segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Comendo mosca

A postagem que vai lá embaixo sobre a fábrica Natex ser atração turística no Acre carece de uma correção, como reclama o "samurai" Archibaldo Antunes em comentário deselegante que mandei à lixeira. A fábrica, realmente não está aberta à visitação de turistas como a nota publicada pelo site G1 leva o leitor a crer. Apesar disso, o site do Ministério do Turismo afirma (veja aqui) que a indústria de preservativos é atração turística no Acre. Reproduzida pela Agência de Notícias do Acre, a informação serviu de fonte para a barriga do G1. Como não me preocupei em confirmar a informação com Dirley Bersh, diretora da fábrica, admito que comi mosca.

A respeito de Marina

Governador Binho Marques fala, na Agência de Notícias do Acre, sobre convite recebido pela senadora acreana para possível candidatura presidencial pelo Partido Verde:

"A possibilidade de uma candidatura presidencial da senadora Marina Silva foi, para mim, uma notícia surpreendente. Por isto não comentei o assunto com nenhum jornalista e decidi só fazê-lo depois dela tomar e anunciar sua decisão definitiva.

É público que neste final de semana Marina veio ao Acre e teve uma longa conversa comigo e o ex-governador Jorge Viana. Mas nenhum encontro, por mais sincero e produtivo possível, seria suficiente para esgotar um assunto tão relevante, ainda mais com os longos anos de história e luta que une a nós e a tantos outros companheiros, inclusive aqueles que deram a própria vida nessa caminhada, como Chico Mendes.

Ainda esta semana devemos voltar a conversar com a Marina, procurando preservar todas as formas possíveis de encaminhamento da nossa luta, já que nossos propósitos são inseparáveis.

O que posso afirmar é que qualquer decisão da senadora Marina Silva, certamente será fruto de uma opção de vida que merece todo o nosso respeito. Como amigo, companheiro e conhecedor de suas virtudes, serei sempre solidário a ela. Também reconheço sua importância na defesa de uma causa maior, uma causa do mundo.

Como governador do Acre, tenho responsabilidades que não posso descuidar. Nosso Governo vive o seu melhor momento e tem no presidente Lula o apoio decisivo para consolidar novas conquistas para o Acre e, sobretudo, para os acreanos mais pobres.

Minha participação política é construída no coletivo, assegurando a continuidade deste trabalho no Partido dos Trabalhadores e com a Frente Popular do Acre, onde queremos ter sempre a senadora Marina.

A vida às vezes cobra decisões de partir o coração, mas a maturidade é essencial quando se quer fazer o melhor. Marina tem o espírito livre. Sempre terá. Como terá sempre o meu respeito, a minha amizade e o meu amor de irmão".

Binho Marques
Governador do Acre

Assis Brasil: pires na mão

Montezuma Cruz

Tarde calorenta de julho. No apertado gabinete da prefeita Maria Eliane Gadelha Carius (PT), ouve-se um diálogo que retrata a dura realidade de uma cidade com 5,3 mil habitantes, situada num município gigante, com 2.884 km².

– Temos um orçamento de R$ 130 milhões para todos os nossos investimentos na capital e no interior. Não quero onerar em nenhum centavo o seu município, só preciso de um terreno sem declive e livre de inundações – diz o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, desembargador Pedro Ranzi.

– Nossos terrenos são bem situados, são bons. Nenhum vai inundar – garante-lhe a prefeita. Em seguida, promete escolher um, escriturá-lo e transferi-lo para o Poder Judiciário.

Distante 350 quilômetros de Rio Branco, a comarca de Assis Brasil, porta de entrada brasileira para os portos do Oceano Pacífico, no Peru, está sem juiz titular, sem promotor de Justiça e sem delegado de polícia. Há quatro anos um juiz itinerante comparece periodicamente à comarca, mas atende numa sala improvisada, onde simples audiências causam constrangimentos. Não é tudo, para quem reclama a presença da autoridade.

A prefeita parece cansada de tanto esforço para pôr ordem na casa. Maria Eliane é quem toma as rédeas de uma série de situações que competem a outras pessoas:

– Aqui me convocam para tudo, desembargador. Dou conselho a casais, participo de celebrações religiosas, dou palpite no comércio. Já me pediram até para ajudar nos partos – ela desabafa, olhando nos olhos de Ranzi. Acompanhado de três assessores, na conversa descontraída, o desembargador ouve atento o elenco de problemas desfilado pela prefeita.

Lembra o papel da prefeitura na integração étnica na região. Diz que socorre na medida do possível a mais de 1,3 mil indígenas de 13 aldeias. Emenda os assuntos e vai direto ao ponto, identificando outros problemas: a necessidade de localizar pais desertores para reconhecimento de paternidade de filhos; auxiliar na obtenção de aposentadorias, certidões de nascimento; a obtenção de recursos essenciais ao bom funcionamento da saúde pública; e atividades que possam atenuar os drásticos efeitos do narcotráfico internacional.

– É uma situação delicada  – conclui Ranzi.

– Delicadíssima – responde Maria Eliane.

Criado em 1976, o município homenageia o político e diplomata gaúcho Joaquim Francisco de Assis Brasil, ministro da Agricultura até dezembro de 1932. Foi ele quem negociou a compra do Acre do governo boliviano, juntamente com o ministro das Relações Exteriores, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.

Ao sul da cidade, do outro lado do rio, fica cidade de São Pedro de Bolpebra, pertencente ao Departamento de Pando, território boliviano. A um quilômetro a oeste da prefeitura, também ao sul do município, corre o pequeno rio Yaverija, que desemboca na margem direita do rio Acre. Ali fica a cidade peruana de Iñapari. Daí, o ponto tripartite Brasil-Bolívia-Peru determinar a junção de três fronteiras.

Vizinhos obtêm mais recursos

É quase uma luta de David contra Golias, mas ela convoca o presidente do TJ para fazer a sua parte. Ranzi lhe relata o encontro, meia hora antes, com o juiz de direito distrital de Iñapari, Hugo Mendonza. No lado peruano, a Justiça também está concluindo sua sede própria.

Com orçamento anual de R$ 2 milhões, a prefeita lamenta as conseqüências geográficas na formação das suas finanças. "A maior parte dos recursos saem para Brasiléia (fronteiriça a Cobija, cidade boliviana do Departamento de Pando). Aqui, pagamos R$ 500 para o táxi levar o doente em estado grave para o hospital em Rio Branco. E isso é quase toda semana". A população reivindica um hospital regional.

Segundo a prefeita, Brasiléia e Xapuri têm mais apelo com o governo, conseguindo recursos para todos os setores. "Enquanto nós, em Assis Brasil, perdemos para Brasiléia até o monumento da Alma do Bonsucesso", diz.  A alma é a seringueira Raimunda, tida como santa por brasileiros, bolivianos e peruanos. Três nacionalidades creditam milagres à santa, cuja festa religiosa é celebrada a cada 15 de agosto, com romaria até a capela de Bonsucesso, a 32 quilômetros da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri.

Expectativa

O repórter da Agência Amazônia visitou Assis Brasil no dia da visita do presidente do TJ a Assis Brasil e a Iñapari (Na província de Tahuamanu, no Departamento de Madre de Dios). E presenciou a negociação entre a prefeita e o desembargador para que o juiz titular desfrute de instalações adequadas. A prefeita acredita que agora "a coisa anda": a Secretaria Estadual de Segurança Pública já confirmou a nomeação de um delegado.

No meio de notícias ruins, um alento: Assis Brasil está entre os beneficiados pelo Programa Pró-Município do governo estadual. Primeiro estado brasileiro a oferecer educação infantil a crianças de comunidades isoladas em suas próprias residências, o Acre prevê o atendimento a 1,2 mil crianças com idades entre quatro e cinco anos. São moradoras em assentamentos, seringais, margens de rios e unidades de conservação.

Ao participar, no dia 27 de julho, da inauguração de uma casa de farinha no Assentamento Paraguaçu, ela constatou que já tem clientela para esse programa educacional inédito.

Maria Eliane espera que agora a Polícia Federal, a Receita Federal e a combalida Polícia Rodoviária Federal designem agentes para a fronteira. A estrada internacional deve ser aberta para importações e exportações, entre 2010 e 2011. É preciso pressa.

Fonte: Agência Amazônia

domingo, 9 de agosto de 2009

Marina tem potencial para seduzir eleitores de Dilma e Serra

Por Carmen Munari, Reuters/Brasil Online.

A eventual candidatura à Presidência da senadora Marina Silva (PT-AC) pelo PV trouxe frescor ao cenário político nacional e preocupação, principalmente, aos aliados da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), pelo potencial de transferência de votos.

O PV vai além e acredita que a campanha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), líder das sondagens, também será afetada. Um tarimbado analista de pesquisa eleitoral, no entanto, se mostra descrente, classificando a iniciativa de "simbólica".

Ex-ministra que empunha a bandeira da defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, com forte ênfase na Amazônia, Marina Silva tem chance de atrair votos principalmente da classe média informada e preocupada com a preservação ambiental.

Na disputa direta com Dilma, pesaria não apenas sua trajetória política como a disputa pelo voto feminino.

"Ela claramente é um figura com imagem positiva, biografia respeitável e tem entrada em certos setores de esquerda, os mesmos aos quais Dilma se dirige", disse à Reuters o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da UFMG.

Mesmo o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), acredita que Marina corre na mesma raia eleitoral que Dilma.

"Ela tem um perfil mais próximo do eleitor do PT. Se for candidata, estaria mais no nosso campo", previu o deputado. "Não duvido que possa ter esse efeito (tirar votos de Dilma)."

Pesquisa divulgada pelo PV indica que Marina tem, dependendo do cenário de candidatos previsto para 2010, entre 10 e 28 por cento. A sondagem telefônica encomendada ao Ipespe, instituto do sociólogo Antonio Lavareda, entrevistou 2 mil eleitores. Em um embate com Dilma, Serra, o deputado Ciro Gomes (PSB) e a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL), Marina teria 10 por cento.

A decisão da senadora de trocar o PT pelo PV, partido que lhe convidou há duas semanas para disputar a sucessão de 2010, será tomada nos próximos dias, no mais tardar até o fim de agosto, de acordo previsão de integrantes das duas legendas.

