sexta-feira, 19 de março de 2010

Calvário

Relembre.

Ainda sobre a fábrica de pisos

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O delegado Thiago Fernandes Duarte (foto), acompanhado do auditor César Ananinni, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, esteve na tarde de ontem na fábrica Pisos Xapuri em razão da repercussão causada pelas declarações de pelos menos três pessoas ligadas direta ou diretamente à fábrica de que o uso de produtos químicos poderia estar colocando em risco a segurança dos funcionários.

Thiago Fernandes afirma que não detectou na fábrica qualquer problema que pudesse representar razão para a abertura de um inquérito policial. Segundo ele, os procedimentos adotados na linha de produção estão todos aparentemente dentro das normas de segurança exigidas e os produtos idem. Tentei falar hoje pela manhã com o auditor César Anananni, mas não consegui contato telefônico.

Por telefone, um irmão de Sebastião Nonato da Silva confirma o dignóstico de acidente vascular cerebral, que em tese não teria relação com uma suposta intoxicação por produto químico, como suspeita a família do paciente. Outra confirmação feita é da informação prestada pelo gerente administrativo da fábrica, de que o funcionário teria sido demitido antes que apresentasse os sintomas que o levaram à hospitalização. A baixa na carteira de Sebastião Nonato está anotada na data de 22 de janeiro e a entrada do mesmo no hospital Epaminondas Jácome se deu em 20 de fevereiro.

Dentro do emaranhado de suspeitas, afirmações e negativas, o que fica claro para mim é que faltou disposição da administração da fábrica para tratar do assunto com um maiores cuidados. Não poderiam ficar de braços cruzados enquanto funcionários, antes de procurar a imprensa, propagavam por toda a cidade que estavam apresentando reações adversas possivelmente relacionadas aos produtos usados na produção.

Manoel Morais cobra Comitê Gestor



Mircléia Matos, Agência Aleac

O deputado Manoel Moraes (PSB) usou a tribuna da Assembléia Legislativa nesta quinta-feira, 18, para cobrar a criação no Estado do Comitê Gestor do Programa Federal de Apoio à Regularização Ambiental de Imóveis Rurais, o denominado "Programa Mais Ambiente". De acordo com o parlamentar, o programa foi criado pelo decreto presidencial nº 7.029, de 10 de dezembro passado, que dá prazo de 30 dias para a criação de um comitê gestor em cada Estado. "Ocorre que já se passaram mais de 30 dias e ninguém tomou a iniciativa para a constituição do comitê", explicou Moraes.

Segundo o decreto, os produtores rurais de áreas de até 150 ha que aderirem ao programa terão suas multas convertidas em prestação de serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente. Mas, para receber o benefício, o proprietário precisa recorrer ao Comitê Gestor, instituição que vai coordenar o programa. "Desta forma, os produtores estão sem saber a quem recorrer, pois tal comitê ainda não saiu do papel", afirma Manoel Moraes.

O comitê tem que ser constituído com a participação de representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário e Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Também terá representantes de entidade de agricultores ou assentados do Incra, do setor empresarial agrosilvopastoril e da Embrapa.

O deputado Manoel Moraes relatou que tem percorrido as regiões do Alto e Baixo Acre e do Juruá onde os agricultores e comunidades tradicionais revelaram-se dispostos a participar do programa, mas não sabem a quem recorrer. "Por isso peço apoio desta Casa para que possamos agilizar a criação do Comitê e aliviar a tensão do homem do campo", afirmou o parlamentar.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Candidato a dublê

O motocliclista o vídeo acima é um sortudo.

Niver da "princesinha"



Em primeira mão, o convite e a programação dos 105 anos de fundação de Xapuri a serem comemorados na próxima segunda-feira, 22 de março. A programação este ano começa nesta sexta-feira com a realização de uma "manhã ecológica" e caminhada pelas ruas da cidade. No período da tarde se realiza a Conferência Municipal de Esporte e a apresentação da peça teatral "Não consuma o consumidor", a cargo do Procon estadual.

No sábado, 20, acontecem a Copa Xapuri de Futebol e a partida válida pelo Campeonato Acreano de Futebol Profissional entre Alto Acre e Atlético Acreano, no estádio Ávaro Felício Abraão. Já no dia 21, domingo, serão realizadas a corrida pedestre (9 km), a corrida ciclística (40 km) e a corrida de bicicletas cargueiras (6 km). É só clicar na imagem acima para conferir o restante da programação do aniversário da cidade.

Sobre as denúncias na Pisos Xapuri

A repórter da Rádio Educadora de Xapuri, Fernanda Gomes, manteve contato com o médico contratado pelas empresas Pisos Xapuri e Preservativos Natex com o objetivo de obter informações sobre o caso do ex- funcionário da empresa Sebastião Nonato da Silva, o “Gavião”, que está hospitalizado em Rio Branco com problemas de saúde que supostamente seriam decorrentes do uso de produtos químicos que são aplicados na madeira processada na fábrica.

A jornalista informou ao blog que o médico Amsterdam Sandres se mostrou bastante irritado com as perguntas feitas a ele a respeito do assunto. Se disse legalmente impossibilitado de prestar informações sobre o quadro clínico de um paciente sem a sua autorização expressa. Dada a gravidade da situação do rapaz informada pela família, presume-se então que a dúvida permanerá sobre o assunto, sendo que dificilmente o enfermo terá condições de assinar uma autorização.

Reforço que o objetivo do blog é colocar luz sobre os fatos. De um lado temos a afirmação da mãe de criação do ex-funcionário de que o rapaz passou a apresentar sintomas após de ingressar na fábrica e manuseiar produtos tóxicos e ainda de que teria sido demitido depois disso; de outro a negativa do gerente administrativo da empresa, afirmando que os sintomas apresentados por Gavião não têm relação com o manuseio dos inseticidas usados pela pisos Xapuri.

