terça-feira, 6 de setembro de 2011

Peladão da Independência

Criado no ano de 1974 pelo vereador João Simão dos Santos, o saudoso “João Sabiá”, o Peladão da Semana da Pátria tornou-se uma das maiores tradições esportivas do município de Xapuri. O evento sobrevive ao tempo reunindo anualmente dezenas de times das zonas urbana e rural, a maior parte deles formada de última hora com jogadores de todas as idades.

No Peladão, a regra maior é ninguém poder calçar chuteiras. Os “atletas” jogam as partidas descalços enfrentando a alta temperatura do gramado seco pela estiagem, enchendo os pés de bolhas de sangue, em muitos casos. Nada disso representa dificuldade para a realização dos confrontos, sempre eliminatórios, que começam sempre no Dia da Amazônia (5) e terminam no dia da Independência do Brasil (7).

Cerca de 30 equipes estão disputando a festa esportiva deste ano, mas esse número já chegou a quase uma centena em outras edições. A decisão do torneio está marcada para às 8:30 da manhã do dia 7. O palco é o bom e velho estádio Álvaro Felício Abrahão.

A imagem é do blog Xapuri em Destaque.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Violência em Xapuri

Vice-prefeito Eriberto Mota se manifesta sobre envolvimento de filhos em agressão

Visivelmente emocionado, o vice-prefeito de Xapuri, Eriberto Mota, se dirigiu à Rádio Educadora de Xapuri na manhã desta segunda-feira para se pronunciar sobre o envolvimento de seus filhos, Mayron e Marcelo, na confusão da qual Anderson Pereira de Mattos saiu gravemente ferido, na madrugada do último sábado, após participar do Carnaval Fora de Época.

Eriberto Mota afirmou que está muito preocupado com o estado de saúde de Anderson, que é filho do ex-bancário Jéferson Mattos, de quem o o vice-prefeito diz ser amigo. Ele fez questão de deixar claro que, independentemente do grau de participação de seus filhos na agressão, jamais haverá de sua parte alguma intenção de protegê-los de suas responsabilidades.

“Antes de mais nada gostaria de dizer que estou muito triste com esse acontecimento, principalmente pelo de fato de o pai de Anderson ser meu amigo. Como pai, quero dizer que não tenho a intenção de defender ninguém e espero que a polícia apure o que aconteceu realmente e que cada um responda de forma justa por aquilo que fez”.

O blog não conseguiu apurar melhor os fatos na manhã desta segunda-feira porque, alegando estar com sua mesa cheia de “procedimentos”, o novo delegado titular de Xapuri, Antônio Carlos Marques, não atendeu ao meu pedido de prestar algumas informações sobre o caso que causa repercussão principalmente por envolver membros de três famílias tradicionais da cidade.

Informações de testemunhas dão conta de que os ferimentos mais graves sofridos por Anderson Mattos foram ocasionados por golpes de uma fivela de cinto cowboy desferidos por um estudante de medicina chamado Renan Dankar, amigo dos filhos do vice-prefeito. As pancadas foram tão fortes que quebraram o crânio da vítima.

Com base nas mesmas informações, a confusão teria começado depois que Anderson viu uma suposta namorada sua reunida com o grupo de amigos dos filhos do vice-prefeito. Após tomar satisfação com a garota, ele teria desferido um soco em Renan, a partir de quando começou a ser espancado por uma multidão até perder os sentidos no solo.

Segundo informações da família, Anderson foi submetido a uma cirurgia de emergência ainda na tarde do domingo (4) no Pronto-Socorro de Rio Branco, para onde foi encaminhado logo em seguida aos acontecimentos em Xapuri. Até o fechamento do post, não havia nenhuma informação sobre o seu estado de saúde.

Dia da Amazônia

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Frei Pilato Pereira

No dia 5 de setembro comemora-se o dia da Amazônia. A extensão da Floresta Amazônica abrange os estados brasileiros do Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia, Amazonas, Tocantins, Maranhão e parte do Mato Grosso. Mas a Amazônia vai além do território brasileiro. Ela também se expande para outros países da América do Sul, como: Venezuela, Guianas, Suriname, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. É um bioma transnacional, cuja preservação depende de todos os governos e sociedades de abrangência do território amazônico.

Toda a área da Amazônia corresponde a dois quintos da América do Sul e, praticamente, a metade do território brasileiro. Sabemos da grandiosidade da Floresta Amazônica em termos de extensão, mas ela também é grande, rica e impressionante em minerais, espécies vegetais, animais e reservas de água doce, por conta do grande volume de água dos seus rios.

Um dado muito significativo, é que na Amazônia estão um quinto das águas doces do mundo. É, portanto, a maior bacia hidrográfica do planeta, com extensão de sete milhões de quilômetros. Os principais rios que formam a bacia são, além do Amazonas, os seus afluentes: Negro, Trombetas e Japurá, à esquerda; e Madeira, Xingu, Tapajós, Purus e Juruá, na margem direita.

A Floresta Amazônica tem uma importância significativa para a normalidade da vida no planeta Terra. Ao absorverem carbono, por exemplo, suas árvores contribuem para o equilíbrio do clima mundial. Tudo isso mais a variedade de solos, altas temperaturas e muita chuva faz com que a Amazônia seja um ecossistema auto-sustentável, isto é, capaz de se manter com seus próprios recursos.

