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| Rua Amadeo Dantas, no bairro de mesmo nome. Nesta região de Xapuri, explodiram casos de dengue em janeiro deste ano. Teve morador que quase morreu. A falta de consciência ambiental também pode matar. |
sábado, 19 de outubro de 2019
Consciência zero
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Apuí (AM)
Elivan Verus é condenado a mais 14 anos de reclusão
Dessa vez, Elivan foi julgado pela tentativa de homicídio contra o sargento do BOPE Antônio de Jesus Batista, que foi quem o prendeu quando da grande operação montada para capturá-lo após ter baleado o delegado no dia anterior àquele 15 de dezembro de 2015.
O Conselho de Sentença não se convenceu de suas afirmações de que não estava armado durante a perseguição policial, o que o impossibilitaria de ter atirado no policial. A sentença novamente foi dura. 14 anos em regime inicialmente fechado.
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Romaria
Letras
Um grande aprendizado
Homem de uma enorme simplicidade, padre Chagas se tornou uma grande referência em Xapuri já nos primeiros momentos de sua condução à paróquia local. Ex-seringueiro da região do Alto Purus, alfabetizado já adulto e ordenado sacerdote aos 40 anos de idade, o vigário é hoje uma das figuras mais carismáticas da cidade, com uma forte presença na vida das comunidades mais necessitadas do município.
Talvez por sua origem, Padre Chagas seja tão envolvido com os problemas de sua comunidade. Não se envolve, no entanto, com a política paroquiana. Circula em todos os ambientes da rotina pública local, sempre como uma pessoa muito respeitável e equilibrada em suas posições. Não se envolve em polêmicas, mas já foi, involuntariamente, envolvido em algumas.
Em 2011, foi acusado de se negar a celebrar uma missa durante a programação da Semana Chico Mendes daquele ano. Na verdade, a organização do evento programou a celebração à revelia da igreja e do pároco, que apenas soube da missa na véspera de sua realização, quando já tinha um compromisso assumido no município de Sena Madureira.
Mais recentemente, padre Chagas foi acusado por membros de um grupo formado por fiéis de sua igreja de comprar uma caminhonete sem permissão da Diocese, entre outras acusações e insinuações de maior gravidade. Nada do que foi dito foi comprovado e tudo do que foi feito foi devidamente explicado pelo pároco e sua equipe, que ainda colocou toda a prestação de contas da igreja à disposição do público em geral.
Chego até aqui para dizer que os imblóglios foram resolvidos pelo religioso sem lançar mão de respostas duras e sem querer fazer de sua verdade um instrumento de revide contra os que lhe acusaram, mas com o uso daqueles pontos que citei no começo desta postagem sobre a minha impressão com o homem e com o padre Francisco das Chagas. Serenidade, mansidão, suavidade, mas com firmeza de posições. Sem dúvidas, um grande aprendizado.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Mártires
A maldade humana
Na manhã da última segunda-feira, 14, ela teve a sua casa de morada e o paiol onde guardava ferramentas de trabalho e os alimentos colhidos na lavoura incendiados criminosamente. A família, composta por Denilza, o esposo Valdecir e um neto, perdeu tudo. Só restou a roupa do corpo.
Dona Denilza e família estão acolhidos em Xapuri, contando com a ajuda das pessoas para superar o momento difícil. Ela havia quebrado um braço dois dias antes do ocorrido. No dia do incêndio havia ido ao município de Brasiléia tratar do ferimento adquirido durante o trabalho no roçado.Paolo Almeida no Boa Conversa
O sertanejo universitário e o gospel são os dois gêneros musicais que não sabem o que é crise nos últimos anos. Exemplo é a música gospel acreana que tem produzido novos artistas. Um deles é Paolo Almeida. Nascido em Xapuri, o cantor e compositor já gravou 5 discos autorais. Paolo vai representar o Acre na Expo Cristã 2019, que acontece em São Paulo, e é a maior feira de música cristã da América Latina. Assista, Paolo Almeida em uma Boa Conversa com Leônidas Badaró, no site ac24horas.