Sobre a demissão, que teria, segundo a mãe do paciente, ocorrido quando a empresa tomou ciência do problema de saúde, o vereador Zeca da Emater, que tem acompanhado o caso, levantou a informação de que Sebastião Nonato deu entrada no hospital de Xapuri no dia 20 de fevereiro às 20h:50m, sendo transferido para Rio Branco no dia seguinte. O dado bate com a afirmação do gerente Wágner Oliveira de que o funcionário foi demitido no mês de janeiro e apresentado os sintomas em fevereiro.

Ainda sobre o assunto, o delegado de Xapuri, Thiago Fernandes Duarte, informou a intenção de fazer esta semana uma visita a fábrica acompanhado de um especialista em questões de acidentes com produtos químicos para averiguar as denúncias veiculadas por este blog. Antes, consultaria outras instâncias para confirmar se teria ele jurisdição para tratar do caso.

Danou-se

Prometo de pés juntos, mas confesso que não consigo manter relegado ao esquecimento a “versão inteligente” dos blogs de Xapuri. Consiste numa leitura sempre divertida e esclarecedora.


Nas suas rapidinhas semanais (veja clicando na imagem acima), o blogueiro publica que um leitor escondido sob o pseudônimo sugestivo de “Persona Non Grata” encaminhou ao seu blog comentário recheado de curiosidades interesantes que beiram a denúncia-crime, mas que pela razão do texto estar “incognito”, não poderia divulgá-las. No entanto, não resistindo àquela coceirinha nos dedos, tascou o que vem abaixo (clique mais uma vez para ler).
Causou-me espanto a coragem do blogueiro de tornar públicas acusações tão graves contra a prefeitura partidas de um anônimo. A história fala de um rombo de R$ 400 mil nos cofres da depauperada municipalidade. Do pouco conhecimento que possuo, depreendo que quem dá publicidade a um boato em blog ou qualquer outro veículo de infomação assume a responsabilidade pela informação, assim como toma para si o risco de responder judicialmente pelo ato.

Resta esperar como os representantes do município vão se posicionar diante das graves insinuações. Se vão intimar o blogueiro a explicar melhor a história ou se vão fazer vista grossa ao assunto. Afinal de contas, como apregoa o velho ditado, quem cala diante dos boatos acaba por consentilos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

“Estupro de vulnerável”

Uma prisão em flagrante efetuada por policiais militares na madrugada da última terça-feira foi assunto de muitos debates cidade afora.

O caso:

Em determinado momento, a PM recebe uma denúncia de que um homem estaria circulando pelas ruas da cidade com duas menores no interior de um veículo. Abordaram-no em um hotel na companhia de uma das moças, de apenas 13 anos de idade. Foram encaminhados à delegacia e de lá ao PS do hospital local, onde foi realizado o exame de conjunção carnal que confirmou o ato sexual ilegal.

Após a confirmação da consumação do crime, o homem, um rapaz de 21 anos, foi preso em flagrante delito e será indiciado pelo crime de Estupro de Vulnerável, que significa manter relação sexual ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos, descrito no Art. 217-A do Código Penal, que prevê a dura pena de 8 a 15 anos de reclusão.

A polêmica:

A discussão em torno do assunto parte do próprio posicionamento da mãe e de uma irmã da vítima, que falaram muito mal da menor, afirmando que a mesma já vivia na promiscuidade há algum tempo. Segundo a posição de ambas, o rapaz acabou sendo prejudicado injustamente, visto que a menor seria a grande culpada pela situação.

No entanto, o crime cometido pelo autor é de ação pública incondicionada, que independe da vontade da vítima para que o Estado venha a agir. Então, independentemente da opinião da mãe e do fato de a garota ter mantido relação sexual com o acusado de maneira espontânea, a lei será aplicada e dificilmente o rapaz escapará da punição.

O episódio acende uma velha discussão e levanta algumas questões. Pode ser considerada culpada, aos olhos da sociedade, uma menina de 13 anos que perambula pelas ruas, se prostitui ou simplesmente se relaciona fisicamente com um homem maior de idade? Pode ser considerado inocente ou ter a situação atenuada o sujeito que se deixa seduzir por uma menina recém saída das fraldas?

Para o delegado Thiago Fernandes Duarte, o que causa preocupação é saber da rotina com que casos semelhantes acontecem em nossa região. Menores que na absoluta maioria das vezes têm uma família desestruturada e acabam se prostituindo, ou muitas vezes levando uma vida pautada simplesmente pelos prazeres imediatos, não se preocupando com gravidez, doenças ou outros riscos à sua segurança física e psicológica.

O delegado argumenta que apesar do rigor da lei, muitas vezes as pessoas não conseguem enxergar a gravidade da situação e insistem em manter relações sexuais com menores de idade, como no caso do jovem em questão, que não teve o seu nome divulgado com a justificativa de se preservar a família e a própria esposa do acusado que tem 17 anos de idade. O resultado será um verdadeiro vendaval na vida profissional e pessoal do indivíduo em razão de uma prática considerada muitas vezes normal, mas criminosa.

Entre votos e gols

João Guilherme Sabino Ometto

Transcorrem quase despercebidos em meio ao otimismo quanto às perspectivas da economia nacional em 2010, os 25 anos da eleição (15 de janeiro) e posse (15 de março) daquele que foi o primeiro governo civil no País após o golpe de estado de 1964. Ao lado das “Diretas Já”, em 1984, e da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, os dois fatos históricos, ocorridos em 1985, são os marcos da reconquista da liberdade política e dos direitos individuais e coletivos pelos brasileiros.

E nossa democracia disse a que veio! As instituições fortaleceram-se: problemas agudos, como o afastamento de um presidente da República e casos graves de corrupção, que antes estremeciam muito a República, solucionaram-se por vias legais. Substituímos a exceção pelo direito!