Nesse período, ela está conversando com políticos, na maioria petistas do Acre, seu Estado de origem. Ela viajou para Rio Branco nesta sexta-feira e passa o fim de semana em contatos, segundo sua assessoria.

O PT, sigla em que Marina milita há 30 anos, promete tentar convencê-la a não deixar a legenda, mesmo tendo claro que ela está descontente com o partido e com o governo Lula ao afirmar que não há prioridade para a questão ambiental em ambos. A primeira conversa ao vivo com Berzoini deve ser na terça.

Ela já recebeu apelos não apenas de Berzoini, mas do candidato a presidente do partido, José Eduardo Dutra, e do atual secretário-geral, deputado José Eduardo Cardozo (SP).

"Não podemos abrir mão da Marina, mas não podemos obrigá-la a ficar", admite Berzoini. Ele afirma que o projeto do partido para o país inclui a dimensão do meio ambiente, "mas pode estar menos presente do que ela gostaria".

Leonardo Brito, presidente do PT do Acre, nem conta com a saída da companheira. "Não trabalho com a hipótese dela sair. Com 30 anos no PT, ela deve ficar onde tem espaço para o debate do desenvolvimento sustentável", disse.

Marina, de 51 anos e no segundo mandato no Senado, pediu demissão da pasta do Meio Ambiente em maio de 2008 em meio a pressões em torno do licenciamento ambiental de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), comandado por Dilma. A desavença final veio da decisão de Lula de encarregar o então ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) de tocar o projeto de desenvolvimento da Amazônia. Ela havia assumido o posto em 2003.

VERDE

Um dos principais articuladores do convite feito à senadora, o vice-presidente do PV e vereador Alfredo Sirkis, acredita que, com base na pesquisa encomendada pela legenda, a candidatura de Marina incomoda o PT e o PSDB.

"Ela tira votos da ministra (Dilma) porque é mulher e é do PT e do Serra pela classe média progressista que vota nele meio a contra-gosto", avalia.

Sirkis e o deputado Fernando Gabeira já concorreram à sucessão presidencial pelo PV.

A legenda, no entanto, é rachada entre o apoio ao governo Lula no nível nacional e a Serra em São Paulo. "A Marina unifica o PV 100 por cento", avalia Sirkis.

DESCRENÇA

Enquanto Sirkis admite que a pesquisa, por ser telefônica, tem restrições, mas avalia que ainda assim aponta uma tendência, o sociólogo e diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, é descrente dos resultados da sondagem divulgada pelo partido. Duvida ainda da capacidade de a senadora atrair votos dos líderes das sondagens.

"Me surpreendem os números. São altos os números dela (Marina)", disse Coimbra, que comanda o instituto há 25 anos.

Ele argumenta que o melhor cenário atual para Dilma, de 20 por cento, está atrelado à alta exposição da "mãe do PAC", enquanto a senadora, mesmo tendo sido ministra, não tem sua imagem veiculada na mesma proporção. "Acho melhor aguardar outras pesquisas", recomenda.

A não ser haja uma "extraordinária surpresa", diz o especialista, Marina Silva não retirará votos de "maneira significativa" da ministra Dilma. "Deverá ser uma candidatura quase simbólica, como foi a do senador Cristovam Buarque", sentencia. O senador concorreu à Presidência pelo PDT em 2006.

sábado, 8 de agosto de 2009

10 anos do grupo Poronga


O grupo de teatro xapuriense Poronga comemora neste domingo 10 anos de história. Na festa, homenagem à estrela do grupo, Daliana, morta em dezembro de 2006. Em uma década, o Poronga movimentou ativamente a produção cultural no município, realizando oficinas permanentes, contação de histórias e circulação de espetáculos por outros lugares do estado. Clique na imagem acima para visualizar o convite.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Natex é atração turística

Foto: Gleilson Miranda/Agência de Notícias do Acre

Turismo ainda é uma atividade incipiente em Xapuri, mas a Natex, fábrica de preservativos masculinos feitos à base de látex natural, se lança como uma das opções para o crescimento do setor no município. Turistas podem conhecer desde a extração do 'leite' da seringa, nas matas, até a sua transformação em camisinhas. Veja o que diz o Portal G1 sobre o assunto.

Brasil: O grito que vem da Amazônia

"Na contramão da história, o Brasil está devastando sua Amazônia, com uma agressividade inaudita, utilizando uma tecnologia infernal. O último pulmão da terra que causa inveja a todos os povos do mundo, está nas vascas da agonia, agravando a doença do planeta", escrevem Antônio Cechin e Jacques Távora Alfonsin, em artigo que segue:

José Lutzemberger, nosso ecologista maior, através de sua fundação Gaya, localizada no município de Pantano Grande, divulgou entre nós o dado científico levantado por Lovelock, de que o planeta Terra é um ser vivo. O cientista europeu passou a se referir ao planeta, desde então, com o carinhoso nome mitológico de Gaya.

Ninguém mais ignora, hoje, que Gaya está doente, ferida de morte. Lutz, como era também designado pelos íntimos nosso ecologista conterrâneo, certamente foi levado a também “batizar”de Gaya, em Pantano Grande, a cratera a que estava reduzida uma imensa pedreira abandonada. Chamando de Gaya a cicatriz rochosa, Lutz demonstrou que escutara o grito lancinante lançado aos céus pela natureza em revolta. Mais que um grito, esse animal Terra ferido, a partir da Amazônia, último rincão de natureza ainda virgem, repleto de biodiversidade, solta hoje um grito terrificante face às terríveis agressões que recebe do bípede predador por excelência, em que se transformou o homem. É verdade que esse grande defensor da natureza fez restrições equivocadas, segundo nosso ver, aos objetivos e à ação dos agricultores sem terra, mas isso não pode lhe tirar o mérito do pioneirismo com que desbravou, no nosso país, a defesa do meio-ambiente.

O 12º Encontro Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base que acaba de se realizar na Amazônia, foi convocado pela Igreja que está em Porto Velho, capital do Estado de Rondônia, através de seu Pastor, Dom Moacir Grechi. De todos os recantos do país acorreram 3.010 lideranças de Comunidades, mais 2000 pessoas envolvidas nas equipes de serviço, perfazendo um total de mais de 5 mil pessoas. De 1975, ano do primeiro Encontro Nacional, este 12º de 2009 é o que conseguiu reunir maior quantidade de participantes populares das CEBs, mau grado as quase infinitas distâncias desse país continente.

O lema do Encontro foi: “Do ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia!” “Põe GRITO nisso aí” exclamam em coro hoje, os ecologistas do mundo. Esse lema que deu o mote para a grande convocação do POVO DE DEUS das eclesíolas de base, foi secundado à perfeição pelo tema: Ecologia e Missão.

O objetivo do Encontro era trazer para a Amazônia a representatividade de toda a Igreja da Libertação do Brasil. Sabemos que somente duas instituições nacionais cobrem absolutamente todo o território brasileiro, não sobrando sequer um metro quadrado sob o qual não tenham jurisdição: a Igreja Católica e o exército brasileiro. Estiveram presentes quase todas as 272 dioceses do Brasil. As 3010 lideranças que estiveram em Porto Velho eram leigos (povão), sendo 1.234 mulheres e 940 homens. Pela primeira vez, uma maioria constituída de mulheres. Já aqui enxergamos o avanço acontecido. No início da Caminhada das CEBs, ainda imperava muito machismo, fazendo com que dificilmente o homem deixasse a mulher sair sozinha para longas distâncias. Através do método educativo das CEBs avançou a mulher em seu esforço de emancipação feminina.

Além dos leigos, 197 religiosas, 41 religiosos irmãos, 331 sacerdotes, 56 bispos dos quais um da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, além de pastores, pastoras e fiéis dessa Igreja; da Igreja Metodista, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e da Igreja Unida de Cristo do Japão. Nada menos que 38 nações indígenas representadas, além de irmãos e irmãs de 9 países da América Latina e Caribe, cinco da Europa, um da África, outro da Ásia e da América do Norte. Muitos jovens e de múltiplas organizações. Foi um sucesso em termos de macro-ecumenismo.

Além de trazer toda a Igreja da Libertação do Brasil, também a finalidade era a constatação in loco, do grande grito de infinita dor da Amazônia, devastada a ferro e fogo. Esse objetivo de conscientização totalmente ecológica, também foi plenamente atingido. Por isso o Encontro foi espraiado ao máximo. Visitamos muitos rios, igarapés, muitas matas, comunidades indígenas, de quilombolas, de seringueiros, de ribeirinhos, de posseiros, de migrantes do campo e da cidade. Todos foram imbuídos de sumo cuidado - os que vínham de fora da Amazônia - para abrir bem olhos e ouvidos a fim de poderem voltar para seus pagos como doutores em Amazônia, em condições de converter os sofrimentos dos povos da floresta, em preocupação de todos os brasileiros sem exceção. Fazer eco ao grito imenso que é reprodução do grito do povo escravo do Egito que, como escrito na Bíblia, foi escutado por Deus desde o sétimo céu, e também foi grito final de Cristo na Cruz antes de entregar seu Espírito nos braços de seu Pai.

Entre tantas andanças, com mais de 50 ônibus diariamente à disposição, os participantes foram para uma liturgia penitencial a 18 quilômetros de Porto Velho, onde está sendo construída a famigerada hidroelétrica de Santo Antônio, junto ao rio Madeira. Mais a juzante será também local de mais uma: a do Jirau. Que profanação “batizar” esse aborto da moderna tecnologia, com o nome do Santo mais querido do povo brasileiro. Deve-se esse nome à igreja de Santo Antônio, uma das mais antigas de Porto Velho, construída no contraforte da usina em construção.

Saltando dos ônibus na coxilha em que está a igrejinha, ao deparar com a cratera à frente, deu vontade a todos, de chorar de indignação. Imaginavam estar vendo o que terá sido a bomba atômica sobre Hiroshima ou Nagasaki. Aterros e mais aterros, ao lado de paredões de pedra e concreto. Uma azáfama de tratores e caçambas indo e vindo. As mais de 3000 pessoas recém-chegadas foram descendo até o rio Madeira, imenso caudal de águas, agora bem próximo, já transposto em seu novo leito, para o outro lado da montanha à nossa frente, bem ao fundo, no horizonte.. Mas aqui pertinho, no pedaço de leito em que as águas já não correm mais, imensas pedras cobertas de limo. Havia aqui uma linda cachoeira. Do grande poço que restou, um cheiro fétido da quantidade de animais aquáticos mortos. A mídia nos informara que, quando da transposição, neste pedaço de rio desviado, pela preocupação de ação “ecologicamente” correta, haviam extraído 15 toneladas de peixes. Mera propaganda. O fedor se encarregou de escancarar a verdade sobre a tragédia da morte de peixes que aconteceu.

