, diferente da Geni da música de Chico Buarque, não sofre preconceito por ser prostituta. O mal de Geysi é ser loira. Ter olhos claros. Não ser miserável. Não ser negra. Não ser homossexual. Não ser bolsista pelo sistema de cotas.

O pecado de Geysi é não defender alguma bandeira "dos oprimidos".

No Afeganistão, ela teria sido apedrejada.

Ainda chegaremos lá.

Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil, acesse www.lucianopires.com.br.

Nota do blog: A Uniban anunciou, na noite desse sábado (leia), a expulsão da estudante Geysi Villa Nova. A instituição publicou anúncio nas edições deste domingo (8) de alguns dos principais jornais de São Paulo informando que a aluna do curso de turismo Geysi Villa Nova Arruda foi desligada “do quadro discente da instituição, em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”. É mole?

Sobre Castanha-do-Brasil

Comentário de Édson Carneiro no post Incentivo à castanha no Acre:

"O saudoso deputado Geraldo Pereira, com quem muito conversei para aprender da vida, me falou uma vez que o pai dele havia escrito um livro dissertando sobre todos os sub-produtos que se podem extrair da castanha. Infelizmente ele se foi sem que eu tivesse tido a oportunidade de ler tal livro.

Essa exploração é mais que centenária, e ainda não se tem no Brasil uma política voltada para fazer o aproveitamento do produto da "bertolethia excelsa". Nós sabemos que o leite de castanha é fácil de se fazer, bem diferente de seu irmão vegetal "leite de soja" tão propalado, mas que só é feito em grandes indústrias.

Será que ainda há tempo para isso, Raimari? Para essa política, numa época em que tanto se fala em valor agregado, e nós vermos a castanha apodrecendo nos grandes armazéns, ao sabor da cotação do mercado internacional".

sábado, 7 de novembro de 2009

Xapuriense é administrador no DF

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A Agência Brasília, o Jornal de Brasília e o Correio Braziliense destacam a posse do novo administrador da cidade de Samambaia, uma das regiões administrativas de Brasília, o xapuriense Francisco de Assis da Silva, conhecido popularmente como Chicão.

Aqui em Xapuri, segundo a professora Raimunda Euri Gomes Figueiredo, ele era conhecido como "De Assis". Em 1967, foi presidente do Grêmio Litero-Musical Madre Petronila Trinca, fundado pelos alunos do Curso Normal Regional de Xapuri em 5 de Abril de 1956, no Colégio Divina Providência.

Nascido em 1948, De Assis radicou-se na capital federal em 1969, onde se tornou um bem sucedido empresário do ramo da movelaria. Desde 1995 mora em Samambaia, cidade que agora administrará, substituindo a Takane Kiotsuka do Nascimento.

Além de empresário do ramo moveleiro, De Assis também é presidente da Associação Comercial de Samambaia, da Federação Comercial do Distrito Federal e Entorno e vice-presidente setorial da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).

Esta é a primeira vez que o xapuriense assume cargo público. A cerimônia de posse aconteceu na administração da cidade, nessa sexta-feira (6), e contou com a presença do governador José Roberto Arruda e deputados distritais.

Em nome dos xapurienses, o blog parabeniza De Assis pela trajetória vitoriosa como empresário e deseja que o mesmo sucesso seja atingido também na vida pública, área tão carente de valores como os que esse xapuriense tem claramente demonstrado.

Resgate Cutural, o Baile

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Marque presença.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PT reage a Caetano

Cantor comparou a inteligência da senadora Marina Silva à de Obama e chamou Lula de analfabeto e cafona

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Leandro Colon, Estadão, BRASÍLIA

O PT reagiu às declarações do cantor Caetano Veloso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicadas ontem pelo Estado. E não foram só os ataques desferidos contra Lula por um ex-eleitor ilustre que incomodaram os petistas, mas seu apoio à candidatura presidencial da senadora Marina Silva (PV-AC), recém-desfiliada do PT e rival da ministra Dilma Rousseff na corrida presidencial de 2010.

Em entrevista à jornalista Sonia Racy, Caetano anunciou sua opção pela candidatura de Marina. "Não posso deixar de votar nela", disse o cantor. "Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro."

Em Londres, a assessoria de Lula disse ontem que o governo não vai se pronunciar sobre as declarações de Caetano.

Antigo aliado de Marina no Acre, o senador Tião Viana (PT-AC) chamou o cantor de "preconceituoso" por declarar que votará na senadora porque "não é analfabeta como o Lula". "Não é a primeira vez que o Caetano é ofensivo, preconceituoso. Ele passa uma visão elitizada de valores, sobretudo, os culturais", afirmou Viana. "O presidente Lula é um dos homens mais inteligentes do País."

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), desprezou a influência de Caetano como formador de opinião política. "A posição dele não interfere na política. Ele é um compositor, marcou a minha geração, mas é apenas uma opinião política. É a opinião de um brasileiro. A maioria dos brasileiros admira o presidente Lula", afirmou.

Marina evitou entrar na polêmica. Só agradeceu o apoio de Caetano à sua candidatura. "Isso mais do que agrega, congrega. Quero registrar meu agradecimento pela avaliação positiva que Caetano faz do que ele considera minhas qualidades", disse. "Quanto às opiniões dele que envolvem outras pessoas, não gostaria de discuti-las."

Ex-ministro da Educação de Lula e hoje seu opositor, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) condenou os termos usados pelo músico. "Ele foi grosseiro com o presidente. Não é esse o critério que me leva a simpatizar com a Marina. O Caetano foi muito infeliz. O erro do Lula não foi ter pouca instrução formal, mas não ter feito as mudanças necessárias ao País."