Na economia, os frutos também são substantivos, em especial se somarmos os avanços verificados nos quatro últimos mandatos presidenciais. Vencemos a inflação, mérito das duas gestões consecutivas de Fernando Henrique Cardoso. No primeiro e no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, promovemos grande processo de inclusão social (30 milhões de pessoas acabam de ascender à classe média), multiplicamos exportações, conquistamos o investment grade e estabelecemos, com reservas cambiais superiores a 200 bilhões de dólares, resistente blindagem às intempéries financeiras globais.

Os resultados positivos da redemocratização evidenciaram-se com imensa clareza no contexto do crash de 2008 e 2009: o Brasil foi um dos primeiros países a vencer a crise; em 2010, nossa economia deverá incluir-se entre as que mais crescerão; o mercado interno está aquecido; tivemos em janeiro o recorde histórico, para esse mês, de criação de empregos; a inflação segue sob controle e os índices de confiança do empresariado e dos consumidores estão crescendo.

Sem dúvida, o País vive um bom momento. Portanto, é fundamental aproveitá-lo para solucionar antigos problemas, cuja persistência ainda se interpõe como obstáculo ao crescimento sustentado do PIB. Refiro-me aos gargalos da infraestrutura, aos impostos exagerados, à burocracia, à criminalidade, aos gastos públicos elevados, à precariedade do ensino e da saúde e aos vícios da corrupção. Não podemos ignorar tais desafios, pois se os conseguirmos superar teremos dado imenso passo em nossa saga rumo ao primeiro mundo. Também devemos repudiar proposituras de leis e medidas que atentem contra a liberdade de imprensa, a segurança jurídica, as prerrogativas de produzir e o direito inalienável à propriedade urbana e rural. Trata-se de conquistas pétreas, garantidas na Constituição de 1988! Subvertê-las seria imenso retrocesso.

Com certeza, todos esses temas relevantes pontuarão o debate político a ser travado nas campanhas relativas às eleições de outubro. Espera-se que, procurando reparar o que está errado, partidos e candidatos comprometam-se com a continuidade do processo de desenvolvimento, lembrando que a Nação está muito acima de bandeiras ideológicas e interesses pessoais e de grupos.

Essa, aliás, foi a grande lição na transição do Governo FHC para o de Lula. Mantiveram-se as conquistas e se acrescentaram outras! Práticas civilizadas como essa contribuem para que, mesmo neste 2010 de Copa do Mundo, o Brasil já não seja mais identificado como mero “País do Futebol”. Somos a nação que venceu a inflação, emprestou dinheiro ao FMI, reduziu os índices de pobreza, enviou força de paz ao Haiti, superou a crise mundial...

Cá entre nós, temos, como nunca, a prerrogativa sem culpa de parar tudo e resgatar a “Pátria de Chuteiras” a cada jogo de nossa seleção nos gramados da África do Sul. Porém, para continuar desfrutando desse direito, precisamos exercitar com a máxima responsabilidade o dever eleitoral em outubro. Entre a seriedade dos votos e a alegria dos gols, haveremos de converter nossa democracia em desenvolvimento, sem perder a identidade pluralista deste povo mestiço e feliz!

João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (EESC/USP), é presidente do Grupo São Martinho e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Marina e Cameron

A senadora Marina Silva falou a empresários na Federasul, em Porto Alegre Foto: Nabor Goulart/Divulgação

A pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, planeja convidar James Cameron, diretor de Avatar, para um encontro. A senadora e ex-ministra do Ambiente acredita que o filme chama a atenção para o ativismo ambiental. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a reportagem, Marina e Cameron devem participar ao lado do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore - ativista ambiental e Nobel da Paz - do Fórum Internacional de Sustentabilidade, em Manaus (AM). O jornal afirma que assessores da senadora estão esperançosos, mas cautelosos sobre a possibilidade do encontro. Em texto em seu blog, Marina comparou a história do filme de Cameron com a sua nos seringais do Acre.

terça-feira, 16 de março de 2010

Jogo histórico

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A Fundação Municipal de Cultura de Desporto de Xapuri corre contra o tempo para deixar o estádio municipal Álvaro Felício Abraão pronto para receber pela primeira vez em sua história uma partida válida pelo campeonato acreano de futebol profissional.

O estádio, palco de tantas histórias gloriosas do futebol xapuriense,  servirá ao mando de jogo do estreante Alto Acre contra o tradicional Atlético Acreano, da capital, na tarde do próximo sábado. Para isso, estão sendo realizadas várias adequações exigidas pela Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

As arquibancadas receberão proteção lateral para a segurança dos torcedores e as cabines destinadas à imprensa deverão estar prontas até a próxima sexta-feira. A partida será transmitida ao vivo pela Rádio Difusora Acreana e terá cobertura de emissoras de televisão de Rio Branco.

O estado do gramado, apesar das poças que aparecem na foto, resultado da fortíssima chuva que caiu na noite da segunda-feira, é considerado bom. O piso do estádio de Xapuri já foi considerado o melhor do Acre, e com relação aos outros gramados que estão sendo usados na competição, com a exceção do Arena da Floresta, ainda estamos na frente.

Suspeita de intoxicação na fábrica Pisos Xapuri

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Recai sobre a fábrica Pisos Xapuri, localizada na BR-317 a cerca de 15 quilômetros da cidade, a suspeita de que produtos químicos usados no processo de produção estejam causando efeitos danosos à saúde de funcionários. A dona de casa Antônia Maria da Silva, 53, afirma que seu sobrinho e filho de criação, Sebastião Nonato da Silva, 19, conhecido pela alcunha de “Gavião”, foi transferido para Rio Branco em estado grave depois de apresentar sintomas possivelmente relacionados ao manuseio dos inseticidas usados pela empresa.

