terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chico faria anos hoje

Chico Mendes, se vivo fosse, completaria 65 anos nesta terça-feira.

A seguir, texto retirado da Infopédia:

Activista brasileiro, Francisco Alves Mendes Filho nasceu em 1944, no estado amazónico do Acre, na fronteira brasileira com a Bolívia. Ainda criança de nove anos envereda pela profissão a que já estava destinado à nascença, seringueiro, ou seja, a extrair e tratar a borracha (látex) retirada da hévea brasileira (ou seringa, daí o nome), principal produto do estado e meio de sustento da sua e da maior parte das famílias da região, quase todas oriundas do Nordeste.

Na sua condição social, o seu destino não podia ter sido outro. Todavia, Chico Mendes não deixou de ter uma visão do mundo que se estendia para além do seringal e uma perspectiva do trabalho e seus direitos muito mais alargada que os seus companheiros de profissão. Neste sentido, desde os anos 70 que Chico Mendes mobilizava os seringueiros para preservarem o seu "ganha-pão", a floresta virgem amazónica contra o seu desbaste para criação de espaços abertos para a pecuária extensiva. A resistência assentava num plano simples e eficaz: o impedimento dos desbravamentos através da colocação dos seringueiros e suas famílias entre as moto-serras e as árvores.

Em meados da década de 80, fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (Acre), abrangendo quase somente trabalhadores da borracha. No ano de 1985, fundou o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). Homem tolerante e diplomático, encetou diálogos proveitosos entre os índios e os seringueiros, dois grupos desde sempre avessos mas reconciliados por Chico Mendes, que inspirou mesmo a criação de uma associação cívica denominada de "Povos da Floresta".

Chico Mendes defendia o desenvolvimento racional e equitativo da floresta, considerando não ser preciso considerá-la um santuário intacto se não se avançasse para a sua devastação. Promoveu, neste âmbito, a elaboração de estudos e projectos de reservas para os seringueiros, com infra-estruturas sociais e materiais de apoio às suas famílias, meios de segurança contra os fazendeiros e mecanismos de escoamento e comercialização dos produtos florestais. Para tal, apelou a meios intelectuais e científicos brasileiros e estrangeiros, desde antropólogos a organizações ambientalistas dos EUA e Europa. A sua actividade sindical e, numa esfera mais alargada, de defesa da floresta da Amazónia e seus ecossistemas naturais, bem como dos seus habitantes de várias raças (índios, brancos, mestiços, negros), tornaram Chico mundialmente conhecido, tanto mais que a sua luta colidia com interesses instalados (governamentais, particulares e multinacionais) e prepotentes, apoiados muitas vezes na lei do "senhor da terra". Os fazendeiros, grandes e poderosos latifundiários, com avultadas fortunas e meios paramilitares e de segurança agresivos (os jagunços ) nunca simpatizaram com as iniciativas e reinvindicações de Chico Mendes e seus companheiros, várias vezes os ameaçando e coagindo no sentido de manterem a Amazónia como sempre estivera, à mercê da sua cupidez e desbaste.

A fama de Chico Mendes granjeou-lhe amizades e prémios internacionais, como o Global 500 das Nações Unidas (Londres, 1987) e o Ted Turner´s Better World Society (EUA, 1987). No ano seguinte, participaria ainda na reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), em Washington, EUA. Para além destas distinções e apelos internacionais, uma miríade de artigos e reportagens nos mais diversos meios de comunicação propagavam o nome e a causa de Chico Mendes por todo o planeta, mobilizando o mundo inteiro para a defesa da Amazónia. Fez inúmeras viagens e empreendeu uma série de reuniões ao mais alto nível, cativando simpatias e apoios. Conseguiu mesmo, na reunião do BIRD, impedir a construção de uma estrada trans-amazónica no Acre que poria em perigo a floresta, os habitantes e as suas actividades produtivas ancestrais, em harmonia com a natureza. Muitos bancos e instituições científicas, ambientalistas ou humanitárias internacionais aplaudiram-no, o mesmo fazendo o Congresso americano. Todavia, no seu Brasil e, mais concretamente, no seu Acre natal, os ódios e juras de morte contra Chico eram cada vez em maior número, com a sua cabeça a prémio entre os fazendeiros, madeireiros ou ganadeiros, embora talvez estes fossem a máscara de forças ainda mais poderosas. Desde há muito, no entanto, que previa a sua morte brutal, consciente dos perigos e ódios que desencadeava na sua luta e os impedimentos de abate florestal.

De facto, às 18 horas e 45 minutos de 22 de Dezembro de 1988, à porta da cozinha da sua casa em Xapuri, Acre, Chico Mendes era assassinado a mando de um fazendeiro, de seu nome Darli Alves da Silva. O executante foi o filho deste, Darci, que disparou à queima-roupa uma espingarda de caça. Morria aquele a quem já apelidaram de "Gandhi dos trópicos", uma personalidade carismática e empreendedora que o Brasil só descobriu verdadeiramente depois da sua morte atroz. A sua consciência ecologista era notável, ainda que de nada lhe tenha valido. Numa mensagem de despedida escrita em 5 de Dezembro de 1988, antevendo o seu fim trágico, feito de forma cobarde e odiosa, escreveu: "Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta. Quero apenas que o meu assassinato sirva para acabar com a impunidade dos jagunços, sob a protecção da Polícia Federal do Acre e que, de 1975 para cá, já mataram mais de 50 pessoas". Acusou uma série de autores de homicídios e "justiças de fazendeiros", ainda que a Polícia Federal não tenha usado tais informações, que acabariam por se provar com a morte de Chico.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Caminhos cruzados

Chico Mendes encontrou Che Guevara no bar

Não, caro leitor, o título acima não é fruto de nenhum delírio ou ressaca mal curada. Pesquisando e realizando entrevistas para um material que foi publicado na revista Fórum, em razão dos vinte anos da morte de Chico Mendes, surgiu uma revelação fantástica: o líder seringueiro encontrou um dos ícones da esquerda mundial em um estabelecimento etílico.

Após ter tido participação decisiva na Revolução Cubana, Che Guevara queria "exportar" o modelo para outros países. Teria mirado a Bolívia como um dos seus alvos mas, com a CIA no seu encalço, escolheu caminhos tortuosos para chegar ao país, daí sua estada no Acre. Não são poucos os acreanos que afirmam terem cruzado com Guevara, que teria abordado algumas pessoas para chegar até a fronteira com o país vizinho. E o encontro com Chico, narrado pelo próprio ao professor Pedro Vicente em história confirmada pelo jornalista Élson Martins, se deu desta forma:

"Naquele momento se falava no Guevara, mas eu não conhecia. Nunca havia visto seu retrato nos jornais, até porque não tinha nem revistas ou jornais no seringal. Tinha ouvido seu nome através da Rádio Central de Moscou, não me recordo bem o ano, creio ter sido nos meados de 65 ou 66, eu estava caminhando do seringal para a cidade. As pessoas costumavam fazer longas caminhadas pela BR-317, na estrada velha, em direção a Brasiléia ou a Xapuri. Passava muita gente. Eu estava cansado e parei no bar, no entroncamento, a 12 quilômetros de Xapuri. Naquele instante chegou um cidadão vindo das bandas de Rio Branco.

Demonstrava ser uma pessoa muito educada, encostou-se no bar e puxou conversa comigo e com outros que estavam próximos. Falou que tinha interesse em conhecer a selva amazônica, principalmente os seringais e a selva boliviana. Indagou se eu era seringueiro, respondi que sim e já há muitos anos. Perguntou se não gostaria de acompanhá-lo até os seringais da Bolívia, pois não tinha costume de caminhar na selva. Precisava de uma pessoa que conhecesse os varadouros e o levasse na direção da fronteira. Dava para identificar que não era brasileiro, misturava um pouco de português com o espanhol.

Ele conduzia uma mochila, falou que tinha jóias e aproveitava a viagem pra vender e sobreviver durante o percurso. Não dispunha de muito dinheiro, mas perguntou quanto eu queria por dia para ir com ele até onde pudesse. Não aceitei o convite. Alguém me disse que era perigoso, podia ser um bandido. Não acreditei, mas não podia ir. Alguns meses depois, em Xapuri, passei diante da delegacia de polícia e um retrato me chamou a atenção. Havia um cartaz, nele anunciava-se um prêmio de 50 milhões de pesos a quem entregasse o terrorista Che Guevara, vivo ou morto. Dizia que Che se encontrava em território boliviano para organizar o terror na região. Fiquei abalado. Lembrei-me que havia visto e conversado com aquela pessoa no entroncamento. Nunca pude imaginar, pensei comigo mesmo, que aquela pessoa fosse um terrorista. Olhei várias vezes a fotografia. Não tive a curiosidade de pegar uma propaganda, um cartaz e guardar comigo.

Tempos depois, ao ler o livro sobre a guerrilha do Che na Bolívia, reafirmei a convicção de que cruzei com ele. Posso afirmar com certeza, era o Che”.

Che entrou na Bolívia como Ramón Benítez, comerciante uruguaio

Já no quarto do Hotel Copacabana, em La Paz, fez esse auto-retrato

9/10/67: Félix Rodríguez, da CIA, posa com Che em sua última foto vivo.

