quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Acre receberá R$ 1,3 milhão para atender haitianos

O valor anual será transferido ao fundo estadual pelo bloco da Alta e Média Complexidade em 12 parcelas e reforçará a capacidade da rede do estado.

Ubirajara Rodrigues, da Agência Saúde.

O Ministério da Saúde autorizou nesta quinta-feira (19) a transferência de R$ 1,3 milhão, por ano, para reforçar a capacidade do estado do Acre de atender aos imigrantes haitianos nos serviços públicos de saúde. O recurso foi solicitado pelo governo do estado e será incorporado ao limite financeiro da Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar (MAC) com a finalidade de garantir a assistência aos imigrantes e evitar sobrecarga na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Essa ação visa garantir apoio à Secretaria Estadual de Saúde do Acre para que sejam realizadas avaliações clínica das pessoas que passam pela fronteira e das condições de saúde e risco de vida dos imigrantes haitianos”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Com isso, queremos não só tratar as pessoas, mas também evitar que problemas de saúde sejam introduzidos no Brasil. O governo brasileiro também apoia ações no Haiti, que foram decisivas para a redução de casos cólera. Agindo em parceria com o governo haitiano e promovendo ações nas fronteiras, reduzimos o risco de introdução de doenças no Brasil”, conclui Padilha.

A transferência será realizada por intermédio do Fundo Nacional de Saúde (FNS), pela modalidade fundo a fundo, que consiste no repasse de valores, de forma regular e automática, diretamente para os estados e municípios.

“O Ministério da Saúde está atendo a todas as questões relacionadas à saúde, em todo o território brasileiro, independente da origem da demanda”, afirma o secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Miranda. “Estamos assegurando esse reforço financeiro como forma de contribuir com o Acre no atendimento das necessidades e assistência aos imigrantes haitianos no Sistema Único de Saúde”, completou.

Conforme determina Portaria 101, publicada hoje no Diário Oficial da União (DOU), o valor total incorporado ao bloco de financiamento será dividido em 12 parcelas, sendo a primeira ainda em janeiro, no valor de R$ 110 mil. As ações que serão custeadas incluem fornecimento de medicamentos e realização de exames.

De acordo com os componentes do bloco MAC, o recurso também pode ser investido no custeio das atividades de hospitais de pequeno porte, de centros de especialidades odontológicas, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), entre diversas outras ações.

“Nossa festa é a maior do Acre”

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O prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos, falou nesta quinta-feira, 19, ao programa Espaço do Povo, da Rádio Educadora 6 de Agosto, apresentado pelo locutor Nader Sarkis. A pauta principal foi a organização da cidade para a Festa de São Sebastião, “a maior do Acre”, segundo ele.

Para Bira, que já participou de outras festas religiosas do Acre, entre elas a de Nossa Senhora da Glória, em Cruzeiro do Sul, o Novenário de São Sebastião em Xapuri é especial. “É diferente. Só quem vem a Xapuri pode falar sobre a emoção que é participar da festa do nosso Padroeiro”.

Bira está empenhado em deixar a cidade arrumada para receber os romeiros e turistas que chegam em grande número nesta quinta-feira. Várias frentes de trabalho estão se movimentando para resolver problemas, principalmente os causados pelas últimas chuvas.

Outro assunto abordado pelo prefeito foi sobre a vinda do governador Tião Viana, nesta sexta-feira, 20, para participar da procissão e inaugurar as ruas recém pavimentadas nos bairros Sibéria, Constantino Melo Sarkis e Pantanal. O governador também anunciará a pavimentação de mais 10 km de ruas em Xapuri pelo programa Ruas do Povo.

Aviso aos desavisados

Quero deixar claro a quem interessar que minha atuação frente à Rádio Educadora de Xapuri, emissora sob responsabilidade do governo do Estado da qual sou coordenador designado pela Secretaria de Estado de Comunicação, possui duas linhas de orientação que para mim são bastante claras estando eu completamente resolvido com relação a ambas.

Primeiro, como servidor concursado e com atribuições temporárias de dirigir a unidade de Xapuri, no que tange às minhas obrigações funcionais, sigo determinações do titular da pasta acima citada, o jornalista Leonildo Rosas, e não de quaisquer membros do Partido dos Trabalhadores seja em âmbito municipal, estadual ou nacional.

Em segundo lugar, como profissional da área há 23 anos, e com o imenso orgulho de nunca haver saído desta cidade e mesmo assim atuar, modéstia à parte, como repórter respeitado nas emissoras de rádio e TV do governo do Estado, assim como da Agência de Notícias do Acre, afirmo que minha principal linha de trabalho é prestar serviços à população e não atender a esse ou aquele interesse de qualquer político.