Com beleza tão exuberante e com tantas riquezas naturais, a Amazônia também tem a sua limitação e fragilidade que o ser humano precisa saber e respeitar. O solo do território amazônico tem baixa fertilidade. É apenas uma pequena camada muito superficial que é fértil para o cultivo. Cuja fertilidade persiste por pouco tempo, não mais que um ano de manejo. Por isso não adianta derrubar suas árvores para investir na agricultura e pecuária, como alguns políticos e empresários malucos e ambiciosos estão fazendo. Pois, sem a cobertura vegetal para proteger, a água da chuva carrega todos os nutrientes do solo e o torna extremamente pobre. É da própria natureza que o solo amazônico esteja apenas para a floresta e para quem souber conviver com ela.

Se a humanidade quer se servir da Amazônia, deverá deixá-la em paz. Os desmatamentos e disputas pelo domínio de suas terras, a caça e a pesca sem controle e o contrabando de animais e de plantas, são ações criminosas que ameaçam a sobrevivência da floresta. A intervenção equivocada do ser humano na Floresta Amazônica impede a utilização correta de seus recursos para o bem da humanidade. Se deixarmos a floresta em paz, ela nos trará a paz.

Frei Pilato Pereira é mestrando em Teologia PUC-RS. Escreve no blog Olhar Ecológico.

domingo, 4 de setembro de 2011

Já diz o velho ditado

“Boa romaria faz quem em sua casa está em paz”

Na noite/madrugada desse sábado de carnaval fora de época, nas proximidades da igreja de São Sebastião e a alguns metros do local onde se realiza a folia fora de hora, o jovem Anderson Matos, popularmente conhecido pela alcunha de “Mangaba” foi dura e covardemente espancado por uma turba de “pit boys”, sofrendo ferimentos na cabeça que o levaram a ser transferido para Rio Branco em uma unidade do Serviço Atendimento Médico de Urgência.

Testemunhas que presenciaram a selvageria afirmam que, depois de uma confusão iniciada sem motivo aparente, Mangaba foi agredido por quase uma dezena de indivíduos que lhe atiraram ao chão pisoteando-o impiedosamente. Um dos agressores, que seria oriundo do município de Brasiléia, teria desferido vários golpes na cabeça da vítima com a fivela de um cinto estilo cowboy que resultaram em enormes cortes na região da nuca.

Segundo os agentes de plantão na Delegacia Geral de Polícia de Xapuri na manhã deste domingo, três participantes da confusão foram presos por policiais do Bope presentes na cidade para a segurança do carnaval, mas liberados após assinarem Termo Circunstanciado de Ocorrência. Somente nesta segunda-feira (5), informações poderão ser levantadas com mais precisão sobre o caso, assim como sobre a situação da vítima das agressões.

O que chama atenção nesse caso é que tanto vítima quanto agressores são oriundos de famílias tradicionais de Xapuri. Anderson é filho do ex-bancário e maçom Jéferson Mattos com a funcionária pública Bárbara Mattos, da família Pereira, do popular José Bacú. Parte dos agressores são membros da família Menezes, sendo dois, segundo informações preliminares, filhos do vice-prefeito Eriberto Mota.

De acordo com Carlos Estevão Ferreira Castelo, que é tio da vítima, Anderson sofreu traumatismo craniano e passou por cirurgia de emergência no pronto socorro de Rio Branco ainda na tarde do domingo.

Apesar da perda total da fala em razão das agressões recebidas, Anderson conseguiu identificar, via escrita, os seus agressores para o delegado de Xapuri que compareceu ao Hospital no domingo pela pela manhã.

Apesar de vivermos numa cidade pequena e acanhada, o velho provérbio nunca esteve tão usual.

Menino Garrinha

Ficou mais experiente neste sábado, 3 de setembro, meu amigo João Mendes, o popular João Garrinha, proprietário, junto com a esposa Maria Nilce, da Pousada Chapurys, onde montou um importante acervo sobre a história de Xapuri.

Garrinha foi às lágrimas ao ser surpreendido pela família com uma homenagem em vídeo feita durante a festa de aniversário do neto João Adriano, realizada na Loja Maçônica de Xapuri, também neste sábado.

Como homenagem do blog, fui ao arquivo em busca da imagem acima, feita no ano de 2009, quando flagrei o menino João Garrinha soltando pipa em frente à pousada. Sinal de que, a despeito de castigar o corpo, o tempo nos conserva o espírito de criança.

Parabéns ao grande Garrinha, um dos patrimônios vivos da nossa gente.

Detalhe

Não passou desapercebido pelo público um pequeno detalhe na ornamentação da solenidade de abertura dos desfiles da Semana da Pátria deste ano. Duas fitas entremeadas em azul e branco circundando o palanque oficial deram um tom “para ver Xapuri renascer” à festa.

Para ver Xapuri Renascer foi o slogan mal sucedido, e o azul e o branco as cores oficiais da administração anterior, do ex-prefeito Wanderley Viana. Se percebeu a gafe, o prefeito Bira Vasconcelos optou por deixar transparecer o contrário.

Veja como foi o evento no blog Xapuri em Destaque.

Melk

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O Carnaval fora de época de Xapuri está tendo uma ausência importante. O sempre alegre e divertido Melk, cria dos amigos Ziláh e do Mirim, está em Jales, interior de São Paulo, onde faz tratamento de sério problema de saúde.

Tomo a liberdade de falar no assunto aqui no blog para desejar a ele sucesso nos procedimentos médicos e dizer que estamos a sua espera para comemorar, em pleno “Ninho do Urubu”, o título do Vasco da Gama na Copa do Brasil.

