segunda-feira, 15 de março de 2010

Imagem do dia

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Járdson, de 3 anos, e Edilene, de 5, são as crianças curiosas e sorridentes da colocação São Raimundo, seringal Equador, com quem estive na manhã desse último domingo. A mistura de sagacidade e pureza de ambos me fez ganhar o dia.

Deslumbrada com sua imagem na câmera fotográfica, Edilene me anuncia, orgulhosa, uma importante notícia:

- Já vou começar a estudar.

Járdson pouco fala, mas seu olhar dispensa palavras para tocar o coração. Pergunto a sua idade, e a resposta vem na forma de três dedos levantados à frente de um sorriso tímido, manhoso.

Voltei feliz em descobrir que a rudeza da vida na mata ainda seja capaz de produzir imagens como esta.

domingo, 14 de março de 2010

O amigo do homem

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Já li que na língua tupi guarani a palavra curió, nome popular do Oryzoborus angolensis, pássaro canoro brasileiro vítima de grande perseguição dos passarinheiros em quase todo o país, significa “amigo do homem”. A razão seria simples: a ave de apreciado canto gostava de viver perto das aldeias indígenas.

Em retribuição a essa amizade, o homem branco reservou ao refinado cantor a solidão de uma gaiola. A da foto que ilustra o post traz ainda a inscrição “penau” numa sarcástica e ortograficamente incorreta alusão à “penal”, termo popular pelo qual é conhecido o presídio estadual de Rio Branco.

Clique na imagem para vê-la ampliada.

Declínio

José Cláudio Mota Porfiro

Foi por aquele tempo da morte do Coronel Plácido de Castro que chegou ao Acre o bom João Veloso, acompanhado da jovem esposa, Doninha, com uma pequena fortuna no alforje, deixada pelo pai, um próspero comerciante de Araripina, sertão pernambucano, que havia morrido de uma febre dessas que leva o sujeito em três ou quatro dias.

Já nos estertores, o velho, de uns cinqüenta e poucos anos, disse-lhe entre lágrimas tardias e as mãos nas mãos do filho único:

- Vá, meu filho. Esse lugar não é seu. Vejo muita tristeza nos seus olhos. Você é muito jovem e não merece ficar à mercê das saudades minha e da sua mãe que também já não é deste mundo. Suba no rumo do Belém do Pará, desça pelo Amazonas, entre pelo Purus e, depois, pelo Rio Acre, até um povoado chamado Xapuri. Lá você encontrará um primo meu de nome Vicente Invenção Pereira, um pequeno comerciante de couros e peles de animais silvestres. É um sujeito muito decente. Venda tudo o que temos por aqui e, lá, você e ele saberão o que fazer com o dinheiro que será seu... – Foram as últimas palavras de Miguel Marcelino Pereira, um cabra trabalhador que ganhou a vida debaixo de um sol de rachar, carregando cana, puxando bagaço e, depois, vendendo a preço baixo açúcar, mel, rapadura, alfinin, sal, farinha, arroz, feijão, jabá, pano, linha, agulha, querosene, lamparina, arreios, folhetos de cordel, e mais um bocado de bugiganga própria para o consumo do povo do sertão.

Uma semana em Recife, seis dias de viagem de navio e mais uma semana em Belém foram o suficiente para contornar uns problemas com os documentos e com o dinheiro, uns três mil contos de réis... Uma fortuna que, junto com a muié, seriam defendidas, se fosse a ocasião, no arranco do parabelo ou na ponta do punhá, no dizer de João Veloso.

Dois meses de viagem, depois de Belém e, enfim, chegaram ao Xapuri, um povoado que não dispunha de mais de dez ruas, mas com um comércio rico, em vista da quantidade de borracha de que dispunha a região nas mãos de uns turcos e portugueses muito conscientes de que não era lá tão importante preocupar-se com a vida de um magote de sertanejos que chegavam para viver ou morrer.

Já do palanque, o simpático ancoradouro de Xapuri, João viu um homem moreno claro e de uma cabeça bem grande e bicuda no rumo da frente, como a sua. Ele se aprochegou e disse:

- Sou João Veloso Pereira, filho do Miguel Marcelino, de Araripina.

- Pois não é! Mais não me diga! A cara dum é o focinho do outro. E a cuma vai ele por aquelas bandas?

- Meu pai está morto e me recomendou lhe encontrar aqui e, para a minha sorte, nem foi preciso procurar!...

- Que tristeza! Como é que Deus leva um homem bom daquele. Se viesse para cá, ficaria rico, com o tino que tinha para os negócios. Minha Nossa Senhora! Meu São Francisco do Canindé!

- Ah, sim! Esta é Maria das Dores, a Doninha, com quem sou casado.

- Ah, pois bom! Sou Vicente Invenção, seu primo e seu criado... Mas vamos rumando lá pra minha casa.

A casa ficava ali perto, no fim da rua do comércio, depois da antiga Intendência Boliviana, ou Casa Branca. João e Vicente trataram de negócios na mesma noite e, no outro dia, já foram à casa do Coronel Vitorino Maia, herói da revolução contra os bolivianos, que, segundo souberam, não mais se sentia com coragem ou com forças para tocar o seringal São Pedro, ainda muito perigoso em vista da existência de alguns índios que até começavam a fugir para o Peru.

