terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Recorde de acessos

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Esse modesto blog xapuriense atingiu a marca de 4.117 visitas únicas no fim da noite dessa segunda-feira (21), batendo o seu recorde pessoal que não era superior a 1.000 acessos diários.

Entre as razões para a explosão de visualizações estão as tragédias ocorridas em Xapuri durante o último fim de semana e o fato de o maior blogueiro do Acre, Altino Machado, ter linkado o Xapuri Agora por diversas vezes nos últimos dias, inclusive no Blog da Amazônia, que ele assina na revista eletrônica Terra Magazine.

O compartilhamento das postagens através do Facebook também têm contribuído para o crescimento dos acessos ao blog, ampliando, evidentemente, a responsabilidade do blogueiro. A rede social tem, inclusive, proporcionado que os leitores de Xapuri e de outros lugares participem mais das discussões e comentem com mais frequência os assuntos que entram na pauta da página que é voltada para o público local, mas aberta para o mundo.

Acessos ou visitas únicas significam que o endereço de IP (Internet Protocol) de um computador só é registrado uma única vez pelo contador do Sitemeter, mesmo que essa mesma máquina acesse uma determinada página da internet diversas vezes num período de 24 horas. Na manhã desta terça-feira (22), o tráfego do blog ainda continua bem acima da média. Até o horário das 9:45, a página já havia recebido 400 visitas.

Resta agradecer aos que, assídua ou eventualmente, visitam o blog em busca de informações confiáveis sobre Xapuri. Nesse quesito, a página, sem falsa modéstia, tornou-se referência no estado, pautando, em determinadas ocasiões, boa parte da imprensa acreana. O blog não me dá retorno financeiro, mas apenas o prazer de fazer dessa ferramenta digital um veículo de informação e debate democráticos, além de me render processos na justiça, é claro.

Clique aqui para acompanhar as estatísticas do blog.

Dos “empates” à “pecuarização”?

Dissertação de mestrado sobre a Resex Chico Mendes

Márcia Pereira 

Mensagem enviada via Facebook pela professora Márcia Pereira, colega deste blogueiro desde os velhos e bons tempos de “Jardim da Infância”:

“Oi, amigo! Passando para te convidar para a defesa da minha dissertação intitulada Reserva Extrativista Chico Mendes: dos “empates” à “pecuarização”?, que acontecerá no dia 25 de janeiro do corrente ano, no auditório do bloco de Mestrado – UFAC.

Ainda que sem saber (risos), você colaborou grandemente com o meu texto, através do seu blog, de onde extraí informações, com os devidos créditos.

Abraços da amiga de infância e xapuriense com orgulho”.

Comentário meu: Simplesmente honrado em poder contribuir através do conteúdo deste blog com uma dissertação de mestrado. Feliz por ver colegas prosseguindo na busca pelo conhecimento e pela qualificação, talvez os únicos meios através dos quais se possa, efetivamente, lutar pelas mudanças que não cansamos de buscar. Parabéns e gracias pelo convite.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Darly, Raimari e eu

“Cumpliciando”

Altino Machado

Pensei que levaria um tiro e morreria. Era dezembro de 2008, 20 anos após o assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes.

Havia inventado naquele mês de entrevistar o fazendeiro Darly Alves da Silva, que fora condenado como mandante do crime.

Pensei bastante sobre quem poderia mediar meu encontro com o fazendeiro. Lembrei do repórter Raimari Cardoso, da Rádio Educadora de Xapuri. Deu certo e o fazendeiro aceitou nos receber.

Chovia muito quando chegamos à sede da fazenda Paraná, na BR-317. Autorizaram a nossa entrada. Ficamos esperando até que apareceu distante, no pasto, Darly Alves da Silva debaixo de um guarda-chuva preto, de boné e camisa azul.

Eu estava com uma jaqueta e dentro do bolso esquerdo carregava um gravador. Logo que a conversa começou enfiei sorrateiramente a mão no bolso para acionar o gravador. Em vez de apertar a tecla "rec", apertei na tecla "play".

O gravador começou a reproduzir outra entrevista, o fazendeiro olhou irado, levantou-se e falou para o Raimari Cardoso:

- Eu venho aqui lhe atender e você traz um comparsa. Você tá "cumpliciando?"

O tempo ficou ainda mais nublado. Inventei uma desculpa qualquer para minha falha. Argumentei que era melhor que aceitasse que a entrevista fosse gravada para evitar interpretação incorreta do que tinha a dizer sobre o crime.

Falei que deixaria com Raimari Cardoso uma cópia do áudio da entrevista, para que pudesse conferir se havia sido ou não reproduzida com fidelidade.

O fazendeiro aceitou e eu me senti aliviado. "Chico Mendes foi um mártir e eu também", disse Darly. Para quem não leu, vale a pena conferir a entrevista. Clique aqui.

Nota minha: Na tensão desse dia, eu, Altino e Eden, irmão do jornalista, comemos quase um queijo coalho inteiro servido por Guinaldo, o filho mais novo de Darly com dona Natalina. De tão gostosos, levamos para casa, eu e Altino, dois queijos cada um. Ao ser deixado de volta em Xapuri, esqueci os meus no carro e Machado os levou para Rio Branco tendo feito, obviamente, bom proveito do laticínio. Contei a história a Guinaldo, dias depois, e fui presenteado com outra peça. Comentei sobre a qualidade do produto aqui no blog e o fazendeiro voltou para reclamar, com bom humor, da propaganda que fiz: “Agora não estou mais dando conta dos pedidos”.

O assassinato do anjo Maiquele

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Jorge Viana, via Facebook.

É com pesar e com muito sentimento que eu faço essa postagem. Pensei em não fazer. Mas diante de uma barbaridade como essa, o pior é calar. A pequena Maiquele Nonato de Oliveira, de quatro anos de idade, foi brutalmente judiada e assassinada na véspera do Dia de São Sebastião, em Xapuri. Como pai e como cidadão, fiquei estarrecido com essa tragédia. Não é possível que o mundo ainda tenha que conviver com isso. Uma criança de quatro anos, brincando na rua com seus colegas, é pega por um marginal, que mexe com drogas e brutalmente assassinada com muita perversidade. O marginal está preso, a população está revoltada. Todos nós estamos chocados! Mas eu me pergunto: o que fazer diante disso meu Deus?!

Eu estive em Xapuri ontem para o Dia de São Sebastião. Fui à missa e à procissão. Logo depois, fui ao velório da criança. Falei com a mãe dela, a dona Marinalva, com alguns parentes e com as pessoas que estavam naquele velório, que talvez tenha sido o mais simples que eu participei na vida, mas, sem dúvida, o mais chocante.

Neste ano o Senado, através de uma comissão da qual eu faço parte, vai discutir o novo Código Penal. O Brasil é tido como o país da pena mínima. Esse marginal, que com frieza fez essa barbaridade, já tinha estuprado uma criança em Brasiléia e duas em Xapuri. Já havia ficado preso durante três anos. Mas, como a própria mãe da criança contou para mim, praticou esse crime com frieza e sadismo. Que pena uma pessoa dessas deve ter? A mãe da criança me disse que passou na frente da casa aonde a filha foi morta. Ele estava do lado de fora e a criança morta do lado de dentro. Ela perguntou para ele sobre a criança e ele mentiu. Disse que a menina tinha passado correndo na rua acompanhada de outras duas crianças. Ele era conhecido do pai da vítima e, segundo a mãe, era envolvido com drogas. Ele falou para a mãe não chegar muito perto da casa porque o cachorro mordia. Ela se viu desesperada atrás da filha. Depois, junto a amigos e parentes que já desconfiavam que ele poderia ter sido o responsável, ela voltou até a casa e ele já não estava mais lá. Só estava a criança já vitimada.

As autoridades policiais prenderam o marginal imediatamente. Mas eu me pergunto: e agora? O que fazer? Sinceramente, eu não sei para onde vai uma sociedade embrutecida como a nossa! Vou relatar esse caso na tribuna do Senado no próximo mês, quando os trabalhos recomeçarem. Vou debater isso no Novo Código Penal. E espero que o Brasil possa modificar a sua lei penal e encontrar um jeito de tratar com toda a dureza possível pessoas que ameaçam a sociedade e que cometem atos como esse.