Em 12 anos trabalhando para o governo na área de comunicação, confesso que essas duas linhas por algumas oportunidades conflitaram, tive indisposições com secretários que não aprovaram uma opinião ou reportagem feita, mas garanto que ora admitindo equívocos, ora defendendo e mantendo minhas posições, nunca deixei de colocar em primeiro lugar o interesse da população quanto à minha atuação como radialista. Quem desejar contestar isso, que o faça apresentando argumentos, debatendo abertamente, olho no olho.

Na política tenho lado e nunca neguei que sou governo, mas também garanto que não tenho rabo preso e nem defendo ou condeno qualquer postura ou ação em razão de favores ou qualquer benefício político recebido em toda a história de minha vida como servidor público. Fui responsável pela Rádio Educadora de Xapuri por vários anos sem receber qualquer gratificação pelas atribuições extras ou carga material alçada sob minhas costas, mostrando que remuneração não é a principal razão de minha atuação e dedicação profissional.

Comentários de que minha atuação profissional não atende às necessidades do governo não me causariam preocupação nem mesmo se viessem de fontes mais sérias. Procuro fazer o meu melhor para atender a população acreditando que assim estarei atendendo à principal necessidade do governo, que é a de bem servir ao povo. A postura política também me interessa, é evidente, mas quanto a esta, me reservo ao direito de discutí-la apenas com quem achar que devo e não com qualquer imbecil que se acha importante.

Ademais, cargo político não me nutre o ego e muito menos o estômago. Do pouco que pude obter de conhecimento na vida, alcancei, humildemente, a condição de depender de meus próprios esforços para alimentar e vestir os barrigudinhos que tenho lá em casa. A quem dá a vida por uma boquinha passageira, desejo sucesso na empreitada, mas às vezes, o excesso de falta de ética se encarrega de fazer com que o sujeito tenha um futuro tão insignificante quanto é o presente.

Reação

O ex-blogueiro Eden Barros Mota cumpriu a promessa de acionar judicialmente os vereadores Erivélton Soares da Cruz, Gessi Nascimento da Silva e Ney Eurico Ferreira da Rocha, os três do PSB, por terem aberto contra ele uma representação na Corregedoria Regional da Polícia Federal, órgão do qual Barros Mota é funcionário concursado há 14 anos.

Os vereadores de Xapuri representaram o ex-blogueiro depois de terem sido derrotados, junto com mais quatro colegas, numa ação judicial movida no Juizado Especial Cível da Comarca de Xapuri resultante de um imbróglio já fartamente divulgado neste blog e que não vale mais a pena reprisar. Caso alguém queira reler, basta clicar aqui.

A medida tomada pelo trio de edis também naufragou na Corregedoria da Polícia Federal, que emitiu parecer favorável a Eden Mota, considerando que as opiniões do cidadão nada têm a ver com a sua atuação profissional. Foi o bastante para o superintendente regional em exercício da PF no Acre, Richard Murad, arquivar o malfadado procedimento.

Na reclamação protocolada no último dia 17, no Juizado Especial Cível de Rio Branco, Eden Mota acusa os três vereadores de lhe causarem “indignação, afetando a parte social de seu patrimônio moral (honra, reputação e caráter), bem como a parte afetiva do seu patrimônio moral (dor, tristeza), tirando-lhe, assim, a sua paz de espírito”. 

O pedido de indenização por danos morais é de R$ 12.440,00 (o equivalente a 20 salários mínimos) para cada um dos vereadores e as audiências estão marcadas para os próximos dias: 24 de fevereiro (Ney Eurico Ferreira Rocha), 13 de março (Erivélton Soares da Cruz) e 02 de abril (Gessi Nascimento da Silva).

As informações estão disponíveis no sítio do Tribunal de Justiça do Acre.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

110 anos de fé e devoção

Xapuri se prepara para reviver pela 110ª vez a sua mais antiga e importante tradição, a Festa de São Sebastião, uma das mais importantes manifestações religiosas do Acre.

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A dois dias do ponto alto de mais uma Festa de São Sebastião - o novenário teve início no último dia 11 – o movimento de pessoas em Xapuri aparenta ser menor que o de anos anteriores, mas a falta de vagas nos hotéis e pousadas mostra que mais uma vez a cidade será tomada pela enorme multidão que proporciona todos os anos o grande espetáculo de fé e devoção ao santo protetor do povo xapuriense. A previsão da igreja e da prefeitura, co-organizadores da festa, é de que um número entre 15 e 20 mil pessoas participem da tradicional procissão da próxima sexta-feira, 20.

Leia também na Agência de Notícias do Acre.