- É o Seringal São Pedro, no Rio Xapuri. Fica tudo dentro. Um barracão de palha, um armazém com alguma mercadoria, uma casa de farinha, uma moenda de engenho puxada a boi, um paiol, dezoito burros, catorze reses, algum criame e a terra que mede cento e quarenta e seis léguas em quadra. São sessenta e duas colocações que, com esforço, rendem mil e trezentos contos por ano. Quero dois mil e quinhentos contos de réis em tudo e vou embora pra Manaus na semana que vem mesmo.

Feito o negócio, foi passado e dado o recibo com selo assinado por João Castelo Branco, tabelião da comarca.

Passaram-se alguns tempos de muita labuta e muito lucro. Em dez ou doze anos, João multiplicou por muitas vezes o que trouxe da herança do pai. Trabalhava dia e noite, pois, agora, já contava com quatro filhos: Epitácio, Caboclo, Carmem e Nenen.

Veio-lhe, então, uma madrugada traiçoeira e a esposa morreu de uma asma contraída no eito enquanto, mesmo à noite, ajudava o marido a acumular a fortuna que crescia a olhos vistos.

A menina mais nova tinha seis anos e passou a ser cuidada por uma moça muito atenciosa que atendia pelo nome de Nazaré, filha mais velha de Francisco Abdoral, irmã de Marissanta e Belisária.

Continue a leitura no blog do autor.

sábado, 13 de março de 2010

A desfaçatez da Eletroacre

Os nove vereadores de Xapuri se uniram na assinatura de um documento que solicita do Ministério Público providências contra os tormentos que a Eletroacre vem infligindo aos consumidores do péssimo serviço prestado pela empresa. O expediente foi encaminhado à promotora de justiça Diana Soraia Tabalipa Pimentel relatando as reclamações feitas pela população com relação aos prejuízos causados pela empresa. Entre as queixas estão a queima de equipamentos eletrônicos e a morte de aves ocorridas no aviário do "Pólo do Entroncamento".



Após ter um aparelho de ar condicionado queimado pelas constantes quedas de energia, procurei o setor da empresa responsável pelo ressarcimento de danos. Um processo foi aberto e depois de 29 dias de espera recebo uma correspondência informando-me que fui autorizado a fazer dois orçamentos com técnicos no ramo para que a Eletroacre avalie se os danos têm relação com as rotineiras falhas no fornecimento de energia. Isso significa que, além de ser obrigado a ficar sem o aparelho enquanto aguardo a boa vontade da empresa, também tenho que transportá-lo de um lugar para outro sem a garantia de que serei indenizado ao final do processo.

A impudência e a falta de respeito que a Eletro dispensa ao consumidor encontra amparo na indisposição das autoridades em tomar providências rigorososas contra os abusos. Está claro que diante de tanta burocracia, a maioria das pessoas opta por assumir o prejuízo a lutar pelos seus direitos, uma vez que a segunda alternativa significa permanecer sem desfrutar de um bem que na maioria das vezes se adquiriu a duras penas. Com a Eletroacre, só duas coisas não falham: a cobrança mensal e o corte na falta do pagamento.

Resta aguardar que diante da solicitação dos vereadores, o Ministério Público se manifeste na defesa dos cidadãos que pagam a caríssima tarifa de energia, que ainda é acompanhada da escorchante alíquota do ICMS. Clique na imagem para visualizar o documento encaminhado pelos vereadores à promotora de justiça de Xapuri.

Imagem do dia



Copa de castanheira desafia a lei da gravidade na Estrada da Borracha. Clique na imagem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mutilados pelo descaso

Ficheiro:Skin ulcer due to leishmaniasis, hand of Central American adult 3MG0037 lores.jpg

Via blog do advogado e professor xapuriense Edinei Muniz acessei o estudo científico Epidemiologia da leishmaniose tegumentar americana no Estado do Acre, Amazônia brasileira, de autoria de Natal Santos da Silva, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), e Vitor Dantas Muniz, do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Publicado no Caderno de Saúde Pública da Revista Scielo, o estudo comprova uma triste e já conhecida realidade: a Leishmaniose Tegumentar Americana vem se expandindo no Estado, especialmente na região do Vale do Acre. O estudo aponta ainda o município de Xapuri como o principal foco da doença e sugere atenção especial das autoridades de saúde.

Não é à toa que o gerente de endemias de Xapuri, Joaquim Vidal, tem chamado a atenção, com ampla cobertura deste blog, para a gravidade do problema no município. Os estudos do setor de endemias de Xapuri revelam um dado que agrava a situação: o alto índice de ocorrências entre crianças de 0 a 5 anos.

Segundo Vidal, as ações de combate à terrível zoonose que mutila o corpo e destrói a autoestima das vítimas estão restritas aos estudos dos insetos. Das 16 localidades em que houve programação de controle dos vetores, através de borrifação intradomiciliar, não foi possível executar o trabalho em nenhuma delas em 2009 por pura falta de estrutura.

Neste ano, a previsão da saúde é de realizar o trabalho em 22 duas comunidades rurais de Xapuri, que representam o total de localidades onde ocorreram registros da doença no ano passado, quando foram notificados 121 casos, dos quais 19,83% em crianças menores de 5 anos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Caldo de Piaba

Taís Toti, Jornal do Brasil.