A oposição elogiou o discurso eleitoral, mas evitou alimentar a polêmica em torno da expressão "analfabeto". O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), observou que o cantor optou pelo apoio a Marina no primeiro turno, mas sugeriu que conta com ele ao lado dos tucanos no segundo.

"Achei a entrevista deliciosa. Louvo o bom gosto dele. Ele entendeu o espírito da votação em dois turnos. No primeiro turno vai com o coração. Depois, com o que acha melhor entre dois candidatos", afirmou o senador. "Só não concordo quando ele diz que Lula é analfabeto. Faz muito tempo que o presidente não é. Ele tem vivência, conheceu vários países, entende de jargões de economia."

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) elogiou a entrevista de Caetano. "Ele foi verdadeiro. Decepcionou-se com o governo Lula. O que disse foi um desabafo. Ele fala por muita gente."

Baiano como o cantor, o deputado ACM Neto (DEM) optou por não entrar na polêmica. "Baiano que tem juízo não entra na briga de dois titãs."

TWITTER

Marcos Lula - filho mais velho do presidente - também levou o assunto ao seu Twitter. "Não é mal de Caetano, não", escreveu ele. "É mal das besteiras que ele solta sem pensar. Mas isso a Bahia sabe bem." Em outro comentário para seus seguidores, observou: "Sem comparação - população X Caetano - os baianos são maiores que este oportunista barato chamado Caetano!"

Fonte: Estadão.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lamparina e geladeira a querosene

No Acre mudou-se até o fuso horário, mas não se resolve a situação caótica do fornecimento de energia elétrica. Sejam lá quem forem os responsáveis pelos serviços prestados ao consumidor, não existe o menor respeito com quem paga a tarifa estratosférica e os impostos absurdos que incidem sobre ela. Somente nos últimos 10 minutos foram três as interrupções "relâmpago" no fornecimento de energia. Não há paciência nem eletrodomésticos que aguentem.

Podem me chamar de doido pela ideia, mas sugiro que a Eletroacre dispense os consumidores do pagamento das contas de luz enquanto perdurar o caos que tanto atrapalha, aborrece e causa prejuízos a tanta gente. Que cobrem a taxa mínima pelo serviço que não tem qualidade nem garantia ou nos indenizem pelos transtornos causados, que - diga-se de passagem - não são poucos. Não é isso o que ocorre quando compramos um produto defeituoso?

Se a situação continuar como está, se tornará mais viável voltarmos a usar lamparinas e geladeiras a querosene do que lutar contra a afronta dos homens que dão a luz. É engraçado, ainda, que no seu site (da Eletroacre) a empresa divulga avisos de desligamentos programados como se isso trouxesse algum benefício real para os consumidores. Como as quedas acontecem a todo instante, tornam-se desnecessários os comunicados.

Xapuri firma parceria com o Detran

Estruturar e otimizar as atividades das Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans). Este é o principal objetivo das visitas realizadas pelo diretor-geral do Detran/AC, Reginaldo Prates, ao interior do Estado. Durante a semana passada, ele esteve nos municípios para firmar e renovar convênios de cooperação técnica com as prefeituras.

O prefeito de Xapuri, Francisco Ubiracy de Vasconcelos, esteve na capital para assinatura do convênio. O município de Plácido de Castro, por meio do prefeito Paulo César da Silva, também já renovou o convênio.

O Detran irá orientar, supervisar e fiscalizar as atividades executadas, além de equipar o espaço físico com material permanente e de consumo. Por sua vez, compete às prefeituras a cessão e indicação de um servidor do quadro da prefeitura municipal que será treinado pelo Detran para auxiliar nos trabalhos das Ciretrans.

"Com essas parcerias, quem ganha é a população. Pretendemos melhorar a engenharia, a educação e o atendimento para emissão de documentos e outros serviços", disse Prates.

Fonte: Assessoria Detran-Acre.

Polícia

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Um doce para quem adivinhar quem é o bravo soldado da foto.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

'Caso Baiano'

Mais três acusados serão submetidos a Júri Popular no dia 9 de novembro.

O juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, confirmou para o dia 09 de novembro, próxima segunda-feira, o julgamento dos últimos três réus do caso que repercutiu nacionalmente como o crime da motoserra.

Pedro Pascoal Duarte Pinheiro, Aureliano Pascoal Duarte Pinheiro e Amaraldo Uchoa Pinheiro foram denunciados e pronunciados juntamente com Hildebrando Pascoal Nogueira Neto, Adão Libório de Albuquerque, Alex Fernandes Barros (já julgados pelo processo nº 001.99.010284-0), Sete Bandeira Pascoal e Alípio Vicente Ferreira (falecidos) como autores do assassinato do mecânico Agilson Santos Firmino, o "Baiano", crime ocorrido em julho de 1996.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual em novembro de 1999, os réus foram acusados da sessão de tortura que redundou na morte de "Baiano". A denúncia indica que o crime foi praticado mediante a provocação de intenso sofrimento físico à vítima. Ainda vivo, o mecânico teve os olhos perfurados, braços, pernas e pênis amputados com a utilização de uma motosserra, além de um prego cravado na testa, culminando os atos de tortura com vários disparos de arma de fogo contra a cabeça da vítima.

Na próxima semana, precisamente no dia 12 de novembro, acontecerá ainda o julgamento do processo nº 001.99.010318-9, pelo qual Pedro Pascoal também será submetido a Júri Popular pelo assassinato de Wilder Firmino, filho de Agilson Firmino, ocorrida em 30 de julho de 1996.