Fica aqui minha solidariedade à família e ao povo de Xapuri! Por fim, não resta outra coisa, a não ser pedirmos desculpas para nós mesmos por fazermos parte de uma sociedade assim, que tira a vida de um anjo como a Maiquele.

Que Deus possa acolhê-la!

Jorge Viana é senador e ex-governador do Acre.

Sempre, Sebastião!

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Em que pesem as tragédias que assolaram o município nesse fim de semana, Xapuri realizou mais uma grandiosa procissão de São Sebastião. É evidente que o bárbaro crime cometido contra uma criança de 4 anos de idade, ocorrido na véspera, mexeu com o espírito da festa e tocou profundamente o coração da população da antes pequena e pacata “princesa do Acre”, mas a força que o santo padroeiro exerce sobre seus devotos fez com que o brilho da maior manifestação religiosa do Acre se mantivesse vivo e pujante.

A despeito da crise, do baixo preço da castanha e da borracha, produtos extrativistas que sempre foram o oxigênio da movimentação de pessoas e de dinheiro durante o período festivo, novamente milhares de pessoas tomaram as ruas de Xapuri promovendo um espetáculo ímpar de fé e devoção no santo padroeiro da cidade. Independentemente do credo, é impossível que cada um dos xapurienses não seja tocado de alguma maneira pela manifestação religiosa que, antes de tudo, é um patrimônio da história do município.

Neste ano, a paróquia de São Sebastião fez algumas mudanças na rotina das últimas festas. A primeira foi quanto ao horário da missa, que sempre antecede a grande procissão pelas principais ruas da cidade. Em razão do forte calor e do sol intenso, o início da celebração, que tradicionalmente ocorre às 15 horas, foi adiantado em uma hora, começando pontualmente às 16 horas. A procissão saiu da igreja matriz às 17 e 27 minutos e contou com a colaboração de São Pedro, uma vez que não choveu no domingo.

A outra mudança foi relacionada à condução da imagem de São Sebastião, que depois de um século de sua chegada a Xapuri, começa a apresentar fragilidade na sua estrutura. Como medida de segurança, o andor do santo padroeiro fez, talvez pela primeira vez na história da procissão, o percurso sobre um carro em vez de ser carregado pelos fiéis como tem sido a tradição de 111 anos da celebração. Nada, porém, que interferisse na alegria e na disposição que os romeiros fizeram os cerca de 7 quilômetros do percurso da caminhada.

A festa foi encerrada com aplausos e gritos de “Viva, São Sebastião” em frente à igreja do santo, no centro de Xapuri, terra que tem a sua história construída paralelamente à história de uma celebração religiosa. Na despedida aos romeiros e visitantes, o padre Francisco das chagas, pároco de Xapuri, dedicou a festa deste ano à garota Maiquele Nonato de Oliveira, que na noite do sábado foi vítima de um crime hediondo que comoveu a cidade. “Sempre, Sebastião”, gritou alguém próximo ao carro de som.

Amém! E que ele dê à cidade a capacidade de superar suas dores e se reinventar. 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Marreteiro é assassinado em Xapuri

Vinte e quatro horas depois de registrar o estupro seguido de morte da garota Maiquele Nonato de Oliveira, de 4 anos, a cidade de Xapuri volta a se abalada pela violência

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O casal de comerciantes Antônio Alves Teixeira, o “Ceará”, 48, e Eva Maria Nogueira, 33, foi baleado, por volta das 9 horas da noite deste domingo (20), por um homem que tinha o rosto encoberto por um pano e usava uma espécie de peruca, dessas que são muito comuns na época do carnaval. Marido e mulher foram atingidos pelo menos por dois tiros cada um.

Com uma perfuração localizada logo abaixo do peito esquerdo, Antônio Teixeira morreu a caminho do hospital Epaminondas Jácome. Eva Maria foi alvejada no braço esquerdo e na junção do fêmur com a bacia, onde uma das balas ficou alojada. A mulher foi imediatamente transferida para Rio Branco por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

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Testemunhas do crime contaram que o assassino começou a atirar no casal no interior da barraca (foto) localizada na esquina das ruas 24 de janeiro e Floriano Peixoto. Antônio correu para fora, mas foi alcançado pelo atirador e executado a cerca de 5 metros do local com tiros à queima roupa. Havia, no momento do crime, uma razoável movimentação de pessoas naquela área da cidade, mas nenhum policiamento.

Segundo as mesmas fontes, após efetuar os disparos o criminoso subiu a pé pela rua Floriano Peixoto até as proximidades do Fórum da cidade, onde um homem o esperava em uma motocicleta. As barreiras policiais na BR-317 foram comunicadas do ocorrido, mas até 1 hora da madrugada desta segunda-feira (21), não havia pistas do homicida.

A polícia recebeu informações sobre uma intensa discussão que Ceará teve  com um funcionário de sua barraca, na última sexta-feira (18). Demitido, o empregado teria prometido se vingar do comerciante, que veio de Rio Branco com sua mulher e uma filha para trabalhar durante a festa de São Sebastião, que se encerrou neste domingo.

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Acima, dois dos projéteis que foram disparados contra o casal. Uma das balas está intacta, depois de haver transfixado o corpo do comerciante. A outra, na parte superior da imagem, está completamente esmagada, provavelmente depois de ter colidido contra o asfalto. Sem dúvidas, um fim de semana negro numa data que deveria ser apenas de festa em Xapuri.

A cena da barbárie

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Foi neste cubículo que a garota Maiquele Nonato de Oliveira, de apenas 4 anos, foi barbarizada pelo dependente químico Jaisson Moreira de Moura, o Pitbull, 27. A menina foi atraída com doces e atacada de maneira selvagem a cerca de 30 metros de sua casa.

Na rua onde está localizada a casa da família da vítima, em um dos locais mais pobres de Xapuri, um aglomerado de pequenas casa de madeira que recebeu o nome de conjunto Armando Nogueira, o clima é de desolação. A maioria das residências estava fechada nessa manhã.

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A casa onde o crime ocorreu (acima) estava sendo utilizada por empréstimo por uma irmã do acusado. Na manhã deste domingo (20), ela fazia a mudança depois de ter tomado conhecimento de que o pai da garota morta pretendia atear fogo à residência. Uma guarnição da Polícia Militar fazia a segurança do local.

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Ao lado de uma geladeira, alguns panos e um travesseiro com o qual, provavelmente, a menina foi morta depois de ser violentamente estuprada. A cena do crime era fortíssima e abalou os policiais militares que encontraram o corpo. Um deles relatou um sentimento muito forte de revolta, indignação e impotência diante da situação em que a criança foi encontrada.

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No chão, as marcas de sangue e de fezes resultantes da dilaceração do pequeno corpo da menina. Minha intenção não é de chocar as pessoas, muito menos de sensacionalizar o fato, mas confesso que desejo reforçar o asco e a indignação que a atitude desse maníaco causa na população. É necessário se chamar a atenção também para o abandono e a negligência a que muitos pais submetem seus filhos inocentes. 

O pai da vítima, Antônio Nonato de Oliveira, segundo pessoas conhecidas da família, também é usuário de drogas, apesar de apresentar, de acordo com os mesmos relatos, comportamento pacífico e de não estar envolvido com outros tipos de crimes. Do vício teria nascido a relação entre ele e o assassino de sua filha.

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A mãe, Marinalva da Silva de Oliveira, 42, mesmo sabendo que Pitbull já havia feito vítimas, tolerava a presença do estuprador nas imediações de sua casa e chegou a preparar um caldinho de tambaqui para que o assassino, que bebia ali por perto, “tirasse o gosto” pouco tempo antes de atrair a garota para a armadilha fatal. Acima, a casa que foi o último lar da pequena Maiquele.

Que Deus a tenha.

Restauração

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Lembram-se das imagens que ocupavam o alto do portal de entrada da cidade construído pelo ex-prefeito Wanderley Viana e demolido no de 2009?

A imagem de São Cristovão, protetor dos motoristas, não resistiu ao impacto de uma carreta que transportava os equipamentos da antiga usina da empresa Guascor e se partiu em vários pedaços não sendo possível recuperá-la.

A de São Sebastião, padroeiro da cidade, foi retirada antes da demolição e doada pela prefeitura à paróquia de Xapuri. Restaurada, a imagem foi pitada pelo bispo Dom Joaquim e colocada al lado do cruzeiro, onde os romeiros fazem suas preces na parte exterior da igreja.

