quinta-feira, 2 de junho de 2011

Aviso aos navegantes

Desta data em diante, os comentários que chegarem à caixa de entrada deste blog serão rigorosamente selecionados antes de sua publicação, e aqueles cujo perfil não puder ser visualizado e a pessoa identificada serão enviados diretamente à lixeira da história. A medida visa impedir que pessoas escondidas sob apelidos infames façam comentários negativos contra minha simpática pessoa ou a qualquer outra.

Exemplo: um tal Chico Rei afirmou dia desses que um secretário tal da prefeitura de Xapuri não gosta de trabalhar. Pra bom entendedor, quem não gosta de trabalhar é vagabundo. Sentindo-se ofendido, é natural que o tal secretário, não podendo se dirigir a quem não tem coragem de assumir o que afirma, queira cobrar explicações deste blogueiro velho cansado as explicações que a mim não cabem.

E não pensem os donos de variados pseudônimos que gostam de aqui esculachar os outros que estou obrigado a ler os comentários imbecis antes de puxar o cordão da descarga. Os comentários postados na caixa de comentários do blog caem automaticamente no meu e-mail permitindo-me deletá-los antes de lê-los. Por isso, meus caros, não percam mais tempo em me esculhambar através do blog.

Dizem que finjo ou minto

Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê !

Poesia é sempre uma boa maneira de começar o dia.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O aniversário do Mago

image

Completa mais um ano de vida nesta quarta-feira o músico xapuriense Antônio Cosmo da Rocha, o Magão. Nascido nas cabeceiras do rio Xapuri, no seringal Nazaré, onde depois foi instalada a fazenda Bordon. Veio com seis anos de idade para a colônia Sumaré, onde viveu até os dezessete anos, vindo depois residir na cidade.

Magão começou a tocar instrumentos com 10 anos de idade, e seu maior incentivador na música foi o irmão mais velho, José Carlos da Rocha, já falecido, que tocava vários tipos de instrumentos, como: sanfona, cavaquinho, violão, banjo e pandeiro.

Em 1975, começou a tocar profissionalmente, ingressando na tradicional Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho, um dos patrimônios culturais do município de Xapuri, e no final da década de 70 passou a integrar o conjunto musical The Super Sonic, onde mais tarde viriam a se destacar outros nomes como: Adalcimar, Nader Sarkis, Nonato Cruz, Luiz Brejeira e outros tantos.

O músico é pai de três filhos: Michele, cujo nome é inspirado em uma das mais lindas canções dos Beatles; Lennon, em homenagem ao líder da, segundo ele, maior banda de rock de todos os tempos; e Arathana. Os dois primeiros herdaram o gosto pela música e integraram o grupo H-UELEM “Nova Geração”, a partir de 2001. É casado com a funcionária pública Evanildes Oliveira, a Eva.

Parabéns ao vascaíno Magão, figura que representa com muita categoria a história da música em Xapuri. Saúde, sucesso e felicidade, e que o presente seja o título da Copa do Brasil para o seu time de coração.

Contilnet erra sobre dengue em Xapuri

Imagem 003

O gerente do Setor de Endemias do município de Xapuri, Joaquim Vidal (foto), está tentando entender como informações que ele jamais divulgou foram publicadas no site Contilnet Notícias. Por telefone, agora há pouco, Vidal disse ter ficado perplexo quando leu que a dengue nos seringais de Xapuri estaria deixando a Funasa em alerta (leia aqui).

Segundo Joaquim Vidal, a infestação do mosquito Aedes aegypti se dá apenas na zona urbana, onde os índices apresentados pelo repórter Luciano Tavares também não correspondem à realidade do município. “Temos, hoje, a situação controlada, com os índices dentro dos padrões considerados aceitáveis”, garantiu.

O gerente de endemias rebateu também a justificativa feita pelo repórter de que teria, num lapso, trocado dengue por malária. “De acordo com os dados mais recentes relacionados a essa doença, a situação em todo o município de Xapuri também está sob controle, apesar de que mesmo assim, o trabalho de borrifação continua sendo realizado”, informou.

Joaquim Vidal, que na imagem que ilustra o post aparece instalando uma armadilha para capturar insetos para análise, informou também que enviou e-mail ao site solicitando que as informações fossem corrigidas, mas que até o momento em que conversou com este blogueiro não havia recebido resposta.

