segunda-feira, 16 de julho de 2012

Conversa franca

Deputado rejeita ser chamado de mandachuva e nega perseguição a colega de partido

Conversei por algumas horas, neste fim de semana, com o deputado estadual Manoel Moraes (PSB). Os assuntos foram do futebol – ele ainda comemora o título do Corinthians na Copa Libertadores da América - à política local, com ênfase, é óbvio, nas eleições de outubro próximo, quando os socialistas tentarão mais uma vez chegar à prefeitura de Xapuri. 

O parlamentar não estava satisfeito com o fato de eu haver me referido a ele em uma postagem como “mandachuva” do PSB. Também se queixava de que alguns comentários meus sobre sua divergência com o vereador Erivélton Soares o tivessem colocado na posição de perseguidor e o edil de seu partido na condição de vítima, o que jamais foi minha intenção.

As discordâncias, no entanto, não foram motivo para que a conversa não fluísse de maneira cordial e o diálogo não se mostrasse produtivo e esclarecedor, tanto para mim quanto para ele. Manoel sempre foi bom interlocutor, e resta claro que a experiência como deputado tem lhe aperfeiçoado essa qualidade. 

Manelão chegou ao PSB em 2006 e se tornou aquilo que o partido jamais possuíra: uma liderança capaz de alavancar a sigla partidária da condição de mera coadjuvante do PT dentro da Frente Popular em Xapuri para se tornar, a despeito da posição firme de apoio ao governo petista no âmbito estadual, uma força antagônica aos companheiros no cenário municipal.

Desde que chegou ao partido, Manoel Moraes disputou três eleições, sendo duas para deputado e uma para a prefeitura. A vitória para a Assembleia Legislativa, depois de haver alcançado a suplência na eleição anterior e uma terceira colocação no último pleito municipal, consolidou de vez sua condição de maior nome da agremiação.

Apesar de sua incontestável influência dentro do PSB, o deputado rejeita ser chamado de mandachuva e garante que sua condição de mandatário não interfere nas decisões do partido que, segundo ele, tanto na executiva estadual quanto nos diretórios municipais, são tomadas com base no debate democrático entre suas lideranças e filiados.

Durante  a conversa, Manelão garantiu que não é responsável por nenhum tipo de perseguição ou manobra contra qualquer membro de seu partido, se referindo à relação arruinada entre ele e o vereador Erivélton Soares que, na Tribuna da Câmara, acusou o deputado de ser o maior responsável por sua provável saída do Partido Socialista Brasileiro.

Demonstrando não querer polemizar ainda mais o assunto, o deputado ofereceu sua versão sobre o fato público que é sua incompatibilidade com o vereador. De acordo com ele, a crise entre os dois chegou a esse ponto depois de uma longa série de atitudes e comportamentos da parte de Erivélton Soares que não foram compatíveis com as posições do partido.

“Ele apenas está colhendo aquilo que plantou”, completou.

Com relação às eleições deste ano, o deputado afirmou que está tranquilo quanto às decisões tomadas pelo partido em Xapuri e ressaltou que o professor Wágner Menezes sempre foi o nome mais indicado para encabeçar a chapa liderada pelo PSB na disputa pela prefeitura do município. Oséias D’Ávila também é considerado um nome positivo para o cargo de vice.

“O professor Wágner é um sujeito sério, cuja trajetória como homem de bem, professor e militante político o credencia para ser candidato a prefeito de Xapuri. Já o Oséias é um jovem inteligente e determinado, que muito bem representa a comunidade evangélica do município, tendo muito em que contribuir para o nosso projeto que é chegar à prefeitura”.

Nos últimos dias, o deputado esteve ao lado do governador Tião Viana na entrega de obras do programa Ruas do Povos em todos os municípios do Alto Acre mais Capixaba e Senador Guiomard. Para ele, as obras estruturantes da atual gestão estadual mostram o grau de comprometimento do governo com a população de todos os municípios acreanos.

Com o recesso da Assembleia Legislativa, que começou na última sexta-feira (13), os próximos 20 dias serão inteiramente dedicados pelo deputado às candidaturas do partido pelo estado, mas a atenção especial estará voltada para Xapuri, município que foi a base de sua eleição e onde o PSB possui a chapa mais emblemática para os socialistas, segundo o próprio Manoel Moraes.

domingo, 15 de julho de 2012

Comitês de campanha

532574_4337927412575_1770297471_n

A Frente Popular de Xapuri foi a primeira coligação a lançar o seu comitê de campanha para estas eleições. O ato foi realizado na última sexta-feira… 13.

Os candidatos majoritários, Bira e França aproveitaram a data coincidente com o número do PT para receberem a militância companheira e comunista para dar a largada na busca pela reeleição. Na ocasião, foram apresentados o slogan e a música oficial da campanha, que este ano tem o tema “Parceria e Respeito”.

O lançamento dos demais comitês, assim como as informações de campanha de todas as chapas, terão garantido o mesmo espaço aqui no blog.

A coligação PSDB/PMDB, de Marcinho Miranda e Aílton Menezes, lança seu comitê majoritário na próxima terça-feira (17), a partir das 8 horas da noite.

A aliança PSB/PSC – Wágner Menezes e Oséias D’Ávila - ainda não tem data marcada, assim, também, como o PV – João Jorge –, que devem marcar data para o lançamento dos seus respectivos comitês nos próximos dias.

Ventos frios benfazejos

José Cláudio Mota Porfiro

O crime nunca é necessário, nem o seu relato, talvez. A crueza dos fatos causa repugnância em quem deles toma conhecimento. O asco é consequência do nível de desumanidade nas relações até entre parentes de primeiro grau. O ser humano é, sim, a pior obra que partiu das mãos de Deus. Felizmente, dentre tantos párias voejando ou mourejando pelo paraíso terrestre, há uma parte considerável que deixa o Altíssimo acima de qualquer crítica fortuita, como a que acabo de tecer. Tem gente boa no mundo, certamente. É claro que Ele não há de levar em consideração a blasfêmia proferida, aqui, por este pecador contumaz e farofeiro. O meu envolvimento com o caso é justificado pela preocupação que tenho por afastar-me tanto da carreira jurídica. Também sou formado causídico, assim como me formei nas artes econômicas enquanto a ciência que combina os números com o bem-estar dos homens. Ora, pois!

É maio sonolento por estas plagas de Deus meu. O rio já está lá embaixo, mais uma vez. Conto vinte e um degraus até a ubá e o batelão, este com motor e gasolina, sempre prontos para qualquer emergência. São seis e meia da manhã. Hoje, muito especialmente, amanheceu uma névoa por sobre a copa da mata e por sobre o rio. No rés da água, não se vê cinco metros à frente. Isto é que é a floresta amazônica. Que silêncio aterrador. Os pássaros emudeceram. Há alguma coisa que se aproxima, sorrateiramente. Quanto encantamento. Que clima doido!

Surge uma novidade de saias por aqui. Chegou ontem, vinda do Seringal Porto Carlos. Há uma canção bonita nos lábios de Maria Mercedes, a nova empregada do barracão, de origem peruana, mas, pelo visto e sentido, amante da música brasileira. Diz-nos ela que a modinha é Serenata, cantada por Vicente Celestino, o indescritível.

Na Guanabara um barco a vela navegava dentro de um raio de luar franjado em prata e um bandolim lá no barquinho alguém tocava a mais sublime e deliciosa serenata. Segui o barco em outro barco para ver quem manejava o bandolim com tanto ardor e uma sereia ouço cantando assim dizer: onde estará meu grande amor (...)

São quatro da tarde. Cai, agora, uma chuva fininha de dar sono, muito sono. O tempo passa sem nenhuma pressa. Morro de saudades, apesar dos olhos peruanos furtivos que me seguem. Lá pelas dez da noite, rajadas de vento fazem um intenso e constante barulho nas folhas dos coqueiros, mangueiras, e, parece-me, rasga o matagal de bananeiras bravas do outro lado do rio, de fora a fora, com fúria... É a friagem.

Uma vez mais, todo o rigor do tempo se abate sobre os amazônicos. E eu, cá com os meus botões, penso agora nos entes queridos que estão distantes. Como posso estar tão longe dos filhos e da esposa? Eu não sou um perseguido. Sempre tive condições materiais para manter a mim e à família, tranquilamente, sem maiores sustos, sem a necessidade da ajuda de quem quer que seja, uma vez que tenho talentos para várias coisas, inclusive, para a vadiagem compulsiva e sadia dos meus fins de semana na urbi. Então, o que importuna é a alma cigana sem paradeiro. Tenho a impressão que jamais vou me sentir sossegado, num canto, cochilando, meditabundo, posto que nunca procurei sossego e sempre fui da pá virada; tenho sangue no olho e fogo nas ventas. Mas tudo passa, até esse período em que rumino tantas recordações boas dos meus que foram ficando pelo caminho, inclusive, as três tias cearenses.

Pela manhãzinha, cessa a ventania. Depois, daqui a alguns dias, ela voltará para encerrar a friagem. É real demais. Deus dá o frio conforme o cobertor e a rede, ou a tipóia. As crianças deixam escorrer dos narizes um catarrinho fino, mas constante, sobre o qual passam as mãos sujas e as levam rumo à boca. Estão vestidas em pijamas confeccionados e até bem feitos pelas mães habilidosas na costura à mão. Os agasalhos são de flanela de qualidade inferior comprada aqui mesmo no armazém, que é a nossa loja de secos e molhados, de tecido, de sal, de querosene, de agulha, de anzol e linha de pescar, e muito mais.