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Depois de algumas reflexões
sábado, 12 de outubro de 2019
NOTA DE ESCLARECIMENTO
domingo, 22 de setembro de 2019
O adeus de dona Maria Cosson
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Maria Cosson ficou famosa pela qualidade de seus doces e licores, especialmente a cajuína. Também era conhecida pela sua personalidade forte e pela sinceridade com que se manifestava sobre os problemas da cidade que tanto amava.
Em 2012, ela contava a uma equipe do UOL, que esteve na cidade fazendo algumas reportagens, que a cajuína estava ameaçada de desaparecer em Xapuri. Relembre clicando no link a seguir: https://tvuol.uol.com.br/video/doceira-de-xapuri-preve-o-fim-da-cajuina-na-cidade-04028D9A3162CC993326/.
Minha solidariedade à família.
terça-feira, 17 de setembro de 2019
E se os livros fossem proibidos?
Todos sabem que os livros são
fundamentais e possuem uma grande importância no desenvolvimento da sociedade e
para o crescimento intelectual do indivíduo. As obras literárias, sejam
didáticas ou de ficção, também permitem que o ser humano registre fatos importantes,
crie histórias e, assim, dão a oportunidade de repassar tudo isso às sociedades
posteriores, atuando como portador de conhecimento e informação.segunda-feira, 9 de setembro de 2019
domingo, 8 de setembro de 2019
ENCANTADORA
ESPERANÇA
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
SEGUE A IMPRUDÊNCIA NO RIO ACRE
“Os adultos não costumam usar e nós não podemos criar caso, mas os alunos nós obrigamos a usar”, explicou.
domingo, 18 de agosto de 2019
Maravilha xapuriense
Como todos sabemos o tacacá é um caldo à base de tucupi com jambu e goma de tapioca temperado com cebola, alho e cheiro-verde - corrijam-me se estiver faltando algum. É tomado em cuias naturais com muita pimenta.
É uma das mais populares iguarias amazônicas, consumida e vendida em todas as cidades da região. Segundo o antropólogo Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) é “derivada de um tipo de sopa indígena denominada mani poi…”.
Em Xapuri, não são muitas as opções. Conheço o tacacá da Natália (foto), da Gilda e da Dona Fátima, que é irmã da primeira. Em qualquer uma delas a garantia de uma grande experiência gastronômica com o sabor das nossas raízes.
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
CONVERSA COM BIRA VASCONCELOS
Conversei com o prefeito Bira Vasconcelos na manhã desta quinta-feira, 8, no programa Manhã Educadora, pelas rádios Educadora 6 de Agosto e Aldeia FM. Momento da administração, obras em andamento, relação com a Câmara e parcerias com o governo do estado foram alguns dos assuntos. Clicando no link abaixo você pode assistir à entrevista no Facebook. O Programa está na íntegra. Para ir direto à entrevista, basta avançar no cursor do vídeo.
https://www.facebook.com/raimari.cardoso/videos/2795643133782554/
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
ENCONTRO DE GERAÇÕES EM ATO DE CIDADANIA
Do casal mais experiente que está vivendo
o segundo matrimônio, ao casal mais jovem que até então estava noivo: essas são
algumas das várias histórias que ocorrem a cada edição do Casamento Coletivo,
realizado pelo Projeto Cidadão, do Tribunal de Justiça do Acre.Dessa vez, o feriado de 6 de agosto, que marca a Revolução Acreana, foi a data escolhida para 35 casais de Xapuri oficializarem o matrimônio. Uma cerimônia que seguiu a tradição das demais, inclusive, na decoração do lugar que é toda preparada pelas equipes do TJAC, em parceria com a Prefeitura, que recebe o projeto. A cerimônia aconteceu na praça da cidade, e teve também o apoio da Associação dos Ministros Evangélicos de Xapuri (Amex).


