quarta-feira, 14 de abril de 2010

A pelada mais séria e democrática do mundo

Fui no blog do xapuriense Maxsuel Maia e apanhei a hilária foto acima. Sim, é um time do futebol. O texto sobre o tradicional Peladão de Xapuri você lê lá mesmo clicando aqui. Nesta competição genuinamente xapuriense, os jogos são disputados durante dois ou três dias seguidos, faça chuva ou faça sol, as chuteiras são o couro do próprio pé, e os jogadores, como mostra a foto, podem ter de 10 a 80 anos e pesar de 20 a 150 quilos. A qualidade do futebol é coisa que não importa. O campeonato é o mais sério e o mais democrático do planeta. As partidas são disputadas em clima de copa do mundo e reserva lugar para todos sem distinção. Dos craques, que na foto não encontro nenhum, aos pernas de pau, dos quais o “retrato” está cheio. Maxsuel é o terceiro, agachado, da esquerda para a direita.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Fotos do crime do seringal Cachoeira

Toin e Tete

Antonio Rodrigues Ferreira, vulgo "Tóin", e Sebastião Raimundo Mesquita Jardim, o "Teté". Confessaram ter matado o seringueiro Leandro da Silva Galvão, o “Bedeu” para roubar 900 reais da vítima.

Bicicleta

A bicicleta da vitima escondida na mata e descoberta por manejadores foi a pista inicial que levou a polícia aos latrocidas.

Ossada

O que restou de Leandro, um jovem de apenas 23 anos de idade.

As informações sobre o crime estão no post abaixo.

Latrocínio no seringal Cachoeira

Polícia desvenda crime cometido há dois anos. Seringueiro foi morto e enterrado na mata. Crânio da vítima não foi encontrado

Buraco

A Polícia Civil de Xapuri acaba de elucidar um assassinato que, junto com o cadáver da vítima, estava oculto há mais de 2 anos sob as matas de uma região do seringal Cachoeira, numa colocação de nome Floresta, próximo à fronteira do Acre com a Bolívia.

O latrocínio – roubo seguido de morte - friamente planejado, que tinha tudo para se tornar um crime perfeito e permanecer na impunidade, veio à tona em razão de um detalhe muito simples: não existem crimes perfeitos, como apregoa o velho dito popular.

O delegado Thiago Fernandes de Souza, da delegacia de Xapuri, conduziu as investigações com habilidade e concluiu-as com uma rapidez impressionante. Dois autores confessos do crime, Antonio Rodrigues Ferreira, vulgo "Toin", e Sebastião Raimundo Mesquita Jardim, vulgo "Teté", estão presos. Um terceiro suspeito será liberado por ter ficado comprovada a sua não participação no assassinato.

Leandro da Silva Galvão, o “Bedeu”, com 23 anos na época, era seringueiro e acabara de receber uma quantia de R$ 1.200,00 de sua sogra, de nome Raimunda, para quem trabalhava. Também acabara de se separar da esposa, Samanta, que na época tinha cerca de 14 anos de idade, com quem de acordo com o pai de Bedeu, José Maria Galvão, 50, o seringueiro não vivia bem. 

A versão contada pelos acusados ao delegado diz que o dinheiro recebido pela vítima seria destinado ao pagamento deles, que trabalhavam como serradores na propriedade de Raimunda, a sogra de Bedeu. A mulher teria solicitado a eles que esperassem mais um pouco pelo pagamento para que ela pudesse fazer um “acerto” com o genro que estaria saíndo de sua propriedade em razão da separação e ali estaria deixando alguns poucos bens.

Concordando com a proposta e informados de que Bedeu sairia da colocação pela manhã portando a citada quantia, premeditaram o assassinato seguido de roubo e marcaram a execução para o dia seguinte quando a vítima passasse por determinado local na mata onde trabalhavam. O seringueiro, que fazia o caminho numa bicicleta foi inicialmente baleado por “Toin”, com uma uma arma calibre 22, e depois morto a pauladas por “Teté”.

O corpo de Leandro foi enterrado em um buraco pré-existente com a ajuda de uma terceira pessoa que também participou da partilha do dinheiro roubado. A bicicleta da vítima, que foi escondida na mata, viria a ser a pista que levou à descoberta dos assassinos. Foi encontrada, há cerca de 15 dias, por técnicos que abriam piques na mata para um plano de manejo florestal realizado na região.

Reconhecida como sendo de Bedeu, a bicicleta levantou suspeitas de que, em vez de estar trabalhando em outra localidade, como pensavem os familiares, o seringueiro poderia estar morto e enterrado por ali mesmo. A desconfiança se tranformou em realidade quando a polícia foi informada do caso. Com base em interrogatórios de várias pessoas, o delegado chegou rapidamente ao criminosos, que confessaram o crime.

Antonio Rodrigues Ferreira, o "Toin", e Sebastião Raimundo Mesquita Jardim, o "Teté", serão indiciados pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte), previsto no art. 157, §3º, do CP, com pena prevista de 20 a 30 anos de reclusão, sendo este um dos crimes considerados mais graves pela Lei Penal Brasileira, inclusive classificado como crime hediondo, em concurso material com o crime de ocultação de cadáver, previsto no art. 211 do Código Penal, que prevê uma pena de reclusão de 1 a 3 anos.

Um fato curioso, e que segundo o delegado as investigações não encontraram ligação com o crime, é que Sebastião Raimundo, o “Teté”, um dos autores do latrocínio, vinha, nos últimos tempos, vivendo maritalmente com a ex-esposa de Bedeu, Samanta, que está no oitavo mês de gestação. Outro detalhe dá um tom macabro ao crime: a cabeça de Bedeu não foi encontrada.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Garrinha e Nilce

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É deles o cartaz informando o local onde nasceu o jornalista Armando Nogueira que postei aqui há alguns dias. Garrinha, como é conhecido o bancário aposentado João Mendes, proprietário da Pousada Chapurys, visitou-me hoje pela manhã enquanto apresentava meu programa de rádio. Tem interesse em ver prosperar a ideia sugerida pelo blog de se transformar a casa onde nasceu Armando em um lugar que homenageie o xapuriense ilustre.

João Garrinha e Maria Nilce são entusiastas do resgate e preservação da memória xapuriense. Na pousada Chapurys, estão terminando de aprontar um museu com muitas informações da história xapuriense, principalmente das lutas travadas por Chico Mendes em defesa dos povos da floresta, que vou visitar em breve e fazer o devido registro aqui no blog.

Outra iniciativa do casal é celebrar os 100 anos do antigo casarão onde foi estabelecida a pousada. A casa, segundo Garrinha, é do ano de 1910 e mantém a sua arquitetura quase intacta. Há apenas uma pequena mudança feita por um antigo morador na parte da frente da residência, que Garrinha pretende através de fotografias antigas restaurar ao estado original.

Em tempo: Recebo a informação do jornalista Altino Machado de que as fotos da casa onde Armando Nogueira nasceu foram tuitadas por ele e retuitadas pela novelista Glória Perez (veja aqui) com mais de 400 cliques. Quanta honra.

domingo, 11 de abril de 2010

OCA de Xapuri

Está em fase de testes a Organização Central de Atendimento (OCA), iniciativa do governo do Estado instalada no histórico prédio da casa aviadora A Limitada, uma das maiores de Xapuri no século passado. O objetivo do empreendimento é centralizar vários serviços que serão prestados ao cidadão em um único lugar.