No Acre, é comum dizer que algo é “mais ralo que caldo de piaba”, mas há controvérsias sobre a verdadeira consistência da refeição: muitos dizem que, na verdade, o prato é coisa fina. De qualquer forma, de fraco a banda acreana Caldo de Piaba não tem nada – da receita, talvez, tenha em comum apenas a mistura, no caso deles de referências musicais, que poderão ser vistas e ouvidas nesta sexta-feira, na Caixa Cultural, na abertura da Mostra Instrumental Contemporânea (MIC), que vai até domingo.

– Começamos a banda com a ideia de fazer um projeto instrumental. Íamos para o estúdio, improvisávamos bastante e percebemos que passávamos por ritmos diferentes, tanto nas nossas composições como nas versões – explica Eduardo di Deus, baterista da banda.

As influências – que Di Deus prefere ver como “referências” – são tantas que é difícil listar: no baixo e na bateria, presença forte do brega e da lambada, além do ska e do rock, este também presente nas guitarras, que conduzem as músicas e representa fortemente a influência da guitarrada, estilo musical paraense. Apesar da grande inspiração nos ritmos amazônicos, o regionalismo não define a banda.

– Esse rótulo gera compromisso com determinados padrões, e nós apenas incorporamos alguns elementos. Lidamos com o regionalismo mas não somos regionalistas – destaca o baterista. – Os ritmos vão se transformando, é sotaque de lambada no rock, com uma força de funk. São ritmos populares, que foram fortes na Amazônia nas décadas de 70 e 80, coisas que escutamos desde pequenos ou mesmo na rua.

Turnê de Kombi

A cada festival que participa, o Caldo de Piaba recebe mais e mais convites para tocar pelo Brasil. Eles já passaram pelo Varadouro (Rio Branco, AC), Calango (Cuiabá, MT), Recbeat (Recife, PE) , além de shows em outras cidades brasileiras. Investindo também na terra natal, eles criaram o Piaba no Kombão.

– No primeiro show que fizemos, conseguimos uma Kombi emprestada, na qual cabe o equipamento inteiro e a gente dentro. Daí surgiu a ideia, que fomos amadurecendo. Fomos circulando, levando o show para espaços públicos nas cidades do interior do Acre, como em Brasiléia, que fica na fronteira com a Bolívia, e Xapuri – recorda Di Deus. – Sempre levando música instrumental para quem não está acostumado a ouvi-la. Em alguns lugares houve muita interação com as crianças, em outros, por conta releituras que fazemos de músicas antigas, pessoas mais velhas vinham conversar com a gente.

Sem letra

Junto com a Caldo de Piaba, a Mostra Instrumental Contemporânea traz nomes de diversas cidades brasileiras, fazendo um apanhado da música instrumental no Brasil. Na sexta-feira, os cariocas da Binário acompanham os acreanos; no sábado, se apresentam A banda de Joseph Tourton (PE) e Guizado (SP); e as bandas Fossil (CE) e Elma (SP) finalizam a mostra, no domingo. Todas as bandas se apresentam gratuitamente.

– Hoje tem muita banda instrumental que gostamos bastante. No nosso caso a resposta sempre foi boa, fizemos pouquíssimos shows em que o público não estava no clima. Quando se faz uma coisa bem feita as pessoas aparecem – opina Gabriel Izidoro, guitarrista d'A Banda de Joseph Tourton, que ganhou este nome por causa da rua em que ensaiavam e que acabou virando um personagem, um aviador sem rosto criado pelo grupo.

Papoula

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Essa brotou na varanda de dona Eliana Pessigatti, na fazenda Nossa Senhora Aparecida, localizada no encontro da estrada do Café com a BR-317, a 25 km de Xapuri.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lixo e cachorrada

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É inegável o esforço que a prefeitura de Xapuri tem feito para manter a cidade limpa. Tomou emprestado um caminhão compactador da prefeitura de Rio Branco que é capaz de fazer em um dia o que os caminhões normalmente utilizados fazem em três, e elaborou um calendário de coleta, varreção e capina que funciona de segunda-feira a domingo atingindo todos os limites da cidade.

Apesar disso, a cidade amanhece exibindo cenas como as das fotos acima, por duas razões principais: primeiro, pela fato de a população não se adequar ao calendário de coleta e depositar os resíduos domésticos nas lixeiras todo santo dia, não respeitando o rodízio estabelecido pela Secretaria de Infraestrutura. Em segundo lugar, e como consequência da primeiro razão, pela bagunça que os cães vadios fazem ao revirar os tambores destinados a acolher a lixarada.

Quanto ao último problema, recebo a informação de que uma parceria entre os municípios do Alto Acre resultará na construção de um canil no município de Epitaciolândia que concentrará a cachorrada recolhida em toda a regional. Uma “carrocinha” será adquirida para atender a todos em sistema de rodízio semanal, segundo informação do secretário municipal de infraestrutura de Xapuri, Renato Souza, em entrevista concedida à Rádio Educadora na manhã de hoje. 

Com relação ao primeiro dos motivos citados acima, a solução é a população se educar, a começar por mim mesmo e meus vizinhos – o tambor das fotos acima é o que está localizado no portão da casa onde moro e que atende, além de mim, a mais algumas pessoas -, e passar a colocar o lixo para fora somente no dia da coleta, cujo calendário está sendo divulgado pela rádio local. Uma medida simples que proporcionará uma melhor qualidade de vida para todo mundo.

