quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Boato

Na reta final de campanha, o boato que corre solto na cidade é o de que o prefeito Vanderley Viana pode abandonar a candidatura à reeleição para apoiar Manoel Moraes. Duvido que isso possa acontecer, mas é indiscutível que Viana já sentiu o cheiro da derrota nas urnas no próximo dia 5. Caso se confirmasse o boato, significaria, ao mesmo tempo, uma tentativa desesperada de tirar de Ubiracy Vasconcelos uma vitória que para ele seria desastrosa e uma conquista antecipada para a população da cidade que já não suporta mais seu governo. Esperemos.

Força tarefa para eleger Bira

Uma verdadeira força tarefa petista entrou em campo para eleger o candidato da Frente popular de Xapuri, Ubiracy Vasconcelos, à prefeitura do município. Estão em Xapuri, coordenando a campanha de Bira, o secretário adjunto de saúde e um dos maiores articuladores políticos do governador Binho Marques, Sérgio Roberto, e o diretor do Pronasci-Acre, Ermício Sena, ex-candidato a deputado estadual nas últimas eleições.

Nesta quinta-feira (18), o time ganhou o reforço do ex-governador Jorge Viana, que tomou como questão de honra levar o candidato petista à vitória no próximo dia 5. No final do dia, Jorge Viana foi até o bairro Sibéria, um dos mais desestruturados e pobres de Xapuri, onde manteve um encontro acalorado com moradores e lideranças políticas e comunitárias.

Na sua mensagem, Jorge Viana falou para uma multidão da importância da eleição de Bira Vasconcelos para Xapuri sair do atraso em que se encontra. Entre as promessas, a de ajudar o município a asfaltar um quilômetro de ruas no bairro que não possui nenhum palmo de pavimentação ou saneamento básico.

Não se discutiu, entretanto, a grande aspiração dos moradores daquela região da cidade: a construção de uma ponte sobre o Rio Acre. A Sibéria acreana é isolada do centro de Xapuri pelo rio e também pelo descaso das últimas administrações, duas, inclusive petistas. Em virtude disso, entre outros fatores, existe lá um movimento para transformar o bairro em município.

Carreata

Nesta sexta-feira (19), Jorge Viana participa, junto com o irmão e senador Tião Viana, de carreata pelas principais ruas de Xapuri. Há duas semanas, Viana já havia participado de um dos maiores comícios realizados até agora na cidade, juntamente com o governador Binho Marques.

Questão de honra


Jorge Viana tem como questão de honrar conquistar a vitória nas eleições de Xapuri com o candidato Ubiracy Vasconcelos. Depois de participar de comício há algumas semanas, Jorge Viana se reuniu nesta quinta-feira com moradores do bairro Sibéria para pedir apoio a Bira no próximo dia 5. Nesta sexta-feira, Jorge Viana participa de uma carreata pelas ruas da cidade, junto com o senador Tião Viana.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Cidadãos conscientes

Sebastião Alves

Falar em direito dos cidadãos sempre é algo interessante que emociona ou mexe com o pensamento de vários indivíduos. Neste período eleitoral estamos inseridos num redemoinho de ideais transmitidas pelos candidatos de diferentes partidos. Uns defendem ideologias brilhantes que parecem ser convincentes, muito embora o os eleitores não tenham certeza que se o idealizador, por ventura, se eleger vai conseguir concretizá-los, pois mesmo eleito enfrentará a burocracia emanada das leis que determinam o que pode e não pode ser feito.

Outros defendem idéias que, à primeira vista, parecem ser tão simples que, possivelmente, não iriam provocar mudanças ou transformações sócio-econômicas. Mas, muitas vezes, simples idéias, quando planejadas e executadas com seriedade, podem mudar a cara de uma cidade e transformar o perfil do homem daquele município. Tudo isto pode acontecer, mas com a cobrança e fiscalização dos vereadores, que são os verdadeiros representantes da população. Se estas autoridades do legislativo não tiverem consciência da importância de sua representatividade, então as coisas não funcionam.

Por último, há aqueles candidatos com propostas mirabolantes, que são capazes de construir pontes onde não há rios, construir arranha-céus mesmo sem o município dispor de recursos financeiros, fazer parques de diversões tal qual a Disneylândia, acabar com o desemprego e a falta de moradia. Este candidato parece ser ainda acometido de “poderes mágicos” como nos contos de fadas, nas histórias de duendes ou até mesmo acreditar em verdadeiros milagres para transformar a “cidadezinha”.

O cidadão a partir dos 16 anos de idade é quem irá, após analisar a avaliar o perfil dos candidatos, decidir qual será incumbido de representar toda a população em um período de quatro anos. Espera-se que a partir da escolha da maioria dos eleitores, que o novo administrador corresponda aos anseios e que administre dentro dos mais puros preceitos da democracia.

◙ Professor de História da Rede Pública Estadual de Ensino, licenciado pela Ufac.

Massacre em Pando

Igor Ojeda, correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)

O Promotor Geral da República, Mario Uribe, acusou formalmente, nesta segunda-feira (15), o governador do departamento de Pando, Leopoldo Fernández, de promover um genocídio em forma de massacre sangrento.

No dia 11, na localidade de El Porvenir, funcionários do governo departamental interceptaram, a balas, uma marcha de camponeses que se dirigia à capital Cobija, para se manifestarem contra Fernández. Como conseqüência, já se fala em 30 mortos (28 deles, camponeses).

Uribe, em coletiva de imprensa, assinalou que o processo penal contra o governador de Pando inclui, também, o ex-prefeito de Cobija, Miguel Becerra, e o senador suplente do partido Unidad Nacional (UM), Abraham Cuellar.

Algumas horas antes, efetivos das Forças Armadas confiscaram armas em poder de civis – dez deles foram detidos, suspeitos de participarem do massacre do dia 11. Entre o arsenal, estavam fuzis, rifles, revólveres e uma metralhadora.

De fanfarras e patriotismos

José Cláudio Mota Porfiro

Aquele era um tempo de muitas luzes e sons. A vida parecia sorrir, principalmente, para a nossa realidade pacata. Mas haviam fechado o sinal, como na poesia. Se estávamos tão distanciados, física e geograficamente, pela falta dos meios de comunicação, àquela época sob a atenta vigilância dos homens de ferro; política e ideologicamente, éramos mantidos a anos luz de distância da aspereza de um regime político que cerceava liberdades individuais e matava poetas afoitos como tantos.

Sorríamos, sim, mas as luzes da liberdade real eram pontinhos muito tênues no fim de um túnel que não existia. Éramos jovens massas de manobra de um sistema assassino... Até que, um dia, um certo pastor católico passou a pregar uma doutrina ímpar que dizia da igualdade que poderia pautar as nossas relações sociais. Passamos a ler, então, uns mosaicos ideológicos ditos comunistas. Foi aí que, em 1975, o mestre Jofre Koury, de grata memória, pôs-me a ler Os subterrâneos da liberdade e, depois, O cavaleiro da esperança, ambos de Jorge Amado, um intelectual proscrito.