Passados dois dias, as castanheiras já estão desfolhadas, o que é natural; é próprio do ciclo produtivo delas. Os lábios de todos estão ressequidos em vista da necessidade de passar a língua nos beiços para minorar a sequidão deixada pelo vento. As pernas estão cinzentas e os mais morenos não podem sequer se coçar porque a pele mestiça é tomada por um branco acinzentado muito próprio da estação.

As famílias estão mais unidas. Os cobertores são usados também no decorrer do dia. Todos ficam à beira dos fogões de barro, para se aquecer. As mulheres cozinham se espremendo entre os filhos. Os homens vão para o eito em busca do alimento que vem da terra, ou para as missões de comboieiros, no centro do seringal, porque a vida continua e a miséria corre solta por este mundão amazônico de meu Deus. Lembro-me que, no ano passado, aqui mesmo, um velhinho morreu de frio, e de abandono.

À noitinha, fogueiras crepitam bem próximas aos banquinhos onde todos se sentam para a conversa que os torna mais vivos e mais animados. Muitas histórias amazônicas tristes são contadas pelo Sororoca. Vem à tona a sua solidão e a lembrança da quenga que o traiu e ainda consentiu em que o matassem. Penso, então, naqueles que, como o Abidoral Sampaio, moram sozinhos em colocações situadas a quatro ou cinco horas de viagem do barracão à beira do rio.

Mercedes diz que a friagem vem do Peru, lá das cordilheiras. Já eu penso que esse vento (dela) passa bem por cima, se é que consegue transpor as montanhas geladas de lá. Suponho que a friagem vem do sul, da Patagônia e, depois, se engancha na mata e, por aqui, passa dias e dias.

Sento-me debaixo de um pé de jenipapo acompanhado da Mercedes e do velho amigo Sororoca, para que este não me deixe mentir nem me atrapalhe se por acaso a minha conversa e os meus tais encantos falarem mais alto. Ela é morena trigueira, pele cor de jambo bem tratada. Parece que nunca foi do seringal. É falante e um pouco engraçada. De estatura média, cabelos lisos, negros e amarrados ao estilo rabo de cavalo, usa saias rodadas, quadriculadas e muitos já desconfiam. Logo de mim que sou quase um santo. Pela manhã, eu juntara uma pipira morta com as asas tesas. Agora, um bem-te-vi morto cai do jenipapeiro mesmo nas saias da nossa interlocutora. Digo-lhe que não pode haver nenhum presságio negativo, uma vez que mais dois outros pássaros do mesmo tamanho também morreram de frio e jazem ali pertinho.

- Cumpade Melqui! Vosmecê já viu que os cachorros não se levantam e ficam deitados por todo o dia? É que eles são muito magros e lá, debaixo da barraca, aquela terra solta deixada pelas galinhas é bem quentinha devido o contato com o corpo deles. Ói o galo! Ainda tá pegando é galinha. - Eis as observações do mestre Sororoca.

- É mestre. O que o senhor está dizendo é pertinente. Primeiro, as galinhas tem uma plumagem que as deixa aquecidas se não estiverem em contato com o gelo ou com a água. Apesar do frio, o sangue mais espesso que corre nas veias desses animais - como nós mesmos - continua quente. Se esfriar, coitado dos cachorros. Serão jogados para os peixes.

Estou quase dando aula de anatomia. O atencioso aluno é um tanto ensimesmado, mas meu tom é professoral. Os dois prestam uma atenção danada ao que digo. Não estão surpresos, mas ficam boquiabertos. Talvez eu queira impressionar. Ela me acha um sábio e eu me sinto um perfeito cavalheiro como nunca fui.

Daí, foram quinze dias sem a luz do sol. Depois, um céu azul e um vento seco cortante que ainda deixa as noites bem frias. Ontem mesmo, passados já dezoito noites da primeira ventania, fomos à praia, eu, Estácio e Sororoca, com porongas na cabeça, à noite, para uma pescaria diferente cuja denominação é faxiar.

Há um espécime aquático da família das arraias, de nome sôia, sem ferrão, que, no verão, gosta de se esconder debaixo da areia fininha, na água rasa, quando escurece. Como se trata de um peixe muito besta, no dizer dos amazônicos, basta furá-la com um terçado e jogá-la num cesto de cipó. Fresquinha, ainda na janta ela é frita na banha de porco e traçada com macaxeira ou arroz. É uma gostoseira de lamber os beiços e muitos ainda a comem no quebra jejum. É bom deixar registrado que me abespinhei e, empolgado com a pescaria, caí numa ponta de praia, onde o rio de repente se torna mais fundo, e tive que nadar, à noite, de camisa, calça e sapato de seringa. Como os meus amigos mangaram de mim!

Em uma ou duas semanas, como por premonição, todas as contas estão bem passadas no borrador e, inclusive, as que dizem respeito às relações comerciais com as praças de Belém e Manaus.
Agora, é esperar a primeira viagem do comboio às colocações e já teremos novas cadernetas para cada um dos seringueiros, visto que, ainda em junho, muita borracha virá para o embarque ou para a descida no rumo da Boca do Acre, através das balsas.

Na segunda-feira seguinte, já bem de tarde, apareceu uma lanchinha conduzida por um fulano de tal Ovídio, vinda de Xapuri. A embarcação é de mais ou menos uns cinco metros, e só, mas tem o motor no meio do casco, o que lhe dá uma certa velocidade, e se chama Projeto. Quando a ocasião é importante, é uma espécie de correio mais ou menos rápido que pode resolver tudo com muito mais facilidade.

O Ovídio me entregou um envelope com as armas e o selo nacional, onde se lia República Federativa do Brasil. Lá estava o meu nome enquanto destinatário. Fiquei logo arrupiado e pensei na importância de tudo antes de ler o conteúdo da correspondência. A interferência do pessoal de Belém tornara realidade uma sonhada nomeação para chefiar a Mesa de Renda Federal do Acre, em Rio Branco.

Não há o que esperar. Tudo o que tenho de meu, inclusive os livros, é arrumado em duas malotas. Depois da janta, largamos o pau num vinho português. De madrugada, à custa do patrão, como presente, agradecimento, partimos para Rio Branco à bordo da lanchinha Projeto.

Sou feliz por um dia ter nascido abençoado pelas graças de Deus.E tudo está apenas começando...

Como diria o Francisco Braga, José Cláudio Mota Porfiro é uma ruma de coisas, inclusive escritor.

sábado, 14 de julho de 2012

Pavimentação em “tilojos maciço”

DSC00501

Moradores da Rua Rotary, em Xapuri, aguardam ansiosos pela pavimentação, mas não sabiam que nas obras seria utilizado um novo tipo de material. E parte do dinheiro poderia ser aplicado na alfabetização do responsável por inserir as informações na placa. Clique na imagem para visualizar melhor o “espetáculo” de falhas gramaticais.

Na realidade, o artefato gráfico pretendia informar a população, como exige a lei, sobre detalhes das obras de pavimentação de um convênio do município de Xapuri com o governo federal – Programa Calha Norte. São R$ 685.306,90 destinados ao calçamento de ruas em tijolos maciços nos bairros Laranjal e Braga Sobrinho.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Salvaguarda

Acre vai pedir registro do “Ofício do Seringueiro” como Patrimônio Imaterial do Brasil.

Chico Mendes

O Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (DPHC) realizou nesta quinta-feira (12), no auditório da Fundação Chico Mendes, em Xapuri, uma palestra sobre o andamento do processo de reconhecimento do ofício do seringueiro como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional – IPHAN.

O processo teve início com a elaboração do Inventário de Referências Culturais das Comunidades Tradicionais de Xapuri, realizada a partir do ano de 2005 com recursos financiados pelo IPHAN e Ministério do Meio Ambiente, com contrapartida do Governo do Estado, através da Fundação Elias Mansour e do SEBRAE, e execução do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural do Acre, com apoio da Procuradoria-Geral do Estado.

O projeto realizou a pesquisa e a catalogação das referências culturais do município, tomando como enfoque as celebrações, ofícios e modos de fazer, formas de expressão, edificações e lugares. Entre os mais de 350 ícones identificados, ofício do seringueiro foi escolhido para ser apresentado ao IPHAN como candidato a constar na lista de bens imateriais tombados pelo seu valor histórico e cultural.

Participaram da reunião desta quinta-feira representantes de diversos segmentos sociais e alguns seringueiros aposentados. Na ocasião, os participantes assinaram dois documentos solicitando ao Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural e ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional a realização das pesquisas e demais procedimentos necessários para que o processo tenha andamento.

Seringueiro durante 23 anos, o padre Francisco das Chagas, da paróquia de São Sebastião, se manifestou favorável ao projeto. Segundo ele, o reconhecimento do trabalho, dos costumes e tradições do seringueiro, além de preservar os valores, será uma maneira de homenagear uma categoria de trabalhadores que tanto contribuiu para a formação e desenvolvimento do Acre e do Brasil.

“Será a valorização de uma classe que sempre foi relegada pela sociedade. O seringueiro possui uma contribuição muito grande na formação cultural e histórica do Acre, mas essa importância nunca foi enxergada da maneira que deveria. Caso isso não aconteça, os valores e tradições do seringueiro podem se perder para sempre”, disse.

O diretor do DPHC, Libério Alves, o Brasil precisa reconhecer o conjunto de saberes e fazeres que foram produzidos durante mais de um século de história e de relação do homem com a floresta e dos movimentos sociais que giraram em torno disso tudo, mas, para ele, a maior justificativa é a preservação dos saberes e fazeres do seringueiro.

“A maior importância de se registrar um ofício é impedir que o conhecimento desapareça”, afirmou.