Estavam todos iniciando a liturgia penitencial quando lá ao longe, em cima do trecho em que a usina geradora de energia vai ser construída, um enorme estrondo fez estremecer a terra. Nada menos que uma linha reta do solo, medindo uns 300 ou 400 metros de comprimento, se ergue lançando material para o ar em meio a uma coluna de poeira. Essa fumaceira demorou mais de hora para se esvair no espaço, levada pela brisa amena que soprava. À direita do estrago “atômico”, a beleza da paisagem aquática e florestal, com navios indo e vindo, de uma margem a outra, carregando materiais de todo tipo.

Na contramão da história, o Brasil está devastando sua Amazônia, com uma agressividade inaudita, utilizando uma tecnologia infernal. O último pulmão da terra que causa inveja a todos os povos do mundo, está nas vascas da agonia, agravando a doença do planeta.

Em outro momento da Missão, um dia inteirinho com mais 50 companheiros, em uma Comunidade Extrativista. As famílias de seringueiros relataram a história da borracha no Brasil. Destacaram o grande surto desenvolvimentista, quando os nordestinos foram premidos pelos exército brasileiro a mando dos Estados Unidos a abandonar seus rincões de origem, para se transformarem em soldados da borracha, particularmente durante as duas últimas grandes guerras mundiais, em condições de total escravidão. Depois quando os próprios americanos do norte levaram as sementes de seringueiras para a Ásia, como naquele continente a borracha ficou muito mais barata, a decadência econômica que sobreveio sobre toda a Amazônia. Nesses tempos que são os últimos, está acontecendo um verdadeiro assalto dos sequiosos de lucro fácil por capitalistas do sul do país: gaúchos, paulistas ou paranaenses, chamados todos pelos povos da floresta pelo genérico de “paulistanos”, que estão invadindo rios, campos, florestas, etc. A exuberante natureza se reduz a desmatamentos, grandes criações de gado, plantações infinitas de soja, garimpo, etc. etc.

Porém o Povo de Deus que está na Base não se entrega. Através das Comunidades Ecológicas de Base, Chico Mendes, o mártir organizador dos povos da floresta, especialmente índios e seringueiros, inventou os Empates que estão na ordem do dia até hoje. A Comunidade da Seringa teatralizou para todos a realização de um EMPATE. Quando gente com motosserra se anuncia ao longe, a quilômetros de distância, o povo de Deus se articula rapidamente, com umas 20 a 30 pessoas no mínimo. Munido de alguma garrucha ou arma de caça, vai em direção ao lugar em que ronca a ferramenta desmatadora. O grosso da caravana segue unida, e um que outro, por duas outras frentes. Chegam até os derrubadores e “mãos ao alto!”gritam em coro. Dependendo da reação, às vezes também é necessário um tiro para o alto. Vão até os 2 ou 3 trabalhadores de motosserra e mandam soltar ao chão a máquina derrubadora.

Se não soltam, começa imediatamente o diálogo: “sabemos que é o ganha-pão de vocês... vocês são tão pobres quanto nós... porém nós, para sobreviver necessitamos da floresta em pé... nós não vamos prejudicar vocês... queremos o bem de vocês tanto quanto o nosso... Prometemos que vamos até o patrão de vocês, todos juntos, para defende-los, dizendo que fomos nós que os impedimos de desmatar...”

Se ainda não largaram ao chão a motosserra, ainda há um recurso quase infalível: um da Comunidade sugere: ”Companheiros, vamos pedir a Deus que ilumine nossos irmãos para que entendam a necessidade de atender nossas colocações”. Juntos rezam um Pai Nosso. Não raro, os das motosserras, para rezar, das cócoras em que estavam para o manuseio da motosserra enfiada na árvore, se levantam para rezar juntos, e instintivamente colocam a ferramenta no chão. Aí, sorrateiramente, um dos seringueiros que veio para o empate, por detrás, sem ser visto, recolhe a ferramenta. Todos juntos então, em cortejo, caminham à procura do patrão ou coronel para a negociação. Na maioria dos empates, do patrão, a negociação acaba no INCRA e aí, geralmente os seringueiros esbarram no fato de que a papelada dos desmatadores está totalmente “em ordem”. Sim, mas que tipo de ordem? Sabemos como impera a corrupção aí onde não funciona o poder judiciário.

Nosso José Lutzemberger, quando soube da invenção do empate por Chico Mendes, foi até Xapuri, cidade do Acre em que o seringueiro morava e convenceu-o a fazer-lhe companhia numa viagem. Lutz, com o herói-mártir a tiracolo, seguiu para Washington. Os dois lograram convencer o Banco Mundial para não emprestar mais dinheiro para empresas desmatadoras.

Concluindo: Assim como aqui no Rio Grande do Sul as Comunidades Eclesiais de Base – Povo de Deus – pariram o Movimento dos Sem Terra, exatamente no dia 7 de setembro de 1979 com a ocupação da Fazenda Macáli em Ronda Alata, Chico Mendes e Marina Silva, à frente das Comunidades Eclesiais de Base da Amazônia, pariram os Movimentos Populares dos Povos da Floresta, particularmente Índios e Seringueiros. Aqui são os assentamentos da Reforma Agrária a caminho, e lá são as Reservas Extrativistas.

Confirmam-se as palavras de Maria, a mãe de Jesus, em seu canto de ação de graças, quando entoa: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Saciou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias”. Também enche-se de razão Gustavo Gutierrez o criador da Teologia da Libertação quando assim intitula um de seus livros: “A força histórica dos pobres.”

Até parece que o poeta modernista Mário de Andrade, um dos corifeus da ”Semana de arte moderna” em São Paulo, que revolucionou nossa cultura brasileira, descreveu antecipadamente como se deu o processo de conversão realizado pelo o 12º Encontro com a seguinte poesia:

DESCOBRIMENTO

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De sopetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido.
com o livro palerma olhando para mim.

Não vê que me lembrei que lá no norte, meu Deus!
Muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

Antônio Cechin, participou do 12o. Encontro Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base, realizado, recentemente, em Porto Velho, RO.

Antonio Cechin é irmão marista, miltante dos movimentos sociais. Jacques Távora Alfonsin é advogado do MST e procurador do Estado do Rio Grande do Sul aposentado.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

"Não é festa, é revolução"

Era madrugada de 6 de agosto de 1902 quando o gaúcho José Plácido de Castro tomava de assalto, junto com um punhado de seringueiros, a Mariscal Sucre do intendente Juan Dios Barrientos, dando início a um dos mais importantes capítulos da história do Acre e do Brasil, a Revolução Acreana, que tornou brasileiro este pedaço de chão.

107 anos passados, a cidade onde nasceu a Revolução Acreana ainda não alcançou na realidade prática o mesmo nível de importância que lhe atribui a história e a luta daqueles que, desde os primeiros instantes do Acre brasileiro, deram suor e sangue por este rincão. Xapuri, como há muito tempo acontece, luta para alcançar o lugar de destaque que sua fama sugere.

A prefeitura realiza, no período da tarde, programação alusiva à data tão importante para a cidade, mas que tem sido seguidamente esquecida no decorrer dos últimos anos. Artistas de teatro encenarão a "Tomada da Casa Branca", apesar de a história dizer que a antiga intendência boliviana jamais ocupou aquele lugar.

"Não é festa, é revolução", respondeu o caudilho gaúcho a Barrientos, que creditava à festa de 6 de agosto, data nacional da Bolívia, o burburinho causado momentos antes de sua rendição. Para ele, era "temprano para la fiesta". Atualmente, parece tardar cada vez mais a última das revoluções, a do progresso e do desenvolvimento do "Berço da Revolução".

Berzoini tenta evitar que Marina Silva deixe o PT

Paulo de Tarso Lyra, Valor Econômico

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que não existem razões para que a senadora Marina Silva (PT-AC) deixe o partido para filiar-se ao Partido Verde (PV).

Marina vem sendo assediada pelo PV, que com ela já manteve uma reunião de quatro horas para analisar resultados de uma pesquisa apontando a senadora com 10% a 14% de intenção de voto para presidente da República em 2010, em diferentes cenários.

Berzoini disse não ter conversado ainda com a senadora, mas que ela é muito importante para a história do partido. " Ela é fundadora do PT, um símbolo nas lutas ao lado de Chico Mendes " , recordou.

Para Berzoini, Marina é importante não apenas para o PT, mas para o Acre. " Ela foi fundamental para que o Acre deixasse de ser dominado pelo crime organizado e passasse a ser um Estado onde a democracia virou uma regra " , elogiou o presidente petista, numa demonstração de que a eventual candidatura da senadora à Presidência preocupa o partido. " Espero que ela reflita sobre isso antes de tomar uma decisão " .

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), considera natural que o PV queira articular uma aliança com os aliados, mas acha pouco factível que Marina aceite deixar o partido para rumar em uma candidatura presidencial por outra legenda. " Ela precisará examinar sua consciência e pesar bem antes de tomar uma decisão como esta " .

Marina desgastou-se muito durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente, comprando brigas com vários companheiros de Esplanada, incluindo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes e a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, para quem perdeu todas as batalhas. Para Vaccarezza, contudo, Marina não pode alegar decepção com o governo para tomar alguma decisão.

" Ela ficou seis dos oito anos do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É co-responsável por qualquer decisão tomada ao longo deste tempo " .

Para o líder do PT na Câmara, a decepção poderia ser um argumento se ela tivesse ficado um, dois, três meses no cargo. " Mas ela ficou 75% do mandato do presidente Lula " , frisou o deputado. Berzoini foi bem mais polido, afirmando ser natural a divergência interna. " Eu fui companheiro de Ministério de Marina. Sei que ela vai ponderar isto no momento oportuno " .