Varejo



Luma Ferreira de Moura é mais uma vítima do avanço do tráfico de drogas em Xapuri. Aos 22 anos, a garota caiu nas mãos da Polícia Civil de Xapuri com 17 papelotes de cocaína poucos dias depois que seu marido, conhecido pela alcunha de Lourinho, foi preso há alguns dias pelo mesmo crime. Digo vítima por entender que pessoas tão jovens como Luma estão servindo ao serviço miúdo de um esquema maior que vem devastando a juventude local. Fazem o varejo de um comércio organizado que a despeito das muitas prisões que têm sido feitas ultimamente não perde a sua força e tende a arregimentar mais e mais jovens para esse caminho muitas vezes sem volta.

Clique na imagem do jornal o Alto Acre para ler a reportagem.

terça-feira, 9 de março de 2010

Miltinho

Nunca soube ao certo ele se atendia pela graça de Miltinho ou Niltinho. Membro do clube da branquinha, perambulava pelas ruas do centro da cidade a garimpar uma “dose”. Numa dessas oportunidades, mais precisamente em fevereiro do ano passado, fiz a histórica foto acima, com a câmera de um telefone celular, onde a folclórica figura posa junto com o também pinguço Joseni Oliveira, repórter da Rádio Educadora de Xapuri.

Encontrado morto em sua casa no último final de semana, o engraçado sujeito – grande vítima da exclusão social - não teve quem velasse seu corpo, que do hospital para onde foi levado seguiu diretamente para a última morada. Mas fica aqui no blog talvez um dos poucos registros fotográficos que tenha tido na vida essa figura marcante da área central de Xapuri, que tornava a nossa cidade mais alegre e mais humana.

segunda-feira, 8 de março de 2010

“Eterno sofrimento”

Impossível ficar indiferente aos alertas que têm sido emitidos pelo Setor de Endemias de Xapuri com relação aos altos índices de leishmaniose no interior do município. Segundo dados divulgados, na zona rural de Xapuri em 25,88% das localidades está havendo transmissão de leishmaniose tegumentar americana e as pessoas que habitam nestas áreas estão em risco de contrair a enfermidade.

Em 2009, foram notificados no laboratório de Endemias de Xapuri 121 casos, dos quais 19,83% em crianças menores de 5 anos. De acordo com o técnico em entomologia médica, Joaquim Vidal, das 16 localidades em que foi programado o trabalho de controle dos vetores, através de borrifação intradomiciliar, não foi possível executar nenhuma ação.

O não cumprimento do plano, segundo Vidal, se deve à falta de estrutura que o setor vem sofrendo nos últimos anos. Para 2010, o planejamento de combate à doença prevê a presença dos agentes de endemias em 22 localidades que registraram transmissão da leishmaniose. Leia mais no post Leishmaniose, um eterno sofrimento, no blog Entomologia.

Impasse no Alto Acre

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Uma tentativa de bloqueio da BR-317, que ocorreria à altura do município de Capixaba, organizada por trabalhadores rurais de vários municípios foi frustrada pela Polícia Rodoviária Federal na manhã desta segunda-feira.

De acordo com informações da direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, alguns caminhões que transportavam manifestantes dos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia e Assis Brasil foram interceptados pela polícia e escoltados de volta aos seus locais de origem.

Os trabalhadores rurais reivindicam negociar diretamente com o governador Binho Marques sobre questões como reforma agrária, melhoramento de ramais e eletrificação rural, que segundo a cúpula do movimento não estão atendendo às necessidades das populações.

Ainda no período da manhã, cerca de 200 trabalhadores rurais se reuniram no auditório do sindicato de Xapuri com representantes do governo do estado. Eles insistiam em ser recebidos pelo governador sem a participação de intermediários.

Depois de horas de discussão, ficou acordado que uma comissão multidisciplinar será definida para ir a Rio Branco dialogar com o governo. Na foto acima, o protesto de trabalhadores rurais do município de Brasiléia.

domingo, 7 de março de 2010

Cerco a traficantes em Xapuri

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Thiago Rodrigues do Nascimento, preso neste domingo no bairro Sibéria com 58 trouxinhas de cocaína que confessou ter comprado de Francisco Alves de Araújo, o "Chico do Basílio", capturado pela Polícia Civil em operação realizada na semana passada.

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O delegado Thiago Fernandes Duarte informou que a blitz realizada neste domingo teve como foco os bares da cidade, com o objetivo de coibir a venda de bebidas a menores, a prostituição infantil, o tráfico de drogas e fiscalizar a situação dos estabelecimentos com o Furepol – Fundo de Reaparelhamento Policial.

O horário e dia foram escolhidos, segundo o delegado, em razão do pensamento equivocado no mundo do tráfico de que a Polícia não trabalha nos finais de semana. Thiago foi preso em flagrante delito pelo crime de tráfico de drogas, previsto no art. 33 da Lei nº11.343/06, que prevê uma pena de reclusão de 5 a 15 anos.

O novo delegado de Xapuri explica como procedeu a polícia na operação deste domingo:

“Saimos em duas equipes, 8 policiais civis, fazendo blitz nos bares, sempre com o cuidado de causar o menor transtorno possível à população. Fizemos o trabalho pautado sobretudo pela legalidade, sem nenhum tipo de abuso. Sempre após as abordagens eu me identificava como autoridade policial, e deixava claro para a população de que o objetivo principal é a segurança dos próprios cidadãos, recebendo agradecimentos e elogios da grande maioria”.