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Acima, o estado em que a imagem se encontrava quando foi recebida pelo padre Francisco das Chagas, pároco de Xapuri. Totalmente reformada, se tornou um dos pontos preferidos para os romeiros e turistas acenderem velas, pagarem promessas e fazerem as já famosas fotografias de recordação da festa ao lado do santo tendo a igreja matriz como pano de fundo.

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Devota acende velas aos pés da imagem de São Sebastião.

“Ele nos ajuda”

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Valdir Francisco Chagas dos Santos, 62, foi embora de Xapuri há 40 anos, mas em todos os dias 20 de janeiro que se passaram deste então, ele esteve na cidade para participar agradecer e participar da procissão do santo padroeiro. “Venho todos os anos e trago toda a família. Ele intercede junto a Deus e nos ajuda na caminhada”.

Romeiros

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Eles começaram a chegar cedo na igreja de São Sebastião. Vêm de vários lugares do Acre e de outros estados do Brasil. Mantêm com o santo padroeiro de Xapuri uma relação íntima e forte, de fé e devoção. São pessoas comuns, donas de casa, comerciantes, advogados, funcionários públicos. Vêm agradecer ao mártir pelas graças alcançadas e reafirmar a confiança no soldado romano que entregou sua vida defendendo o Cristianismo.

A imagem acima se repete durante todo o dia até a celebração da Santa Missa às 15 horas, na igreja matriz de São Sebastião, localizada no centro de Xapuri. Em seguida a procissão percorrerá as principais ruas da cidade, como ocorre há 111 anos. O dia 20 de janeiro de 2013, amanheceu cinzento, com nuvens negras no céu. A chuva é um fenômeno que também possui uma relação muito próxima com o santo protetor contra as guerras e pestes.

Revoltante

Garota de 4 anos é estuprada e morta em Xapuri. Dependente químico com histórico de crimes sexuais confessou a policiais militares ter seviciado e matado a criança.

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Um crime bárbaro e revoltante abala a pequena Xapuri em plena véspera da festa do padroeiro da cidade, São Sebastião. A garota Maiquele Nonato de Oliveira, de apenas 4 anos de idade, foi encontrada morta, no início da noite deste sábado (19), em um quarto de um barraco localizado nas proximidades de sua casa, no conjunto habitacional Armando Nogueira, bairro Constantino Melo Sarkis, com fortes sinais de ter sido brutalmente estuprada.

O acusado é o dependente químico Jaisson Moreira de Moura, o “Pitbull”, 27 anos, que foi preso minutos após a descoberta do corpo da criança. O elemento, que já tem histórico de tentativas de estupro, era amigo do pai da vítima e passou todo o dia de sábado bebendo nas redondezas da residência de Maiquele. Ao ser capturado, Pitbull confessou a policiais militares que matou a garota e afirmou cinicamente que foi a criança quem o chamou para o quarto.

A mãe de Maiquele, Marinalva da Silva de Oliveira, 42, conta que a menina brincava com colegas na rua de sua casa quando desapareceu. Outras crianças relataram que ela seguiu o acusado quando este passou pelo local onde elas brincavam. Durante as buscas, o pai da garota, Antônio Nonato de Oliveira, chegou até a porta do barraco em que a filha foi estuprada e assassinada, quando encontrou Pitbull saindo do local. Perguntado se a havia visto, o criminoso respondeu calmamente que não e tomou rumo ignorado.

No interior da pequena casa, a menina já estava morta em cima de uma cama com um travesseiro sobre o rosto. O corpo foi encontrado por policiais militares que foram acionados cerca de 1 hora depois do desaparecimento. Maiquele estava deitada de barriga para cima, com a calcinha abaixada até os pés e com a vagina dilatada e ensanguentada. De acordo com um dos policiais, ela foi agredida de maneira tão violenta que defecou no lençol que forrava a cama.

O casal Antônio e Marinalva tem mais quatro filhos, todos pequenos. A mulher conta que Jaisson, apesar de ser conhecido de seu marido, nunca entrou em sua casa; mas horas antes do crime, foi até sua porta e pediu que ela fizesse um caldo de tambaqui para que ele “tirasse o gosto”. Marinalva o atendeu e preparou a refeição para o homem que instantes depois tiraria a vida de sua filha de uma maneira extremamente covarde.

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Marinalva afirmou também que tinha conhecimento de que Pitbull já havia estuprado uma garota em um beco. Mesmo assim tolerava a presença dele nas proximidades de sua casa e apenas se atentou para a possibilidade de sua filha ser atacada por ele quando a garota desapareceu. “Quando ela sumiu imaginei logo que ele pudesse ter feito alguma coisa com ela, mas nunca pensei que tivesse coragem de matar minha filha”, afirmou.

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Jaisson Moreira de Moura, o “Pitbull”, é conhecido na cidade como um maníaco sexual perigoso. Comenta-se sobre ele que estuprou uma mulher há cerca de 7 anos no município de Epitaciolândia. Mais recentemente, em Xapuri, foi acusado de atacar uma criança em um beco. No ano passado, Pitbull foi flagrado em atitude suspeita com duas sobrinhas na residência de uma irmã de criação.

O delegado de polícia de Xapuri, Antônio Carlos Marques Mello, que está na cidade há pouco tempo, disse desconhecer se o indivíduo foi denunciado por esses supostos crimes, mas prometeu se inteirar da situação dele na manhã deste domingo (20), quando também ouvirá, além  do acusado, os pais e as demais testemunhas desse crime hediondo.

O corpo da garota Maiquele, que completaria 5 anos no próximo dia 22 de abril, foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Rio Branco ainda na noite do sábado. Apesar de todas as evidências do crime sexual seguido de morte, o estupro deverá ser confirmado através dos exames cadavéricos. As roupas que o acusado trajava no momento da prisão também foram encaminhadas para perícia.

Os cariocas querem mais royalties

JOSÉ CLÁUDIO MOTA PORFIRO*

Mesmo em fase de queda livre, parte considerável da elite carioca continua com este ar senhorial, pretensioso, acima de esnobe. Ainda que despenquem vertiginosamente, que devam o fundo das calças rotas compradas no cartão de crédito já em fase de penhora, não conseguem perder o nariz empinado, a feição enojada e metida a aristocrática herdada dos tempos da Princesa.

E eu, cá dos altos da Rua Prado Júnior, em férias, fico a rememorar o fator histórico que deu origem ao estado de coisas atual. Em termos territoriais, é certo, a triste e linda zona sul não chega a ser sequer quinze por cento do Grande Rio. Aqui tudo é muito bonito, realmente. A polícia está vigilante e em cada esquina há um ou dois guardas zelando pelo sossego dos endinheirados, ou pela sede de consumo dos turistas que agora estão de volta e aumentam em número a cada ano, pelo menos até a copa do mundo de futebol.

Bom mesmo é que os cariocas descobriram agorinha mesmo que as suas indústrias foram para Sampa e Belô. Eles só dispõem hoje, enquanto fonte de renda, do turismo e das tetas da Petrobrás que já estão sendo divididas com as outras crias.

Todavia, o populacho, dependurado nos seus barracos infectos, nos altos dos morros, vive ao deus dará, desde o tempo em que a Isabel o tornou livre e os enxotou no rumo de arrabaldes e periferias tão miseráveis quanto as vilas da Etiópia ou do Sudão, da Guatemala ou do Haiti... E lá se vão cento e vinte e quatro voltas ao redor do sol de quarenta graus que deixa o ambiente ainda mais doentio. Quiospariu!

Todo esse cenário bizarro só é novidade para as lideranças deste Estado lastimável de coisas, chamado Rio de Janeiro. Hoje, os descendentes dos negros africanos aqui desembarcados alhures se fazem acompanhar de nordestinos paupérrimos e brancos pobres vindos dos mais equidistantes rincões do Brasil. Todos, juntos, mas desunidos, compõem a teia social mais repudiada de que já se teve notícia por estes rincões do sudeste brasileiro.

E tudo isso nem chega a ser chocante. A miséria dos barracos nada significa para osbacanas da zona sul que não os denomina cariocas, mas os têm enquanto aquela plebe ignara e rude que habita a periferia e só aparece quando mais uma catástrofe desafia o poder de justificativas chulas vindas do governo do Estado.