Dá-lhe, Melk. 

sábado, 3 de setembro de 2011

Presente de Grego

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O conhecidíssimo Damião Menezes, proprietário do famoso “Bar do Damião”, aniversariou esta semana. Feliz da vida com as homenagens recebidas dos amigos, o aniversariante convidou o advogado Júlio Oliveira para uma partidinha de sinuca, jogo no qual se gaba exímio praticante.

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O resultado do desafio foi, para Damião, um verdadeiro presente de grego. Perdeu a partida na qual o assessor jurídico da prefeitura de Xapuri usou como taco um cabo de vassoura, conforme denunciam as imagens registradas pela câmera de um telefone celular.

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Acima, o cruel advogado com a arma do crime nas mãos. “É um fato histórico que merece ser registrado nos anais”, disse.

Damião, por sua vez, não quis comentar o desagradável resultado da partida. Parabéns a ele. Pelo aniversário, obviamente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Impressão ruim

Hoje, na coluna Poronga:

“A decepção do senador Randolfe Rodrigues, do PSOL do Amapá, que em comitiva tentou em vão visitar o Centro de Memória Chico Mendes e a Casa onde o líder seringueiro foi morto, em Xapuri, porque passavam das 18 horas, recomenda mais atenção dos responsáveis quanto ao significado daqueles espaços para o Estado, o país e o mundo.

Chico virou um símbolo universal. Portanto, a visitação não pode ser dificultada nem para quem está perto nem para quem chega de longe, como foi o caso do senador. Tinha um rapaz cuidando de outro prédio ao lado da Casa, mas ele agiu como policial, impedindo até que Randolfe entrasse pela portinhola da cerca e tivesse acesso ao quintal.

O rapaz parecia ter recebido orientação para agir daquela maneira, como um leão-de-chácara. Ele não cedeu nem quando foi apresentado ao senador. As explicações dadas ontem a este jornal por Elenira Mendes, a simpática filha de Chico Mendes com Ilzamar, não ajudam a corrigir essa situação, que contraria a história do homenageado.

Sim, o senador e sua comitiva saíram com a impressão de que a cidade de Xapuri não cuida tão bem quanto deve da imagem de seu valoroso líder seringueiro e ambientalista”.

Fumaça da Bolívia

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Evandro Ferreira

As imagens dos satélites da NASA/MODIS não deixam dúvida: a fumaça que estacionou sobre Rio Branco desde ontem (01/09) vem majoritariamente da Bolívia. Esta situação é favorecida pela direção do vento, que sopra no sentido noroeste. Com isso praticamente todo o Acre está encoberto por uma densa camada de fumaça de queimadas que estão sendo realizadas nas cercanias de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia.

Para piorar a situação, existe uma camada de nuvens estacionada sobre a nossa cidade, o que reforça a impressão de fumaça excessiva no ar.

Não é possível estimar o percentual de contribuição da fumaça de origem boliviana. Mas é certo que parte da fumaça que encobre Rio Branco também tem origem no leste do Acre. A primeira semana de setembro tem sido, historicamente, elegida por nossos agricultores como o período ideal para realizar queimadas. Nesta semana o número de focos de calor detectados no Acre sempre são mais elevados do que em outros períodos do ano.

Evandro Ferreira é pesquisador do Inpa-Ac e do Parque Zoobotânico da UFAC. Escreve no blog Ambiente Acreano.

É ilegal e desmata

Marina Silva

Via blog do Altino.

Na última semana, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) entregou à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado seu relatório sobre o projeto do Código Florestal. Não surpreendeu.

Manteve todos os vícios de origem, que agridem a Constituição, trazem insegurança jurídica e incentivam novos desmatamentos. Poderia ter melhorado, agregando contribuições dos cientistas e especialistas ouvidos no Congresso.

Poderia ter esperado a reunião com juristas. Mas não. Passou recibo e assinou embaixo.

Já se esboça operação política para que, rapidamente, esses retrocessos sejam legitimados. No Senado, parece haver articulação entre governo e ruralistas para que se aprove o projeto com rito sumário na CCJ. É o que se depreende da manifestação pública da ministra do Meio Ambiente, sinalizando aprovação ao relatório, e das declarações da presidente da Confederação Nacional da Agricultura à imprensa sobre um suposto acordo com o relator na Comissão de Meio Ambiente, Jorge Viana (PT-AC), para votá-lo até outubro.

As coisas começam a ficar mais claras. Senão, como entender a lamentável decisão de entregar a relatoria de três das quatro comissões que analisam o Código no Senado para um mesmo senador, aquele que fez uma lei estadual flagrantemente inconstitucional, reduzindo a proteção das florestas em Santa Catarina, equívoco que, agora, está propondo para todo o país?

Repete-se o distanciamento entre a posição do Congresso e a vontade da sociedade, acrescido da tentativa de criar a falsa sensação de que o projeto é equilibrado e bom para as florestas. Isso não é verdade.

Nenhuma das sugestões dos ex-ministros do Meio Ambiente foram consideradas.

Tampouco as dos cientistas.

Segundo uma primeira avaliação do Comitê em Defesa das Florestas, integrado por CNBB, OAB, ABI, entidades ambientalistas, sindicais e empresariais, o relatório não só não corrige os retrocessos, mas os consolida e aprofunda (ver minhamarina.org.br).

Transferir competências da União para os Estados vai promover uma guerra ambiental e gerar legislações permissivas, antiambientais e irresponsáveis. Juristas de renome, como o ministro Herman Benjamin, do STJ, têm alertado para a necessidade de observância do princípio jurídico da "proibição de retrocessos".

Ele entende que o projeto reduz a proteção das florestas, em vez de ampliá-la.