E o resultado se fez bombástico. Tolheram o esclarecimento das futuras gerações. Fecharam o Colégio Divina Providência. As religiosas da Ordem das Servas de Maria foram dispersas e o Estado passou a gerir um sistema de ensino laico, nada parecido com o dos áureos tempos.

Mas deixemos as notas tristes de um passado tão recente...

Eu me nutro ainda de tanto amor pátrio porque tenho uma alma interiorana. Asseguro-vos que é nas pequenas comunidades brasileiras onde o civismo brilha com mais intensidade, com terno fulgor. Esta é uma conclusão a que cheguei desde os tempos remotos da meninice, em Xapuri e, depois, nas épocas da juventude que até hoje dura, nesta minha capital seringueira. Ao crescerem, mesmo as quase metrópoles, como Rio Branco, tendem a ir perdendo o vigor cívico, como hoje, quando o Dia da Independência é marcado no calendário muito mais por se tratar de um feriado no qual o descanso e a folia devem ser a tônica.

Décadas de sessenta e setenta. Agosto e setembro eram meses de muita euforia. Eu só não me podia descuidar dos estudos - nunca - sob pena de sofrer as mais severas sanções por parte dos rígidos disciplinadores lá de casa. De resto, era tão somente de amor cívico que todos nós enchíamos o peito e a alma de pequenos brasileiros, projetos de grandes cidadãos, preocupados com o nosso futuro e com o futuro da Pátria amada.

Apesar dos desiludidos com a terra natal (deles) eu, como o filósofo Voltaire, francês, costumo afirmar que a minha pátria tem qualquer coisa de divino que faz chorar a quem se ausenta dela e, principalmente, aos que sentem por ela amor verdadeiro. Em verdade, nós somos filhos orgulhosos de uma jovem Pátria e não mais haveremos de nos decepcionar com o seu passado ou com o seu futuro. Chega!

Naqueles tempos já distantes, logo depois das férias de julho, então, vinha o seis de agosto. Aí, todos os estudantes do Plácido de Castro, do Divina Providência e do Anthero Bezerra, devidamente uniformizados, iam em marcha e ao rufar dos tambores, perfilar-se em frente à antiga Intendência Boliviana, hoje chamada Casa Branca, onde cantávamos o Hino Nacional e o Hino Acreano, de olhos fixos na estátua de Plácido de Castro, o grande herói dos acreanos e exemplo maior a ser seguido pelos que o têm enquanto padrão de honra, dignidade e valentia em defesa da Pátria.

A grande maioria da garotada poderia perder qualquer programação, até deixar de ir a um joguinho de futebol, mas perder uma formatura, nem pensar.

Cedinho, já todos nós estávamos no Colégio Divina Providência colocando-nos em forma, sob a batuta do Tião Macedônio, professor de Educação Física e responsável pela ordem unida, uma espécie de ensaio que se verificava todos os dias com vistas ao sete de setembro. Era demais! Eu não cabia em mim de tanto orgulho, desde o dia em que, aos sete anos, desfilei com uniforme de marujo, desenhado e confeccionado com extremo capricho pela minha madrinha Eulália Brasileiro. Sua bênção!

Nos dias que antecediam o grande desfile, eu, o Bertamildo de Jesus e o Geraldo Leite, à tardinha, íamos para o quintal lá de casa para ensaios cansativos. Os dois primeiros tocando corneta e o grande cantor tocando um trombone contra-baixo. O Motinha, o irmão mais sacana do mundo, tocava uma caixinha e nós éramos, ao todo, uma fanfarra de vinte e oito alunos cheios de extremo contentamento.

Os últimos grandes ensaios, à noite, se transformavam em acontecimentos memoráveis. Os porta-bandeiras à frente, logo em seguida a fanfarra, depois os rapazes e enfim, as moças. Marcos, um dos irmãos mais velhos lá de casa, carregou a bandeira brasileira por quatro anos seguidos pelo fato de ser o melhor aluno do Colégio. É verdade e muitos xapurienses ainda confirmam o feito. Em 1968, ele obteve nota dez em cem por cento das dez disciplinas da quarta série do ginásio. E ficaram todas as provas expostas num mural por três ou quatro meses.

Lembra-me muito, aqui, o Olavo Bilac no seu Porque me ufano do meu País. É talvez piegas para uns, mas deveras importante para muitos.

Para encher de júbilo ainda maior, as moças, mais ou menos umas cento e vinte, acompanhadas pelos rapazes, uns cento e trinta, em marcha e sob o rufar apenas das caixinhas e taróis, entoavam o Hino da Independência, o Hino do Soldado e a Canção do Marinheiro, dentre outras. Naqueles pelotões, sempre muito bem afeiçoada, seguia intrépida e aguerrida, a hoje pranteada Maria Tapajós de cuja memória também não esqueço. À insigne juíza e ao meu bom cantor Geraldo Leite seria oportuno asseverar que, como escreveu Ernest Renan, no seu Discursos e conferências, uma pátria compõe-se dos mortos que a fundaram, assim como dos vivos que a continuam. Ide em paz, irmãos!

Existia no Divina Providência umas moças muito inteligentes e prendadas. Eram as irmãzinhas da Ordem das Servas de Maria que, desde o início das férias de julho, tomavam para si a incumbência de desenhar e confeccionar, um a um, adereços, alegorias, coroas, cetros, vestimentas especiais, mastros e bandeiras.

E vinha o cinco de setembro, entre nós, o Dia da Raça. Era este um dia tão especial quanto o Dia da Pátria. O uniforme era mais esportivo - ou mais ousado, na opinião das freiras - para o desfile da manhã e, à tarde, os escolares iam para o estádio de futebol. Lá, em competição acirrada, praticavam-se esportes de um outro tempo. Havia torneio de futebol feminino, formação de pirâmides humanas, corrida do saco, corrida da agulha, corrida do ovo na colher, cabo de guerra, maratona, e assim por diante.

No sete de setembro, ainda manhãzinha, todos já estavam entrando em forma em meio a grande contentamento. Havia bolo e chocolate. Era o melhor dia do ano! O uniforme da fanfarra era uma míni gandola verde ou vermelha e calça branca, dependendo do ano, ornadas de ombreiras e torçais dourados, e um gorro comprido e cilíndrico com uma pluma no alto estilo cadete. Os demais iam em camisas brancas de manga de punho e luvas da mesma cor, gravatas e calças azuis e sapatos pretos lustrosos como a etiqueta e a ocasião exigiam. As saias da moças iam até os joelhos, as meias eram bem longas e as luvas iguais às dos rapazes. Havia, é claro, duas ou três balizas. Todavia, eram os carros alegóricos do Divina Providência que davam muito mais colorido à festa. Lá no alto, devidamente coroados, postavam-se D. João VI, D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Isabel, dentre outros. Enfim, toda a cidade ia para a avenida Coronel Brandão aplaudir os garbosos filhos.