O próximo passo o andamento do processo de reconhecimento do ofício do seringueiro como patrimônio imaterial é a elaboração de um dossiê que será realizado pelo IPHAN após a formalização do pedido. Para isso, é necessário que a comunidade assine o termo de anuência dizendo que está de acordo com a elaboração do documento.

De acordo com a pesquisadora do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural do Acre, Irineida Nobre, o IPHAN já conhece a necessidade de reconhecimento do ofício do seringueiro como patrimônio imaterial.

“Vale salientar que o IPHAN já tem conhecimento da importância desse ofício e da necessidade de sua salvaguarda como patrimônio imaterial brasileiro de maneira oficial, porque na prática ele já é um bem cultural de todos os acreanos”, explicou.

O caminho para o tombamento de um bem imaterial

De acordo com o IPHAN, a demanda pelos tombamentos ou registros de patrimônio imaterial costuma partir da própria sociedade. O tombamento pode ser solicitado por qualquer cidadão. Já o pedido de registro de bem imaterial deve ser realizado pelo Ministério da Cultura e suas instituições, secretarias estaduais ou municipais, sociedades ou associações civis. Os pedidos devem ser feitos por escrito, apontando os valores a serem preservados, com a devida fundamentação.

Ao receber o documento, o instituto abre um processo e encaminha a demanda à unidade regional, para iniciar as pesquisas que fundamentarão o valor histórico, artístico ou paisagístico do bem a ser tombado, além de delimitar os seus aspectos físicos e a área de entorno. No caso de um bem imaterial, realiza-se uma pesquisa acadêmica que contenha referências históricas e resultado de um trabalho de campo.

Após essa pesquisa inicial, que reúne uma grande quantidade de referências bibliográficas e audiovisuais, a instituição formula o seu parecer pela inscrição, ou não, desse bem em um dos quatro livros do tombo ou um dos quatro livros do registro. Esse processo é, então, encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, para votação.

Com a aprovação do Conselho, o bem é, automaticamente, inscrito em um livro do tombo ou do registro e o processo é guardado no arquivo do Iphan. O instituto fica, então, responsabilizado pela fiscalização do bem tombado, e, de acordo com a disponibilidade orçamentária e urgência, o Iphan também pode apresentar projetos de restauração.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Xapuri não apresentou candidatos

De acordo com o Edital nº 03/2012 (Diário da Justiça Eletrônico nº 4.711, de 6.7.2012. fl. 1), editado pela Presidência do Tribunal de Justiça, estão prorrogadas as inscrições para o processo seletivo simplificado para contratação temporária de profissionais para o desempenho das funções de Juiz Leigo e Conciliador, assim como o prazo para o pagamento da taxa de inscrição.

A decisão do TJAC se deu em virtude do baixo número de inscrições no processo seletivo, sendo que não houve candidatos inscritos para a função de Juiz Leigo nas comarcas de Acrelândia, Assis Brasil, Brasiléia, Feijó, Manoel Urbano, Plácido de Castro e Xapuri.

Além disso, a decisão considerou o significativo número de inscrições sem pagamento da taxa de inscrição e, também, a necessidade de preenchimento de vagas de formação de cadastro de reserva para as duas funções.

Confira os detalhes para se inscrever no Portal do TJACRE.

“Mais que ruas pavimentadas”

P7111893

“O programa Ruas do Povo está longe de ser apenas um mero projeto de pavimentação de ruas”. A afirmação é do diretor-presidente do Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa), Gildo César Pinto, se referindo às diversas maneiras como o programa idealizado pelo governador Tião Viana está modificando para melhor a vida das populações de bairros como o Aeroporto, em Xapuri.

“Você vê que muita gente que estava com suas casas à venda retirou as placas da frente de suas residências. Esse é um dos sentidos do Programa Ruas do Povo. Permitir a entrada da polícia para dar segurança, a coleta do lixo e o acesso aos serviços de saúde, proporcionando um resultado social impressionante para essas comunidades”, ressaltou Gildo César.

O bairro já foi conhecido pelo nome de Mutirão, porque na sua origem, na década de 1980, os moradores construíram suas próprias casas, se ajudando mutuamente, depois de receberem da prefeitura lotes de terra e madeira de segunda categoria. Nos últimos 30 anos, o bairro tem sido uma das regiões mais esquecidas pelo poder público em Xapuri, a exemplo da maior parte das localidades que estão sendo atendidas pelo programa Ruas do Povo no município.

Nesta quinta-feira (12), os moradores do bairro Aeroporto receberam do governador Tião Viana todas as suas ruas asfaltadas e com a rede de água tratada ampliada para os locais que ainda não eram atendidos. Fernanda Rodrigues dos Santos, 25, esperou o govenador na porta de sua casa para agradecer pelas mudanças na qualidade de vida e na dignidade dela e de seus vizinhos promovidas pelo programa Ruas do Povo.

DSC00498

“Quero, em nome do bairro, agradecer ao governador por haver pensado em um programa que faz com que a nossa qualidade de vida melhore tanto. Hoje, não chegamos mais com os pés sujos ao trabalho e não temos mais vergonha de dizer que moramos aqui, pois agora vivemos em um lugar que goza dos mesmos benefícios que o restante da cidade”, afirmou a moradora.

Para o governador Tião Viana, os benefícios do programa Ruas do Povo realmente vão além de ruas pavimentadas e água tratada. Ele afirmou que o ganho das pessoas é enorme em vários aspectos das suas vidas.

“O programa Ruas do Povo é qualidade de vida, saneamento básico, redução da mortalidade infantil e elevação do padrão de cidadania”, afirmou o governador.

Desde o início do programa em Xapuri, já são 58 ruas pavimentadas no município. Até o final deste ano, serão mais 45 ruas pavimentadas cobrindo 100% da área urbana. Os investimentos desta segunda etapa do programa Ruas do Povo em Xapuri superam os R$ 6 milhões.

O governador Tião Viana anunciou ainda que o processo licitatório para a instalação do esgotamento sanitário em Xapuri já está em andamento. O município será um dos 100 em todo o Brasil que terá 100% de sua área urbana atendida pelo saneamento básico nessa modalidade.

Água para a Vida

Governo do Acre e WWF-Brasil lançam Plano Estadual de Recursos Hídricos nesta sexta-feira (13/07).

O Governo do Acre e o WWF-Brasil apresentam na sexta-feira (13/07), às 9h, o Plano Estadual de Recursos Hídricos do Estado (PERH-AC), o primeiro da região Amazônica. No evento estarão presentes o governador do Acre, Tião Viana; secretários de Estado, prefeitos, deputados e senadores, assim como o coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil, Glauco Kimura, e a superintendente do HSBC,  Sarita Silva.

Elaborado com a participação da sociedade civil, o projeto apoiará a formação de organismos gestores de bacias hidrográficas, o estabelecimento da rede de monitoramento da qualidade da água, a adaptação às mudanças climáticas para todas as bacias da região, iniciando-se pela do Rio Acre, onde estão concentradas cerca de 50% da população do estado e acontecendo problemas de secas e cheias desde 2005.

Lançamento do PERH-AC:

Data: 13/07

Horário: às 9h

Local: auditório do Teatro Hélio Melo, Rio Branco.

9h - Apresentação Alberan Morais – Cantor acreano do município de Cruzeiro do Sul.

9h15 – Apresentação de vídeo – Construção participativa do Plano Estadual de Recursos Hídricos do Acre.

9h30 – Apresentação do Plano Estadual de Recursos Hídricos do Acre – Naziano Filizzola/Vera Lúcia Reis.

9h50 – Abertura solene com a presença de autoridades locais (governador do Acre, Secretários de Estado, prefeitos, deputados, senadores, usuários de água, sociedade civil organizada, representantes do governo federal, HSBC e WWF), dentre outros.

10h30 Coletiva de imprensa.

Ruas do Povo

O bairro da Cageacre de cara nova.

DSC00472

DSC00480

DSC00479

DSC00478

Foram 16 ruas entregues pelo governador Tião Viana nesta quinta-feira (12) em Xapuri.

Xapuri no Famp

paolo voz e ...

O cantor xapuriense Paolo Almeida também estará FAMP 2012, a exemplo do músico Antônio Magão. Ele enviou o comentário a seguir, fazendo referência ao colega.

“Bom dia, Raimari.

O maestro Magão é um dos ícones da música acreana, especialmente xapuriense, o que muito me orgulha, pois cresci vendo ele, o professor Nader, Eden, Ciro e outros fazendo boa música em nossa cidade. Eu também estarei presente neste festival de música, como bom xapuriense, representando Brasiléia e Epitaciolândia com a música "Caminho das Águas", de minha autoria. Será uma honra estar no mesmo palco onde o maestro Magão estará também, mais do que o prêmio, fazer música é viver a vida com um outro olhar. Até sexta-feira, querendo Deus que os filhos de Xapuri tragam muitas vitórias”.

Não há dúvidas de que Xapuri estará bem representada.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Bairro da Cageacre

DSC00463

O nome vem da proximidade com a sede da antiga Companhia de Armazéns e Entrepostos do Acre. Quando alguém perguntava o endereço de qualquer morador daquela povoação que se formou a certa distância do centro de Xapuri, a resposta era uma só: “moro na Cageacre”.

Quando os primeiros moradores chegaram ao local onde hoje se situa o bairro, há mais de 40 anos, encontraram uma área totalmente isolada, sem qualquer via de acesso ou serviço essencial oferecido pelo poder público, que por décadas ignorou a existência da comunidade.

