segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cenário desalentador

COOPERACRE - BENEFICIAMENTO DA CATANHA DO BRASIL - T. BAIXO ACRE E ALTO ACRE CAPIXABA - AC

Um dos pilares da economia extrativista acreana, a castanha sofreu uma queda de preço tão drástica, a partir do primeiro trimestre do ano passado, em razão da crise internacional, que neste início de 2013 não tem sequer valor de compra estabelecido pelos principais compradores do estado. O cenário desanimador interfere de maneira direta na maior festa do município de Xapuri, o novenário do padroeiro da cidade, São Sebastião, cuja movimentação de pessoas e de dinheiro sempre foi vitaminada pela força da castanha e da borracha.

Até a semana passada era grande a apreensão de produtores por uma definição de preço para a atual produção de castanha. Houve até mesmo quem cobrasse a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri (Caex) para que se manifestasse sobre a indefinição do mercado. Fato é que o mercado nunca está indeciso ou indefinido; a realidade atual - bastante diferente daquela vivida no ano passado, quando a lata de 10 quilogramas da castanha, nesta mesma época, estava sendo comprada a R$ 17,00 ou R$ 18,00 - é que o produto hoje não encontra valor maior que R$ 10,00. E esse quadro é, clara e implacavelmente, definido pelo mercado.

De acordo com o presidente da Caex, Luís Íris de Carvalho, o Licurgo, não há perspectiva de melhora em curto prazo. A cooperativa sequer está comprando castanha nesse começo de janeiro, o que deve acontecer apenas a partir desta segunda-feira (14). O preço, segundo ele, não passará de R$ 8,00 quando o produto for comprado dentro dos seringais e de R$ 10,00 quando a castanha for entregue pelo produtor no armazém da cooperativa, localizado no centro de Xapuri.

Licurgo afirma que a situação ruim da castanha é motivada pela crise mundial e que se agrava em razão da inserção do produto boliviano que está entrando no mercado nacional porque não encontra mais saída para a Europa. As empresas Thauamanu e Riberalta são, segundo ele, as responsáveis por introduzir no Brasil, de maneira ilegal, a castanha boliviana que aumenta a oferta do produto no país e pressiona os preços ainda mais para baixo.

O panorama atual da castanha é, no entanto, apenas mais um problema para a mais tradicional associação extrativista do Acre. Atolada em dívidas que se arrastam há vários anos, A Caex luta há quase meia década para sair da situação de falência iminente em que foi deixada pela administração que antecedeu a atual, de Luís Íris de Carvalho. A cooperativa criada por Chico Mendes tem hoje quase todo o seu patrimônio penhorado pela justiça e perdeu o direito sobre a usina de beneficiamento que leva o nome do sindicalista assassinado em 1988.

Principal empresa do ramo no estado, a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), que administra a Usina de Beneficiamento Chico Mendes, em Xapuri, está com 30 mil caixas de castanha beneficiada em estoque e não pretende dar a largada na cotação do produto para esta safra. A Cooperacre não conseguiu comercializar no mercado interno toda a produção comprada no ano passado, o que fez com que os recursos captados para a compra da safra atual também fossem drasticamente diminuídos.

A usina de beneficiamento de Xapuri também foi afetada pela crise e dispensou quase a totalidade dos 68 funcionários que trabalharam até o fim do ano passado. Permaneceram por lá apenas 7 pessoas, entre as quais 4 vigias e duas mulheres que por estarem grávidas não puderam ser demitidas. A expectativa da empresa é de conseguir vender essa castanha em estoque para o mercado nacional até a metade do ano para poder devolver à normalidade a rotina de beneficiamento e empacotamento da produção que está em andamento.

Os bons resultados das safras de castanha dos anos de 2010 e 2011 fizeram com que a Cooperacre investisse R$ 2,5 milhões na ampliação e na modernização da usina de beneficiamento de castanha, que foi reinaugurada no dia 27 de julho do ano passado. Com as mudanças, a usina aumentou sua capacidade de produção e passou a beneficiar e empacotar, tipo exportação, mais de 100 toneladas de castanha por mês, matéria-prima toda oriunda dos seringais dos municípios de Brasiléia e Xapuri.

Os principais destinos da castanha processada e comercializada pela Cooperacre são os mercados do Sul e Sudeste do país. “Hoje, nossos maiores compradores continuam sendo os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, mas mantemos um contrato de exclusividade com a Nestlé, a Nutrimental e outras empresas de grande porte”, declarou, à época, Manoel Monteiro, superintendente da Cooperativa.

Na safra passada, no período entre os meses de novembro de 2010 a abril de 2011, a Cooperacre comprou das cerca de 1.800 famílias cooperadas mais de 500 mil latas de castanha, o equivalente a 7 milhões de quilos, o que contabiliza um investimento de R$ 15 milhões em compra de matéria-prima. O que vai acontecer na safra atual, diante do desalentador cenário de crise é uma incógnita a ser decifrada por um monstro voraz chamado mercado mundial.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O Brasil que eu amo

JOSÉ CLÁUDIO MOTA PORFIRO*

O amor é mesmo assim. Lembra uma velha inimiga íntima, já morta, que viveu um casamento de trinta anos com um gringo tosco. Ela trabalhava na roça de sol a sol, cozinhava em fogão de barro e rachava a lenha, asseava as cuecas do marido sujas de sexo extraconjugal, levava um grito a cada instante, apanhava como cadela, era traída diariamente, intitulou-se escrava de si mesma e da vida real e, corajosa, ainda dizia que chifre é igual à assombração, pois só aparece para quem tem medo.

Que amor doido é esse, pelo amor de Deus? É, em síntese, o que eu vivo no aqui e agora desta vida terrena brasileira nata, como descendente de retirantes cearenses sem eira nem beira como a rama da figueira.

Pode-se amar assim, certamente. Ame-o ou deixe-o, foi o que nos disse um dos engalanados generais da minha republiqueta de papel amassado, parece-me, o Garrastazu Médici, ainda nos anos 70. Eu preferi a primeira assertiva, mesmo sabendo que apanharia muito.

Feito rapariga deprimida, eu amo demais o meu Brasil varonil, machista, impulsivo, enjoado, esnobe, posudo, bom de cama e de ginga, branco, preto, mulato como a pele macia de Oxum, numa referência a Vinícius de Mores que, bêbedo, ainda dizia que tecnologia de ponta é chifre mesmo.

Hoje, a onça não virá beber água. Março está à vista e será a vez do leão do imposto de renda tirar polpudos nacos de carne da bunda de cada brasileiro que sustenta o diapasão opulento da politicanalha nacional, com as minhas honrosas e raras exceções, é claro.

As obrigações de pai de família me levam ainda a pagar os impostos de dois veículos automotores, um meu e o outro do meu filho estudante focado na engenharia elétrica da Ufac. Pagarei, por todo o ano, o colégio dos gêmeos que completarão nove anos em fevereiro. O plano de saúde caríssimo não poderá ser esquecido. O homem da moto que passa à noite em frente à minha casa, a cada hora, deve receber a sua cota de participação nos meus vencimentos.

Em síntese, os impostos levam quase a metade do meu salário de barnabé folgado. Todavia, as benesses que seriam garantidas pelo pagamento dos tributos nunca vêm, uma vez que a escola pública de péssima qualidade me obriga a pagar colégio particular. A assistência à saúde da família por parte do poder público não é confiável e eu me ferro nas rodas gritantes da Unimed. A segurança é meio faz de conta e o homem da moto diz dar conta do recado, mas não dá. Outro dia mesmo, na calada da noite, veio alguém e desligou a energia elétrica da minha residência e a de dois vizinhos. O projeto de engenheiro lá de casa ligou para o 190 e até hoje ninguém apareceu para contar quantas foram as vítimas do possível malfeitor. Uma grande porcaria.

Eu riria como ri ao ler pela primeira vez a frase lapidar de Charles De Gaule, ex-presidente da França: não, o Brasil, definitivamente, não é um país sério e nós não podemos levar muita coisa a sério, pelo menos agora, porque chegou o Carnaval. Geleia geral. Bagunça total.

Não ri. Chorei copiosamente, abundantemente. O Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El Pais, foi taxativo e categórico quando disse não entender porque no Brasil juntam-se milhões para a participação numa parada gay, muitas centenas vão a uma marcha a favor da maconha, mas ninguém é mobilizado contra a corrupção. Boa sacada. Genial, esse cara.

E outras lambanças mais me aturdem. Estou insone. O Brasil chegará, mais uma vez, em alta madrugada, bêbedo, melado de batom, besuntado nas partes pudendas e cheirando a cerveja misturada a perfume de prostituta barata. O sono prevaricador me faz lembrar que o meu amigo Malta, motorista do Senado, ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata. É mole ou quer mais?

Quer sim!

Um ascensorista da câmara federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da força aérea que pilota um avião supersônico. Um diretor que é responsável pela garagem do senado ganha mais que um oficial-general do exército que comanda uma região militar ou uma grande fração do Exército. Um diretor - sem diretoria - do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional. Um assessor de terceiro nível de um deputado, que também tem esse título para justificar os seus ganhos, mas que não passa de um aspone ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas. O sistema único de saúde paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de setenta reais, bem menos do que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos. Uma meleca!

O espaço que me cabe para levar aos leitores minhas mensagens às vezes tão corrosivas é mínimo diante da farra que nós patrocinamos para, em Brasília, os mandões da República agirem como se todos nós pudéssemos ser enganados. Ora, ninguém engana a tantos por tanto tempo. O que os brasileiros estão precisando, na realidade - urgentemente - é de um choque de moralidade nos três poderes da união, estados e municípios, acabando com os oportunismos e cabides de emprego. Os resultados não justificam o atual número de senadores, deputados federais, estaduais e vereadores. Temos que dar fim a esses currais eleitorais, que transformaram o Brasil numa oligarquia sem escrúpulos, onde os negócios públicos são geridos pela brasiliense cosa mostra, sem nenhum exagero.

O país do futuro jamais chegará a ele sem que haja responsabilidade com os gastos públicos. Já perdemos a capacidade de nos indignar. Porém, o pior é aceitarmos essas coisas, como se tudo tivesse que ser assim mesmo, ou que nada tem mais jeito. Vale a pena tentar, sim.