O debate no Senado pode ser mais amplo, profundo e sem pressa. Todos os argumentos e questionamentos devem ser analisados com isenção. É inaceitável que a manobra rural-governista em curso coloque por terra a esperança depositada no Senado e nos compromissos de não retrocesso assumidos pela presidente Dilma.

Marina Silva escreve às sextas-feiras na Folha de S. Paulo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Elenira justifica

Elenira Mendes ligou à coluna Poronga para explicar que o Centro de Memória Chico Mendes e a casa onde viveu o pai ficam abertos a visitação pública entre 8 e 18 horas, todos os dias, salvo quando há prévia comunicação de visitas ilustres.

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A explicação dela foi uma resposta a informações publicadas na coluna e reproduzidas por este blog, segundo as quais o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) não teria conseguido, na última sexta-feira, visitar esses locais, que hoje são os principais pontos turísticos de Xapuri.

Sobre a precária situação em que se encontra o túmulo onde Chico Mendes está sepultado, Elenira afirma que a responsabilidade pela limpeza é da prefeitura de Xapuri. A identificação da lápide, segundo ela, está sendo providenciada para substituir a que fora furtada tempos atrás.

Recordar é viver…

Ela andou esquecendo algumas letras, sim. Mas é uma das maiores cantoras que o Brasil já viu.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rua Cel. Brandão

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É premente a necessidade de duplicação da principal rua de Xapuri. Não é exagero afirmar que em determinados momentos do dia o trânsito ali se torna caótico. Não que hajam congestionamentos ou grande número de acidentes diários, mas o compartilhamento obrigatório de uma via de não mais que 5 ou 6 metros de largura por pedestres, ciclistas e veículos automotores está se tornando insustentável, principalmente nos horários de entrada/saída das aulas. Eis uma demanda para concorrer com a tão reivindicada ponte da Sibéria. Que venham ambas.

Carnapuri

Prefeitura, Polícia e Conselho Tutelar definem horários. Leia.

Vereadores x blogueiro

Ainda não foi realizada nenhuma das audiências de um total de 7 reclamações registradas no juizado especial da Vara Cível de Xapuri em que figura como parte reclamante quase a totalidade dos vereadores do município e como reclamado o ex-blogueiro Eden Barros Mota.

A razão da mobilização conjunta dos edis contra Barros Mota é uma só: a ‘carrada’ de críticas dirigidas contra os representantes da Câmara Municipal de Xapuri via weblog. “Parasitas” e “sugadores do dinheiro público” foram alguns dos elogios feitos pelo blogueiro.

Dos 9 vereadores xapurienses, apenas o presidente da Câmara, Ronaldo Ferraz (PMDB), e Maria Luceni (PV) não engrossam o caldeirão dos descontentes contra a série de cobranças via internet, que ganhou grande repercussão na cidade.

As audiências estavam previstas para acontecer no final do mês de julho, mas foram suspensas a pedido da parte reclamada. De acordo com a secretaria do Juizado Especial Cível, a nova data para tentativa de conciliação é 10 de outubro do corrente ano.

Salário Mínimo

13,6% é o valor proposto pelo governo projeto de lei de Orçamento da União para 2012. O reajuste eleva os atuais R$ 545 para R$ 619,21, a partir de janeiro de 2012.

Enquanto isso, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulga que o brasileiro precisaria de um salário mínimo no valor de R$ 2.212,66 em junho para conseguir arcar com suas despesas básicas (veja aqui).

A entidade verificou que são necessárias 4,06 vezes o valor do salário mínimo para suprir as demandas do trabalhador. O cálculo foi feito com base no mínimo de R$ 545, em vigor.

O valor de R$ 619,21 seguiu acordo firmado entre o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Congresso de ter como regra para o reajuste anual do salário mínimo a inflação do ano anterior e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Por essa fórmula, o mínimo de 2012 considera a inflação de 2011 mais o crescimento do PIB de 2010.

Bom seria se o reajuste dos funcionários públicos em geral seguisse a mesma regra.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estátuas de puro talco

José Cláudio Mota Porfiro

O preconceito é um conceito antecipado, a priori. Antes, em criança e adolescente, participei de eventos sociais por aquelas bandas. Como naqueles tempos ainda não me havia tocado o germe da discriminação, eu não posso me aceitar enquanto um preconceituoso, posto que só agora, por último, os bolivianos se tornaram menos humildes e muito mais antipáticos, notadamente, uma grande parcela de pós-incaicos que querem tornar tudo aquilo muito pior que antes.  

Não me vem à memória a autoria, mas um certo aforismo nos diz que todos aqueles que se sentem desprezados fazem tudo na vida para serem odiados. É exatamente esta a condição dos nossos vizinhos marginais que tentam se erguer à custa da mais desprezível ilegalidade.

Conscientemente, jamais deveria-mos esperar muita coisa de uma nação sustentada a partir de uma substância que faz tanto mal ao ser humano. Os bolivianos estão entre os que envenenam a humanidade, sem nenhuma preocupação. Todavia, registre-se que há, ali, ainda, um punhado de verdadeiros e poucos caudilhos que dignificam uma pátria de tantos desvalidos e de tão poucos verdadeiramente conscientes. Vivem por lá uns escassos honrados e verdadeiramente trabalhadores. Não sei até quando eles haverão de suportar tanta iniquidade.

Vai apenas um conselho - de irmão para irmão, do tipo de pai para filho - porque eu não aprecio ver ninguém passar por apuros, principalmente, quando não existem culpas ou pecados que justifiquem os desmandos praticados por uma gente sem nenhum escrúpulo, como estes habitantes da nossa última fronteira mais a oeste do Brasil.