Correios, Instituto de Identificação, Banco, Tribunal Regional Eleitoral e prefeitura de Xapuri são algumas das instituições que estarão presentes na OCA buscando facilitar a vida do cidadão. Ali, 500 pessoas poderão ser atendidas por dia. A inauguração não tem data definida, mas deve ocorrer no final de maio.

Nessa última semana, o governador Binho Marques esteve na cidade visitando as instalações da OCA nessa fase experimental. "O que nós estamos fazendo aqui é experimentando um novo modelo de gestão do estado. Essa modernização acaba no Governo Único, com tudo interligado e com agilidade no serviço. O que eu espero é que os acreanos possam sentir-se bem tratados, reconhecidos e com seus direitos garantidos”, disse ele.

Uma das maiores expectativas da população, no entanto, é quanto ao sinal de internet grátis do programa Floresta Digital, que deve ser lançado no mesmo dia da inauguração da OCA.

Detalhes da informação na reportagem de Mariama Morena, da Agência de Notícias do Acre. A foto é de Gleílson Miranda.

sábado, 10 de abril de 2010

Bodão rumo ao Japão

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De agazeta.net:

Bodão embarca para fechar preparação visando o Japão

Principal atleta acreano na história do Vale Tudo, o xapuriense Francimar Bodão embarca para o Rio de Janeiro para a final de sua preparação visando uma das maiores competições mundiais da modalidade, no Japão. A competição terá transmissão para vários países, inclusive o Brasil, onde existe a expectativa de ter a retransmissão pelo canal pago do Combat.

A participação acreana já poderia ter ocorrido, caso o atleta não tivesse machucado a costela durante parte da preparação. “Agora está tudo confirmado, inclusive a coletiva no Rio de Janeiro com os patrocinadores e a data, bem como qual dos eventos e contra qual adversário”, explicou Bodão.

Com o invejável currículo de 20 lutas e apenas 3 derrotas, sendo que em 2009 teve seis lutas, com aproveitamento total, Bodão é considerado como o 3º melhor de sua categoria no Brasil, o meio pesado, porém existe quem o aponte como o melhor em território brasileiro. Por esse currículo é que a carreira do atleta vem sendo acompanhada pelo melhor empresário do Vale Tudo brasileiro, Dedê Berdanera.

Apesar de sua origem ser o Jiu-Jitsu, onde é faixa preta, o xapuriense também é faixa preta no Kick Boxe. “Tive a oportunidade de vir treinando com os melhores, o meu técnico Pedro Rizzo – um dos melhores brasileiro no Vale Tudo – além de um dos treinadores da Seleção Brasileira de Judô, o acreano Marquinhos”, explicou Bodão, ressaltando que seu treinamento diário é três treinos diários. “Posso falar e me orgulhar que passei fome nesta profissão que escolhi, mas hoje estou ‘comendo’ os frutos de muito suor”, regozija Bodão.

Desta vez o reconhecimento trouxe também outras vantagens. O xapuriense terá o apoio da Secretaria de Esportes, Turismo e Lazer, além do apoio direto do prefeito de Xapuri, Bira Nogueira (sic). “A ajuda do prefeito não é de agora”, disse.

Em tempo: Não, o prefeito de Xapuri não tem parentesco com Armando Nogueira e continua se chamando Bira Vasconcelos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ruas, críticas e bom senso

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Encontrei o prefeito Bira Vasconcelos vistoriando a obra da foto acima na tarde desta quarta-feira (7). É a etapa final dos serviços de drenagem do trecho da rua Pio Nazário que dá acesso à Casa de Chico Mendes. O problema é antigo, como se pode ver na foto abaixo, tirada em 2008, e tem causado dor de cabeça tanto à população quanto ao prefeito, que não vê a hora de tê-la concluída.

Por falar em dor de cabeça, perguntei ao prefeito pelo início do calçamento da rua Dr. Batista de Moraes, cujo tijolamento antigo foi retirado de forma precipitada causando uma onda de justas reclamações cidade afora. Eu mesmo, que critiquei o ex-prefeito Vanderley Viana por fazer o mesmo com a rua Rodovaldo Nogueira em 2008, emiti opinião desfavorável à repetição do fato.

Como no caso de Vanderley Viana, que algum tempo depois entregou a rua Rodovaldo Nogueira asfaltada, é certo que logo Bira também devolverá à população a rua Dr. Batista de Moraes calçada conforme reza o convênio com o governo do Estado. A empresa responsável já está pronta para começar os serviços e os tijolos já estão sendo descarregados no local da obra.

A população sempre reclamará dos prefeitos e estes sempre darão motivos ao povo para soltar a língua. O ex-prefeito não possuía espírito democrático nem condição emocional para aceitar as críticas, e muito menos inteligência para delas tirar aprendizados. O atual, por sua vez, é aberto às opiniões contraditórias e tem no diálogo e no bom senso armas da luta para transformar Xapuri.

Acredito que quem critica responsavelmente não tem o intuito de prejudicar ou atrapalhar o trabalho do prefeito, mas sim de ajudar, nem que seja com sugestões que sejam consideradas tolas, o que vale é a boa intenção, afinal de contas o resultado do sucesso da gestão é o benefícios de toda a comunidade. Ter bom senso nesse caso é tirar da crítica o que ela tem de positivo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tião Viana é eleito relator da LDO

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Nota enviada pelo jornalista Romerito Aquino:

Considerada a mais importante do Congresso Nacional por aprovar anualmente o Orçamento Geral da União (OGU), a Comissão Mista de Orçamento elegeu nesta quarta-feira, 07/04, o senador Tião Viana (PT-AC) como relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano.

A eleição de Tião Viana para tão importante cargo do parlamento nacional ocorre dois anos depois dele ter presidido interinamente o Senado Federal e, por conseguinte, o Congresso brasileiro.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano, a ser relatada pelo senador acreano, é a legislação que define as metas e as prioridades da administração pública federal, incluindo aí as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente.

Por determinação da Constituição, a LDO também orienta a elaboração da lei do Orçamento Geral da União (OGU), dispõe sobre as alterações na legislação tributária e estabelece a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.  A LDO deste ano será enviada ao Congresso Nacional até o dia 15 deste mês pelo poder Executivo.

Residência Florestal em Xapuri

O projeto de transformar Xapuri em um pólo universitário no Acre está avançando. Um encontro realizado nesta segunda-feira entre o reitor da Universidade de Viçosa (MG), Luiz Cláudio Costa, o vice- reitor da Ufac, Pascoal Muniz, o secretário de Meio Ambiente do Acre, Eufran Amaral e o prefeito de Xapuri, Ubiracy Vasconcelos, definiu parcerias para a implantação de uma Residência Florestal no município e, futuramente, um Centro de Tecnologia ligado ao CAT – Centro de Tecnologia da América Latina – que tem sede na Costa Rica.