As informações estão na página do Tribunal de Justiça do Acre na internet.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fuso horário

Câmara aprova realização de referendo no Acre

Claudia Andrade, do UOL Notícias em Brasília

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (3) a realização de um referendo para que a população do Acre decida se é a favor ou contra a mudança que diminuiu de duas para uma hora (a menos) a diferença de fuso horário daquele Estado em relação a Brasília. O decreto foi aprovado pela Câmara por 223 votos a favor, 123 contrários e cinco abstenções. A matéria ainda terá de ser analisada pelo Senado Federal.

A mudança está em vigor desde junho do ano passado e vale também para parte do Amazonas, que tinha duas horas a menos em relação a Brasília. As alterações constam da lei 11.662, que estabeleceu ainda que o Pará - que tinha dois fusos horários - passaria a seguir o horário de Brasília. Com isso, o país passou a ter três fusos horários diferentes, em vez de quatro.

De acordo com o decreto, o referendo deverá ser realizado junto com as eleições e o resultado será determinado por maioria simples.

Em defesa da matéria, o deputado Flaviano Melo (PMDB-AC), autor da proposta, argumentou que a mudança não foi discutida com a população, que teria ficado insatisfeita.

A deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC) manifestou-se contra o decreto. Para ela, os parlamentares deveriam debater questões relacionadas ao desenvolvimento do Estado.

- O que nós queremos é transformar o Acre no melhor lugar para se viver na Amazônia. Esse sim deve ser o debate, não sobre a mudança do fuso horário. Isso pode ficar para um segundo momento.

Celeridade

O juiz xapuriense Edinaldo Muniz dos Santos ganhou as manchetes há alguns meses ao determinar a prisão de um delegado de polícia que mantinha presos ilegais na delegacia de Epitaciolândia, onde o magistrado era titular da comarca (veja aqui).

Desta vez, Edinaldo vai ao noticiário por usar um torpedo de celular para proferir uma sentença e expedir alvará de soltura em caso de prisão por não pagamento de pensão alimentícia. Uma decisão no Acre e talvez uma das primeiras experiências de utilização do recurso na Justiça brasileira.

A sentença foi proferida no feriado da última sexta-feira, dia 30 de outubro, permitindo que o réu fosse colocado em liberdade, após comprovar a quitação da dívida, mesmo com o juiz estando em Rio Branco, a capital do estado.

Em agosto passado, pela primeira vez na história do judiciário acreano, um juiz realizou uma audiência judicial por meio de um telefone celular. Cloves Augusto, titular da 4ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco, extinguiu em três minutos e três segundos um processo que poderia durar anos para ser julgado.

Que bom seria se a modernidade que começa a ser utilizada nas decisões dos magistrados, por meio da utilização de ferramentas tecnológicas, chegasse também às leis arcaicas que vigoram no país, em especial ao Código Penal, que data do ano de 1940.

Motos novas

Na semana passada, o Presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Desembargador Pedro Ranzi, realizou a entrega de sete novas motocicletas (marca Honda, modelo Broz, ano 2010) às Comarcas de Senador Guiomard, Capixaba, Xapuri e Brasiléia.

Em Xapuri, Pedro Ranzi foi recebido pela Juíza da Vara Cível, Zenair Bueno, que juntamente com os servidores da Comarca agradeceu o apoio recebido da Administração do Tribunal.

Os veículos, adquiridos com recursos próprios, integram a política de renovação da frota do Poder Judiciário acreano e serão utilizados nos serviços prestados pela unidade de Protocolo nas diversas Comarcas do Estado.

Fotos: Ascom TJ-Acre.

Isto é uma vergonha

Éden Barros Mota

Estive por dois dias em Xapuri - 30 e 31 de outubro - e me deparei com uma cena deplorável, para não dizer vergonhosa.

Dirigi-me até a casa do saudoso Chico Mendes e verifiquei in loco o que todos me diziam e eu não acreditava. Comprovei que, realmente, a rua Doutor Batista de Moraes e o final da Pio Nazário se encontram intrafegáveis há mais de um ano, ou seja, quem quiser chegar até a ex-residência de Chico Mendes, se for de carro, tem que largar o mesmo a uns 100m e seguir viagem a pé, posto que as ruas não oferecem trafegabilidade.

Gostaria que alguém da Prefeitura de Xapuri desse uma resposta não só para mim, mas principalmente para a população xapuriense e para os turistas que para ali se dirigem.

Em relação a esse episódio, ouvi uma explicação tão vergonhosa quanto o estado em que se encontram as ruas. Informaram-me que a Prefeitura de Xapuri ainda não havia tomado uma providência, visto tratar-se de patrimônio histórico cultural. E eu pergunto: desde quando um patrimônio histórico não pode ser restaurado?

Para adentrarmos nesse tema é importante esclarecermos o que é tombamento.

Vejamos: o tombamento é uma modalidade de intervenção na propriedade privada por meio da qual o Poder Público procura proteger o patrimônio cultural brasileiro.

Quatro são as espécies de tombamento: o voluntário, quando o proprietário consente o tombamento; o compulsório, quando o Poder Público realiza a inscrição do bem como tombado, mesmo diante da resistência e do inconformismo do proprietário; o provisório (que é o caso da Casa de Chico Mendes) enquanto está em curso o processo administrativo instaurado pela notificação do Poder Público e o definitivo, quando depois de concluído o processo, o Poder Público procede à inscrição do bem como tombado, no respectivo registro de tombamento.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN através do DOU – Diário Oficial da União de 13/02/2008, notificou (tombamento provisório) a respeito do tombamento da Casa de Chico Mendes e se seu acervo. Queremos deixar claro, que esta fase de notificação quanto ao processo para tombamento do bem ainda não é conclusiva ou final, uma vez que as fases do processo de tombamento são as seguintes: a) o parecer do órgão técnico cultural; b) a notificação do proprietário, que poderá manifestar-se anuindo com o tombamento ou impugnando a intenção do Poder Público de decretá-lo, c) decisão do Conselho Consultivo da pessoa incumbida do tombamento, após as manifestações dos técnicos e do proprietário; d) possibilidade de interposição de recurso pelo proprietário, contra o tombamento, a ser dirigido ao Presidente da República.