E tudo continuará assim, pelo menos enquanto essa nossa geração de dorminhocos sobrexistir, se nada fizermos, se nós não levantarmos as nossas bandeiras contra toda essa corja que hoje habita os corredores dos poderes públicos. Vigiai e orai!

Ah, o bom Niemeyer se foi. Mas, reverenciando este poeta da ética e da estética, agora morto aos cento e cinco anos, vale registrar comentário supimpa. É de admirar uma sacada dessas vindas da verve de um cidadão em idade centenária.

Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como pinico. [...] Hoje eu vejo, tristemente, que a minha cidade dos sonhos nunca deveria ter sido projetada em forma de avião, mas sim de camburão.

E haja chope e pode colocar aí um filé aperitivo porque eu, cá deste boteco bacana do Leme, em verdade vos digo que o meu brasileiro amor maior me trai, mas, como um traído inquieto, indignado, tiro o laço dos chifres e não irei exatamente à forra, mas talvez haja de considerar o ditado caipira segundo o qual o casamento é como a gasolina: custa caro, acaba rápido e pode ser substituído pelo álcool. Ora tá!

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*Escritor: www.claudioxapuri.blog.uol.com.br.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Castanha em baixa

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A Festa de São Sebastião em Xapuri terá neste ano um componente negativo do ponto de vista econômico e comercial: o baixo preço da castanha. Tradicionalmente, a movimentação de pessoas e de dinheiro na cidade que tem o soldado romano que se tornou santo como padroeiro possui relação direta com a força das atividades extrativistas como a borracha e a castanha.

Preço baixo desses dois produtos significa queda também nas vendas do comércio local e dos tradicionais marreteiros que, independentemente de qualquer situação, comparecem a Xapuri todos os anos para participar de uma das maiores manifestações religiosas do Acre. A situação também gera desemprego no setor que esteve aquecido nos anos de 2010 e 2011.

A Caex - Cooperativa Agroextrativista de Xapuri - ainda não comprou sequer uma lata de castanha em 2013. A Cooperacre - Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre – dispensou quase a totalidade do quadro de funcionários da Usina de Beneficiamento Chico Mendes no fim do ano passado. Não há previsão de inversão no cenário de crise em curto prazo.

Sem preço definido até o momento, a lata de 10 quilos da castanha não atinge hoje valor superior a R$ 8,00 no seringal ou R$ 10,00 na cidade. Na próxima segunda-feira (14) publicarei postagem sobre o assunto que tem causado preocupação entre centenas de pessoas ligadas de alguma maneira com a coleta da castanha no município de Xapuri.

Alamanda Rosa

(Allamanda blanchetti)

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Também chamada de alamanda roxa, é uma planta arbustiva semi-lenhosa de folhas perenes de regiões de clima quente. Forma grandes touceiras, tem característica de uma trepadeira, semelhante à alamanda amarela, com suas flores em forma campanulada, mas as cores são cor-de-rosa arroxeada, rosa-claro ou branco-amareladas. As folhas são mais largas de nervuras marcadas, ovais acuminadas de cor brilhante. Floresce praticamente o ano inteiro. A da imagem foi clicada no jardim da casa das irmãs Servas de Maria Reparadoras, localizada na rua Dr. Batista de Moraes, no centro de Xapuri.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A procissão

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José Cláudio Mota Porfiro

Às duas da tarde, depois de um sol forte desde manhãzinha, um tempão azulado quase escuro começa a se formar lá pras bandas do alto Rio Xapuri. Em pouco tempo, chove a cântaros. Copiosamente.

Abundantemente. Chuva densa pesada, vinda do céu não por milagre, mas quase por obrigação, uma vez que, se não há inverno ranzinza, duro, avassalador, não há Amazônia, e o pulmão do mundo ficará sem o ar puro, e com selo de qualidade, que a humanidade sorve enquanto presente de Deus. Uma dádiva um tanto exagerada, principalmente, para este gajo desastrado e imponderável que não faz outra coisa que não se admirar da grandiosidade de tudo o que diz respeito ao Acre... Eu.

Agora, já chego a me sentir quase um Euclides da Cunha, aqui, em missão religiosa. De lápis de carpinteiro à mão, e mais um cadernão confeccionado com agulha e linha por mim mesmo, tomo as anotações possíveis, desde o desembarque. Sou um repórter a serviço de Deus.

Como é tradição, segundo os mais antigos, às quatro e pouco, o céu se veste de um azul claro borrado por tênues nuvens branquinhas que mais parecem chumaços de algodão esvoaçante, como que tocado a mágico pincel. Uma joia da natureza. É um brinde à multidão que se acotovela no pátio da matriz.

Há um cheiro de borracha no ar. As pessoas vindas dos seringais o trazem enrustido na pele. Elas cheiram a látex amadurecido pelo sol. Não fedem, exatamente, como dizem os mais aquinhoados da terra. Dentre os seringueiros, o perfume Desejo é bastante usado, mas enjoativo deveras; quase embebeda. Os mais abastados - portugueses e turcos - usam Água de Colônia ou Patichuli. Eles, sim, podem até feder, por não serem muito chegados a banho, mas têm dinheiro com o que adquirem até produtos da perfumaria francesa.

Alguns seringueiros dentre os mais novos, e poucos dentre os mais velhos, não dormiram de ontem para hoje e ainda a carraspana do dia anterior lhes deteriora as mentes. Estão, diria, entorpecidos. Outros estão bêbados mesmo. Durante o percurso, vejo uns quatro ou cinco dormindo em via pública acostados a qualquer umbral do destino. Isto, porque a felicidade da festa mundana foi mais forte que a devoção do festejo religioso. Coitados! Estão inebriados por uma folga de dois ou três dias da faina bruta dos seringais que, logo em seguida, será retomada por um ou mais anos a fio, isto, porque nenhum sabe se no próximo ano terá condições de voltar para ver os conterrâneos cearenses - na sua superior maioria - e a cidade que cresce do dia para a noite, apesar das notícias relativas aos preços da borracha não serem lá tão alvissareiras.

Há um sem número de pelas de borracha aí pela casa dos oitenta quilos. Há bois, garrotes, vacas, porcos, carneiros, patos, galinhas... Todos irão a leilão daqui a pouco, após as homenagens religiosas. Não apenas a construção da igreja precisa da renda, mas o sonho de um colégio internato para as órfãs dos seringueiros mortos também precisa tornar-se realidade pela operosidade das Irmãs Servas de Maria Reparadoras, as formiguinhas astutas e prendadas sem as quais o Padre Felipe Galeranni não faria a metade do que faz.

Segundo muitos dos xapurienses, as freiras católicas se assemelham aos plantadores de trigo que, além da semeadura, já se preparam para a elaboração do pão que alimenta o corpo e nutre a alma.

Agora, os sinos redobram e o foguetório ameaça os tímpanos. Muitos choram de emoção, inclusive eu. A imagem do Santo é erguida nos ombros de alguns notáveis da cidade, dentre os quais o Eurico Fonseca, um português sem mais nenhum sotaque.

A Banda Municipal Santa Cecília executa, ainda parada, um dobrado bastante solene, como requer a ocasião. Aliás, tudo e todos aqui têm a sua imponência, cada um ao seu modo, do mais rico dos patrões ao mais humilde dos seringueiros.

E segue o imenso cortejo ladeira acima, pela Rua Benjamin Constant, rumo à Praça do Bosque, entoando um cântico que não me é do conhecimento:

Salve, salve, São Sebastião
De Xapuri orai ao Santo Protetor
Recebei as nossas orações
Cheios de esperança, cantemos com fervor (...)
Abençoa as nossas famílias.
Recebe aqui da nossa Igreja
Todo o nosso amor e gratidão
Grande mártir, ó meu São Sebastião. (...)

E, do alto de uma ladeirinha, olho para o povo da mata lá atrás. Todos circunspectos. Eles, com os seus chapéus à mão. Elas, com os filhos a tiracolo. Não há um que não tenha cara de necessitado de tudo, inclusive das bênçãos dos céus que, no inverno, descem impiedosamente em forma de chuva, muita chuva. Sim, as mulheres carregam as crianças de banda, escanchadas nas ancas às vezes tão magras.

Os miúdos - no dizer dos de Portugal - seguem em fileiras, como se andassem nos caminhos da mata. É o costume. Muitos são os que levam ex-votos nas cabeças chatas (jerimuns) em forma de pernas ou braços que foram quebrados, casas que pegaram fogo, lamparinas, porongas, retratos, canoas, machados e até tijolos da construção. Crianças e adultos estão trajados de anjos. Outros usam as vestes do Padroeiro quando executado em Roma. Há velas, muitas velas e, depois do hino, o foguetório recrudesce.

Um veio do Crato, outro de Barbalha, outro de Missão Velha, outro do Quixadá, outro do Quixeramobim, outro de Russas, outro de Juazeiro... Vieram arrastar dinheiro com o gancho e agora amargam arrependimento enorme. Todos estão ainda em busca de sonhos completamente sem bases mais reais, apenas ilusões, devaneios que, no mais das vezes, se tornam pesadelos... E eu, que quase acabo de chegar do Baturité, vim em busca de aventura, aos vinte e três anos de idade e com os olhos marejados pela dor que é não poder fazer nada por essa gente minha que daria a vida para voltar ao Ceará querido. Meu Deus!

Grata surpresa! Uma família grande formada por Raimundo e Conceição, José Calixto e Francisca, Maria das Dores e Arcelino Pereira, primos, sobrinhos e casais, incluindo umas mocinhas e uns rapazolas, todos também vieram do Baturité. Uns estão por aqui desde antes da guerra de 1914, outros, chegaram há pouco, a convite dos primeiros. Eles vivem na cidade e trabalham como carpinteiros construindo as tantas casas que se erguem a cada dia, ou como pedreiros, mas possuem colônias próximas de onde tiram algum sustento. Enfim, são pobres, mas são felizes.

- Sou grato a Deus por lhes ter conhecido em ocasião tão especial. - É o que lhes digo em tom de despedida, até porque nunca mais os vi.

- Nós também estamos muito agradecidos e lhes desejamos muitas felicidades. - É o que responde um deles.

E a voz do padre se faz poderosa, tonitruante. Ele pede a São Sebastião que proteja aqueles trabalhadores do fundo dos seringais, na mais completa adversidade, na luta contra o bicho do mato e muitas vezes contra o bicho homem.