Crianças contra a dengue

Slide2

Alunos do 2º período da escola de educação infantil Latife Zaine Kalume, turmas A, B e C, das professoras Eronilda Nascimento, Sandra Beleza, Euri Maciel, Rosilene Pereira Lima e Adaídes  Theodósio, levam às ruas de Xapuri o resultado final do projeto pedagógico cujo tema é a dengue, doença séria em suas manifestações, porém muitas vezes negligenciada por autoridades e população. Que a iniciativa dos pequenos sensibilize a quem pode fazer a diferença: todos nós. A imagem é uma contribuição do blog Xapuri em Destaque, assinado pelo colega Haroldo Sarkis.

Enquete encerrada

Terminada a enquete sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável de casais do mesmo sexo, eis o resultado:

263 (73%) a favor;

100 (27%) contra.

Leia: O KIT ANTI-HOMOFOBIA E O CONTRADITÓRIO.

Saudade!

DSC03230

Se vivo fosse, meu velho pai estaria completando, neste 1º de junho, oitenta e três anos de vida. Morreu precocemente, aos 54, no ano de 1982, num dia 24 de agosto que jamais esquecerei. Não era meu pai biológico, mas criou-me desde o primeiro ano de vida como se meu sangue corresse em suas veias e o dele nas minhas. Um exemplo de vida, um professor fantástico, sem nenhuma escolaridade, mas com toda sapiência necessária para mostrar o caminho certo a ser trilhado - suas curvas, pedras e obstáculos.

Chamava-se Antônio Firmino da Silva. Seringueiro ainda menino, aos 11 anos de idade já cortava algumas estradas pela necessidade de ajudar no sustento de mãe e irmãos. Era órfão de pai. Depois se tornou comboieiro, mercador da floresta, responsável pelo aviamento dos seringais Novo Catete e Porto Franco. Trabalhou muito para a extinta firma Abib Kalume Ltda. Tinha a ambição de ficar rico com aquele trabalho insano, duro, de sol a sol. Porém, seringueiro que era, não possuía a má fé nem a ganância comuns a quem, nesse ofício, conseguiu acumular riqueza.

Chegou a abrir uma pequena mercearia na cidade, mas ficar sentado atrás de um balcão não combinava com o seu modo de vida. Amava o seringal, adorava lidar com os animais, burros de carga a quem tratava como se fossem pessoas. Sua inseparável montaria se chamava Boneca, uma mula antipática e cheia de mimos. Minha mãe costumava dizer, brincando, que Boneca era melhor tratada que ela mesma. Lembro-me de um burro velho, já no fim da vida, que foi batizado de Januário, em homenagem ao pai do cantor Luís Gonzaga, o Rei do Baião, de quem meu pai era grande admirador. Só não sei dizer se o sanfoneiro ficaria contente com tão bem intencionada manifestação de apreço.

Morreu lá, nos campos do Novo Catete, lugar de onde não imaginava sair para viver na cidade. Antes, comprou um terreno em Xapuri, em 1978, para que eu e minha irmã, Francisca, pudéssemos estudar. Construiu a casa, comprou as mobílias, geladeira, sofá e uma televisão em preto e branco da marca Telefunken - uma das poucas coisas que prendiam a sua atenção na cidade. Ligou “luz elétrica”, instalou telefone e cavou um poço. Mas não pensou jamais em fixar residência ali. Era um hóspede dos finais de semana. Voltou para o Novo Catete, seu verdadeiro lar, onde tombou no meio do campo, quando apanhava o comboio de burros para mais uma viagem ao “centro”.

Um colapso fulminante tirou a vida daquele homem que eu, aos 11 anos, imaginava imortal, uma rocha indestrutível, um amparo impenetrável. Comecei ali, no momento de dor e de uma perda da qual jamais me recuperei totalmente, a compreender a vida na sua mais verdadeira e dura essência. Compreendi também que a morte não é capaz de separar as pessoas e que há, sim, vida após a morte; que mesmo morrendo fisicamente permanecemos vivos naquilo que deixamos de exemplo, de trabalho, de valores ou simplesmente de gestos, por mais simples que sejam. Bastam que sejam sinceros e que fiquem marcados de forma especial e indelével.