Essa realidade se manteve praticamente a mesma até a chegada do programa Ruas do Povo, do governo do Estado, que nesta quinta-feira (12) entrega, junto com a prefeitura de Xapuri, todas as ruas do bairro completamente asfaltadas, com rede de água tratada e iluminação pública.

O comerciante Damião Menezes, 52, o morador mais antigo do bairro, conta que a falta de ruas em condições de tráfego e a inexistência de rede de água tratada e iluminação pública sempre foram os principais problemas dos moradores daquela região da cidade.

DSC00470

“A falta de água era o pior problema, mas a situação das ruas fazia a gente ter vergonha de morar aqui. Além da lama, que era muita, a gente vivia na escuridão. Não havia nenhuma iluminação pública e muito menos esperança de que as coisas melhorassem”, diz.

O funcionário público Antônio Ribeiro do Nascimento, 68, e o aposentado Marcílio Alves dos Santos, 82, são vizinhos há 35 anos no bairro Cageacre. Segundo a opinião dos dois amigos, o bairro era um dos piores lugares de Xapuri para se viver.

“Nosso bairro era o pior lugar de Xapuri. Só morava aqui quem não tinha condição de comprar uma casa ou um terreno mais perto da cidade. Agora, com a chegada do asfalto e da água encanada, todo mundo quer comprar terreno aqui”, afirma Antônio Ribeiro.

DSC00461

“Eu quase não saía de casa durante o inverno, porque com a minha idade tinha dificuldade de andar pelas ruas cheias de lama e buracos. Agora, possa dar a minha caminhada todas as manhãs porque as ruas ficaram muito boas depois que o asfalto ficou pronto”, diz Marcílio.

No total, o governador Tião Viana entregará nesta quinta-feira, em Xapuri, a partir das 9 horas da manhã, mais 16 ruas pavimentadas em asfalto e com saneamento integrado.

Além do bairro Cageacre, que receberá as ruas da Fraternidade, da Paz, da Esperança, do Sossego, da Alegria, da Harmonia, da Prosperidade, da Amizade, da Concórdia e da Felicidade, o bairro do Aeroporto também receberá do governador as ruas Maria Campos, Beatriz S. Santos, Evaristo da Silva, Nova Vida, Sadala Koury e Travessa da Marcenaria, perfazendo um total de 2.246 metros de vias pavimentadas em asfalto.

De Xapuri, o governador Tião Viana seguirá para os municípios de Epitaciolândia, Brasileia e Assis Brasil, onde também faz a entrega, ainda na quinta-feira, de mais obras do programa Ruas do Povo. Na sexta-feira (13), será a vez dos municípios de Senador Guiomard e Capixaba receberem o governo com a mesma agenda de inaugurações.

Famp 2012

Com composição que homenageia Chico Mendes, o músico Antônio Magão representa Xapuri no resgate do Festival Acreano de Música Popular.

image

Depois de 10 anos de ausência, o Festival Acreano de Música Popular voltará a ser realizado em 2012 com o tema “Pela Nossa Natureza”. Promovido pela Fundação de Comunicação e Cultura Elias Mansour, o evento volta a fomentar a criação e a produção musical do Acre.

O músico Antônio Cosmo da Rocha, o Magão, será o único representante xapuriense no Famp deste ano. Ele concorrerá com a música 20 anos sem Chico, que ele compôs em 2008 para homenagear o líder sindical que tornou a cidade conhecida em todo o mundo.

A primeira etapa do festival foi realizada no Teatro dos Náuas, no dia 8 de Julho, para os concorrentes da regional do Juruá - Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Feijó, Tarauacá, Jordão.

A segunda etapa acontecerá em Rio Branco, no próximo dia 13 de Julho, para os concorrentes dos municípios de Rio Branco, Porto Acre, Sena Madureira, Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus, Bujari, Senador Guiomard, Capixaba, Acrelândia, Plácido de Castro, Xapuri, Epitaciolândia, Brasileia e Assis Brasil.

A grande final será na Concha Acústica Jorge Nazaré, em Rio Branco, no dia 15 de Julho, com a participação de todos os finalistas. O vencedor levará um prêmio de R$ 6 mil e os melhores classificados participarão da gravação de um CD.

Magão afirma que participar de um festival que revelou artistas acreanos como Sérgio Souto e Tião Natureza é um enorme prazer para qualquer músico. “Só a participação nesse evento já está de bom tamanho, mas vou em busca da vitória”, diz.

Um dos principais militantes da música xapuriense, Magão é também grande pesquisador e colecionador de música dos mais diversos gêneros. Sua trajetória o credencia para representar Xapuri em qualquer evento musical realizado em qualquer lugar do Brasil.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Maria do Rosário

“Obrigada ao Acre pelo exemplo que dá ao Brasil”.

Maria-do-rosario-ministraG

Participei, na manhã desta terça-feira (10), do programa Bom Dia, Ministro (ouça aqui), que entrevistou a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário. Ela falou sobre a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que será realizada entre os dias 11 e 14 de julho, em Brasília-DF, com o objetivo de ampliar o debate sobre a Política Nacional e o Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A entrevista é produzida e coordenada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e transmitida ao vivo pela NBR TV e via satélite para todo o Brasil, das 7h às 8h, no horário do Acre.

Na minha primeira pergunta, questionei a ministra sobre os avanços obtidos pela parceria firmada no ano passado entre o Governo Federal e a Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância – no âmbito dos 22 anos do Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Declaração dos Direitos da Criança e do Adolescente. Xapuri é um dos 15 municípios acreanos que acaba de realizar o 2º Fórum do Selo Unicef, que avalia as ações locais de combate a violações.

“O Acre tem um trabalho muito importante na área sócio-educativa que me alegra muito. Aí no Acre eu visitei uma unidade sócio-educativa que tem biblioteca, tem escola, tem o contato com a informática e com a formação profissional. Eu também fico muito feliz com os resultados alcançados pelo governo brasileiro junto com a Unicef e com o estado do Acre, na pessoa do governador Tião Viana”, respondeu a ministra.

Em seguida, perguntei sobre os exemplos que o Acre pode estar oferecendo ao Brasil com relação aos direitos humanos. Maria do Rosário esteve no estado em maio passado na ocasião da 2ª Caravana de Direitos Humanos pelo Brasil. Naquela oportunidade, a ministra afirmou que a escolha do Acre para se dava por conta dos avanços do estado tanto no seu desenvolvimento econômico e social quanto no enfrentamento das violações aos direitos humanos.

“O Acre é um estado que tem dado uma ampla contribuição para o para o Brasil. Dois aspectos que merecem ser destacados são o enfrentamento que o Acre fez ao esquadrão da morte com resultados positivos, superando aquela marca, e agora, mais recentemente, o exemplo de ajuda humanitária que o estado deu recebendo os haitianos com um grande sentimento de dignidade humana. Obrigada ao Acre pelo exemplo que dá ao Brasil” finalizou.

A ministra Maria do Rosário participou recentemente, em Rio Branco, do ato de assinatura do termo de adesão ao programa do governo federal "Crack, é Possível Vencer". Com o pacto, começam a ser fortalecidas ações para aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários de drogas, para enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e para ampliar atividades de prevenção. Serão investidos no Acre R$ 13,3 milhões até 2014.

O programa Bom Dia, Ministro é transmitido ao vivo pela TV NBR e pode ser acompanhado por meio do link no site da Secretaria de Imprensa da Presidência da República http://www.planalto.gov.br. Para as rádios, o sinal de transmissão é disponibilizado pelo mesmo canal da "Voz do Brasil".

“Emergência crônica”

DSC00458

Xapuri registrou nas últimas semanas um número preocupante de incêndios e princípios de incêndios. No bairro Sibéria, em um único dia foram duas ocorrências, sendo que numa delas uma residência foi completamente destruída pelo fogo. Na outra, o começo de um incêndio em uma casa comercial foi controlado por moradores.

Na manhã desta segunda-feira (9), a Polícia Militar registrou um princípio de incêndio que foi controlado nas imediações do Sesc-Ler. O próprio morador, que sofreria de problemas mentais, segundo testemunhas, teria ateado fogo a casa. No final da tarde, outra ocorrência de incêndio foi registrada nas proximidades do cemitério São José.

A imagem acima mostra a casa da professora Sebastiana Borges completamente destruída pelo fogo. As residências vizinhas foram salvas pelo esforço dos vizinhos com a ajuda de um caminhão-pipa do programa Ruas do Povo. Felizmente, em todos os casos citados não houveram mortos nem feridos, mas apenas prejuízos materiais.

Os episódios, somados com outros registros de incêndios em áreas de vegetação nas proximidades de áreas residenciais ocorridos em anos anteriores chama a atenção para uma emergência crônica até o momento ignorada pelas autoridades: a instalação de uma Unidade do Corpo de bombeiros em Xapuri.

Um veículo apropriado com alguns poucos militares habilitados para o combate ao fogo já proporcionaria uma condição de maior segurança para uma cidade que diante de uma situação de incêndio um pouco mais grave do que as citadas acima não teria a menor possibilidade de reação. Esta é apenas uma sugestão para quem de fato e de direito tem o poder de fazer algo de efetivo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Bom Dia, Ministro

Participo, representando a Rádio Educadora AM de Xapuri, do programa Bom Dia, Ministro desta terça-feira (10/7), que entrevista a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário. A entrevista é produzida e coordenada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e transmitida ao vivo pela NBR TV e via satélite para todo o Brasil, das 7h às 8h, no horário do Acre.