Fonte: Blog Futepoca: Futebol, política e cachaça, em 26 de novembro do ano passado.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Morre Alvarino, irmão de Darly Alves

Morreu neste final de semana em Rio Branco, aos 79 anos, o fazendeiro Alvarino Alves da Silva, irmão de Darly Alves, condenado pela justiça como o mandante do assassinato do seringueiro e sindicalista Chico Mendes, cuja morte completará 21 anos no próximo dia 22.

Alvarino foi denunciado por Chico Mendes como um dos responsáveis pelas ameaças à sua vida e pelo assassinato do delegado sindical Ivair Higino, ocorrido no dia 17 de junho de 1988. Mesmo denunciado pelo Ministério Público como um dos matadores de Higino, Alvarino não foi levado a julgamento porque para ele o crime havia prescrevido em razão de sua idade avançada.

Dos três acusados que foram levados a julgamento, dois foram absolvidos: Cícero Tenório Cavalcante e Gentil Alves, filho de Alvarino. Oloci Alves, filho de Darly foi condenado a 9 anos, mas foi beneficiado pela figura jurídica da prescrição retroativa, ou seja, ninguém foi punido pelo assassinato de Ivair Higino.

Quanto ao assassinato de Chico Mendes, a suposta participação de Alvarino Alves nunca ficou comprovada. A foto que ilustra o post é de André Pessoa, da revista Rolling Stone.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Visitação

Eu nunca fui a Xapuri. Nunca visitei a casa de Chico Mendes. Sei que ainda está lá a marca de sangue na parede. Eu nunca vi, mas outro dia estive lá sem estar. A casa se parecia àquela em que morei em Rio Branco, pequena, de madeira, simples e aconchegante. Conversamos sobre seringalismo e seringueiras, sobre sindicato e fazendeiros gananciosos. Contei-lhe que meu bisavô materno foi herói da borracha, ele riu. Contei-lhe que meu avô paterno também foi seringueiro. Não perdemos tempo com lamentações sobre partidos, políticos corruptos e assassinos. Falamos sobre coisas simples da Amazônia. Sobre mata, capivaras e passarinhos. Ele me ofereceu uma branquinha, a princípio não aceitei por causa de medicamento, ele insistiu e eu acabei tomando uns goles. Depois de um tempo de prosa ele me repetiu, “é vivo que a gente fortalece essa luta”. Fiz silêncio e pensei: “essa luta nunca morre, e nem você, compadre acreano”.

Texto de Éverton Vidal Azevedo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Anistia a desmatadores

Além de adiar até 2012 a punição de desmatadores, o presidente Lula decidiu suspender a cobrança de multas aplicadas aos proprietários rurais que respeitarem o limite de corte de vegetação nativa em suas terras, informa reportagem de Marta Salomon para a Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal). O valor da anistia é estimado em R$ 10 bilhões, similar à despesa, por ano, do Bolsa Família.

Leia também:

Lula planeja ajuda financeira a quem não desmatar

A anistia faz parte do programa Mais Ambiente, resposta de Lula à pressão dos ruralistas. As punições deveriam ter entrado em vigor no ano passado, mas até junho de 2011 não haverá nenhuma punição. A partir daí, irregularidades serão notificadas e, depois, cobradas na forma de multa.

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) reagiu à anistia aos produtores multados. "Se for isso, vou pedir para mudar, o acordo não era esse, isso vai ter de ser corrigido."

O decreto presidencial que determina a anistia será publicado na edição de hoje do "Diário Oficial da União".

Leia a reportagem completa na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.

Cobertura d’O Baile

Fiquei devendo a cobertura do baile do Projeto Resgate Cultural, realizado em Xapuri no último dia 5 de dezembro, reunindo os grandes nomes que fizeram a história dos conjuntos musicais da cidade. Por motivos superiores não pude prestigiar o evento, me limitando a publicar algumas fotos, no post anterior, enviadas pela minha amiga Jorleiva, que é sobrinha de Nonato Cruz, uma das feras que estiveram em cena nesse espetáculo. Mas o espaço está aberto a quem queira escrever sobre o baile e contar alguns detalhes dessa noite especial. Disponham do blog.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Denúncia de abuso na delegacia de Xapuri

Emerge da Delegacia de Polícia de Xapuri uma história escabrosa. O Juiz da Vara Criminal da Comarca, Anastácio Lima de Menezes Filho, expediu alvará de soltura em favor de uma presa da justiça, a pedido da promotora Diana Soraia Tabalipa Pimentel, como medida protetiva contra supostos abusos de natureza sexual que a apenada viria sofrendo da parte de um agente civil de nome não divulgado.

Segundo a denúncia feita à Promotoria de Justiça de Xapuri, uma mulher que se encontrava cumprindo pena na delegacia de Xapuri por determinação da Justiça, teria sofrido diversas tentativas de abuso sexual, além de ameaças de ser mandada ao presídio caso delatasse o agressor. Procurada, a promotora Diana Soraia não se dispôs a falar sobre a denúncia por não ter instaurado ainda nenhum procedimento quanto ao caso.

Através de sua assessoria, a promotora informou que estaria consultando o Controle Externo do Ministério Público para definir que medida tomar com relação ao caso. Na delegacia, o delegado Pedro Henrique Resende afirmou que não tinha muitas informações sobre a denúncia e que não sabia a qual dos seus agente a denúncia se refere.

- Você está mais informado do que eu, disse ele.

Apesar dos nomes dos envolvidos no caso não terem sido divulgados à imprensa, foi fácil identificar a suposta vítima. A única mulher que cumpria pena na delegacia de Xapuri era Regiane Santos da Silva, 26, sentenciada junto com seu marido, Valdecir da Silva, o “Sinha”, 20, a 1 ano e 8 meses de prisão depois de serem flagrados pela polícia portando substâncias entorpecentes no mês de dezembro do ano passado.

Sinha foi encaminhado ao presídio e Regiane foi mantida cumprindo a pena na delegacia de Xapuri por determinação do Juiz Anastácio Menezes, de acordo com o delegado Pedro Henrique, onde teria sido vítima dos supostos abusos. O magistrado determinou a soltura de Regiane depois de suspender o cumprimento do restante de sua pena, que ainda tinha alguns meses pela frente.

Rota do tráfico

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Uma patrulha da Polícia Rodoviária Federal composta pelos agentes Getúlio Mário de Azevedo, Francisco Ismael Barbosa e Joneudes Fernandes de Souza Filho fez a apreensão do droga acima no entroncamento da BR-317 com a Estrada da Borracha. São cerca de 1,2 quilos de cocaína, que tinha Rio Branco como destino final, segundo Raimundo Anselmo Leal da Silva, morador da cidade de Brasiléia-Acre. Ele tinha um menor de idade em sua companhia. Ambos estão na delegacia de polícia de Xapuri. Raimundo será transferido para o presídio de Rio Branco, o menor está à disposição do Juizado da Infância e da Juventude.

Que venha o “choque de gestão”

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O funcionalismo municipal de Xapuri recebe o 13º salário nesta sexta-feira, 11. O anúncio da antecipação, que já havia sido feito aqui no blog, também foi ao ar pela TV Xapuri, em entrevista feita por Haroldo Sarkis, da Diretoria de Divulgação Social da prefeitura, com o prefeito Bira Vasconcelos. O salário de dezembro será pago no dia 23.

Na entrevista, o prefeito petista voltou a avaliar como positivo o desempenho da administração Todos por  por Xapuri em 2009, em que pesem as críticas que sua gestão tem recebido de opositores e segmentos da população. “Há uma impaciência por parte das pessoas, mas vamos fazer Xapuri acontecer”, disse ele.

Apesar do otimismo, Bira sabe que o ano que se aproxima deverá ser bem melhor que o que se finda para subir na avaliação da opinião pública. Usando as palavras do jornalista Archibaldo Antunes, em sua ótima coluna política – Prisma – em agazeta.net, “muitos acreditaram que ele daria um choque de gestão no município, o que até agora não aconteceu”.

Confiante em dias melhores num futuro breve, o prefeito anunciou um pacote de 13 ações para este final de ano, entre elas o início da recuperação da rua Dr. Batista de Moraes, onde está uma conhecida e fétida cratera, localizada nas proximidades da Casa de Chico Mendes, patrimônio histórico nacional, e a reconstrução da ponte que liga o bairro da Bolívia ao centro da cidade.

Bira anunciou também um Natal melhor que o passado em Xapuri. A prefeitura está preparando a decoração natalina da cidade e distribuirá mais de 1.500 brinquedos para crianças carentes que estão sendo cadastradas pela Secretaria de Ação Social. Eventos religiosos envolvendo as igrejas locais também estão programados pela prefeitura de Xapuri.

Resta desejar um bom Natal ao prefeito e sua equipe e que em 2010 a chamada “Revolução Silenciosa” defendida por Bira comece a dar seus frutos com geração de emprego e renda e com a construção de uma cidade melhor para se viver, enfim, que venha o tal “choque de gestão” esperado por todos nós. Afinal de contas, o melhor lugar para um xapuriense viver é mesmo Xapuri.