A morte de meu pai e a sua incomunicabilidade nesses 29 anos passados são para mim razões fortes para continuar acreditando na existência de Deus, por mais que os pragmáticos da ciência me digam que elas, as razões às quais me apego, existam para que eu creia exatamente no contrário. Há algo grande e incompreensível aos olhos da razão que talvez somente na morte seja devidamente explicado. Apego-me a essa certeza para poder continuar vivendo, lutando firmemente para deixar aos meus filhos, que carecem de exemplo e conselho, pelo menos um pouco daquilo que o senhor Antônio Firmino, um simples seringueiro, me deixou um dia. A confiança de que vale a pena continuar acreditando em um mundo melhor e mais justo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Delegado Thiago Fernandes

DSC042643

Depois de 1 ano e 4 meses em Xapuri, o delegado goiano Thiago Fernandes Duarte se despede do município após ser transferido para Rio Branco, onde vai atuar na Delegacia de Repressão ao Entorpecente, que abrange o combate às drogas em todo o estado.

O combate ao tráfico de drogas parece ser mesmo a vocação do jovem delegado de 25 anos, que deixou como marca de sua passagem por esta cidade, onde infelizmente esse mal campeia e se alastra entre jovens e adultos, o saldo de mais de 100 kg de cocaína apreendidos e mais de 70 traficantes presos.

Durante o período em que Thiago Fernandes administrou a Polícia Civil em Xapuri foram 130 inquéritos policiais instaurados e mais de 110 pessoas presas e encaminhadas ao presídio estadual. A transparência do trabalho e a boa relação com os profissionais de imprensa foram outras marcas do policial que fez um trabalho notável em Xapuri.

Thiago Fernandes foi substituído pelo delegado Ricardo Castelo Rodrigues Casas, já empossado na delegacia geral do município. Abaixo, o comunicado da transferência para a capital acreana enviado pelo delegado a este blogueiro.

digitalizar0001

Clique no documento para vê-lo ampliado.

Função dupla

Leide Aquino, ex-Assessora Especial da Mulher no governo Binho, assume pastas da Agricultura e do Meio Ambiente na prefeitura de Xapuri 

Maria Araújo de Aquino, a Leide, como é mais conhecida a esposa do ex-prefeito Júlio Barbosa, ex-Assessora Especial da Mulher no governo Binho Marques e ex-presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), assumiu ontem, em ato realizado no auditório da Casa Branca, função dupla na prefeitura de Xapuri.

Convidada para compor a equipe de Bira Vasconcelos em um momento crucial para o futuro da atual administração, Leide Aquino vai acumular a função de secretária de Agricultura, substituindo o agrônomo Nilberto Menezes, demissionário desde o primeiro ano de mandato do atual prefeito, com as atribuições da pasta do Meio Ambiente, ocupando vaga deixada por Elenira Mendes há quase dois anos.

O prefeito anunciou mudanças também na diretoria da Fundação Municipal de Cultura e Desportos. Eliomar Soares, o Galego, deixa o gabinete do prefeito para ocupar a presidência da instituição, cargo ocupado até então pelo professor Julinho Figueiredo. Na verdade, no caso da Fundação, o que houve foi um arranjo feito pelo prefeito para dinamizar as ações de esporte e lazer, antes concentradas na pessoa de Julinho. A partir de agora, Figueiredo cuidará do esporte e Eliomar Soares conduzirá as ações de lazer, cultura e eventos em geral.

O prefeito Bira Vasconcelos afirmou que espera imprimir, a partir das mudanças anunciadas nesta segunda-feira, um ritmo diferenciado nas ações dessas secretarias, destacando, no entanto, que o trabalho feito até o momento foi muito bom. A pouco mais de um ano e meio do final do mandato, Bira garantiu que os resultados de sua gestão, até agora, tem sido muito positivos e que muitas coisas boas ainda vão acontecer.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

OCA faz 1 ano em Xapuri

dsc05871

Inaugurada em 27 de maio de 2010 a OCA Xapuri foi a primeira Central de Serviço Público do Acre. Inovação na forma de atender ao cidadão é uma das características mais importantes da instituição, que só neste primeiro ano de funcionamento já realizou mais de 34 mil atendimentos. Leia mais.

O estado não pode ser o tutor de nossas vidas

João Francisco Salomão

Nos tempos atuais, há uma verdadeira “febre” de patrulhamento e controle das atividades dos indivíduos mundo afora. Muitas pessoas acreditam, às vezes de forma inocente, que o estado tudo deve controlar. Essa crença pode levar a grandes equívocos.