Sobre possíveis divergências partidárias - há quem alegue que Marina disputa espaço político estadual com os irmãos Jorge e Tião Viana, respectivamente ex-governador e atual senador acreanos pelo PT -, Berzoini afirmou que os embates internos são uma característica marcante no partido. " Sabemos que esta é uma realidade em qualquer legenda. O PT tem o costume de expor mais estas divergências, mas não vejo nada que justifique um pedido de desfiliação de Marina " .

A senadora não se manifestou sobre o assunto. Ela viajou a São Paulo para participar da abertura do Congresso da CUT. Por intermédio da assessoria, contudo, veio apenas a confirmação do encontro com a Executiva Nacional do PV, na quarta-feira passada e a informação de que ela " avalia convite feito pelo partido aliado " .

Não existe definição de quando a senadora acreana responderá, mas, pelo cronograma eleitoral, se ela quiser mudar de legenda para disputar em 2010 terá que fazê-lo até o início de outubro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Deu em O Globo

Marina Silva pode deixar PT

De Isabel Braga:

Como recebeu o convite do Partido Verde?

A Executiva veio a Brasília, fez o convite dentro da atualização programática, à luz do desafio do desenvolvimento sustentável. Obviamente ouvi mais do que falei. Ninguém tinha a expectativa de que eu pudesse dar uma resposta de imediato. Tenho 30 anos no PT, minha filha mais velha tem 28 anos; antes de ser mãe eu já era do PT. Falei que iria pensar, conversar com pessoas, a começar pelos meus companheiros do Acre, e é o que estou fazendo. Estou avaliando à luz dos desafios que são os mais importantes para o Brasil, dentro da perspectiva do que sempre acreditei e defendi na minha vida.

O convite balançou a senhora?

Não é questão de balançar ou não. Aos 51 anos, você tem que pensar naquilo que é a contribuição que pode estar deixando. É isso que me mobiliza. Não sou política profissional, não faço cálculos. No Senado é a forma que tenho de continuar com as causas em que acredito.

Não teria espaço para isso dentro do PT?

A questão de desenvolvimento sustentável é um desafio enfrentado por todos os países e economias. Lamentavelmente, ao longo desses anos todos, os partidos políticos não levaram isso como algo estratégico. Não é algo que não está em apenas um partido, não está em nenhum. Não se trata de crítica (ao PT). No Brasil já avançamos no marco regulatório, temos que colocar em prática.

A defesa do presidente Sarney pelo governo Lula pode influenciar sua decisão?

Não. Estou fazendo uma reflexão do que penso para o mundo e para o país. Envolve algo de natureza maior, ainda que as questões ligadas à conjuntura e que se traduzem na crise do Senado têm levado a questionamentos. Nesse caso, a bancada tem uma posição e as disputas feitas são legítimas. A bancada tem sido muito acolhedora comigo, tanto no caso da MP 458 (regularização fundiária) e agora em relação ao afastamento do presidente Sarney.

O PV diz ter pesquisa em que a senhora aparece com 12% das intenções de voto para presidente da República. Isso pesa na decisão? Será candidata?

Não estou condicionando minha reflexão a questões de pesquisa, em absoluto. É uma reflexão com uma visão de país, de mundo.

Com quem a senhora conversou depois do convite?

Liguei para o (Aloizio) Mercadante, para comunicar o convite. Ficamos de conversar. Falei com o (Eduardo) Suplicy, com o Binho (Marques, governador do Acre), com o Jorge Viana. Tenho nos companheiros uma trajetória de vida.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Raimundo Melo

Morreu nesta quarta-feira, em Rio Branco, aos 77 anos de idade, o servidor público federal aposentado Raimundo Francisco de Melo, pioneiro no serviço de radiodifusão e radiotelegrafia em Xapuri. Ele foi o criador da “Raimelo”, emissora de caráter comunitário que animava as noites da cidade após as missas de domingo, na década de 60. Melo foi também candidato a prefeito de Xapuri no ano de 1986, presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB – no município e membro da Loja Maçônica Bandeirantes do Acre Nº 01, onde seu corpo está sendo velado. O sepultamento ocorrerá nesta quinta-feira, às 17 horas, no cemitério São José, nesta cidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Porte de armas

Secretaria de Segurança acata recomendação do MPF

Altino Machado

A secretária de Segurança Márcia Regina acatou uma recomendação do Ministério Público Federal. Está na edição do Diário Oficial do Estado desta terça-feira a portaria que estabelece normas de segurança pública relacionadas ao ingresso e à permanência de pessoas com porte autorizado de armas em eventos públicos.

Desde 2004 um decreto federal restringe o porte de armas de fogo em locais públicos, tais como igrejas, escolas, estádios desportivos, clubes, agências bancárias ou outros locais onde haja aglomeração de pessoas em virtude de eventos de qualquer natureza.

A Secretaria de Segurança decidiu que, nos eventos realizados em ambientes fechados ou com revista pessoal para o ingresso, deverá ser disponibilizado, pela organização do evento, local adequado à guarda das armas dos detentores de porte de arma para defesa pessoal.

A guarda das armas deverá ser precedida do preenchimento de documento de identificação do portador e da arma, no qual serão consignadas todas as características essenciais, bem como informações relativas à quantidade de munição existente. Os locais de guarda das armas deverão ser dotados de sistema de segurança.

A restrição não se aplica aos integrantes das Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícias Civis, Polícias Militares e Corpos de Bombeiros.A secretária revogou a portaria nº 1.035, de 4 de outubro de 2007, que proibia a entrada de qualquer pessoa, inclusive policiais, portando arma, em locais que promovam eventos culturais, esportivos ou artísticos.

A portaria gerava conflitos entre a Polícia Federal e a Polícia Militar, além de abertura de procedimentos de persecução criminal. Ela podia ser considerada crime de usurpação da função pública porque não cabe à Secretaria de Segurança Pública regulamentar porte de arma de agentes públicos ou autoridades federais.Que tudo isso sirva para conter a crescente violência no Acre.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Certificação de Unidades Produtivas

Miriane Teles, Assessoria Sismat

Valmir Aquino, filho de seringueiro, tem uma colocação há oito anos em um assentamento em Xapuri. A propriedade com 40 hectares tem produção diversificada e sustentável de frutos, madeira legal e seringa. Suas terras estão inclusas no Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Floresta.

Na última sexta-feira, técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, da Secretaria Municipal de Xapuri e representantes da Câmara de Vereadores se reuniram na propriedade de Aquino para apresentar a Política de Valorização do Ativo Ambiental, enfocando o programa de Certificação de Unidades Produtivas. A intenção é apresentar o programa para a comunidade e os benefícios que o plano pode oferecer para os pequenos produtores do estado.

A Certificação de Unidades Produtivas é um programa que compõe a Política de Valorização do Ativo Ambiental. Ele tem sua execução a longo prazo, na qual o produtor faz uma adesão voluntária e à medida que implementa em sua propriedade práticas sustentáveis se certifica nos níveis: básico, intermediário e pleno. A Certificação valoriza o produto, dá alternativas ao produtor, assim como apoio técnico, o que garante que o governo beneficie com políticas públicas e, consequentemente, gere melhoria da qualidade de vida.

"Nós viemos até aqui, porque a propriedade do seu Valmir a nível de município é uma referência, enquanto os moradores do entorno estão criando gado e tendo roçados, ele está enriquecendo capoeiras e trabalhando com adubos orgânicos. Um exemplo que mostra claramente que dá para manter os recursos naturais e produzir. Um exemplo bem orientado pode fazer a diferença em uma região" explica o técnico do departamento de Difusão Ambiental da Sema, Adriano Santos.

Além de apresentar a política, os técnicos conheceram a propriedade e opções produtivas que podem vir a ser desenvolvidas naquele terreno em particular. E então houve uma troca de experiências entre as práticas do produtor, as técnicas da equipe e as possibilidades das políticas públicas.

"Eu não conhecia a política de valorização do ativo, e eu vi que me cadastrando ao programa de certificação vou ter benefícios" afirma o produtor. Com o interesse da localidade, os técnicos vão dar continuidade à demanda, fazendo um trabalho em adjunto.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O frei, a floresta e o reino da Dinamarca

Jorge Viana

O mundo inspira novos ares, ou pelo menos tenta se inspirar para a busca de algo novo no Reino da Dinamarca. É que o concerto das nações já vive as preparações da Conferência do Clima em Copenhague. Ou a 15 Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontece em dezembro próximo para consolidar um novo acordo mundial em substituição ao Protocolo de Kyoto.

Rumo a Copenhague, cada um se prepara como deve e pode. Em abril passado, 175 nações se reuniram em Bonn, Alemanha, abrindo oficialmente as discussões e deixando claro que a restrição das emissões de gases estufa terá o maior destaque na agenda. Antes, no fim de janeiro, o Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, já colocava em questão a justiça climática. E lembrando que Tolstoi avisava a quem interessasse ser universal para falar da sua própria aldeia, um encontro com frei Leonardo Boff no Acre me faz recordar quanto o Brasil pode contribuir para a conquista de um acordo climático mais avançado em Copenhague.

Desta vez Leonardo Boff veio ao Acre proferir palestra sobre ética e ecologia. Em Rio Branco, fui vê-lo falar para um teatro repleto de pessoas de todas as idades. Confesso que me emocionei ao vê-lo do alto de seus 70 anos de idade falando com a mesma vitalidade de 30 anos atrás. Mais que lembranças, isso me recobrou toda esperança que o frei Leonardo ajudou minha geração a descobrir na juventude.

Aqui se diz que quem bebe água do Rio Acre sempre volta. Nos anos 80 Leonardo Boff navegou pelas águas do Acre e do Purus, conduzido pelo quase santo padre Paolino Baldassarri para beber sabedoria na fonte dos ribeirinhos acreanos. Então ele fez questão de reencontrar algumas amizades daquela época, quando ele e seu irmão Clodovis, a convite do bispo D. Moacyr Grechi, ajudaram na criação e multiplicação das Comunidades Eclesiais de Base, que deram vida ao forte movimento social na floresta e contribuíram para o surgimento de lideranças hoje globais como Chico Mendes e Marina Silva.