A UFV e o governo do Acre possuem acordos de cooperação técnica, intercâmbios, programas de estágio e realização de eventos conjuntos. Em março, o secretário de Meio Ambiente do Acre, Eufran Amaral, esteve em Viçosa para discutir estratégias para o fortalecimento da parceria já existente, envolvendo a interação de órgãos do governo e instituições de pesquisa e ensino com aquela universidade, especialmente com o Núcleo de Estudos de Planejamento de Uso da Terra (Neput), vinculado ao Departamento de Solos.

O Neput desenvolve processos e produtos para ações de planejamento da propriedade rural, planejamento e cadastramento urbano tendo como ferramenta principal aerofotos panorâmicas e verticais com estereoscopia, além da produção de recursos didáticos para a educação ambiental. A parceria do governo do acre com a UFV tem o objetivo de ampliar a formação e treinamento de recursos humanos na área de gestão de recursos naturais, visando potencializar as ações na área de gestão ambiental.

De acordo com o secretário Eufran Amaral, articulador do projeto, o encontro desta segunda-feira fez avançar a possibilidade de Xapuri receber pesquisadores para produzir conhecimento e defender teses para aquisição do diploma de especialistas na área florestal, além de tornar Xapuri uma base de estudos e pesquisas sobre desenvolvimento sustentável.

“Em Xapuri nasceram lições para o mundo. Aqui se construiu e se mostrou para o mundo que é possível se viver bem preservando a floresta. Hoje, trabalhamos na construção de conhecimento e fazer o encontro de saberes entre o seringueiro e o cientista”, disse o secretário.

O projeto de Residência Florestal pretende trazer para Xapuri cerca de 40 estudantes/pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa para realizarem pesquisas e defenderem teses sobre experiências relacionadas aos projetos de desenvolvimento sustentável desenvolvidos aqui no Acre. Para que isso aconteça, começou a ser trabalhado ontem o termo de cooperação técnica entre Universidade Federal de Viçosa e Universidade Federal do Acre.

Para o reitor da UFV, Luis Cláudio Costa, essa é uma oportunidade que a universidade tem de trabalhar com as diversas formas de saberes.

“A floresta tem muito a nos ensinar. Será muito importante para os nossos estudantes o papel de formação de cidadania e para os nossos pesquisadores a possibilidade de praticar a excelência acadêmica com relevância e interação social, e acreditamos que a partir daí a sociedade ganha como um todo”, afirmou o reitor da UFV.

Para o vice-reitor da Ufac, Pascoal Muniz, a parceria vai fortalecer a universidade na região do Alto Acre.

“A Ufac está presente há mais de 30 anos na formação de professores e em projetos de extensão e pesquisa. E esse projeto vai proporcionar o fortalecimento da universidade no Alto Acre, visando envolver as comunidades da região, inclusive os países vizinhos Bolívia e Peru, na perspectiva que a Ufac tenha aqui um campus forte que possa oferecer uma grande variedade de cursos, gerando oportunidades para a juventude”, destacou.

A iniciativa que visa instalar a Residência Florestal em Xapuri é fruto de uma parceria entre UFV, Ufac, governo do Acre, Embrapa-Acre e prefeitura do município. O prefeito Bira Vasconcelos considera o empreendimento um dos mais importantes para Xapuri, que representa colocar o município num patamar de conhecimento jamais visto, onde a geração de tecnologias venha contribuir com o desenvolvimento local.

“É um momento muito especial para Xapuri porque acreditamos que a partir da produção de conhecimentos e de tecnologias, nosso desenvolvimento será impulsionado. É uma proposta interessantíssima, pois Viçosa é uma universidade renomada nacionalmente nas áreas agrária e florestal, e ainda mais porque, junto com isso, traremos para Xapuri também, aliado com as duas universidades e a Embrapa-Acre, o Centro de Tecnologia da América Latina, o CAT”, afirmou o prefeito.

A instalação do Curso de Residência Florestal está prevista para o segundo semestre deste ano. O núcleo da Ufac e a sede do CTA - Centro dos Trabalhadores da Amazônia - são os possíveis locais para implantação da iniciativa. Para o ano que vem, há planos de também se trazer para Xapuri cursos de mestrado em Engenharia Florestal e Agronomia.

Com informações da repórter Fernanda Gomes, do Sistema Público de Comunicação do Acre. A foto é de Luciano Pontes, da Secom.

O poeta da bola

Via Blog do Altino Machado.

Marina Silva

Quero prestar uma homenagem a um conterrâneo que fez do seu ofício uma aula de poesia, classe e profundidade. Armando Nogueira, acriano e, assim como eu, filho de pais cearenses, aos 17 anos deixou nossa terra natal para deslumbrar-se com as belezas do Rio de Janeiro e ali fazer história no jornalismo brasileiro.

Armando morreu no dia 29, e desde então quero lembrá-lo neste espaço, mas uma agenda muito intensa vinha me impedindo de fazê-lo.

Não é que eu entenda muito de futebol, mas o suficiente para saber que ele sempre foi considerado um dos maiores - senão o maior - cronistas esportivos brasileiros. Ao lado de Nelson Rodrigues e Mário filho, ele encarnou, como nenhum outro, a alma do torcedor brasileiro.

Armando trouxe consigo a indelével marca do brasileiro, tendo como característica marcante a obstinação pela qualidade de seu ofício, sem deixar de lado a candura e a humildade de nosso povo. Teve a sorte de, na juventude, ver florescer a magia de um Pelé, para quem cunhou a definição cabal: "De tão perfeito, se não tivesse nascido gente, teria nascido bola".

O gosto pelo futebol tem lugar especial e cativo em minhas memórias infantis. Conforme já relatei aqui, nas noites de Ano Novo, e somente quando calhava de aparecer a lua cheia sobre os céus do seringal Bagaço, onde passei minha infância e adolescência, meu pai fabricava uma bola feita de puro látex - o que conferia ao jogo características mais lúdicas que esportivas - para jogarmos aguardando o novo ano. Éramos meninas bailando e pulando sob a luz do luar, em busca daquela esfera branca, mágica, a nos enfeitiçar.

Como cronista, poeta ou jornalista, o Mestre Armando Nogueira - como era chamado por todos - pôde revelar a sensibilidade de um homem tenazmente fiel aos valores que possuía. Não poderia, portanto, deixar de voltar seu olhar tão aguçado, como doce, à ecologia.

Em uma de suas últimas visitas ao Acre, em 2003, quando recebeu várias homenagens do governo e do povo acriano, Armando Nogueira revelou suas preocupações acerca da poluição das águas, bem como em relação à destruição da Floresta Amazônica: "O Acre é um pedaço da floresta onde se concentra a riqueza mais importante do século que se abre, que é a água. Por isso o Acre deixa de ser um Estado para ser uma causa".

Armando já disse certa vez que "o Acre é uma magia, um mistério". Concordo com ele integralmente. E ao relembrar sua trajetória e refletir sobre sua vida fecunda, posso enxergá-lo junto a mim e às minhas irmãs, em meio à floresta, não como gente, mas agora como bola, divertido e irrequieto, quicando cada vez mais alto, até alcançar o céu.