A revista “Veja”, em sua edição nº 2216, de 11 de maio deste ano, traz entrevista com o filósofo Denis Lerrer Rosenfield, definido pela publicação como “uma das vozes mais potentes em defesa da liberdade individual”.

Faço minhas as palavras do filósofo. Durante oito anos de gestão frente à Fieac e, mesmo como empresário e empreendedor, enfrentei o excesso de regulamentações, os decretos, as leis que querem controlar os cidadãos brasileiros em todos os setores de atividade, chegando até mesmo a intrometer-se em nossa vida pessoal.

As crises sofridas pelo capitalismo nos últimos tempos forneceram excelentes motivos àqueles retrógrados que ainda querem colocar em campos opostos o capitalismo e a democracia. As crises são naturais no capitalismo e, em um sistema verdadeiramente democrático e livre, o estado deve respeitar os mais simples direitos dos cidadãos.

O direito à propriedade, a garantia aos contratos firmados, a liberdade de escolha, são básicos e devem ser respeitados. A democracia não é apenas podermos escolher nossos representantes políticos por meio de eleições livres e limpas. Sua amplitude é muito maior: nosso direito vai desde a escolha da compra de um imóvel; onde nossos filhos devem estudar; se queremos ser fumantes ou não; se queremos tomar determinado remédio, enfim, tudo isso faz parte da liberdade individual.

Como cidadãos, temos de nos conscientizar de que o governo não pode ser o tutor de nossas vidas. Nossos poderes, principalmente o judiciário, são reféns de uma legislação administrativa feita em sua maioria por órgãos estatais. Questões indígenas, raciais e ambientais formam uma verdadeira frente única de cerceamento dos direitos da maioria.

Movimentos à esquerda, como o MST e a Pastoral da Terra ainda insistem na limitação dos direitos de propriedade, mas uma parcela da sociedade desenvolvida e da imprensa têm se manifestado contra essa orientação seguida pelos governos anteriores e exacerbada no final do mandato do presidente Lula.

Se formos pesquisar a história, é impossível achar uma nação livre que tenha resistido ao cerceamento do direito à propriedade: ele é um estímulo poderoso ao desenvolvimento da sociedade e não pode, de forma alguma, ser desprezado, assim como os outros direitos que nós, cidadãos brasileiros, temos o dever de defender.

João Francisco Salomão é o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre — FIEAC (salomao@fieac.org.br).

Anonimato dentro da lei?

Vejo no blog Xapuri News, assinado pelo professor Joscíres Ângelo, que Xapuri ganhou um blog de fofocas. Até esse ponto, tudo bem. O problema é que os autores da página querem fazer uma coisa, no meu  modo de ver, impossível do ponto de vista legal: fofocar se escondendo no anonimato, mas se mantendo “dentro da lei”.

Como a Constituição Federal diz em seu artigo 5º que: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, será difícil se manter dentro da lei, principalmente para fazer fofocas. É certeza de problemas chegando a galope, afinal de contas anonimato na internet não é uma garantia.

Faço então um convite aos três autores (ou autoras) do blog: deixem dessa besteira e mostrem a cara sem medo. Xapuri precisa bem mais das pessoas que tenham coragem de manifestar pensamentos e assinar embaixo que daquelas que, no conforto do anonimato, se ocupem da vida alheia. E essas últimas, por sinal, já temos demais.

Armas

Novo acidente fatal com arma de fogo na zona rural de Xapuri chama a atenção para a ausência de medidas, por parte do Estado, responsável pela autorização do porte para caçadores de subsistência, para evitar ou diminuir a frequência de episódios como esse.

Desta vez, a tragédia ocorreu no seringal Albrácia, colocação Bolívia (veja as informações no blog Xapuri Amax). O disparo acidental de uma espingarda calibre 20, feito por um garoto de 12 anos, matou na hora um seringueiro de 50 anos de idade.

Segundo relata a nota da Polícia Militar, uma pessoa de 20 anos de idade deixou a espingarda ao alcance de uma criança enquanto amarrava um cachorro. Ao brincar com a arma o menino acionou o “cão” e o disparo atingiu a cabeça do agricultor.

O acidente evidencia a forma banal como as espingardas geralmente são manuseadas na zona rural. Não possuem lugar específico para depósito, são dependuradas na parede, muitas vezes municiadas e ao alcance de menores de idade.