A dona de casa alega que Sebastião passou a apresentar reações adversas como dor de cabeça, sonolência e fraqueza física depois de dois meses trabalhando no setor da fábrica onde a madeira recebe a aplicação de inseticidas. Ela afirma ainda que o rapaz foi demitido logo após apresentar os supostos efeitos colaterais e que o mesmo não está recebendo nenhum tipo de assistência dos antigos empregadores, que também não entraram em contato com a família para saber informações do atual estado de saúde do ex-funcionário.

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Antônio Moraes de Souza (foto), 32 anos, afirma ser outra vítima dos efeitos do veneno. Ele diz que foi admitido na empresa em outubro de 2009, tendo passado a se sentir mal alguns meses depois, apresentando os mesmo sintomas que Gavião, mas com menor intensidade. Não se sentindo mais capaz de enfrentar a jornada de trabalho de 9 horas ininterruptas, comunicou o que sentia a uma superior chamada Adriana e abandonou o serviço temendo que sua situação se agravasse como no caso do colega de trabalho.

Muito magro, fraco e sem forças para trabalhar, Antônio diz que de seu trabalho na fábrica Pisos Xapuri – de onde tirava uma renda mensal de quinhentos reais - dependia exclusivamente o sustento de mais 6 pessoas, além dele, entre esposa, filhos e outros parentes, que dividem com ele uma pequena e humilde casa localizada na periferia da cidade. Ele também afirma que no setor onde trabalhava, de um total de 20 pessoas apenas 2 usavam máscaras de proteção.

Além dos dois casos acima, ouvi relatos de mais três pessoas que trabalham ou que possuem parentes trabalhando na fábrica. Pedindo que seus nomes fossem mantidos em sigilo - para não correr o risco de perder o emprego – afirmaram temer os supostos efeitos prejudicais dos produtos químicos, mas que diante da escassez de oportunidades de trabalho no município são obrigados a trabalhar mesmo sabendo dos riscos que correm. Todos afirmaram estar apresentando problemas na pele em função do manuseio do veneno.

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Na fábrica, fui recebido pelo gerente administrativo da empresa, Wágner Oliveira, e pela técnica em segurança Cherla Maia, que aparecem juntos na foto acima. De acordo com eles, não há nada de errado na Pisos Xapuri quanto aos procedimentos de segurança, mesmo se percebendo claramente na primeira e na terceira fotos deste post que muitos funcionários manuseiam tábuas sem usar luvas e trabalham sob pilhas de madeira sem o uso capacetes.

De acordo com as explicações de Wágner e Cherla os produtos usados pela fábrica são aplicados somente na madeira de nome tauari, e que não oferecem nenhum risco à segurança dos funcionários que os manuseiam. Mas nas fichas de emergência dos produtos Cipertrin MD – Inseticida à base de piretróide, líquido tóxico e inflamável e TBP 90 – líquido tóxico, corrosivo – consta que a inalação ou o contato com o produto pode irritar ou provocar queimaduras na pele e olhos, e que os vapores deles resultantes podem causar tontura ou asfixia.

Wágner e Cherla informaram ainda que os equipamentos de segurança usados pelos funcionários que aplicam os produtos se resumem a luvas e máscara com filtro, que segundo informações que obtive de alguns dos operários são as mesmas usadas nos hospitais e postos de saúde.

Sobre o caso de Sebastião Nonato da Silva, Wágner afirma que o diagnóstico feito pelo médico da fábrica após exames acusou um problema de saúde alheio a qualquer fator de risco relacionado ao trabalho que exercia na empresa, mas não quis falar sobre o assunto na ausência do mesmo e garantiu-me que o profissional faria contato comigo até esta segunda-feira para maiores esclarecimentos, o que não ocorreu. Acrescentou apenas que a demissão do trabalhador ocorreu antes que o mesmo apresentasse problemas de saúde, rebatendo a afirmação da mãe de Sebastião.

Sobre as afirmações de Antônio Moraes de Souza, o gerente afirmou desconhecer o caso. 

A fábrica Pisos Xapuri Importação e Exportação Ltda. é gerenciada por um consórcio que reúne as empresas Ouro Verde, Laminados Triunfo e Albuquerque Engenharia, no sistema de arrendamento mercantil feito junto ao governo do Acre. Com 187 funcionários trabalhando na atualidade, a fábrica é a terceira maior empregadora do município, ficando atrás do estado e do município, e à frente da Preservativos Natex.

Banco do Brasil

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Está em fase de conclusão o inquérito civil instaurado pelo Ministério Público para averiguar as denúncias relacionadas ao mau atendimento prestado pela agência local do Banco do Brasil.

A promotora Diana Soraia informou que está fechando o relatório sobre as investigações feitas e que em breve vai convidar a imprensa para divulgar informaçoes sobre o caso.

A agência do BB em Xapuri é campeã de reclamações do público. A demora no atendimento é uma das maiores queixas e a situação se agravou durante as férias do atual gerente.

Orleir da Silva Lima retornou das férias há algumas semanas e é necessário dizer que algumas mudanças já são notadas. Alguns caixas eletrônicos novos foram instalados e o atendimento está mais dinâmico e organizado.

O que não dá para se admitir é que uma instituição bancária do porte do Banco do Brasil confeccione manualmente as senhas disponibilizadas para o atendimento a seus tantos clientes.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Persona non grata

Percebo que passei a ter a presença indesejada, como jornalista, em alguns eventos da vida pública xapuriense. Sintoma claro de que minhas opiniões afetam a quem não se garante nos cabides aos quais se dependuram. Para o azar deles, continuarei, com prazer, a ser persona non grata sempre presente naquilo que for de interesse da comunidade. Aos incomodados, porém, um recado: saiam dos esconderijos escuros onde se encontram e encarem de frente a verdade que às vezes tarda mas não falha em vir à tona.