No programa, a ministra vai falar, entre outros temas relacionados à sua pasta, sobre a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que será realizada entre os dias 11 e 14 de julho, em Brasília-DF, com o objetivo de ampliar o debate sobre a Política Nacional e o Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O grande desafio do evento é mobilizar os diversos atores do Sistema de Garantia de Direitos e a população em geral para implementar e monitorar a Política e o Plano.

A Rádio Educadora de Xapuri será a única do Acre a participar do programa. As demais são: Capital AM (São Paulo/SP); 730 AM (Goiânia/GO); América (Belo Horizonte/MG); Nacional do Rio AM (Rio de Janeiro/RJ); Cultura dos Palmares 1450 AM (Palmares/PE); Verdes Campos FM (Teresina/PI); Clube de Blumenau AM (Blumenau/SC); Difusora de Mossoró (Mossoró/RN); Jornal AM (Aracaju/SE); Difusora AM (Bagé/RS); Juazeiro 1190 AM (Juazeiro/BA); Jangadeiro AM (Fortaleza/CE); Belém FM (Belém/PA).

Títulos definitivos

P6180990

A partir desta segunda-feira (9), os moradores de Xapuri que possuem imóveis dentro da área de 71 hectares para a qual a emissão de títulos acaba de ser autorizada pela justiça devem comparecer ao Setor de Cadastro da prefeitura para preencherem a documentação necessária para requerer o documento.

Pelo menos cinco mil pessoas de Xapuri serão beneficiadas com a regularização fundiária. Quase 50% da população urbana da cidade está autorizada a receber os títulos definitivos - são cerca de 1.000 imóveis que agora estão dentro da legalidade.

No último dia 28 de junho, a prefeitura de Xapuri reuniu a comunidade e os órgãos que atuaram no processo, que começou em 2009, para anunciar a benfeitoria. Na ocasião, foram entregues, de maneira simbólica, alguns títulos definitivos a moradores antigos da cidade.

De acordo com o Iteracre, está prevista para este ano a emissão de 558 títulos definitivos para moradores do bairro Caladinho, na capital. As cidades de Bujari, Brasileia, Assis Brasil e Jordão também terão grande parte da sua área regularizada até o fim de 2012.

domingo, 8 de julho de 2012

Novo profeta

Nense

Deu a lógica. Confira Tricolor de Coração, no Facebook.

“A luta do século”

I love, Brasil

Espanha, 1605. Um cavaleiro conhecido como Don Quixote cruzava o país buscando aventuras heroicas e vitórias impossíveis. Nunca conseguiu. Las Vegas, 2012. Um lutador chamado Chael Sonnen buscava a maior das vitórias, contra um inimigo tão poderoso quanto os moinhos que Quixote, 407 anos antes, ousou enfrentar. Como o personagem da obra-prima de Miguel de Cervantes, Sonnen também descobriu, da pior maneira, que sua missão era impossível. Leia a crônica completa na página do Sportv.

sábado, 7 de julho de 2012

Meu Flu

meu_flu

Já pensou, um time desses? Simplesmente fantástico. Bacana também o aplicativo do globoesporte.com que permite a montagem do seu time dos sonhos. Mas como são apenas 11 opções, grandes ídolos estão fora desta galeria aí. Entre eles, Thiago Silva, o monstro, e Washington, que formou, ao lado de Assis, o inesquecível Casal 20. Clique aqui e visite a página do maior clássico do futebol mundial, que completa 100 anos neste sábado.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Política e politicalha

Rui Barbosa

A política afina o espírito humano, educa os povos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia, cria, apura, eleva o merecimento.

Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, que entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida de que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.

Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente. A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis.

A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um conjunto de funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.

Trechos escolhidos de Rui Barbosa. Edições de Ouro: Rio de Janeiro, 1964.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Na boca da urna

Favoritismo

Colunistas apontam o candidato à prefeitura de Xapuri pelo PSDB, Marcinho Miranda, como o grande favorito nas eleições deste ano. O tucano foi o segundo colocado no pleito passado, quando obteve 2.405 votos, resultado de uma campanha ética e decente.

Realidade

O pecuarista de 38 anos foi uma surpresa positiva naquela eleição. Inicialmente desacreditado, o tucano deixou para trás o empresário Manoel Moraes (PSB) e o então prefeito Vanderley Viana, que dispunha da máquina administrativa em seu favor. Hoje, Marcinho é realidade.

Assédio

O PSB se ressente de que alguns de seus aliados estão sendo assediados pelo prefeito Bira Vasconcelos, candidato à reeleição. A razão seria o fato de alguns componentes do grupo liderado pelo vereador Erivélton Soares estarem encontrando espaço na administração petista.

Domínio público

Tornou-se de domínio público a péssima relação entre Erivélton Soares e o deputado Manoel Moraes, principalmente depois do discurso do vereador na tribuna da Câmara há uma semana. No que os comentários a respeito dessa realidade pode ajudar ou prejudicar a chapa PSB-PSC, eu confesso que desconheço.

Nem me Fred nem me Sheik 

Sou torcedor do Fluminense, mas nada tenho contra o Corinthians. E confesso que, na noite de ontem, desejei a vitória dos brasileiros. Na política, como cidadão, também tenho lado, mas também nada tenho contra esse ou aquele. Que isso fique bem claro.

Escrevo e pronto

Não escrevo para agradar ou desagradar, mas apenas para expor aquilo de percebo dos acontecimentos políticos da paróquia. A mim não interessa se determinado tema ajuda ou prejudica a quem quer que seja, mas apenas se sua abordagem é correta e seu teor verdadeiro.

Alternativas para o progresso

É como o deputado Manoel Moraes considera a dupla Wágner e Oseias, que compõe a chapa PSB-PSC para a prefeitura de Xapuri. Para ele, de todas as candidaturas do seu partido no estado, esta é a mais emblemática.

Discurso

“Não podemos nos dar ao luxo de ter um prefeito que não apoie o governo petista que tanto fez por Xapuri, mas também não podemos continuar entregando Xapuri nas mãos de pessoas que mesmo dispondo de todas as condições nada fazem para que a cidade cresça”, disse o deputado no ato de homologação da candidatura do PSB.

Confiança

O prefeito Bira Vasconcelos parte para a luta pela reeleição certo de que a população deposita confiança na seriedade e na honestidade que, segundo ele, foram marcas de seu primeiro mandato.

Transparência

“Pode-se dizer muitas coisas sobre nossa administração, mas jamais que houveram desmandos ou escândalos em nosso mandato. Estamos certos de que a população está ciente dos avanços que Xapuri conquistou nos últimos quatro anos”, afirma o prefeito.

Partido Verde no páreo

Ainda há quem duvide da candidatura própria do PV à prefeitura de Xapuri. O candidato, João Jorge Cosmo da Silva, no entanto, não está dando a mínima atenção para o ceticismo dos adversários. Já fez a fotografia que irá aparecer na urna e promete muito trabalho durante a campanha.

Decisão de grupo

Sobre as informações de que houvera imposto seu nome como vice para compor chapa com o PT, João Jorge afirmou que a decisão de indicar seu nome foi do partido e não uma posição individual do líder comunitário. “Somos um grupo”, afirmou.

Portas abertas

Caso algum dos candidatos ou partidos e coligações aqui citados não concordem com qualquer das notas, é só clicar em comentários, logo abaixo, e fazer valer o constitucional direito de resposta.
Até breve.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eleições 2012

Seminário de Transparência na Prestação de Contas Eleitorais ocorrerá amanhã, dia 5 de julho, em Rio Branco.

No dia 5 de julho, das 8h às 18 horas, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em parceria com os Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), capacitará os profissionais que trabalharão nas campanhas eleitorais de 2012, bem como orientará os candidatos e partidos políticos sobre os aspectos da prestação de contas de campanha.

Na oportunidade, candidatos a prefeitos e vereadores dos 5.650 municípios brasileiros, contadores, advogados, administradores financeiros de campanhas eleitorais, bem como representantes de comitês financeiros e partidos políticos, terão a oportunidade de aperfeiçoar seus conhecimentos no “Seminário de Transparência nas Prestações de Contas Eleitorais”. O evento ocorrerá no auditório da OAB AC, na rua Ministro Ilmar Galvão, s/nº, no centro administrativo de Rio Branco (AC).

A atividade qualificará os participantes, principalmente no que diz respeito às prestações de contas dos partidos e candidatos que disputarão as eleições municipais para os cargos de prefeito e vereador, visando maior transparência no processo eleitoral, estimulando a sociedade a acompanhar a arrecadação de receitas e a realização das despesas e combatendo a corrupção.

No evento, representantes da OAB apresentarão os aspectos legais e a legislação das eleições 2012 e seus principais tópicos, como Ficha Limpa, condutas vedadas, convenções e calendários. Já os profissionais dos CRCs explicarão a resolução da prestação de contas, no que se refere à arrecadação, realização de gastos, recibo eleitoral, doações, conta bancária, suprimento de caixa, demonstrativos, entre outros tópicos.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site www.cfc.org.br.

Personalidade empreendedora

O professor xapuriense Carlos Estevão Castelo comenta o post “Exemplo que vem do Sul”, sobre o trabalho do paranaense Alexandre Carvalho (foto), que desenvolve um sistema de sucesso no cultivo protegido de hortaliças em Xapuri.

DSC00439

Esse paranaense parece ser o que a literatura chama de PERSONALIDADE EMPREENDEDORA.

Vejamos:

SABE FAREJAR UMA OPORTUNIDADE E POSSUI INICIATIVA

“...depois de largar o emprego que tinha em Ariquemes-RO, no ramo da pecuária...Aqui, resolveu investir na horticultura depois de verificar que as pessoas da cidade haviam perdido o hábito de consumir hortaliças e que estas, quando encontradas nos mercados, eram de má qualidade e custavam caro...