Na igreja de São Sebastião a movimentação é intensa. As várias equipes responsáveis pela organização se esforçam para que nenhum detalhe comprometa o sucesso do novenário que marcará os 110 anos da festa. Desde a equipe de liturgia, coordenada pela professora aposentada Euri Gomes Figueiredo, até a equipe de cozinheiras, coordenada pela também professora Marlene Cândido, os voluntários se empenham em fazer funcionar toda a estrutura que cerca a realização do evento mais importante de Xapuri. De acordo com o padre Francisco das Chagas, pároco de Xapuri há 6 anos, o esforço dos fiéis em participar da organização dos eventos é uma das características marcantes da Festa de São Sebastião.

A festa

A festa de São Sebastião, santo padroeiro de Xapuri, nasceu, segundo relatos orais, no limiar da revolução armada que deu origem ao processo que mais tarde tornaria o Acre brasileiro. Era 20 de janeiro do histórico ano de 1902, quando um grupo de cerca de 100 pessoas teria realizado a primeira procissão pelas ruas do pequeno vilarejo de Mariscal Sucre, então dominado pelos bolivianos. O ato que poderia representar um pedido de proteção contra a guerra iminente se tornou a certidão de nascimento de uma das maiores manifestações religiosas de todo o Acre.

Do início do século passado até a atualidade, a festa cresceu e extrapolou o caráter meramente religioso. Tornou-se para a população, além de momento de fé e de manifestações de agradecimento pelas graças alcançadas junto ao santo protetor contra as guerras e pestes, também um instante de eventos profanos, bailes dançantes por toda parte, jogos de azar e uma atração à parte, a gigante aglomeração de vendedores ambulante, conhecidos popularmente como “marreteiros”, que se tornou parte integrante e indispensável para o sucesso da festa.

Shopping Popular

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A partir do ano de 2009, primeiro da administração do prefeito Bira Vasconcelos, foi criado um novo conceito para os marreteiros, com a organização dos espaços em um conjunto de tendas padronizadas que ficou conhecido como o “shopping popular” de Xapuri. “Montagem de tendas, confecção das barracas, instalação da energia elétrica com tomadas e lâmpadas e a garantia de mais qualidade tanto para os comerciantes quanto para a população foram resultado de um compromisso da prefeitura para tornar a festa mais organizada”, diz o prefeito.

O shopping popular se tornou um sucesso e trouxe comodidade e qualidade, como afirma dona Miriam Castro, comerciante que veio de Porto Velho para participar pela primeira dos festejos de São Sebastião. “Essa é a primeira vez que venho aqui justamente por saber da boa estrutura que é montada. Sempre ouvi dizer que no passado havia muita desorganização, que as pessoas chegavam aqui sem saber se haveria lugar para montar o barraco, tinham que correr atrás de madeira nas serrarias, que cada um montava o seu ponto do jeito que bem entendiam, que era muito perigoso, sujo, escuro e que havia risco de incêndio na rede elétrica. Hoje, com toda essa organização, estamos em um verdadeiro shopping”, disse ela.

A prefeitura de Xapuri também está disponibilizando banheiro público para os feirantes no mercado dos colonos, no mercado municipal, na rodoviária e nas imediações do Painel dos Mártires, nas proximidades da igreja de São Sebastião. Neste ano, 196 boxes foram disponibilizados para comerciantes do ramo de roupas e confecções e 20 boxes para a praça de alimentação. O shopping popular de Xapuri funcionará até o dia 27 de janeiro.

A expectativa da prefeitura de Xapuri é de que neste ano haja um crescimento nas vendas dos marreteiros em relação ao ano passado, uma vez que o bom preço que a castanha está tendo no momento e o crescimento e valorização da produção do látex fazem com que a economia do município viva um bom momento, segundo defende o prefeito Bira Vasconcelos. “Xapuri atravessa um bom momento e nós queremos convidar as pessoas de todo o Acre para prestigiarem a Festa de São Sebastião com a certeza de que serão bem recebidos e viverão mais um grandioso evento que é a maior marca da fé e da perseverança do nosso povo”, afirmou.

A programação

Dia 18 de Janeiro – Torneio de Futsal Copa São Sebastião de futsal,  a partir das 17h, no Ginásio Álvaro da Silva Mota;

Dia 19 de Janeiro – A partir das 18h, Inauguração de ruas no bairro da Sibéria;

Dia 20 de Janeiro - Às 6h – Alvorada com a banda de música dona Julia Gonçalves Passarinho e salva de fogos;

Às 7h -  Missa  na igreja Matriz de São Sebastião;

Às 10h – Bingão em frente à Paróquia;

Às 12h – Inauguração de ruas no bairro Sibéria;

Às 13h – Ruas do Povo inauguração de ruas nos bairros Constantino e Pantanal;

Às 15h – Santa Missa;

Às 16h – Saída da grande procissão;

Às 19h – Show na Praça São Gabriel;

Dia 21 de Janeiro – às 19h30 Xapuri em Concerto, com apresentação do grupo Os Caraê, de Rio Branco.