Pior é que ando por aqui desde os anos oitenta e observo que a cada ano acontece a mesma calamidade ocorrida há doze meses, no ano passado. Quando não é um pedaço de morro que desaba, é uma cidade que se alaga, ou vice versa, ou as duas coisas juntas. Isso, sem falar no absurdo das balas perdidas que, no mais das vezes, procuram as cabeças das crianças, como se elas tivessem algum tipo de culpa além da falta de sorte que é terem nascido pobres.

O governador, como bom carioca, é um especialista em desculpas esfarrapadas. Conversador versátil e desenrolado, ele justifica tudo, a cada flagelo. É este o mesmo que há dois anos disse que faria e aconteceria quando do desastre na região serrana. E nada foi feito até os dias de hoje. Quando um mero sereno de verão ameaça a serra, é um Deus nos acuda. Bem as torneiras secam em Pedra de Guaratiba, a chuva inunda Xerém. E salve-se quem puder, exatamente porque as encostas não foram escoradas por concreto armado, as casas não foram reconstruídas, ainda há muito entulho e, o que é pior demais, na semana passada, na hora da onça beber água, quando as nuvens se derreteram e o pau d’água despencou, nenhuma das benditas sirenes houve por bem tocar porque um bêbado, um doido e um botão não fizeram a sua parte. Pô! Logo elas que, segundo o governador, salvariam a humanidade do apocalipse. Enfim, o que houve é que apenas o populacho ficou encharcado até a alma esperando pela benemerência do nosso descobridor em tempos de relativa democracia muito à brasileira.

- Cabral! Você prefere pão ou quer mais circo? Já não basta? - Foi este o brado de Ibrahim Sued que, do inferno, ainda se arvora a porta voz da nossa burguesia de cambalacho.

Aí, inventaram o tal kit calamidade.

- Que porra de geringonça é essa? - Perguntaria o nordestino-carioca favelado. (Mil desculpas! A denominação politicamente correta agora não é favela, mas comunidade, como quer o descobridor.)

Mas tentemos explicar mal explicado mesmo. O kit calamidade é uma espécie de pacote contendo boias para quem já sabe nadar, esparadrapo para quem não é enfermeiro, máscaras de gás sem gás, vassouras, rodos, dentre outros congêneres a serem muito mal aplicados ou usados quando da hora necessária; e está preparado desde junho, quando um incêndio varreu as encostas do Morro do Tuiuti. Repare!

Isso não é coisa de Deus, não, minhas senhoras. Observem como tudo se assemelha àindústria da seca no nordeste. Aqui e lá os improvisos são sempre péssimos. As justificativas são pusilânimes e safadas. A cada seca ou a cada calamidade votos se somam de forma a sempre eleger uma casta de políticos que tira proveitos da miséria dos mais fragilizados.

Pior é observar essa porra de afinidade do suburbano com o lixo. É estranho demais. Tudo o que não presta é colocado pela população em qualquer lugar e os governantes não dão um destino inteligente também porque parece gostarem de ver aquela porcaria toda.

É verdade! Joãozinho Trinta estava doido quando falou que pobre gosta de esplendor e quem gosta de lixo é intelectual. É até masoquismo e gozação qualquer um dizer gostar do luxo das novelas e dos desfiles carnavalescos através de um televisor de poucas polegadas colocado dentro de um barraco com janelas de lona e paredes de papelão. É pura sacanagem... E o lixo não é criação de repórter, é real.

Vejamos porque acontecem os alagamentos. É porque o lixo não é recolhido, mas depositado nas esquinas aguardando que alguém não faça o que deve ser feito.

Visitemos a periferia, meus amigos de cá. É uma grande imundície, apesar de muitos dizerem que não.

Ano passado, então, fui de Cabo Frio até Macaé, num ônibus roto. Passei por Búzios e Rio das Ostras e observei que a estrada é uma grande porcaria. A nossa - a de Xapuri - é de primeira categoria apesar de ainda não contarmos com os dividendos da exploração do petróleo.

Onde foram parar os royalties, senhor Sérgio? Nos cofres do Cavendish e de outros apaniguados que brindam as chuvas e os desmoronamentos com champanhe francês e caviar, em companhia do descobridor, é claro, e em viagens caríssimas de jatinhos e helicópteros pagos a partir dos impostos do cidadão comum que nada pode fazer além de indignar-se.

Então, a partir deste boteco do Leme, agora e aqui, fico a filosofar mal e rasteiramente. Entre estes hoje amigos que me sorriem porque querem gatunar o meu dinheiro, todos são oportunistas e cada um faz só por si. O Criador é que quebra o galho e tem feito muito por todos, apesar da empáfia e da antipatia dos muitos que já nasceram azedos, de mal humor...

Mas até já cabe aqui dizer que Deus fez e o diabo passou a cuia. Lambuzou, sacaneou, melou... Entortou tudo o que havia sido tão bem feito.

Todavia, ainda faz bem aos olhos ver o mar, a praia, a colina, o verde, a poesia, sem o humanoide carioca disposto a tudo degradar, inclusive as suas almas.

Fazer o quê? Depois pensaremos juntos apenas no que não deve ser feito em benefício de ninguém. Por enquanto, esqueçamos as crueldades da vida. Por aqui, já chegou o Carnaval! Fiquemos todos bêbados e hipnotizados ante o império de Momo. É só a partir de catorze de fevereiro, então, às quinze horas, que a realidade se fará mais uma vez megera indomada a brandir o seu martelo na cabeça dos que pedem pão, mas gostam muito mais de circo. Por Deus!

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*Cronista: claudioxapuri.blog.uol.com.br.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Dona Júlia Gonçalves Passarinho

Banda de Música de Xapuri completa quatro décadas de presença na vida cultural do município com uma história de glórias e abandono pelo poder público.

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Um dos maiores patrimônios da cultura xapuriense, a Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho completará 40 anos de história no próximo domingo, 20 de janeiro. O nome homenageia a genitora de um “xapuriense ilustre”, o ex-senador, ex-ministro da república e ex-governador do estado do Pará, Jarbas Passarinho.

Testemunha fiel dos mais importantes momentos da história da cidade desde de que foi criada, no ano de 1973, através de decreto baixado pelo ex-prefeito Édson Dantas, a “Dona Júlia” há muito tempo não é tratada com o respeito que merece. Esquecida pelo poder público, a banda resiste. Mais pelo esforço dos seus membros, que pelo apoio da prefeitura, que não tem dispensado a ela a menor atenção.

Presença obrigatórias em todos os eventos municipais, a única banda de música municipal do Acre, animou gerações. Seja nas arquibancadas do velho estádio Góes e Castro, depois transformado em Álvaro Felício Abrahão, seja no coreto da praça Getúlio Vargas, os dobrados da nossa bandinha se tornaram parte da identidade xapuriense.

Neste sábado (19), a partir das 8 horas da noite, a Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho receberá uma justa homenagem organizada por uma legião de músicos ligados à sua história. Participarão do evento a Banda do 2º Batalhão de Polícia do Exército de São Paulo, sobre a regência do filho de Xapuri, Maestro Capitão Adalcimar Coelho da Cruz, e a Banda da Polícia Militar de Rio Branco, sobre a regência do 1º Tenente Raimundo Ferreira Nunes, também xapuriense. Pode-se dizer que os dois maestros são filhos da banda de Xapuri.

O evento, que será realizado na praça São Gabriel, será uma confraternização entre diversas pessoas que fazem parte da história gloriosa da Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho, que o o berço de muitos músicos que se destacam na atualidade em vários lugares do Brasil. Na programação, de acordo com o organizador do evento, o músico Antônio Magão, haverá desfile e  execução de grandes dobrados, além de um repertório de músicas pop.

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Festa deste sábado será também uma homenagem aos muitos músicos que fizeram parte da história da banda no curdo de sua história. A seguir, a relação  dos primeiros componentes da Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho:

Maestro-Regente: Ruy Francisco de Melo - in memorian

Músicos: José Peres de Souza
Oneide Tomé de Oliveira - in memorian
João Marcelino da Silva
Orlandino Ferreira Lima
José Gomes Pereira
José Ferreira Nunes
Antônio Cosmo da Rocha
Belarmino Coelho da Cunha
Francisco Coelho da Cruz – in memorian
Pedro Ferreira Nunes
Bartolomeu Bispo dos Santos
Ernesto Bispo dos Santos
Raimundo Nonato de Araújo
José Almerindo de Souza - in memorian

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Na imagem acima, uma foto antiga da Banda de Música Dona Júlia Gonçalves Passarinho em uma das famosas datas cívicas que eram muito comemoradas na cidade, como o Dia da Independência, em 7 de setembro. O ano é incerto e inexistente a identificação dos músicos.