Semana Chico Mendes

Corrida pedestre marca início de vasta programação que relembra ideais de líder seringueiro morto em 1988.

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Golby Pullig – Agência de Notícias do Acre.

As homenagens para lembrar a morte e reavivar os ideais de Chico Mendes começam neste domingo, 13, organizadas pelo Comitê Chico Mendes em parceria com o Governo do Acre, Centro de Trabalhadores da Amazônia (CTA) e Instituto Chico Mendes. A primeira atividade da programação é a Corrida Pedestre que faz parte do calendário esportivo do Acre e terá largada às 17 horas do Palácio do Governo.

Este ano, a programação está voltada para divulgar as experiências desenvolvidas na Reserva Extrativista Chico Mendes e em outras comunidades que desenvolvem projetos de sustentabilidade baseados no conceito de preservação ambiental descrita por Chico Mendes.

Seringueiros e extrativistas serão os protagonistas nos debates que envolvem temas como as cadeias produtivas da castanha e da borracha e a vida dessas populações dentro de reservas florestais. O reflexo do projeto educacional Seringueiro também será relatado pelas crianças e adultos alfabetizados pela iniciativa pioneira.

"Nós queremos mais uma vez levar essas experiências, essas atividades comunitárias que dão certo, para que a sociedade conheça. Nosso objetivo é fortalecer cada vez mais os ideais do Chico, que hoje se espalham por todo o mundo", explica a presidente do Comitê Chico Mendes, Júlia Feitoza.

Xapuri será sede de parte da programação da Semana Chico Mendes, como a entrega do Prêmio Chico Mendes de Florestania, criado para valorizar as práticas comunitárias, projetos, programas e ações que estimulam a construção do modelo de desenvolvimento sustentável, e o lançamento do Cadastro Único para os moradores da Resex Chico Mendes. Por meio do CadÚnico, será possível identificar os moradores da reserva e realizar um levantamento das condições sociais e econômicas dessas famílias.

Chico Mendes foi assassinado na porta de sua casa em 22 de dezembro de 1988. Suas palavras e ações são difundidas ainda hoje como incentivo à criação de medidas de proteção das florestas e de seus moradores e para a promoção de um desenvolvimento econômico e social mais justo e ambientalmente sustentável.

Veja aqui a programação completa da Semana Chico Mendes.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Imagens do descaso

As imagens acima estão no blog Xapuri News, assinado pelo professor-blogueiro Joscires de Oliveira Ângelo em post intitulado “Descaso!!!!”. Mostram como o dinheiro dos xapurienses tem sido jogado fora pelos administradores que têm passado pela prefeitura nas últimas décadas.

Muito oportuna a ideia de postar provas da contumácia do descaso dos maus gestores com o patrimônio público, mas não entendo que as fotos falem por si só, como afirma o blogueiro. Precisa-se esclarecer para os leitores quem são os responsáveis pelo abandono do maquinário no meio da floresta. Dar nome aos bois.

A atual administração evidentemente não está isenta de responsabilidades pelo fato de o problema ter sido herdado de gestão anterior. Cabe explicar o porquê de máquinas tão caras continuarem jogadas assim, ao léu, sendo devoradas pelo mato nas margens de ramais que deveriam estar recuperando. E já que Joscires não teve tempo para perguntar, farei isso eu mesmo.

Recordo que quando essas máquinas chegaram a Xapuri foram recebidas com intenso foguetório a la Sucupira de Odorico Paraguaçú e carreata maior do que a que se costuma organizar no dia de São Cristovão (25 de julho), protetor dos motoristas. Alguns meses depois elas já estavam no estado que as imagens denunciam.

 

Na foto acima, em abril de 2007, o então prefeito Vanderley Viana mostrava a situação do maquinário recebido de seu antecessor, Júlio Barbosa de Aquino. Abaixo, o estado em que ele, Vanderley, deixou de herança uma “pá mecânica” para o seu sucessor, Bira Vasconcelos. Esse espaço vazio entre as rodas é o lugar onde deveria estar o motor da máquina, que simplesmente desapareceu.

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Abaixo, o estado em que encontrei, numa oficina mecânica em Epitaciolândia, em março deste ano, exposto ao sol e chuva, um ônibus da Secretaria Municipal de Educação de Xapuri, responsável pelo transporte de alunos da zona rural do município para estudar na cidade. Em determinado período, as crianças chegaram a ser transportadas em Toyotas. Chegavam à escola imundas, de tanta poeira.

O veículo havia sido completamente depenado e depois abandonado no local, onde permanecia ao relento por quase dois anos. Segundo informações do proprietário da oficina, as peças tinham sido retiradas do ônibus com autorização do ex-prefeito Vanderley Viana.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Nivaldo

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Nivaldo José da Silva, peão de boiadeiro, 74 anos de idade, 62 de profissão. Uma das figuras anônimas do cotidiano xapuriense que vou estar mostrando aqui no blog. Gente simples e trabalhadora que simboliza a força e a determinação do povo da nossa terra.

Comentário postado pelo xapuriense João Maciel:

"Prezado Raimari,

"Parabéns pela iniciativa. As pessoas qualificadas como "anônimas" são igualmente importantes e protagonistas da história de Xapuri e devem ser reconhecidas como tal. A exemplo do que tem sido falado em seu blog por alguns colaboradores acho que o destino do município está nas mãos de sua população, ou seja, na capacidade dessas pessoas anônimas se mobilizarem. Há em Xapuri um número muito grande de pessoas que nunca tiveram papel de destaque político ou econômico, mas que são a própria imagem da cidade.

Abraço".

Tá faltando heróis?

Blog do Otanon

Os “zeróis” acreanos “forjados” na ponta da caneta

Leio no blog de Xapuri http://raimari.blogspot.com artigo assinado por professor Nazareno intitulado Os “zeróis” de Rondônia. Ele fala de pessoas ilustres como Abraão Lincoln, George Washington, Martin Luther King e até no pervertido John Kennedy, como exemplos de pessoas que devem permanecer na História dos seus lugares como verdadeiros heróis.

Na realidade, Nazareno quer “tirar sarro” dos rondonienses por estes não terem heróis e tem a maior “cara de pau” em dizer: “Até o Acre tem os seus heróis. Chico Mendes, que esteve à frente de sua realidade ao defender o meio ambiente quando ninguém..., Marina Silva, amiga e contemporânea do "amigo da floresta"..., para finalmente dizer que Rondônia não tem heróis, nunca teve e nem também ninguém que tenha se destacado sequer a nível nacional ou mesmo regional.

Segundo ele, “Carlos Ghosn, presidente da Nissan, nascido em Porto Velho em 1954, se naturalizou francês. José Maurício Bustani, porto-velhense nascido em 1945, talvez nunca mais tenha vindo aqui depois que foi embora e se formou pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC, em 1967. Quem conhece alguma declaração deles falando sobre sua terra de origem? A maioria dos coronéis que governaram isto aqui morreu nos seus estados de origem sem ao menos lembrar a existência das “Terras Karipunas”.

Professor Nazareno, eu já havia escrito algo sobre os heróis acreanos mas descartei o assunto. Achei deselegante um filho de Rondônia “desdenhar” dos heróis alheios. Mas como o senhor puxou o assunto:...

Vamos lá... Chico Mendes é ou foi herói de quem? Quando e Onde? Qual foram suas ações em favor das florestas pelo mundo, exceto as estradas de seringa do Seringal Cachoeira? Uma briga fisiológica em favor das seringueiras que lhes garantiam sustento... Ou o senhor acredita que ele tinha noção de ecologia, meu ambiente, eco sistema, efeito estufa e aquecimento global? Era apenas um trabalhador preocupado com a própria vida. Depois de morto, foi vendido como produto de exportação do Acre na condição herói. Ponto!

O senhor sabia que a família de outro “herói” acreano Coronel Mâncio Lima entrou na justiça contra um historiador da UFAC para este não publicar as barbaridades que ela fazia contra os índios? Desde quando promover genocídio durante as “correrias” em aldeias repletas de índios dormindo, é heroísmo?

E a nossa senadora Marina Silva (eu votei nela) ambientalista ultra radical que deixou o Ministério do Meio Ambiente após perder as lutas solos que travou contra os transgênicos, o avanço da cana de açúcar na Amazônia e a construção das hidrelétricas de Rondônia e há quem diga ter sido ela responsável por anos de atraso nas obras de construção da BR-364 entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, ao exigir apresentação do EIA/RIMA. E que teria seu “dedo” para o fracasso na instalação de uma usina de álcool no Acre? É uma pessoa honrada, de idéias próprias e que as defende até as últimas conseqüências. Mas daí a ser heroína...

O senhor sabia que o maior herói acreano, Plácido de Castro, foi contratado por comerciantes de Manaus e Belém para comandar uma guerrilha contra o exército boliviano no Acre. Quem luta por dinheiro é herói ou mercenário?

Quantos livros o senhor já leu de outro herói acreano Elias Antunes que ganhou até estátua na “calçada da fama” do Acre como poeta e escritor? Historiadores da Globo o citaram na novela “De Galvez a Chico Mendes” (de Glória Peres), como um pinguço desocupado que vivia a escrever versinho para ganhar cachaça “de graça” nos bares da época? Enfim, a lista de heróis no Acre é extensa.