Leonardo Boff é um dos poucos intelectuais brasileiros que sabem porque a temática ambiental, muito antes de ganhar o mundo, já pautava o movimento social do Acre. Claro que, quase 30 anos atrás, a ecologia não tinha a formulação complexa de hoje em dia, com as mudanças climáticas e o aquecimento global assustando a todos. Mas é de Chico Mendes o pioneirismo da defesa da floresta para os povos que nela habitam, raiz da idéia de justiça social com sustentabilidade que hoje justifica as teses ambientalistas mais avançadas em todo o planeta. E foi a seringueira Marina Silva, chegando por mérito ao Senado e ao Ministério do Meio Ambiente, quem, com apoio do presidente Lula, transformou em políticas públicas a valorização das florestas e a redução das emissões provenientes das derrubadas e queimadas, levando o Brasil a fazer a parte que lhe cabe para as metas de Kyoto.

Há muito da sabedoria dos povos da floresta no alerta profético de Leonardo Boff para que o mundo mude seus padrões de consumo sob pena de esgotamento dos recursos de que a Mãe Terra dispõe e oferece. Reencontrá-lo no Acre, 30 anos depois dos primeiros encontros, falando com a mesma vitalidade para a nossa nova juventude, é renovar nossa esperança, é confirmar a necessidade de resistir, é dizer de novo da precisão de navegar.

Tenho orgulho de pertencer a uma geração de acreanos que entendeu que defender a floresta era nosso jeito de ajudar na construção de um mundo melhor para todos. Quando chegamos ao governo, trocamos a frieza do verbo "administrar" pelo compromisso do verbo "cuidar", e a florestania como forma de promover a sustentabilidade holística nas dimensões ambiental, econômica, social, cultural, política e ética.

Frei Leonardo Boff contribui para isso, então acredito que ele também possa contribuir para que essa nova juventude encontre o seu jeito de melhorar o mundo. Acho isso muito importante, porque tenho viajado por muitos países e visto o vazio de sentido na vida dos jovens, principalmente nos países mais desenvolvidos, onde até o número de suicídios entre jovens é algo assustador. E se a história universal ensina que a juventude se alimenta de causas, também acredito que a defesa do planeta é a única ideia capaz de motivar os jovens nesses tempos de tantos conflitos e saturação das perspectivas individuais.

Gosto de ver Leonardo Boff vindo encontrar nossa juventude e fico feliz que ele tenha no Acre uma de suas fontes de inspiração, logo ele que compreende e faz compreender com tanta clareza as torturas que sofre e as curas por que clama a Mãe Terra. Isso nos remete novamente a Tolstoi e à universalidade das nossas aldeias. Para se qualificar no debate das mudanças climáticas, o Brasil precisa agregar os conhecimentos dos povos da floresta à sua participação na Conferência do Clima em Copenhague. Só assim pode ajudar o mundo a respirar algo de novo no reino da Dinamarca.

Jorge Viana foi prefeito de Rio Branco (1993-1996) e governador do Acre (1999-2006).

Fonte: jornal O Globo

domingo, 26 de julho de 2009

Nunca é tarde para ler romances de amor

Romar Belling

Poucas paisagens talvez sejam tão impenetráveis à imaginação humana quanto a da Amazônia. Não bastasse o gigantismo natural da floresta, com seus segredos e seu pouco caso em relação a tudo o que o homem queira chamar de dominado, há a questão óbvia do difícil acesso. E por difícil acesso compreenda-se a própria tentativa de nomear, em língua padrão, o que nem sempre é nomeável, remetendo, de algum modo, ao instante fundador, quando navegantes precisavam encontrar parâmetro a fim de explicar ao destinatário (no assim dito mundo civilizado) o que, afinal, havia sido visto em terras estranhas.

Com a Amazônia ainda é assim. Por mais que o ser humano, em sua tentativa de aproximação, tenha avançado pelas bordas da floresta, afugentando paisagens e habitantes, ela permanece incógnita. E se para botânicos, aventureiros, viajantes, especialistas de todas as áreas, descrever ou entender esse colosso verde tem sido desafio dos mais hercúleos, não seria tarefa menor na literatura.

Até para a imaginação algumas coisas têm limites, e isso depois de o homem ter zanzado pelo universo nas asas da ficção científica. A Amazônia (como os confins dos oceanos) ainda apavora. Poucos escritores, mesmo dentre aqueles que têm a floresta no sangue, sentiram-SE encorajados a tomá-la como tema. O amazonense Márcio Souza está entre eles. Fala da Amazônia para um Brasil que, em vertigem, permanece um tanto distante daquele que constitui seu maior patrimônio natural.

Mas é conveniente render-se a outro autor, estrangeiro, a fim de embeber-se na magia amazônica. A sugestão, nesse caso, é o chileno Luis Sepúlveda (foto). A via de contato? Nada menos que uma pequena novela, de leitura rápida, e que convidará a várias (sempre enriquecedoras) releituras. Um Velho Que Lia Romances de Amor (Ática, 94 p.) começa como se imagina que deva principiar uma jornada Amazônia adentro: tateando, com respeito, pincelando a alma com a imponência da selva do lado equatoriano. E não poderia ser mais apropriado o ponto de partida: o vilarejo de El Idilio.

Uma citação real do livro é o seringueiro Chico Mendes, de quem Sepúlveda foi amigo. Como lembra na apresentação, em dezembro de 1988, na mesma época em que a novela estava sendo lida pelo Júri no Prêmio Tigre Juan, em Oviedo, na Espanha (e que afinal recebeu), o ambientalista era assassinado em Xapuri, no Acre. A circunstância fez com que o autor dedicasse a obra a Chico Mendes. No campo político, o escritor foi (e ainda é) militante: integrava, por exemplo, a guarda pessoal do presidente Salvador Allende quando da deposição deste, em setembro de 1973. Mais do que dono de privilegiada imaginação, Sepúlveda detém outro mérito nesses tempos atuais: em se tratando de história, como se diz, ele é testemunha. Esteve lá.

O AMOR É UMA LEITURA O universo no qual mergulham os personagens de Um Velho que Lia Romances de Amor, liderados pelo soturno Antonio José Bolívar Proaño (o velho), não admite arrogâncias, requer não menos que entrega absoluta. Isso significa: familiaridade com a solidão, com a desesperança, com o desencanto em relação à devastação ambiental na maior riqueza natural do planeta e em relação à aridez do coração humano.

Ao ingressar na floresta, como lembra Sepúlveda, nas malhas de seu fazer literário, é preciso começar tudo de novo. O contato com o mundo exterior fará cada vez menos sentido, perderá completamente as bases. A sutileza da obra está justamente no fato de que a transição, a mediação, o último refúgio de integridade entre esses dois mundos se dará pela via da leitura.

É lá nos confins da Amazônia que um velho, para preservar seu afeto e sua identidade, começa simplesmente a ler. E lendo, preenche lacunas (de amor, de ternura, de esperança) que, no contexto, nada mais poderia recuperar, e que a civilização há muito havia sufocado. É, sem dúvida, uma maravilhosa metáfora que revela o poder da leitura na massa da própria literatura (espécie de espelho de múltiplos reflexos).

E o que é mais significativo: justamente num ambiente onde, ao que tudo indica, a leitura de nada parece servir na prática. Mas é por ela que se resiste. Onde houver um leitor, sobrevive (renasce, revigora-se) aquilo que remete ao inabarcável, ao imponderável, ao indomável, à floresta de desejos, de medos e de sentimentos que, no final das contas, cresce em cada um de nós.

Trecho

“Como fazia parte do primeiro turno, o velho apanhou a lamparina.
Seu companheiro de vigília o olhava, perplexo, percorrer com a lupa os signos ordenados no livro.
– É verdade que você sabe ler, compadre?
– Um pouco.
– E o que está lendo?
– Um romance. Mas fique quieto. Se você fala a chama se move, e as letras ficam dançando.
O outro se afastou para não incomodar, mas era tal a atenção que o velho dispensava ao livro que não suportou ficar à margem.
– De que trata?
– Do amor.
Diante da resposta do velho, o outro se aproximou com renovado interesse.
– Não me goze. Com fêmeas ricas, fogosas?
O velho fechou o livro de repente, fazendo vacilar a chama da lamparina.
– Não. Trata-se de outro amor. Do que dói.
O homem ficou decepcionado.”

Natural de Ovalle, no Chile, Luis Sepúlveda está em vias de completar 60 anos em 4 de outubro. Reside em Gijón, na Espanha. Um Velho que Lia Romances de Amor foi lançado no Brasil pela Ática, em 1993. Em 2005, ganhou o selo da Relume-Dumará (132 p.). A ele seguiram-se Mundo do Fim do Mundo (145 p.), de 1997, e Diário de um Killer Sentimental (125 p.), de 2006, ambos pela Relume-Dumará.

Fonte: A Gazeta do Sul

sábado, 25 de julho de 2009

Cantinho do "Ai, ai, ai"



O espírito de seu França, o "Ai, ai, ai", histórico torcedor do time do América de Xapuri, falecido na década de 80, deve ter estado no estádio Álvaro Felício Abraão na tarde deste sábado. Lá daquele cantinho onde sempre estava nos dias de jogo, próximo a um dos corners do campo, certamente viu o esporte que ele tanto amou voltar a respirar em Xapuri. Viu também ressurgir o seu América, a equipe mais tradicional do município, que chegou a ser abandonada assim como abandonado esteve o esporte local nos últimos anos.

Para dar início ao resgate do campeonato xapuriense, com a realização do torneio início neste sábado, a prefeitura fez, com aprovação da câmara de vereadores, um investimento de R$ 12 mil, que foram distribuídos entre as equipes da primeira e da segunda divisão, e de cerca de R$ 15 mil, que foram utilizados na restruturação do estádio, que hoje está equipado com banheiros para o público, rampa de acesso a cadeirantes e novos bancos de reserva e espaço reservado para o trabalho do quarto árbitro.



Com a bola rolando, a equipe da Amax - Associação dos Militares e Amigos de Xapuri - levou a melhor. Venceu a equipe do Nova Aliança pelo placar de 1x0 e levou a taça do torneio início do campeonato da primeira divisão, que terá a participação de 6 equipes. Neste domingo, será realizado o torneio início da segunda divisão, com 12 equipes. Na foto acima, o goleiro Leônidas Badaró, do Limoeiro, sofrendo gol de pênalty. Abaixo, a equipe campeã deste sábado. Os campeonatos começam no próximo final de semana.



Clique nas fotos para ampliar.