Onde se perdeu o esporte xapuriense?

Pertinente o comentário de Maxsuel Maia sobre a situação do esporte xapuriense:

“Onde se perdeu o esporte xapuriense? O futebol de Curica, Zeca, Julinho, do Arauto, Brasília, América e Limoeiro? O vôlei de Sandrão, Ricardo e Roberto? O handebol de Rafael, Meike e Erivan? Paramos de produzir esses craques de um passado próximo? São algumas perguntas que requerem respostas”.

Leia o texto completo no blog do autor.

A extinção do regime aberto

Antônio Gonçalves

Criado para abrigar os presos de menor periculosidade e com uma pena mais branda, os albergados praticamente nem saíram do papel, o que ficou explícito pela falta de locais para o preenchimento de vagas. Por este mesmo motivo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou extinção do regime aberto do sistema prisional brasileiro e, agora, encaminha ao Congresso proposta para modificar o regime aberto para o monitoramento eletrônico.

Como alternativa para esta medida, apontou o monitoramento eletrônico através de tornozeleiras para acompanhar os cerca de 20 mil presos do regime aberto, durante 24 horas. Com isso, pretende economizar e eliminar a impunidade dos infratores, já que o custo de um detento em um albergado é maior do que o custo mensal de R$ 500,00 de uma tornozeleira. Mas engana-se quem pensa que o detento terá liberdade para ir e vir onde e quando quiser, pois o aparelho terá de delimitar as distâncias que o detento pode percorrer e funcionará como uma espécie de GPS, apontando sua localização.

O fim do regime aberto no sistema penitenciário brasileiro expõe a má-administração das penitenciárias e a não-implantação de sistemas eficientes adotados em outros países, os quais resultaram na ineficiência do sistema. Uma boa alternativa foi a tornozeleira eletrônica, conhecida como algema eletrônica, para os presidiários beneficiados pelas saídas temporárias ou que estão no regime aberto.

Contudo, quando se discutiu anteriormente e aprovou o Projeto de Lei das Algemas Eletrônicas, o legislativo não se preocupou em especificar os procedimentos para a implantação da tornozeleira eletrônica, ou seja, a forma como seria o processo, quem poderia utilizar e em quais situações. Há, também, o aspecto funcional, pois a tornozeleira poderia servir como um GPS para os criminosos localizarem os rivais.

Agora, com a inicitiva do CNJ as antigas perguntas seguem sem resposta, será apenas uma transmutação da inaplicabilidade do sistema? Troucaremos os inexistentes albergados pelas não regulamentadas tornozeleiras?

Outro ponto a ser considerado é a criatividade do brasileiro, que certamente ‘daria um jeito’ de descobrir uma forma de retirar o aparelho. Existe, ainda, a questão orçamentária para a implantação das tornozeleiras. Isso significa que nosso sistema é falho, já que importamos o sistema, mas não importamos a forma e os procedimentos de implantação.

Antônio Gonçalves é advogado criminalista e membro da Association Internationale de Droit Pénal - AIDP.

Florestas plantadas

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Colocação São Raimundo, no seringal Equador, uma das cerca de duas dezenas de localidades de Xapuri onde o governo do Estado, através da Seaprof, está desenvolvendo um plano de plantação de seringueiras de cultivo.

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Cada localidade atendida pelo plano terá 2 hectares de área plantada, com mecanização feita pelo Estado. A previsão da Seaprof é de que num prazo de 6 anos os seringueiros já possam colher os frutos dessa iniciativa.

Leia aqui reportagem de Tatiana Campos sobre o assunto.

Ponte sobre o Ina

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O ramal que dá acesso aos seringais Cachoeira, São Miguel, Equador e outros certamente é o melhor que há em todo o município de Xapuri. Percorri cerca de 40 quilômetros da via até a colocação “Esperaí”, nesse domingo (14), e constatei que mesmo neste período chuvoso se trafega com bastante tranquilidade.

Infelizmente, o mesmo não se pode dizer desta ponte sobre o igarapé Ina, cuja imagem revela o estado precário em que se encontra. O curioso é que, como solução, em vez de se recuperar a ponte, optou-se por construir um desvio e, nele, outra ponte, que se vê na foto abaixo.

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Mais abaixo, a beleza do Ina com sua mata ciliar ainda preservada. 

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Imagem do dia

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Járdson, de 3 anos, e Edilene, de 5, são as crianças curiosas e sorridentes da colocação São Raimundo, seringal Equador, com quem estive na manhã desse último domingo. A mistura de sagacidade e pureza de ambos me fez ganhar o dia.

Deslumbrada com sua imagem na câmera fotográfica, Edilene me anuncia, orgulhosa, uma importante notícia:

- Já vou começar a estudar.

Járdson pouco fala, mas seu olhar dispensa palavras para tocar o coração. Pergunto a sua idade, e a resposta vem na forma de três dedos levantados à frente de um sorriso tímido, manhoso.

Voltei feliz em descobrir que a rudeza da vida na mata ainda seja capaz de produzir imagens como esta.

domingo, 14 de março de 2010

O amigo do homem

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Já li que na língua tupi guarani a palavra curió, nome popular do Oryzoborus angolensis, pássaro canoro brasileiro vítima de grande perseguição dos passarinheiros em quase todo o país, significa “amigo do homem”. A razão seria simples: a ave de apreciado canto gostava de viver perto das aldeias indígenas.

Em retribuição a essa amizade, o homem branco reservou ao refinado cantor a solidão de uma gaiola. A da foto que ilustra o post traz ainda a inscrição “penau” numa sarcástica e ortograficamente incorreta alusão à “penal”, termo popular pelo qual é conhecido o presídio estadual de Rio Branco.