Numa dessas ocasiões vi lágrimas abundantes rolarem dos olhos de Alfreda Patrini e Regina Milinetti, a artista plástica e a madre superiora, respectivamente. A beleza do desfile houvera emocionado as italianas mais queridas dentre todas que conheci.

Ainda hoje emociona recordar. É que, nos corações menos moços, ainda há tempo para patriotismos nada ponderados e às vezes melífluos, mesmo na modernidade e, muito mais, quando o Brasil surge como uma das grandes nações do mundo. Como na poesia, a minha Pátria é aquele lugar onde a minha alma está acorrentada.

◙ Cronista xapuriense, autor do livro Janelas do Tempo e editor do blog Impressões Gerais.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sinceridade



Pescado no blog do Joscires.

Mico

O prefeito Vanderley Viana, cansado de atirar contra este modesto blogueiro as piores ofensas e calúnias que lhe renderam uma ação na qual foi condenado em primeiro grau a pagar-me uma indenização de R$ 2.000,00 (dois mil reais), tenta, agora, tirar de minha surrada conta bancária, em represália, através do mesmo recurso, a quantia de R$ 16.600,00 (desesseis mil e seiscentos reais) por supostas agressões publicadas neste blog contra sua distinta pessoa.

Na audiência de instrução e julgamento, ocorrida na manhã desta segunda-feira (15), ele e o seu advogado, Roberto Duarte, pagaram o mico de constatar, perante a juíza Zenair Ferreira Bueno Vasquez Arantes, que o texto anexado à inicial da ação, de título A ironia de um transloucado, onde Vanderley é chamado de energúmeno, vagabundo e prefeito canino, entre outros termos nada cordiais, não é de minha autoria e sim do ex-assessor do prefeito, Joscires Ângelo, hoje grande desafeto do ex-patrão.

Nos textos de minha autoria, somente afirmações do tipo "desequilibrado emocional" e "criatura não civilizada". Nunca foi de meu feitio achincalhar meus adversários, muito menos Vanderley, a quem não tenho nenhuma mágoa ou ressentimento. Pelo contrário, desejo-lhe saúde, paz e felicidade, e perdôo-lhe as ofensas injustas, sem traumas nem chiliques. Coisas da política e da vida pública que o tempo se encarrega de apagar.

domingo, 14 de setembro de 2008

Igreja de São Sebastião


Xapuri pede socorro

Carlos Estevão Ferreira Castelo

Xapuri, antes conhecida como a “princesinha do Acre”, hoje virou uma pobre plebéia. Isso é fato. O mais grave é a constatação de que Xapuri foi a cidade do interior que, nos últimos anos, reuniu as melhores e maiores oportunidades para se desenvolver. Entretanto, parece ter perdido o bonde da história. A título de ilustração da real situação do município destaco uma informação recente a que tive acesso, fornecida por autoridade policial: as “bocas de fumo” aumentaram de duas para vinte e quatro. Isso mesmo, vinte e quatro (em uma cidade com pouco mais de 14.000 habitantes). Há coisas que só acontecem com meu Botafogo e com Xapuri. A cidade mundialmente mais conhecida do Acre pede socorro, não sei para quem, mas pede.

A sensação que tenho quando estou em Xapuri é de que a população perdeu totalmente as esperanças no futuro. Em função disso, muitos estão mudando para a capital ou estão indo fixar residência em Brasiléia. No meu caso, estou chegando ao absurdo de evitar ir até Xapuri nos finais de semana, mesmo sob protestos de dona Aurélia e seu Estevão que ainda moram por lá. É que quando anoitece e vejo minha cidade totalmente deserta, me dá um aperto no peito que não tem como descrever. Uma melancolia, sei lá... A cidade parece fantasma, ninguém circula pelas ruas, não existe opções de lazer, um bom restaurante ou pizzaria, nada. Apenas as drogas lícitas e ilícitas oferecidas aos jovens xapurienses sem esperança. A cidade mundialmente mais conhecida do Acre pede socorro, não sei para quem, mas pede.

Esporte e cultura para a população, nem pensar. Até o tradicional campeonato xapuriense de futebol parou de acontecer. Sem falar nos desfiles de “sete de setembro” que acabaram por completo. Findou também a famosa “boateca” para a moçada jovem, que sempre acontecia aos domingos como uma espécie de aperitivo para a “boate”, logo após a missa das 19h00min. A cidade mundialmente mais conhecida do Acre pede socorro, não sei para quem, mas pede.

A infra-estrutura está precária, a administração atual parece ter perdido totalmente o senso de estética como afirmou o bom xapuriense Zé Cláudio Mota Porfírio em recente artigo no “Pagina 20”: “...é ruim ver o calçamento em frente à Igreja de São Sebastião, uma obra de arte, ter sido destruído; assim como é triste ver aquela porcaria que ficou a Praça do Terminal Rodoviário, hoje um aglomerado de botequins de mau gosto”. Por incrível que pareça em Xapuri os espaços públicos estão sendo privatizados, como a Praça da “Coronel Brandão” onde um boteco foi erguido exatamente no local de um canteiro de flores. O “mercado dos colonos”, em frente da maçonaria, é outro exemplo: nos finais de semana um botequim funciona em suas dependências. A cidade mundialmente mais conhecida do Acre pede socorro, não sei para quem, mas pede.

O comércio está na UTI, o extrativismo tradicional sem perspectivas, as famosas fábricas construídas pelo Governo que gerariam milhares de empregos e renda ainda não funcionaram pra valer (a de “pisos” faliu antes de iniciar a produção e a de “camisinhas” ainda patina com as “desculpas verdadeiras” do Governo de que falta autorização da ANVISA). Até o festival de praia, no dia que acontece faz um frio danado. Como disse, existem coisas que só acontecem com Xapuri e com o Botafogo. A cidade mundialmente mais conhecida do Acre pede socorro, não sei para quem, mas pede.

O mais grave é que, em Xapuri, comumente escuto as pessoas reclamando muito do prefeito atual, do anterior, da Zona Franca Boliviana, da Zona de Livre Comércio de Epitaciolândia, do Governo do Estado que se esqueceu da cidade após a eleição de Wanderley Viana, etc. Ou seja, a situação do município para a maioria da população é culpa de tudo e de todos, menos deles próprios que, acomodados, esperam que alguém resolva as coisas. É hora de virar o jogo, antes que seja tarde.

Para virar o jogo, e depois vencer de goleada, o primeiro passo é a população mudar de atitude. Em seguida, deve-se iniciar o processo de construção coletiva daquilo que chamo “visão positiva de futuro”. Mas para isso é preciso lideres, matéria-prima escassa atualmente “pelas bandas de lá”. Que saudades de Chico.