Conheço algumas famílias de seringueiros onde é comum que adolescentes de 12, 13 ou 14 anos cacem ou “esperem” com a autorização dos pais, que muitas vezes se orgulham da habilidade precoce de seus filhos no manuseio da arma.

Será que o Estado, que através da Polícia Federal autoriza o porte de arma para pessoas que comprovam depender delas para a subsistência alimentar da família, não deveria ser responsável por prover programas de prevenção e até mesmo orientação psicológica para essas famílias? Acredito que sim.

Tantos Chicos, quantos Zés...

Marcos Vinicius das Neves

Tem uma coisa que sempre me incomodou na história do Acre. Uma desconfiança, quase certeza, que nunca consegui apagar de todo. E permanece dentro de mim, como um incômodo, uma palavra presa na garganta, que aqui e acolá luta de novo pra se libertar. Talvez nem seja a hora ainda, mas queria hoje me dar o direito de, ao menos, duvidar.

O assassinato de Zé Claudio e Maria do Espírito Santo esta semana me fez lembrar do tanto que já escrevi sobre Chico Mendes, Wilson Pinheiro e outros. Não me foi possível evitar o sentimento de que estas mortes foram iguais aquelas, ainda. Como não foi possível deixar de perguntar: O que, de verdade, mudou no Brasil desde 1988? 1980? Ou mais além?

Um país que mata líderes que ousam se contrapor aos interesses hegemônicos não será um país, nunca. No máximo, um mal disfarçado apêndice de outros países mais poderosos. Assim é a história. Ou como já disseram: Assim caminha a humanidade... Mas o pior não é isso... O pior é a desconfiança de que isso não é nada. O pior é o que não vemos, nunca.

Lembro de certa ocasião, em uma mesa redonda de historiadores em Brasiléia, na época do centenário da Revolução Acreana, onde falei sobre o desconhecimento sobre o real numero de mortos (que também poderiam ser chamadas de “vítimas”) daquela guerra do fim de mundo. O que bastou pra me tornar alvo de uma saraivada de argumentos dos doutos senhores da Academia sobre a desimportância disso, porque o que interessava não eram nomes e nem quantidades, mas unicamente que a Revolução havia sido feita por conta dos interesses capitalistas internacionais, ponto e basta... Fórmula mágica da generalização que tanto empobrece nossa consciência histórica. Para delírio de uma claque bem adestrada em salas de aula improdutivas...

Talvez seja por isso, que não existam, ainda, histórias sobre os tantos mortos das florestas acreanas naquelas décadas trágicas de 70 a 90. Sempre que leio, ou escrevo, ou falo, sobre o tempo e os eventos que levaram à morte de Wilson Pinheiro, João Eduardo, Ivair Higino, Chico Mendes, tenho uma incontida sensação de que estou falando da morte de uma multidão infinitamente maior do que essa limitada lista de nomes e rostos conhecidos.

Quando me ponho a imaginar o tanto de famílias expulsas dos seringais pelos grileiros e madeireiros do Acre de então, me vem a desconfiança do tanto de gente que morreu nas muitas colocações perdidas no meio da mata profunda, sem que ninguém no mundo cá de fora ficasse sabendo. Eu já ouvi falar de algumas dessas mortes silenciosas e anônimas aqui perto. Num seringal das cercanias de Porto Acre. Fazendeiro, recém chegado e valente, que roubava na castanha que o povo tirava da mata, roubava nas escrituras do cartório, roubava no direito àquelas terras há décadas ocupadas, roubava a vida dos que não abaixavam a vista.

Pois ainda hoje o povo conta... Entredentes, mas conta. Quase nem se escuta o que ele fala, é preciso apurar os ouvidos para entender o que não é, sequer, dito, mas revelado por olhos desconfiados, daqueles que lembram os tempos de medo e de morte.

Por isso acredito que para cada nome conhecido entre os assassinatos de homens como Chico, João, Wilson, existem outros, muitos, dezenas, talvez centenas, desconhecidos, sem fotos, sem manchetes que lhes desvelem. Mas essa é uma história que ainda resta ser contada...

Disso tudo eu lembrei essa semana, com a notícia sobre a morte do Zé Claudio e da Maria do Espírito Santo. O que não deixa de ser ao mesmo tempo curioso e assustador.