DEDICA-SE PESSOALMENTE A BUSCAR INFORMAÇÕES

“...Dono de uma área de 10 hectares nas cercanias de Xapuri, Alexandre começou a produzir hortaliças de maneira protegida, realizando testes e buscando informações na internet...”

“…leu e releu projetos acadêmicos sobre o assunto e construiu as primeiras estufas para o cultivo de hortaliças...”

“...pretendia participar da 19ª Hortitec – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas – realizada nos dias 20, 21 e 22 de junho passado, na cidade de Holambra-SP, mas a falta de recursos para custear as passagens adiou objetivo de estar em uma exposição tão importante...”

É EXIGENTE POR QUALIDADE

“... mostrando que é possível se obter um produto com qualidade através de determinadas regras e com quase nenhum agrotóxico..."

UTILIZA PESSOAS CHAVES PARA ALCANÇAR OBJETIVOS

“...Com a ajuda da esposa, se aprofundou nas pesquisas...”

SABE SE LIVRAR DAS INFLUÊNCIAS NEFASTAS DAS OUTRAS PESSOAS, PORQUE POSSUI METAS CLARAS

“...Muita gente duvidou do futuro do empreendimento, mas quem visita o lugar na atualidade confirma que é possível sim, produzir verduras em escala comercial no Acre...”

AGE DIANTE DE OBSTÁCULOS SIGNIFICATIVOS E NÃO DESISTE DIANTE DOS RESULTADOS INICIAIS NÃO ANIMADORES (PERSISTÊNCIA)

“...No começo foi difícil. Ficamos quase um ano plantando e arrancando do chão alface sem nenhuma qualidade. A gente via que não tinha condição para ser vendida no mercado. Ouvi de muita gente que estava ficando louco, jogando dinheiro fora porque no Acre seria impossível viver da produção de hortaliças...”

CONSULTA ESPECIALISTAS PARA OBTER COLABORAÇÃO

“...Com o apoio da Seaprof na elaboração de um projeto apresentado ao Pronaf, Alexandre Carvalho conseguiu acessar recursos para a construção das duas maiores estufas que possui em sua propriedade...”

QUESTÕES PARA REFLEXÕES:

Os xapurienses nativos poderiam se comportar dessa maneira par obter resultados, para eles e para a sociedade?

Estariam os xapurienses acomodados, esperando que o setor público resolva tudo?

Comportamentos como os desse sujeito social seriam relevantes para mudar o atual “estado de coisas” no município? Que atualmente sobrevive das transferências federais e estaduais.

Carlos Estevão Castelo é doutorando em História Social na USP. Por certo período, estudou comportamentos empreendedores na UFSC.

Rotina

DSC00447

Motocicleta passa direto em curva e bate numa placa de sinalização na BR-317. A garota recebendo atendimento do Corpo de Bombeiros é Gina Oliveira, 18. Ela viajava junto com sua irmã, Silvângela Oliveira, 32, quando se acidentaram no KM 14 entre os municípios de Epitaciolândia e Xapuri.

Gina e Silvângela, que são de Xapuri, sofreram ferimentos leves, mas a situação em que se encontra a rodovia federal pode causar acidentes mais graves, como, aliás, já vem ocorrendo rotineiramente. É perceptível que os trabalhos de recuperação em andamento na BR são de péssima qualidade.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Exemplo que vem do Sul

Paranaense radicado em Xapuri é dono de uma das mais interessantes e promissoras experiências de cultivo protegido de hortaliças do Acre.

Alexandre Carvalho

Paranaense de Campo Mourão, o agricultor Alexandre Carvalho, 38, chegou a Xapuri com sua família há cerca de dois anos. Ele veio para o Acre depois de largar o emprego que tinha em Ariquemes-RO, no ramo da pecuária. Aqui, resolveu investir na horticultura depois de verificar que as pessoas da cidade haviam perdido o hábito de consumir hortaliças e que estas, quando encontradas nos mercados, eram de má qualidade e custavam caro.

Dono de uma área de 10 hectares nas cercanias de Xapuri, Alexandre começou a produzir hortaliças de maneira protegida, realizando testes e buscando informações na internet. Desta maneira, desenvolveu uma técnica pela qual - mesmo sendo cultivada na terra - sua alface apresenta características visuais da alface hidropônica, mostrando que é possível se obter um produto com qualidade através de determinadas regras e com quase nenhum agrotóxico.

DSC00438

Sem revelar detalhes da técnica que utiliza, Alexandre conta que iniciou o seu cultivo sem possuir qualquer experiência com a atividade. Com a ajuda da esposa, se aprofundou nas pesquisas, leu e releu projetos acadêmicos sobre o assunto e construiu as primeiras estufas para o cultivo de hortaliças. Muita gente duvidou do futuro do empreendimento, mas quem visita o lugar na atualidade confirma que é possível sim, produzir verduras em escala comercial no Acre.

“No começo foi difícil. Ficamos quase um ano plantando e arrancando do chão alface sem nenhuma qualidade. A gente via que não tinha condição para ser vendida no mercado. Ouvi de muita gente que estava ficando louco, jogando dinheiro fora porque no Acre seria impossível viver da produção de hortaliças”, afirma.

Com o apoio da Seaprof na elaboração de um projeto apresentado ao Pronaf, Alexandre Carvalho conseguiu acessar recursos para a construção das duas maiores estufas que possui em sua propriedade. Agora, ele está entre os produtores que serão beneficiados pelo Programa de Fortalecimento da Horticultura, do governo do Estado, que distribuirá 15 kits para casas de vegetação a serem construídas em Xapuri.

As casas de vegetação são um instrumento de proteção ambiental para produção de plantas, como hortaliças e flores. Por definição, são estruturas construídas com diversos materiais, como madeira, concreto, ferro ou alumínio, entre outros, cobertas com materiais transparentes que permitam a passagem da luz solar para crescimento e desenvolvimento das plantas cultivadas de maneira protegida.

Com o kit casa de vegetação o produtor poderá ampliar seu negócio, que atualmente atende 11 pontos de vendas em Xapuri e já está chegando a Brasileia e Rio Branco. Nos próximos dias, uma equipe de produtores do município de Bujari estará se dirigindo a Xapuri para conhecer o trabalho realizado por Alexandre Carvalho e trocar experiências com o produtor.

“É importante ter mais pessoas trabalhando com o hortifrúti. Hoje eu forneço para supermercados e chego a entregar até 150 maços de cheiro verde e 120 de alface. As pessoas voltaram a comprar esses alimentos que são tão importantes para uma alimentação saudável”, ressalta Alexandre.

DSC00446

Vale salientar que o sistema utilizado por Alexandre Carvalho se aplica aos demais tipos de hortaliças que ele cultiva. Cebolinha, couve e coentro são produzidos da mesma maneira e com qualidade altamente superior às das verduras cultivadas no sistema tradicional. A última experiência do agricultor é com o repolho, que a julgar pela imagem acima, em dois estágios de crescimento, e pela imagem abaixo, mais detalhada, também será promissora.

DSC00445

Alexandre tem plena convicção de que é possível se plantar qualquer coisa no Acre em escala comercial. Para isso, são necessários o apoio estatal e o acesso a técnicas modernas de cultivo. A participação em eventos nacionais também é importante para o produtor. Ele pretendia participar da 19ª Hortitec – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas – realizada nos dias 20, 21 e 22 de junho passado, na cidade de Holambra-SP, mas a falta de recursos para custear as passagens adiou o objetivo de estar em uma exposição tão importante.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Convenções

Candidatura própria do PSB em Xapuri acontece em clima de festa

Com a presença do deputado estadual Manoel Moraes (PSB), da deputada federal Antônia Lúcia (PSC) e do vice governador do Estado, César Messias (PSB), foi homologada na última sexta-feira (29), a candidatura do professor Wágner Menezes e do contador Oseias D’Ávila à prefeitura de Xapuri.

Para Manoel Moraes a chapa encabeçada por Wagner Menezes representa uma alternativa para a população de Xapuri. Ele diz que a cidade não pode abrir mão de eleger um prefeito ligado a base de apoio ao governador Tião Viana e comprometida com o progresso da cidade.

“Não podemos nos dar ao luxo de ter um prefeito que não apoie o governo petista que tanto fez por Xapuri, mas também não podemos continuar entregando Xapuri nas mãos de pessoas que mesmo dispondo de todas as condições nada fazem para que a cidade cresça. Wagner e Oséias são a alternativa para o progresso de nosso município”, declarou.

Oséias D’Ávila, ligado ao movimento evangélico desde o berço, afirmou estar grato a Deus pela oportunidade de poder fazer parte da disputa e que trabalhará para fazer o melhor pela cidade.

“As pessoas podem até estranhar porque eu vim de baixo, vendia quibe pela cidade, mas Deus me honrou e hoje posso me dizer preparado para ajudar Xapuri a crescer cada vez mais”.

Wagner Menezes, bastante emocionado no dia da convenção, afirmou que trabalhará incansavelmente para fazer Xapuri encontrar o caminho do desenvolvimento. O pré-candidato ressaltou a importância da aliança estabelecida com o PSC e do apoio da população ao PSB.

“Somos privilegiados por essa aliança com o PSC que indica alguém valoroso como Oséias e gratos por todo apoio que estamos recebendo. Iremos trabalhar cada dia mais para alcançarmos essa vitória e assim ajudar a nossa cidade de Xapuri”, afirmou.

Com informações do blog do deputado Manoel Moraes.