Formandos de Economia da Ufac/Xapuri

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Entre os dias 18 a 28 de janeiro de 2012, as turmas do Curso de Bacharelado em Economia da Universidade Federal do Acre (UFAC) realizam as suas cerimônias de formatura dos alunos que concluíram sua graduação no final de 2011.

Em Xapuri, os graduandos tem a honra de convidar sua família, amigos, imprensa local e autoridades para a sua programação:

DIA 18/01/2012 - Quarta-feira

CULTO

Em homenagem aos formandos

Local: Primeira Igreja Batista/Xapuri

Horário: 19h30

19/01/2012 - Quinta-feira

MISSA

Ação de Graças/homenagem aos formandos

Local: Igreja Matriz de São Sebastião/Xapuri

Horário: 19h

21/01/2012

FORMATURA

Turmas: Xapuri/Brasiléia/Assis Brasil

Local: Igreja Assembleia de Deus/Epitaciolândia

Horário: 19h

Agressão a jornalistas

A direção do IFAC/Xapuri procurou a imprensa de Brasiléia para se pronunciar sobre um episódio de grande repercussão negativa ocorrido no último final de semana envolvendo um de seus funcionários, o professor Márcio Malveira, acusado de agredir jornalistas após uma ocorrência de trânsito registrada na fronteira.

Durante a confusão, José Márcio, que estaria gozando de seu período de férias, teria usado o nome da Instituição e o seu cargo para desdenhar dos jornalistas e proferir ofensas morais e injúrias contra os mesmos.

O professor Sérgio Flórido, diretor geral do IFac/Xapuri, se desculpou pessoalmente aos jornalistas e afirmou que a Instituição não compactua com esse tipo de comportamento.  Disse ainda que está trabalhando junto ao Órgão, para que as medidas administrativas cabíveis sejam tomadas com relação ao caso.

Leia a reportagem completa em O Alto Acre.

História

Do blog Xapuri News

Falar da Festa de São Sebastião é reviver um tempo de prosperidade e ao mesmo de agonia em Xapuri. É relembrar das figuras que povoam a memória do Xapurienses, é lembrar da Dona Venília, do Sr. Tufic Salim, do Sr. Camurim, do Sr. Guilherme Zaire, da Irmã Madre Petronilla, Padre Felipe Gallerani que se incumbiram de deixar os primeiros relatos sobre a festa, dos saudosos músicos Zeca Torres, Pituba, Oscar, Aurélio, Beijuba entre tantos outros. Não que sejam da minha época, mas de tanto ouvir falar dessas pessoas acabei me familiarizando com todas e corri atrás da vida de cada um e do principal de suas imagens.

Ler o original

A lista é grande e não vou ser injusto em deixar alguns nomes sem citação, mas mesmo que 95% dessas pessoas já tenham adormecido para a eternidade é fácil ainda encontrarmos entres as pessoas acima de 60 anos depoimentos que surgem sem maiores dificuldades e com muita emoção de como era a Festa de São Sebastião. Agricultores, políticos, ex-seringalistas, seringueiros, professores, estudantes e aposentados do “Funrural” falam com muito ardor sobre a importância da festa comemorada anualmente em Xapuri. Sem importância e insignificante é o número dos que não querem prestar informações. Aliás, o reacionarismo, o medo de falar e a subserviência, até de pensamentos, são legados coloniais que atravessaram séculos e ainda hoje vivem nas cabeças de certos infelizes.

Assim, de conversa em conversa, bate papo ali e acolá, é possível em Xapuri aprendermos aspectos circunstanciais da primeira vez em que a festa foi realizada. Sempre há uma primeira vez. É claro que não há uma segurança nas informações já que os depoimentos colhidos destas pessoas são baseados no relato de seus antepassados e na própria experiência, mas dão conta de que no dia 20 de janeiro de 1902 um grupo de cem pessoas realizou a primeira procissão de São Sebastião na incipiente Xapuri.

A época era de conflito armado entre tropas regulares da Bolívia e seringueiros do Acre. Passados 8 meses da realização daquele ato religioso, Xapuri foi invadido por Plácido de Castro e seus homens em 6 de agosto de 1902. O intendente Juan de Dios Barrientos foi dominado e expurgado juntamente com seus assessores. "E a Vila Mariscal Sucre voltava a ser a Xapuri das tradições brasileiras”.