Há terços e rosários de ouro, até. Há os de prata, também. Há os de vidro e os de madrepérola. Mas há os pobrezinhos, de continhas tiradas do mato, ali mesmo, e enfiados em linha zero... E segue o espetáculo da fé mais pura desses deserdados e desdentados que sofrem a tristeza que é serem desertores dentro da própria Pátria.

À frente do cortejo segue a imagem de São Sebastião. Em seguida, vem o padre acompanhado por um séquito de sacristãos, inclusive um, muito comunicativo, que diz se chamar Fadoul, filho de Sarah Fadoul, vinda da Síria. (Como pode? Será que esqueceram rapidamente o fanatismo islâmico que os empurrou para o outro lado do mundo? Não. Não é bem assim. Dizem que lá os Fadoul eram cristãos e, por isso, foram perseguidos e fugiram para não morrer.)

Em seguida, vêm as freiras e as internas, umas trinta, todas vestidas em vestidos azuis claros que vão ao meio das canelas. Umas, já bem graúdas, chegam perto da beleza. Outras, nem tanto. Elas residem com as freiras que lhes dão educação e bons modos. A Irmã Petronilla Trinca é a Madre Superiora a quem todas devem respeito, principalmente, pela gravidade do semblante sempre austero, à moda das melhores etnias europeias.

Em seguida, vêm as congregações religiosas. Os Praxedes homens pertencem à congregação dos Irmãos Marianos. As mulheres fazem parte das Filhas de Maria. Estes portam largas fitas azuis claras ao pescoço. Aos marianos se alinham Jorge e Carmem Gatasse, Hermes e Elisa Brasileiro, João de Arruda e esposa, Simão Antônio e Fayd, Alfredo Zaire e Juanita. Os Maias, dentre os quais a mãe, Mariquinha, e os filhos Solón, Jorge e Lourdes, são da Congregação de Nossa Senhora das Dores, de fita roxo-lilás. Alinham-se aos roxos Maria Meira, Maria das Dores Mota, Linda, esposa de Eurico, Maria Menezes e Seu Menezes, João Esteves, Benevenuto, dentre outros mais. Pertencem à Congregação do Sagrado Coração de Jesus, de fita vermelha, Maria e João Figueiredo, Antônio e Adelina Mortes, Manoel Isaías de Matos e Dona Nazaré, Seu Sabino e esposa, e outros mais.

Sebastião, guerreiro esforçado
Eleito por Deus general
De novas briosas falanges
Às ordens do Rei imortal...

Realmente, bonitas de ver são as janelas muito bem ornadas de algumas casas. São como pequenos oratórios onde se sobressai a imagem do Padroeiro em meio a rosas brancas e fitas vermelhas. A primeira é a da casa de Chico Camelo. A segunda é a casa de Aziz Hadad. Em seguida, vem, já na outra rua, a janela da família de Pedro Marreta. Depois, vêm as de Albertina Galo, de Edmar Koury, de Elisa Eluan, de Abrahão Felício, de Alfredo Zaire, de José Rodrigues e a de Antônio Mortes.

Rezamos o terço. Cantamos hinos católicos. Acreditamos piamente que o ano de 1940 será muito melhor que o anterior.

Senhor Jesus, rogai por nós. Livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente aquelas que mais precisarem...

Enfim, concluímos o périplo através das ruas da pequena cidade. É esta a hora do sermão do Padre Felipe. A história do Santo nos leva às lágrimas. Quanta fé. Quanta honra. Quanta glória. Um santo!

O grande leilão se estendeu até um pouco depois das dez da noite... Enfim, as barracas já não dispõem das iguarias de há pouco. Estão encerrados o bingo, o jogo de mira e a pescaria. As pessoas se dispersam levando as prendas obtidas nas competições e apostas. A grande maioria é composta de gente da cidade.

É manhãzinha. No largo em frente ao Mercado Municipal, os marreteiros que por ali expunham os seus produtos trazidos de Belém e Manaus já desarmam as tendas. Ali, bem ao lado, em frente ao Palanque - desembarque para os que chegam - uma pequena multidão já se aglomera. É hora de voltar para a vidinha pacata, antes tão sem graça e cheia de sofrimentos e solidões, mas, agora, com as esperanças renovadas pela grande fé no que pode o Padroeiro fazer por todos e por cada um.

Assim é a vida dessa gente miúda. Prenhe de eternas esperanças e sonhos que se tornam realidade viva para tão raros. Poucos, pouquíssimos, têm direito à grande ventura que é um dia rever o longínquo Ceará.

As lágrimas incontidas não fogem aos meus olhos. Esses heróis desconhecidos merecem o algo mais que só a fé em Deus pode, talvez, lhes garantir. E garantirá.

José Cláudio Mota Porfiro é escritor.

“Pires nas mãos”

Luís Carlos Moreira Jorge, colunista político, no site Ac24horas.

Novenário de São Sebastião

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inicia-se hoje mais uma edição da mais famosa festa religiosa do Acre, o Novenário de São Sebastião. A imagem acima é do ano passado, registrada no momento em que fiéis se espremem para levar para casa partes da ornamentação da imagem.

A busca dos romeiros pelos restos dos adornos da imagem de São Sebastião também faz parte da tradição que completa 111 anos em 2013. Muitos guardam como recordação e outros chegam a fazer chás com ramos de laranjeira retirados do andor com uma grande fé de que a porção é milagrosa para uma infinidade de males.

São Sebastião é realmente dono de uma força incrível. Energia espiritual que movimenta e fortalece a fé e a esperança dos xapurienses em dias melhores, em mais um ano de lutas, batalhas e realizações positivas.

E torçamos para que a intolerância religiosa não mostre sua cara neste ano, como ocorreu em 2012, quando um homem se postou diante da igreja de São Sebastião para proferir insultos contra os católicos. Que cada um viva sua fé e exerça sua devoção da maneira que lhe convier.

E que Deus abençoe a todos.

Um 2013 menos clichê...

Por Marcos Hiller

Quero um 2013 mais inusitado. Um ano menos ansioso e mais “easy-going”. Um 2013 com mais abraços reais e menos virtuais. Um ano com mais check-ins em museus do que em shoppings. Que as pessoas se exponham menos, cutuquem menos, retuitem menos e produzam mais. Que a gente se logue menos e se deslogue mais. Que a gente saia mais para jantar fora, em uma segunda-feira qualquer, com quem a gente ama. Que a gente ligue mais para dar os parabéns e deixe menos mensagens na rede social.

Um 2013 menos exigente com nós mesmos e mais paciente com os outros. Um 2013 com mais riscos, um ano mais cara-de-pau, uma fase de descobertas, e de ser mais fuçado. Que a gente conheça mais gente na rua e menos na tela do computador. Um ano de sermos mais autênticos, mais nós mesmos e mais orgulhosos de nossas conquistas, por menores que elas possam ser. Um ano de celebrar tudo e de buscar a felicidade nas pequenas coisas. Um ano menos “status quo” e mais “siga sua intuição”. Um ano mais light e  menos urgente. Um ano com menos projetos e com mais ideias. Um ano mais Coca-Cola normal e menos Coca Zero. Um  2013 mais sustentável, mais verde, mais Heineken.

Que as pessoas critiquem menos, elogiem mais, trolem menos e compartilhem mais. Que a gente curta mais a nossa vida do que a dos outros. Eu quero um 2013 que nem céu de brigadeiro, mais inesquecível, mais bonito e mais calmo. Um ano mais 1.0 e cada vez  menos 3.0. Eu quero um 2013 mais offline e menos online.

Para um especialista em Marketing, Consumo e Mídia Online pode parecer um contrassenso, mas não é. Acredito muito no potencial e no poder de ferramentas online no nosso dia-a-dia e nas nossas relações com pessoas e marcas. Mas pra mim, o alicerce de qualquer estratégia digital ainda está no mundo real, no mundo offline, no aqui e agora. A essência de tudo ainda está nas pessoas, no ser humano, na vida como ela é. Um excelente 2013 a todos!

Marcos Hiller é coordenador de Marketing, Consumo e Mídia Online da Trevisan Escola de Negócios.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Nostradamus xapuriense

Maxsuel Maia

O ano novo chegou e não veio sozinho. Trouxe com ele um novo prefeito, novos interesses, novas alianças e vereadores nem tão novos assim. O sentimento de mudança, defendido por muitos como a causa da vitória de Marcinho Miranda, ficou restrito ao campo do executivo, já que no legislativo "velhas raposas" se reelegeram e outras retornaram à casa, assim como fazem os filhos pródigos.

Escrever ou falar algo sobre a inerte Câmara xapuriense vem se tornando uma opção de risco, com alguns conterrâneos e colegas blogueiros sendo acionados na justiça por ousarem questionar as ações (ou falta delas) por parte dos "representantes do povo". Mas, por não abrir mão da liberdade de expressão e por não temer cara feia, vestirei agora a fantasia de Nostradamus xapuriense e farei uma previsão que, infelizmente, tende a se concretizar no legislativo mirim ao longo dos próximos quatro anos: A Câmara de vereadores de Xapuri continuará sendo um espaço meramente ilustrativo, improdutivo e inoperante.

Não é novidade que a "casa do povo" já não funciona em Xapuri há algum tempo e o resultado do último pleito eleitoral não dá o mínimo sinal de que essa situação possa melhorar. Sobre os reeleitos, alguns deles "profissionais políticos", titulares de mandatos extremamente medíocres, só o que tenho a dizer é que certamente não mudarão a forma de fazer política, trabalhando sempre com o favorecimento pessoal desse ou daquele.

Sobre os novatos, algumas constatações fáceis até pra quem não entende muito sobre a política local: os que vêm da base de sustentação do prefeito ficarão completamente submissos ao executivo, numa relação promíscua de favores e interesses. Já os vindos do PT, apesar de novos nessa legislatura, são velhos conhecidos da população, já estiveram na câmara antes e não deixaram muita saudade, o que deve se repetir, ainda mais se levado em consideração que são minoria e foram varridos da mesa diretora da casa.

Nem com todo o otimismo que me é peculiar consigo prever algo muito diferente disso na casa dos edis xapurienses. Espero com toda a sinceridade ser surpreendido e ter as minhas previsões rasgadas pelos próprios vereadores ao final dessa legislatura. Quem viver, verá!