Recomendo a leitura do texto que Armando escreveu após sua visita ao Acre, em 2003: "O reencontro da infância" reproduzido pelo jornalista acriano Altino Machado, colega também aqui no Terra Magazine.

Marina Silva é professora de ensino médio, ex-ministra do Meio Ambiente, senadora do Acre pelo PV e colunista da Terra Magazine.

“Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão”

Excelente a entrevista do tucano Aécio Neves nas páginas amarelas da revista Veja desta semana. O político deixou o governo de Minas Gerais na semana passada com 92% de aprovação para concorrer a uma vaga no Senado. Acredita que assim contribui mais com a candidatura presidencial de José Serra que sendo seu vice. “No Brasil não se vota em vice-presidente”, disse. Outra frase muito boa foi a seguinte: “Não existe vácuo na política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão”. Aécio é o homem do “choque de gestão” que, com base no princípio da “meritocracia”, melhorou todos os indicadores sociais, econômicos e educacionais de Minas.

Extrativistas buscam certificação florestal

Manejo florestal é importante para a sobrevivência econômica das comunidades

Andrea Vialli - O Estado de S. Paulo.

Comunidades tradicionais da Amazônia que trabalham com madeira de áreas de manejo controlado e produtos como óleos, castanhas e artesanato estão buscando a certificação florestal para conquistar consumidores. No País já há oito comunidades que usam em seus produtos a certificação FSC (Conselho de Manejo Florestal, na sigla em inglês), o selo verde mais conhecido no exterior.

No caso dos produtos amazônicos, especialmente a madeira, a certificação funciona como uma garantia de origem. “É uma maneira de mostrar para o consumidor que o produto foi feito sem promover o desmatamento ilegal, respeitando o conhecimento das comunidades tradicionais”, diz Patrícia Cota Gomes, coordenadora de certificação comunitária do Imaflora, entidade que realiza a certificação FSC no Brasil.

Segundo ela, embora ainda seja pequeno o número de comunidades certificadas, o interesse é crescente. O Brasil hoje possui a maior floresta certificada do mundo, com cerca de 4,7 milhões de hectares – sendo 2,5 milhões de hectares na Amazônia.

Um dos termômetros do crescimento do mercado para produtos com certificação florestal é a feira de negócios Brasil Certificado, que começa hoje, em São Paulo, e é aberta ao público. Realizada desde 2004, a feira apresenta produtores de madeira, celulose e papel, produtos não madeireiros (alimentos, cosméticos e essências) e este ano deverá trazer empresas do setor agroindustrial que possuem o selo Rainforest Alliance, para práticas agrícolas com menor impacto ambiental. A última edição do evento, em 2008, atraiu 3 mil visitantes e 39 expositores. Este ano serão 60 expositores.

Estratégia

A Cooperfloresta, cooperativa de produtores extrativistas do Acre, é uma das associações que reúne comunidades tradicionais e que conseguiu ampliar seu espaço no mercado graças à certificação florestal. O grupo, com sede em Rio Branco, agrupa e comercializa a produção de 88 famílias de produtores de madeira, organizados em 4 comunidades.

A madeira vem de planos de manejo, que, no Acre, são delimitados pelo governo do Estado. As propriedades passam por um zoneamento econômico e ecológico e por um plano de manejo, que determina a quantidade de madeira que poderá ser extraída sem prejuízo à regeneração da floresta. Depois, é feito o licenciamento ambiental.

“Atualmente, o manejo florestal é importante para a sobrevivência econômica das comunidades. E também para a manutenção da floresta em pé”, explica Evandro Araújo, superintendente da Cooperfloresta. Sua trajetória é semelhante à de muitos acreanos. Filho de seringueiros, Araújo desistiu da atividade por causa da falta de rentabilidade. Fez um curso de técnico florestal e hoje cuida da administração da Cooperfloresta. “Os desafios para uma comunidade que se certifica é ter acesso a mercados que paguem mais pela madeira explorada de forma sustentável. No Brasil, ainda são pequenos nichos que valorizam a origem do produto”, diz Araújo.

Apesar das dificuldades, os negócios vão bem. No ano passado, a Cooperfloresta conseguiu fechar contrato com uma empresa de Xapuri (AC) que produz e exporta pisos de madeira e aceitou pagar 75% a mais pela madeira certificada. A parceria permitiu à cooperativa produzir 6.340 metros cúbicos de madeira com selo verde, 165% a mais do que em 2008, quando a produção foi de 2.500 m³. “Cada cooperado recebeu R$ 5,2 mil de renda líquida, o que fez mais comunidades se interessarem pela certificação. Hoje a exploração controlada de madeira já representa 43% da renda das famílias, atrás apenas da castanha.”

Este ano, a Cooperfloresta pretende incluir 136 famílias de extrativistas no manejo florestal, o que, na prática, significa a extração de 13 mil m³ de madeira. Com isso, o faturamento da cooperativa deve triplicar.

Artesanato. No Pará, a certificação FSC também mudou a rotina da TucumArte, cooperativa de mulheres que trabalham com artesanato de tucumã, palmeira nativa da Amazônia. A comunidade de Urucureá, distante quatro horas de barco de Santarém, hoje consegue vender as cestas de tucumã para grandes lojas de decoração de São Paulo e do Rio.

“A certificação valorizou o produto e trouxe mais organização para a comunidade”, conta Rosângela Tapajós, gerente de vendas da TucumArte. As 32 mulheres que trabalham na cooperativa produzem 600 peças por mês, o que garante uma renda mensal média de R$ 300.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Praça de São Sebastião

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Praça de São Sebastião em frente ao centro comercial. É visível o zelo que a prefeitura tem tido com um dos principais pontos turísticos da cidade.

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Na tranquilidade da tarde, homem aproveita o ambiente asseado, a sombra das castanholas e a companhia de São Sebastião para alguns momentos de descanso e reflexão.

 

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O Rio Xapuri desemboca no Acre, em frente ao Mirantes. Para mim, uma das principais atrações da cidade. Nesta época, no encontro dos rios, a aparição dos botos é um espetáculo à parte.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

“Aqui nasceu Armando Nogueira”

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O cartaz afixado na parede da casa simples que hoje abriga o escritório do Procon e a sala do secretário municipal de Assistência Social chama atenção de quem passa pela rua Cel. Brandão, a principal da cidade. Ali, ao lado do antigo prédio da prefeitura, hoje transformado em museu, teria nascido o jornalista Armando Nogueira, falecido na semana passada no Rio de Janeiro.

Confesso que desconhecia a informação, e o cartaz, cujo autor não consegui identificar, me atiçou a curiosidade. Vivendo na casa, conheci o Sr. Ari Paes, que nessa pequena varanda fez funcionar a primeira “casa lotérica” de Xapuri. Na realidade, a casa já não mais a mesma. Aquela, em que seu Ari viveu os últimos anos de sua vida, foi consumida por um incêndio há alguns anos.

Se foi realmente neste local que nasceu Armando Nogueira, nada mais adequado do que transformar a casa em um espaço cultural dedicado à memória do jornalista. Espaço onde a população pudesse ter acesso à obra do Marquês de Xapuri. Seria a melhor e mais justa homenagem que a cidade e seu povo poderiam prestar a um dos seus filhos mais ilustres.