Banda Dona Júlia G Passarinho (formação atual)

Um dos quadros mais recentes da Banda tem a seguinte formação:

José Peres de Souza – toca clarineta (aposentado)
Aldecir Moreira de Oliveira – toca clarineta
Antônio Cosmo da Rocha – caixa
Mauro Martins – contra-baixo
Rener Azevedo – contra-baixo
Alderiza Sandas de Moraes – surdo
Judite Melo – prato
Cláudio Roque – trompete
José Ribamar – saxes tenor
Eliésio – saxes tenor
Édson Isidoro – bombardino
Belarmino Coelho da Cunha – bumbo (aposentado)
Raimundo Nonato de Araújo – bumbo
Marcus Vinícius Daniel de Souza – caixa
Orlandino Ferreira Lima – trombone
José Gomes Pereira – trompete (afastado)
José Dias de Souza – sax alto
José Ferreira Nunes – bumbo

Esses músicos, incluindo-se aqueles que aqui não foram citados, são, acima de tudo, heróis que merecem todas as homenagens nesse dia importante. São pessoas que têm no sangue e na alma o amor pela música e que tornam possível a existência e a resistência de um bem cultural que não tem gozado da menor atenção por parte do munícipio que a criou naquele distante ano de 1973.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Penso, logo contesto!

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Diante da visível falta de capacidade demonstrada por algumas poucas pessoas para interpretar os textos simples e mal escritos que posto aqui nesse blog, me vejo obrigado a fazer alguns esclarecimentos sobre os comentários desinformados e distorcidos que têm sido direcionados a mim através da rede social Facebook, motivado por meus posicionamentos sobre a vida pública da cidade onde nasci.

Com relação às minhas opiniões sobre a câmara municipal de Xapuri, tenho explicado enfadonhamente que meu interesse pelo assunto é aquele que diz respeito ao direito de cidadão e de profissional da área de comunicação que procuro exercer da melhor maneira possível, sem, no entanto, querer afirmar que estou sempre certo ou que uma vez ou outra não cometa equívocos pelos quais, estando convicto deles, nunca tenha os corrigido e me retratado.

Quando afirmo que discordo do continuísmo estabelecido na presidência da câmara nas últimas legislaturas, não exprimo nenhum sentimento contra a pessoa física de nenhum vereador, mas apenas emito aquilo o que penso com base na história recente da instituição, marcada pelo comodismo, pela inércia, pela falta de transparência, pelo fisiologismo e pelos conchavos políticos que fizeram daquela casa um palco de um conhecido teatro.

Há alguns dias, o presidente da câmara, Ronaldo Cosmo Ferraz, insinuou no Facebook que sinto inveja dele pelo fato de haver se elegido e reelegido várias vezes. E fez um desafio para que eu me candidate a vereador “para ver se a população me aceita como representante”. Ora, por que razão o vereador deixa de lado a compostura e a educação para me atacar dessa maneira baixa e inadequada para um “representante do povo”, como adora se intitular?

Como não tenho sangue de barata, retruquei dizendo que inveja não sinto do vereador e que não reconheço essa “representatividade” em quem se elege com uma votação que representa não mais que 3% do votos válidos da última eleição. É óbvio que se o candidato foi eleito vereador, ele é um legítimo representante da população, mas o termo “REPRESENTANTE” soa na boca de alguns vereadores como se tivessem obtido os votos da maioria do eleitorado.

A eleição de um vereador é fruto de um sistema eleitoral que divide vagas entre vários partidos ou coligações. Em municípios pequenos como Xapuri, os mandachuvas ou caciques desses grupos sempre se elegerão, independentemente de serem bons ou não, basta que se candidatem. E se elegem com os votos de grupos de pessoas que com têm afinidade, seja por relação de parentesco, amizade e, principalmente, assistencialismo.

Vejam que no recorte de imagem acima, retirada do Facebook, que a filha do presidente da câmara de Xapuri, Raissa Ferraz, coloca palavras em minha boca ao perguntar: “Raimari Cardoso, você votaria em alguém que não prestasse só porque ele é seu parente?” Teria dito eu que alguém não presta no jogo do bicho? Garanto que não afirmei que José presta ou que João na vale nada, pois esse aí já um campo que não me interessa.

No recorte abaixo, alguns comentários gerados pela postagem da pupila do vereador, são totalmente desprovidos de razão, verdadeiras pérolas da ignorância e da estultice que terminam por ser mais um motivo de termos tantos políticos ruins. Uma afirmou que opinar sobre assuntos de interesse público não passa de “futilidade que não leva a lugar nenhum”; outro disse que a “unanimidade burra é melhor que uma pessoa correta estribuchando (sic) sozinho”.

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De minha parte, não fica nenhuma mágoa ou aborrecimento pelos comentários, longe disso. Apenas sonho com o dia em que essas manifestações se sigam ao estudo e à análise correta dos fatos, observados da maneira nua e crua como eles são. A defesa cega, que foge a este cuidado e a esta sequência, não passa de chorumela de quem não acredita em seus próprios argumentos.

Criticar, cobrar, contestar e se contrapor às pessoas públicas somente será uma atitude fútil quando desistirmos dos nossos direitos mais sagrados, alguns dos quais somente agora estamos conquistando depois de muita luta e sofrimento dos que vieram antes de nós. Aí nesse dia nossa própria vida será uma futilidade e seremos apenas gado confinado em grande curral.

Também considero que seja mil vezes melhor uma pessoa estrebuche sozinha, estando senhora de suas convicções, que - covardemente ou por interesses escusos - se deixe seduzir pela opinião acéfala de qualquer mentecapto. A unanimidade não é apenas burra, ela é a mais pura manifestação do servilismo bovino e da falta de dignidade humana.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ampliação do IFAC/Xapuri

convite - obra do campus Xapuri

O Instituto Federal do Acre (IFAC) realizará no dia 25 de janeiro o lançamento da pedra fundamental da Reforma e Ampliação do Campus Xapuri. A cerimônia acontecerá às 10 horas da manhã na sede do Campus.

O projeto foi orçado em pouco mais de 5 milhões de reais e abrangerá uma área construída de 4.860,26m² com salas de aulas, banheiros, auditório para 250 pessoas, biblioteca, espaço criança e estacionamento.

O Campus do Instituto Federal do Acre em Xapuri foi o primeiro a ser inaugurado no estado, em 2010. O prédio conta com 12 salas de aulas e uma quadra coberta, sendo 2.500 m² de área no total. O imóvel foi construído pelo Governo do Estado e doado ao IFAC com a Lei n. 2.394 de 17/12/2010.

Através de uma cooperação técnica com a prefeitura de Xapuri no local continuou funcionando a escola municipal de ensino fundamental Rita Maia, a única localizada na zona urbana do município. O prazo de conclusão das obras está previsto para 450 dias.

Bom começo

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A presidência da câmara de Xapuri atendeu à solicitação deste blogueiro e encaminhou para divulgação a folha de pagamento - referente ao mês de janeiro de 2013 - dos nove vereadores que compõem o corpo legislativo do município na atual legislatura.

Como foi explicado em postagem anterior, os vencimentos dos vereadores fica bem abaixo daqueles fixados pela Lei nº 0751, de 28 de dezembro de 2013. Em valores brutos, os subsídios permanecem nesse começo de ano no mesmo patamar em que encerraram 2012: R$ 3.000,00.

O presidente da mesa diretora, receberá pelo exercício do cargo o adicional de R$ 1.500,00. O vice-presidente e o primeiro secretário receberão sobre seus vencimentos mais R$ 1.050,00. Para ver o detalhamento e os valores líquidos que serão recebidos pelos vereadores, basta clicar na imagem acima.

Para uma câmara que vem sendo alvo de críticas pela falta transparência, esse é um bom começo. Como um dos grandes críticos por mudanças na atuação da “casa do povo”, quero parabenizar a instituição, através do seu presidente, Ronaldo Cosmo Ferraz, pela presteza com que atendeu a solicitação que fiz com o objetivo de informar a população.