No momento, após pesquisas, verifiquei que a Casa de Chico Mendes ainda não chegou à última fase, qual seja a do tombamento definitivo, encontrando-se, ainda, em fase de notificação. Mesmo nesta fase, há de se ressaltar que o bem já se encontra sob uma proteção legal, desta forma, realmente, sem autorização do órgão competente, não poderá ocorrer qualquer tipo de restauração. Em palavras mais claras, desde que devidamente autorizado, pode sim haver a restauração do bem. Aliás, um dos motivos que levam o tombamento é justamente a proteção do bem.

A afirmação acima se encontra devidamente consubstanciada no Art. 17 do Decreto-Lei n° 25/37 que trata do Patrimônio Artístico Nacional. Assim reza o referido art.: “As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena da multa de cinqüenta por cento do dano causado”.

Já que as imediações da Casa de Chico Mendes são parte provisória do Patrimônio Histórico Nacional e a população de nossa cidade é a mais interessada na conservação de tal bem, o que impede que a Prefeitura de Xapuri ou o próprio governo do Estado do Acre procedam a arrumação da rua, já que dizem ser um obstáculo a questão do tombamento? Resposta: a autorização do órgão competente. Pela forma como tratam do assunto, pelo visto, esta autorização nunca foi pedida, pelo menos foi o que deixaram transparecer. E vou além, tenho a certeza absoluta que o IPHAN não iria em hipótese alguma se opor à restauração, uma vez que o bem estaria sendo conservado.

Enquanto isso, praças, avenidas, parques são construídos em Rio Branco em nome de Chico Mendes e a nossa cidade não recebe nem as migalhas, nem a atenção que o líder sindical queria.

Na administração anterior não se fazia porque os governos municipal e estadual eram opositores. E agora qual a explicação? Particularmente, acredito mais na falta de interesse e na falta de vontade dos administradores ante o próprio desinteresse do povo de Xapuri, que infelizmente se encontra órfão de verdadeiros representantes municipais.

Desta forma, é por demais cômoda a resposta de que não se arrumam ou restauram às Ruas Pio Nazário e Doutor Batista de Moraes em razão da impossibilidade face ao tombamento. É a inoperabilidade devidamente justificada. Isto é uma vergonha!

Éden Barros Mota é xapuriense e escrivão da Polícia Federal.

Nota do blog: No dia 21 de fevereiro do ano passado, a promotora Nelma Araujo Melo Siqueira, da Promotoria de Justiça Especializada em Direitos Difusos e Coletivos de Defesa do Meio Ambiente da Bacia Hidrográfica do Alto Acre, recomendou à prefeitura de Xapuri que fossem suspensos imediatamente os serviços de pavimentação asfáltica das ruas Pio Nazário e Dr. Batista de Moraes (leia aqui). Fato é que os serviços não estavam sendo nem nunca foram realizados nessas ruas.

Na mesma recomendação, a promotora deixava claro que o  município deveria solicitar autorização prévia ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, bem como comunicar ao Ministério Público Estadual e ao Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Cultural para poder realizar a "execução de obras, intervenções, instalação de anúncios ou cartazes na vizinhança da 'Casa Chico Mendes', o que incluia obras de pavimentação de ruas".

Leia o comentário que faço sobre o assunto no post Coisas de Xapuri).

Nos convênios firmados em junho deste ano entre Estado e município de Xapuri constam recursos da ordem de R$ 340 mil para a execução das obras de drenagem da famosa cratera existente na rua Dr. Batista de Moraes - nas proximidades da Casa de Chico Mendes - com tubo de concreto diâmetro de 1.200 milímetros e pavimentação em tijolos de  7.040 m² da mesma via pública.

Recentemente, o prefeito Bira Vasconcelos informou que os serviços não haviam sido iniciados em razão de um outro problema: o embargo das obras de um projeto de saneamento básico do Ministério da Saúde, via Funasa, cujos canos permanecem enterrados em algumas ruas do centro da cidade, entre elas a rua Dr. Batista de Moraes. Com a retomada da obra, tudo indica que em breve os serviços de recuperação da rua Dr. Batista de Moraes terão início.

O prefeito não falou, no entanto, sobre a necessidade de pedir autorização ao Iphan para executar as obras nas proximidades da Casa de Chico Mendes como orienta o Ministério Público.

Leia também: Dinheiro enterrado.

Foto: arquivo do blog.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Saudade, lembrança e abandono

Dia de recordação dos entes queridos que já partiram para outro plano, o feriado de Finados também mostra que, além de lembrança e saudade, a morte pode significar esquecimento de muitos daqueles que já cumpriram com suas missões neste mundo.

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Cemitérios sempre despertaram em mim um sentimento misto de medo e curiosidade. Entrar em um deles remete-me, inevitavelmente, ao pensamento que procuramos manter afastado do rol de nossas principais preocupações em vida. Salutarmente, evitamos pensar na morte mesmo sabendo ser ela a única certeza de nossa existência. Por outro lado, as necrópoles também me despertam o interesse pelas muitas histórias de vidas encerradas em seus túmulos frios e silenciosos. Como e quando viveram, como morreram e o que fizeram por este mundo em que continuamos a dar sequência à vida até que seja chegada a nossa vez.