Está feita a sugestão e vai um convite ao responsável pelo cartaz para acrescentar mais detalhes a esta postagem.

O Acre existe

Vídeo da TV Gazeta sobre Objeto Voador Não Identificado avistado sobre o Conjunto Universitário, em Rio Branco, vira piada sobre o Acre na internet. Clique e veja.

Florestas Plantadas

Começa o plantio de 30 mil seringueiras em Xapuri

Estratégia faz parte da Política de Valorização do Ativo e segue as diretrizes do Zoneamento Ecológico Econômico do Acre




Patrícia Viudes, Assessoria Embrapa

Agricultores e extrativistas de Xapuri (AC) iniciaram, este mês, o plantio de mudas de seringueiras, como parte do Programa Florestas Plantadas, lançado recentemente pelo Governo do Estado, coordenado pela Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), com apoio da Secretaria de Floresta (SEF). Na última sexta-feira, o pesquisador da Embrapa Acre, Rivadalve Gonçalves, visitou áreas de produção para acompanhar as atividades e avaliar o aspecto técnico da implantação dos plantios.

As mudas que estão sendo utilizadas foram indicadas pela Embrapa. Em 2009, Gonçalves realizou visitas técnicas a viveiros e plantios de seringueiras de diversos locais do país, com o objetivo trocar experiências com pesquisadores e empresários de diferentes instituições. O plantio de seringueiras representa um momento histórico para o Estado do Acre, considerando que nos últimos 25 anos não houve uma política pública com essa finalidade.

"Os plantios existentes foram realizados no início da década de 1980”, explica. Em Xapuri, Gonçalves visitou a área do produtor de mudas Nilberto de Meneses (foto) e a propriedade do agricultor Assis Monteiro, no Seringal Cachoeira, para verificar as condições das mudas que estão sendo distribuídas. Monteiro associou a lavoura de milho com parte do plantio de seis mil mudas de seringueiras. “É um investimento para o nosso futuro, essa floresta será minha aposentadoria", disse.

O objetivo do Programa Floresta Plantadas é atender a demanda de látex de seringueira da fábrica de camisinhas e de outras duas que estão em fase de instalação: a de bolas ecológicas e a de Granulado Escuro Brasileiro (GEB), matéria-prima para produção de pneu.

“Além desta finalidade, os plantios visam atender a legislação ambiental quanto à presença de árvores em até 90% das propriedades na Amazônia”, afirma Gonçalves.

Na parceria, o Estado oferece o preparo da terra e assistência técnica e o agricultor entra com a manutenção das áreas e compra das mudas, financiadas pelo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), por meio do Banco da Amazônia. Nesta primeira fase serão plantadas 30 mil mudas e 20 agricultores de Xapuri já conseguiram financiamento pelo Pronaf.

A estratégia faz parte da Política de Valorização do Ativo e segue as diretrizes do Zoneamento Ecológico Econômico do Acre. Realizada na Embrapa Acre, as pesquisas com seringueira tiveram início na década de 70, utilizando plantas bi-compostas com o objetivo de identificar as mais adaptadas às condições climáticas do Estado e mais resistentes a doenças. Desde 2008, a Unidade retomou pesquisas com seringueiras bicompostas, a partir de clones melhorados pela indústria de pneus Michelin, pelo Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), instituição com sede na França, com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A ideia é embasar cientificamente um programa de fomento florestal no Acre”, explica o pesquisador Rivadalve Gonçalves, responsável pelos estudos com seringueira na Embrapa Acre.

O Brasil importa cerca de 60% do látex utilizado na fabricação de borracha. No Acre, a produção é predominantemente de seringais nativos.

“Em 2008, a importação foi de 221 mil toneladas de borracha. Os plantios são importantes para reduzir esta dependênica e cada hectare pode abrigar 500 árvores e ter uma produção de 2,2 mil litros por ano”, afirma o pesquisador.

Fonte: Agência de Notícias do Acre.

Incendiário preso

Viciado em cheirar gasolina ateia fogo em casa

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Suelliton Flor Amorim, o “Sul”, 25 anos, inconformado com a separação de sua esposa, ateou fogo na casa em que moravam na Colônia do Boró, destruindo todos os pertences da mulher, Francilene de Oliveira, com quem vivia há cerca de três anos. O crime aconteceu na última quarta-feira, 31 de março.

O incendiário, que segundo Francilene é viciado em cheirar gasolina, chegando a fazer isso na frente dos filhos, vai responder pelo crime de incêndio, previsto no Art. 250, parágrafo 1º II, "a" do CP, que prevê uma pena de reclusão de 3 a 6 anos, aumentada em 1/3 por ser a casa habitada.

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Depois de incendiar a casa, Suelliton se dirigiu ao quartel da Polícia Militar para dar notícia do acidente que, de acordo com ele, teria sido causado por um curto-circuito. Ao chegar ao local, a polícia verificou, no entanto, que havia claros indícios de que o incêndio havia sido criminoso. Uma das maiores evidências era o fato de Suelliton haver retirado de dentro da casa seus pertences (foto abaixo) e deixado queimar apenas as coisas da esposa e dos filhos.

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O dono da propriedade é Maurílio Rodrigues Buriti, o Boró, muito conhecido em Xapuri pela alcunha que dá nome tanto à pequena colônia como ao ramal que dá acesso à mesma.

domingo, 4 de abril de 2010

Folga

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O feriadão me tirou da cidade depois de um bom tempo sem contato com a natureza. O destino foi a fazenda Monte Alegre, na BR-317, que possui uma área de cerca de 4 mil hectares dos quais pouco mais de um quarto foi transformado em pastagens. O restante é pura floresta em seu estado natural.

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Na ida já fui brindado com um amanhecer digno dos registros acima. Na primeira foto, ainda na BR, e na segunda, já na mata, um pouco antes das 7 horas da manhã. Abaixo, a sempre bela e imponente castanheira se destaca na vegetação.

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Mais à frente, uma parada para descansar as costas.

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E um pouco depois outra para contemplar a beleza natural do igarapé Ina. O sujeito feliz da foto é Matheus Cardoso, herdeiro mais velho – dos homens – das dívidas do blogueiro.

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Prossigo, de pernas pro ar, aproveitando a folga do fim de semana que, lamentavelmente, caminha ligeiro para terminar. Logo mais será hora de voltar à rotina chata, besta e cansativa da cidade.

sábado, 3 de abril de 2010

Lua em céu claro



Estou "alongado" neste sábado de aleluia. Dando um tempo para a rotina besta da cidade e aproveitando um tempinho de descanso numa fazenda nas proximidades de Xapuri. E é engraçado que quando estamos mais próximos da natureza prestamos atenção em detalhes que normalmente não nos chamam muito a atenção, como a imagem acima, da lua no céu claro das primeiras horas do dia.