Maxsuel Maia é um excelente blogueiro xapuriense radicado em Rio Branco que não tem tempo para se dedicar mais intensamente ao blog que criou, o Maxsuel Xapuri.

“Vamos quebrar o marasmo da câmara”

Vereador petista retoma mandato depois de 8 anos e diz que partido fará oposição responsável e madura à administração de Marcinho Miranda.

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Aos 40 anos de idade, o vereador Eliomar Soares de Souza, o Galego, chega à sua segunda eleição para a câmara de Xapuri, onde esteve entre os anos de 2001 e 2004, período do último mandato do ex-prefeito Júlio Barbosa de Aquino. Militante do PT há mais de 20 anos, é uma das promessas para acabar com a apatia que domina o poder legislativo municipal há décadas.

Galego não esconde uma grande decepção que teve na política ao não conseguir a reeleição depois do primeiro mandato. Ele havia idealizado um grande projeto social que, executado pela prefeitura, levou esporte e lazer para bairros e localidades rurais, gerando empregos temporários para quase duzentas pessoas, mas isso não gerou resultado positivo nas urnas.

Em meu programa de rádio, nessa manhã de quinta-feira (10), o vereador agradeceu à população por haver proporcionado o seu retorno à câmara, afirmou que o tempo que passou sem mandato o fez amadurecer politicamente e disse estar agora melhor “preparado para fazer a diferença” num momento em que o legislativo-mirim precisa mostrar para a sociedade o seu papel.

Perguntado sobre a eleição da mesa diretora que deixou o seu partido sem cargos no comando político da casa, disse que o resultado “já era esperado”. Confirmou que o PT tentou um acordo com o PSB, através do deputado Manoel Moraes e do vereador Gessi Capelão, mas disse desconhecer que tenha havido qualquer conversa sobre a composição da mesa com os partidos da base do prefeito Marcinho Miranda, como afirmou o vereador Celso Paraná.

O vereador peemedebista, que esteve no mesmo programa de rádio na manhã de ontem (9), afirmou que o PT foi procurado para debater o assunto e acusou o partido de intransigência nas negociações para a composição da mesa diretora da câmara. Celso Paraná acrescentou que os petistas ficaram fora da direção política da casa porque assim o quiseram.

“Não sei por qual razão o nobre vereador fez essas afirmações”, disse Eliomar Soares, negando também que tenham fundamento os comentários de que existe uma espécie de retaliação do governo do Estado contra a nova administração de Xapuri a pedido do PT local em razão do desfecho negativo da eleição da mesa diretora da câmara.

“O governo do Estado tem tantas responsabilidades para cuidar que talvez nem saiba do resultado da eleição da mesa diretora da câmara em Xapuri. Esses comentários acontecem por causa de uma marca da administração passada, que eles não se prepararam antecipadamente para manter”, afirmou se referindo à polêmica das tendas não cedidas pelo governo do Estado.

De acordo com o vereador, administração atual está condenando o governo do Estado por não fornecer tendas para a Festa de São Sebastião como se isso houvesse acontecido no ano passado.

“A grande maioria das tendas que a prefeitura utilizou nos últimos anos foram contratadas de uma empresa privada e não cedidas pelo governo”, garantiu.

Polêmicas à parte, Eliomar Soares prometeu que o seu partido fará uma oposição eticamente responsável e politicamente madura à gestão do prefeito Marcinho Miranda, colocando sempre em primeiro lugar o interesse da população.

“Vamos quebrar o marasmo da câmara, mas sem fazer a política do quanto pior melhor”, completou o vereador, reforçando o velho e conhecido clichê que tem como habitat o discurso dos partidos de oposição.

Gestão de Precatórios

Xapuri está na lista dos municípios acreanos que podem ser notificados em breve para quitar débitos. Quatro prefeituras já tiveram contas sequestradas pela TJAC.

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O Tribunal de Justiça do Estado do Acre realizou o sequestro em conta dos Municípios de Assis Brasil, Capixaba, Marechal Thaumaturgo e Sena Madureira, referente às parcelas em atraso do ano de 2011. Os recursos são necessários ao pagamento dos precatórios.

Os valores foram sequestrados pelo Núcleo de Processamento e Gestão de Precatórios (NPGP) por meio do sistema Bacen Jud - ferramenta de envio de ordens judiciais ao Sistema Financeiro Nacional via Internet.

O município de Assis Brasil teve sequestrado o montante de R$ 25.390,36 mil; o município de Capixaba, o valor R$ 18.125,97 mil; o município de Marechal Thaumaturgo, R$ 75.145,27 mil e o município de Sena Madureira, um total de R$ 30.504,20 mil.

Esses municípios haviam sido notificados para realizar o depósito da parcela do ano de 2011, que estava em atraso, ou encaminharem a documentação comprobatória no prazo de 30 dias, no caso de já terem cumprido a obrigação. No entanto, eles permaneceram inadimplentes.

Nesses casos, o parágrafo 10 do artigo 97 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias prevê o sequestro do valor não liberado nas contas dos entes devedores, por ordem do Presidente do Tribunal de Justiça.

A norma vigente também estabelece a imputação do gestor na forma da legislação de responsabilidade fiscal e por ato de improbidade administrativa, a proibição do ente devedor de contrair empréstimo externo ou interno, o impedimento de receber transferências voluntárias, enquanto durar a omissão, bem como a retenção dos repasses relativos ao Fundo de Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios inadimplentes.

Desse modo, após a instauração de Processo Administrativo, houve o sequestro de valores nas contas dos municípios de Assis Brasil, Capixaba, Marechal Thaumaturgo e Sena Madureira. Além disso, serão encaminhadas cópias dos autos de sequestro ao Ministério Público Estadual, para a apuração de eventual ato de improbidade administrativa por parte dos gestores.

Já em relação à parcela do ano de 2012, foram instaurados Processos Administrativos contra os municípios de Assis Brasil, Capixaba, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro, Sena Madureira, Senador Guiomard, Tarauacá e Xapuri. Em breve, esses municípios serão notificados para regularizar o pagamento ou remeter os comprovantes no prazo de trinta dias. Caso isso não aconteça, poderá de semelhante modo ocorrer o sequestro de valores de suas respectivas contas.

Fonte: Ascom/TJACRE.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“O PT foi intransigente”

Vereador do PMDB credita ao próprio PT a responsabilidade pelo partido haver ficado fora da composição da mesa diretora da câmara de Xapuri.

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Segundo vereador mais bem votado nas últimas eleições, com 401 votos, o peemedebista Celso Garcia, 48 anos, o Paraná, demostra potencial para ser um dos protagonistas da próxima legislatura da câmara de Xapuri, que se inicia no dia 5 de fevereiro.

Articulado, com boa oratória e afirmando estudar o regimento da casa há bastante tempo, o paranaense de Congonhinhas promete cumprir com o seu papel sem “dizer amém” àquilo com o que não concordar, mesmo que parta do prefeito que ajudou a eleger.

Celso Paraná esteve na Rádio Educadora 6 de Agosto na manhã desta quarta-feira (9), onde concedeu entrevista de 20 minutos a este blogueiro. Agradeceu às quatro centenas de votos recebidos e falou sobre as suas expectativas para os próximos 4 anos.

O vereador afirmou que sua eleição não lhe causou grande surpresa em razão do trabalho que diz vir desempenhando junto à população da cidade e do interior desde que retornou para Xapuri no ano 2000, depois de ter vivido aqui de 1984 a 1988.

“Espero agora retribuir esse apoio contribuindo da melhor maneira possível com o município. Sou muito grato a quem depositou em mim toda essa confiança, mas não pretendo ficar só nos agradecimentos; tenho que trabalhar, pois quero transformar esses 4 anos em 8”, disse ele.

Sobre a polêmica eleição da mesa diretora da câmara, que resultou na monopolização de todos os cargos pelos partidos alinhados com o prefeito Marcinho Miranda, Celso Paraná afirmou que o PT ficou fora da composição por conta de sua própria intransigência.

Ele explicou que os partidos que compõem a base de apoio a Marcinho tentaram fechar um acordo com os demais para que a mesa diretora tivesse composição mista, mas que o PT não aceitou dialogar porque pretendia ocupar todos os cargos imaginando que contaria com o apoio do vereador Gessi Capelão, do PSB, o que não se confirmou.

“A razão de o PT ter ficado fora da mesa diretora foi pura intransigência de alguns de seus vereadores. A intenção deles era dominar o comando político da casa e formar maioria na oposição para atravancar a administração do Marcinho”, afirmou.

Com relação à opinião de que na atualidade a câmara não goza de prestígio popular por conta de seu histórico de fisiologismo, Celso Paraná diz que a instituição precisa voltar a se aproximar da população e buscar meios para que esta passe a participar do trabalho do legislativo.

Por outro lado, o edil também afirma que a própria população tem parcela de culpa na atual situação da câmara porque não cumpre com sua obrigação de acompanhar os trabalhos e fiscalizar a atuação daqueles em quem votou para assim poder cobrá-los.

A respeito do início da nova gestão municipal, o vereador, que foi eleito segundo secretário da Câmara, disse que agora a “ficha está caindo” para a dificuldade que é assumir uma prefeitura cheia de problemas entre os quais a falta de orçamento é a pior.

De mangas arregaçadas na ajuda ao novo prefeito para organizar a cidade para a Festa de São Sebastião, afirmou que neste ano a estrutura ficará devendo uma melhor qualidade, mas garantiu que em 2014 Xapuri terá a melhor festa da história do município.

Que o santo padroeiro diga amém.

Enfim, a discordância

É surgida a segunda polêmica do ano no âmbito da política local – a primeira foi a eleição da mesa diretora da Câmara de Xapuri, que varreu o Partido dos Trabalhadores do comando da Casa. E há quem diga que a segunda tem – de alguma maneira - relação direta com a primeira.

Então, vamos a ela. O ex-prefeito Bira Vasconcelos inovou, há quatro anos, e padronizou os espaços cedidos aos tradicionais marreteiros sob tendas de lona que depois de alguma resistência caiu no gosto popular. Organizou, embelezou e batizou de “Shopping Popular”.