Essa curiosidade me faz perambular quase que todos os anos por entre as antigas catacumbas e os modernos jazigos construídos pelas famílias mais abastadas financeiramente. É curioso que mesmo após a morte, destino comum a todos os viventes, as pessoas continuam a ser distinguidas pela condição social e econômica. Simples sepulturas, muitas vezes providas apenas de mera cruz de madeira, dividem o espaço com túmulos bem ornados e capelas recobertas de caríssimas peças de mármore e belos epitáfios que denunciam a notoriedade de uns e o anonimato de outros.

Outra realidade que se nota ao visitar o cemitério São José, em Xapuri, é o abandono de vários túmulos, muitos dos quais, de tão antigos, já se encontram quase que completamente destruídos pela ação do tempo. Impossível saber ao certo a razão desse triste abandono que fatalmente culminará com o total desaparecimento  daquilo que certamente representa o último vestígio material da existência e da passagem de um ser humano pela vida. Famílias que deixaram a cidade para viver em locais distantes ou pessoas que vieram de outros lugares para cá e que, ao morrer, não deixarem quem zelasse de sua última morada são algumas das circunstâncias que imagino explicar o esquecimento. 

Entre esses túmulos antigos e abandonados do cemitério de Xapuri, localizei há alguns anos o que resta do mausoléu (fotos acima) de um personagem ilustre da história da cidade. Trata-se do professor cearense Anthero Soares Bezerra, que relevantes serviços prestou à nossa educação nos séculos XIX e XX, motivo pelo qual dá nome a uma das principais escolas da rede estadual de ensino no município. O educador nasceu no distante ano de 1855 e faleceu em 1927, em um dia 25 de dezembro. Voltei ao túmulo do professor neste dia de Finados e constatei que a velha estrutura começa a tombar para um lado ameaçando ruir.

Certa vez, sugeri a um vereador conhecido meu que indicasse ao município a recuperação do mausoléu do professor Anthero Soares Bezerra. Seria o mínimo que se poderia fazer pela memória - quase que perdida - de uma pessoa que, além de haver contribuído sobremaneira com os esforços de progresso e desenvolvimento da cidade, nos honrou em entregar seus restos mortais a esta terra que certamente adotou como sua. Minha sugestão, é claro, não foi ouvida e o tal vereador foi merecidamente sepultado politicamente nas últimas eleições municipais. Penso em voltar a sugerir a providência ao poder público. A morte deve ser razão para saudade e lembrança; jamais para o abandono.

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Nas fotos acima, outros exemplos de túmulos abandonados no cemitério São José, de Xapuri. Um deles serve de canteiro a uma espécie de arbusto que já toma dimensão de árvore frondosa.

Cliquem nas fotos para ampliá-las.

Morte, tema tabu?

Frei Betto

2 de novembro é dia de finados, dos que findaram, os mortos. Será, no futuro, o dia de cada um de nós. Mas quem encara este destino inelutável?

Entre crianças de seis anos de idade convidadas a escrever cartas a Deus, uma delas propôs: “Deus, todo dia nasce muita gente e morre muita gente. O Senhor deveria proibir nascimentos e mortes, e permitir a quem já nasceu viver para sempre”.

Faz sentido. Evitar-se-iam a superpopulação do planeta e o sofrimento de morrer ou ver desaparecer entes queridos. Mas quem garante que, privados da certeza de finitude, essa raça de sobre-humanos não tornaria a nossa convivência uma experiência infernal? Simone de Beauvoir deu a resposta no romance “Todos os homens são mortais”.

É esse ideal de infinitude que fomenta a cultura da imortalidade disseminada pela promissora indústria do elixir da eterna juventude: cosméticos, academias de ginástica, livros de auto-ajuda, cuidados nutricionais, drágeas e produtos naturais que prometem saúde e longevidade. Nada disso é contra-indicado, exceto quando levado à obsessão, que produz anorexia, ou à atitude ridícula de velhos que se envergonham das próprias rugas e se fantasiam de adolescentes.

Conto sete amigos com câncer nos últimos dois anos. Dois, em estado terminal, me chamaram para conversar sobre a morte. Um deles observou: “Outrora, era tabu falar de sexo. Hoje, é falar de morte”. Concordei. A morte era vista como um fenômeno natural, coroamento inevitável da existência. Hoje, é sinônimo de fracasso, quase uma vergonha social.

A morte clandestinizou-se nessa sociedade que incensa a cultura do prolongamento indefinido da vida, da juventude perene, da glamourização da estética corporal. Nem sequer se tem mais o direito de ficar velho. Nós, que já temos acesso ao Estatuto do Idoso, somos tratados por eufemismos que visam a aplacar a “vergonha” da velhice: terceira idade, melhor idade ou, como li na lataria de uma van, “a turma da dign/idade”. A usar eufemismos, sugiro o mais realista: turma da eterna idade, já que estamos próximos a ela.

No tempo de meus avós morria-se em casa, cercado de parentes e amigos, no espaço doméstico impregnado de pessoas e objetos que constituíam a razão de ser da existência do enfermo. Hoje, morre-se no hospital, um lugar estranho, cercado por pessoas – médicos, enfermeiras, auxiliares – cujos nomes ignoramos. A agonia é suprimida pelos avanços da ciência – o coma induzido, a medicação que elimina a dor. Não há quase choro nem vela nem fita amarela. O rito de passagem – unção dos enfermos, luto, missa de 7º dia, proclamas – é quase imperceptível.