Já que ainda dá de lembrar que, na semana passada, no dia em que iam votar e já dava pra ver que iam aprovar o novo código, saiu a noticia do absurdo aumento no desmatamento brasileiro, reflexo imediato do que ainda nem havia acontecido. Um aviso que não quiseram escutar. Pois, nesta semana, quando finalmente conseguiram o que queriam, aprovar o código do agro-capital ao invés do florestal, nos chega a notícia amarga de mais duas mortes pelos mesmos velhos motivos daquelas outras de três décadas passadas, ainda. Apenas coincidência... talvez. Mas, há que se admitir, mesmo que assim seja, um mau sinal.

E, como que pra nos lembrar que não há mesmo nada de novo a ser contado, na sexta-feira ultima, mais um assassinato. Dessa vez, de um homem chamado Dinho, aqui do lado, em Rondônia. Mais um, de quem se conhece o nome, do qual temos fotos pra publicar, apenas mais um mero acontecimento banal...

Nenhuma coincidência há, então. Apenas mais alguns Wilsons, Joões, Chicos, Zés, Marias, Dinhos, como tantos quantos aqueles que nos esquecemos de contar... Porque assim também não nos poderá incomodar a falta de alguma possível consciência...

Texto apanhado no Blog do Léo, do jornalista Leonildo Rosas.

O bom papo xapuriense do Maxsuel Maia

O blogueiro lançou quadro de “bate-papos” no qual conversa, uma vez por mês, com um conterrâneo da querida princesinha. O Papo Xapuriense, ressalta ele,  não é uma entrevista, mas sim um bom bate-papo pra falar com os convidados sobre os mais variados temas relacionados, é claro, à nossa querida Xapuri. O primeiro convidado foi o jornalista Leônidas Badaró, que falou sobre futebol, política, suas paixões, carreira, lembranças e saudades dos bons tempos vividos em Xapuri. Vale a pena conferir.

domingo, 29 de maio de 2011

Entrevista coletiva

O prefeito Bira Vasconcelos, através diretoria de Divulgação Social da prefeitura de Xapuri, convocou blogueiros, jornalistas e apresentadores de rádio e televisão para uma coletiva de imprensa  a ser realizada no dia 3 de junho, próxima sexta-feira, às 16h, em seu gabinete.

Na coletiva, o prefeito fará uma apresentação das ações da municipalidade previstas para o ano em curso, bem como o cumprimento e realização do plano de governo da administração Todos por Xapuri, além de responderá perguntas levantadas pelos participantes.

Estarei lá.

sábado, 28 de maio de 2011

Erro de comunicação

Luís Carlos Moreira Jorge, no Blog do Crica:

“A equipe de marketing do governador Tião Viana cometeu um erro amador de comunicação: deixou vazar que seria dado um reajuste linear de 15% aos servidores de uma tacada. Criaram uma falsa expectativa. Como o aumento será picotado, a decepção e o desgaste vêm a galope.

Pequenos meandros

Em todo governo quem anuncia os feitos é o governador. É a lógica. E neste caso se inverteu: o anúncio foi feito pelo líder do governo, deputado Moisés Diniz (PCdoB), há dias, à imprensa”.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Morte no Rio Sapucaí (MG)

As imagens são fortes e mostram o momento em que duas adolescentes se afogam no Rio Sapucaí, em Itajubá, no Sul de Minas. O fato aconteceu no dia 1º de maio e provocou a morte das adolescentes Michele Tainá Bittencourt, de 16 anos e a amiga dela, Vanessa Cristina Moreira, de 17. Nas imagens, algo se move na água, parecido com uma cobra e muitos acreditam que ela pode ter causado a morte das jovens, que foram sepultadas no dia 2 de maio. Há alguns dias, o vídeo foi postado na internet.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Procura-se o Kauê

Kauê é o cachorrinho daschhund da Mariana, filha de minha amiga Caticilene Rodrigues, coordenadora do Museu do Xapury. O danadinho desapareceu de casa na manhã desta quinta-feira deixando a alegre Mariana triste da vida. Quem souber do paradeiro do Kauê ou tiver alguma informação útil, pode telefonar para a Caticilene (3542-3054), que gratificará a boa alma que ajudar a encontrar o cãozinho.

Como se vê, blog também é prestação de serviço.

Melhor lugar pra se viver

FOTO_E~1

Boa quinta-feira!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Boa nova

A repórter Angélica Paiva, da TV Gazeta, adiantou ontem uma notícia que, sendo confirmada, deverá amainar o clima pesado que há, no momento, entre funcionalismo e governo estadual (leia aqui). Segundo a jornalista, o governador Tião Viana anunciará na próxima segunda-feira reajuste de 15% para os servidores estaduais.