Selo Unicef

15  municípios acreanos, entre eles Xapuri, irão promover entre os dias 03 e 05 de julho o 2º Fórum Comunitário do Selo UNICEF Município Aprovado edição 2009 - 2012. Realizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, com apoio da Comissão Municipal Pró-Selo, o 2º Fórum Comunitário é o momento de a comunidade conhecer e avaliar os resultados do trabalho desenvolvido pelo município para avançar na garantia dos direitos de cada criança e adolescente.

Durante 2º Fórum, representantes de diversos setores da comunidade  são informados sobre as principais atividades e resultados do Plano de Ação desenvolvido pela Comissão Municipal Pró-Selo, com o objetivo de fortalecer a participação dos diferentes setores da comunidade na discussão e acompanhamento das ações e políticas locais voltadas para a infância e adolescência.

Nesta etapa final, a iniciativa Selo UNICEF avalia os avanços conquistados pelos municípios. Até o final do ano, o UNICEF vai monitorar o desempenho de 33 indicadores sociais ligados à Saúde, Educação e Proteção Social. Também serão valorizadas atividades de Participação Social, como os Fóruns Comunitários. O resultado final será anunciado em novembro, com o reconhecimento internacional dos municípios.

O Selo Unicef é uma iniciativa baseada na busca social pela garantia dos direitos da infância e adolescência. O município contemplado com o Selo tem o dever de planejar ações pelo alcance de objetivos nas áreas de educação, saúde, proteção e participação social de crianças e adolescentes. De acordo com a secretária de Ação Social de Xapuri, Elisângela Horácio, todas as metas estabelecidas para o fórum foram atendidas e que agora só resta esperar e torcer para o município ser aprovado.

Em Xapuri, o 2º Fórum Comunitário do Selo UNICEF Município Aprovado edição 2009 – 2012 será realizado na próxima quarta-feira (4), a partir das 9 horas da manhã, no clube municipal Assemux.

Na boca da urna

Largada

Com praticamente todas as candidaturas fechadas para as eleições de outubro, foi dada a largada em busca do cobiçado voto do eleitor. Os próximos três meses serão de muitos apertos de mão, carros de vidros baixados e sorrisos de orelha a orelha. Cerca de 60 candidatos, entre majoritários e proporcionais, disputam o pleito deste ano em Xapuri.

Pré-campanha acirrada

Os últimos momentos da pré-campanha em Xapuri foram muito acirrados. Parecia aquelas partidas de futebol com várias alternativas de desfecho. Até os 45 minutos do segundo tempo muita coisa ainda estava indefinida. Reuniões secretas, telefonemas sussurrados, corre-corre e afobação foram coisas rotineiras nos últimos dias.

PT

O PT, por exemplo, fez da discussão interna uma prática exaustiva para encontrar a melhor composição possível para a reeleição do prefeito Bira Vasconcelos. Poderia ter se aliado ao PSB em determinado momento e até ter fechado a chapa majoritária com o PV no apagar das luzes. Terminou anunciando o ex-vereador França como vice, mantendo a histórica união com o PC do B.

PT X PSB

O PSB defendeu sua candidatura própria o tempo todo, mas aceitaria coligar com o PT caso este aceitasse o nome de Wágner Menezes como candidato a vice. O PT, por sua vez, queria casar com o PSB se o vice fosse o vereador Erivélton Soares. Como o PT não aceitou arriscar pela segunda vez com Wágner – ele foi vice na chapa que perdeu para Wanderley Viana em 2004 – e como o PSB alijou Erivélton da condição de liderança do partido, o casamento não aconteceu.

PT X PV

O PT ainda tentou até os instantes finais da pré-campanha um acordo com o PV, para ter como candidata a vice a vereadora Maria Luceni. O Partido Verde, no entanto, impôs o nome de João Jorge Cosmo da Silva para fechar a aliança. As divergências históricas entre João Jorge e o partido impediram um entendimento. A intransigência mútua parece prejudicar mais os Verdes, que correm o perigo de, isolados, não reelegerem Luceni para a Câmara.

O dilema do PV

Apesar da oficialização da candidatura do líder comunitário João Jorge Cosmo da Silva à prefeitura de Xapuri, o clima ainda é de indefinição no Partido Verde. Sem alianças, o PV ainda tenta um acordo com o PSOL, que já avisou que não quer conversa com ninguém. Sozinho na disputa majoritária, o partido tem duas portas abertas para se coligar no proporcional: Frente Popular ou a aliança liderada pelo PSDB. 

Divórcio

O desfecho da pré-campanha deve selar o divórcio do vereador Erivélton Soares com o PSB. Um dos fundadores e liderança genuína do partido, Erivélton foi isolado dentro da sigla pelo deputado Manoel Moraes, que chegou ao partido em 2006 e se tornou o manda-chuva da agremiação. Acredita-se que a última esperança de convivência entre os dois no PSB era a aliança do partido com o PT, sendo o vereador indicado como candidato a vice-prefeito.

Fritura

O processo de fritura do vereador foi tão forte no PSB que durante as negociações do partido com o PT, nomes como o do pastor Moisés Madeira, da igreja Assembleia de Deus Ministério de Madureira, e dos vereadores Ney Eurico e Gessi Capelão foram colocados como alternativas aos nomes de Erivélton, que os petistas desejavam, e Wágner, que os petistas rechaçavam. Em outro momento, o nome do vereador já havia sido excluído de uma consulta popular de caráter interno que apurava as chances de vários nomes do partido caso fossem candidatos a prefeito.

Desabafo

Na última sessão da Câmara, o vereador Erivélton, que não disputará um novo mandato, discursou em tom de despedida e desabafo. Durante cerca de 5 minutos, falou sobre sua relação com o PSB e criticou duramente o deputado Manoel Moraes pela “traição” que teria sofrido dentro do partido que ajudou a criar. Usando uma expressão popular, o vereador “chutou o pau da barraca” e deixou a entender que no momento mais oportuno se desfiliará do partido presidido por seu primo, Wágner Menezes, agora candidato a prefeito. 

Ele acordou

Bastou retornar ao palco político para o ex-prefeito Wanderley Viana botar para fora as garras afiadas que vem escondendo nos últimos anos. Durante a convenção que homologou a chapa de Wágner Menezes e Oseias D’Ávila, Viana voltou a ser ele mesmo. Esbravejou, cutucou os atuais vereadores e ameaçou ao vento: “Se fizerem algo de errado que se cuidem. Não desculparia nem a minha mãe”, disparou como se fosse ele o paladino da moral e da justiça.

Estrela da companhia

Wanderley, como todos sabem, é a estrela da companhia socialista nessas eleições. Como seus principais talentos são roubar a cena e promover as mais variadas polêmicas, podem esperar um período eleitoral agitado e cheios de cenas já bastante conhecidas na política local. Já disse outras vezes e torno a repetir: se for eleito vereador fará da Câmara de Xapuri um local bem diferente da casa de ar sepulcral que impera nos dias atuais.    

Até a próxima.

domingo, 1 de julho de 2012

Tripa, bucho e mocotó

José Cláudio Mota Porfiro

Essas pessoas da imaginação miraculosa, como a do Lascanheta, têm vertigens que as levam, parece-me, a estados surreais tão repetitivos que as fazem acostumar-se ao aplauso e à risadagem de uma plateia apalermada que ri até quando ele coça a cabeça sem tirar o chapéu. Será que esse camarada é um artista? Ou é apenas mais um doido?

Bem dizem os dinamarqueses quando se referem ao aplauso como a espora das almas nobres e o fim dos espíritos fracos. Os primeiros, os altaneiros, ficam cada vez mais instados e motivados a dar prosseguimento ao discurso que se faz ainda mais grandiloquente, laudatório, enfeitado demais. Os outros titubeiam, gaguejam, mordem a corda vocal ou a língua e se calam ou se engasgam.

No domingo, depois de um pão de milho ao leite da castanha às seis e meia da manhã, veio muito mais conversa, estilo pra boi dormir, regada à boa cachaça siribitiba feita do pau de capucho, tu bate comigo no chão e eu bato contigo no bucho. Arre égua!

O almoço, nem se fala. Veio da largura da boca. Tripa, bucho, mocotó, bofe, língua e fígado de boi, misturados à macaxeira nova e couve, manjericão e alfavaca, em uma panela imensa fumegante. Trata-se da famosa panelada, tão costumeira entre a gente da parte de cima do Brasil. É boa demais a iguaria da culinária cabocla.

E é uma tal história de onça trepada no chão, e é uma pilhéria atrás da outra, enquanto cozinham o galo, na gíria do Lascanha. Tudo isso já quase me cansa. Pior é que o homem dormirá, logo mais, numa rede já atada no corredor da entrada dos meus aposentos sem porta... Não! Eu não o deixarei me incomodar até porque vou para a cama bem antes e o candeeiro ficará apagado, sem maiores problemas.
- Olhe, meu amigo Estácio e meu irmão Sororoca. – É o que diz o Lascanha dando continuidade à ladainha mentirosa.

- Lá pras bandas do Seringal Arapixi, a mulher de um sujeito chamado Zé Pipôco, de nome Ozira, pegou um febrão daqueles que ia além dos quarenta graus. E haja quinino, e haja banho de assento, e haja casca de laranja em mel, amor crescido, vassourinha, mucuracá, tipi, poxoré, marupá e outras ervas de rezador. E nada da febre baixar. Muito pelo contrário, só aumentava a cada hora. No final do quarto dia, a mulher já contava uns noventa graus de temperatura. De doer o mundo.