Chico Mendes "super-star"

É comum nos dias de hoje que muitas pessoas que não comungam dos ideais defendidos em vida pelo sindicalista Chico Mendes tentem gratuitamente desqualificar sua biografia, tachando-o de produto da mídia e até mesmo de seringueiro preguiçoso. Sempre que publico algo a respeito do herói que deu sua vida para salvar o Acre da sanha criminosa dos que queriam a todo custo acabar com a floresta, recebo comentários que procuram negar a Chico Mendes assim como alguns fanáticos tentam negar o holocausto.

Eis que o grande João Garrinha me envia um recorte de jornal com uma nota publicada no dia 10 de março de 1988 - 9 meses antes do assassinato de Chico - no jornal O Rio Branco, assinada pelo saudoso jornalista e advogado Aloísio Maia, que também não comungava dos ideiais do sindicalista, mas que sabia da importância do homem e da causa que ele rompeu fronteiras para defender. Vai, a seguir, a íntegra do texto que deixa claro que Chico Mendes não precisava ter morrido para ter reconhecida a sua importância para o Brasil.

Chico Mendes "super-star"

"Se o professor José Mastrângelo fizer uma pesquisa de opinião pública para sabermos qual o acreano mais importante nos dias de hoje, tenho certeza que o Chico Mendes ganhará disparado o primeiro lugar.

Temos acreanos importantes espalhados pelo Brasil e até mesmo pelo mundo afora, como o Dr. Adib Jatene, Dr. Miguel Ferrante, Senador Jarbas Passarinho, jornalista Armando Nogueira, idem Edílson Martins, o cantor e compositor Sérgio Souto, uma cantora na Europa - a Nazaré Pereira - e tantos outros, cujos nomes não me ocorrem no momento. Mas Chico Mendes é o nosso "super-star".

O nome de Francisco Mendes, seringueiro de Xapuri, um dos pioneiros na defesa dos direitos do homem do campo, das matas, dos índios e da ecologia, ganhou dimensão internacional. Jornais das Américas e da Europa divulgam o nome de Chico Mendes, com respeitosa referência aos trabalhos desenvolvidos por ele.

Organizações internacionais convidam o Chico Mendes para reuniões e simpósios, e no ano passado, o próprio asfaltamento da BR-364 (trecho Porto Velho-Rio Branco), poderia ter sido interrompido, com a suspensão dos repasses dos recursos estrangeiros, se o Chico Mendes botasse o dedo em cima.

E qual a arma, a força do Chico Mendes? Humildade, apenas humildade, alicerçada no devotado amor a uma causa. Um idealista autêntico.

Há cerca de 4 anos, na redação de O Rio Branco, encontrei os jornalistas Luiz Carlos Moreira Jorge e o escritor José Chalub Leite lendo uma carta assinada pelo Chico Mendes. Eles me mostraram a carta: "uma denúncia contra um fazendeiro que tinha proibido a passagem de burros de carga por um determinado varadouro. Um seringueiro não obedeceu e os empregados do fazendeiro impediram a passagem do seringueiro, espancando o burro!"

Eu perguntei: - Vocês vão publicar? Eles não responderam, mas no outro dia a notícia estava publicada com destaque no jornal.

Desde então passei a observar o Chico Mendes, chegando à conclusão que ele é um dos raríssimos "idealistas autênticos" que temos aqui. E se o professor Mastrângelo fizer a pesquisa, o Chico Mendes será o nosso "super-star".

Pessoalmente, não comungo dos ideais do Chico Mendes, mas, nos dias de hoje, com a institucionalização da corrupção, com a dignidade político-administrativa nos últimos arquejos - ele é ou não é um "super-star"?

Suspeita de gripe suína em Xapuri

Uma estudante de 18 anos está hospitalizada no hospital Epaminondas Jácome com sintomas semelhantes aos relatados em pacientes de gripe A. Recém-chegada de uma viagem a Brasília, onde participou de um congresso, a jovem está sendo acompanhada como caso suspeito da nova gripe. A direção do hospital informou que todas as medidas indicadas para um caso como esse já foram tomadas e que uma equipe da vigilância epidemiológica estadual estaria se dirigindo a Xapuri para acompanhar de perto a ocorrência. 

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Juiz impede Fetacre de intervir no STR de Xapuri

A intenção da Fetacre - Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Acre - de intervir no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri sofreu um revés na tarde desta sexta-feira. O Juiz Federal do Trabalho Substituto da Vara de Epitaciolândia, Patrick Menezes Colares, indeferiu ação impetrada pela entidade com o objetivo de garantir a realização da eleição de uma junta diretora para administrar o sindicato por um período de seis meses, marcada para o próximo domingo, dia 26.

O juiz do trabalho concluiu que a Fetacre não possui legitimidade para intervir em eleição de ente sindical de primeiro grau. De acordo com o despacho do magistrado, o próprio estatuto da Fetacre não prevê qualquer forma de intervenção nas filiadas, exceto a possibilidade de suspensão ou exclusão de seus quadros. A Federação tenta intervir no Sindicato de Xapuri por não reconhecer a reeleição da sindicalista Dercy Teles de Carvalho Cunha, ocorrida no dia 30 de maio deste ano.

No último sábado, dia 18 de julho, em Assembléia Geral Extraordinária, a reeleição de Dercy foi ratificada por mais de 100 trabalhadores rurais. Na mesma assembléia, foi reformado o estatuto da entidade que permitia dupla interpretação quanto à norma usual de ter direito a voto apenas os associados em dias com suas contribuições. Durante o último processo eleitoral, a chapa opositora à Dercy conseguiu na justiça a garantia de voto aos sócios inadimplentes, decisão que causou polêmica e tumulto no dia da eleição.

Associados adimplentes e inadimplentes votaram em urnas separadas e Dercy Teles venceu em ambas. A partir daí uma verdadeira guerra pela direção do Sindicato se iniciou. A chapa perdedora recorreu à Fetacre com base em uma obscura decisão da comissão eleitoral responsável pelo processo de escolha da nova direção anulando o resultado final da eleição sob a alegação de fraude. Dercy Teles ajuizou ação na justiça do trabalho exigindo que o presidente da comissão, Aldenor Ferreira, apresentasse provas da ocorrência de fraude registrada em ata. Na primeira audiência, Aldenor não se apresentou.

A presidente da Fetacre, Maria Sebastiana Oliveira de Miranda, ainda não se pronunciou sobre a decisão do juiz, mas autorizou o encaminhamento de nota à Rádio Educadora 6 de Agosto cancelando a divulgação do edital de convocação para a assembléia do próximo domingo. Segundo Edmilson Araújo, que me enviou a nota da Fetacre por e-mail, Maria Sebastiana estava na tarde desta sexta-feira participando de um encontro no município de Plácido de Castro, com o telefone "fora de área de serviço".

Por telefone, agora há pouco, Dercy Teles comemorou a decisão do juiz.

- Deus está do lado dos justos. Tenho sido vítima de muitas perseguições por causa do trabalho em defesa dos interesses dos trabalhadores rurais de Xapuri. Nos últimos dias, fui levianamente acusada de incentivar a pecuária na Reserva Extrativista Chico Mendes e de eu mesma ser pecuarista na área, sendo que nem na área da Reserva eu vivo, e cabeça de gado, não possuo nenhuma, desabafou ela.

Heliporto em Xapuri

Um jornalista de nome Roberto Mancuzo, da cidade de Presidente Prudente (SP), em excursão pela Amazônia passou por Xapuri neste mês de julho e registrou em seu blog as seguintes baboseiras:

Sobre Chico Mendes:

"O homem é praticamente um mito, que se criou logo após sua morte em 1988 e foi logo tomado de assalto pela cultura midiática. Fez-se uma imagem tão forte, que sua história de luta sindical contra a exploração ecoou pelo mundo. Mas também, como muitos outros personagens midiáticos (Che Guevara é o caso mais famoso) é contestado. Para muitas pessoas, a boa imagem do seringueiro, símbolo de resistência à exploração econômica predatória, mártir e que fez o mundo olhar para este pedaço do Brasil, não é assim tão perfeita".

Sobre Xapuri:

"Fato é que Xapuri entrou no mapa após a morte dele e tenta sobreviver disso, a partir dos turistas que visitam o local (20 a 30 por dia e 40 aos finais de semana). Um detalhe: apesar da miséria, por conta de turistas estrangeiros e políticos que gostam de aliar seu nome com o do Chico Mendes, a cidade tem um pequeno aeroporto e até um heliporto..."

Comentário: Ora bolas, Mancuzo... Se o próprio Cristo foi contestado, imagine Chico Mendes, um homem comum, seringueiro, dono de qualidades e defeitos como qualquer humano, mas que foi, sim, verdadeiramente um símbolo de resistência por ter tido a coragem que poucos na história do Brasil se atreveram a ter, dando sua vida por uma causa.  Quanto a Xapuri, acho que a coisa mais sensata que conseguiu dizer foi que a cidade possui um Heliporto. Só faltou informar onde mesmo está localizado. Aqui, ninguém sabe.

Florestania às avessas

Isac Guimarães

O acompanhamento do processo conflituoso que vem marcando a eleição para a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais-STR de Xapuri – trabalhadores em grande parte ocupantes da Reserva Extrativista Chico Mendes – tornou imperativa alguma forma de participação que viesse, minimamente, a tornar públicos os processos atualmente em curso no município onde viveu, lutou e morreu Chico Mendes. O propósito é, evidentemente, contribuir na tarefa de chamar atenção para a gritante e escandalosa contradição que tem marcado a atuação do Governo do Estado do Acre no que diz respeito à alegada valorização dos trabalhadores da floresta e ao fortalecimento de suas atividades, bem como ao modelo de desenvolvimento posto em prática, apontado como sustentável.