A intenção de Marcinho Miranda, o novo mandatário do município, ao que tudo indica, era a de manter o mesmo padrão criado por seu antecessor. Tentou junto ao governo do Estado o apoio para bancar as tendas, mas não conseguiu resposta positiva. E a negativa se transformou em acusações de retaliação por parte do governo.

Comedido, o prefeito Marcinho Miranda não reclama, pelo menos publicamente, de qualquer problema com o governo estadual, com quem já explicitou que pretende estabelecer parcerias em diversas áreas de sua administração.

Mas o vereador Rivando Mota (PSDB), o mais votado nas últimas eleições, não escondeu sua indignação com uma suposta retaliação do PT por haver perdido a disputa pela prefeitura e pela presidência da Câmara na eleição da Mesa Diretora.

“O problema é que eles não sabem perder e querem que o povo fique a mercê da incompetência deles. Mas tenho certeza que eles sabem que Xapuri faz parte do Acre e do Brasil. Cadê a democracia? Dá licença!”, postou Rivando Mota no Facebook.

A exemplo do vereador tucano, outros partidários do atual prefeito insinuam que membros do PT de Xapuri de interferiram na disposição do governo de Tião Viana em ajudar o município. O partido da estrela vermelha não aceita as insinuações, mas declarou, através do líder da bancada, Chiquinho Barbosa, oposição ferrenha à administração do PSDB.

E a razão para esse clima, digamos, hostil que estabeleceu logo no início da nova gestão foi justamente o desfecho da eleição da mesa diretora, que os petistas creditam a cooptação do vereador Gessi Capelão (PSB) pelo grupo de Marcinho Miranda.

O resultado é que o PT foi banido da composição da direção política da Câmara, sendo o único dos partidos que elegeram vereadores a não galgar nenhum cargo na mesa diretora. O subproduto desse desfecho é uma situação que há muito tempo não era vista naquela Casa: discordância, o que deve findar por ser positivo no conjunto da obra.

Dedicada nas últimas décadas ao proselitismo e ao fisiologismo, a Câmara de Xapuri terminou por perder a sua mais forte razão de ser: um palco de debates, onde ideias convergentes ou divergentes devem pender sempre para o interesse da coletividade e não para o bem estar daqueles que compõem a esfera do poder municipal.

Simplicidade

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Seria esta a sinuca dos Flintstones?

A imagem circula na internet sem maiores referências. Foi enviada ao blog por e-mail pelo advogado Júlio Cézar Oliveira, grande pesquisador da rede para assuntos engraçados.  

Choque de realidade

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Passados os momentos iniciais de festa e empolgação, a nova administração de Xapuri começa a encarar a crueza que é administrar um município pobre, de economia capenga e quase que totalmente dependente da mesada federal.

As dificuldades que se fizeram presentes nos quatro anos da gestão de Bira Vasconcelos amanheceram na porta do gabinete do prefeito Marcinho Miranda logo no dia 2 de janeiro como que a acordá-lo para uma realidade desafiadora.

O primeiro grande abacaxi a ser descascado é preparar a cidade para a Festa de São Sebastião, uma das duas maiores celebrações religiosas do Acre. A tarefa não é das mais simples. Falta logística, falta dinheiro e sobra o que se fazer.

Na imagem acima, funcionário da prefeitura esgota com balde a água de buraco na rua Floriano Peixoto, em frente à escola Plácido de Castro, onde parte dos marreteiros serão alocados. Impraticável, a via pública receberá o conhecido remendo de cimento e tijolo.

O tempo urge e como se faz desde sempre, a prefeitura da princesinha tem que correr para tapar aqui e mascarar ali. Não há nada de novo no front, apenas a nua e crua realidade a chocar aqueles que de repente veem o bicho menos feio do que realmente é.

O prefeito, no entanto, afirma que os desafios não lhe assustam. “Vamos dormir tarde e acordar cedo para conseguirmos fazer por nossa cidade o que temos em mente, que é melhorar aquilo com o que não concordávamos na gestão do Bira ”, diz.   

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Caos no mercado

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É caótica a situação do pátio do Mercado dos Colonos de Xapuri. O espaço foi transformado em área de livre comércio por uma dezena de bolivianos que ali comercializam uma infinidade de quinquilharias sem sofrer qualquer importunação por parte das autoridades brasileiras.

Amontoadas, as bancas atrapalham o desembarque das feiras e atrapalham a circulação de pessoas. O ambiente já incorporou o espírito daqueles locais sujos e rotos que são comuns em vários pontos da cidade de Cobija.

Negligenciado durante toda a administração passada, o pepino cai agora no colo do novo prefeito, Marcinho Miranda, cujas promessas de campanha contemplam de maneira destacada a melhoria de condições para a atividade dos produtores rurais, os legítimos donos do mercado. 

Mas o problema não pertence apenas à administração municipal. A Receita Federal, que aperta leoninamente os turistas brasileiros que visitam o departamento vizinho de Pando, na Bolívia, faz vista grossa para o contrabando e o descaminho que é praticado em praça pública.

Comerciantes de Xapuri, escorchados pela dura política tributária do país, se sentem prejudicados com a situação e já fizeram, em vão, várias solicitações de providências às autoridades municipais e estaduais, através da Associação Comercial do município.

Fiz a imagem acima na manhã desta terça-feira e flagrei, entre badulaques e penduricalhos, uma mulher dormindo tranquilamente na calçada do Mercado dos Colonos, cuja aparência não deixa de passar aos seus visitantes uma impressão de desleixo e descaso com a coisa pública. 

Começou o segundo tempo...

Leonildo Rosas

É inevitável comparar a política à uma partida de futebol ou outros esportes coletivos, como o voleibol.

Sim, a política é um emocionante jogo que exige estratégias, técnicas, garra, táticas com o objetivo maior de conquistar o troféu do poder.

Para o Governo do Povo do Acre, liderado pelo governador Tião Viana, o primeiro tempo desse emocionante jogo acabou no dia 31 de dezembro do ano passado.

O ano finalizado marcou o término dos dois primeiros anos de uma administração que iniciou em janeiro de 2011 recheada pela incerteza de futuro para uns e pela convicção da oposição de que os dias da coligação chamada Frente Popular estavam contados.

Tanta convicção oposicionista não era sem fundamento. Eles tinham obtidos resultados expressivos em 2010. Elegeram um senador e por muito pouco não ganharam o governo do Estado.

A simples expectativa de chegar ao poder, porém, despertou nos adversários o vírus nefasto da arrogância e do já ganhou. Esse foi o principal de tantos outros erros.

Essa arrogância, combinada com o festival de interesses particulares, fez com que os oposicionistas não enxergassem as mudanças na forma de conduzir o Estado e do fazer política, a partir da posse de Tião Viana como governador.

Desde o primeiro dia de 2011, Tião Viana adotou um ritmo frenético. Somente naquele ano foi 100 vezes aos municípios acreanos. Em 2012 foi mais de 120 vezes, sempre levando investimentos para cada localidade.

À frente do governo, Viana atacou problemas considerados chaves e que serviam de discurso para os adversários, como  a produção e investimentos nos bairros periférico, por meio do Programa Ruas do Povo.

As apostas em projetos e programas ousados, combinado com a presença constante perto da população, fizeram o resgaste e a reconciliação da Frente Popular com a maioria dos cidadãos e cidadãs acreanos. Tanto fizeram que, em pesquisas feitas para o consumo interno, o governador aparece com a aprovação de 90%, sendo a maior do Brasil, segundo o cientista politico Marcos Coimbra.

Os resultados esperados foram confirmados nas eleições de 2012, quando o quadro, inicialmente desfavorável, revelou-se positivo ao término dos pleitos municipais.

Abertas as urnas, a Frente Popular saiu-se vitoriosa em municípios que correspondem a quase 70%  do eleitorado acreano, com destaque para Rio Branco, onde está concentrado o maior percentual de eleitores do Acre.

Vencer em Rio Branco trouxe um significado especial, principalmente porque em 2010 os adversários saíram-se vitoriosos naquela disputa.

Ganhar na capital com a aposta do novo personificado do jovem engenheiro civil Marcus Alexandre fez renascer o espirito militante e trouxe a certeza de que um projeto pode ser renovado, desde que esteja com os pés bem assentados no chão e a cabeça atenta às mudanças esperadas pela sociedade.

Os números confirmam que o primeiro tempo do jogo foi vitorioso. Mas ainda faltam dois anos de um governo super bem avaliado, que são o segundo tempo.

Animados com o êxito preliminar, não podemos perder de vista que o sucesso do passado não garante a mesma sorte no futuro, a não ser a responsabilidade de tentar ser melhor do já se é, como ensina no livro “Transformando suor em ouro”, o supercampeão de voleibol, Bernadinho Resende.

As nossas responsabilidade são dos tamanhos dos nossos êxitos. Nesse segundo tempo do jogo político e necessário estarmos vigilantes, jogando o jogo da humildade, da proximidade com a população e sempre atentos para combater os ataques à honra contra o nosso governo e à nossas lideranças.

Essa vitória momentânea nos obriga a jogar com mais garras para continuarmos vitoriosos. Temos na pessoa do governador Tião Viana um treinador que não gosta de jogar na retranca. Que usa o ataque como o melhor instrumento de defesa. É o exemplo a ser seguido.

Por fim, cabe citar novamente o treinador Bernadinho, que diz: “Um time não é formado pelos melhores, e sim pelos jogadores certos”.

Vamos ao jogo!

O jornalista Leonildo Rosas é secretário de Comunicação do governo do Acre. Ele voltou, nesta terça-feira (8), a atualizar o seu Blog do Léo Rosas.

Vigilância

Saúde repassa R$ 1,3 milhão para combate à dengue no Acre

Todos os municípios do estado irão receber os recursos adicionais. Nos últimos dois anos, houve redução de 95% nos casos graves da doença e 100 % nos óbitos no Acre.

Para intensificar as medidas de vigilância, prevenção e controle da dengue, o  Ministério da Saúde está repassando R$ 173,2 milhões a todos os municípios brasileiros. O Estado do Acre irá receber R$ 1,3 milhão para a qualificação das ações de combate ao mosquito transmissor da doença Aedes aegypti, com o aprimoramento dos planos de contingência.

Mais de 190 milhões de pessoas serão beneficiadas com as medidas de controle e prevenção da dengue. O adicional representa um subsídio de 20% do valor anual do Piso Fixo de Vigilância e Promoção da Saúde e será repassado em parcela única.