- E foi aí que o marido, no sábado de manhãzinha, meteu o pé no varador e foi atrás de uns homens taludos, vizinhos, com a finalidade de tirar a doente na rede, no rumo do barracão, onde havia recurso e remédio de injeção dos bons.

- Cortaram um galho de árvore linheiro - de uma envireira - amarraram os punhos da rede em uma e outra extremidades e, lá pelas dez, com uma dormideira tecida em lona novinha em folha, os quatro homens parrudos foram se revezando por dentro da mata, pelos varadouros tortuosos, passando por pontes de patuá ou bacaba que não chegavam a meio metro de diâmetro, por sobre grotas e igarapés, em busca de cura para a febrenta já esperada por Seu Antônio Correia, dono do Seringal e metido a entender de remédios, injeções e curas.

- Olhe, homem, seu menino! Era verão e, de vez em quando, aparecia uma touceira de sapé seco que logo ia pegando fogo em vista das alturas a que a febre da mulher havia chegado.

- Ozira ficou boa, mas um dos homens que a transportaram, o Seu Zé Rola, casado com Dona Maria Rola, pegou uma queimadura tão feroz na batata da perna que virou ferida braba e, dizem, nunca mais sarou. Pior é que o homem passou a adoecer num mês e a mulher no outro... Nos encontros domingueiros, no barracão, ele ainda dizia:

- Lá em casa tá um miserê danado; quando o seu rola cai, a dona rola levanta... Vixe!

Ofereceram vinho quinado ao contador de causo. Uma talagada boa, arrumada, fabricou no mero semblante do Lascanha uma careta horrenda. Os bigodinhos mais ou menos finos e a barba mal aparada davam contorno a uma boca muito grande e úmida, quase cheia de saliva. Os dentes eram poucos e amarelecidos. Outros estavam em estágio avançado de putrefação ou cárie, talvez, em vista do mascar ou do uso constante do porronca elaborado sempre a partir de tabaco ordinário.

Ele foi ali, atrás do armazém e já voltou contando uma nova história de onça atrepada no chão.

- Rapaz! - Disse olhando para o grupo que diminuía. Já eram mais de duas da tarde e muitos pegavam o caminho de volta para casa e para a lida da semana entrante. - O Seu Zacarias Porciúncula, dono do Seringal Cafarnaum, nas cabeceiras do Rio Xapuri e do Igarapé Flor do Ouro, já quase na fronteira da Bolívia, era moco desses de viver com as mãos nos ouvidos querendo ouvir o que jamais conseguiu. Mas tinha um filho, o Tico, que era muito bom das oiças, inteligente, mas com umas manias bestas. Tanto que foi mandado para estudar medicina em Manaus. E já havia se passado uns seis anos. Eis, então, que o rapaz voltou todo na moda, com o cabelo brilhantinoso, calça apertada, camisa de frufru na frente e talital. No Amazonas, ele era tido como um rico porque o pai o sustentava de um tudo, da comida da boa à mulherada gastosa e outras estripulias regadas à boa cerveja nos randevous do Bairro de Educandos.

- De chegada ao seringal, depois de todos os rapapés e salamaleques, o moço agarrou de uma espingarda calibre vinte e se meteu no mato com a intenção de dar uma caçada, ou mais ou menos. Certo é que, de longe, ele já foi ouvindo os acordes de acorda minha véia Zeferina, venha ver o seu Cazuza apaixon... E a musga parava aí, e tudo era repetido mais uma vez e mais outra vez e mais umas trinta vezes, só até o apaixon.

- Intrigado com aquela assombração de meia tigela, o Tico foi se aprochegando para constatar os fatos in loco. Já de baixo de um pé de murmuru, o que ele viu foi muito divertido. Numa das férias, ele viera para o seringal apaixonado por uma prostituta que lhe traíra bastou dar-lhe as costas. Com muita raiva, ele sapecara o disco pesado, de setenta e duas rotações, no rumo da mata. No longo voo que culminou numa aterrissagem forçada, o bicho se espatifou e sobrou apenas um pedaço com o buraquinho do meio. Observando atentamente, ele viu que a parte do disco quebrado se enganchara num dos espinhos do murmuru e, com o açoite do vento, um outro espinho fazia as vezes do braço da vitrola, de forma a que se ouvia apenas o bendito acorda minha véia Zeferina, venha ver o seu Cazuza apaixon... E só.

- De volta, já com o pedaço do disco na mão, o Tiquinho sentiu uma puta vontade de mijar. Só que o véi pai dele havia ficado de butuca e vira - com aqueles olhos que a terra já comeu - toda aquela pabulagem. Zacarias, um sujeito muito ignorante, já notara um certo ar de fêmea no semblante do menino e fora espionar. E foi aí que tudo aconteceu. O futuro médico desabotoou a braguilha e começou a se retorcer todo para tirar as calças justas. Depois, ficou de cóca e mandou mijo.

- Menino safado! Se tu é muié, fala. Se tu é viado, berra, fidumaiégua! - Foi só o que o véio disse antes de sapecar fogo naquele sujeito esquisito, muito diferente do que fora estudar em Manaus.
Na delegacia, ele disse pra João Tomé, o chefe da cadeia pública:

- Ora, seu delegado, mais vale um doutor morto do que um fresco vivo. O senhor queria isso na sua vida. Ah, pois bom! - E voltou para o seringal como se nada tivesse acontecido, esgravatando os dentes.

***
- Vixe! Tá danado! – Foi este apenas um parênteses para respirar. E ele continuou e eu - não mais vou negar - já gostando da marola, pensando que tudo por aqui é muito tedioso e um cabra desse vem para fazer ao menos o povo rir.

- Com o Seu Clementino Gago, gerente do Seringal Lua Cheia, aconteceu uma coisa muito estranha, quando ainda cortava seringa no Seringal Carmem, vizinho da Bolívia e do Peru.

- Ele saiu para caçar por uma estrada de centro, aquela que é aberta entre outras duas e que geralmente é a mais rendosa, tem mais seringueiras. E foi, e foi. Era muito macho o véi quando era novo. Hoje é só garganta. Certo é que, depois de andar por dentro da mata por umas duas horas, sentiu que já era tempo de desamarrar os cachorros que levava: o Rompinuvi, o Zéfonti e o Pitiba, este último, um cachorro de médio porte. Assim que os animais se viram soltos, já foram acuando um queixada javali grandão que se desgarrara do seu bando. (O bicho queria ser só...) Aí, os três encantoaram o bicho que, mesmo de cabeça baixa, como sempre, deu um safanão de banda com aquela presa grandona e já matou o primeiro cachorro, o maior, com uma furada na barriga.

Na volta da cabeçada o bicho pisou na cabeça do Zéfonti que houvera escorregado na vargem e já lhe tirou também a vida. Aí ele ficou de cara a cara com o Pitiba. De um só golpe ele partiu o cachorro mesmo no meio. Já não tendo muito o que fazer, o véi Clementino passou fogo no bicho que ficou ali mesmo. De longe ele viu um outro queixada que só apreciava a contenda, quieto. Como era meticuloso e inteligente, tirou uma lasca do tronco de um assacu, de onde saiu um leite gosmento e amarelo com o qual ele emendou as duas partes do Pitiba, que ainda respirava forte.

A operação foi uma beleza, um sucesso. O bicho já até latia. Foi então que o outro queixada começou a correr com medo daquele cachorro diferente. Na carreira em alta velocidade, logo, logo, o Pitiba conseguiu alcançar, pular por cima do queixada e o imobilizar por ter agarrado o bicho pelo focinho, esta, a sua parte mais vulnerável. Estava morto o segundo queixada e, ao seu lado, ainda latia o cachorro estranho e ligeiro demais. Segundo o véio Gago, na hora da emendação do Pitiba, no maior dos avexame do mundo, ele errou ao colar a parte das patas dianteiras para cima e a parte das patas traseiras para baixo, daí a velocidade estonteante do cachorro incansável causador de um verdadeiro pânico no queixada frouxo, que morreu muito mais do assombro que lhe ocasionou aquela criatura horrenda, que mesmo da asfixia causada pelos dentes que lhe romperam as gorduras das ventas... O cachorro ainda hoje está vivo e já deve contar aí com os seus trinta e dois anos de idade, mais ou menos. Pense!

E, já deitado na rede fedendo que nem mucura, ele ainda disse:

- O povo não acredita numa ruela do que eu digo. Nem pode!

Ô mente pavorosa! Ô cabra engraçado! Nunca mais o vi.

Vai ou não vai?

Imagem 011[1]

O PV oficializou nesse sábado (30) a candidatura do líder comunitário João Jorge Cosmo da Silva e do professor Jeca Maciel à prefeitura de Xapuri. Apesar disso, o partido ainda tenta chegar a um acordo com o PSOL, que divulgou em Nota Oficial (leia aqui), na última quinta-feira (28), afirmando que não se aliará a nenhum partido nem apoiará qualquer candidato nessas eleições.

Os Verdes tiveram a possibilidade de compor chapa majoritária com o PT, indicando o nome da vereadora Maria Luceni para o cargo de vice. No entanto, o partido impôs como condição para fechar a aliança que o próprio João Jorge fosse o companheiro de chapa de Bira Vasconcelos, opção descartada pela grande maioria dos petistas.

Além de esperar por um improvável recuo do PSOL, o partido discute também o fechamento da chapa proporcional, onde pode se aliar ao próprio PT ou ao PSDB. A posição do PV nesse momento crucial das eleições é muito delicada porque pode colocar em jogo a reeleição da vereadora Luceni, que é esposa de João Jorge.

Resta aguardar.