Thiago Fernandes ressaltou ainda que a informação passada pela população é de fundamental importância para que a polícia dê continuidade à repressão ao crime no Acre, existindo um canal de comunicação da Polícia Civil, no qual a população deve ligar para o número 181 para realizar denúncias anônimas, que é gratuito e a pessoa não precisa se identificar. As informações são repassadas diretamente ao delegado de polícia responsável pela circunscrição referida.

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Delegado Thiago Fernandes Duarte.

sábado, 6 de março de 2010

Difícil de entender?

Vejam só a interessante a lógica do professor-blogueiro da versão inteligente dos blogues de Xapuri. Dois parágrafos somente, sob risco de estragar os miolos do leitor. Eu comento em negrito, na sequência:

“Antes de tudo vamos pontuar uma situação que ninguém aquenta mais, a história mal contada de "arrumando a casa", putz arrumar casa é coisa de doméstica e acredito que a população xapuriense tenha eleito gestor e não empregada... depois o enfadonho discusso (sic) de progresso... chega... Xapuri está pior do que estava à (sic) dois anos e isso é verdade e fato...”.

Putz grila! As digníssimas donas de casa e secretárias do lar de Xapuri devem estar retumbantes de felicidade com a respeitosa elegância da comparação feita pelo blogueiro da “Versão Inteligente”.

“Vamos analisar os "bons frutos"… alto índice de desemprego, falência da educação municipal, falta de apoio  às comunidades rurais que não fazem parte  da trupe.... ufa .. etc...etc..etc...  será que tudo isso é culpa dos gestores anteriores???”

Faço, também, algumas perguntas:

Será que em um ano e dois meses de estadia na prefeitura a atual administração é responsável sozinha por todas as mazelas que aí estão apontadas?

E quanto à falência da educação municipal, cujo gestor há pouco mais de dois anos era o próprio professor-blogueiro, é fruto de apenas 14 meses de trabalho do atual prefeito?

Concordo plenamente que o enfadonho discurso do “arrumando a casa” não faz o menor sentido e mais ainda com o pensamento de que as coisas poderiam estar muito melhor na atualidade. Digo sem medo de errar que o que se fez até o momento não chega perto de corresponder às expectativas que foram criadas com a eleição de um prefeito do PT cuja parceria com o governo estadual faria acontecer milagres em Xapuri. Mas vamos acabar com essa hipocrisia acintosa, caro blogueiro, de se esquecer que se fez parte de uma das últimas administrações desastrosas – e essa última miseralvelmente desastrosa em todos os aspectos – e responsáveis sim pela situação em Xapuri está nos dias de hoje. No atestado de óbito da administração anterior, entre as muitas causas mortis está a crônica doença da gestão incompetente da grande maioria dos secretários municipais, entre os quais o professor-blogueiro não representa nem de longe uma exceção.

Conversa de botequim

Chamem o Chapolim colorado

Éden Barros Mota

Xapuri sofre hoje a típica falta de planejamento. Em nossa história, todas as administrações, sem exceção, foram desastrosas. Nunca foram planejadas. E aí vem uma pergunta: de quem é a culpa?

A culpa em primeiro lugar, atribuo aos partidos políticos de nossas cidade que planejam apenas disputas políticas-partidárias e não desenvolvimento. E quando falo culpa dos partidos políticos, culpo aí, tanto a situação quanto à oposição.

É comum, em Xapuri, os candidatos serem escolhidos faltando seis meses para as eleições. Nada contra quem aponte o candidato próximo ao pleito, desde que o partido político tenha se reunido ao longo dos quatro anos e colocado em prática o plano de trabalho que foi pensado durante esse tempo.

Para os amadores politicos de Xapuri, fazer política é simplesmente escolher um candidato - ou empurrar um goela à dentro - e lançá-lo. Mas se formos perguntar a esse partido ou candidato indicado se os mesmos fizeram algum tipo de planejamento, com certeza a resposta será não.

Leia o artigo completo no blog Xapuri Urgente.

Diógenes, o cínico

O cinismo foi uma corrente filosófica fundada por Antístenes, um discípulo de Sócrates, mais ou menos a 400 anos antes de Cristo. O mais famoso dos cínicos se chamava Diógenes de Sínope, um sujeito que ficava dentro de um tonel ou vaso funerário, e que durante o dia vagueava com uma lanterna acesa a procurar homens virtuosos.

Uma história famosa de Diógenes é a de que certo dia, quando estava tomando sol, chegou inesperadamente o todo poderoso imperador Alexandre Magno e lhe disse: “Pede-me o que quiseres” e o cínico lhe respondeu: “Desejo apenas que te afastes do meu sol e não me faças sombras.”

A resposta ilustra bem o pensamento cínico. Diógenes não desejava nada a mais do que o que tinha à sua disposição e estava feliz assim. Desejava apenas que seu sol fosse desbloqueado. Assim, o objetivo essencial dos cínicos era a conquista da virtude moral, que somente seria obtida eliminando-se da vontade todo o supérfluo, tudo aquilo que fosse exterior.