Tenho o maior respeito pelo povo acreano. Meus filhos e netos são todos acreanos e não sou acreano nato por força do acaso. Quando meus pais se mudaram para Rondônia (onde nasci) minha mãe estava no oitavo mês de minha gestação.

Me considerado por tanto, um legítimo acreano. Mas não posso ficar calado quando o assunto é falta de herói. Acredito ser melhor não tê-los, que fabricá-los para se dizer que tem.

Para os rondonienses, o único herói conhecido é o marechal do exército e engenheiro topográfico Candido Mariano da Silva Rondôn, enviado do Rio de Janeiro pelo presidente da república para comandar a construção da rede de telégrafo entre Porto Velho e Cuiabá. Dizem que era um militar linha dura e cruel. Teria mando matar muitos que não concordavam com sua veneração pelos índios, que dizimavam os trabalhadores. Pelo seu pioneirismo de ações em lugares inóspitos, também foi homenageado com o nome do Projeto Rondôn. O senhor conhece?

O certo é professor Nazareno, que o nome “Rondônia” é em homenagem ao marechal Rondon, herói rondoniense tão desmerecido em minha opinião, quanto à totalidade dos “heróis acreanos”.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Os “zeróis” de Rondônia

Professor Nazareno

Quase todos os países e nações do mundo baseiam sua história na bravura e nos feitos de alguns de seus filhos ilustres. Difícil não entender por que os franceses têm na figura do ditador Napoleão Bonaparte um de seus ícones, os ingleses homenagearem o almirante Nelson, além dos seus reis e rainhas e os norte-americanos verem em Abraão Lincoln, George Washington, Martin Luther King e até no pervertido John Kennedy exemplos de pessoas que devem permanecer na História dos seus lugares como verdadeiros heróis. São pessoas que, de uma forma ou outra, marcaram o seu tempo. Imprimiram a sua forte presença nos manuais de História ensinados nas escolas.

Até o Acre tem os seus heróis. Chico Mendes, que esteve à frente de sua realidade ao defender o meio ambiente quando ninguém tinha consciência ou coragem para fazê-lo, é endeusado no mundo inteiro como um defensor da floresta e herói do seu tempo. O humilde seringueiro de Xapuri foi reconhecido nos cinco continentes e recebeu, além do reconhecimento, muitos prêmios internacionais. Marina Silva, amiga e contemporânea do "amigo da floresta", apesar de ter pertencido durante muito tempo ao PT, o “partido dos mensaleiros”, atualmente desponta no Brasil com uma liderança política capaz de fazer frente aos mais conhecidos e renomados políticos do país.

Rondônia não tem heróis, nunca teve e nem também ninguém que tenha se destacado sequer a nível nacional ou mesmo regional. Carlos Ghosn, presidente da Nissan, nascido em Porto Velho em 1954, se naturalizou francês. José Maurício Bustani, porto-velhense nascido em 1945, talvez nunca mais tenha vindo aqui depois que foi embora e se formou pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC, em 1967. Quem conhece alguma declaração deles falando sobre sua terra de origem? A maioria dos coronéis que governaram isto aqui morreu nos seus estados de origem sem ao menos lembrar da existência das “Terras Karipunas”.

Além de não ter heróis, Rondônia quase não tem história também. Os rondonienses demoraram mais de 29 anos para entender que a data da criação do seu próprio Estado coincidia com a lei que transformara o antigo Território Federal de Rondônia em Estado. Todo mundo sabe, há muito tempo, que a data em que nascemos não é a data em que fomos registrados. Óbvio isto. O dia 04 de janeiro (tem até bairros na capital com este nome) foi comemorado inutilmente durante todo este tempo pelo povo daqui como se fosse tudo normal, com direito até a feriado estadual e comemorações. Devemos rasgar todos os livros de História Regional ou reescrevê-los?

Foi preciso um acreano da gema, Odacir Soares, propor a mudança de datas ao governo local. Guardadas as devidas proporções, é a mesma coisa que dizer a um brasileiro nato, e que tenha estudado o suficiente, que 22 de abril de 1500 é a data da Inconfidência Mineira. “Os grandes incentivadores e defensores da cultura local”, assim como os historiadores da região também não perceberam isto, ou não se interessaram? Não tiveram visão suficiente para entender “o difícil e complicado” jogo de datas que sempre homenageia os vencedores em detrimento dos vencidos. Será que estamos precisando mesmo de heróis?

*É professor em Porto Velho.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Noite para sonhar

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A foto acima reúne parte da fina flor da música xapuriense que embalou gerações. Da esquerda para a direita: Luiz Brejeira, Magão, Zequinha, Duplanir e Luiz Beleza. Logo mais à noite, o quinteto estará, junto com outros grandes nomes, abrilhantando e relembrando os grandes sucessos que embalaram a sociedade local por décadas e marcaram na memória da cidade uma época muito especial na história da música em Xapuri na segunda edição do Projeto Resgate Cultural.

“O Baile” será realizado no ginásio Álvaro da Silva Mota na noite deste sábado e será um grande ponto de encontro de velhos conhecidos da agitada sociedade xapuriense de outrora. Sentirei grande falta de um, que lá não estará em matéria, mas que certamente marcará presença em espírito: o inesquecível mestre Wando Barros. Impossível não lembrar e não deixar a saudade tomar conta da gente. Será uma noite para sonhar.

Na tarde dessa sexta-feira, o grupo acima participou de entrevista no programa Tarde de Emoções, do radialista Joseni Oliveira, que vai ao ar de segunda a sexta, às 14:15h, na Rádio Educadora 6 de Agosto. Leia mais sobre o projeto Resgate Cultural, de autoria do músico  Antônio Magão, no post De Siderais a H-Uelem, uma história de amor à música.

De São Paulo, onde acompanha a esposa, Terezinha, em tratamento de saúde, um dos personagens da história da música xapuriense, Nader Sarkis, envia a seguinte mensagem:

“Mesmo distante, mando minhas vibrações pra esses ‘meninos’ que mesmo depois dos cabelos grizalhos, não aprenderam, ainda bem, a dizer que seu tempo de palco, de baile, de músicos, já passara.

De forma magistral, a nova geração xapuriense vai ter essa oportunidade de conhecer melhor o quanto os bailes eram maravilhosos.

Particularmente, tive o prazer de acompanhá-los, das janelas dos clubes "Municipal e Ponto Chic" e, posteriormente, tive o privilégio de fazer parte dessa história.

Infelizmente não estarei aí para ouví-los e participar, mas com certeza vou sonhar como se estivesse...

É difícil não lembrar de nomes como Cardosinho, Geraldo, Cadite, Gualberto, e outros que já não estão mais por aqui, também fizeram parte de tudo isso, e registre-se, foram sensacionais. Ainda dos que já se foram, foi oportuno lembrar do Wando, ele alimentava essa ideia de juntar todos esses "monstros da música" em sua volta.

Um forte abraço ao Magão, Duplanir, Beleza, Zequinha, Brejeira, Aurélio, Tatu, Boy, Raimundo Cruz e todos os músicos que estarão em cena nesse baile.

Gostaria, oportunamente, de registrar outros personagens igualmente protagonistas: Carlinhos Estevão, Mauro (in memoriam), Ciro (IMPACTO 3) e o velho parceiro de H-UELEM, meu irmão, Eden Mota”.

Nader Sarkis.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

“Administrar Xapuri é uma honra”

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Quando me telefonou por volta do meio dia da última segunda-feira (30) para confirmar o encontro que resultou na entrevista que virá a seguir, o prefeito de Xapuri Francisco Ubiracy Machado de Vasconcelos ou simplesmente Bira, como gosta de ser chamado, demonstrava um certo nervosismo com as constantes críticas que recaem atualmente contra a sua administração.

Acusado de mandar derrubar o portal de entrada da cidade como ação política contra o ex-prefeito Vanderley Viana e ouvindo reclamações contra a lentidão de seu trabalho na condução do município, o prefeito garante que Xapuri está melhorando e afirma que a oposição cria “fatos políticos” em sua gestão com vistas às eleições do ano que vem.

Aos 45 anos de idade, pai de uma filha, Luana, 16, fruto de seu primeiro casamento com Serlene, que foi secretária de gabinete do ex-prefeito Júlio Barbosa – hoje Bira é casado com a estudante Dayana Castelo –, o engenheiro agrônomo que veio para Xapuri em 1990 ainda como estudante, trazido pelo hoje advogado Gumercindo Rodrigues para estagiar na Cooperativa Agroextrativista de Xapuri, mostra na fronte bem mais cabelos brancos do que apresentava na sua posse em 1º de janeiro deste ano.

“Acho que vão embranquecer mais”, brinca.

Como o presidente Lula, o prefeito de Xapuri também é adepto das metáforas. Em abril deste ano, cobrado pela população por mudanças imediatas e radicais na situação em que ele encontrou a cidade, reagiu dizendo que “não poderia andar de helicóptero se ainda não tinha um carro”. Agora, mais uma vez, Bira recorre à figura de estilo para explicar com anda sua administração.