Não, meu amigo, nunca mais vá à Bolívia! É um apelo que faço em nome da segurança e da tranquilidade que deveriam ser a tônica de um passeio que, dependendo dos humores dos cholos, pode muito bem se transformar em algo bastante tedioso e, o que é pior, aborrecido e traumatizante.

Sem querer justificar fatos injustificáveis  - que ocorrem principalmente nos finais de semana de verão, em Cobija  -  é conveniente considerar, antes, a grosso modo, a saga dos povos incas dizimados pelos espanhóis entre os séculos XVI a XIX. Os atuais bolivianos, por exemplo, foram escravizados e atirados em chiqueiros, feito porcos, onde faziam, inclusive, as necessidades biológicas e pariam as suas crias que, sem nenhum cuidado e sempre maltratados, foram transformados nos atuais colhas, que não enxergam um palmo adiante dos narizes de onde escorre um catarro curtido, sofrido, diuturnamente.

São fatores históricos como o acima citado que os levam, ainda hoje, a não dispor de sanitários em suas vivendas miseráveis e, por isto, à noite, urinam em garrafas e defecam em sacos plásticos que, pela manhã, são atirados em qualquer lugar ou, principalmente, nos rios Abunã e Acre, dentre outros.  Em verdade, eles foram brutalizados na mais crua acepção da palavra.

Décadas e séculos escorrem por entre os dedos todos os dias. Lá, o tempo não passa ou passa muito lentamente. Algumas melhorias foram detectadas, em especial, porque uma parcela dos bolivianos herda caráter de ancestrais vindos do oriente ainda no início do século passado, além dos que vieram de Portugal ou da Espanha. Mas, ainda assim, melhoraram muito pouco ou quase nada.

Pior de tudo é que, desde algum tempo, eles só obedecem, de preferência, às ordens que tenham a ver com a violência que, bem ao inverso, tenta aplacar a ira de um povo historicamente violentado, injustiçado.

E, do lado de cá, ficamos nós na esperança quase desesperada de que um dia as coisas funcionem a contento, não apenas na Bolívia, mas também nos outros países de latino-américa, inclusive o Peru que, agora, acaba de eleger um militar aposentado cheio de marra, uma cópia tosca do Hugo Chávez, o venezuelano. Não. Mais uma vez, não vai dar certo.

Enquanto isso, nós vamos, gentilmente, tolerando os colhas solícitos, aqui, que nos batem à porta, em Rio Branco e demais cidades circunvizinhas, a vender quinquilharias de origem duvidosa... Da China! Até quando?

O outro chavista, Evo Morales, não hesita em fazer as coisas bem do jeito que gosta a massa de ignorantes que compõe a grande maioria da população da Bolívia. Porque esse louco quer dar foros de legitimidade ao roubo de carros brasileiros? Eles banalizaram o crime. Apoderar-se do que não é exatamente seu é costume hoje oficializado por um governo liderado por um plantador de cocaína.

O narcotráfico é a base da economia boliviana. (Ufa! Descobri a América!) A consciência foi roubada de uma parte maior da população por comerciantes que têm a base do seu negócio na venda de entorpecentes, inclusive os sintéticos. No comércio, a lavagem de dinheiro é feita à vista de brasileiros atônitos que, quando compram as amaldiçoadas quinquilharias, estão financiando, literalmente, os narcotraficantes que se escondem por trás de litros de uísque escocês, perfumes franceses, eletro-eletrônicos asiáticos de péssima qualidade, na maioria dos casos, e assim por diante.

Os acreanos precisam observar que, comprando os produtos chineses vendidos na Bolívia, estamos fortalecendo a economia da China, dando emprego para mais e mais chineses fabricarem as suas bugigangas. Ao passo que os produtos brasileiros, de ótima qualidade, são deixados de lado porque não observamos que, agindo assim, deixamos de empregar os nossos irmãos que passam anos e anos vivendo de biscates ou na informalidade. Abramos os olhos!

Dentre alguns comerciantes que exercem a sua atividade honestamente, poucos são os que escapam de ser veladamente extorquidos pelos mandões dos cartéis que fazem o que bem entendem porque o seu dinheiro sujo financiou a campanha do imbecil maior que preside aquela república erguida à custa de suor e talco.

Eles são tão desonestos que querem nos fazer crer que não precisam do consumo dos brasileiros. As nossas viagens de consumidores parvos e contumazes  -  como bem quer o capitalismo  -  para muitos deles, são perfeitamente dispensáveis. Eles fingem não saber que Cobija e adjacências sobrevivem porque há uns acreanos desavisados que correm riscos quando visitam aquele antro de tantos crápulas e de tão pouca gente de bem.

Um dia, no início dos anos 90, em Cobija, eu, a esposa e um dos filhos, acostumados à sinalização do trânsito no Brasil, entramos por uma rua na contramão. (Nenhum sinal estava visível.) Eram sete e trinta, mais ou menos, o movimento era mínimo, mas, de repente, surgiu um colha vestido de uniforme militar, com a maior cara de bêbado, e foi apitando sofregamente para que fôssemos para o acostamento. Não liguei para o homem da segurança e segui. Só parei em frente à Farmácia Flávia, onde fui socorrido por uma estimada amiga boliviana, neurologista, de maravilhosa índole.

Segundo ela, eu seria extorquido e pagaria valor considerável em dinheiro, se não quisesse ser humilhado pelo pústula, durante dois ou três dias de insultante custódia.