Clique na imagem para vê-la ampliada.

Declínio

José Cláudio Mota Porfiro

Foi por aquele tempo da morte do Coronel Plácido de Castro que chegou ao Acre o bom João Veloso, acompanhado da jovem esposa, Doninha, com uma pequena fortuna no alforje, deixada pelo pai, um próspero comerciante de Araripina, sertão pernambucano, que havia morrido de uma febre dessas que leva o sujeito em três ou quatro dias.

Já nos estertores, o velho, de uns cinqüenta e poucos anos, disse-lhe entre lágrimas tardias e as mãos nas mãos do filho único:

- Vá, meu filho. Esse lugar não é seu. Vejo muita tristeza nos seus olhos. Você é muito jovem e não merece ficar à mercê das saudades minha e da sua mãe que também já não é deste mundo. Suba no rumo do Belém do Pará, desça pelo Amazonas, entre pelo Purus e, depois, pelo Rio Acre, até um povoado chamado Xapuri. Lá você encontrará um primo meu de nome Vicente Invenção Pereira, um pequeno comerciante de couros e peles de animais silvestres. É um sujeito muito decente. Venda tudo o que temos por aqui e, lá, você e ele saberão o que fazer com o dinheiro que será seu... – Foram as últimas palavras de Miguel Marcelino Pereira, um cabra trabalhador que ganhou a vida debaixo de um sol de rachar, carregando cana, puxando bagaço e, depois, vendendo a preço baixo açúcar, mel, rapadura, alfinin, sal, farinha, arroz, feijão, jabá, pano, linha, agulha, querosene, lamparina, arreios, folhetos de cordel, e mais um bocado de bugiganga própria para o consumo do povo do sertão.

Uma semana em Recife, seis dias de viagem de navio e mais uma semana em Belém foram o suficiente para contornar uns problemas com os documentos e com o dinheiro, uns três mil contos de réis... Uma fortuna que, junto com a muié, seriam defendidas, se fosse a ocasião, no arranco do parabelo ou na ponta do punhá, no dizer de João Veloso.

Dois meses de viagem, depois de Belém e, enfim, chegaram ao Xapuri, um povoado que não dispunha de mais de dez ruas, mas com um comércio rico, em vista da quantidade de borracha de que dispunha a região nas mãos de uns turcos e portugueses muito conscientes de que não era lá tão importante preocupar-se com a vida de um magote de sertanejos que chegavam para viver ou morrer.

Já do palanque, o simpático ancoradouro de Xapuri, João viu um homem moreno claro e de uma cabeça bem grande e bicuda no rumo da frente, como a sua. Ele se aprochegou e disse:

- Sou João Veloso Pereira, filho do Miguel Marcelino, de Araripina.

- Pois não é! Mais não me diga! A cara dum é o focinho do outro. E a cuma vai ele por aquelas bandas?

- Meu pai está morto e me recomendou lhe encontrar aqui e, para a minha sorte, nem foi preciso procurar!...

- Que tristeza! Como é que Deus leva um homem bom daquele. Se viesse para cá, ficaria rico, com o tino que tinha para os negócios. Minha Nossa Senhora! Meu São Francisco do Canindé!

- Ah, sim! Esta é Maria das Dores, a Doninha, com quem sou casado.

- Ah, pois bom! Sou Vicente Invenção, seu primo e seu criado... Mas vamos rumando lá pra minha casa.

A casa ficava ali perto, no fim da rua do comércio, depois da antiga Intendência Boliviana, ou Casa Branca. João e Vicente trataram de negócios na mesma noite e, no outro dia, já foram à casa do Coronel Vitorino Maia, herói da revolução contra os bolivianos, que, segundo souberam, não mais se sentia com coragem ou com forças para tocar o seringal São Pedro, ainda muito perigoso em vista da existência de alguns índios que até começavam a fugir para o Peru.

- É o Seringal São Pedro, no Rio Xapuri. Fica tudo dentro. Um barracão de palha, um armazém com alguma mercadoria, uma casa de farinha, uma moenda de engenho puxada a boi, um paiol, dezoito burros, catorze reses, algum criame e a terra que mede cento e quarenta e seis léguas em quadra. São sessenta e duas colocações que, com esforço, rendem mil e trezentos contos por ano. Quero dois mil e quinhentos contos de réis em tudo e vou embora pra Manaus na semana que vem mesmo.

Feito o negócio, foi passado e dado o recibo com selo assinado por João Castelo Branco, tabelião da comarca.

Passaram-se alguns tempos de muita labuta e muito lucro. Em dez ou doze anos, João multiplicou por muitas vezes o que trouxe da herança do pai. Trabalhava dia e noite, pois, agora, já contava com quatro filhos: Epitácio, Caboclo, Carmem e Nenen.

Veio-lhe, então, uma madrugada traiçoeira e a esposa morreu de uma asma contraída no eito enquanto, mesmo à noite, ajudava o marido a acumular a fortuna que crescia a olhos vistos.

A menina mais nova tinha seis anos e passou a ser cuidada por uma moça muito atenciosa que atendia pelo nome de Nazaré, filha mais velha de Francisco Abdoral, irmã de Marissanta e Belisária.

Continue a leitura no blog do autor.

sábado, 13 de março de 2010

A desfaçatez da Eletroacre

Os nove vereadores de Xapuri se uniram na assinatura de um documento que solicita do Ministério Público providências contra os tormentos que a Eletroacre vem infligindo aos consumidores do péssimo serviço prestado pela empresa. O expediente foi encaminhado à promotora de justiça Diana Soraia Tabalipa Pimentel relatando as reclamações feitas pela população com relação aos prejuízos causados pela empresa. Entre as queixas estão a queima de equipamentos eletrônicos e a morte de aves ocorridas no aviário do "Pólo do Entroncamento".