Carlos Estevão é xapuriense e professor de Teoria Econômica da UFAC.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Caex reage à crise

A Cooperativa Agroextrativista de Xapuri quadruplica volume de castanha comprada em 2008 com relação à safra passada e ensaia recuperação da crise que quase a leva à bancarrota.

A Cooperativa Agroextrativista de Xapuri (Caex), criada em 1988 ainda sob a coordenação do líder sindical Chico Mendes, com objetivo de eliminar do processo de comercialização da borracha e da castanha a figura indesejável do atravessador, está começando a mostrar os primeiros resultados contra uma crise que quase a leva à falência nos últimos dois anos.

O presidente da Caex, Luís Íris de Carvalho, anunciou nesta quinta-feira (11) o recorde no volume de compra de castanha - um dos esteios da empresa, junto com a borracha - obtida pela entidade em 2008. Até o momento, a Cooperativa já comprou, direto do produtor, 26 mil latas de castanha, volume que já garantiu à empresa uma renda de R$ 25 mil com a comercialização da produção.

Na safra passada, o volume comprado pela Caex não passou das 6 mil latas de castanha. Dificuldades financeiras e dívidas herdadas da administração passada da instituição foram as principais razões do mau desempenho do ano passado, segundo Luiz Íris, tanto com relação à compra da castanha quanto da borracha.

Há dois anos a Cooperativa não acessa os recursos do Programa de Compra Antecipada da Castanha que são disponibilizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em virtude da não prestação de contas de exercícios anteriores. A Caex tenta sanar uma dívida com o órgão federal de mais de 1 milhão de reais.

A crise afetou também o mercadinho da Cooperativa que chegou a ficar praticamente sem nenhuma mercadoria nas prateleiras e com a folha de pagamento dos funcionários atrasada por vários meses. Hoje, o comércio está em recuperação, com um estoque de R$ 27.600,00 e com um faturamento mensal de R$ 3.700,00 e pagamentos em dia.

As notícias também são positivas para o produtor. O preço da lata de 10 quilos da castanha, que andou na casa dos R$ 8,00 no início do ano está girando agora em torno dos R$ 15,00.

A usina de beneficiamento Chico Mendes também está apresentando resultados positivos. Com uma capacidade de processamento de 30 mil latas de castanha por mês, a usina presta ainda serviços de beneficiamento para a Cooperacre de dois em dois meses, o que gera um lucro de R$ 12 mil ao mês.

Empregando no momento 38 funcionários, a usina Chico Mendes é gerenciada, atualmente, pela Sociedade Castanheira da Amazônia que é formada, além da Caex, também pelas empresas R. Bertolino – Castanha Beija-flor e a Cooperacre - Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre.

A previsão de Luís Íris de Carvalho é de que até o final deste mês todo o estoque de castanha comprada pela Cooperativa seja vendido para o mercado nacional. De acordo com ele, a próxima meta da Caex é obter bons números também com relação à compra da borracha, que começa agora em setembro, com a previsão de compra de 15 toneladas mensais.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Minc vê "Amazônia queimar em vários lados"



Ivan Richard, da Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta quarta-feira (10) que está preocupado com o possível aumento do desmatamento na Amazônia nos meses que antecedem as eleições de outubro.

Ele acredita que está havendo pressão política em decorrência do período eleitoral, o que pode levar prefeitos e governadores a evitar medidas "antipáticas" para coibir crimes ambientais.

“Não temos os dados de agosto, mas estou muito preocupado. Estou sobrevoando a Amazônia e tenho visto a floresta queimar em vários lados”, disse Minc após reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Segundo o ministro, tem havido muita pressão política sobre prefeito e governadores. “Inclusive, pedi para ser feito um levantamento, não está pronto ainda, [para analisar] os meses antes de eleições. Nenhum prefeito e nenhum governador quer ser antipático na véspera da eleição”, argumentou.

De acordo com Minc, historicamente, os meses anteriores às eleições são ruins em relação ao desmatamento. “Vi uma série [de queimadas] que ainda não estão tabuladas, mas tenho sobrevoado a Amazônia e tenho visto muitas queimadas em muitas áreas. Você fecha uma serraria em um lugar e, se não são criados empregos sustentáveis na mesma região, o sujeito vai desmatar cinco quilômetros adiante”, disse o ministro.

Minc relatou que participou na terça-feira (9) de uma operação no Parque Nacional do Juruena (MT), em que viu “dezenas de crimes ambientais”. “Desmatamento, queimada, gado [criado ilegalmente], aprendemos um caminhão com palmito ilegal, toras ilegais. Se em um parque nacional acontece isso, a situação não está segura e precisamos fazer um esforço muito grande de todos os ministérios para agilizar a execução do Plano Amazônia Sustentável [PAS].”

Para o ministro, a “luta de gato e rato” e a simples repressão não vão resolver o problemas do desmatamento. É preciso, segundo Minc, criar opções de renda sustentáveis para as pessoas que vivem na Amazônia.

Cidade limpa



Mercado Municipal de Xapuri

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Vereador briguento ataca repórter


Jhon Willer

O repórter da Rádio Aldeia FM de Brasiléia, Jhon Willer, passou por maus bocados nas mãos do vereador Raimundo Teles Maciel (PPS), na última sessão da Câmara de Epitaciolândia. Furioso sabe-se lá com o quê, de cima da tribuna, o vereador agrediu verbalmente o repórter e não se sentindo satisfeito desceu para agredí-lo fisicamente, o que não ocorreu por interferência de terceiros. Willer, que afirma não saber os motivos da agressão, chegou a ser puxado pelo crachá pelo vereador brigão. Será que a entidade pitbull que costuma baixar em Xapuri mudou de cidade? O caso foi parar na delegacia de polícia do município.


Vereador Teles Maciel

Leia mais no site de O Alto Acre.

Xapuri Online



Acaba de entrar no ar o site Xapuri Online, idealizado por um punhado de xapurienses residentes em Rio Branco e apoiado por outros tantos aqui mesmo da terrinha. Ainda em fase de testes e sem notícias atualizadas, a página se propõe a veicular informações sobre o município, compartilhar idéias, discutir problemas e buscar soluções para o marasmo que há muito persiste em habitar Xapuri.

Segue a apresentação do site:

A busca por informações sobre os acontecimentos em Xapuri é uma rotina entre os 'de Rio Branco': todas as vezes que nos encontramos, casualmente ou não, o engate da conversa obedece a um ritual que começa pela troca de informações ( nem que seja a de que não sabe de nenhum fato novo!) e nos despedimos com veladas cobranças mútuas: 'precisamos fazer alguma coisa...'

Há muito, em conversa com Raimari, Badaró e Wando, constatou-se que era premente a necessidade de se registrar os fatos locais.

Justificava-se pela deterioração, tanto das informações e acontecimentos repassados oralmente, quanto pelo embotamento das memórias das testemunhas.