“Estávamos com o trem fora dos trilhos do desenvolvimento, como dizia nosso jingle de campanha. Já recolocamos o trem de volta aos trilhos e agora só falta devolvê-lo à locomotiva”.

A conversa aconteceu na tarde desta quinta-feira (3), no prédio onde funciona o complexo de retransmissoras da TV Xapuri, e durante cerca de duas horas o prefeito falou sobre o seu trabalho, as cobranças, a impaciência da população e afirmou que tem sido uma honra muito grande administrar Xapuri.

Xapuri Agora - Por que sua administração tem recebido tantas críticas?

Bira – Acredito que foi criada uma expectativa de que o prefeito poderia resolver em curto prazo todos os problemas do município e as coisas não são assim. Além disso, algumas pessoas que querem se promover politicamente vivem criando fatos para criticar a administração como forma de obter promoção pessoal. Primeiro reclamavam da falta de iluminação pública, então iluminamos praticamente a cidade inteira e eles foram procurar outro motivo para criticar. Da parte da população, eu acho que em virtude dessa expectiva criada a que me referi, as pessoas estão tendo uma certa impaciência com o ritmo das ações da prefeitura. Já melhoramos muita coisa em Xapuri, mas muitas coisas a população não vê. Então precisamos mostrar o outro lado da moeda.

Xapuri Agora – Qual é o outro lado da moeda?

Bira – O outro lado da moeda é que o prefeito não tem somente que catar lixo e tapar os buracos das ruas, apesar de que também estamos fazendo isso. Há todo um trabalho de organização para que as coisas passem a funcionar, e esse processo consumiu muito tempo e trabalho neste ano. Quando digo que fazemos coisas que a população não vê, me refiro a ações fundamentais que visam a qualidade de vida, por exemplo: temos que ter uma cidade bonita, com belas praças e avenidas? Sim, mas não sem antes termos uma população vivendo melhor, com saúde, emprego e educação. Já fizemos muita coisa para melhorar a qualidade de vida da nossa população. Só este ano, cadastramos novas 700 famílias para os programas sociais, recuperamos 10 quilômetros nos bairros da cidade, no centro só fizemos tapa-buracos, mas nos bairros foram 10 quilômetros de recuperação com piçarramento e calçamento com tijolos em ruas que sequer entrava um carro. Então, é isso que queremos mostrar melhor. Que apesar dos problemas e dificuldades, nossa cidade está melhor e vai continuar melhorando. Eu tenho quatro anos para governar e nesse primeiro ano de mandato já aconteceram muitas coisas positivas. Nós estávamos com o trem fora dos trilhos do desenvolvimento, como dizia nosso jingle de campanha. Já recolocamos o trem de volta aos trilhos e agora só falta engatálo à locomotiva para continuar o caminho rumo ao tão sonhado desenvolvimento de Xapuri.

Xapuri Agora – O senhor costuma dizer que o pior já passou e que Xapuri está melhor. No que, em sua opinião, nossa cidade e nosso município, como um todo, estão melhor?

Bira – Veja bem. Dê uma olhada para o nosso comércio. Nos últimos meses foram abertas várias lojas em nossa cidade. Loja de cosméticos, um importante empreendimento que a cidade não tinha, duas lojas gigantes de material de construção e de móveis e eletrodomésticos, os empregos que estão sendo gerados por essas iniciativas, os postos de trabalho criados nas fábricas de preservativos, de pisos e na usina de castanha, enfim, tudo isso já é um movimento que começou a pouco tempo e que faz parte de um novo momento de estruturação econômica de Xapuri. Nós temos que preparar a cidade para essas coisas. Para as pessoas andarem nas ruas calçadas, mas a gente saber que elas tem seu emprego para dar dignidade às suas famílias. Além disso, nós estamos investindo na educação e ajudando nossos jovens a alcançar a formação técnica e superior. Nós estamos fazendo a chamada revolução silenciosa, da geração de empregos, da geração de oportunidades e do conhecimento das pessoas, em breve criaremos o Instituto Tecnológico de Xapuri, escola técnica federal de R$ 8 milhões para revolucionar o pensamento das pessoas. A população terá os seus anseios atendidos, mas tudo na hora certa e dentro de todo esse processo de reestruturação do nosso município.

Xapuri Agora – Por que o prefeito decidiu demolir o portal da entrada da cidade? Esperava tanta polêmica em torno dessa questão?

Bira – Essa obra já nasceu sob uma ação civil pública do MP por suspeitas de irregularidades. Além disso, o portal foi levantado em local inadequado, o que, certamente, foi a razão de vários acidentes que ali aconteceram. A decisão de se retirar o portal - não gosto dos termos demolir ou derrubar porque o que aconteceu foi realmente a retirada de uma estrutura que ameaçava desabar e eu optei pela vida das pessoas – deu-se por uma questão técnica e não política como alguns estão querendo acreditar. Chegaram ao cúmulo de me acusarem de ter pagado a carreta para bater no portal e isso é um grande absurdo. O acidente no portal aconteceu em agosto e somente agora, depois de termos em mãos nada menos que quatro laudos técnicos embasando nossa decisão pela retirada do pórtico é que o fizemos. Consultamos um engenheiro civil, o Conselho Regional de Engenharia do Acre, o Detran e o DNIT e constatamos que a sua recuperação sairia mais custosa que a sua construção, além do importante fator da incorreção técnica de sua localização. A polêmica criada foi mera questão política de algumas pessoas que querem se promover politicamente em razão das eleições do ano que vem.

Xapuri Agora - Mas por que foi escolhido o horário da noite para a retirada do portal?

Bira – Para mais evitar transtornos à população. Repito: os critérios para a retirada do portal foram exclusivamente técnicos e econômicos. Fizemos o possível para não lesar o patrimônio público, mas isso não foi possível. Vamos, em breve, construir um monumento alusivo à cidade, em local mais adequado e manter a homenagem à família de Augusto Castelo Branco de Figueiredo, inclusive providenciado a devida autorização da câmara, o que não havia acontecido anteriormente.

Xapuri Agora – E essa história de apagar os vestígios deixados pelo ex-prefeito Vanderley Viana?

Bira – Eu trato o Vanderley com o respeito que ele merece como ex-prefeito e como pessoa. Agora o que tiver de errado na prefeitura, do Vanderley, eu vou procurar consertar, o que ele fez de errado ele vai ter que responder na justiça e não pra mim. Ele já respondeu pro povo. O povo já deu o castigo ao Vanderley. Eu não preciso mais castigar o Vanderley. Perder a eleição como ele perdeu, em último lugar, já foi um castigo gigante pra ele. Eu converso com o Vanderley e trato ele como gostaria que ele me tratasse. Nunca esqueço que um dia tmbém serei ex-prefeito.

Xapuri Agora – A propósito das críticas, o que o Sr. tem achado do posicionamento da oposição?

Bira – Eu sinto que não tem havido o intuito de se defender os interesses coletivos de Xapuri e sim os interesses de promoção pessoal e política. As pessoas estão fazendo críticas sem fundamento, como nesse caso do portal. A oposição em Xapuri está perdida porque está vendo que as coisas estão acontecendo. Tudo o que colocamos no nosso plano de governo está sendo feito dentro do prazo que a gente deu. Então vão criticar o quê? Vão criticar eu ter desmanchado aquela obra mal feita na praça, aquela coisa horrível coberta de lona plástica que ficava no meio da praça, e agora a retirada do portal, que todos sabem a razão por que isso aconteceu. A oposição não sabe bater no Bira e também não tem razão para tal.

Xapuri Agora – O Sr. tomou conhecimento das críticas feitas pelo seu adversário nas eleições passadas, o tucano Marcinho Miranda?

Bira – Márcio e sua família são amigos que eu considero muito, mas a verdade é que ele é candidato no ano que vem…

Xapuri Agora – Ele garante que não…

Bira – Mas essa é a conversa de todo candidato. Ninguém assume a candidatura antes de chegar a hora. Mas sabemos que certamente será candidato. Então, tem muita gente em Xapuri querendo se promover politicamente em razão das eleições do ano que vem, mas isso é um processo natural da política. Não tendo razão para bater na administração, tentam criar fatos políticos e procuram, inutilmente, bater na pessoa do Bira para ganhar visualização com vistas à disputa eleitoral vindoura.

Xapuri Agora – E as críticas da população?

Bira – Repito que a população se baseia em uma grande expectativa que foi criada. Tenho quatro anos para governar e estou certo de que tudo aquilo que prometi em campanha e o que está no nosso programa de governo será cumprido. Já fizemos muita coisa e vamos continuar fazendo, digo mais uma vez. Começamos a fazer pela periferia e hoje melhoramos bairros onde carro nunca tinha entrado. Acabamos de fazer 600 metros de asfalto na Rua do Ibama, com drenagem. Prometemos três quilômetros de calçamento em tijolos, e só este ano fizemos 900 metros, quase um quilômetro, e já começamos a recuperação da Rua Pio Nazário, aquele do famoso buraco perto da Casa do Chico Mendes, estamos recuperando a cerâmica municipal, tudo isso com a ajuda do governo do Estado, sem o qual não conseguiremos recuperar Xapuri. Então, eu estou muito feliz. As pessoas estão ansiosas por uma cidade bonita e eu também estou.