Em contrapartida, os municípios precisam cumprir algumas metas, como disponibilizar quantitativo adequado de agentes de controle de endemias; garantir cobertura das visitas domiciliares pelos agentes; adotar mecanismos para a melhoria do trabalho de campo; realizar o LIRAa (Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti) com ampla divulgação nos veículos de comunicação locais; notificar os casos graves suspeitos de dengue, entre outras medidas.


CASOS DA DOENÇA - O Brasil registrou 77% de redução nos casos graves de dengue no período comparativo entre janeiro a dezembro 2010 e janeiro a dezembro de 2012. No ano passado, até 22 de dezembro, foram registrados 3.965 casos graves em todo o país, contra 17.475 no mesmo período de 2010.

No Acre, os casos graves de dengue reduziram 95% entre em dois anos (2010 a 2012). Em 2012, foram registrados quatro casos de dengue no Estado contra 88 em 2010.

ÓBITOS – O número de mortes por dengue, no Brasil também apresentou queda, de 57% em comparação com 2010. De janeiro até 22 de dezembro de 2012, foram confirmados 283 óbitos, sendo que no mesmo período de 2010 foram 656. 

No Acre, a redução de óbitos foi de 100%, ou seja, foram oito mortes por dengue em 2010 e nenhum óbito no ano passado.

Por Kattiúscia Alves e Moema Pimentel, da Agência Saúde /MS.

Feliz radar novo

Beneilton Damasceno

Fiquei radiante com o primeiro dia da volta dos radares. O governo não tem como arrecadar dinheiro com a comprovada eficácia das lombadas, e aí o jeito é apelar.

O que ninguém explica é que o número de acidentes fatais em Rio Branco registrou queda em 8 dos 12 meses de 2012. Detalhe: sem os odiosos radares, cuja finalidade é depenar as economias do trabalhador. Sem falar no maldito IPVA, né?

O problema é que que o Estado precisa desesperadamente lucrar. Nenhuma justificativa, a não ser a ganância oficial, convence o condutor castigado sem piedade.

Bem que poderiam instalar milhares de equipamentos na BR-317, para prevenir os motoristas dos buracos principalmente a partir da Fazenda Araxá, com destino a Xapuri, Brasileia e ao romântico Oceano Pacífico.

Bem que poderiam incentivar, ou punir com mais rigor, a moçada que não respeita a faixa de pedestres. E os motociclistas, que insistem em se enfiar entre os postes e o retrovisor, que não distam 20 centímetros um do outro.

Enquanto isso, em dias de chuva, no fim da tarde, aquela "embiricica" de carros se arrastando a 40 km por hora numa Via Chico Mendes, por exemplo, como se fosse o cortejo fúnebre de alguma celebridade seringueira.

Nada mais desastroso poderia surgir para ajudar a estrangular o trânsito de uma cidade esculhambada, que insiste em achar que é Nova York.

O engenheiro idealizador dessa luminar ideia poderia receber o Prêmio Nobel da Imbecilidade (PNI).

Beneilton Damasceno é jornalista.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O fim do “shopping popular”

 

Nesta Festa de São Sebastião, a prefeitura de Xapuri não disporá das tendas que nos últimos anos modernizaram o espaço reservado para os tradicionais marreteiros. De acordo com o prefeito Marcinho Miranda, não houve acordo com o governo do Estado para a manutenção da estrutura que foi batizada pelo ex-prefeito Bira Vasconcelos como “shopping popular”.

Diante da nova realidade, a solução será retornar ao passado e resgatar as antigas barracas de madeira e lona preta. Vale, no entanto, lembrar que quando resolveu padronizar o espaço e limitar o número de lotes por comerciante, a administração anterior causou polêmica e insatisfação com a medida. Fato é que a população e a festa perderão com o retrocesso.

Logomarca da nova administração

O chefe de gabinete da prefeitura de Xapuri, Joscíres de Oliveira Ângelo, divulgou na sua página da rede social Facebook a logomarca da administração de Marcinho Miranda.

A arte foi composta com o slogan estilizado “Xapuri - nossa terra, nosso orgulho”, com a letra “i” do nome do município representada por uma castanheira.

Na parte superior da logomarca, quatro imagens que ilustram os pilares do novo governo: bandeira do município (respeito); família (valores); máquina agrícola (trabalho) e Chico Mendes (história). 

“A logomarca da administração de Marcinho Miranda e Ailton Menezes traduz em poucos contornos o ideal e os pilares que serão alicerces para Xapuri nesses 4 anos vindouros.”, escreveu o assessor.

Meu pitaco: Ficou bonitinha, mas há excesso de informação para uma logomarca. Os quadros da parte superior concorrem com a arte, que para mim ficou muito boa. Os principais efeitos de um bom logotipo são a objetividade da mensagem e o fácil reconhecimento da marca. Acho que a prefeitura deveria bolar alguns modelos e submetê-los a apreciação popular por meio da internet. Seria, a título de sugestão, uma maneira de inovar e envolver a população em algumas decisões. 

domingo, 6 de janeiro de 2013

O sol poente

José Claudio Mota Porfiro

De pé, escoro-me à bengala para divisar o horizonte longínquo que só chega a Niterói, no máximo a Charitas. Ao longe, o majestoso observatório desenhado por Niemayer é apenas uma névoa difusa. Há no ar uma poesia de Drummond. O vento traz acordes de Jobim. Vinícius declama uma apologia à fidelidade. Candinho Portinari dá pinceladas nas nuvens fugidias do céu do meu crepúsculo cinzento que talvez não traga a aurora. Di Cavalcanti redesenha Marina Montini. Marta Rocha já não se acompanha do Bando da Lua... Ela foi para a lua. É, sim! Eles se foram. Temos ficado por aqui pelas retretas da vida apenas nós, o vagabundo e o arquiteto.

À tardinha, o mar é de um azul deveras marcante, marinho, melífluo, meloso, de pouca marola. Há infantes em calções e camisetas que fazem ginástica na Praia Vermelha. Muita energia pula dos seus músculos sólidos, angulares. Senhorinhas e babás empurram carrinhos com os bebês mais vistosos que já vi. Das castanholeiras do calçadão da Urca, aprecia-se um pôr do sol violáceo, mas a brisa é cálida e me acaricia o rosto de enormes e profundas rugas.

Depois de completadas as noventa voltas ao redor do astro rei, vivo o inverno da minha vida de anjo do sol poente. Porém, pouca coisa me deixa triste. Sou feliz por ser bem tratado pelos que me cercam, inclusive, tetranetos. Este é o meu romantismo da vida em épocas de idade muito avançada.

Nunca observamos que a pressa que o tempo tem de ir-se é o marca-passo da vida que flui vagarosamente, irremediavelmente. Vejo que o homem nasce, cresce, vive, se apaixona uma ou algumas tantas vezes e, então, já lhe é chegada a hora de ir-se.

E agora a vida que escorre por entre as mãos não me faz triste ou infeliz, mesmo considerando que os meus dedos são grossos e ainda rijos de forma a rasgar uma tampa de garrafa de cerveja, apesar de trêmulos e tortos. Olhe!

De amores e de flores já há pouco a dizer. Foi tudo muito bom enquanto existiu. Até que um dia, a ela, depois de um longo tempo de romance, houve eu por bem dizer: não me culpes pelas culpas que eu não tenho, nem me desculpes pelos pecados que eu não cometi. Vá-se embora!

Ora, pois! Por que manter uma amante de trinta e poucos aos oitenta e lá vai pancada? Impensável. As finanças que o testemunhem. Estou ficando velho, mas não estou ficando bobo. Nada!

É claro que não desconsidero o fato de a solidão ser, às vezes, necessária. É nestes momentos que muitas coisas vão se recompondo. Ademais, é bom pensar que todo o nosso mal provém de não podermos estar sozinhos; daí o jogo, o luxo, a dissipação, o vinho, as mulheres, a ignorância, a desconfiança, o esquecimento de nós mesmos e de Deus.

E cogito agora sobre a transitoriedade da vida. O tempo que tudo transforma, transforma também o nosso temperamento. Cada idade tem os seus prazeres, o seu espírito e os seus hábitos, dependendo da altura do tempo vivido.

Mas, vá lá! Os redemoinhos já não se tornam ciclones. A mansidão me toma conta da alma. A serenidade se adensa com o cair do sol do tempo que cabe a cada um. Já não corro porque nem as pernas nem a bengala permitem. Corri muito, até de automóvel, e alcancei muito do que queria.

Os textos são quase sermões ou homilias papais. Há conselhos como se os mais novos deles o precisassem. As lutas já são universais. O individual já não é. Já se foi. Depois de tantas intervenções dos homens de ciência que dizem cuidar dos nossos problemas físicos, os óculos parecem estar sempre molhados. É que os vidros das janelas da alma estão muito foscos, quase opacos, mas ainda não cegos.

O bem-estar espiritual houvemos nós - eu e esta alma vagante - por bem cuidar nos anos anteriores da vida, entre as solenidades religiosas e outras de permissividade da pior espécie.

Recordo texto bíblico que aconselha a não nos deixarmos dominar pela tristeza e não nos afligir com os maus pensamentos. É útil iludir as nossas inquietações, consolar o nosso coração, afastar para longe a angústia, porque as amarguras mataram a muitos e dela não se pode tirar utilidade alguma.

Penso, pois, nestas algaravias escritas já com mãos trêmulas. Alguém, certamente, as lerá. Quem sabe seja um sucesso de vendas na minha rua. Quem sabe os meus amigos as adquirirão e as jogarão na lata do lixo, ou no fundo de uma gaveta, ou numa velha estante, onde serão tratadas tal qual no cemitério de livros descrito por Carlos Zafón. Nunca se sabe que destino terá por aí afora um filho que se acaba de parir. Mas o pai - ou a mãe -  sempre haverão de querer o melhor para a sua cria.

Julgo que toda obra de arte deve ser agressiva, como escreveu Gore Vidal. Ao mesmo tempo, avalio que a vida de todo artista é uma guerra, grande ou pequena, a começar pela luta contra as minhas próprias limitações. Para chegar a qualquer lugar que se deseja alcançar, é preciso primeiro a ambição, depois o talento, o conhecimento e, finalmente, a oportunidade. Será próprio da minha arte a caça do melhor momento, quiçá! Estou tentando.