Clique na foto para vê-la ampliada. E bom sábado.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ausência

Vinícius de Morais

Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amor os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderia dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida.
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser
tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados.
Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada. Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvia tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensas no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu,
das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Araçá-boi

O araçá-boi (Eugenia stipitata) é uma fruteira típica da Amazônia Ocidental, usualmente cultivada no Brasil, Peru e Bolívia. Pertence à família das Mirtáceas, que é a mesma da goiaba e jabuticaba. A planta é um arbusto com cerca de três metros de altura, com ramos desde o solo. O fruto tem cor amarelada quando maduro, contém em média 11 sementes e chega a pesar 450 gramas. Seu suco é delicioso, mas há quem prefira o creme. Já experimentei ambos e os acho igualmente saborosos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ponto de vista

Nazareno Albuquerque

O jornalista Armando Nogueira joga sua última partida neste planeta. Colocado por Deus em Xapuri (Acre), recebeu nova missão Dele: `Vai, filho, para a terra dos Deuses do Futebol, e deixa Xapuri comigo. Vou escalar Chico Mendes para a missão de defender as florestas por aqui`.

Armando - assim como os jornalistas Mário Filho e Nelson Rodrigues - tornou os estádios uma academia literária, fontes de belíssimos textos para expressar as emoções do futebol. Foi mais longe: modelou para a Rede Globo um dos maiores fenômenos da mídia brasileira, o Jornal Nacional.

Estive com Armando Nogueira em duas ocasiões, e pelo menos uma vez por mês ao telefone. Eu era chefe de telejornalismo da TV Verdes Mares, e ele o comandante de telejornalismo da Globo. Chamava-me, não sei se carinhosamente, de `Polivalente`, pois além de dirigir a equipe, eu era o apresentador do Jornal Nacional local.

A terceira e última vez, e mais recentemente, nos encontramos no café da manhã de um hotel. Como sempre elegante e sorriso pronto para uma frase inteligente.

Deus não deixou com Armando Nogueira a defesa das florestas de Xapuri, mas ele cumpriu direitinho a missão de defender o verde dos gramados e os cantos emocionados dos maracanãs.

Nazareno Albuquerque é  jornalista e publicitário.

terça-feira, 30 de março de 2010

Quase em branco

A morte de Armando Nogueira quase passa em branco em Xapuri.

Foram tímidas as homenagens prestadas ao jornalista Armando Nogueira em Xapuri, sua terra natal. Na câmara, as referências se resumiram à lembrança de um ou outro vereador. Da parte da prefeitura, o decreto de Luto Oficial chegou à única emissora de rádio do município com um dia de atraso.

Pouco, muito pouco para alguém que mesmo tendo vivido pequena parte de sua vida neste rincão nos fez orgulhosos daquilo que produziu lá fora, aos olhos de todos, sempre deixando claro e evidente o seu prazer e a sua satisfação em ser filho desta sofrida terra.

Outro fato é que muita gente que vive plugada na internet e antenada na TV só tomou conhecimento agora da acreanidade xapuriense de Armando Nogueira. Pessoas para quem os ‘zeróis’ do Big Brother são muitos mais interessantes e representativos. Pior para eles. Armando deixou uma lição que talvez nunca seja aprendida.

Que bom seria se todo o amor empenhado por esse xapuriense ilustre às coisas que fez e nos deixa como legado fosse também aplicado nas ações daqueles que podem fazer deste vale de lágrimas um lugar melhor para se viver. Talvez ainda haja tempo para a lição ser aprendida. Armando se foi, mas seu exemplo permanecerá.

Armando Nogueira, a Estrela de Xapuri

Amauri Queiroz

Às vezes parece que o tempo para. Agora mesmo estou sentindo que parado está. Acho que Deus, em sua incomparável sapiência, faz a Terra parar de girar (só por instantes) com o fugaz objetivo de proteger um daqueles seus, que estava aqui e Ele resolveu chamar de volta. Foi assim que aconteceu com Armando Nogueira, o nosso Barão de Xapuri. Terra de gente valente, lugar pequeno que sabe fazer gente grande e valente como Glória Perez e Chico Mendes.

Agora, a santíssima trindade da crônica esportiva está finalmente reunida: Armando, João Saldanha e Nélson Rodrigues. Por ali ainda circula, carrancudo, o Sandro Moreyra, meio que fazendo o papel de D'Artagnan, reivindicando para si o papel de também legítimo e ardoroso botafoguense, como "João sem Medo" e Armando. Cria-se então um movimento separatista, para que a santíssima trindade fosse constituída somente por adoradores da estrela solitária. Mas como bater Nelson... ainda mais com Glauber do lado dele, naquele falatório danado.

Armando agora certamente está feliz... Imagine poder conversar sem pressa com Garrincha, Zizinho, Heleno de Freitas, Puskas, Altafini, Friedenreich, enquanto o Feola tira sua soneca numa nuvem logo ali.

Chegou lá um pouco cansado. A vida terrena tirou-lhe as forças e agora precisa de descanso. Mas nada como conversar com João, Sandro e Nelson, escandalizados que estão com a não convocação de Neymar do Santos para o escrete canarinho. Assim que chegou, já ralhou com Garrincha e Didi, que esconderam suas novas asas atrás de uma cumulus nimbus, lá escutando alguém gritando: "Cacildis"!

Acho que Deus está fazendo uns ajustes na crônica esportiva. Já que o pessoal só quer saber de blogs, links, sites, web e outras esquisitices, Ele resolveu resgatar os cronistas de verdade, os poetas da pena esportiva. Como escrever? De que maneira? Como exaltar Obinas e Dentinhos sem atentar contra o rígido pudor da estética futebolística e do imponderável e sagrado bailado que a todos extasia?

Vivendo num período de transição, da Terra para o Céu e vive-e-versa, Armando vivia ora nos ares, ora na Terra (planando suavemente como sempre escreveu e viveu) nos seus ultraleves, em seu ultraleve viver. Quando, um dia, olharmos para o céu e avistarmos uma estrela brilhante bem sozinha, podem ter certeza que será o Armando, e se prestarmos mais atenção ainda, notaremos Nélson Rodrigues, João Saldanha e Sandro Moreyra formando uma linha imaginária, tentando conter e aconselhar um cometa desgovernado e saltitante, divertindo a todos, chamado Mané Garrincha.

Amauri Queiróz é leitor do jornal O Globo.

Peladas

Armando Nogueira

Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem encosto.

E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: "eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe." Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha.

Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro jogo sem camisa.

Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula.

Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, pára de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho.

Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres: "Copa Rio-Oficial", "FIFA - Especial." Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!) jamais seria barrada em recepção do Itamarati.

No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha.

Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura.

Nova saída.

Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.

O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar.

Em cada gomo o coração de uma criança.

Armando Nogueira é um estilista, na medida em que escreve sobre futebol a partir de uma consciência artesanal que envolve suas crônicas de um grau de literaridade tal, que elas, hoje, constituem páginas realmente literárias com toda a força imagística, poética, carga épica e dramática, que costumam envolver tais criações.

Texto extraído do livro "Os melhores da crônica brasileira", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1977, pág. 29.

Os pedidos recursais da defesa

Antônio Gonçalves

Em todo caso julgado pelo júri popular as pessoas e a mídia em geral se impressionam pela complexidade e, em especial, pela longa duração do julgamento. Afinal, não há como negar que o Júri em si é fascinante em todas as suas nuances.

As reviravoltas, as estratégias, em especial na oitiva das testemunhas, delineiam o longo caminho a ser trilhado tanto pela acusação quanto pela defesa.