Enfatizo a contradição porque é, para dizer o mínimo, contraditório um grupo político construir toda uma estrutura de poder apoiado numa reclamada tradição de luta dos movimentos sociais de seringueiros, capitalizar politicamente a imagem e as vozes de lideranças como Chico Mendes e dizer que os princípios e valores que regem tal estrutura de poder são os mesmos desses movimentos, ao passo que a prática mostra exatamente o contrário. Como é possível ser herdeiro de uma experiência e, ao mesmo tempo, envidar todos os esforços para confinar, aniquilar, isolar, quando já não foi possível cooptar o que resta de suas manifestações e de seus agentes, como vem acontecendo com Dercy Teles e Osmarino Amâncio? Como se tem visto, é exatamente isso que vem ocorrendo, o que nos alerta para o elevado grau de cinismo a que chegou a comunicação política naquele estado. Aliás, como sabemos, isso não é exclusividade do Acre que, na verdade, segue a trilha de uma longa tradição nacional de cinismo na comunicação política (independentemente ou, para dizer melhor, contrariamente ao que ocorre na prática) o que, por sua vez, é indissociável das bases autoritárias de nossa formação sociopolítica. E por que a ênfase na comunicação política? O que seria a tão propagandeada florestania senão uma grande arquitetura discursiva construída pelo marketing político e pela propagada através de uma difusão midiática massiva apoiada no rigoroso controle dos meios de comunicação locais?

Mas voltando ao sindicato e às lideranças hoje perseguidas e isoladas no contexto do Governo da Floresta (denominação oficial adotada no governo do Acre), é fundamental nos perguntarmos sobre o porquê de tamanha discrepância entre discurso e práticas. Que interesses tão fortes estariam em jogo? A resposta pode estar justamente no modelo de desenvolvimento que se busca consolidar e que essas lideranças, fieis aos princípios que pautaram sua luta nesses últimos 30 anos, se recusam a legitimar por entenderem não ser o melhor para os trabalhadores e para a conservação da floresta, da qual dependem sua existência, a permanência de suas atividades e evidentemente sua identidade como sujeitos e como trabalhadores. Parece ser exatamente este o ponto chave de toda a disputa e das manobras covardes que vêm ocorrendo em Xapuri. Contrariamente ao que se possa imaginar sobre a importância de um simples sindicato de trabalhadores rurais no interior de um estado do interior do Brasil (de acordo com um comentário que li um dia desses num blog da Amazônia), o STR de Xapuri é de importância estratégica. No contexto dessa disputa por legitimidade do modelo embalado como sustentável, o sindicato dos trabalhadores de Xapuri é um instrumento dos mais convenientes: primeiro pelo que representa enquanto marco histórico da luta dos seringueiros daquele município contra o desenvolvimentismo calcado na madeira e na pecuária, nos governos da ditadura. Dispor do sindicato forneceria aos atuais agentes do poder estatal e econômico – de maneira enviesada, evidentemente – aquela relação com a herança dos movimentos que ninguém mais consegue perceber e que está cada vez mais difícil sustentar em público. Porém a serventia maior dessa entidade está no fato não só de permitir maior facilidade na atribuição de falas convenientes a ícones como Chico Mendes, por exemplo, mas no fato de poder dispor do “apoio” legitimador dos sujeitos que hoje ainda vivem e trabalham na floresta. Apoio este que, além de eliminar certos embaraços políticos, facilitaria a exploração madeireira implantada via políticas públicas como carro chefe desse projeto dentro das Reservas Extrativistas, numa dinâmica em que o próprio seringueiro tende a se tornar o madeireiro.

Com se vê, o STR de Xapuri (assim como o da vizinha Brasiléia) não é um “simples sindicato” e suas lideranças atuais – esses, sim, contemporâneos e companheiros de Chico Mendes – são ameaça ao projeto oficial, pois são os poucos representantes ainda atuantes daqueles sujeitos que figuram como objeto das falas oficiais presentes no discurso da florestania, mas que nele recusam se enquadrar.

Como uma das principais testemunhas das disputas aqui mencionadas, seria proveitoso tornar pública uma fala (áudio) de Dercy Teles feita no primeiro Simpósio de Linguagens e Identidades da Amazônia Sul Ocidental, realizado na Universidade Federal do Acre. Numa das programações constava uma mesa intitulada SERINGUEIROS E AGRICULTORES ACREANOS NO CENÁRIO DO MANEJO MADEIREIRO: QUEM FALA E DE ONDE FALA, composta por Miguel Jorge Martins (agricultor do Benfica), Osmarino Amâncio (seringueiro e agricultor da Resex Chico Mendes) e Dercy Teles (presidente do STR de Xapuri). O evento em si já prometia algo bastante interessante graças ao fato, incomum até então na UFAC, de três trabalhadores rurais serem ouvidos por uma platéia predominantemente acadêmica, lugar onde essas vozes geralmente não ressoam para além dos gravadores das pesquisas de campo de certos pesquisadores e nas publicações dos relatórios de pesquisa, mesmo assim lidos por um público muito restrito.

Iniciada a programação, falou Miguel de sua experiência no campesinato, muito boa fala, por sinal, e depois foi a vez de Dercy, que ali fiquei sabendo ter sido a primeira mulher a presidir um sindicato no Brasil, ainda na década de 80. Sem qualquer anotação, com a serenidade, a clareza e a firmeza dos que sabem o que dizem, Dercy começou sua análise do sindicalismo rural no Acre desde os anos dos maiores conflitos até os desafios atuais, quando, segundo ela, se caiu na armadilha de acreditar que os valores do movimento teriam chegado ao poder e que, portanto, não era mais necessário movimento, o que implicou a quase falência dos sindicatos e a desmobilização completa dos trabalhadores. Para Dercy, se os seringueiros hoje migram para a madeira e para a pecuária como atividades produtivas, primeiro, é porque há um estímulo oficial e, segundo, porque não há o necessário e prometido apoio às atividades tradicionais que, por precisarem da floresta para se reproduzir, são as menos impactantes.

Embora tenha acontecido há cerca de um ano e meio atrás, essa fala de Dercy já deixava bem claro o que está em jogo hoje na disputa pelo STR de Xapuri, apontando as motivações e salientando que não se trata de um processo recente, restrito a essa eleição.

Segue o áudio da fala dessa líder sindical que, juntamente com Osmarino, representam as últimas manifestações do que foi um movimento criativo, autêntico e que mudou temporariamente a dinâmica do avanço do capital sobre a floresta amazônica. Essa luta está se travando novamente agora.

Link para o áudio, de 29 minutos: http://www.4shared.com/file/118849859/52b88cd4/Dercy_Teles_-_Simpsio_Ufac.html?s=1

Isac Guimarães é Acreano, atualmente pós-graduando em comunicação pela Universidade Federal Fluminense.

Dona Júlia Gonçalves Passarinho

A Banda de Música Municipal D. Júlia Gonçalves Passarinho é um dos grandes patrimônios da cultura de Xapuri. Pena que há muito tempo esteja relegada ao desprezo e ao abandono por parte das autoridades municipais. A "Dona Júlia", como é carinhosamente tratada pela população, revelou grandes músicos que se destacaram e se destacam pelo Acre e Brasil afora. O blog História Multimídia de Xapuri conta um pouco da história da banda cujo nome homenageia a genitora do ex-ministro da república Jarbas Passarinho. 

De volta, mais uma vez...

Nesta sexta-feira de temperatura atípica na região recomeço, depois de algum tempo, a postar aqui neste modesto blog, que se transformou em referência de informação sobre a cidade mais famosa do Acre, a Xapuri de Chico Mendes, da caxinguba e da marcha à ré.

Lisonjeado estou com as reclamações recebidas de quem visitou a página nos últimos tempos e não encontrou atualizações. E grato pelas críticas, algumas azedas, mas às quais sempre fiz questão de garantir o espaço que recomenda meu bom espírito democrático.

O Xapuri Agora continua sendo um canal independente de debate sobre a nossa realidade. E a cada um dos leitores que se acostumaram a buscar aqui as novidades e as informações sobre essa boa terra, vai o convite para colaborarem com o blog. Sejam bem-vindos!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Juiz manda prender delegado

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O delegado de polícia Mardílson Vitorino teve prisão determinada pelo juiz de direito da comarca de Epitaciolândia, Edinaldo Muniz dos Santos, na tarde desta segunda-feira (20) por manter presos três supostos ladrões que estariam aterrorizando a população daquele município.

Mardílson Vitorino é responsável também pelas delegacias de Capixaba e Xapuri, terra natal do juiz Edinaldo, que informou serem ilegais as prisões efetuadas pelo delegado sem dispor de mandados judiciais. Os detalhes da informação estão no site do jornal O Alto Acre.

Archibaldo escreve:

Raimari,

Vc era um sujeito tão ativo na época do Vanderley Viana, escrevia todos os dias, criticava, cobrava, fazia o papel que o jornalista precisa fazer, enfim. Mas foi o famigerado PT voltar ao poder que o blogueiro ranzinza virou uma flor de ternura, o escrevinhador prolífero ficou preguiçoso e as extensas matérias de cunho denunciativo deram lugar à lengalenga de que a Internet está cheia. É uma pena que isso seja notado a apenas poucos meses da troca de comando no município, e saiba que o leitor não é bobo, o que significa que outros também notarão ou já notaram a sua metamorfose.

Saiba, porém, que não escrevo por mal, para espicaçá-lo com críticas miúdas, etc. Desejo apenas fazê-lo notar que seu blog perdeu em substância, que sua escrita ferina já descamba para o elogio fácil e acéfalo. Talvez vc esteja satisfeito com a medalinha de honra ao mérito que o Aníbal Diniz pregou (ou deveria ter pregado) em seu peito após as eleições municipais.

E antes que vc faça juízo de valor do que vai acima, adianto que não o quero mal, palavra. Sou-lhe até muito grato pelo tempo que gastei lendo-o, algumas vezes com irritação, outras com prazer (pois não sinto prazer em ler apenas o que está de acordo com o que penso, mas tudo o que me obriga a pensar sobre o que acho certo ou errado).

Sei que a sua formação ideológica o proibirá de publicar meu comentário, não importa. Escrevo a vc em caráter até pessoal, para lembrar-lhe que a reputação, assim como a correção, não pode ser cíclica como são os mandatos políticos. A questão, portanto, é que o PT vai passar, e alguns passarão com eles. Espero que vc fique.

Grande abraço,

Archibaldo Antunes.