Xapuri Agora – Quem é que governa Xapuri? Bira ou Binho Marques?

Bira – Eu sou o prefeito de Xapuri, mas nunca disse que governaria sozinho. Quem pensou que governaria Xapuri sem a ajuda do governo do Estado deixou a cidade na situação que encontramos. Nunca enganei ninguém. Disse em palanque que governaríamos juntos, eu, o governo do Estado e a população do nosso município.

Xapuri Agora - Xapuri é uma cidade de altíssimo apelo ambiental. Porque temos tantos problemas nessa área, como, por exemplo, a falta de consciência ecológica de parte da população e um aterro controlado que continua parecendo um lixão?

Bira – Sobre o lixão quero esclarecer que estamos tendo problemas de falta de equipamento, que é um trator de esteiras para fazer as células onde o lixo deve ser enterrado. Somado a isso, temos o problema da falta de consciência ambiental da população. Xapuri produz 7 toneladas de resíduos por dia e as pessoas jogam esse lixo na lixeira todos os dias, cortam-se árvores inteiras e jogam-nas no meio da rua, fogões velhos, geladeiras, tudo isso é jogado na rua e a prefeitura tem que se virar para dar a destinação a todo esse lixo. Precisamos fazer um trabalho gigante de conscientização ambiental em Xapuri. Quanto à questão ambiental como um todo, a explosão da cidade como uma fama e uma marca voltada para o meio ambiente, isso se deu pela luta de uma minoria. Xapuri não é famosa do ponto de vista ambiental por ser muito bem arborizada, por suas ruas terem esgotos e uma coleta de lixo adequada ou mesmo pela conscientização ecológica de sua população. Não é essa a fama de Xapuri. A fama de Xapuri é pela luta dos seringueiros, liderados por Chico Mendes, que fizeram essa grande revolução. 

Xapuri Agora – O Sr. nomeou a filha de Chico Mendes, Elenira, para a pasta de Meio Ambiente em Xapuri. A experiência não deu certo. O que isso representou para sua administração tendo em vista o sobrenome famoso de Elenira?

Bira – A nomeação da Elenira não foi uma jogada de marketing e muito menos foi uma decepção para nossa administração. Nomeei-a porque não me se sentia bem em falar tanto de Chico Mendes e não ter a sua filha, legítima herdeira da sua herança de luta, participando de minha administração. Sua passagem pela secretaria, no entanto, não se compatibilizou com a sua função de presidente do Instituto Chico Mendes. Eram muitas viagens internacionais, representando o legado do pai, e sua permanência na secretaria ficou impossível.

Xapuri Agora – O que achou das denúncias de irregularidades no Instituto Chico Mendes?

Bira – A notícia me chocou muito. Mas eu já aprendi uma coisa em administração pública: nem toda verdade é absoluta. Não defendo nem acuso ninguém, muito menos quero insinuar que não tenham havido irregularidades no Instituto. Nós sabemos que as coisas podem acontecer, as pessoas podem errar, mas continuo acreditando na idoneidade e na seriedade da Elenira. Foi acreditando nisso que a convidei para integrar minha equipe. Quantos às denúncias cabe à justiça julgar e os responsáveis, se comprovada a culpa, pagar pelo que cometeram.

Xapuri Agora – A saúde está melhor em Xapuri?

Bira – Nós tentamos compensar a falta dos médicos com enfermeiros e trabalho preventivo. A falta de médico foi o nosso maior problema e a saúde a área onde tivemos menos sucesso em 2009. Estamos contratando mais dois médicos com CRM para reforçar nosso quadro.

Xapuri Agora – O Sr. achou que fosse mais fácil manter um quadro de médicos habilitados em Xapuri?

Bira – Não. Eu achei que a gente teria profissionais mais comprometidos. Eu tenho que fazer essa crítica aos médicos porque grande parte da classe pensou mais no dinheiro do que na saúde da população. Com esse tipo de pessoa que pensa mais em ganhar dinheiro do que tratar do povo nós preferimos não trabalhar.

Xapuri Agora – Para encerrar nossa conversa, faça uma síntese da avaliação desse primeiro ano de mandato e diga o que o povo de Xapuri pode esperar da administração Xapuri para Todos em 2010.

Bira – Numa avaliação bastante simples, foi um ano importante para prepararmos as mudanças necessárias para Xapuri, e essas mudanças aconteceram mais rapidamente do que eu esperava, mas que não representaram a expectativa que a população tinha. Tivemos problemas com a saúde, onde tivemos que fazer um intenso trabalho preventivo e caminhamos muito na infraestrutura. Para 2010, a população pode esperar o mesmo empenho da nossa administração, mas com mais rapidez nas ações. Asfaltar a rua e melhorar a praça e fácil de fazer, e faremos; mudar consciência, criar emprego e formar capital humano é o mais difícil, e é isso que queremos fazer, e também faremos.

Xapuri Agora - Os cabelos estão ficando mais brancos…

Bira – É. E vão embranquecer mais. Administrar Xapuri não é fácil, mas é uma grande honra.

Xapuri Agora - A prefeitura vai antecipar o 13º dos funcionários?

Bira – Sim. Essa é a boa notícia que eu queria dar. Pagaremos o décimo-terceiro no dia 11 agora, e no dia 23 pagaremos o salário de dezembro, quando alguns jornais noticiam que os municípios não vão conseguir honrar esses compromissos. Faremos uma bela iluminação de Natal na cidade e a população xapuriense terá um final de ano melhor do que no ano passado, eu acredito.

Prévia da entrevista com o prefeito

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Estou editando mais de duas horas de conversa que tive nessa quinta-feira com o prefeito de Xapuri, Francisco Ubiracy Machado de Vasconcelos, o Bira, 45 anos e muitos cabelos brancos a mais que quando assumiu a cadeira de administrador de Xapuri em janeiro deste ano. Perto de completar o primeiro ano de mandato, Bira responde às críticas que tem recebido, fala sobre a polêmica da retirada do portal de entrada da cidade e afirma que a oposição não sabe bater em sua administração.

“Tem muita gente em Xapuri querendo se promover politicamente em razão das eleições do ano que vem, mas isso é um processo natural da política. Não tendo razão para bater na administração, tentam criar fatos políticos e procuram, inutilmente, bater na pessoa do Bira”, afirma se referindo aos comentários feitos pelo ex-candidato a prefeito pelo PSDB, segundo colocado nas eleições municipais passadas, Marcinho Miranda, virtual candidato a deputado estadual nas eleições 2010.

O prefeito fala também da impaciência da população e garante trabalha com o seu plano de governo debaixo do braço. Gostaria que sempre que as pessoas fossem fazer críticas à minha gestão, recorressem primeiro ao meu plano de governo para constatar que estamos rigorosamente em dia com quilo que prometemos em palanque. “Tenho quatro anos para governar e estou certo de que tudo aquilo que prometi em campanha e o que está no plano de governo será cumprido”.

Adianto que a maioria das perguntas que fiz ao prefeito foram inspiradas nos comentários postados aqui no blog no decorrer do ano, espaço que, ao contrário do que alguns afirmam, não tem rabo preso com ninguém e muito menos é assessoria de comunicação da prefeitura ou do governo do Estado, para quem trabalho. Tenho procurado abrir espaço para todos que têm o interesse de discutir com responsabilidade e seriedade os problemas de Xapuri.

A íntegra da entrevista com o prefeito Bira Vasconcelos será postada ainda hoje. Aguardem.

O todo e as partes

Rubens Menezes de Santana

Depois de um longo período de férias, eis que xapurionline está de volta, e por conta de uma questão ainda distante de findar e que envolve a empresa que nos prestava serviços de hospedagem, nosso domínio está modificado, não apresentando o BR final. Somos agora um domínio internacional.

Neste período de hibernação, tomei ciência, através do blog Xapuri Agora, de responsabilidade de nosso irmão Raimari Cardoso, que o estado de abandono administrativo iniciado há décadas, insistentemente permanece em nossa cidade.

Vi as labaredas da justa indignação, nos argumentos alinhavados por Éden Mota ao questionar a falta de investimentos em obras de pequeno porte nas ruas do entorno da casa de Chico Mendes – principal destino de nossos visitantes.

O problema ali, não é apenas estético; mas sim, ambiental: toda a área constitui-se em desaguadouro de praticamente toda a drenagem de Xapuri.

Entre as ruas Major Salinas e Dr. Batista de Morais, desde o Hospital Epaminondas Jácome, passa a rede de drenagem de uma área baixa e alagadiça.

A esta, se junta outra rede que passa por baixo da praça em frente à igreja.

E finalmente, toda baixada por trás da rua Pio Nazário é drenada na mesma direção das duas anteriores.

Na época em que foram construídas – administração de Júlio Figueiredo ou Édson Dantas – não havia a disponibilidade das manilhas de concreto armado. Toda obra foi feita utilizando-se apenas tijolos e argamassa. Pindoba ainda aí está prá confirmar. Se outra rede foi construída ou esta sofreu melhorias, não é de meu conhecimento.

Mas o que importa mesmo é o volume de água que é despejado sobre as margens nuas de um rio jovem como o Acre, que ainda nem mesmo definiu seu curso que vagueia sobre sedimentos pouco consolidados.