Nos tempos modernos, o termo cínico se refere àquelas pessoas desavergonhadas, impudentes, que desdenham dos escrúpulos alheios, que se mostram atrevidas ou descaradas ao seguir seus impulsos ou interesses. Segundo o jornalista, crítico e filólogo americano H.L. Mencken, o cínico é o homem que quando cheira uma flor olha ao redor procurando o caixão do defunto.

Os parágrafos acima são baseados numa crônica de Rubem Fonseca, que já postei aqui no blog. Retornei a ela empurrado pelo comportamento de alguns personagens da vida xapuriense, que em seus “discussos” abusam do cinismo na sua acepção moderna e se distanciam anos-luz do sentido primordial do termo, que é sinônimo de virtude e de humildade.

A empáfia de alguns sujeitos nos mostra que homens como Diógenes já não existem, e aqueles a quem procurava com sua lamparina acesa à luz do sol cada cada vez mais difíceis de se encontrar. No lugar deles estão os indivíduos cuja alma foi corroída pela vaidade cega e pela arrogância desmedida que não se amparam em conteúdo cultural ou intelectual algum.

Talvez por essa razão vivamos na situação lastimosa de então e sem expectativas de mudança a curto prazo. Pessoas consumidas pela soberba e narcisistas desvairados cuja grande e única arma é uma combinação de dissimulação e prepotência não podem contribuir com o debate democrático tão necessário para que as mudanças que almejamos possam um dia se concretizar.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Lustra face: um santo remédio

 

Dando uma navegada pelos blogues xapurienses nesta tarde deparo mais uma vez com um espetáculo de asneiras e algumas indiretas que entendi como dirigidas a mim em um dos diários virtuais.

Isso significa que o texto Herança postado ali embaixo ajustou carapuça à cabeça de alguém. Como sempre, onde cabem explicações se oferecem insultos bobos e sem sentido.

Não estragarei a sexta-feira com o caso. Uma loira gelada está logo ali à espera. Vou-me a ela.  Mas não sem antes receitar um santo remédio a quem não possui aquilo que faz a cara ficar vermelha.

“Quina policial”

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Agentes civis da regional do Alto Acre realizaram ontem em Xapuri a operação denominada “Quina policial”. O objetivo do trabalho conjunto, segundo o delegado Thiago Fernandes de Duarte, foi surpreender traficantes de drogas que agem no município. A operação não conseguiu fazer apreensão de entorpecente, mas efetuou a prisão de Francisco Alves de Araújo, vulgo "Chico do Basílio", tido como um dos principais traficantes de Xapuri, com área de atuação no bairro da Sibéria.

25 Policiais entre agentes, escrivães e delegados, inclusive o delegado regional Nílton Boscaro, participaram da operação que, ao que tudo indica, tinha na prisão de Chico do Basílio o seu principal objetivo. O indivíduo, identificado como o chefe do tráfico no bairro Sibéria, vinha dando trabalho à polícia há algum tempo. Dias atrás, escapou de um cerco da Polícia Militar no centro da cidade se atirando no rio e atravessando-o a nado, depois de ter se livrado da droga que supostamente comercializava naquele momento.

Há algumas semanas, em reunião ocorrida entre representantes da segurança pública, autoridades municipais e população do bairro em destaque, a comunidade expôs os principais problemas de segurança ali existentes, ficando claro que a maior parte deles tinha relação direta com o tráfico de drogas, dando ensejo à ação policial que se desencadeou na manhã desta quinta-feira, cujo resultado foi considerado altamente positivo.

Outra medida resultante da audiência pública, foi o aluguel de uma casa no bairro para servir como base para as guarnições da Polícia Militar, que voltará a estar presente de forma permanente no bairro cujo isolamento – a comunidade se localiza na margem oposta do rio Acre - causado pela falta de acesso direto facilita a ação de bandidos e dificulta a reação da polícia. Abaixo a “força-tarefa” que realizou a operação em Xapuri.

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quinta-feira, 4 de março de 2010

O visual do Miranda

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O secretário municipal de Ação Social, José Maria Miranda, voltou de Manaus, onde participou  do Encontro Regional Norte do CONGEMAS, nos dias 24 e 25 de fevereiro, desfilando um indefectível chapéu estilo panamenho.

No final de março, o secretário arruma a maleta novamente. Dessa vez embarca para Natal, onde participa  do XII Encontro Nacional do CONGEMAS – Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Ação Social –, nos dias 29, 30 e 31.

No evento será eleita a nova Diretoria do CONGEMAS para o biênio 2010 - 2012. Miranda é um dos cinco representantes na comissão que coordenará o processo eleitoral, que tem um membro para cada um dos estados da federação.

Será que no retorno da capital potiguar, o ex-vereador trará algum novo adereço incorporado ao visual? Resta esperar.

Herança

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Há pouco mais de dois anos era comum ver a caminhonete da foto estacionada na frente de shows e casas noturnas em Rio Branco e Xapuri. Adquirida para atender as necessidades da Secretaria Municipal de Agricultura, servia para o lazer de uma patota que assessorava o ex-prefeito Vanderley Viana.

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Atualmente, o veículo está encostado ao lado da secretaria sem expectativa de ser recuperado. Segundo o secretário Nilberto Menezes, a situação do carro deve-se ao uso contínuo sem que fossem feitas as manutenções. O secretário afirma também que o orçamento de R$ 19 mil somente em peças, torna inviável a sua recuperação.