Ainda tem muita gente pensante por ali. Há, inclusive, alguns cambas  -  brancos ou descendentes de sírios e libaneses  -  que vieram buscar formação universitária no Brasil, mas estes se calam por temerem pelas próprias vidas que podem ser vituperadas pela loucura do senhor Morales.

Certo é que alguma autoridade boliviana um pouco mais inteligente deveria denunciar essas práticas extremamente abusivas contra brasileiros que compram quinquilharias a baixo preço, mas de qualidade péssima e sem nenhuma segurança, à exceção dos vinhos chilenos e de alguns uísques de origem duvidosa que ainda não foram batizados.

Eu sou bem tratado na casa do meu vizinho. Este também é sempre muito bem vindo à minha residência. Nós somos perfeitamente civilizados e nos tratamos muito bem. Do contrário, seria como aquela do sertanejo segundo a qual eu não vou na sua casa pra você não ir na minha, você tem a boca grande e vai comer minha farinha.

Nunca mais fui à Cobija. Não irei. Mas não sou preconceituoso. Sou um brasileiro originário desse caldeirão étnico-racial e cultural muito próprio do meu país. Não quero porque não gosto de ser maltratado por quem quer que seja.

Enfim, há males que só se curam com desprezo.

José Cláudio Mota Porfiro é irmão do Manoel do Gibiri.

“Não adianta fugir…”

“Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo”.

Notas da coluna Poronga

Jornal Página 20, edição desta terça-feira (30).

Decepção

O senador Randolfe Rodrigues, do PSOL do Amapá, até que tentou, mas não conseguiu visitar a Fundação Chico Mendes e a casa onde o líder seringueiro foi morto, em 1988.

Lúgubre

Os dois espaços em Xapuri estavam fechados, ainda à luz do dia, quando ele chegou à cidade na sexta-feira. Um rapaz que vigiava um Café construído ao lado impediu até que o senador e sua comitiva entrassem por um portão entreaberto ao quintal da casa.

Abandono

Também foi decepcionante a visita que fez ao cemitério da cidade para ver o túmulo de Chico Mendes. O local está sujo, abandonado, no túmulo do seringueiro não tinha nenhuma identificação.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Frase

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"Agora sabemos que é real, a maioria é evangélica no Acre. Isso significa que nós, evangélicos, representamos uma força política, um mercado consumidor e um contribuinte forte para os cofres públicos, pois todos pagamos impostos, o que nos permite cobrar melhores serviços".

Do deputado estadual Astério Moreira, PRP, comemorando o crescimento da comunidade evangélica do Acre como se os dados levantados pela Fundação Getúlio Vargas conferissem aos pentecostais, dentro do estado laico brasileiro, a condição de segmento especial, com direitos constitucionais distintos daqueles que são atinentes ao restante da população.

É fogo!

Todo ano, a mesma coisa

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Mais uma vez a região localizada entre o Aeroporto de Xapuri e o bairro Mutirão arde em chamas depois de vândalos atearem fogo em cerca de 3 hectares de capoeira.

Polícia Militar, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e voluntários trabalham no local há algumas horas tentando evitar que o fogo atinja as casas localizadas próximas ao incêndio.

Na última foto, o estado em que ficou o local onde está instalada a torre de Ondas Médias da Rádio Educadora 6 de Agosto, que, felizmente, não sofreu danos.

A área de terra de cerca de 15 hectares, que infalivelmente incendeia todos os anos, pertence à Comara – Comissão de Aeroportos da Região Amazônica.

A pista de pouso da cidade, que funciona como alternativa ao Aeroporto de Rio Branco para aeronaves de pequeno porte, fica a algumas dezenas de metros da área consumida pelo incêndio.

Xote Ecológico

Luís Gonzaga

domingo, 28 de agosto de 2011

Alanna Cristina Cardoso

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Chega aos 22 anos de vida neste domingo (28) o primeiro dos grandes presentes que Deus pôs na vida deste blogueiro. Responsável pelo escriba ter sido avô aos 37 anos, Alanna é razão de muitas alegrias e intensas felicidades, a maior delas atende pelo nome de Anna Lya, de 1 ano e 9 meses.

Alanna é um misto  de emoção à flor da pele, amor à Cristo, afeto e dedicação aos seus. Valores que seu pai deseja sempre estarem ao seu lado na sua caminhada. Que a data especial seja de comunhão com a família e o decorrer de sua vida seja de muitas bênçãos.

Parabéns!

sábado, 27 de agosto de 2011

A BR-364 e a oposição

Ermício Sena

Oportunismo e irresponsabilidade. É assim que deve ser classificada a oposição do Acre com relação à eventual instalação de uma CPI do DNIT no Congresso Nacional.

Dizer que não é contra as BRs é fácil. Difícil vai ser afirmar que é favorável à sua conclusão. Quando era do seu interesse, membros da oposição defendiam a construção e conclusão da BR, agora querem embargá-la porque sabem que os governos da Frente Popular do Acre irão concluí-la.

O cálculo que a oposição faz é simples: eles, os oposicionistas, sabem que, no atual estágio da obra, com suas pontes quase todas concluídas, recursos próprios do governo estadual serão utilizados em outros programas nas cidades do Acre. A estratégia é tentar inviabilizar a manutenção da vinda de recursos federais para o Acre.

Esqueceram-se de combinar com a presidente Dilma Rousseff, que já afirmou ser compromisso de seu governo manter os investimentos no Acre. A vinda do ministro dos Transportes para inauguração da Ponte da União, em Cruzeiro do Sul, é a prova inequívoca desse compromisso.