-“Xapuri precisa de um registro escrito! Nem que seja mimeografado!” concluímos.

E mais, poderia abranger Brasiléia e Epitaciolândia.

Hoje, o jornal Alto Acre é uma realidade e Xapuri continua a veicular os fatos oralmente. O embrião ficou com Raimari – da área – que possui um blog.

Este site, é fruto de tudo isto e agrega os acima citados (Wando, em espírito!) e mais Valdecir Nicácio, Ernildo Farias, Éden Barros, Zé Cláudio (se topar), Andrias e Rubinho, e está aberto a quem mais queira colaborar. Cabemos todos!

A linha editorial está definida de forma a fortalecer os vínculos entre as pessoas que gostam de Xapuri, veicular informações, compartilhar idéias, discutir problemas e buscar soluções para o marasmo que, há muito, persiste em habitar Xapuri.

Em resumo, está a serviço do Controle Social e será um instrumento de reivindicação da sociedade xapuriense.

Veja mais em http://www.xapurionline.com.br/.

Natex

Comentário postado pelo leitor "Xapuriense" na postagem "Recomendação e certificação":

"Raimari,

Nada contra a NATEX que, verdadeiramente, espero que inicie pra valer seu processo de comercialização. Entretanto eu não afirmaria que a mesma é a primeira indústria acreana a obter a certificação.

Só para ilustrar: a FIEAC possui vários processos certificados com a ISO 9001. O SESI, o IEL, o SENAI também.

Várias indústrias do setor da Construção Civil são certificadas no Acre, inclusive no nível A do PBQP-H.

Acho que empresas como COCA-COLA também possuem certificações ISO.

A próposito, uma certificação de qualidade não significa que a empresa tenha qualidade e eficiência. É só um certificado dizendo que o processo acontece da forma como foi descrito".

◙ Meu comentário: A favor da Natex só tenho o interesse comum de que realmente traga resultados positivos para a economia local, gerando bem mais empregos diretos que os 97 atuais e a participação de mais famílias fornecedoras de látex que as atuais 250. A informação de que a indústria é a primeira do Estado a receber tal certificação é da Fundação de Tecnologia do Acre.

Falta de combustível

O fornecimento de combustível em Xapuri foi normalizado na madrugada desta quarta-feira (10) depois de a cidade ter ficado sem gasolina e óleo diesel desde o início da semana. No dia de ontem, muitos motoristas já se encontravam parados em virtude da falta do produto nas bombas. Taxistas e moto-taxistas são os principais prejudicados pela incapacidade dos postos locais de atender à menor alta na demanda.

Um dos principais motivos para a falta de combustível na cidade é o grande número de veículos a serviço das coligações políticas que fez o consumo crescer consideravelmente. Os donos de postos também justificam a falta de combustível pela escassez do produto também nos fornecedores e a dificuldade de transporte entre Rio Branco e Xapuri para cargas incompletas.

O frentista Manoel Lima, do Posto Português, localizado na área central da cidade, explica que posto possui dois tanques de 5 mil litros para receber gasolina e óleo diesel cada um. Como o consumo de gasolina é maior que o de diesel, quando o estoque do primeiro produto acaba, o posto tem que esperar o fim do estoque de diesel para que uma carga completa de ambos possa vir da capital.

No Auto Posto Malabah, localizado na rua Cel. Brandão, na entrada da cidade, ninguém quis falar sobre o assunto.

Recomendação e certificação



A Carta de Recomendação recebida na última sexta-feira, dia 5 de setembro, pela Natex - Fábrica de Preservativos Masculinos de Xapuri - é, de acordo com o auditor da empresa BSI, Sérgio Augusto Xavier, um documento que garante à indústria a condição de certificada pela ISO 9001 mesmo antes que o certificado seja emitido e oficialmente entregue ao governo do Acre. Desta forma, a Natex é a primeira indústria acreana a obter o selo internacional. Está faltando apenas a liberação do número de registro na Anvisa para que se inicie a produção em escala comercial. César Dotto previu para os próximos 20 dias a realização de outro evento para a entrega do certificado e para o anúncio oficial do funcionamento da fábrica.

Sem nada pra postar


Sem nada pra postar, registro o aniversário do repórter Joseni Oliveira, da Rádio Educadora 6 de Agosto. Espero que o elemento aguarde para comemorar somente no final de semana, sob pena de amanhã a emissora não poder contar com seus serviços.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Látex de Xapuri, terra de Chico Mendes



Tatiana Campos

Não é à toa que a matéria-prima utilizada na fabricação de preservativos masculinos vem de seringais nativos. A região abriga a Reserva Extrativista Chico Mendes, onde centenas de famílias vivem de produtos da floresta. Um dos objetivos do Governo do Estado ao planejar o investimento na fábrica de camisinhas era fomentar o desenvolvimento em bases sustentáveis.

A usina de centrifugação, primeira certificada pela ISO 9001:2000, é responsável por receber, centrifugar e armazenar o látex utilizado na produção de preservativos. A usina faz parte da fábrica e é necessária porque a matéria-prima é retirada diretamente da floresta e precisa ser processada, ao contrário das demais fábricas de preservativos brasileiras, que utilizam matéria-prima importada.

“Nosso objetivo é viabilizar a economia extrativista da borracha natural, através da diversificação da industrialização no Acre, contribuindo para o desenvolvimento econômico de Xapuri, além de internalizar e desenvolver tecnologia para aumentar a competitividade de produtos da floresta amazônica e melhorar a qualidade de vida do seringueiro”, avaliou o presidente da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre, Funtac, César Dotto.

Os estudos de viabilidade técnica e econômica, iniciados em 2000 pelo Governo do Estado e Governo Federal, apontaram a produção de látex in natura para a fábrica como uma alternativa econômica para os povos da floresta. Dezenas de seringueiros que abandonaram os seringais e migraram para a cidade com a decadência da borracha retornaram às suas terras para reativar a extração de látex das seringueiras.

A Fábrica de Preservativos Masculinos de Xapuri – Natex, é fruto de empenho e investimentos do Governo do Estado do Acre, que buscou parceiras com o Ministério da Saúde, Suframa, Ministério da Integração Nacional, Unesco/DST/Aids e Funasa para implementar a planta industrial e todos os investimentos necessários, da capacitação técnica dos seringueiros para a nova forma de extrair o látex – dentro dos padrões de qualidade exigidos – e melhorias sanitárias domiciliares nas casas dos povos da floresta à construção da infra-estrutura necessária para a instalação da fábrica.

“Essa fábrica é a esperança de que os seringueiros vão continuar existindo, de que não é necessário abandonar a floresta e que as colocações, as estradas de seringa, tudo vai permanecer. O preço do látex melhorou, a vida melhorou. Eu tive que fazer empate para manter a floresta em pé, fui preso, ameaçado e num momento como esse a gente percebe a importância das políticas de governo, porque essa fábrica é uma política de governo pra garantir condições aos povos da floresta”, disse o seringueiro Assis Oliveira, que hoje trabalha mobilizando a comunidade para a produção de látex.