terça-feira, 6 de agosto de 2019
FIM DO RECESSO
Sob o comando do vice-presidente Manoelzinho, do DEM, a maioria dos parlamentares presentes demonstrou que estava ansiosa pelo retorno aos debates. Problemas do município como o preço dos combustíveis e a falta de médicos no hospital Epaminondas Jácome foram fortemente ressaltados pelos vereadores Joseni Oliveira (PT) e Gessi Nascimento (MDB). O petista cobrou do Ministério Público uma posição sobre os pedidos de investigação da situação dos altos preços e da possível "cartelização" do comércio de combustíveis na cidade. O emedebista afirmou que a situação do hospital local é crítica e disse que "não queria ser um deputado em Xapuri para não conseguir colocar um médico no hospital".
Gessi Nascimento também fez cobranças ao prefeito Bira Vasconcelos (PT) que, segundo ele, não está respeitando a Câmara por não responder a seguidos pedidos de providência. Chegou a citar a Lei 201/67 que trata das responsabilidades do prefeito e dos vereadores para dizer que a Câmara já poderia tomar uma medida contra o chefe do Executivo.
Outra crítica do vereador Gessi Capelão ao prefeito foi em razão de uma lei que foi aprovada no ano de 2015 ainda não estar sendo obedecida. Trata-se da Lei 861, de 19 de outubro daquele ano, que dispõe sobre a proibição de depósitos de areia, barro, brita e outros derivados dentro do perímetro urbano do município. De acordo com ele, após quase 4 anos nada foi feito.
O vereador José Maria Miranda (PT) reagiu ao discurso do colega afirmando que em outros tempos ele já foi mais calmo. Sugeriu que a uma pretensa candidatura de Gessi à prefeitura estaria ensejando uma mudança de postura do ex-presidente da Casa. Miranda defendeu a gestão do prefeito petista afirmando que apesar das dificuldades e limitações financeiras Bira Vasconcelos faz uma boa administração. Fez referência à reforma do prédio da antiga Rádio Educadora 6 de Agosto, fruto de recursos próprios, que em breve vai ser a nova sede da Secretaria Municipal de Saúde.
Estreando à frente da Mesa Diretora, o vereador Manoelzinho (DEM) protestou contra a qualidade do som que a Secretaria Municipal de Cultura disponibilizou para a abertura a realização da Marcha Profética, na abertura da Semana Evangélica. "Ou se faz uma coisa com amor ou é melhor que não se faça", disse ele.
O último vereador a usar a tribuna foi o petista Equi, líder do prefeito na Câmara. Segundo ele, a casa legislativa tem conseguido propor uma agenda harmônica em prol dos interesses do município. Criticou a intenção da empresa Energisa de propor que os consumidores de energia da zona rural façam por si mesmo, por meio de fotografias dos medidores, as leituras mensais e as entreguem no escritório da empresa no fim do mês. O vereador chamou a essa ideia de "papagaiada". Há algumas semanas, durante reunião sobre o assunto na própria Câmara de Xapuri, o representante da Energisa, Jaílson Oliveira, afirmou que a empresa estaria se comprometendo em resolver os problemas de leituras por média que tanto tem insatisfeito a população rural.
Próxima terça-feira mais informações da Câmara aqui no blog.
48 anos de Rádio Educadora 6 de Agosto

Nesses 117 anos de Revolução Acreana, a Rádio Educadora 6 de Agosto, que leva esse nome exatamente em alusão à data histórica, também merece homenagens. Fundada em 1971, esta emissora que se transformou ao longo dos anos em um dos principais patrimônios do município de Xapuri, seja pela importância que o rádio possui para as populações amazônicas, apesar das inovações tecnológicas, seja pela importância do próprio veículo que há 48 anos mantém um elo de comunicação e amizade com a comunidade local e de municípios vizinhos. Parabéns à nossa boa e velha "Seis".
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
domingo, 4 de agosto de 2019
Dercy, a líder acreana que venceu a ditadura militar e a “ditadura dos homens”
Primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores rurais no Brasil fala de seus 40 anos de luta política e social.
Ainda que estudos históricos registrem a presença e a liderança de mulheres no movimento de trabalhadores brasileiros desde o século 19, no campo, tradicionalmente mais conservador, essa conquista chegou apenas em 1981, quando a seringueira Dercy Telles foi eleita presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, no Acre.