Após ter um aparelho de ar condicionado queimado pelas constantes quedas de energia, procurei o setor da empresa responsável pelo ressarcimento de danos. Um processo foi aberto e depois de 29 dias de espera recebo uma correspondência informando-me que fui autorizado a fazer dois orçamentos com técnicos no ramo para que a Eletroacre avalie se os danos têm relação com as rotineiras falhas no fornecimento de energia. Isso significa que, além de ser obrigado a ficar sem o aparelho enquanto aguardo a boa vontade da empresa, também tenho que transportá-lo de um lugar para outro sem a garantia de que serei indenizado ao final do processo.

A impudência e a falta de respeito que a Eletro dispensa ao consumidor encontra amparo na indisposição das autoridades em tomar providências rigorososas contra os abusos. Está claro que diante de tanta burocracia, a maioria das pessoas opta por assumir o prejuízo a lutar pelos seus direitos, uma vez que a segunda alternativa significa permanecer sem desfrutar de um bem que na maioria das vezes se adquiriu a duras penas. Com a Eletroacre, só duas coisas não falham: a cobrança mensal e o corte na falta do pagamento.

Resta aguardar que diante da solicitação dos vereadores, o Ministério Público se manifeste na defesa dos cidadãos que pagam a caríssima tarifa de energia, que ainda é acompanhada da escorchante alíquota do ICMS. Clique na imagem para visualizar o documento encaminhado pelos vereadores à promotora de justiça de Xapuri.

Imagem do dia



Copa de castanheira desafia a lei da gravidade na Estrada da Borracha. Clique na imagem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mutilados pelo descaso

Ficheiro:Skin ulcer due to leishmaniasis, hand of Central American adult 3MG0037 lores.jpg

Via blog do advogado e professor xapuriense Edinei Muniz acessei o estudo científico Epidemiologia da leishmaniose tegumentar americana no Estado do Acre, Amazônia brasileira, de autoria de Natal Santos da Silva, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), e Vitor Dantas Muniz, do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Publicado no Caderno de Saúde Pública da Revista Scielo, o estudo comprova uma triste e já conhecida realidade: a Leishmaniose Tegumentar Americana vem se expandindo no Estado, especialmente na região do Vale do Acre. O estudo aponta ainda o município de Xapuri como o principal foco da doença e sugere atenção especial das autoridades de saúde.

Não é à toa que o gerente de endemias de Xapuri, Joaquim Vidal, tem chamado a atenção, com ampla cobertura deste blog, para a gravidade do problema no município. Os estudos do setor de endemias de Xapuri revelam um dado que agrava a situação: o alto índice de ocorrências entre crianças de 0 a 5 anos.

Segundo Vidal, as ações de combate à terrível zoonose que mutila o corpo e destrói a autoestima das vítimas estão restritas aos estudos dos insetos. Das 16 localidades em que houve programação de controle dos vetores, através de borrifação intradomiciliar, não foi possível executar o trabalho em nenhuma delas em 2009 por pura falta de estrutura.

Neste ano, a previsão da saúde é de realizar o trabalho em 22 duas comunidades rurais de Xapuri, que representam o total de localidades onde ocorreram registros da doença no ano passado, quando foram notificados 121 casos, dos quais 19,83% em crianças menores de 5 anos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Caldo de Piaba

Taís Toti, Jornal do Brasil.

No Acre, é comum dizer que algo é “mais ralo que caldo de piaba”, mas há controvérsias sobre a verdadeira consistência da refeição: muitos dizem que, na verdade, o prato é coisa fina. De qualquer forma, de fraco a banda acreana Caldo de Piaba não tem nada – da receita, talvez, tenha em comum apenas a mistura, no caso deles de referências musicais, que poderão ser vistas e ouvidas nesta sexta-feira, na Caixa Cultural, na abertura da Mostra Instrumental Contemporânea (MIC), que vai até domingo.

– Começamos a banda com a ideia de fazer um projeto instrumental. Íamos para o estúdio, improvisávamos bastante e percebemos que passávamos por ritmos diferentes, tanto nas nossas composições como nas versões – explica Eduardo di Deus, baterista da banda.

As influências – que Di Deus prefere ver como “referências” – são tantas que é difícil listar: no baixo e na bateria, presença forte do brega e da lambada, além do ska e do rock, este também presente nas guitarras, que conduzem as músicas e representa fortemente a influência da guitarrada, estilo musical paraense. Apesar da grande inspiração nos ritmos amazônicos, o regionalismo não define a banda.

– Esse rótulo gera compromisso com determinados padrões, e nós apenas incorporamos alguns elementos. Lidamos com o regionalismo mas não somos regionalistas – destaca o baterista. – Os ritmos vão se transformando, é sotaque de lambada no rock, com uma força de funk. São ritmos populares, que foram fortes na Amazônia nas décadas de 70 e 80, coisas que escutamos desde pequenos ou mesmo na rua.

Turnê de Kombi

A cada festival que participa, o Caldo de Piaba recebe mais e mais convites para tocar pelo Brasil. Eles já passaram pelo Varadouro (Rio Branco, AC), Calango (Cuiabá, MT), Recbeat (Recife, PE) , além de shows em outras cidades brasileiras. Investindo também na terra natal, eles criaram o Piaba no Kombão.

– No primeiro show que fizemos, conseguimos uma Kombi emprestada, na qual cabe o equipamento inteiro e a gente dentro. Daí surgiu a ideia, que fomos amadurecendo. Fomos circulando, levando o show para espaços públicos nas cidades do interior do Acre, como em Brasiléia, que fica na fronteira com a Bolívia, e Xapuri – recorda Di Deus. – Sempre levando música instrumental para quem não está acostumado a ouvi-la. Em alguns lugares houve muita interação com as crianças, em outros, por conta releituras que fazemos de músicas antigas, pessoas mais velhas vinham conversar com a gente.