Mas esta ainda não é a minha última quimera. Tropeço no mundo, sim, mas sigo no rumo norte a atravessar as veredas criadas pelo anjo caído que agora se levanta mais uma vez. Vamos retroagir. O regresso será magistral. Viremos juntos, mais uma vez, eu e a alma, para, agora, depois do estágio de amadurecimento divinal, fazermos muito mais e melhor pelo mundo e pelas pessoas, se é que até agora conseguimos fazer alguma coisa que nos empreste alguma dignidade.

Certamente, depois do fim, depois do crepúsculo dos deuses dourados, quando já houvermos transposto o túnel de luz azul, e já na paz que Deus quer para os justos, tudo há de se refazer, inclusive esta minha alma sublime e demente. É assim a natureza. Tudo se regenera. Nós haveremos de nos regenerar em um futuro talvez próximo. Como na poesia a ser ainda musicada por este meu novo amigo, o Sérgio Souto, um poeta acreano por excelência.

BALADA DO RETORNO EM BREVE

Acenderam as luzes de um dia de horas brandas.
Jorram agora vertentes de sol pela grama ainda úmida do jardim.
É que tenho observado as cores do dia apenas no começo e no fim,
Sem perceber, como ela, que tudo é apenas uma sucessão de matizes e pigmentos,
Que fazem a diferença a cada instante que passa envolto na poeira do tempo.
Agora o céu parece uma sopa, borbulhando, se mexendo.
São velhas coisas e pedaços de desespero flutuante.
Almas entregues à esteira rolante da eternidade.
Um rosto de papelão amarrotado e aborrecido
Parece segurar as palavras na mão, amassá-las e jogá-las num cesto.
O abalo que se abateu sobre alma e matéria
Agora do abismo se regenera a fonte de água cristalina.
É hora de acariciar de novo o tempo e o vento que se fazem
Uma vez mais brilhantes, mais acesos, mais intensos, mais resplandecentes,
Do jeito que a natureza fez só para o nosso eterno contentamento.   

Rio de Janeiro, 10 de novembro de 2012.

Este é o epílogo do romance O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE, de autoria do escritor xapuriense.

sábado, 5 de janeiro de 2013

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Desabafos de um bom marido

Luís Fernando Veríssimo

Minha esposa e eu temos o segredo pra fazer um casamento durar: duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida, e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras, e eu às quintas.

Nós também dormimos em camas separadas. A dela é em Fortaleza e a minha em São Paulo. Eu levo minha esposa a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta. Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento. 'Em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!' ela disse. Então eu sugeri a cozinha.

Nós sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras. Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma máquina de fazer pão elétrica. Então ela disse: 'Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar'. Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.

Lembrem-se, o casamento é a causa número um para o divórcio. Estatisticamente, 100% dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a 'Sra. Certa'. Só não sabia que o primeiro nome dela era 'Sempre'.

Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la. Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha. Ela perguntou: 'O que tem na TV?' E eu disse 'Poeira'.

No começo Deus criou o mundo e descansou. Então, Ele criou o homem e descansou. Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo tiveram mais descanso.

Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu deveria consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes: o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim.

Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer. Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa.

Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dentes e lhe entreguei.

- Quando você terminar de cortar a grama, eu disse, você pode também varrer a calçada.

Depois disso não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida. O casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma está sempre certa e a outra é o marido.

Errei

Cometi uma injustiça com o ex-vereador José Gonçalves de Oliveira, o Zeca da Emater, novo diretor-presidente da Fundação de Municipal Cultura e Desportos.

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Como não estive na posse do prefeito Marcinho Miranda, no dia 1º de janeiro, solicitei do chefe de gabinete Joscíres Ângelo algumas fotografias e informações sobre a solenidade, no que fui prontamente atendido. Ocorre que entre as imagens em que o prefeito aparece posando com a sua equipe de governo, Ângelo me enviou exatamente uma em que José Gonçalves não aparecia. Então afirmei que Zeca não havia chegado a tempo da cidade de Porto Velho, onde passou o Natal com a família, na casa da filha mais velha, Carina.

Zeca e a esposa Georgete chegaram a Xapuri no dia 31 de dezembro e participaram normalmente da posse do novo prefeito. Pelo erro infantil, minhas sinceras desculpas, mas aproveito o ensejo para desejar sucesso na nova empreitada a este sujeito que para mim foi um dos melhores vereadores da última legislatura. Que o ano de 2013 seja produtivo em todos os sentidos e que a seriedade e a sinceridade continuem a ser marcas fortes na vida do ex-vereador que tem agora o compromisso de reorganizar o desporto em Xapuri.

A unanimidade é burra

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O vereador Ronaldo Cosmo Ferraz (PMDB) comentou postagem minha no Facebook na qual mencionei um e-mail com comentário mal educado que recebi por ter endossado minha opinião sobre a continuidade do edil na presidência da Câmara de Xapuri.

Afirmou o vereador:

“Com certeza que da minha parte nunca fiz qualquer comentário. Até porque minha vida é limpa, minha vida sempre foi sofrida, com 8 anos eu andava nas ruas de Xapuri vendendo cambadas de peixes que meu pai passava a noite pescando, e ainda com tabuleiros na porta das escolas. Trabalhei como lixeiro na prefeitura por 7 anos, os xapuriense sem paixão partidária me conhecem. Direito de imprensa é diferente de pensamento pessoal. Fui aplaudido por todos os presentes (na solenidade de posse), já outros foram vaiados. Por que a imprensa não fala isso?”

Meu comentário:

Tenho certeza absoluta que o vereador não fez qualquer comentário ofensivo a mim. Devo dizer que sempre deixei bastante claras as minhas opiniões sobre a atuação de Ronaldo Ferraz na Câmara e o mesmo jamais deixou de me tratar decentemente em razão disso. Conheço a história de vida de sua família, pela qual nutro profundo respeito. Ocorre que não estamos tratando de valores familiares, mas sim da velha política paroquiana e seus nada imprevisíveis desdobramentos.

Já afirmei ali embaixo e vou repetir: minhas reservas se relacionam com a atual presidência da Câmara e não com a pessoa do presidente. Considero esse continuísmo nocivo para o resgate da instituição que precisa ser atuante e transparente para que a população se sinta bem representada. É bem possível que mudanças ocorram mesmo com a permanência de Ronaldo no comando da Mesa Diretora, mas eu não acredito nisso. É minha opinião.

E essa maneira de pensar não se deve a “paixão partidária”, mas ao fato de a Câmara vir sendo há bastante tempo um verdadeiro monumento à infrutuosidade, razão da indiferença e da desconfiança que a população lhe reserva. Penso que há muito a ser feito em vez de se gastar energia para combater a opinião livre e as críticas contra o corporativismo e a falta de transparência que vêm manchando a imagem do chamado legislativo-mirim nas últimas décadas.

Quanto à cobrança do vereador para que os aplausos que recebeu sejam registrados, quando diz: “Fui aplaudido por todos os presentes (na solenidade de posse), já outros foram vaiados. Por que a imprensa não fala isso?”, não me oponho a atendê-lo, considerando que um político que se elege para seis mandatos realmente merece aplausos. Mas não devemos esquecer que, como bem apregoou Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra.

Como já disse Wilson Reeberg, um remador do Clube de Regatas Flamengo das décadas de 1960 e 1970, a unanimidade é o esforço para inibir a criatividade, reprimir a reflexão e enterrar a capacidade crítica. Unanimidade é o fim da discussão. Quem pensa com a unanimidade nem precisa pensar.

Unanimidade deveria ser a última coisa a ser buscada por um dirigente, seja de que área for, pois ela sempre vai deixá-lo em situação de risco. A unanimidade leva-o à acomodação, a achar que está tudo bem quando na verdade não está, a correr o risco de ser surpreendido por acontecimentos desastrosos e irreversíveis porque não foram percebidos a tempo.

A unanimidade persistente também pode levar o dirigente à paranoia, a partir do momento em que sua autoridade começar a ser contestada, com todos passando a ser vistos como “traidores” e até os colaboradores mais chegados considerados como “potenciais inimigos”.

Logo, seria prudente e de bom alvitre que as críticas também continuassem a ser bem recepcionadas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

“Vamos cobrar tudo o que foi prometido”

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O líder da bancada petista na Câmara Municipal de Xapuri, Chiquinho Barbosa, afirmou em entrevista à Rádio Educadora 6 de Agosto, na manhã desta quinta-feira (3), que o fato de o partido não haver conquistado lugar na mesa diretora da Casa demonstra que o PT possui uma posição política definida e que esta será defendida a qualquer custo.

Barbosa esclareceu que o partido lutou até o fim pela presidência da Câmara, mas que isso não foi possível porque não houve acordo com o vereador Gessi Capelão, do PSB, sigla que definitivamente passou a ser considerada pelo PT como aliada do grupo que elegeu o prefeito Marcinho Miranda em outubro passado. Em tese, Gessi também não acordou com o grupo da situação, mas isso não era necessário.

Ponto de desiquilíbrio, Capelão queria a presidência a qualquer preço. Diante da impossibilidade, votou em branco até que a disputa fosse decidida pelo regimento interno. Como vereador mais votado e também com mais idade que Chiquinho Barbosa, seu concorrente, Ronaldo Ferraz colocou o regulamento debaixo do braço e será presidente por mais dois anos, no mínimo.

Chiquinho Barbosa garantiu que a oposição do Partido dos Trabalhadores será forte, mas responsável, e que o seu partido contribuirá de maneira positiva com todos os projetos que forem do interesse da população. “Não pregaremos a máxima do quanto pior melhor, mas cobraremos com rigor tudo o que foi prometido durante a campanha pelo prefeito Marcinho”, afirmou.

O vereador cobrou do prefeito mais clareza quanto às ações que pretende colocar em prática nesse início de mandato, assim como a respeito das metas que Marcinho estabeleceu para que seu secretariado cumpra nos primeiros 90 dias de mandato. “O que vi no discurso de posse foram muitos agradecimentos, mas poucos esclarecimentos”, criticou.