Resta aguardar a segunda-feira chegar para ver se a boa nova se confirma. Em caso positivo, será o maior reajuste salarial concedido pelo governo do Acre a seus servidores em muitos anos. E virá bem na hora em que, no caso de Xapuri, a gasolina está sendo vendida a R$ 3,30, quando há, nos dois postos da cidade.

Coração em Desalinho

Maurício Ricardo.

Ajude

DSC_0000412

A garotinha sorridente da foto, Rayllany de Lima Souza, 4 anos, tem doença renal crônica e muita vontade de viver. Na barra lateral estão todas as informações necessárias para quem queira ajudá-la nessa empreitada difícil que é o tratamento fora do Acre. Ajude.

“Caiu”

Foi preso na noite dessa terça-feira (24), por uma equipe da Polícia Militar, F. J. S. O. (a PM divulgou apenas as iniciais), 19 anos, muito conhecido em Xapuri pela alcunha de “Vovozona”, numa a alusão ao personagem interpretado pelo ator Martin Lawrence no filme Big Momma's House, que na versão brasileira levou o nome de Vovozona.

Segundo informações veiculadas no blog Amax Xapuri, o acusado foi denunciado anonimamente de que estaria traficando drogas na casa de um irmão, na região do ginásio de esportes Álvaro da Silva Mota. Ao averiguar a denúncia, os policiais encontraram na casa um tablete de maconha pesando 14,6g.

Na casa haviam ainda outros três jovens, sendo dois menores de idade. Essa não é a primeira vez que o acusado é preso com drogas. Para a polícia, apesar da pequena quantidade de entorpecente encontrada, a apreensão foi muito importante pelo fato de Vovozona ter grande acesso às rodas de jovens em Xapuri.

O delegado Thiago Fernandes, da Delegacia Geral de Xapuri, informou agora há pouco, por telefone, que concluirá até o final da tarde desta quarta-feira (25) os procedimentos relativos à prisão do acusado para encaminhar o caso ao Judiciário. Ele responderá pelo crime de tráfico de drogas.

A imagem é da Polícia Militar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Programa de Ramais

Imagem

O governo do Estado acaba de anunciar que numa parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) recuperará 7.200 quilômetros de ramais, incluindo obras de pontes e bueiros, com investimento de mais de R$ 13 milhões. Os trabalhos serão executados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (Deracre).

Por parte do Estado serão gastos cerca de R$ 3,1 milhões, ficando por conta do Incra os  R$ 10 milhões restantes. Os trabalhos devem começar ainda nesta semana em alguns municípios, segundo informa a Agência de Notícias do Acre. O Deracre vai empregar 280 equipamentos e mais de 400 homens em 22 frentes de trabalho que utilizarão mais de R$ 2 milhões de litros de óleo diesel.

Não duvido da capacidade do governo de realizar um trabalho eficiente nos ramais de todo o estado, desde que os diretores do Deracre fiquem atentos a situações registradas no passado, quando a estrutura estatal foi muitas vezes utilizada para atender a serviços de particulares em detrimento das obras de recuperação de ramais.

Em 2009, durante o governo Binho Marques, o vereador Selmo Dantas (PT), denunciou a realização de bicos por equipes do Deracre encarregadas de recuperar estradas vicinais em Xapuri (leia aqui). Naquela ocasião, máquinas, combustível e mão-de –obra estavam sendo desviados para abertura de açudes e realização de outros serviços em diversas propriedades particulares do município.

As denúncias do vereador petista chegaram ao gabinete do governador, levando o Deracre a abrir investigação sobre o caso. Na época, o diretor-geral do Deracre, Marcos Alexandre, que ainda é o titular do departamento, afirmou que todas as informações seriam apuradas com rigor, mas o andamento e resultado desse processo nunca foram tratados com a publicidade que mereciam.

Em Xapuri, uma coisa sempre foi certa em tempos de programas de recuperação de ramais realizados pelo estado, pelo município ou por parceria entre ambos: parte dos recursos sendo desviados da sua finalidade, seja na forma de prestação ilegal de serviços a terceiros ou mesmo na pura venda de óleo diesel na calada da noite. Isso é fato conhecido de muita gente envolvida nesse meio, mas é regra que ninguém diga nada, numa espécie de lei do silêncio, numa cumplicidade velada.