Como o governador Tião Viana iniciou uma nova fase de consolidação do bem-estar das populações das cidades, através de programas como o Ruas do Povo, o sinal de alerta para a oposição foi aceso.

A irresponsabilidade é tanta que já conseguiram conectar as duas coisas - votaram contra a obtenção de empréstimo do Acre junto ao BNDES para dar sequência ao Ruas do Povo e criaram um comitê para saber em que foram investidos os recursos que vieram para o Acre.

O interessante é que poucos Estados têm um sistema de transparência tão eficaz como o do Acre, inclusive publicando no site para esse fim os gastos em todos os seus setores. Portanto, é inócua a reivindicação de transparência dos nossos governos.

A política do “quanto pior, melhor” aflorou de vez. Esse comportamento é típico do desespero de quem está numa situação de observador do avanço de uma força política como é a FPA.

Orientado por nossas lideranças, nosso movimento deverá ser em duas direções. A primeira é a do bom combate que devemos travar com as inverdades, reafirmando nosso compromisso com a cidadania nas suas várias dimensões.

A segunda direção que podemos dar é no sentido de dialogar com as pessoas, mostrando nossas realizações nos vários setores, como estradas, saúde, educação, segurança, setor produtivo, entre outros.

Não podemos negligenciar em fazer a disputa política com esse tipo de oportunismo. A irresponsabilidade se combate com verdades e realizações.

Não podemos esquecer que membros dessa oposição são os mesmos que, quando estiveram no governo, quebraram o Estado. Quem não se lembra da famigerada conta Flávio Nogueira, do apartamento comprado no Rio de Janeiro com dinheiro público, do enriquecimento ilícito de gestores do passado recente, da eterna novela para a construção do Canal da Maternidade e da própria BR-364, dos salários atrasados, do desvio da alagação?

Nós, da Frente Popular, temos realizações e verdades para revelar. Não temos medo do debate nem da ciumeira gerada por nossos avanços. Vamos à disputa com o mesmo vigor que sempre nos caracterizou.

Ermício Sena é secretário adjunto de Segurança Pública, professor da Ufac e membro do Diretório Estadual do PT/AC.

“Esquentamento”

Francisco Gregório Filho

Ciúme. Aparecera na lista dos três grupos reunidos em Xapuri: um composto só por mulheres, outro, só por homens, e um terceiro, de constituição mista: homens e mulheres.

O Sindicato Rural de Xapuri promovera um encontro para discutir a participação das mulheres nas atividades organizadas pela entidade. Depois de um dia de discussão, os grupos apresentaram em seus relatos finais uma listagem de problemas a serem enfrentados para garantir maior mobilidade do público feminino nas ações articuladas pela associação da classe. O ciúme constou das três listas. Os três grupos o apresentaram como um dos itens a serem tratados nas reuniões. Participara do grupo misto e acompanhara as questões reveladas como dificultadoras do envolvimento das mulheres e dos homens no sindicato. As mulheres reclamaram dos ciúmes dos homens, e os homens fizeram a mesma reclamação.

O encontro fora pensado por Chico Mendes, na tentativa de encontrar caminhos para estimular a participação política das mulheres. Mulheres seringueiras que trabalhavam com os maridos e a família no corte da borracha na floresta. Chico Mendes convidara alguns profissionais para acompanharem essas discussões. Fui um desses convidados.

Inicialmente ficara intrigado com a discussão sobre o ciúme, mas, com o desenvolvimento dos debates, fui-me envolvendo, ouvindo, instigando os relatos pessoais dos conflitos gerados pelos casais. Não é que o tema se demonstrara pertinente mesmo? Como dar enfrentamento a questão tão complexa e surpreendente, surgida a partir dos depoimentos de trabalhadores da floresta?

No jantar, uma amiga que participara do grupo feminino narrou um aflito relato: uma mulher, ainda jovem, num determinado momento das discussões, levantou-se, dizendo que precisava falar sobre sua história recente. Já há algum tempo, participara de uma reunião no sindicato e no intervalo, após o almoço, assistira com outras mulheres, ali mesmo no sindicato, a um filme pela televisão, desses da Sessão da Tarde, em que apareciam dois jovens enamorados se acariciando.

Numa das cenas, a jovem passava a mão no peito do rapaz. Então a mulher, ficara com um “esquentamento” no corpo. Já em casa, vira o marido subindo a escada com o corpo molhado após um mergulho no rio. Voltou a sentir o “esquentamento”, saltou sobre o marido e passou as mãos nas bolhinhas d´água sobre o peito. O marido a afastou, perguntando onde ela tinha prendido aquilo, se fora no sindicato. Ela ficara na sua “quentura” interna, pensando sobre o que estava lhe acontecendo. Resolvera, então, pedir conselho a uma amiga. A amiga lhe dissera que ela estava com o pecado. Aquele “esquentamento” havia de ser pecado. Numa outra oportunidade, vira o marido novamente com o corpo molhadinho debaixo de chuva, cortando lenha no quintal, subitamente o “esquentamento” a incendiara de desejos e, sem conter o impulso, fora para o quintal sob a chuva e, aproximando-se de seu homem, dera-lhe um abraço, acariciando seus cabelos. O homem a afastara com uma pernada e, gritando, perguntara mais uma vez:

- Onde você aprendeu isso? Foi no sindicato?

Agora ela percebia que o marido andava desconfiado e com ciúmes de sua participação nas atividades do sindicato. E o “esquentamento” não passara; ao contrário, vinha aumentando e a deixava angustiada e com medo do pecado.