Leia a reportagem especial da repórter Tatiana Campos sobre a certificação ISO 9001 da fábrica Preservativos Natex de Xapuri na Agência de Notícias do Acre.

Quem é o culpado?


Clique na foto

Praça nas proximidades do cemitério São José, 8 horas da manhã desta terça-feira. Quem é ou quem são os culpados por esta seboseira em pleno espaço público? A prefeitura, que não consegue dar conta dos serviços mais básicos, ou o cidadão que joga ali, indiscriminadamente, uma quantidade de lixo três vezes maior que a lixeira sem se preocupar com os danos causados ao ambiente?

Resposta: os dois.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Os novos números do Acre

Do blog do Deputado Edvaldo Magalhães

O IBGE fez publicar, no último dia 29 de agosto, no Diário Oficial da União, as estimativas de população para os municípios brasileiros com data de referência em 1° de julho de 2008.

A partir da data da publicação, os interessados têm 20 dias para interpor a reclamação junto ao IBGE, que, após examiná-las, tem que enviar até o dia 31 de outubro do corrente ano as estimativas definitivas ao Tribunal de Contas da União.

AC 12 00013 Acrelândia 11.987
AC 12 00054 Assis Brasil 5.559
AC 12 00104 Brasiléia 19.829
AC 12 00138 Bujari 6.745
AC 12 00179 Capixaba 8.897
AC 12 00203 Cruzeiro do Sul 76.392
AC 12 00252 Epitaciolândia 13.960
AC 12 00302 Feijó 32.210
AC 12 00328 Jordão 6.333
AC 12 00336 Mâncio Lima 14.387
AC 12 00344 Manoel Urbano 7.405
AC 12 00351 Marechal Thaumaturgo 13.728
AC 12 00385 Plácido de Castro 17.921
AC 12 00807 Porto Acre 14.309
AC 12 00393 Porto Walter 8.562
AC 12 00401 Rio Branco 301.398
AC 12 00427 Rodrigues Alves 13.020
AC 12 00435 Santa Rosa do Purus 4.165
AC 12 00500 Sena Madureira 35.544
AC 12 00450 Senador Guiomard 19.506
AC 12 00609 Tarauacá 33.368
AC 12 00708 Xapuri 14.848

O Acre tem sua população estimada em 680.073 habitantes.

Como se pode observar Rio Branco fica com a maior fatia de população: 301.398 habitantes, ou seja - 44,31%.

A nova estimativa aponta para um leve crescimento da população dos municípios no interior do estado em relação à capital, o que é bom.

Cruzeiro do Sul continua sendo o segundo maior município com 76.392 habitantes. Distante do terceiro colocado, Sena Madureira com 35.544 habitantes.

Tarauacá e Feijó se aproximam de Sena Madureira que poderá perder, em breve, a condição de terceira cidade do estado.

Brasiléia está apenas com 326 habitantes a mais que Senador Guiomard.

Mâncio Lima ultrapassou Porto Acre em apenas 78 habitantes.

Marechal Thaumaturgo, um dos novos municípios demonstra vigor em seu crescimento e se aproxima de Xapuri.

Jordão, um dos municípios mais isolados, aproxima-se em número de habitantes de Bujari, aqui na biqueira de Rio Branco.

É bom estar atento aos números, eles são decisivos na geopolítica acreana quando o assunto é eleição e o olhar já se espicha para 2010.

Xapuri - Carnaval, política e desconfiança

Joscires Ângelo

Este final de semana em Xapuri aconteceu de tudo. Confirmação de que eventos e a parte cultural de Xapuri estão falidos, acordos sorrateiros na política local, bafafás nos bastidores da política palaciana, fora os shows das autoridades locais e tudo isso mais um malfadado carnaval fora de época.

Tirei o final de semana para me dedicar ao tão esperado Carnaxapuri - decepção total - infelizmente as coisas não saíram como se esperava, na sexta pouco mais de 200 pessoas festejaram a abertura do evento, apesar de um mega investimento com dinheiro público. De acordo com informações, somente o Trio Elétrico custara aos cofres municipais a bagatela de pouco mais de R$ 20.000,00, como diriam os meus amigos adolescentes "a coisa não rolou".

Não estou culpando essa ou aquela pessoa pelo fracasso do evento, mas sim que deveriam ter dado a atenção necessária a esta realização que já faz parte do calendário de festividades do município. Incrivelmente um super prêmio para o vencedor do ciclismo fora distribuído na sexta, não só um, mas 12 prêmios... Êta dinheirama!

Bem, fora o carnaval, falemos do Festival de Praia... Pelo amor de Deus... Respeitem as tradições de Xapuri... Se não podiam realizar o evento deixassem... Para os xapurienses que relembram os antigos Festivais de Praia deste município e o que vimos neste final de semana é de chorar.

Um punhado de gatos pingados bebendo e falando da vida alheia. Oh, saudades da época do Morcegão e do incansável Iran, primeiro organizador dos Festivais... Mas a vida anda...

Na área política tivemos de tudo... Desde reuniãozinha secreta entre apoiadores de candidatos adversários na madrugada até tentativa de utilizar uma festa pública para se dar bem na realização de comícios... Deu-se mal quem tentou... Pois nem assim o público compareceu. Também era carnaval né, meu amigo! Nada de política, só diversão... Quando é que vão aprender a ínfima diferença entre momento de relax e consciência política?

Também pude presenciar péssimos exemplos de prefeitáveis nesse final de semana, desde gritos maldosos com intenção de macular a imagem do adversário até mesmo bate-boca de candidato com adversário... O que umas cervejinhas a mais não fazem heim, camaradas?

Enfim, depois de um final de semana como esse, acho que mereço mais dois dias de descanso.

Joscires Ângelo é professor, assessor partidário e ex-homem forte do prefeito Vanderley Viana, de quem é grande desafeto nos dias atuais.

“Monstro do Seringal” será julgado dia 30

Um dos crimes mais brutais dos últimos anos em Xapuri será levado a julgamento este mês. Com requintes de crueldade, Jorge do Có matou sogro e enteado a tiros e golpes de facão.


Jorge do Có logo após ser preso em junho deste ano

O Tribunal Popular do Júri da comarca de Xapuri volta a se reunir a partir desta terça-feira, dia 9, para mais uma série de julgamentos de casos de crimes contra a vida.

Entre os réus que irão a julgamento está Jorge Santos da Cunha, o “Jorge do Có”, 28 anos, que no dia 5 de junho deste ano matou o seu sogro Francisco Pereira da Silva, de 52 anos, e o seu enteado, Anderson da Silva Boles Filho, de apenas 4 anos de idade.