Com respeito ao direito de acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal e regulamentado pela LEI Nº 12.527, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2011, tanto a câmara quanto a prefeitura devem desenvolver meios para divulgação de informações de interesse público independentemente de solicitação.

Para assegurar o direito fundamental de acesso à informação em conformidade com os princípios básicos da administração pública, as instituições ligadas a essa esfera devem lançar mão dos meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação, entre outras diretrizes. Na nova lei, a publicidade é preceito geral; o sigilo é exceção.

Encontro de Prefeitos

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Entre os dias 28 e 30 de janeiro, será realizado o Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas - Municípios fortes, Brasil sustentável em Brasília (DF) - pelo governo federal. O evento, coordenado pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, irá reunir gestores municipais de todo o país - novos e reeleitos - para estabelecer parcerias com o objetivo de promover o crescimento econômico do país com inclusão social, equilíbrio ambiental e participação cidadã.

O Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas tem como objetivo subsidiar os gestores municipais com informações sobre programas e ações federais que ajudarão a iniciar os mandatos, ou dar continuidade à gestão municipal com foco no desenvolvimento sustentável.

O evento, cujo tema é “Municípios Fortes, Brasil Sustentável”, irá reunir os principais Ministérios e órgãos do Governo Federal para apresentarem suas políticas, divididas em quatro eixos: desenvolvimento social, desenvolvimento econômico, desenvolvimento ambiental e urbano, e participação social e cidadania.

A iniciativa faz parte das ações de apoio à gestão local e garante a continuidade do diálogo direto e republicano entre Governo Federal e governos municipais que teve início em 2003, com a criação do Comitê de Articulação Federativa - CAF. Esse diálogo assegurou importantes conquistas e benefícios para os Municípios.

Além de apresentar os principais programas do Governo Federal executados em parceria com os governos municipais, como Brasil sem Miséria, PAC II, Política Nacional de Saneamento e de Resíduos Sólidos, entre outros, o evento irá oferecer oficinas técnicas sobre o sistema de convênios e outros instrumentos de modernização administrativa, e apresentar boas práticas de municípios e consórcios públicos intermunicipais em diversas áreas.

Também foram organizadas publicações como: orientações para e início de mandato, catálogo de programas federais que podem ser acessados pelas prefeituras e revista sobre os programas e ações do Governo Federal.

Transparência

Estados e Municípios são obrigados a informar gastos em saúde

Gastos-saúde

Por Amanda Costa, da Agência Saúde - Ascom/MS.

O Ministério da Saúde amplia as ferramentas de controle e transparência para permitir que o cidadão acompanhe a aplicação de recursos na área da saúde. A portaria 53 publicada nesta quinta-feira (17) no Diário Oficial da União determina que Estados, Distrito Federal e Municípios devam publicar os gastos com saúde no Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS). Desta forma, o cidadão poderá verificar se o seu estado ou seu município está cumprindo a aplicação mínima de recursos na saúde.

De acordo com a Emenda Constitucional 29, a União deve aplicar na saúde o valor empenhado (comprometido em orçamento com projetos e programas) no ano anterior mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Já os estados e o Distrito Federal precisam investir 12% de sua receita, enquanto os municípios devem aplicar o mínimo de 15%.

Os gestores públicos das três esferas de governo (municipal, estadual e federal) devem declarar no sistema as receitas totais e as despesas com ações e serviços públicos de saúde.

O sistema faz o cálculo automático dos recursos públicos mínimos aplicados em ações e serviços de saúde, facilitando o monitoramento do Ministério da Saúde e órgãos de controle. A medida deve ainda incentivar a transparência, uma vez que o SIOPS é um sistema aberto à população.

Hoje, o SIOPS já existe e funciona nesses moldes, mas os gestores não são obrigados a publicar suas receitas e despesas. A partir de agora, o gestor que não alimentar o sistema pode ter condicionamento das transferências constitucionais – como repasses do Fundo de Participação dos Municípios e Fundo de Participação dos Estados – e suspensão das transferências voluntárias dos recursos da União – como celebração de convênios e contratos de repasses.

A partir das novas atribuições, o SIOPS precisará passar por um processo de remodelagem e adaptação. A portaria também estabelece orientações para os gestores públicos quanto à declaração e homologação dos dados indicados no sistema, inclusive sobre os prazos para a efetivação dos registros.

O diretor do Departamento de Economia da Saúde, Investimentos e Desenvolvimento do Ministério da Saúde, Adail Rollo, destaca que a alimentação do sistema, bem como os dados ali registrados, é de responsabilidade dos gestores dos entes federativos declarantes: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. “É um dever informar as despesas com saúde. Além do respeito aos princípios constitucionais, como os da publicidade e moralidade, os dados consolidados do SUS possibilitam avaliar o financiamento atual do Sistema Único de Saúde e discutir necessidade de aportes adicionais para o seu financiamento”, relatou.

Ainda segundo Adail Rollo, a medida traz uma forma de controle social, em razão do fácil acesso aos dados informados pelos estados e municípios, por parte de toda e qualquer pessoa que possa ter acesso à internet. E, ainda, aumenta a visibilidade da gestão pública em saúde.

Os dados informados são organizados e disponibilizados na Internet, no endereço http://siops.datasus.gov.br, sob a forma de diversos tipos de consultas e relatórios. Um dos indicadores gerados é o do percentual de recursos próprios aplicados em ações e serviços públicos de saúde, que demonstra a situação relativa à aplicação do valor mínimo no SUS.

HISTÓRICO – A portaria publicada no DOU faz parte de uma construção. Primeiro, veio a Lei Complementar 141, de 13 de janeiro de 2012, e elegeu o SIOPS como o sistema de registro eletrônico centralizado das informações de saúde das três esferas de governo, garantindo o acesso público às informações. A LC 141 regulamentou a EC 29/2000.

Em seguida, foi publicado o decreto 7.827, de 16 de outubro de 2012, que regulamentou os procedimentos de condicionamento e restabelecimento de transferências constitucionais, bem como de suspensão e restabelecimento das transferências voluntárias da União, nos casos de descumprimento da aplicação dos recursos mínimos em ações e serviços públicos em saúde. Este decreto, mais uma vez, reforçou o SIOPS como o sistema informatizado, de acesso público, a ser utilizado pelos gestores públicos para declaração de suas despesas com saúde para efeito de cálculo e comprovação da aplicação dos percentuais mínimos investidos em saúde.

Confira a portaria do SIOPS.

Tudo como dantes?

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O vereador Ronaldo Cosmo Ferraz (PMDB), presidente da câmara de Xapuri, usou sua conta no Facebook para cutucar os críticos do continuísmo doentio que assola o inerte e clientelista poder legislativo municipal. Comentarei o recado que entendo como endereçado a mim, mas não vestirei a carapuça rota que tenta me imputar. E direi o porquê.

Para começo de conversa, o vereador, como pessoa pública, deveria ser mais claro e direto nos seus comentários e dizer quem o inveja. De minha parte, garanto que não cobiço nada do que ele possua; que não alimento qualquer desejo de ser candidato a qualquer coisa e que não reconheço méritos exacerbados em quem se reelege para esse cargo três, seis ou mil vezes.

Sucessivas ou intercaladas eleições de vereadores em um município com eleitorado pouco superior a 10 mil pessoas, como é o caso de Xapuri, devem ter reconhecido o seu mérito devido, mas estão longe de significar que este ou aquele vereador que consegue tal proeza possa bater na titela e se vangloriar de que detém o apoio da população, se sentando sobre essa convicção.

Tenho algumas matutações sobre a razão de alguns vereadores se reelegerem seguidamente em Xapuri e de outros aqui e acolá retornarem à casa não como filhos pródigos, mas como produto de um sistema político-partidário que não se renova nem a pau, Juvenal, já adiantando uma das “tiorias”. Se os candidatos são sempre os mesmos, o que surgirá de novo senão as mesmas caras cheias de si e eivadas de empáfia?

Mais uma vez, os partidos ou grupos políticos de Xapuri não ousaram apresentar novidades ao eleitor quanto aos quadros para a câmara de vereadores. Quando cito novidades, me refiro a nomes que realmente possam disputar lugar com os dinossauros que dominam o cenário local desde o período jurássico em partidos como o PT e o PMDB, principalmente.