Acredito que seja menos dispendioso para o erário consertar o veículo que adquirir um novo. A não ser que dele a prefeitura não tenha mais necessidade, o que duvido pela situação em que se encontra a frota municipal. Por outro lado, torna-se compreensível que não se disponha de recursos para arrumar tanta esculhambação.

Enquanto isso, patrimônios como esse permanecem parados e expostos à intempérie como monumentos alusivos ao espetáculo de desmandos e patifarias sem fim cometidos no passado com a participação efetiva de alguns calhordas que ainda se atrevem a abrir a boca para arrotar ética e moral.

Transporte de combustível em seringais

Manoel Moraes quer alternativa para transporte de combustível em seringais

Da Agência Aleac

O deputado Manoel Moraes (PSB) usou a tribuna nesta quarta-feira, 3, para fazer um balanço das atividades do posto da Polícia Rodoviária Federal instalado no entroncamento da rodovia BR-317 com a Estrada da Borracha, a chamada “entrada para Xapuri”. Inaugurado em convênio com o governo do Estado em 8 de fevereiro, o posto já é responsável pela apreensão de 30 kg de cocaína e prisão de oito pessoas procuradas pela Justiça, além de diversos estrangeiros em situação e ilegal e produtos contrabandeados da Bolívia.

Manoel Moraes elogiou o trabalho dos policiais rodoviários, mas lembrou que a permanência em tempo integral da guarnição no local trouxe à luz um problema antigo, referente ao transporte de gás, diesel e gasolina para o interior dos seringais de Xapuri e região. “Os policiais são obrigados a cumprir com a lei para transporte de produtos combustíveis, que não tem como ser aplicada para os veículos usados por pequenos agricultores e extrativistas”, lembrou o deputado. “Eles precisam levar para dentro da mata um galão de gasolina para o motor do barco ou uma botija de gás onde só entra carroça”, explica o deputado.

O deputado informou, porém, que a população está se sentindo mais tranqüila e segura com a presença dos policiais rodoviários no entroncamento. O problema do transporte de combustíveis, segundo ele, deverá ser solucionado através de um entendimento entre os produtores rurais da região e os policiais, o que vem sendo sugerido pelo inspetor Getúlio, comandante daquela guarnição, que vem se mostrando disposto a dialogar.

Por outro lado, o deputado lembrou que as condições de vida nos seringais de Xapuri estão bem mais favoráveis na atualidade. Segundo ele, cada produtor está tendo uma renda mínima de aproximadamente R$ 2 mil somando as vendas de castanha, borracha e madeira manejada. O problema, segundo ele, ainda são os ramais para o escoamento da produção.  “Este ano tivemos as maiores chuvas dos últimos 50 anos e todo o trabalho foi desfeito. Agora temos que refazer tudo com o Deracre”, afirmou.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Utopia siberiana

Alunos voltando da escola

A cena acima é rotineira na vida dos estudantes do bairro Sibéria, comunidade situada na margem esquerda do rio Acre, em Xapuri. Na ida e na volta das aulas, sob sol ou chuva, dezenas de alunos de várias idades aguardam a chegada das preguiçosas catraias para poder chegar ao outro lado do rio.

As embarcações transportam cerca de 15 pessoas de cada vez e a segurança da travessia se resume à esperada boa condição física das mesmas e à perícia do catraieiro. Não existem coletes salva-vidas para a eventualidade de um naufrágio, e nessa época do ano não se podem negar os perigos do afamado rio Acre.

Não tenho a intenção de ser Cassandra a predizer desgraças, nem o propósito de fomentar antigas polêmicas, mas apenas de mostrar uma das muitas dificuldades impostas aos habitantes daquele “hemisfério”, no dizer do folclórico e saudoso Nilo Aquino, que se atribuem à falta da tão sonhada ponte ligando as duas partes da cidade de Xapuri.

A ponte da Sibéria é a grande utopia dos “siberianos”, um povo que associa a separação determinada pelo acidente geográfico à exclusão que se manifesta na falta de ações políticas que tornem a vida mais digna naquele recanto. Credita-se à falta da ponte as mazelas que fazem parte tanto da vida daquela população quanto das demais, que estão do lado de cá.

O isolamento e o abandono sofrido por aquela população já se transformou em bandeira política largamente explorada e até um delirante “movimento separatista” já foi cogitado com a intenção de transformar o bairro e as terras que estão daquele lado do rio em um novo município, em razão da ideia de um projeto de construção da ponte não ganhar a dimensão que se espera.  

A justa reivindicação popular já rendeu muitos mitos e histórias mirabolantes como a que alardeia que a passarela para pedestres construída em Rio Branco pelo ex-governador Jorge Viana foi resultado do desvio de recursos de projeto que já havia sido aprovado para a construção da ponte de Xapuri.

Em meio ao inocente desejo do povo e os interesses políticos eleitoreiros disfarçados, a ideia corrente é de que a ponte seria a redenção daquela região da cidade, e todos os problemas como, por exemplo, a falta de saneamento básico e a ausência de ruas pavimentadas, seriam resolvidos a partir de sua concretização. O povo ficaria feliz e satisfeito com a simples possibilidade de se locomover de um lado ao outro do rio sem a dificuldade atual.