Os depoimentos revelam, então, que o ato religioso surgiu como um conforto espiritual. A escolha do santo deveu-se ao fato de São Sebastião ser considerado "protetor contra as guerras e pestes". Ninguém sabe explicar haver sido a primeira procissão liderada por um sacerdote ou um leigo.

Daí por diante, a festa foi acontecendo ano a ano — não como mera repetição, porque a história não se repete. Ela foi tomando corpo, crescendo e se reproduzindo de tal forma, que já em 1918 era o acontecimento mais importante da cidade. O “Vinte”, como passou a ser denominado, tornou-se bem mais um dia de oração e romaria, uma data de negócios, tais como chegadas de navios, chatas e lanchões para o desembarque de mercadorias e embarque de borracha, castanha e couros; pagamento de saldos dos seringueiros, aviamentos, além da realização de jogos de azar, de bailes populares e fechados e dos arraiais de vendedores de iguarias.

No período de 1920/30, a religião, a devoção ao santo padroeiro passa a ter um papel secundário, apesar de historicamente serem o móvel da festa. O ponto culminante já não era mais rezar ou pagar promessas. A oração e a fé continuavam num povo profundamente crente, mas a finalidade do vinte era mais do que isso. A Igreja como instituição milenar resistiu e continuou em cena, aparentemente o centro de tudo, prosseguiu fazendo procissões para milhares de romeiros, recebendo dádivas, fazendo casamentos, batizados e confissões de grande massa de fiéis. Eram exploradores e explorados contritos a ajoelhar-se aos pés do sacerdote para obter perdão pelos erros cometidos nas selvas.

Os saudosos Francisco Fidélis e Raimundo Paes, segundo o também já falecido Josué Fernandes em Seu Livro Festa de São Sebastião, diziam que “a fé no santo padroeiro continua de pé” ,mas que o capital, no decorrer dos anos, foi ocupando velozmente o espaço e tudo passou a girar em torno do lucro e consequentemente da exploração. Ambos afirmam que antigamente a exploração era mais branda "e a gente sobrevivia". Vale observar que a época de exploração "branda" a que esses dois testemunhos se referem remonta à data em que as classes sociais do Acre eram formadas por seringalistas e seringueiros. O produtor direto, o seringueiro, estava historicamente ligado aos donos dos meios de produção e, por isso, não havendo outros meios de exploração econômica a não ser o extrativismo e o comércio tradicional de aviamento, Paes e Fidélis chamam-na época de exploração "branda".

Para quem não se lembra do Sr. Raimundo Paes, era uma figura típica do Ceará, com uma das pernas amputadas e em conversas para o jornal Rio Branco de 1981 ele dizia “que há 30 ou 40 anos atrás as festas de São Sebastião tinham início no dia 10 de janeiro, prolongando-se até 23. Quanto aos divertimentos existentes esclareceu que havia Carrossel movido a braço, jogos e bailes: "A gente dançava no clube do Púpio, do Riad, no Pega (onde hoje é o Mercadinho do povo); havia menos gente, mas as festas eram animadas.

No mês de janeiro era comum ver ancorados os navios Benjamin, Zé Florêncio, Si, Bittar, O Republicano, O Sobralense, O Almirante e ainda as chatas Diamante Sorocaba, fora as lanchas que não estão listadas nos anais da história, já que se for procurar pouquíssima coisa se tem desta época." Tempos de vacas gordas da condição de fartura em que vivia, na época, o município.

Créu!

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Thiago Neves deixa o Fla e retorna ao time que o projetou.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Marreteiros

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Os tradicionais marreteiros que abrilhantam anualmente a festa de São Sebastião em Xapuri já começaram a chegar de vários pontos do Acre e do Brasil para formar o chamado “Shopping Popular”, espaço organizado pela prefeitura em tendas padronizadas distribuídas pelas ruas 24 de janeiro e Dr. Batista de Moraes. Leia mais no blog Xapuri em Destaque.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ZPE no Acre

João Villaverde, do Valor Econômico

O governo decidiu apostar, de fato, nas Zonas de Processamento de Exportações (ZPE) para estimular as vendas de manufaturados: em cinco dias, a ZPE do Acre deverá estar pronta para iniciar os trabalhos. A infraestrutura já está concluída, numa área de 100 hectares na pequena cidade de Senador Guiomard (AC), a 22 km de Rio Branco, capital do Estado.

Na segunda-feira, ela receberá a certificação final da Receita Federal para o último passo exigido pelos fiscais: a instalação de monitoramento em vídeo. Ontem, uma das maiores companhias privadas do Peru, o Grupo Glória, de laticínios, fertilizantes e cimento, fechou seu projeto produtivo básico (PPB) para operar na ZPE do Acre.