Francisco Pereira da Silva foi morto com um tiro de espingarda calibre 20. A criança foi degolada com um terçado afiado e teve uma mão decepada pelo agressor. A mãe do garoto, Lenira Marques da Silva, de 20 anos, conseguiu fugir do ataque e escapou da morte junto com uma sobrinha de 11 anos.

De acordo com informações da polícia, problemas familiares foram as causas do crime brutal que abalou a cidade. Jorge do Có era tido pela família das vítimas como um homem violento e já havia feitos ameaças de morte contra o sogro há algum tempo. A violência do crime chocou até mesmo os policiais que se dirigiram ao local na época para resgatar as vítimas.

Ao ser preso, Jorge do Có afirmou que vinha sendo ameaçado pelo sogro e que matou para não morrer. Sobre o que justificaria matar uma criança de apenas quatro anos, que ele criou desde pequena, segundo ele, como se fosse seu próprio filho, respondeu: "Eu não sei, acho que perdi o controle e depois não sei mais de nada".

O julgamento de Jorge do Có acontecerá no próximo dia 30 de setembro e a expectativa é de que seja condenado a uma pena alta. Preso no dia em que o presidente Lula sancionou a Lei que não permite mais o recurso do réu por um novo júri (9 de junho), caso a pena decretada seja igual ou superior a 20 anos, Jorge do Có figura como sério candidato à pena máxima pelos crimes que cometeu.

Sol reaparece depois do festival de praia



Parece obra do além. Logo que terminou o festival de praia de Xapuri, o sol resolveu dar o ar da graça. Sua ausência durou somente o tempo em que se realizava a tradicional festa do município. A propósito, a realização do evento já virou sinônimo de frio ou chuva.

Mas se o tempo não colaborou com o banho, na birosca que o prefeito chama de centro cultural o carnaval fora de época movimentou cerca de 1.500 pessoas por dia, de acordo com a Polícia Militar. Não houve registro de violência no final de semana.

domingo, 7 de setembro de 2008

Natex obtém certificação ISO 9001



A fábrica de preservativos masculinos Natex recebeu, na última sexta-feira (5), a carta de recomendação da empresa BSI Brasil (British Standards Institution) - para a certificação do sistema de gestão de qualidade ABNT NBR ISO 9001:2000. A indústria do gênero pioneira na produção de preservativos com matéria-prima de seringal nativo é também a primeira do Acre a obter o certificado internacional que atesta a capacidade para fornecer produtos que atendam aos requisitos do cliente e aos requisitos regulamentares do mercado. Além disso, a usina de centrifugação da fábrica é a única certificada pelo sistema ISO no Brasil.

A entrega da carta de recomendação, documento que garante à indústria o status de certificada pelo sistema ISO mesmo antes que o certificado seja emitido – isso deve ocorrer no prazo de uma semana - foi feita pelo auditor da empresa BSI, Sérgio Augusto Xavier, ao presidente da Fundação de Tecnologia do Acre, César Dotto, em solenidade realizada na própria fábrica, localizada no km 06 da Estrada da Borracha, em Xapuri. A BSI é o organismo de certificação que realizou a auditoria durante uma semana em todo o processo de produção, desde a centrifugação aos testes de laboratório, além da parte documental.

A fábrica já passou por outras etapas importantes para a aquisição das condições para o seu pleno funcionamento e para a comercialização da produção prevista para 100 milhões de preservativos anuais, como a aquisição do selo do Inmetro a das BPF (Boas Práticas de Fabricação), normas implantadas pela Agência Nacional de vigilância Sanitária, que proporcionam higiene e segurança durante a fabricação dos produtos. O que falta agora, para o início da produção de preservativos destinados à comercialização, é o registro da própria Anvisa, o que segundo a diretora-técnica da Funtac, Tânia Guimarães, deve acontecer nos próximos 20 dias. Atualmente, a fábrica produz preservativos apenas para testes.

Com equipamentos modernos de tecnologia alemã, a fábrica possui um sistema de controle de qualidade que monitora todo o processo produtivo, desde a centrifugação até a etapa de produção dos preservativos. Foi justamente o atendimento a essas normas voltadas ao um padrão de qualidade que garantiram à Natex a certificação ISO 9001.

O auditor Sérgio Xavier explica que a certificação significa a identificação legal de que a empresa possui competência no sistema de gestão da qualidade com reconhecimento internacional. “Significa que Xapuri tem uma empresa que atende aos requisitos de qualidade com reconhecimento mundial”, disse ele.

O diretor-presidente da Funtac, César Dotto, afirmou que o governo está quase concretizando o sonho da implantação de um projeto que visa mudar a economia do estado. “Nós estamos quase que concretizando um sonho de muita gente que lutou pela mudança da economia do nosso estado e agora estamos dando mais um passo importante que é receber esse reconhecimento internacional. Em breve, com o número de registro na Anvisa estaremos, finalmente, começando um novo embate que é colocar os preservativos no mercado nacional”.

A Preservativos Natex é o resultado da parceria entre o Governo do Acre com o Governo Federal, através do Ministério da Saúde. Atualmente, emprega 97 funcionários de forma direta, além de cerca de 250 famílias que produzem a matéria-prima para fabricação das camisinhas. O número de famílias cadastradas no programa de fornecimento, no entanto, e bem maior: cerca de 750. De acordo com o gerente de produção da fábrica, Aldenor Ferreira, o número de extrativistas efetivamente fornecendo látex deve aumentar até o final de 2008.
A demora na conclusão de todo o processo para a efetiva produção e comercialização dos preservativos tem gerado uma série de críticas contra o empreendimento por parte de setores da imprensa e por políticos de oposição que acusam o governo de não justificar, com a fábrica, os altos investimentos feitos para sua implantação. Os 100 milhões de preservativos anuais previstos para serem produzidos pela fábrica serão totalmente destinados ao Programa de DST/AIDS do Ministério da Saúde.

sábado, 6 de setembro de 2008

Eleições

Manoel Moraes diz que disputa prefeitura com Bira

Conversei ontem à noite, rapidamente, com o candidato a prefeito Manoel Moraes (PSB) que chegava de visitas a eleitores na zona rural. Discorda, obviamente, dos comentários sobre a suposta liderança da disputa eleitoral estar dividida entre os candidatos Bira (PT) e Marcinho Miranda (PSDB).

Manelão também se baseia em levantamentos informais realizados por sua equipe que o colocam, segundo informa, na disputa real pela prefeitura com o candidato petista. Para ele, Vanderley Viana (PPS) é carta fora do baralho (Deus lhe ouça) e Marcinho Miranda não terá forças para lhe fazer frente e a Ubiracy.

Xapuri tem quatro candidaturas à prefeitura, o que torna a disputa muito acirrada porque uma quantidade mínima de votos pode decidir a eleição. Daí a preocupação dos candidatos com qualquer detalhe que lhes possa ajudar ou prejudicar. Os boatos sobre quem lidera e quem segura a lanterna da disputa são sempre motivo de aflição para os pretensos prefeitos.