O pioneirismo de Dercy se deu num momento que o Brasil vivia ainda sob ditadura militar, líderes comunitários eram assassinados com frequência e poucas pessoas ousavam se candidatar. Mesmo assim, a assembleia que a elegeu teve a participação de mais de 1000 dos 3000 associados.
“Eu sempre acreditei na sina, o casamento e a mortalha no céu se talha. Me fizeram a proposta, topei e cumpri o mandato”, afirma a líder, hoje com 65 anos, em entrevista ao Brasil de Fato.
Leia mais em Brasil de Fato.
Calixto Alves de Oliveira
Calixto Alves teve uma vida de dedicação ao futebol da Princesa do Acre. Foi, durante muitos anos, guardião do velho estádio municipal da cidade, que já se chamou Góes e Castro e que hoje é Álvaro Felício Abraão. Foi um grande incentivador e revelador de talentos. Sua dedicação foi pouco ou nada reconhecida em vida.
Idoso e doente, Calixto foi barbaramente assassinado, enquanto dormia, por um usuário de drogas a quem havia dado de comer horas antes, no ano de 2017. No julgamento do acusado pelo crime, o promotor de justiça Antônio Alceste comoveu a plateia ficando todo o tempo de sua acusação descalço, como andava Calixto. Ele não usava calçados.
quinta-feira, 11 de julho de 2019
A palavra foi feita para dizer
Graciliano Ramos costumava dizer que quem escreve tem que ter cuidado para a coisa não sair molhada. Que da página escrita não se deve pingar nenhuma palavra, a não ser as desnecessárias. É como pano lavado que se estira no varal.
Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.
Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.
*Trecho de entrevista ao jornalista e escritor autodidata Joel Silveira. A conversa entre os dois escritores foi publicada por Joel no livro Na fogueira: Memórias, de 1998.
sábado, 23 de março de 2019
Intolerância não constrói
Joao Baptista Herkenhoff
Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la. (Voltaire).
François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, foi um filósofo humanista francês, um dos maiores vultos do Movimento Iluminista. Amante da polêmica, algumas de suas frases, propositadamente radicais, como a que abre este texto, tornaram-se célebres.
A advertência de Voltaire é bastante oportuna no Brasil de hoje, que apresenta o quadro a seguir descrito.
Partidários de uma determinada corrente de pensamento supõem deter a verdade. Quem diverge está errado.
Os seguidores da corrente contrária também acreditam que são titulares do bom caminho, motivo pelo qual etiquetam como réprobos os divergentes.
Através da internet formam-se grupos de pressão virtual. Isto é democrático.
Quando a condenação dos opostos se mantém no debate verbal – eu sei, você não sabe – a intransigência está em bom tamanho, sem maiores consequências.
Pior é a situação que ultrapassa a tertúlia da discussão civilizada.
O oponente é inimigo da Pátria, um traidor, um abutre, deve ser silenciado por bem ou por mal.
Algumas vezes, dentro de uma mesma família, ou entre vizinhos, ou entre frequentadores de uma mesma igreja, explode a ira, que não é nada santa.
Nesse clima de intolerância, está fazendo falta, na atualidade, um líder como Tancredo Neves, capaz de colocar lado a lado dois inimigos históricos, ou duas facções extremas, para celebrarem o abraço da paz.
Tancredo foi o principal protagonista da passagem da ditadura para a Democracia, no Brasil contemporâneo.
Mas, se não temos Tancredo, estamos perdidos?
Creio que não. Existe a opinião pública que pode pressionar e exigir o entendimento.
A opinião pública somos todos nós.
Podemos juntar nossas vozes, de norte a sul do território brasileiro, para expressar em pequenas reuniões (de bairros, de grupos profissionais) e através da coluna de cartas dos leitores dos jornais ou de cartas endereçadas a parlamentares, que não queremos um Brasil fratricida, mas sim um Brasil fraterno.
A fraternidade não exige a identidade de pensamento, mas sim a compreensão e o respeito entre as pessoas.
Divergência democrática é uma coisa. Fúria quase homicida, furor sem limites é outra.