A evolução das obras e negociações em torno da ZPE no Acre surpreendeu os técnicos do Ministério do Desenvolvimento. Fontes no Palácio do Planalto afirmaram ao Valor que a presidente está entusiasmada com a ZPE e espera ver resultados já neste ano. Para isso, a instalação das fábricas deve começar em fevereiro.

As empresas que se instalarem na ZPE deverão exportar no mínimo 80% da produção. Em troca, as fábricas não vão recolher o IPI, a Cofins e o PIS/Pasep sobre os insumos adquiridos do mercado interno, e também as partes e peças importadas estão isentas do Imposto de Importação (II) e do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante.

"A ZPE vai funcionar como polo de atração de investimentos no setor manufatureiro, justamente num momento em que a indústria sofre com a rigorosa competição com os importados no Brasil e também na conquista de mercados", diz Gustavo Saboia Fontenele, secretário-executivo do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação, formado pelos ministérios do Desenvolvimento, Fazenda, Integração Nacional, Planejamento e Casa Civil.

A ZPE já conta com licenciamento ambiental e liberação alfandegária. No local, órgãos públicos, como Correios, Anvisa, Caixa Econômica Federal e Ministério da Agricultura, estão em operação. "Já está pronto", disse Fontenele, "só falta as empresas começarem a montar suas fábricas".

O governo acreano negocia com 13 companhias a instalação de fábricas na ZPE, nas áreas de madeira, alimentos processados, carne, têxtil e frutas. Uma companhia italiana de joias já apresentou um projeto para produção de "biojoias", aproveitando insumos naturais do Estado, inserido na floresta amazônica. O governo planeja plantar 3.000 mil hectares de seringueiras, que devem servir de insumo para as companhias que se instalarem na ZPE.

Além disso, a Natex, empresa pública de preservativos masculinos feitos com borracha natural, localizada em Xapuri (AC), pode abrir uma segunda unidade, para produção de luvas para cirurgias hospitalares. A fábrica já opera com capacidade máxima, diz a diretora-executiva da Natex, Dirlei Bersch, em três turnos, de domingo a domingo.

Caso concreto é o do Grupo Glória, do Peru. Empresários da companhia fizeram a última visita técnica às instalações em Senador Guiomard para fechar os termos do processo produtivo básico a ser entregue aos técnicos do governo do Estado. A companhia, que também tem unidades na Argentina, Colômbia, Bolívia e Equador, vai desenvolver linhas produtivas de leite e cimento.

Um fator que acelerou as negociações com o Grupo Glória, e que serve de grande atrativo às demais empresas em negociação com o governo do Estado, é a rodovia Transoceânica, inaugurada em outubro do ano passado, que servirá para escoar a produção da ZPE para três portos no Peru, a 1,6 mil km de distância. A viagem por rodovia é 14 dias mais curta que o trajeto marítimo, por meio do Canal do Panamá.

"A ZPE segue exatamente o que deseja a presidente Dilma Rousseff", disse o governador do Acre, Tião Viana (PT). "Vamos ajudar as exportações da indústria e incentivar investimentos em inovação, que é o foco do programa Brasil Maior."

Os técnicos da ZPE do Acre negociam também com a multinacional americana Johnson & Johnson, que já demonstrou interesse em a fabrica instalada na Venezuela, devido ao desgaste político com o governo do presidente Hugo Chávez. Mas os executivos da empresa querem do governo do Estado uma "flexibilização" das regras das ZPEs.

A Johnson & Johnson quer, segundo o governo do Estado do Acre, que até 40% da produção seja escoada para o mercado interno, e não apenas 20%, como prevê a Lei 11.508 (07/2007), que criou o marco regulatório das ZPEs. No ano passado, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, chegou a declarar em audiências públicas ser favorável à elevação do teto de 20% para 40%.

As negociações ainda não terminaram, porque, em contrapartida, o Acre quer convencer os executivos a montar duas fábricas: uma na ZPE, seguindo as regras da zona, e outra fora, que receberia incentivos tributários para a parcela vendida internamente. Procurada pelo Valor, a empresa negou, por meio de sua assessoria, que esteja negociando.

Brasil tem 23 zonas autorizadas a funcionar

O Brasil conta com 23 zonas de processamento de exportação (ZPEs) autorizadas a funcionar, sendo 11 criadas desde julho de 2007, quando o marco regulatório em vigor atualmente foi desenvolvido. Nenhuma delas, no entanto, venceu a ZPE de Senador Guiomard, no Acre, em velocidade - a autorização para funcionar foi concedida em julho de 2010, e a infraestrutura e o arcabouço legal foram construídos e obtidos em 16 meses. Em cinco dias, a ZPE entrará em operação, largando na frente de outras com investimentos maiores da iniciativa privada, como a ZPE de São Gonçalo do Amarante (CE), com siderúrgicas, ou de Barcarena (PA), com fábricas de alumina.