Francisco Barbosa de Aquino tem 50 anos de idade e já foi secretário municipal de Saúde durante a gestão de seu irmão, Júlio Barbosa. Na legislatura passada foi vereador por três anos, assumindo a função depois de o titular João Ribeiro de Freitas se afastar para assumir o cargo de  secretário municipal de Educação, a convite do ex-prefeito Bira Vasconcelos.

Caldo grosso e cenário assustador ou: se vira nos trinta

Francisco Nazareno

Muito já foi dito que a safra de prefeitos que se encerrou (2009-2012) foi a pior já vista na história do Acre, dela salvando-se poucos. Sobre diversos ângulos, esta afirmação pode, até certo ponto, ser considerada verdadeira.

Dos quatorze prefeitos que concorreram à reeleição em 2012, apenas três conseguiram a proeza: James Gomes, Vagner Sales e Cleidson Rocha, curiosamente, todos de partido de oposição ao governo estadual, contrariando a tese de que eleger candidatos aliados ao governo garante uma melhor administração.

Outro dado ruim na avaliação vem do CAUC - Serviço Auxiliar de Informações Para Transferências Voluntárias, apontando que dos 22 municípios acreanos, somente três, Senador Guiomard, Brasiléia e Santa Rosa do Purus fecharam os mandatos com a comprovação de todas as exigências fiscais do Tesouro Nacional em dia.

Alguns prefeitos ficaram a gestão inteira sem celebrar convênios e contratos de repasses com a União, havendo até quem não tivesse capacidade financeira de arcar com a contrapartida, algo em torno de 2% do valor a ser liberado. Prejuízo incalculável à maioria dos municípios, todos carentes de investimentos.

A rigor, não é tarefa fácil para uma gestão cumprir as inúmeras exigências fiscais impostas pelas leis vigentes. As razões são várias e históricas. Elencá-las daria capítulos à parte. Porquanto, _ e abstraindo-se os casos de má conduta _ afirmar que a situação é da exclusiva (i) responsabilidade dos prefeitos torna a análise muito linear e injusta.

Não é desarrazoada a crítica de que na atual conjuntura política, as ONGs têm mais facilidades de conseguir recursos nos órgão federais do que os municípios, embora estes tenham que cumprir em larga escala crescente as funções sociais clássicas, num nível muito maior de exposição aos órgãos de controle e fiscalização do que aquelas.

O que engrossou o caldo para os prefeitos foram as medidas adotadas pelo governo federal para tentar vencer a crise econômica, concedendo desde 2009 isenções fiscais a diversos setores industriais, reduzindo a receita do Fundo de Participação. Ainda não contente, decretou pisos salariais (empurrando os outros níveis para cima e na mesma proporção), tudo na conta dos municípios.

Enquanto a economia nos últimos quatro anos obteve crescimento acumulado em torno de 11%, o salário mínimo aumentou cumulativamente no mesmo período quase 34%, três vezes mais. No caso da Lei do Piso Nacional dos Professores, os reajustes em 2010, 2011 e 2012 foram de 7,86%, 15,85% e 22,22% respectivamente, acumulando crescimento de 52,7% em três anos.

Até o petista Tarso Genro, ex-ministro da Justiça e agora governador do rico estado do Rio Grande do Sul, que em campanha prometeu pagá-lo, entrou com ação no Supremo Tribunal Federal contra a lei, validando a velha tese que “na prática, a teoria é outra”.

Aqui não se questiona o merecimento da melhoria salarial - que é uma unanimidade - do magistério e outras categorias. Isto é de concordância geral. A questão é a forma.

Por decreto, o governo federal, ignorando restrições orçamentárias, obrigou os municípios a aumentar gastos com pessoal em desalinho com o crescimento da economia, que depende do desempenho do mercado. A União, que fica com a maior parte da receita, deveria fazer a complementação, como rege a própria lei 11.738, mas nenhum município recebeu este auxílio até hoje.

Aos prefeitos, de receitas reduzidas, restou “se virar nos trinta”: cumprir simultaneamente a Lei do Piso e a Lei de Responsabilidade Fiscal, obedecendo a limites de gastos, tendo contra si a União e a fúria sindical. Equação de “fácil” solução.

Esperar uma reforma tributária que contemple melhor estados e municípios? Esqueçam. O Congresso sequer votou a peça orçamentária para 2013, empurrando-a para depois do carnaval. Pitorescamente a sexta economia do mundo não tem orçamento! Aliás, o que se discute hoje de relevante no Congresso? Mas aí já são outros quinhentos...

Sem precisar fazer exercício de futurologia, o cenário para os próximos quatro anos é assustador. A prorrogação dos incentivos fiscais determina a continuação da perda de receitas; existe ainda a insegurança jurídica quanto aos repasses do Fundo de Participação; os reajustes salariais continuarão acima da inflação e do crescimento da economia. No limite, os gastos com pessoal poderão consumir todo o orçamento.

Nesse contexto não tão novo e ao mesmo tempo atual, qual será a ação dos novos prefeitos? Será que possuem a dimensão destes problemas? Percebem que o cargo que irão exercer é uma função de alto risco? Conseguirão conciliar as pressões e demandas políticas com a imperiosa necessidade de “arrumar a casa”? E agora, José?

Para não reescrever a história da safra passada, restará aos novos prefeitos adotarem medidas que, embora básicas, são de fácil anunciação e difícil aplicação: eliminar gastos e desperdícios, enxugar a folha de pagamento, não criar cabide de emprego, não gastar mais do que arrecada, renegociar as dívidas fiscais e manter em dia o pagamento das obrigações correntes. Tudo em caldo grosso e cenário assustador.

Com sinceridade, um bom mandato a todos.

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Francisco Nazareno é Diretor do Instituto Teotônio Vilela - Seção/Ac (francisco_1808@hotmail.com).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Aguardemos com fé

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Recebo comentário mal educado motivado por minha opinião contrária à permanência do vereador Ronaldo Ferraz na presidência da Câmara de Xapuri por mais um biênio. Não considero relevante expor o comentário e muito menos alimentar polêmica com quem quer que seja, mas talvez se faça necessário fazer algumas observações a respeito da questão.

Minha oposição ao nome de Ronaldo não se dá por qualquer razão pessoal, mas por considerar, primeiramente, que água nova precisa brotar na fonte em tudo quanto é setor da esfera pública. A Câmara tem sido há muito tempo um verdadeiro latifúndio improdutivo onde campeiam o proselitismo e a falta de transparência. É um poder quase invisível.

Ronaldo é um vereador de seis mandatos consecutivos tendo na maior parte desse tempo presidido a Casa. Para o último biênio foi, talvez num episódio inédito e contraditório, eleito por unanimidade ao mesmo em que era criticado até por colegas de partido em razão da maneira como conduzia as decisões na Câmara, cada vez mais apática e desprestigiada.

Certamente que a responsabilidade pela derrocada da Câmara de Xapuri como instituição não pode ser toda atirada nas costas do vereador. Todos aqueles que por lá passaram nas últimas legislaturas, inclusive os que foram reeleitos para a atual, são responsáveis pela ociosidade e pela falta de dinamismo que, inegavelmente, deram o tom dos últimos tempos.

Uma das muitas obviedades que se ouviram cidade afora nessas últimas eleições foi a de que a população desejava uma grande mudança. Mas transformação nenhuma ocorrerá se continuarmos a ter uma Câmara atrelada ao executivo, como temos visto, com vereadores fazendo joguinho de faz de conta. Câmara apática, prefeito acomodado; logo, povo engalobado.

Mas um fato novo poderá vir a converter o vazio e sossegado plenário da Câmara de Xapuri no esperado palco das discussões e debates tão necessários para que a gestão municipal se aprimore. O banimento do PT dos cargos da Mesa Diretora certamente promoverá um clima de oposição interna que há muito tempo não se observa. Aguardemos com fé, irmãos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Marcinho toma posse em Xapuri

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A solenidade de transmissão do cargo de prefeito foi realizada no ginásio Álvaro da Silva Mota, na noite desta terça-feira (1º). Marcinho Pereira Miranda (PSDB), recebeu a faixa de Bira Vasconcelos em ato que não ocorria há 16 anos, quando o ex-prefeito José da Silva Cunha, já falecido, repassou a faixa de prefeito a Júlio Barbosa de Aquino, que administrou o município por dois mandatos consecutivos.

Além do prefeito Marcinho Miranda e do vice-prefeito Aílton Menezes, tomaram posse também nesta terça-feira os novos vereadores de Xapuri: Ronaldo Cosmo Ferraz, Iran Florêncio Vasconcelos, Celso Garcia (PMDB), Gessi Nascimento de Souza (PSB), Rivando da Silva Mota (PSDB), José Cecílio Evangelista da Silva, Eudes Severino de Souza, Francisco Barbosa de Aquino e Eliomar Soares de Souza (PT).

Na eleição da Mesa Diretora da Câmara, ocorreu o que já era esperado: o vereador de seis mandatos Ronaldo Ferraz venceu a disputa pelo cargo de presidente estendendo uma enfadonha e, até o momento, improdutiva permanência no comando da chamada “casa do povo”. Os cargos restantes serão ocupados por Gessi Capelão (vice-presidente), Rivando Mota (1º Secretário), e Celso Paraná (2º Secretário). 

Juramento dos Vereadores

O que causou surpresa foi o fato de o PT, que enquanto esteve no poder sempre apoiou a eternização de Ronaldo Ferraz na presidência da Câmara, ter sido severamente banido da composição da Mesa Diretora, contrariando, inclusive, o que afirmou desejar o prefeito Marcinho Miranda na última entrevista que concedeu antes da posse: que os cargos fossem distribuídos entre todos os partidos com vereadores eleitos.

Com tudo consumado, resta à exigente população de Xapuri aguardar pelo que promete trazer de novo a gestão de Marcinho Miranda, que na solenidade de posse apresentou ao público a sua equipe de governo, que já havia sido anunciada através da Rádio Educadora 6 de Agosto na última sexta-feira, 28 de dezembro.

Equipe de Governo Marcinho Miranda

Dos novos secretários que compõem o primeiro escalão da nova administração, apenas o ex-vereador José Gonçalves, O Zeca da Emater, que conduzirá o Desporto, não estava presente. Ele ainda não retornou de Porto Velho onde passou as festas de fim de ano com a família. Os cargos de segundo e terceiro escalões, serão nomeados posteriormente, segundo Marcinho, “de acordo com a demanda”.