A liberdade de expressar o pensamento, sem censura, sem perseguição, foi uma conquista do povo, após a longa ditadura que se abateu sobre o pais, a partir de 1964.
Deveremos celebrar a liberdade reconquistada, sem desvio de rota, ou seja, podemos opinar sem amarras mas devemos reconhecer no outro, no oposto, a mesma franquia.
João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado e Escritor. Seus livros integram o acervo de Bibliotecas Públicas de todo os Estados da Federação.
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Repulsa à Tortura
João Baptista Herkenhoff
A repulsa à tortura traduz a afirmação de que todo ser humano tem o direito de ser reconhecido como pessoa.
O abandono desse princípio, a tolerância para com a tortura jogaria por terra toda a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Não por coincidência, mas por fidelidade doutrinária, a proscrição da tortura e o reconhecimento de todo ser humano como pessoa aparecem lado a lado, na Declaração Universal dos Direitos Humanos: artigos 5 e 6.
As Cartas de Direitos posteriores à Declaração Universal dos Direitos Humanos, como a Carta Africana, a Carta Islâmica e a Carta Americana de Direitos e Deveres do Homem referendaram as ideias acolhidas pelos artigos 5 e 6 da primeira.
A Declaração Universal dos Direitos dos Povos e a Carta de Direitos proclamada pelos Povos Indígenas do Mundo não se referem, expressamente, a direitos individuais específicos.
Entretanto, implicitamente, esses documentos abrigam, na dimensão cósmica de seus postulados, todos os Direitos Humanos particularizados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Trava-se nos dias de hoje uma luta universal contra a tortura.
No âmbito das Nações Unidas, são passos extremamente relevantes: a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura; as Regras mínimas para o tratamento dos reclusos; as Regras mínimas para a administração da Justiça de Menores; a Declaração sobre princípios fundamentais de Justiça para as vítimas de delitos e do abuso de poder.
A "Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes" definiu como tortura todo ato pelo qual funcionário ou pessoa no exercício de função pública infrinja, intencionalmente, a uma pessoa dores ou sofrimentos graves, com o fim de obter dessa pessoa ou de terceiro uma confissão, ou com o fim de castigar, intimidar ou coagir. Esses sofrimentos tanto podem ser físicos, quanto mentais.
No seio da sociedade civil é ampla a luta contra a tortura.
No Brasil, inúmeros grupos de Direitos Humanos têm tido extrema sensibilidade para com o problema.
A tortura política acabou no país, com a queda da ditadura instaurada em 1964. Mas a tortura contra o preso comum é prática diuturna nas delegacias, cadeias e prisões em geral.
Centros de Defesa de Direitos Humanos, Comissões de Justiça e Paz, Conselhos Seccionais e Comissões de Direitos Humanos das OAB’s, Pastorais Carcerárias têm vigilado e denunciado com veemência a prática da tortura nos presídios.
Dentre os grupos que lutam contra a tortura existe um que faz da abolição dessa prática hedionda sua razão de ser. É o grupo "Tortura Nunca Mais".
De um lado, a imprensa registra, dramaticamente, frequentes casos de tortura. De outro, percebe-se, em amplos setores da opinião pública, o crescimento da consciência da dignidade humana e da cidadania.
É preciso resguardar os Direitos Humanos. É preciso proteger o povo dos mais diversos atos de violência. Os dois objetivos são complementares. Não se combate a violência com mais violência, prepotência e arbítrio. É preciso cuidar seriamente do aprimoramento da Polícia Técnico-Científica, de modo que os crimes sejam descobertos, de maneira racional e eficiente. A segurança do cidadão é um dos direitos humanos, mas não se protege a segurança coletiva através do abuso contra as pessoas, em regra, contra as pessoas mais humildes.