O caso da ZPE no Pará é sintomático sobre o ritmo das ZPEs no país. As instalações em Barcarena constituem uma das 12 ZPEs criadas até 1994, quando o marco regulatório era outro. "A experiência internacional comprova o êxito desse modelo [das ZPEs] e, por isso, o governo brasileiro está trabalhando para tornar as ZPEs uma realidade", diz o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em texto de agosto de 2011 para livro do Conselho Nacional das ZPE. De acordo com Gustavo Saboia Fontenele, secretário-executivo do conselho, o governo Dilma Rousseff montou uma estratégia, já no início de 2011, para acelerar a implantação de fato das ZPEs.

Segundo ele, das 11 ZPEs autorizadas de 2007 para cá, a única com infraestrutura constituída é a do Acre. Já entre as 12 autorizadas até 1994, quatro têm instalações prontas: Imbituba (SC), Teófilo Otoni (MG), Rio Grande (RS) e Araguaína (TO).

domingo, 15 de janeiro de 2012

Gildo César tem casa invadida

O diretor-presidente do Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa), Gildo Cesar Rocha, registrou ontem boletim de ocorrência no Departamento de Inteligência de Polícia Civil (DIPC) por violação de domicílio. A polícia vai apurar os fatos e já sabe que o homem com uma filmadora que tentou entrar na residência do diretor do Depasa estava em um carro que pertence ao agente penitenciário Joabe Lira de Queiroz, presidente da juventude estadual do PSDB.

Segundo o denunciante, por volta das 10 horas de sexta-feira a sogra, Almira Lopes das Neves, que mora com ele, atendeu a um homem que portava uma câmera filmadora. Ele se dizia funcionário da TV Rio Branco e queria entrar no imóvel, no bairro Bosque, para filmar as obras que estão sendo realizadas no local. Impedido por Almira, o sujeito tentou entrar no quintal da residência de Gildo Cesar pela casa do vizinho, mas também foi contido pelo pedreiro José Hildo Chagas Portela.

Em seguida, o suposto cinegrafista do SBT entrou em um FOX estacionado nas proximidades. A placa do veículo, MZS 7569, foi anotada e se descobriu que o proprietário é Joabe Lira de Queiroz, ligado ao PSDB Jovem do Acre.

A direção da TV Rio Branco negou que algum de seus cinegrafistas fora encarregado de fazer imagens da casa do diretor-presidente do Depasa.

Leia mais no Blog do Archibaldo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sibéria poderá ter posto do BB

No início deste mês, o deputado Manoel Moraes (PSB) e o presidente da Associação de Moradores do bairro Sibéria, João Jorge Cosmo da Silva, se reuniram com o superintendente do Banco do Brasil, José Ricardo Kraemer Salermo, para tratar sobre a implantação de um posto de atendimento do BB naquela comunidade.

No encontro, o deputado Manoel Moraes chamou a atenção para as dificuldades que os moradores do bairro Sibéria, localizado localizado na margem oposta do rio Acre, enfrentam para chegar até o centro financeiro do município, uma forte razão, segundo ele, para que a comunidade possa contar com um posto de atendimento do Banco do Brasil.

José Ricardo Kraemer garantiu que já na próxima semana o banco estará encaminhando técnicos para avaliar a construção do posto de atendimento bancário no bairro Sibéria. Com relação a linhas de financiamento, o superintendente informou que para 2012 haverá uma ampliação de 160% do volume de financiamento para produtores rurais.

Leia mais no blog do deputado.

Cidade que nasce

José Cláudio Mota Porfiro

A passarada gorjeia com as cores do inverno. Ri. Fica alvoroçada. Basta que a chuva cesse por algumas horas.  O rio se faz majestoso, quase arrogante, em sua largura imensa do mês de janeiro. A natureza é feliz porque sabe que tudo se recompõe. Mas é madrasta que só o nome arrasta, insisto, porque faz parir os filhos humanos e lhes deixa à mercê da própria sorte, para depois devolvê-los ao pó da terra quando bem entender. Mães normais têm os rebentos, criam-lhes com cuidado e querem para eles um futuro cheio da felicidade mais plena. É bom pensar com carinho no quanto sofre essa gente miúda amazônica esquecida nos mais ermos grotões do Brasil.

E lá vai o rio no rumo de baixo...

Às quatro da manhã, já ouvimos as músicas de Orlando Silva, ou de Carlos Alberto, ou de Vicente Celestino que, como água de enchente, vem invadindo o rio, a mata, os seringais, as gentes. A paisagem toda é como se fosse agora mais feliz, apesar das circunstâncias ditadas pela natureza indescritível, indecifrável.