Meu comentário: Estava com saudades das provocações do Archibaldo tanto quanto do tempo em que escrevendo aqui ele defendia com unhas e dentes a desastrada administração do prefeito Vanderley Viana ao mesmo tempo em que atribuía a mim apelidos nada delicados. Lembro-me que certa vez ficou furioso por chamá-lo de "viúva desvalida" de certo político. No caso de Viana, Archibaldo acordou a tempo, passou gordura de veado nas canelas e não esperou para chorar mais um defunto. Mas, lembranças do passado à parte, Archibaldo tem razão em alguns pontos. Afastei-me da rotina de publicar aqui diariamente, tarefa que pretendo brevemente retomar mas que razões de cunho extremamente pessoal estão impedindo no momento. Archibaldo, assim como dezenas de leitores que estão reclamando da falta de atualizações no blog, não tem obrigação de adivinhar minhas razões e problemas, por isso aceito as cobranças e prometo melhorar a frequencia de novos assuntos na página. Só não aceito a pecha que o jornalista insiste em me atirar. Talvez, Aníbal já tenha condecorado seu peito com muitas "medalinhas". No meu, garanto, jamais pregou alguma.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Como no tempo da ditadura

Mensagem da presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Dercy Teles de Carvalho, sobre a expulsão do seringueiro Nonato Venâncio Flores, o Caboquinho, enxotado nesta segunda-feira (20) da Reserva Extrativista Chico Mendes por força da fiscalização do ICMBio, com auxílio da Polícia Federal:

"Escrevo para denunciar o fiscal do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) conhecido como Zé Carlos. Ele abusou e humilhou o seringueiro Raimundo Nonato Venâncio Flores, conhecido por Caboquinho, que em dezembro próximo passado adoeceu e, por morar só, foi realizar tratamento de saúde em Porto Velho (RO), onde tem familiares, retornando em março deste ano. Ao chegar em Xapuri foi informado de que sua casa havia sido arrombada pelo fiscal, que deixou as portas abertas com todos pertences do seringueiro dentro.

Caboquinho conta que antes de ir pra colocação, foi chamado pelo fiscal pra dizer que não botasse mais os pés na colocação, alegando que o fato do mesmo ter se ausentado por três meses caracteriza abandono de posse e o local passará a ser a sede do ICMBio. O seringueiro argumentou que iria voltar por ser aquele seu local de trabalho e moradia desde 1992. Segundo Caboquinho, ao dizer isso Zé Carlos o ameaçou dizendo que se voltasse iria sair de lá preso e moído de pau pela Polícia Federal. Mesmo assim o seringueiro não se intimidou e foi pra sua colocação.

Ao chegar lá, encontrou as portas arrebentadas, dando por falta dos seguintes pertences: duas botijas de gás, quatro machados, dois terçados, dez rastelos, cinco trenas, quatro regadores, quatro enxadas, cinco boca-de-lobos, oito pratos, dez talheres e uma foice. Mesmo assim continuou trabalhando no local sem reclamar do ocorrido a ninguém.

Na semana próxima passada, o seringueiro foi surpreendido em seu local de trabalho pelo fiscal, que estava acompanhado de policiais militares, mandando que o seringueiro desocupasse a colocação. O seringueiro resistiu. Porém, Zé Carlos o ameaçou dizendo: "hoje tu não sai, mas eu vou voltar aqui com a Polícia Federal e vou te mostrar como você tem que desocupar. Você é um invasor, essa terra é da União". E ofendeu o seringueiro com palavras de baixo calão.

Realmente o fiscal cumpriu o que havia prometido. Nesta segunda-feira, 20 de julho, o seringueiro estava limpando o sítio em volta da casa em companhia dos senhores Evaristo Maciel da Silva e José Maria Evangelista, quando o dito fiscal chegou em companhia da Polícia Federal e expulsou o mesmo de sua colocação, acusando o de invasor.

Indefeso e humilhado, o seringueiro não teve outra alternativa a não ser obedecer. Vejamos a que ponto nós chegamos. Lembro dolorosamente esse filme na época da ditadura militar, quando os seringueiros eram expulsos de suas colocações sob ameaça dos pistoleiros, jagunços e polícia, todos a serviço dos fazendeiros.

Jamais imaginei que no atual governo pudéssemos reviver fatos como esse. Funcionários do governo federal, exercendo os mesmos métodos da ditadura: terrorismo, humilhação, criminalizando os trabalhadores. Será que não basta os mesmos estarem condenados a fome e extinção por estarem proibidos de fazerem seus roçados de subsistência? Lembro toda nossa luta em defesa da floresta, quando tínhamos a ilusão de que estávamos defendendo o que era nosso. Grande engano. A prova está aí: só porque o seringueiro se ausentou três meses de sua colocação por motivo de doença perdeu o direito. Cadê o direito de posse que conquistamos? Não vale mais não? Quer dizer que se o trabalhador ficar doente é obrigado a morrer à mingua? Porque se sair perde o lugar.

Vale ressaltar que na colocação de Caboquinho foi realizada uma experiência de desenvolvimento sustentável, onde foram plantadas várias espécies que estão produzindo frutos e madeira, no caso do plantio de teca. Será que quem trabalhou e investiu não tem direito sequer a uma indenização?

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri repudia com veemência essa atitude do fiscal do ICMBio e solicita providência por parte de seus superiores no sentido de coibir os abusos, humilhações e constrangimentos causados pelo fiscal ao seringueiro.
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri firme na luta.

Dercy Teles de Carvalho Cunha
Presidente"

terça-feira, 14 de julho de 2009

E-mails

Registro aqui algumas mensagens recebidas nos últimos dias. Uma delas é da Planeta Internacional, a maior editora de obras de pesquisas do mundo. No Brasil a sua maior obra é a enciclopédia Barsa Universal, que completa neste ano 6 décadas de existência. Na semana de 20 de julho, uma equipe da diretoria da editora em Curitiba estará visitando algumas cidades do Acre, entre elas Xapuri, para apresentar o projeto ECO-Planeta.

Outra mensagem é de Dilermando Cattaneo, geógrafo gaúcho que esteve com os colegas Carla Hirt e Tomás Rech em Xapuri no ano passado, num trabalho de campo para uma pesquisa sobre a Reserva Extrativista Chico Mendes. Dilermando escreve informando que estará voltando a Xapuri e à Resex entre os dias 20 e 24 de julho próximos, com mais dois outros colegas de projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Por fim, recebo e-mail de Carlos Celso de Melo Braga, acreano de Rio Branco mas morador da cidade do Rio de Janeiro desde a adolescência. Carlos Braga pretende manter contato com Nílson Mendes para se informar mais sobre plantas medicinais, depois de ter lido nota aqui no blog sobre o seringueiro. Enviarei o contato do Nílson juntamente com o do também xapuriense "Dr. Raiz".

Hoje com 64 anos, Braga diz conhecer nossa Xapuri a ponto de ter conhecido também a figura folclórica de "Bebé Jacinto", cujo hábito crônico os mais antigos da cidade devem muito bem lembrar. Bebé, assim como um mais recente que atende pela alcunha de "Panelada",  era o terror dos bêbados que desavisadamente adormeciam nas praças ou ruas de Xapuri. Este blog é a porta de Xapuri para o mundo.

Coisa do Braga

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Vale a pena visitar o blog dele.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vereadores podem se afastar

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O presidente da Câmara de Xapuri, Ronaldo Cosmo Ferraz (PMDB), deverá se afastar oficialmente do cargo nos próximos dias por problemas de saúde. Ferraz, que já se ausentou - de forma justificada - das últimas sessões, deve se submeter a uma cirurgia cardíaca, segundo informação do vice-presidente da Casa, vereador José Selmo Dantas (PT).

Ao se afastar, o vereador dará lugar ao suplente Antônio Maria Alves. É conhecida, no entanto, a resistência do titular da cadeira em dar a vez aos suplentes quando necessita se ausentar da cidade para cuidar de sua saúde, cujo estado há algum tempo não é dos melhores. O próprio Selmo Dantas, quando foi suplente na legislatura passada sentiu isso na pele (veja aqui).

A propósito, por falar em Selmo Dantas, ele próprio é outro que deve se afastar do cargo para assumir o comando do setor de apoio à produção do governo do estado em Xapuri, cargo hoje ocupado por Nilberto Menezes que acumula essa responsabilidade com a mesma função no município. Quem assume o lugar de Selmo Dantas, caso o afastamento se concretize, é Raimundo Mendes de Barros, o Raimundão.

Na função de vice-presidente, Selmo Dantas fez hoje, em entrevista ao meu programa na Rádio Educadora 6 de Agosto, uma avaliação positiva da atuação da câmara nos primeiros 6 meses de trabalho desta legislatura. "Houve um avanço muito grande, tanto na relação do legislativo com o executivo, como com a sociedade de uma forma geral", disse ele.

domingo, 12 de julho de 2009

Ao mestre com carinho

Márcio Chocorosqui

O professor José Cláudio Mota Porfiro há muitos anos vem contribuindo com seus artigos nos jornais de Rio Branco, seja no Página 20 ou em A Gazeta. Ele acumulou uma vasta produção escrita a respeito do nosso Estado, focalizando, sobretudo, temas que nos remetem ao cotidiano da capital acriana. Nascido em Xapuri, a Princesinha do Acre, onde fez os primeiros estudos, Porfiro não deixa de extrair assuntos referentes ao município natal, com o qual mantém uma relação telúrica, embora residindo em Rio Branco.

Tratando de temas especificamente locais, o cronista expressa sua visão filosófica sobre o mundo e as situações que o cercam. A regularidade com que publica chegou a lhe render o livro Janelas do tempo, que através de textos selecionados revela bem a alma desse povo forjado nos seringais, de origem humilde e bem nordestina. No sentido de contribuir para o fortalecimento da identidade regional, Porfiro constitui-se num personagem que muito tem a dizer sobre sua gente, seu momento e sua terra, coisas que traduz em escritos semanalmente, hoje, publicados em A Gazeta, jornal de maior circulação do Estado.

Além disso, nesse mesmo periódico, Porfiro se lança ao desafio de publicar, a cada domingo, um capítulo de sua primeira obra de ficção, um romance folhetinesco, que remete à história da colonização acriana. Chama-se O inverno dos anjos do sol poente, nome pomposo para um texto escorreito e ensolarado. Enquanto o romance não é publicado em livro, podemos acompanhá-lo no referido jornal ou no blog do autor, cujo link é: http://www.claudioxapuri.blog.uol.com.br/.

Fica a sugestão de leitura, pois precisamos mesmo das produções dos artistas locais, no sentido de decifrarmos quem somos neste pedaço de chão encravado na ponta extrema do Brasil.

Clique aqui para conhecer o blog do autor do texto.