“Morrer é fechar os olhos para enxergar melhor”, disse José Martí por ocasião da morte de Marx. As religiões têm respostas às situações limites da condição humana, em especial a morte. Isso é um consolo e uma esperança para quem tem fé. Fora do âmbito religioso, entretanto, a morte é um acidente, não uma decorrência normal da condição humana.

Morre-se abundantemente em filmes e telenovelas, mas não há velório nem enterro. Os personagens são seres descartáveis como as vítimas inclementes do narcotráfico. Ou as figuras virtuais dos jogos eletrônicos que ensinam crianças a matar sem culpa.

A morte é, como frisou Sartre, a mais solitária experiência humana. É a quebra definitiva do ego. Na ótica da fé, o desdobramento do ego no seu contrário: o amor, o ágape, a comunhão com Deus.

A morte nos reduz ao verdadeiro eu, sem os adornos de condição social, nome de família, títulos, propriedades, importância ou conta bancária. É a ruptura de todos os vínculos que nos prendem ao acidental. Os místicos a encaram com tranqüilidade por exercitarem o desapego frente a todos os valores finitos. Cultivam, na subjetividade, valores infinitos. E fazem da vida dom de si – amor. Por isso Teresa de Ávila suspirava: “Morro por não morrer”.

Padre Vieira, cujo quarto centenário de nascimento se comemora este ano, advertia no sermão do 1º domingo do Advento, em 1650: “No nascimento, somos filhos de nossos pais; na ressurreição, seremos filhos de nossas obras”.

Frei Betto é frade dominicano e escritor. Autor de 51 livros, editados no Brasil e no exterior, nasceu em Belo Horizonte (MG). Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia.

domingo, 1 de novembro de 2009

Com amor e com vigor

"O time, desta vez, flechado pelo cupido, adentrará o Mineirão com o imperecível estandarte da paixão. E aí eu sou mais Flu".

A frase acima é do tricolor João Marcelo Garcez, vaticinando no blog do torcedor do Fluminense, no site globoesporte.com, a heroica virada que se traduziria em histórica vitória do Flusão sobre o Cruzeiro, neste domingo, em pleno Mineirão.

Sim, a torcida do Fluminense tem motivos de sobra para dormir feliz esta noite. Apesar do iminente rebaixamento, os apaixonados e fiéis tricolores viram o time mostrar em campo - no segundo tempo do jogo - toda a magia que explica essa enorme paixão.

Mais do que nunca o time mostrou que está vivo e que ainda é possível escapar da degola. Mais do que isso, deixou claro que, apesar da péssima fase, continua a ser o grande Fluminense, "time que orgulha o Brasil retumbante de glórias e vitórias mil".

Como bem escreveu o grande jornalista e escritor tricolor Artur da Távola, ser Fluminense é pelejar, tentar, ousar, crescer, descobrir, viver, saber, vislumbrar, ter curiosidade e construir. É rejeitar abuso, humilhação, manha, soslaio, arrogância, suborno ou hipocrisia.

O post é dedicado ao meu amigo Chico Broca, que neste final de semana, junto comigo, suportou as gozações do vascaíno Sérgio Roberto e os insurportáveis gritos de guerra do também cruzmaltino Melke Carvalho, lá no Ninho do Urubu.

Com amor e com vigor.

sábado, 31 de outubro de 2009

"Não tentem interpretar"

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Trecho de reportagem da revista Veja desta semana:

Por onde se olha na América Latina, há um governante com a ideia fixa de que seus fracassos seriam menos gritantes se só existisse a imprensa oficial. O Brasil vinha sendo a excepcionalidade na região. Agora o próprio presidente Lula está desenhando o que ele imagina ser a imprensa ideal. "Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar", disse Lula há duas semanas. Na quinta-feira passada, ele voltou à carga com o seguinte discurso, direcionado a repórteres que cobriam uma cerimônia que reunia catadores de papel, em São Paulo: "Hoje vocês têm a oportunidade de fazer a matéria da vida de vocês. Se vocês esquecerem a pauta do editor de vocês e se embrenharem no meio dessa gente (…) Publiquem apenas o que eles falarem. Não tentem interpretar".

É espantoso. Lula não lê jornais. Mas quer ensinar como editar jornais. Má notícia, senhor presidente. Ter 80% de popularidade não credencia ninguém a ser repórter ou editor. Não existe jornalismo a favor. Não existe jornalismo feito pelo estado. Não é atributo do Poder Executivo traçar limites para o exercício da imprensa. A liberdade de expressão não pertence ao universo oficial dos gabinetes executivos, não tangencia os planos de governo e não obedece às orientações dos ministérios da propaganda. Seus limites estão estabelecidos na Constituição e eternizados na cultura dos países democráticos. Os próprios leitores e a Justiça punem os jornalistas que ultrapassam os limites éticos.

Chave de cadeia

Se continuar no mesmo ritmo com que vem flagrando e trancafiando indivíduos envolvidos com o tráfico de drogas na cidade, o delegado Pedro Henrique Resende Teixeira Campos será em breve um dos maiores responsáveis pelo aumento da população carcerária no presídio estadual de Rio Branco.

Em menos de um mês no cargo, o novo xerife de Xapuri city já tirou de circulação quase uma dezena de conhecidos integrantes do clube de vendedores de substâncias entorpecentes, entre os quais estão alguns dos principais responsáveis pelo comércio de drogas no município, segundo as investigações policiais.