Em alguns momentos se duvida da culpa, em outros, uma certeza latente e a emoção reverbera a alma. Após dias e dias de incerteza vem a sentença com a esperada condenação e a opinião pública fica com o sentimento de que a justiça foi feita. Ledo engano!

Todo esse espetáculo, na verdade, será traduzido em parcos anos de cumprimento de pena. O caso Isabella Nardoni retrata fielmente a questão, pois, apesar de uma condenação elevada, no Brasil existe uma limitação ao período de cumprimento de sentença que é de trinta anos.

Com os benefícios da lei, é possível a progressão de regime após o cumprimento de 2/5 da pena, por ser considerado crime hediondo, ou seja, depois de oito anos para Anna Carolina e dez anos para Alexandre, já descontados o período cumprido antes do julgamento, já estarão aptos a receberem as benesses da legislação, portanto, migrar para o semi-aberto, isto é, sair do universo prisional.

Então, na prática, o casal ficará preso pouco menos de uma dezena de anos para já estar habilitado à progressão de regime e, assim, migrar para o semi-aberto. Todo o tempo e o esforço em busca da justiça se traduzirão em parcos anos de pena para um crime vil e atroz contra uma menina, uma criança inocente, que foi brutalmente assassinada.

Isso sem falar na possibilidade de impetração do pedido de protesto por novo júri por parte da defesa, apesar de toda controvérsia doutrinária, numa clara tentativa de obter um novo julgamento, apesar do Juiz já ter sinalizado com a dosimetria da pena: 31 anos, um mês e dez dias para Alexandre e 26 e quatro meses anos para Anna Carolina, que não aceitará o pedido.

E, ainda assim, é possível recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas este possui entendimento pacífico em negar tal pedido, logo, restará a espera do STJ e o transcorrer de longos anos.

Ademais, também é passível de apelação, isto é, o recurso para que o Tribunal de Justiça reverta à decisão do Tribunal do Júri. Ao menos essa possibilidade deve demorar mais do que a soltura do próprio casal, já que a justiça paulista ainda nem julgou o pedido de apelação de Suzane von Richthofen, imagine quantos anos demorará a apelação do caso Isabella?

De tal sorte que o sentimento de impunidade impera, a certeza da justiça e do dever cumprido se esvai e o descrédito no sistema é inevitável. De que adianta termos um Júri tão complexo para um resultado prático tão pífio.

Por resultados como esse que a mídia critica, com razão, o sistema processual brasileiro e divulga amplamente que a impunidade está incorporada à agenda do dia da justiça nacional.

Antonio Gonçalves é advogado criminalista.

Privatização dos Cartórios

Cúpula da Justiça dá posse ao delegatário das Serventias Extrajudiciais de Xapuri

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Os desembargadores Pedro Ranzi e Samoel Evangelista, Presidente do Tribunal de Justiça e Corregedor Geral da Justiça do Acre, respectivamente, realizaram em Xapuri, nessa segunda-feira (29), a solenidade de posse do Delegatário das Serventias Extrajudiciais de Xapuri, que a partir do próximo dia 5 de abril já funcionarão sob a responsabilidade da iniciativa privada.

O paranaense bacharel em Direito Arysson Garcia é o delegatário que assumirá as serventias, e que cuidará, apartir de agora, do acervo que há mais de um século é guardado pela Justiça acreana. “Estamos lhe repassando a história de nossas vidas”, afirmou o presidente do TJ, Pedro Ranzi, em sua fala.

O Tabelionato de Notas, o Tabelionato de Protesto de Títulos, o Ofício do Registro Civil das Pessoas Naturais, o Ofício do Registro de Imóveis e o Ofício do Registro de Títulos e Documentos e das Pessoas Jurídicas estão entre as primeiras serventias do Acre a serem entregues ao setor privado.

A privatização dos cartórios brasileiros é uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em obediência à Constituição Federal de 1988. Em todo o País, apenas os estados do Acre e Bahia ainda não cumpriram esse dispositivo constitucional.

O processo de privatização dos cartórios acreanos iniciou-se em 2006 e começa a se consolidar agora com o repasse das trinta serventias distribuídas por todas as cidades acreanas aos novos delegatários aprovados em concurso público promovido pelo Tribunal de Justiça do Acre, cujo processo foi conduzido pelo próprio Pedro Ranzi.

O Desembargador-Presidente enfatizou que a privatização das serventias acreanas visa à melhoria da qualidade do atendimento ao cidadão, o que deverá ocorrer com a ampliação dos investimentos por parte da iniciativa privada, assim como a modernização e inovação dos serviços oferecidos à população.

"Com a privatização, cumprimos o dispositivo constitucional e criamos condições para a melhoria dos serviços prestados à população, a exemplo do que já ocorre em outros Estados. Esperamos que, efetivamente, com a visão da iniciativa privada, melhore a qualidade dos serviços e o atendimento ao público", ressaltou o desembargador.

Para o Corregedor Samoel Evangelista, o fim do processo de privatização dos cartórios acreanos deverá trazer vários benefícios para o cidadão, como maior celeridade, qualidade e diversidade de serviços prestados. Ele ressalta, entretanto, o relevante serviço prestado pelos atuais servidores públicos que até então comandavam as atividades nas unidades extrajudiciais.

"Muito embora estejamos repassando esses serviços para a iniciativa privada, há que se reconhecer a dedicação dos nossos servidores ao longo de tantos anos na condução desses trabalhos. Eu tenho destacado que ao longo dos anos o nosso servidor fez uma prestação de serviço de excelência. Não é raro encontrarmos o servidos de nossas serventias nos seringais e aldeias indígenas prestando esses serviços, principalmente no que toca ao registro civil, afirmou Evangelista.

A juíza da Vara Cível da Comarca de Xapuri, Zenair Ferreira Bueno Vasquez Arantes, também fez referências ao trabalho exercido pelos funcionários do Poder Judiciário durante muitos anos cuidaram dos acervos das serventias extrajudiciais. Representando os demais serventuários, foram citadas as servidoras Maria Pelegrina e Maria Audilena, responsáveis pelas serventias de Registro de Imóveis e Registro Civil, respectivamente. A magistrada pediu ao delegatário, além da excelência na prestação dos serviços, atenção e paciência com os mais necessitados.

Para o delegatário das serventias de Xapuri, Árysson Garcia, além do cumprimento com a norma constitucional, o grande objetivo da privatização dos serviços extrajudiciais é o de atender a necessidade que a população tem no que tange a agilidade e a versatilidade dos serviços prestados. Entre as inovações que virão com a mudança está a digitalização dos acervos das serventias, o que, segundo ele, deve começar a ser feito muito em breve.

Vale ressaltar que, apesar da privatização, os serviços extrajudiciais permanecem sob o controle da Justiça, que atuará na fiscalização da qualidade dos serviços prestados e na aferição da satisfação da população. Caso não esteja satisfeito com a qualidade do atendimento recebido, o cidadão poderá recorrer ao juiz da sua comarca e fazer reclamação. Em casos como esse, a delegação poderá ser cassada pelo Tribunal de Justiça.