Sabemos que a coisa não é bem assim. Uma ponte não resolveria os principais problemas do bairro Sibéria se as ações voltadas para a melhoria das condições de vida da população continuassem da forma que são há muito tempo e prosseguem na atualidade. Mas num estado em que a capital já dispõe de 4 pontes, e onde as vizinhas Brasiléia e Epitaciolândia ganharam mais uma ligação com a Bolívia, nada mais justo que o xapurienses, especialmente os da quente Sibéria acreana, reivindiquem a sua também.

Um pouco de poesia

Nel mezzo del camim...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

"Poesias", Ediouro - Rio de Janeiro, 1978.

Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome. Nascido no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15, que tem Gonçalves Dias por patrono. No seu principal livro, "Poesias", incluiu Bilac alguns sonetos satíricos , sob o título de "Os Monstros". Escreveu livros em colaboração com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume intitulado "Pimentões", de versos humorísticos.

Recomendo: Projeto releituras.

terça-feira, 2 de março de 2010

Fumacê

Bragger

20 anos de Resex Chico Mendes

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A reserva extrativista mais famosa do Brasil completará 20 anos de criação no próximo dia 12. A data será celebrada em Xapuri com a realização do 1º Encontro da Juventude da Floresta do Estado do Acre, evento que está sendo organizado por entidadas como o Comitê Chico Mendes e Conselho Nacional do Seringueiro (CNS).

Celebrações e encontros à parte, duas décadas depois de sua criação, a Resex-CM permanece diante de uma velha e polêmica questão: o extrativismo é mesmo capaz de proporcionar ao homem da floresta a vida digna, social e economicamente, que o seu grande idealizador imaginou antes de ser abatido a tiros, faz duas décadas?

Nos próximos dias, postarei aqui no blog opiniões de alguns personagens que fizeram - e continuam fazendo - parte dessa história de vinte anos da reserva e da luta dos seringueiros e agricultores familiares por uma vida melhor. E o espaço também estará aberto para artigos e comentários sobre o tema.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A vez dos Chicos

A segunda sessão ordinária do ano na câmara municipal de Xapuri, nesta terça-feira (2), terá duas caras novas e… bem feias também.

Assumem a vereança por afastamento dos titulares os suplentes Chiquinho Barbosa (PT), que substitui o também petista João Ribeiro de Freitas, que assumiu recentemente o comando da Secretaria Municipal de Educação, e Chico do Pichico (PSB), que experimentará a função por 30 dias, em substituição ao vereador Erivelton Soares, do mesmo partido.

Mas, das duas posses, certamente a mais festejada será a do Chico menor – em estatura física. Ouvi anúncios de coffee break e tudo mais. Chiquinho Barbosa é irmão do ex-prefeito Júlio Barbosa de Aquino e conquistou a segunda suplência da Frente Popular nas eleições passadas com 212 votos, dois a menos que Raimundo Mendes de Barros, o Raimundão.

Contramão da história

O trecho abaixo, de texto que retirei do blog História Multimídia de Xapuri, mostra como a próspera cidade do início do século 20 caminhou no tempo numa espécie de contramão do progresso e do desenvolvimento social e econômico. Há quase 100 anos, tínhamos uma sociedade engajada e uma movimentada vida cultural cuja força motriz era um comércio pujante baseado no extrativismo da borracha. Coisas que se perderam no tempo.

Segue:

Entre 1915 e 1916 a melhor comida era servida no Restaurante Venturelli, ou nos restaurantes "A Brazileira" e "Central" que serviam além de pratos brasileiros, também pratos italianos, portugueses, espanhóis ou árabes. Nos clubes "Petit Casino" e "Xapuri Club" os adeptos dos jogos de salão se divertiam e disputavam lugar nas mesas de carteado. As noites xapurienses se tornaram ainda mais brilhantes com a inauguração de cinemas como o "Cinematógrafo Acreano", em 1907, no "Casino Xapuriense" e o "Cinema Ideal", em 1916, cujas exibições eram semanais. Os sírios dançavam dabke, misturando suas danças orientais com o maxixe. O "Club Girassol", em 1917, apresentava bailados nas residências e Momo reinava soberano nas cinco noites de carnaval. Isso sem falar nas movimentadas partidas entre o "Xapuri Foot-Ball" e o "Paisandu Foot-Ball" que se enfrentavam no campo da Praça Rio Branco. Marcas de um tempo que não passou porque ainda estão vivas em seus moradores e nas ruas sempre tão tranqüilas da "Princesinha do Acre".

Vale a pena visitar o blog, que é resultado de projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura da Fundação Elias Mansour, proposto pela professora Rivangela dos Santos Nogueira, formada em licenciatura plena em História Pela Universidade Federal do Acre e que contou com os trabalhos da pesquisadora/historiadora Caticilene Rodrigues e pelo técnico de informática e pesquisador Clenes Alves, acadêmico dos Cursos de Ciências Econômicas da UFAC e Teatro da UAB/UnB.

De volta pra casa

Pelo menos 150 famílias de agricultores brasileiros ameaçados de expulsão da Bolívia pelo governo de Evo Morales deverão ser assentados no Acre. Segundo informações da Agência Brasil, uma ação conjunta entre os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento Agrário, com apoio do Incra, governo do Acre e prefeituras, possibilitará infraestrutura para que ocorra o assentamento dessas famílias.