Ela queria conversar sobre essa “quentura”; queria saber se era pecado mesmo. Minha amiga contou que fora um alvoroço só na reunião; umas mulheres confirmaram que era pecado sim, era o demo; outras protestaram, dizendo que pecado, que nada, e uma delas chegara a pronunciar a palavra tesão, o “esquentamento” era tesão.

Gostaria de ter presenciado tal discussão. Fato é que o ciúme mobilizou mulheres e homens para os debates. Interessante! Não pensara em me deparar com fato tão inusitado num encontro sindical.

Um grupo de teatro de Xapuri, que trabalhava com o sindicato, se propusera a montar uma dramatização sobre o assunto para aprofundar o debate entre homens e mulheres. O grupo também selecionou um repertório de histórias tendo como tema o ciúme e ainda faz muito sucesso por lá.

No final do dia, fomos jantar um cuscuz cozido no leite de castanha, uma delícia. Um licor animou o jantar, cuja sobremesa foram castanhas cristalizadas com cobertura de chocolate. Depois do jantar me deu um “esquentamento”; e voltei de Xapuri com minha “quentura” ainda mais atiçada. Gostaria de ter noticias daquela mulher e seu “esquentamento”.

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O contador de histórias Francisco Gregório Filho nasceu em Rio Branco, no Acre. Formado em artes cênicas, pela UNIRIO, atuou como ator e diretor. Foi gestor de programas e projetos culturais nas áreas de música, rádio e teatro. Na década de 1990 começou a se dedicar às questões da leitura, tendo sido um dos organizadores do Programa Nacional de Incentivo à Leitura, implantado em 1992, na Biblioteca Nacional (1992 a 1996). Desde então desenvolve oficinas de formação de contadores de histórias para educadores sociais, estudantes e profissionais de diferentes áreas. O artigo acima foi escrito em 2005.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Agosto

Considerado pelos supersticiosos como o mês dos infortúnios, agosto até que tem transcorrido bem em Xapuri. Mas a coisa desandou nos últimos dois dias, quando 9 pessoas se feriram em um capotamento de caminhonete no ramal que dá acesso à localidade São João do Guarani. Entre as vítimas, mulheres e crianças se machucaram com mais gravidade. Felizmente, nenhum óbito.

No entanto, a mesma felicidade não ocorreu na colocação Nova Vida, Seringal Nazaré, onde um jovem de 19 anos de idade, de iniciais A. N. L., morreu eletrocutado na fiação de uma bomba d’água enquanto tomava banho em uma fonte. O acidente abalou a comunidade que realizaria sua festa anual neste final de semana.

Informações sobre os fatos acima aqui e aqui.

Terremoto

A repercussão dada pela imprensa ao abalo sísmico ocorrido no Peru com reflexos em vários pontos do estado do Acre mexeu com os nervos de muita gente em Xapuri. Na manhã desta sexta-feira, ouvi o relato de uma moradora que, sentindo a casa tremer, correu para a rua. Era apenas um rolo compressor da empresa que executa as obras de pavimentação do programa Ruas do Povo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Efeito Wanderley Viana

O colunista Evandro Cordeiro, de agazeta.net, acaba de ressuscitar uma mística que há muito tempo povoa a mente de muitos xapurienses: a de que investimentos deixaram aterrissar em Xapuri em razão de Wanderley Viana haver vencido as eleições municipais de 2004. Abaixo, compilo duas notinhas da coluna:

“A passarela entre as duas pontes em Rio Branco entrou na cota Chico Mendes para ligar Xapuri ao bairro da Sibéria, como demonstram todos os estudos e arquivos. Ocorre que, na época, o PT perdeu a prefeitura para Vanderlei Viana e a instalou em Rio Branco (sic). Outro exemplo de desvio por conta do resultado eleitoral foi a duplicação da Rua Coronel Brandão, desviada de Xapuri e feita em Capixaba”.

Como jamais tomei ciência da existência dos estudos e arquivos aos quais se refere o jornalista, sempre duvidei de histórias como essas, muitas vezes ditas e repetidas por baixo das muitas mangueiras que ladeiam a principal rua de Xapuri. Mas nunca é tarde para que informações tão importantes assim caiam no conhecimento público via fontes confiáveis.

Manoel Moraes defende fogões da Funtac

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O deputado Manoel Moraes (PSB) usou a tribuna da Aleac na sessão desta quarta-feira, 24, para defender e elogiar a Funtac pelo desenvolvimento do fogão Geralux que tem sido utilizado para gerar energia elétrica aos moradores da zona rural do Acre. Segundo Moraes, o governo poderia ter distribuído placas de energia solar, que custam muito mais caro, não geram empregos e ainda contempla empresas estrangeiras da Europa, Estados Unidos ou Canadá.

“O que seria do ser humano sem pesquisa? A Funtac está de parabéns. Se o fogão teve problemas, isso é normal no desenvolvimento de uma pesquisa. O inventor da lâmpada, Thomas Edison, teve que fazer dois mil testes para chegar a um resultado correto", comparou Moraes.

O deputado lembrou que o fogão, além de genuinamente acreano e amazônida, permite a geração de energia dia e noite, ao contrário das placas de energia solar, que não funcionam à noite ou quando o dia está nublado.

"É uma alternativa importante e mais acessível do que as placas, que custam R$ 22 mil cada uma e que vai beneficiar as multinacionais. Vamos aplaudir a Funtac e todas as pesquisas que vierem a privilegiar o morador da zona rural", argumentou Manoel Moraes.

Com informações da Agência Aleac.