Sem letra

Junto com a Caldo de Piaba, a Mostra Instrumental Contemporânea traz nomes de diversas cidades brasileiras, fazendo um apanhado da música instrumental no Brasil. Na sexta-feira, os cariocas da Binário acompanham os acreanos; no sábado, se apresentam A banda de Joseph Tourton (PE) e Guizado (SP); e as bandas Fossil (CE) e Elma (SP) finalizam a mostra, no domingo. Todas as bandas se apresentam gratuitamente.

– Hoje tem muita banda instrumental que gostamos bastante. No nosso caso a resposta sempre foi boa, fizemos pouquíssimos shows em que o público não estava no clima. Quando se faz uma coisa bem feita as pessoas aparecem – opina Gabriel Izidoro, guitarrista d'A Banda de Joseph Tourton, que ganhou este nome por causa da rua em que ensaiavam e que acabou virando um personagem, um aviador sem rosto criado pelo grupo.

Papoula

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Essa brotou na varanda de dona Eliana Pessigatti, na fazenda Nossa Senhora Aparecida, localizada no encontro da estrada do Café com a BR-317, a 25 km de Xapuri.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lixo e cachorrada

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É inegável o esforço que a prefeitura de Xapuri tem feito para manter a cidade limpa. Tomou emprestado um caminhão compactador da prefeitura de Rio Branco que é capaz de fazer em um dia o que os caminhões normalmente utilizados fazem em três, e elaborou um calendário de coleta, varreção e capina que funciona de segunda-feira a domingo atingindo todos os limites da cidade.

Apesar disso, a cidade amanhece exibindo cenas como as das fotos acima, por duas razões principais: primeiro, pela fato de a população não se adequar ao calendário de coleta e depositar os resíduos domésticos nas lixeiras todo santo dia, não respeitando o rodízio estabelecido pela Secretaria de Infraestrutura. Em segundo lugar, e como consequência da primeiro razão, pela bagunça que os cães vadios fazem ao revirar os tambores destinados a acolher a lixarada.

Quanto ao último problema, recebo a informação de que uma parceria entre os municípios do Alto Acre resultará na construção de um canil no município de Epitaciolândia que concentrará a cachorrada recolhida em toda a regional. Uma “carrocinha” será adquirida para atender a todos em sistema de rodízio semanal, segundo informação do secretário municipal de infraestrutura de Xapuri, Renato Souza, em entrevista concedida à Rádio Educadora na manhã de hoje. 

Com relação ao primeiro dos motivos citados acima, a solução é a população se educar, a começar por mim mesmo e meus vizinhos – o tambor das fotos acima é o que está localizado no portão da casa onde moro e que atende, além de mim, a mais algumas pessoas -, e passar a colocar o lixo para fora somente no dia da coleta, cujo calendário está sendo divulgado pela rádio local. Uma medida simples que proporcionará uma melhor qualidade de vida para todo mundo.

Varejo



Luma Ferreira de Moura é mais uma vítima do avanço do tráfico de drogas em Xapuri. Aos 22 anos, a garota caiu nas mãos da Polícia Civil de Xapuri com 17 papelotes de cocaína poucos dias depois que seu marido, conhecido pela alcunha de Lourinho, foi preso há alguns dias pelo mesmo crime. Digo vítima por entender que pessoas tão jovens como Luma estão servindo ao serviço miúdo de um esquema maior que vem devastando a juventude local. Fazem o varejo de um comércio organizado que a despeito das muitas prisões que têm sido feitas ultimamente não perde a sua força e tende a arregimentar mais e mais jovens para esse caminho muitas vezes sem volta.

Clique na imagem do jornal o Alto Acre para ler a reportagem.

terça-feira, 9 de março de 2010

Miltinho

Nunca soube ao certo ele se atendia pela graça de Miltinho ou Niltinho. Membro do clube da branquinha, perambulava pelas ruas do centro da cidade a garimpar uma “dose”. Numa dessas oportunidades, mais precisamente em fevereiro do ano passado, fiz a histórica foto acima, com a câmera de um telefone celular, onde a folclórica figura posa junto com o também pinguço Joseni Oliveira, repórter da Rádio Educadora de Xapuri.

Encontrado morto em sua casa no último final de semana, o engraçado sujeito – grande vítima da exclusão social - não teve quem velasse seu corpo, que do hospital para onde foi levado seguiu diretamente para a última morada. Mas fica aqui no blog talvez um dos poucos registros fotográficos que tenha tido na vida essa figura marcante da área central de Xapuri, que tornava a nossa cidade mais alegre e mais humana.

segunda-feira, 8 de março de 2010

“Eterno sofrimento”

Impossível ficar indiferente aos alertas que têm sido emitidos pelo Setor de Endemias de Xapuri com relação aos altos índices de leishmaniose no interior do município. Segundo dados divulgados, na zona rural de Xapuri em 25,88% das localidades está havendo transmissão de leishmaniose tegumentar americana e as pessoas que habitam nestas áreas estão em risco de contrair a enfermidade.

Em 2009, foram notificados no laboratório de Endemias de Xapuri 121 casos, dos quais 19,83% em crianças menores de 5 anos. De acordo com o técnico em entomologia médica, Joaquim Vidal, das 16 localidades em que foi programado o trabalho de controle dos vetores, através de borrifação intradomiciliar, não foi possível executar nenhuma ação.

O não cumprimento do plano, segundo Vidal, se deve à falta de estrutura que o setor vem sofrendo nos últimos anos. Para 2010, o planejamento de combate à doença prevê a presença dos agentes de endemias em 22 localidades que registraram transmissão da leishmaniose. Leia mais no post Leishmaniose, um eterno sofrimento, no blog Entomologia.