É por essa razão que o Deracre não pode, como em 2009, esperar por denúncias para anunciar medidas que mesmo que ponham na rua uma meia dúzia de prestadores de serviço, não fazem com que a população seja ressarcida dos prejuízos. Dentro do planejamento de execução das obras é necessário que exista a preocupação com um controle rigoroso que erradique pelo menos minimize essa prática crônica e nociva aos cofres públicos e à melhoria de vida da população do Acre. 

Otimismo, sempre!

curiosas 1 (2)

O comentário é do leitor Paolo Almeida:

“É, Raimari, a vida pode ser encarada e vivida de várias maneiras, principalmente diante de tantos problemas que enfrentamos no dia-a-dia, sejam eles pessoais, de relacionamentos, profissional, e por aí vai. Referente a a imagem algo me chama muito atenção, e não é o enorme buraco na rua, mas sim a criatividade que existe em nós, seres humanos, independentemente das situações adversas sempre poderemos superar tudo isso com perseverança e bom humor.

Um abraço e uma ótima semana, com boas matérias”.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

União homoafetiva

blog_grisalhos_casal_gay_cama2

Abri enquete ali ao lado sobre a polêmica decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável entre casais do mesmo sexo. Em 20 dias, apenas 36 leitores manifestaram opinião. O assunto é espinhoso e muita gente prefere não meter o bedelho.

O resultado parcial da enquete aponta que 21 (58%) das pessoas que votaram não concordam com a decisão do STF, e que 15 (42%) delas  são a favor da união homoafetiva. Estendi então o período de votação até o fim do mês.

Leia: Porque celebrar uma união homoafetiva?

Trote para o 190

trote

A Polícia Militar de Xapuri registrou nada menos que 54 trotes no período entre 16 e 23 de maio. Em uma semana, o atendimento a ocorrências falsas só não superou, em quantidade, as abordagens feitas pela PM a veículos em blitz de trânsito.

As informações são do blog Xapuri Amax, página mantida desde fevereiro deste ano pela Associação de Militares e Amigos de Xapuri, onde o cidadão encontra relatório semanal de ocorrências e demais atividades desenvolvidas pela corporação no município.

Vício em internet

Vício em Internet

Do blog Filosofias de Botequim.

Estarrecimento

Texto enviado ao blog pelo professor Nader Sarkis:

Caro amigo blogueiro, Raimari Cardoso.

Hoje não vou postar comentário sobre seus textos, mas escrever sobre uma ação que presenciei domingo passado, dia 22 de maio, além de outras pessoas que, como eu, também ficaram estarrrecidas com o que viram, por volta das 19h45, numa manifestação religiosa em que, antes de qualquer coisa, não vejo nenhum problema, pelo contrário, devemos respeitá-la, haja vista a democratização das sociedades, no que diz respeito ao pluralismo religioso.

Ocorre que, nessa manifestação, na verdade uma carreata promovida por nossos irmãos da igreja Quadrangular, quem abria o evento era um dos carros OFICIAIS da Polícia Militar. Até aqui, também entendo que não existisse nenhuma ação indevida, desde que o mesmo atuasse como "batedor" (que na expressão militar significa: policial que abre caminho para autoridade ou pessoal ilustre), o que não aconteceu no referido caso, pois o mesmo era parte integrante da citada manifestação.

Quem estava presente viu o veículo OFICIAL com várias pessoas no compartimento de carga, em pé, movimentando-se, correndo sério risco de serem lançadas para fora do carro. Pronto, aqui está o nosso estarrecimento.

Vamos para o Código Brasileiro de Trânsito, se não me falha a memória, de 23 de setembro de 1997, que em seu art. 230, inciso II, diz o seguinte: Conduzir veículo com passageiro no compartimento de carga é infração GRAVÍSSIMA, salvo por motivo de força maior, com permissão da autoridade competente e na forma estabelecida no CONTRAN. Além de GRAVÍSSIMA, a infração incorre na perda de 7 pontos na CNH, multa de R$ 191,54 e na apreensão do veículo.

Por acreditar sempre nas autoridades competentes de Xapuri e do Acre, tomara que esse fato não se repita, por ser um veículo OFICIAL, sobretudo para a segurança das pessoas que foram transportadas no compartimento de carga.