Nota minha: Pegou muito mal para Xapuri a ausência de representantes dos poderes executivo e legislativo municipais na cerimônia. Inadmissível que prefeitura e câmara se permitam deixar de ser representadas em um ato tão importante que envolve a transmissão de responsabilidade sobre grande parte da vida documental do município e de seus moradores. Se justificativas houverem, o blog está à disposição para torná-las públicas.

Armando Nogueira

José Augusto Fontes

Cadê você, Armando? Hoje, amanhã e depois, o esporte vai carecer do teu olhar comprido, o futebol vai querer o teu passe preciso, toda mídia vai lembrar do teu jeito querido, e a gente vai sentir a tua falta, vai procurar pela tua inspiração de menino peralta contido, vai querer sentir a tua experiência de homem apaixonado, encantado, articulado e vivido.

Sim, a razão foi sempre tua, e o Rio Acre é teu, como também é tua a princesinha Xapuri em que você nasceu. Agora mesmo, sinto que o nosso rio já teceu umas rendinhas de emoção e começa a seguir ao teu encontro, passeando pela imensidão dessa Amazônia, vagueando do Aquiri para o Rio de Janeiro, com ondinhas de imaginação, para beijar o teu segundo berço, para roçar o leito da tua despedida, levando a mesma mensagem do velho rio que te banhou a infância, que é mistério e consolação, a mensagem de passar sem sair do lugar, como as águas do teu Acre, que fingem partir, sem deixar de estar.

Cadê você, Armando? Hoje, amanhã e depois, lances geniais vão carecer do teu comentário, o povo vai querer o teu imaginário, a platéia vai lembrar da tua tática incomparável, a gente vai sentir falta da tua revelação memorável. Na tua ausência física, teremos que matar a saudade no peito e driblar a emoção. E essa emoção é única.

Sim, você foi aviador, músico e mágico. Sempre houve um drible qualquer em teu olhar, no teu pensar. Havia uma espécie de firula no teu escrever poético, um passe longo e certeiro no teu dizer arteiro, e isso vai ficar. Havia um gesto quase tímido, havia uma procura e um amor, havia um homem dedicado, resolvido, decidido. E por tudo isso, para bem adiante do momento, há um sentimento coletivo que vai ficar. Como vai ficar a velha vontade de contigo conversar, por isso escrevo esta mensagem da floresta, por isso sei que o céu está em festa.

Cadê você, Armando? Já está chegando outra Copa! Há craques para você ver, segredos para dizer, anseios para sofrer. Há uma multidão te esperando, uma nação já quase te escutando, os minutos estão passando. Quem vai ganhar, Armando? Ah, você já sabe. Mas você não diz, pra não perder a graça. Tudo bem. Isso mesmo, disfarça, assiste lá do alto, comenta do além. Isso mesmo, é tudo ilusão, está tudo passando. Ou permanecendo. Até parece que a gente está vendo você abrindo os braços e correndo outra vez nos gramados, assim tabelando com sonhos e driblando o passado. Isso mesmo. As jogadas da vida são bolas de fogo que você, um craque dos tempos, chutou como ninguém. Até parece que a gente está vendo, ouvindo, sentindo. É tudo enfeite, é um jogo, e no video tape do sonho, a história gravou.

Nota: A referência ao Rio Acre ser do Armando, vem desde o texto “Este Rio É Meu - Ciúme”, escrito por mim em 2003, após visita dele ao Acre, durante as comemorações do centenário do Tratado de Petrópolis (importante marco histórico da independência do Acre), ocasião em que, emocionado, o Armando disse: “este rio é meu!”. O referido texto está publicado no meu livro "Páginas da Amazônia – Proseando na Floresta". Foi feito para o Armando e ele mesmo o fez publicar no Jornal do Brasil e em vários outros diários, como em A Gazeta do Espírito Santo. Ele foi muito gentil e cordial, apesar de nossas conversas terem sido apenas por e-mail.

José Augusto Fontes é poeta, cronista e juiz de direito no Acre, com passagem por Xapuri. O texto foi publicado originalmente no blog do jornalista Altino Machado.

The best player

por Armando Nogueira

Está fazendo 50 anos, este mês, a instituição popular mais conhecida no mundo inteiro; mais conhecida e mais cortejada também. Onde quer que apareça, dá-se logo uma alegria entre as pessoas. Pedem-lhe autógrafo em Los Angeles, no corredor de um Jumbo em pleno vôo, na mais longínqua maloca africana, na alfândega de Moscou e na porta do Vaticano. Aqui no Brasil, nem se fala. Até parece que ele acabou de fazer um gol de placa no jogo da véspera. E, no entanto, não chuta uma bola de súmula há cerca de vinte anos.

Mas, quando chutava, ah!, com que graça e beleza ele exercia o dom de jogar futebol. Sua arte tudo suportou e a tudo suplantou: craque, chuva de vento, pontapé, perna-de-pau, campo careca, guerra de nervos, quebranto. Trocava com a bola assombrosas figurinhas, e com Coutinho, idem, idem, tabelinhas. Os outros subvertiam a lei do jogo para não deixá-lo passar, e ele, a da gravidade, para não chegar atrasado. Tinha sempre mais um gol a fazer. Um, por Nossa Senhora da Ajuda, outro, para uma criança doente, outro mais para comprar a mobília de quarto do roupeiro do clube. Promessas que ele assumia em nome de seu grande amor ao futebol.

Fez mais de 1 000 gols e muito mais teria feito se não fora, como canta Camões, para tão longo amor tão curta vida.

Conheci-o numa noite remota no Maracanã. Acabara de marcar dois dos cinco gols que o Santos enfiou no América, paixão de Lamartine Babo. Fui vê-lo de perto no vestiário. Tinha, então, 16 anos.

Era franzino, uma criança. No corpo retinto reluzia ainda o suor do jogo. Perguntei-lhe:

- Quem é o melhor centroavante do Brasil?

- Eu - respondeu com naturalidade.

- E o melhor meia-esquerda?

- Eu também - já agora, com um sorriso.

Deixei o Maracanã sem saber direito se acabara de conhecer um pirralho convencido ou um eleito dos céus.

Como estávamos no ano de 1957, o leitor já percebeu que minha dúvida não durou muito tempo. O menino do vestuário ganharia com o Brasil, já no ano seguinte, o Mundial da Suécia.

Felizes os que pressentem. Louis Armstrong fazia uma temporada de show em Santiago. Jogava-se, então, o Mundial do Chile. Ao assinar o caderno de um fã, Armstrong dá com o autógrafo de Pelé, destacado na página. Entre a assinatura dele e a de Pelé, Armstrong abre parêntese e escreve com letra de imprensa: The best player in the world. Fecha parêntese e celebra, com uma gostosa gargalhada, a feliz circunstância que lhe permitia homenagear o nosso craque com um frase que, em inglês, podia se aplicar a ele também.

O magistral trumpetista não entendia de futebol, mas teve o lampejo que eu não tive aquela noite longínqua do Maracanã. O menino prosa que entrevistei tinha a luz dos predestinados.

Pelé já era o melhor muito antes de ser; e continua sendo, mesmo depois de ter sido.

Texto escrito em 1990 e publicado no livro O Vôo das Gazelas.