A junção das três redes de drenagem – que coletam também esgotos residenciais - é exatamente na área atrás da casa de Chico Mendes.
Há alguns anos, durante aula de campo com meus alunos de Hidrografia fomos abordados nesta área por Ildefonso Praxedes, o Gastura, que me perguntou sobre medidas a ser tomadas para minimizar os efeitos da erosão em seu terreno.

Mostrando a ele as dimensões dos ravinamentos e voçorocamentos causados pelo escoamento das águas, respondi-lhe:

- Que terreno?! Você já não possui mais nenhum terreno!

Com isto quero alertar que, se não houver uma intervenção imediata e eficaz, a erosão dissolverá toda a área final do sistema de drenagem. Ali, não cabem mais paliativos!

Também li a opinião de Mestre Baratinha sobre a ausência de protagonismo por parte da população xapuriense. Assino embaixo. Temos que tomar nosso destino nas próprias mãos, juntar com quem pensa parecido ou tem os mesmos objetivos, ideais, sofre com problemas semelhantes. Olhar mais para o que nos une e menos para o que nos separa. Perfeitamente alinhado com a visão de Mestre José Porfiro.

Vamos começar por resolver os problemas mais comuns e simples; depois os mais complexos. As nossas diferenças podem ser minimizadas, pelo menos por enquanto.

Um bom exemplo desta atitude proativa é a reedição do Resgate Cultural – O Baile que se realiza no próximo dia 05 de dezembro por iniciativa do bom xapuriense Magão e colaboração de muita gente boa que se importa com sua terra. É simples, basta querer fazer e tirar um pouquinho de seu precioso tempo. Vale o esforço!

Pode vir a ser um festival anual de música, e como sugere Mestre Porfiro, poderíamos cooptar outros músicos das cidades vizinhas, e em vez de uma noite, o evento poderia estender-se final de semana adentro e com vários estilos e gêneros musicais. Tem prá todo gosto!

Outro exemplo é o de Mariete Costa, que ano após ano, encarrega-se da ornamentação do andor de São Sebastião no dia de sua festa. Parece coisa à toa; mas não é. Precisa ter compromisso, gasta com transporte, com os enfeites. Mas é feito com tanta alegria e desprendimento, que me deixa encabulado: Porque não fui ajudar?

Professora Aurélia Castelo juntou seus esforços a Otávio e juntos reergueram a capela do Entroncamento, sem alardes, à surdina. São atitudes como estas que merecem nosso reconhecimento.

- Pode fazer? Então faça!

Os Filhos e Amigos de Xapuri, por enquanto é apenas uma abstração, uma idéia, um sonho. Só se materializará quando congregar o máximo de mentes e braços dispostos a mudar os destinos de nossos irmãos.

- Você é filho ou amigo? E tá esperando o quê?!

Finalmente, devemos ter sempre em mente, que o poder público terá sempre seus parceiros preferenciais, independentemente de matiz ideológica! Tem donos e obedecerá sempre a eles.

Portanto, a sociedade é que deverá organizar-se a fim de tornar visíveis seus anseios e problemas. Observemos o grupo da Sibéria que trabalha com sabão. Vamos beber da mesma água que Carmita. Esta pode ajudar, e muito!

O somatório de tudo isto será muito grande; mas ainda será menor e menos rico que suas partes componentes.

Rubens Menezes de Santana, o Rubinho, é xapuriense, professor e editor do site Xapuri Online.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Habeas corpus negado

Câmara criminal do TJ Acre nega habeas corpus para advogado preso em flagrante com menor

advogado

Roberto Vaz – Ac24horas.com

A câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre decidiu manter preso no Presídio Estadual Francisco de Oliveira Conde, o advogado João Figueiredo, que no dia 13 deste mês foi preso em flagrante com uma menor de 13 anos ao sair de um motel da cidade. Apesar de o relator desembargador Francisco Praça votar pela liberação de Figueiredo, para que ele cumpra em liberdade o andamento do processo, os desembargadores Arquilau de Castro Melo e Feliciano Vasconcelos foram contra o benefício.

O desembargador Francisco Praça argumentou que João Figueiredo é servidor público aposentado, com endereço fixo em Rio Branco e não oferece risco na apuração dos fatos. Já o desembargador Arquilau Melo justificou sua decisão contraria dizendo que "a liberação do advogado repercute negativamente perante a sociedade e abala a credibilidade da justiça". O desembargador Feliciano apenas acompanhou o voto pela manutenção da prisão.

O pedido de Habeas Corpus foi feito pelo advogado Silvano Santiago. A reunião da Câmara Criminal foi na manhã desta quinta-feira, 3.

Foto: Ecos da Notícia.

“A oposição não está morta”

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Fui parado na rua, nessa quarta-feira (2), pelo candidato a prefeito nas últimas eleições Marcinho Miranda (PSDB). O tucano xapuriense queria expressar seu inconformismo com a decisão do prefeito Bira Vasconcelos de demolir o portal da cidade (eita assunto que não se esgota), levada a cabo na noite da última segunda-feira, dia 30 de novembro por funcionários do Deracre.

Miranda afirma não compreender o porquê de o prefeito ter determinado a derrubada do portal sem fazer comunicado prévio à população e de ter escolhido o período da noite para executar o serviço. Para ele, a decisão tem caráter de perseguição política contra o ex-prefeito Vanderley Viana e finalidade de apagar os vestígios deixados pela administração anterior.

Ignorando os laudos apresentados por um engenheiro civil e confirmado pelos órgãos a quem a prefeitura recorreu para definir o destino do portal, Marcinho assegura que sua demolição não era necessária. “Nenhum dos argumentos apresentados até agora para se destruir um patrimônio público me convence”, afirmou ele.

O tucano relembrou ainda o desmonte do Centro de Cultura Caleb do Nascimento Mota, ocorrido no início da administração do atual prefeito, além da retirada de uma estátua de Cristo que, segundo ele, está jogado em um matagal nas imediações do prédio do Sesc, na estrada da Variante. “Só falta agora arrancarem o asfaltamento que foi feito no centro da cidade pelo ex-prefeito Vanderley Viana”.

Marcinho, que garantiu não ser candidato a cargo eletivo no ano que vem,  criticou também a postura da câmara de vereadores, que em vez de se posicionar sobre os fatos, teria gastado a sessão da última terça-feira para discutir aumento de salários, entre outros assuntos. De acordo com ele, “a população precisa de uma resposta para os fatos que estão acontecendo e que é preciso mostrar que a oposição não está morta em Xapuri”.

O prefeito Bira Vasconcelos terá a oportunidade de mais uma vez se pronunciar a respeito da eterna pendenga que envolve o portal de Xapuri, entre outras críticas que tem recebido inclusive de alguns partidários seus. Confirmarei logo mais uma entrevista pré-agendada pelo próprio prefeito para a tarde desta quinta-feira. O teor da conversa será publicado aqui no blog.

Imprensa economiza e ignora blogueiro

O Rio Branco reproduz texto e foto deste blog via O Alto Acre e nega os créditos ao blogueiro mesmo tendo o segundo citado o autor, apesar de ter omitido a fonte. A imprensa acreana tem grande interesse pelos acontecimentos da terra de Chico Mendes, mas não tem a hombridade de gastar uns trocados para manter um repórter na cidade. Tudo bem, o conteúdo dos blogs é livre, já disse alguém, mas citar autor e fonte deve ser obrigação de todo bom profissional.

Comentários

Comentário ipsis litteris do leitor que assina com o codinome “Amigo de Xapuri”:

“É por isso que Xapuri não vai pra frente, por causa dessa politicagem que existe aqui, pois fizeram de tudo pra derrubarem uma obra que custou dinheiro público pago com impostos do contribuinte e o pior de tudo que não foi só essa obra demolida, quem não se lembra no inicio dessa atual administração, destruiram outras obras também feita com dinheiro do contribuinte, enquanto estão se preocupando em destruir as obras realizadas pela administração anterior as ruas continuam esburacadas, ematadas e o lixo tomando de conta da cidade juntamente com cachorros e urubús, mas é isso mesmo está provado que Xapuri, tem muita é picuínha politica e nada de ação concreta e eficáz, e com isso quem perde é a população que fica a merçer desses péssimos administradores que por aqui já passaram e continua na atualidade é lamentavél, mas infelismente é a realidade em que vivemos”.

Comentário do advogado Édson Carneiro, que esteve em Xapuri recentemente:

“Quem defendeu a manutenção daquela "obra" (nos dois sentidos), deve ser inimigo de Xapuri. Está certo o Prefeito. Agora, quando o Wanderley foi fazer aquela construção, ninguém se revoltou, mais calados que toucinho em saco. Mas com o Bira que é pacificador, inclusive tratando bem o antigo administrador, coisa que vi pessoalmente, aparecem esses que se escondem em psedônimo e querem defender o indefensável. Bola prá frente Bira. O melhor está por vir e eu irei a Xapuri para ter prazer em ver a Princesinha, restaurada como a conheci na década de sessenta”.