O que surge de novo a cada eleição, salvo poucas exceções, são aqueles candidatos de última hora, que são arregimentados para fazer volume com votações pífias que contribuem apenas para manter o status quo da cacicada. No caso das mulheres, uma raridade na história da câmara, talvez uma ou duas disputou de fato o último pleito municipal.

Então, a coisa funciona na base do “se não tem você, vai você mesmo”. A partir desse momento, entra em cena alguns fatores não menos importantes como família numerosa, o assistencialismo barato e ainda largamente disseminado na cultura política local, bem como a necessidade de poucos votos para se eleger dentro das estratégicas coligações partidárias.

Trezentos e poucos votos elegem um vereador bem situado politicamente, mas estão longe de lhe garantir a fantasiosa e tão propalada representatividade. Na nossa realidade, vereadores são eleitos pelos parentes, amigos, vizinhos e por aqueles a quem se fez algum favor. No nosso caso, o eleitor vota mais por algum tipo de afinidade que por qualquer outra razão.

Sugiro, então, ao presidente da câmara que troque o beicinho e a chorumela por uma auto-análise e ofereça respostas convincentes às críticas que recebe como representante desse Poder, assim como têm feito os demais vereadores quando são confrontados com as opiniões de que a câmara é uma instituição que tem se prestado apenas a defender seus próprios interesses e a abonar os do Executivo, num eterno jogo de toma lá da cá.

Já disse mil vezes e para encerrar o assunto vou repetir: nada de pessoal tenho contra Ronaldo Ferraz, muito menos inveja. Clamo por mudança de atitudes na câmara, o que faço no pleno exercício do direito de expressão, sem ofender moralmente ou macular a honra de quem quer que seja. Atento contra a falta de transparência que tem sido a tônica do legislativo-mirim desde que me entendo por profissional da área de comunicação.

O desinteresse em informar a população sobre as matérias que são aprovadas e esclarecer seus significados práticos tem sido uma das principais marcas das últimas legislaturas da câmara de Xapuri, um lugar onde muitas das decisões são tomadas à portas fechadas e levadas ao plenário apenas para cumprir as formalidades exigidas pelo regimento interno.

O resultado disso tudo foi descrédito e o ceticismo que o povo tem reservado à instituição. Minhas críticas refletem essa realidade incontestável e não apontam para o vereador Ronaldo Ferraz como o único responsável por essa situação, que é devida a todos os que passaram pela câmara nos últimos tempos, inclusive os que, junto com ele, foram reeleitos para mais uma legislatura, que se inicia no próximo mês de fevereiro.

Tenho me posicionado abertamente contra o continuísmo na presidência da câmara por ter a desconfiança de que tudo vai continuar como dantes no quartel de Abrantes. Continuaremos a ver vereadores sentados sobre a comodidade do fisiologismo, reclamando das críticas e empurrando com a barriga as demandas tão importantes para o aprimoramento da gestão municipal. Mas isso é apenas o que penso. 

Espero estar enganado e creio sinceramente que muitos dos vereadores recém eleitos estão imbuídos do objetivo de promover as mudanças que a casa do povo necessita. Não sei se conseguirão, mas o menor esforço para lidar com a opinião pública de maneira decente e equilibrada já será um bom e promissor começo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

“Sem ranhuras”

O prefeito Marcinho Miranda e o secretário municipal de Saúde, Warley Guerra, se reuniram na tarde dessa terça-feira (15) com a titular da pasta da Saúde estadual, Suely Melo. Por telefone, eles adiantaram para a população de Xapuri as boas notícias resultantes da conversa a respeito do impasse existente no setor.

De acordo com o prefeito, a secretária de Saúde garantiu o retorno nos próximos dias dos agentes que estavam prestando serviços no centro de saúde Félix Bestene Neto, incluindo aqueles que atuam na realização dos exames laboratoriais, serviço que atende à população e ao hospital Epaminondas Jácome.

Com relação à situação dos médicos, a secretária prometeu uma definição no prazo máximo de uma semana, quando o município será informado de quantos e quais profissionais estarão à disposição da prefeitura para dedicar parte de suas jornadas de trabalho para prestar atendimento nos postos de saúde locais.

“Estou muito feliz com a maneira com a qual fomos recebidos pela secretária e otimista com a manutenção das parcerias que precisamos ter com o governo”, afirmou, entusiasmado, o prefeito de Xapuri.

Junto com outro secretário municipal, Juarez Maciel, da Educação, o prefeito se reuniu na semana passada com a coordenadora do núcleo de Educação do governo do Estado em Xapuri, professora Ziláh Carvalho. Segundo ele, também serão mantidas as permutas tanto no que diz respeito a funcionários quanto com relação ao transporte escolar.

“Não há nenhuma ranhura, nenhuma má disposição por conta das diferenças partidárias”, garantiu ele.

Sístoles e Diástoles

Adriano Nunes

Trago em meu coração
Tristezas e tormentos.
Os sonhos? Afugento-os.
Fujo do que eles são.

Dos matizes da mágica
Dessa contração lida,
Da diástole, a vida,
Traço-a: tímida, trágica,

Involuntariamente,
Envolta nesse invólucro

Feito de verso, ausente.
Enfim, nesse sepulcro,
Enterro-me contente,
Findo o soneto e lucro!

Fonte: As tripas do verso.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Prefeito se retrata

Marcinho Miranda

O prefeito Marcinho Miranda se retratou, na tarde desta terça-feira (15), de um equívoco que cometeu durante uma entrevista à Rádio Educadora de Xapuri, nessa segunda-feira (14), quando omitiu que o atendimento médico que será realizado no próximo sábado (19), no Centro de Saúde Félix Bestene Neto, com alvo na população masculina da faixa etária dos 19 aos 59 anos, será levado a efeito numa parceria entre as secretarias municipal e estadual de Saúde.

De acordo com as informações prestadas pelo prefeito, o atendimento seria uma iniciativa do município sem a participação do governo. Como a Secretaria Estadual de Saúde também fazia a divulgação do atendimento através da Agência de Notícias do Acre, logo o engano foi cobrado por internautas mais atentos através das redes sociais. “Foi um lapso repentino que quando me dei conta não deu mais pra corrigir porque a entrevista era ao vivo”, explicou.

Washington Aquino critica Samu

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O jornalista Washington Aquino, apresentador do programa Gente em Debate, da Rádio Difusora Acreana, criticou, nesta terça-feira, 15, a morosidade do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, nos municípios de Brasileia e Epitaciolândia. Segundo Aquino, o socorro está demorando até 15 horas para atender um chamado na fronteira.

“Quer dizer que se for um caso grave, o sujeito morre e quando o Samu chegar lá já tá marcada a missa de sétimo dia”. Então é bom que as pessoas na fronteira que gerenciam a parte de saúde abram o olho porque se alguém morre na omissão de socorro ou na falta de socorro pode a família até mover um processo contra o estado, mas principalmente contra a pessoa responsável pelo serviço que não é prestado com qualidade”, alertou o radialista.

Washington Aquino afirmou também que os municípios de Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri são atendidos por apenas uma viatura do Samu. Averiguei a situação junto a um funcionário da Saúde e a informação que obtive é de que a regional do Alto Acre é atendida por três unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Uma em Assis Brasil, uma que atende Brasileia e Epitaciolândia e outra em Xapuri.

O que tem ocorrido frequentemente é que quando uma viatura do Samu apresenta problemas a do município vizinho é acionada em caso de emergência. Quando isso acontece, uma das populações fica desassistida e é obrigada a esperar muito até que o socorro chegue. Então fica claro que o problema está na falta de viaturas, sem contar a má condição de manutenção das que existem, fazendo com que as panes sejam constantes.

De acordo com o que noticiou o site Ac24horas em setembro do ano passado, a secretária estadual de Saúde do Acre, Suely Melo, baixou portaria em que pediu investigação sobre a responsabilidade de manutenção das viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência no interior do estado, tendo em vista denúncias de que os veículos encontravam-se em péssimo estado de uso e até mesmo com os pneus carecas.

À época, a secretária pediu à  Divisão de Transportes de sua pasta um relatório de investigação e providências urgentes, acerca da qualidade e garantia dos pneus fornecidos para as ambulâncias do SAMU. Suely Melo, determinou a instauração de sindicância para apurar responsabilidade de servidores que, no exercício da função pública, deram ensejo aos fatos noticiados.