Enquanto isso, boata-se que começa a ganhar força um movimento que tem por objetivo abreviar a estadia de Resende em Xapuri. Uma lista de assinaturas estaria percorrendo as ruas para se transformar em reivindicação pela saída do delegado da cidade. Cidade esta que tanto clamou pela presença de alguém que enfrentasse a bandidagem e colocasse ordem na casa.

Resta saber quem são os responsáveis pela suposta lista e de que lado estão. Da lei e da ordem ou da bandalheira generalizada que tomou conta de Xapuri. Que interesses defendem e se esses dizem respeito a anseio popular ou atendem a conveniências de pessoas que se sentem prejudicadas pelas ações rigorosas e contínuas que estão sendo colocadas em prática pela polícia.

Antes que me acusem de advogar em favor do delegado, adianto que não teria a menor razão para isso. Pouco o conheço, e se vocação tivesse para bajulador, os últimos que escolheria seriam exatamente aqueles que guardam as chaves da cadeia, ciente que sou de que ao incorrer em delito, não hesitariam em me oferecer estadia no lugar de onde se vê o sol nascer quadrado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Combate à fome

Brasil é líder no combate à fome, diz ONG internacional

Marcelo Torres

Entre os países em desenvolvimento, o Brasil é o que mais tem combatido a fome e a desnutrição, segundo pesquisa desenvolvida pela Action Aid, uma organização não-governamental (ONG) que atua em 40 países no combate à pobreza.

O trabalho, denominado Índices Globais de Alimentação,  elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais de combate a fome a pobreza e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero, a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e a aprovação da Lei de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan).

Os avanços no Brasil são importantes, mas é preciso aprimorá-los ainda mais com uma melhor integração entre os diferentes sistemas de proteção social como saúde (SUS), assistência social (SUAS) e segurança alimentar (SISAN), ressalta Rosana Heringer, coordenadora executiva da ActionAid.

Para a ONG, o Brasil revela "o que pode ser atingido quando o Estado tem recursos e boa vontade para combater a fome". O estudo foi elaborado a partir de pesquisas sobre políticas públicas de combate à fome e à pobreza em 50 países.

O estudo aponta que a estratégia Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome - incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos".

Clique aqui para ter acesso a dados da pesquisa

Incentivo à castanha no Acre

Governo investe R$ 7,2 milhões na cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil no Acre

A cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil, no Acre, termina 2009 fortalecida com a  liberação, por meio de um convênio com o Governo do Estado, de R$ 7,2 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Os recursos serão aplicados no transporte, na armazenagem da Castanha-do-Brasil, na readequação das unidades produtivas e na qualificação do trabalhador extrativista – um dos públicos atendidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Em Brasiléia (AC), nessa quarta-feira (28), foram entregues à Cooperativa Central de Extrativismo do Acre (Cooperacre) e à Associação Rural Libertador – afiliada da Cooperacre –  as chaves de três caminhões. Os veículos vão auxiliar as comunidades extrativistas dos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Assis Brasil na coleta e no transporte da Castanha-do-Brasil.

Atualmente, o Acre responde por mais de 40% da produção nacional do produto (12.358 toneladas/ano). Conforme a política fomentada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, grande parte dessa produção já é beneficiada, o que agrega mais valor ao produto e, consequentemente, maior lucro ao público extrativista, estimado em cinco mil famílias acreanas.

Entre os filiados da Cooperacre estão 25 associações e organizações de trabalhadores. O superintendente da cooperativa, Manoel Monteiro, estima que o bom andamento da atividade no Acre proporcionará a geração de mais 160 postos de trabalho formal na Cooperacre.

Recentemente, a Cooperativa recebeu, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Selo da Agricultura Familiar, concedido, entre outros critérios, às empresas que utilizam na produção pelo menos 51% de matéria-prima advinda da agricultura familiar.

Conquistas

A entrega de caminhões e equipamentos à Cooperacre foi marcada, também, por outro momento comemorativo: a devolução antecipada, e simbólica, de R$ 1.499.999,65 à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O recurso foi concedido à cooperativa por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/modalidade Formação de Estoque). O prazo para quitar o financiamento venceria no próximo dia 30 de novembro, mas foi antecipado para esta quarta-feira (29) pela própria Cooperacre.

A delegada do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Acre (MDA/AC), Tatiana Balzon, ressalta que, ao longo dos últimos anos, o setor extrativista tem conquistado ainda mais a atenção do governo federal, que tem redesenhado as políticas públicas para esse segmento produtivo.

"O interessante desse processo inteiro é que, atualmente, o seringueiro da Amazônia, o extrativista e o ribeirinho estão podendo acessar as políticas da agricultura familiar da mesma forma que o agricultor familiar convencional estabelecido, por exemplo, no Sul do País", comemora Balzon.

Somente no Acre, em seis anos, o MDA investiu cerca de R$ 15,5 milhões na cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil. Esse valor foi destinado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/Formação de Estoques). Como produto da sociobiodiversidade, a castanha está também amparada por outras políticas do MDA, como as redes de comercialização e assistência técnica direcionada.