Comentário meu: Não compreendo a razão de algumas pessoas se esconderem por trás de “singelos pseudônimos” para postar suas opiniões sobre os problemas da cidade. O argumento do “medo de represálias” e meio antiguinho e não se sustenta. Será que todo mundo vive sob os favores da administração? Outra coisa interessante é que a grande maioria das pessoas que vai até a prefeitura para conversar com o prefeito nos dias de quinta-feira, reservados às audiências com a população, faz isso para pedir ajuda pessoal – uma receita médica, uma passagem ou um emprego para si ou para parente e aderente. Desconheço que alguém tenha se dirigido ao gabinete para solicitar do prefeito uma ação de benefício coletivo, como melhoria das ruas e da coleta do lixo e destinação do lixo. Se alguém o fez, o blog está às ordens.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Orgulho de ser tricolor

André Durão /GLOBOESPORTE.COM

A festa foi da LDU. Novamente. Pelo segundo ano consecutivo, o time equatoriano comemorou um título sul-americano no Maracanã. Mas o Fluminense deixou o gramado de cabeça erguida, aplaudido pela torcida e aos gritos de "Time de guerreiros". O Tricolor lutou, correu e batalhou até o fim. E quase conseguiu o primeiro “milagre” neste fim de temporada. O segundo -  e mais importante - “milagre” a ser alcançado é a fuga do rebaixamento no campeonato brasileiro. No domingo o time enfrenta o Coritiba, no estádio Couto Pereira, em Curitiba. Mais mais uma vez é vencer ou vencer. Veja a cobertura da grande decisão no portal globoesporte.com. Valeu, Flu.

Bia e Dani

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Bia é filha do escrivão de justiça Ney Cordeiro Figueiredo; Dani é cria do policial militar B. Matos. Duas graças para animar a tarde do blog.

Decreto sobre referendo é publicado no DOU

Foi publicado ontem no Diário Oficial da União o decreto que dispõe sobre a realização de referendo para decidir sobre o fuso horário no Acre modificado em junho do ano passado. Na consulta, os eleitores responderão “sim” ou “não” à pergunta:  Você é a favor da recente alteração do horário legal promovida no seu Estado?

Os acreanos darão essa resposta junto com o voto nas eleições para presidente, senador, governador e deputados federais e estaduais. O horário no Acre foi modificado em junho do ano passado, assim como em parte do estado do Amazonas. O tema é motivo de polêmica desde então e agora o povo decidirá  - como deveria ter ocorrido – o que realmente quer para si.

Eis a íntegra do Decreto Legislativo:

Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Marconi Perillo, Primeiro Vice-Presidente do Senado Federal, no exercício da Presidência, nos termos do parágrafo único do art. 52 do
Regimento Comum e do inciso XXVIII do art. 48 do Regimento Interno do Senado Federal, promulgo o seguinte

DECRETO LEGISLATIVO No – 900, DE 2009
Dispõe sobre a realização de referendo para decidir sobre a

Art. 1º É convocado, com fundamento no inciso XV do art. 49 combinado com o parágrafo único do art. 1º e com o inciso II do art. 14 da Constituição Federal, referendo a ser realizado no Estado do Acre, que teve a hora legal alterada pela Lei nº 11.662, de 24 de abril de 2008, pelo Tribunal Regional Eleitoral, nos termos da Lei nº 9.709, de 18 de novembro de 1998, para consultar o eleitorado do Estado sobre a conveniência e a oportunidade da referida alteração.

Art. 2º O referendo de que trata o art. 1º realizar-se-á concomitantemente com a primeira eleição subsequente à promulgação deste Decreto Legislativo.

Parágrafo único. O eleitorado será chamado a responder “Sim” ou “Não” à seguinte questão: “Você é a favor da recente alteração do horário legal promovida no seu Estado?”.

Art. 3º Campanha institucional da Justiça Eleitoral, veiculada nos meios de comunicação de massa, poderá esclarecer a população a respeito da questão formulada no parágrafo único do art. 2º, com espaço idêntico para manifestações favoráveis e contrárias.

Art. 4º O referendo será considerado aprovado ou rejeitado por maioria simples, de acordo com o resultado enviado pelo Tribunal Regional Eleitoral ao Tribunal Superior Eleitoral e por este homologado.

Art. 5º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Senado Federal, em 1º de dezembro de 2009.
Senador MARCONI PERILLO
Primeiro Vice-Presidente do Senado

Enquanto houver vida…

distintivo

Do Blog do Flu, escrito pelo tricolor João Marcelo Garcez. Clique no link para ler Obstinados heróis da resistência.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Demolido o polêmico portal de Xapuri

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O monte de entulhos acima é o que restou do portal Augusto Castelo Branco de Figueiredo, responsável pela celeuma mais inútil de que já se teve notícia na terra da caxinguba. Na noite de segunda-feira (30), máquinas do Deracre levaram ao chão a obra do ex-prefeito Vanderley Viana que suscitou um acalorado debate envolvendo questões técnicas, políticas, familiares e até religiosas.

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Funcionários do Departamento de Estradas de Rodagens do Acre trabalharam durante toda a noite e pela manhã o lugar onde foi levantado o portal já dava espaço a um jardim gramado onde foram plantadas dezenas de agavias. De acordo com Manoel Ângelo, do Deracre, encarregado da demolição, o trabalho foi realizada à noite por ser menor o tráfego de veículos e de pedestres, procurando com isso que fosse causado o mínimo de transtorno para a população.



Clique na imagem para ler a Nota de Esclarecimento da prefeitura.

Na manhã desta terça-feira, o prefeito Bira Vasconcelos divulgou nota de esclarecimento sobre a retirada do pórtico. De acordo com a nota, todos os cuidados necessários para que o patrimônio público não fosse lesado foram tomados e a decisão pela demolição se deu após um longo processo em que foram consultados um engenheiro civil – Tadeu Ferreira Castelo –, o Detran-Acre e o DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte –, a partir de quando a edificação foi atingida por um conteiner transportado por uma carreta e passou a apresentar risco de desabamento.

Segundo os laudos, o portal poderia ser recuperado com o reforço estrutural das pilastras e a demolição e reconstrução de toda a parte superior do monumento. A nota não é direta nesse ponto, mas fica claro que a “localização tecnicamente incorreta da obra” – o portal estava localizado em uma curva da estrada da Borracha - foi determinante para se decidir a sua demolição.

Ainda na nota de esclarecimento, o prefeito se compromete a construir um monumento alusivo a Xapuri na entrada da cidade em substituição ao portal, em local adequado, técnica e economicamente viável, preservando a homenagem a Augusto Castelo Branco de Figueiredo, por considerá-la justa, e corrigindo a falha de a homenagem não ter sido devidamente apreciada pela câmara de vereadores.

JCC

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Acompanhei no final de semana passado a ida a campo do JCC – Jovens Construindo a Cidadania. O projeto, segundo o capitão Denílson Lopes, comandante da Cia. Ambiental de Xapuri, nasceu nos EUA e em Xapuri está unindo a Polícia Militar, escolas e a juventude com a finalidade de promover a cidadania, através de atividades educacionais, de cultura e lazer relacionadas à prevenção criminal juvenil, às drogas e à violência.

A atuação do JCC ocorre na escola e na comunidade e busca orientar e conscientizar a população através de trabalhos e atividades diversas, abrangendo a área criminal e sua respectiva prevenção, no ambiente escolar e na comunidade. Na última sexta-feira, os alunos do JCC da Escola Anthero Soares Bezerra realizaram palestras sobre o perigo das drogas para moradores do bairro Laranjal, um dos mais atingidos pelo tráfico de drogas em Xapuri.

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Entusiasmado com o projeto, o capitão Denílson Lopes (foto) afirma que as pessoas se sensibilizam mais facilmente quando ouvem de uma criança ou adolescente informações sobre problemas como drogas e violência. “ Eles que são as maiores vítimas das drogas, surpreendem a comunidade quando assumem o papel de educar e orientar as pessoas sobre um problema que afeta toda a sociedade”, diz o comandante, que esteve presente em toda a atividade no realizada no bairro do Laranjal.

Alguns dos principais objetivos da Orgnização JCC no Brasil:

  • Promover ações e colaborar para a criação de um ambiente escolar e comunitário mais saudável e harmônico, livre de drogas, crimes e violência, valorizando o exercício da plena cidadania;

  • Desencadear um movimento de liderança juvenil, aproveitando a capacidade de criação e o protagonismo juvenil, na organização de eventos e disseminação de boas ações comportamentais no ambiente escolar e na comunidade, em prol de todos os cidadãos.

  • Leia mais em JCC Brasil.

    Chegou a Anna Lya

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    Fui presenteado, nesse último dia de novembro, pela filha mais velha, Alanna Cristina, 19, com a primeira neta. Anna Lya chegou por volta das 16 horas, no hospital Epaminondas Jácome, pelas mãos do médico Mário Peres Romero, que foi assistenciado pelo Dr. Marcos Henrique.

    Linda e saudável, Lya vem para colocar mais um tanto de alegria na vida deste blogueiro coruja. Que a sua chegada traga luz para o caminho e seja renovação das esperanças por um mundo melhor.

    Uma curiosidade: Dr. Mário bebe Coca-cola ao fim das cirurgias bem sucedidas. Que o ritual se mantenha por muitos anos.