Em Xapuri, em meados do ano passado, uma viatura do Samu perdeu uma roda durante uma viagem, não acontecendo uma tragédia em razão da baixa velocidade em que o veículo trafegava e da perícia do motorista que manteve a calma e conseguiu parar o carro em segurança. O mesmo não aconteceu em outro episódio, quando uma técnica em enfermagem perdeu a vida em um acidente causado pelo estouro de um pneu de uma ambulância do Samu.

Falha de comunicação

Marcinho Miranda

O prefeito Marcinho Miranda cometeu um equívoco, durante uma entrevista à Rádio Educadora de Xapuri, ao omitir que o atendimento médico que será realizado no próximo sábado (19), no Centro de Saúde Félix Bestene Neto, com alvo na população masculina da faixa etária dos 19 aos 59 anos, será levado a efeito numa parceria entre as secretarias municipal e estadual de Saúde.

De acordo com as informações prestadas pelo prefeito, o atendimento seria uma iniciativa do município sem a participação do governo. Como a Secretaria Estadual de Saúde também fazia a divulgação do atendimento através da Agência de Notícias do Acre, logo o lapso foi cobrado por internautas mais atentos através das redes sociais.

Na verdade, o atendimento será realizado  pela equipe do programa Saúde do Homem, que faz parte da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, desenvolvida em parceria entre gestores dos SUS, sociedades científicas, sociedade civil organizada, pesquisadores, acadêmicos e agências de cooperação internacional.

O que ocorreu foi uma enorme falha de comunicação entre o prefeito e a secretaria de Saúde, uma vez que a divulgação encaminhada pela pasta à emissora de rádio local estava correta quanto ao crédito feito ao programa Saúde do Homem, uma política pública do governo federal, através do Ministério da Saúde, que tem como parceiros os estados e municípios.

Um dos profissionais que atenderá em Xapuri é o urologista Mauro Trindade, coordenador do programa no Acre. Segundo ele, os homens são as maiores vítimas de doenças do coração, câncer, colesterol alto, diabetes, pressão alta e obesidade porque evitam serviços de saúde e são mais descuidados do que as mulheres.

“Eles não seguem os tratamentos, têm medo de descobrir as doenças e acham que nunca vão adoecer”, diz ele acrescentando que a expectativa é de atender cerca de 200 pacientes com consultas e exames de toque retal nessa ação. A equipe do programa é composta também pelos médicos Fernando de Assis, urologista, e pelo geriatra e secretário de Saúde de Xapuri, Warley Guerra, além da técnica em enfermagem Maria do Carmo.

Na oportunidade, a área técnica de DST Aids irá realizar também uma capacitação nos dias 15 e 16 de janeiro, direcionada aos técnicos e enfermeiros do município para que possam realizar o diagnóstico precoce do vírus HIV e de hepatites B e C.

A propósito, conversei na tarde desta terça-feira (15) com o secretário municipal de Saúde, Warley Guerra. Ele estava em Rio Branco aguardando o prefeito Marcinho Miranda para uma reunião com a secretária estadual de Saúde, Suely Melo, para discutir a continuidade da parceria mantinha, até o fim do ano passado, profissionais do estado atuando na rede municipal de saúde.

“Oposição responsável”

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O vereador José Cecílio Evangelista (PT) afirmou nesta terça-feira (15), durante participação em um dos programas da Rádio Educadora 6 de Agosto, que a postura de seu partido na eleição da mesa diretora da câmara não significa que a sigla criaria dificuldades para a gestão do prefeito Marcinho Miranda (PSDB) travando matérias de interesse da população, caso tivesse saído vitoriosa na disputa pelo comando político da casa.

Como todos sabem, o PT votou fechado para todos os cargos de direção da câmara e foi varrido da mesa diretora porque necessitava que o PSB pendesse para o seu lado. Mas como ocorreu o contrário e os antigos aliados dos petistas cederam aos encantos da base de apoio do prefeito Marcinho Miranda, o partido que fez o maior número de vereadores ficou isolado e se tornou uma minoria disposta a fazer uma oposição ferrenha ao prefeito tucano. 

José Cecílio disse também que o desfecho da eleição da mesa diretora já era esperado. Primeiro por não ter sido possível firmar um acordo com o vereador Gessi Capelão; depois por ser, segundo ele, evidente que não interessava ao deputado Manoel Moraes, maior liderança do PSB no Acre, que um vereador de seu partido se alinhasse com o PT, com quem há bastante tempo os socialistas travam uma disputa política dentro da Frente Popular do Acre.

O vereador petista reafirmou o que seus colegas já haviam dito: que o partido fará oposição responsável e que cobrará do prefeito Marcinho Miranda todas as promessas feitas em palanque, cuja maioria são puramente eleitoreiras e impossíveis de serem cumpridas. Ele disse também que não acredita que os partidos que compõem o grupo que apoia a atual administração se mantenham unidos até o fim do mandato de Marcinho Miranda.

“Temos a obrigação de cobrar o que foi prometido porque no palanque o candidato a prefeito não mediu palavras para prometer coisas praticamente impossíveis de serem feitas. Nós sabemos que em política as coisas mudam, então tudo pode acontecer e nada pode ser previsto agora, por isso não garanto que as coisas permaneçam como estão atualmente”, afirmou ele, se referindo à possibilidade de seu partido permanecer os quatro anos fora da mesa diretora.

Cecílio Evangelista tem 42 anos e nasceu no seringal São Cristovão, tendo ido ainda criança para o seringal São Pedro, onde mantêm residência até hoje. Considerado um vereador extremamente sensato, carismático e de comportamento pacífico, é dono de opiniões fortes e de um senso de humor apurado. Foi um dos poucos vereadores que se opuseram de maneira verdadeira aos desmandos cometidos pelo ex-prefeito Vanderley Viana em seu fatídico último mandato.

Os salários do poder municipal

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Os subsídios, ou seja, os vencimentos dos ocupantes dos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereadores do município de Xapuri para o quadriênio 2013-2014 foram fixados pela Lei nº 0751 de 28 de dezembro de 2012, aprovada pela câmara (foto) num dos últimos atos da legislatura passada e sancionada pelo ex-prefeito Bira Vasconcelos (PT). 

A partir deste mês de janeiro, o subsídio do prefeito de Xapuri aumenta de R$ 8.000,00 para R$ 10.500,00 e os ganhos do vice-prefeito sobem de R$ 4.000,00 para R$ 5.250, o que corresponde a 50% dos vencimentos do prefeito. O presidente da câmara embolsará quantia de R$ 6.000,00 enquanto o vice-presidente e o 1º secretário perceberão o valor de R$ 5.500,00.

Os vereadores sem cargos na mesa diretora da casa receberão R$ 4.500,00 mensais. No entanto, uma importante observação deve ser feita: no caso dos membros do Legislativo não há a garantia de que eles receberão integralmente os salários fixados pela lei aprovada. O valor que cada um dos vereadores recebe a cada mês depende da receita municipal.

Os valores estabelecidos como subsídio para os vereadores na verdade são uma espécie de teto que é fixado com o objetivo de criar uma margem de antecipação a possíveis crescimentos na arrecadação municipal e, consequentemente, no aumento do repasse que o município faz à câmara, uma vez que os reajustes só podem ocorrer uma vez a cada quadriênio.

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Tentando ser mais didático, os valores são fixados acima daquilo que a receita permite pagar para que, havendo aumento na arrecadação, o reajuste do salário do vereador já esteja garantido em lei. Solicitei da câmara informações mais detalhadas sobre o valor real (ou algo aproximado disso) que os vereadores deverão receber em janeiro.

Acima, cópia da lei que estabeleceu os novos subsídios dos ocupantes de cargos nos poderes executivo e legislativo gentilmente enviada ao blog pelo chefe de gabinete da prefeitura de Xapuri, Joscíres Ângelo. Clique na imagem para ver o documento ampliado.

Atualização - 13h08m: Informação prestada pelo vereador José Cecílio Evangelista, do PT, dá conta de que em janeiro deste ano, os vereadores devem receber um valor próximo de R$ 3.000,00. Ele se baseia no último vencimento da última legislatura, que chegou a esse valor.