Os comentários sobre pesquisas, no entanto, são muitos na cidade. Aqui e acolá um pesquisador com farda e crachá nos bate à porta, mas até o momento nenhuma foi protocolada no TRE e divulgada publicamente. Já é hora de um estudo sério, realizado por uma instituição que possua o mínimo de credibilidade, mostrar à população como anda o quadro local.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Praia e Carnaval


Mesmo com previsão de chuva para o final de semana e com uma praia muito pequena, foi confirmada pela prefeitura de Xapuri a realização do 22º Festival de Praia e do 4º Carnaval Fora de Época do município.

A abertura da festa aconteceu na tarde desta sexta-feira (5), com apresentação da banda Swing Brasil na Praia do Zaire e do cantor Álamo Kário e banda nas ruas da cidade, com a inauguração do primeiro Trio Elétrico do Acre, segundo a organização.

Apesar de a natureza aparentar não querer contribuir, a organizadora dos eventos, Alessandra Molica, garante que nada atrapalhará o sucesso da festa e convida a população do Acre a visitar Xapuri. “Nós convidamos as pessoas de outros municípios para visitar nossa cidade e prestigiar nossa festa que com certeza será muito boa”, diz ela.

Alessandra Molica chama a atenção também para a realização do primeiro Circuito de Micaretas do Acre, segundo ela uma novidade que deve agradar aos foliões. O carnaval Fora de Época de Xapuri vem sendo realizado há três anos no Centro de Cultura e Lazer Kaleb do Nascimento Mota.

O Festival de Praia de Xapuri já foi considerado um dos mais atrativos do Acre, apesar de, não raro, o mau tempo chegar exatamente na data programada para o evento. Nos últimos anos, outro fator passou a contribuir para que a festa tradicional da cidade venha perdendo a força. A Praia do Zaire ou Praia do Mirantes passou a não se formar como antigamente. Esse ano, a praia está muito pequena, o que deve diminuir o brilho do evento.

Xapuri S.O.S



Assolada por uma das mais desastradas e infrutíferas administrações de todos os tempos, Xapuri pede por socorro. O município, no geral, sofre com a falta de investimentos nas áreas mais básicas e reclama por ações eficazes do poder legitimamente designado para resolver os problemas da comunidade e honrar com as demais obrigações que lhes foram atribuídas.

Exemplo da ineficiência e da pachorra da atual administração é um buraco localizado na rua Dr. Batista de Moraes, a menos de 20 metros de dois dos mais visitados pontos da cidade – a Casa de Chico Mendes, recentemente tombada como Patrimônio Histórico Nacional, e a própria Fundação Chico Mendes -, que tem causado sérios transtornos à população.

A cratera, resultado da erosão no sistema de esgotos, é um problema crônico para os moradores daquelas imediações que a prefeitura insiste em ignorar. A falta de respeito dos representantes da prefeitura chega a ser acintosa, como ficou claro há alguns meses quando funcionários da Secretaria de Obras cercaram o buraco com pedaços de madeira de refugo como se houvessem resolvido o problema.

No ano passado, por pouco uma criança não se afogou nos dejetos, fato que não se consumou por obra de um funcionário público que passava no local no momento em que um garoto caía nas águas, segurando-lhe pelos cabelos. Antes desse episódio, segundo moradores, um idoso já havia caído no local, vindo a sofrer graves conseqüências para a saúde em razão do acidente.

Perto dali, a Rua Pio Nazário, outro acesso à Fundação Chico Mendes, mais parece uma tábua de pirulitos tal é o seu atual estado de conservação. A situação é tão ruim que a presidente da entidade, Elenira Mendes, chegou a afirmar que seria constrangedor receber visitas na instituição que guarda a memória de seu pai.

Diante da situação, as eleições que se aproximam passaram a ser vistas pelos moradores da terra de Chico Mendes como a tábua de salvação para o estado precário e de abandono em que a terra do seringueiro-herói se encontra. Certo é que não se reelegendo, o atual prefeito deixará como herança uma cidade que já foi chamada de “Princesa do Acre”, cheia de rombos e buracos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Desespero

A julgar pelos últimos comícios realizados na zona urbana de Xapuri, o atual prefeito e candidato à reeleição pela coligação Visão de Águia (PPS e Democratas), Vanderley Viana de Lima, já percebeu que o atual panorama não lhe é tão favorável quanto imaginou e passou a lançar mão da velha e geralmente malfadada estratégia dos ataques pessoais contra os seus adversários políticos.

Nas recentes aparições em atos públicos, o prefeito e seus candidatos a vereador abusaram das referências negativas, acusações de corrupção e até xingamentos baratos aos concorrentes diretos das próximas eleições. No desespero, Vanderley utiliza-se do mesmo expediente que, empregado por seus adversários há quatro anos, lhe deu a vitória para o funesto mandato que atualmente exerce.

Na reta final das eleições municipais passadas, em um cenário que parecia ser momentaneamente desfavorável a Vanderley Viana, adversários seus fizeram distribuir pelas ruas da cidade um panfleto com uma foto de arquivo de um jornal da capital onde ele aparecia algemado, instantes depois de ser preso por envolvimento com o tráfico de drogas. A bobagem foi decisiva para a vitória por 153 votos de diferença sobre o petista Raimundo Mendes de Barros.

Atualmente, em seu instante de estilingue, o prefeito descarrega seu arsenal, principalmente, contra os candidatos Ubiracy Vasconcelos, da coligação composta PT e PC do B, e Marcinho Miranda, da coligação formada por PSDB e PMDB. Os dois, segundo levantamentos informais, estariam supostamente liderando a disputa pela prefeitura de Xapuri, fato que fez acender a luz amarela no QG da situação.

Em dado comício, há alguns dias, o prefeito só não chamou Ubiracy Vasconcelos pelo nome de batismo. Em outro, no último final de semana, afirmou: “o moleque do 45 já comeu no meu cocho”, referindo-se ao fato de o candidato da Frente Alternativa, Marcinho Miranda, já haver participado de sua administração.

A bem da verdade, Vanderley Viana tem razões de sobra para entrar no desespero. Uma série de fatores e motivos conspira contra suas chances de reeleição: sua administração é ruim, a cidade parou no tempo e caminha na contramão do desenvolvimento do Acre, em quase quatro anos o prefeito acumulou muita confusão e uma montanha de processos na justiça, além de ter perdido quase a totalidade dos seus apoiadores de peso.

Se persistir na estratégia de deixar de lado o programa de governo e continuar no caminho dos ataques e agressões contra os adversários de urna, o prefeito Vanderley Viana deverá não conseguir a tão sonhada reeleição para o cargo que tanto venera, mas certamente permanecerá mantendo uma posição de conhecido destaque na cidade de Xapuri: o de campeão das ações judiciais da comarca.