João Baptista Herkenhoff é juiz aposentado e escritor.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Bolsonaro é uma ameaça ao planeta
Jair Bolsonaro, chamado nas redes sociais de “o coiso”, não é uma ameaça apenas ao Brasil, mas ao planeta. O candidato de extrema direita, que liderou o primeiro turno das eleições no Brasil, com o voto de quase 50 milhões de brasileiros, pode vencer no segundo turno, em 28 de outubro. Se ele se tornar presidente do Brasil, já avisou que pretende seguir Donald Trump e anunciar a retirada do Brasil do Acordo de Paris. Ele e seus apoiadores também já anunciaram várias medidas que abrirão a Amazônia ao desmatamento. A floresta, que já teve 20% de sua cobertura vegetal destruída, está perigosamente perto do ponto de virada. A partir dele, a maior floresta tropical do mundo se tornará uma região com vegetação esparsa e baixa biodiversidade. E o combate ao aquecimento global se tornará quase impossível.
O ultradireitista que flerta com o fascismo já anunciou que pretende fundir o ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura e que o ministro desta aberração será “definido pelo setor produtivo”. O que Bolsonaro chama de “setor produtivo” é tanto o agronegócio quanto os grileiros, criminosos que se apropriam de terras públicas na base da pistolagem. No Brasil, parte do agronegócio se confunde com a grilagem e é representado no Congresso pelo que se chama de “bancada do boi”.
Essa frente, que reúne parlamentares de diferentes partidos conservadores, tem atuado fortemente nos últimos anos para avançar sobre as áreas protegidas da Amazônia. Querem transformar terras indígenas e áreas de conservação, hoje as principais barreiras contra a devastação da floresta, em pasto para boi, latifúndio de soja e mineração. Nesta eleição, anunciaram seu apoio a Jair Bolsonaro. O Partido Social Liberal (PSL) de Bolsonaro, que deverá engordar a “bancada do boi”, passou de um para 52 deputados, tornando-se o segundo maior partido da Câmara a partir de 2019.
Bolsonaro já garantiu aos grandes fazendeiros e grileiros que vai “segurar as multas ambientais”. "Não vai ter um canalha de fiscal metendo a caneta em vocês!”, discursou em julho. “Direitos humanos é a pipoca, pô!” Também já disse que não haverá “nem um centímetro a mais para terras indígenas” e defendeu que as já demarcadas possam ser vendidas. Entusiasta da ditadura que controlou o Brasil entre 1964 e 1985, ele também já declarou que vai “colocar um ponto final no ativismo xiita ambiental”. O candidato, que exalta a tortura, afirma que “as minorias têm que se curvar à maioria” ou “simplesmente desaparecer”.
Apenas a possibilidade de ser eleito tem funcionado como uma espécie de autorização para desmatar a floresta e matar aqueles que a protegem. Vários casos de violência contra lideranças e assentamentos de camponeses ocorreram na Amazônia nesta eleição. O Brasil já é o país mais letal para defensores do meio ambiente. Com Bolsonaro, os conflitos devem explodir.
Em 8 de outubro, autores do relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertaram que o aquecimento global não pode ultrapassar 1,5°C. Meio grau a mais multiplicaria os riscos de seca, inundações, calor extremo e pobreza para centenas de milhões de pessoas. Alertaram também que só há 12 anos para reverter esse processo. Doze anos. A floresta amazônica é essencial para controlar o aquecimento global. E Bolsonaro já anunciou medidas que vão colocá-la abaixo.
Como o debate foi sequestrado no Brasil, o maior risco quase não é mencionado ou é simplesmente ignorado. Dentro do país. E também fora, onde o silêncio de governos e parlamentos da maioria dos países sobre a ameaça que assombra o Brasil é uma vergonha de dimensões globais.
Se não for por posicionamento humanitário, representado pelo risco de um defensor da ditadura, da tortura e do extermínio dos diferentes se tornar o presidente do maior país da América do Sul, que pelo menos seja por cálculo: o Brasil pode estar se tornando um país cada vez mais periférico em vários sentidos, mas a Amazônia é central no debate mais importante deste momento histórico e que atravessa todos os outros temas: o climático.
Quem acredita que a possibilidade de o Brasil ser governado por um homem declaradamente racista, misógino e homofóbico é apenas mais uma bizarrice da América Latina que não compreendeu que, em tempos de aquecimento global, a ameaça alcança a sua porta.
Eliane Brum é jornalista, escritora e documentarista brasileira.



