Tatiana Balzon explica que o apoio de políticas públicas, como o PAA, foram fundamentais para o fortalecimento econômico e produtivo da cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil. "O PAA/Formação de Estoque, que tem recurso do MDA e é operacionalizado pela Conab, foi tão importante para a cadeia da castanha que alterou o preço da lata do produto de R$ 6,50, em 2003, para R$ 12, em 2004. O PAA também foi determinante para extinguir a figura do atravessador e regularizar o preço da castanha no mercado", destaca a delegada do MDA no Acre.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra

A cultura da banalidade

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Luciano Pires

"A afilhada de Rita Cadillac, Cléo Cadillac (foto), será capa da revista Sexy Especial de maio de 2009." Esse era o título de uma das dezenas de mensagens de assessorias de imprensa que recebo diariamente. E chega cada coisa... Existe uma indústria focada no desenvolvimento de conteúdo banal para a imprensa. São fofocas sobre celebridades, tipo: "Fulano de tal faz compras em Punta Del Leste". "Cicrana leva a filha para tomar sorvete". "Beltrano troca beijos com desconhecida"... E assim vai. São dezenas de releases diários que - acreditem - são aproveitados por jornais, revistas e blogs dedicados à cultura do banal.

Pois comecei a colecionar esses releases. E fico imaginando um profissional de jornalismo pesquisando e redigindo essas coisas. Será que ele sente que seu trabalho é uma banalidade? Mas se tem gente que compra, o jornalista está apenas cumprindo sua missão, um trabalho honesto como outro qualquer. E dá-lhe banalidade...

O ensaio fotográfico com a Cléo Cadillac foi realizado em uma loja de carros antigos, tendo como destaque um cadillac modelo 74. Foi o primeiro ensaio nu da dançarina, que colocou silicone, fez lipoaspiração e - atenção - aumentou o bumbum, que passou de 102 para expressivos 122 centímetros! Cléo quer ser a celebridade com o maior bumbum do Brasil. Muito bem. Não sei o que vocês acham, mas pra mim não existe bumbum com 122 centímetros. Com essa metragem é bunda mesmo. Ou lordo, como diz meu pai lá em Bauru. A moça apresenta-se como afilhada da ex-chacrete e atriz pornô Rita Cadillac. Afilhado não é parente, portanto não existe nenhum ascendente genético que explique a abundância. Pouco tempo atrás estourou na mídia a Mulher Melancia, uma dançarina de funk que também tem uma senhora bunda. A Melancia acabou na capa da Playboy, um sucesso estrondoso. Agora vem a Cléo Cadillac. É curiosa essa fixação que nós, brasileiros, temos pela bunda. Mas já escrevi a respeito, quem se lembra?

Não sei não... É implicância minha ou o nivelamento por baixo do repertório cultural dos brasileiros, tem relação com isso? Musiquinhas sem vergonha, pagodeiros de acrílico, sertanejo corno, livrinhos de auto-ajuda, baixarias na televisão... Uma corrente de estudiosos garante que a indústria não induziu o consumo da banalidade, mas nasceu da necessidade, do clamor popular. O povo gosta de baixaria, dá audiência para a baixaria, pede baixaria. Desde que comecei meu combate pela despocotização do Brasil afirmo que o povo, tendo opção, não quer consumir a baixaria. Mas estou começando a mudar de opinião. O povo não é tão ingênuo assim, gosta mesmo é de sacanagem...

Pois quer saber? Acho até que isso é lógico. Se essas porcarias não desenvolvem o cérebro devem estar desenvolvendo as bundas.

Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil, acesse www.lucianopires.com.br.

Entre a ilegalidade e a necessidade

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A prefeitura de Xapuri corre o risco de dar um passo atrás para resolver um dos problemas mais graves da atual administração com relação ao atendimento à população: a crônica falta de médicos nos postos de saúde da cidade. Sem oferta de profissionais com CRM no mercado acreano, o município pode recorrer à usual saída da contratação de médicos sem registro na entidade de classe.

A decisão do prefeito Ubiracy Vasconcelos de não mais contratar profissionais sem registro no Conselho Regional de Medicina, levada a efeito desde o início do mandato, tornou claro o motivo pelo qual as administrações anteriores não abriam mão desse expediente. Médicos com CRM são mais caros e geralmente não vêem com bons olhos a possibilidade de trabalharem em municípios do interior do estado.

Os poucos profissionais que vieram para Xapuri este ano, contratados em parceria com o governo estadual, logo encontraram propostas melhores para atuar na capital ou em outros estados da federação, o que, naturalmente, os fez largar os cargos recém-assumidos. O resultado disso foi a continuidade da deficiência de médicos que se arrasta desde a administração passada.

Outro problema decorrente da falta de médicos nos postos de referência do Programa Saúde da Família é a sobrecarga nos atendimentos ambulatoriais do hospital estadual Epaminondas Jácome. O aumento da demanda na unidade de saúde está fazendo com que as pessoas que procuram o hospital esperem por várias horas para serem atendidas.

Diante da reclamação geral da população por conta da situação, a secretária municipal de saúde, Maria Maciel de Araújo, informa que todos os esforços possíveis estão sendo feitos para normalizar a situação em Xapuri. Junto com o prefeito, ela se reuniu há alguns dias com a direção do Conselho Regional de Medicina, em Rio Branco, para discutir a situação do município.

Sem revelar nomes, Maria Maciel adiantou que estão ocorrendo negociações com pelo menos três médicos, que podem chegar a Xapuri nas próximas semanas. Ela se refere a médicos com registro no CRM-Acre, mas não está descartada a possibilidade serem contrados profissionais sem esse requisito para suprir a imensa necessidade de médicos pela qual passa o município na atualidade.

Entre a ilegalidade e a necessidade, a população certamente opta pela presença de médicos na cidade, independentemente do fato de possuírem registro ou não. O diploma de medicina basta. Assim foi por vários anos, sem que tenham havido problemas maiores que a inaceitável falta de médicos. Alguns profissionais sem CRM, vale lembrar, prestaram excelentes serviços em Xapuri, alcançando grande prestígio junto à população. Exemplo disso é o "Dr. Franz", médico boliviano que hoje atua no município de Acrelândia.