O dono da grande lancha Maria Amélia, de nome João Barrão, mantém, acoplado a um pequeno mastro colocado acima do segundo convés, um auto-falante ligado a uma pequena vitrola que propaga a alegria pelos sombrios ermos do alto Acre. Ele ainda está a uma hora de viagem e, aqui, já estamos ouvindo as modinhas cujas melodias enchem os corações desses deserdados da história da pátria amada.

Hoje é o dia 16 de janeiro. É um ano novo como todos, depois dos festejos de Natal, quando bebemos bastante vinho espanhol, mais uma vez, da coleção do patrão. Um mutum que estava em um cercado, é mais uma grata surpresa pelo paladar bem parecido, todavia bem melhor, que o faisão, como haviam dito os amigos de Belém.

Às sete da matina, já estamos todos instalados na embarcação. Eu, o patrão, Dona Nenzinha, o cumpadi Estácio, a cumadi Moça, as crianças e mais umas quatro famílias dos seringueiros que se dispuseram a viajar e que melhor se houveram nos ajustes de contas.

- Passeia quem tem dinheiro sobrando. O sujeito que está devendo não tem nada que ir para os festejos. É como se o santo padroeiro não o houvesse abençoado durante o ano que passou. É melhor não ir porque não merece ou não fez por merecer. Está certo o São Sebastião. - É o que prega o bom patrão.

O convés de baixo está cheio e o de cima quase. Ainda apanharemos bastante gente nos seringais Palmarizinho e Albrácia. As crianças são muito desconfiadas com relação aos estranhos. Não riem, não brincam, quase não se movem. Os pais mexem nos sacos de encauchado meio vazios que devem voltar cheios de chita, extrato, linha de costura, agulha, grampo para cabelo, brilhantina, remédio contra piolho, contra lombriga, dentre outros muitos artigos de primeira ou segunda necessidade.

O moço de convés atende pelo apelido de Tatu. O outro funcionário  é o Ronda e um terceiro é o Zé da Trompa, além de João Barrão, o proprietário da lancha, um sujeito conversador e deveras animado, inclusive, com a economia da borracha que, segundo consta, poderá ter um novo alento dentro em breve devido alguns boatos segundo os quais os aliados -  Estados Unidos, França e Inglaterra, dentre outros - poderão precisar do produto extraído por aqui, uma vez que os japoneses invadiram e dominaram os grandes produtores, os protetorados ingleses da Ásia. Parece castigo. Eles roubaram as sementes da seringueira amazônica e agora delas não podem fazer uso.

- Parece que agora é a nossa vez de ganhar muito dinheiro. Novamente, o Acre voltará a ser rico e muitos dos nossos sairão do imprensado em que se encontram devido a queda dos preços nos anos que passaram, desde 1929, quando a economia do mundo sofreu um grande abalo porque os americanos se endividaram e quebraram, o que trouxe graves consequências também para o Brasil.

O João Barrão, realmente, sabe do que está falando. O homem não é apenas mais um falastrão.

A água do rio lambe a borda da lancha por onde passam os tripulantes molhados vestidos em calções de listas azuis e brancas. Há muito balseiro  -  que são as árvores da beira do rio que vão sendo arrastadas com o barranco pela enchente amazônica. A parte do rio por onde a lancha desliza é sempre a oposta às curvas. Parece lisa, sem nenhum reboliço, como no meio do caudal. Aí há menos possibilidades de irmos de encontro a um tronco qualquer que esteja descendo rio abaixo. Tudo isto prova a incrível habilidade do pequeno grande comandante Barrão junto ao leme da Maria Amélia.

Um número menor de pessoas embarcou no Palmarizinho e outro ainda menor, no Albrácia. É que os donos desses seringais dispõem de barcos para o transporte dos seringueiros rumo a Xapuri, onde rezarão todos, juntos, para que São Sebastião, o Padroeiro, os livre de todos os males que a natureza brutal coloca em meio aos seus caminhos.

Estou cada vez mais distante de casa. Navegamos rumo oeste. É por este caminho que se pode chegar à Bolívia e ao Peru.

O barracão do Novo Catete fica um pouco distante da margem e não é visível a partir do rio. O Seringal Boa Vista, da família França, em seguida, tem como cartão postal uma bela residência dos patrões muito bem desenhada, pintada de branco, com telhado estilo quatro-águas, varandas amplas, cortinas, beirais em madeira decorada a serrote, grandes jarros com plantas ornamentais e coqueiros no terreiro da vivenda deveras aprazível.

Navegamos mais uns quinze minutos e já a paisagem se torna diferente. Aparecem as fileiras de casas da Rua Major Salinas, conforme comentário do prático chamado Ronda.

- Enfim, estamos em Xapuri! – Exclamei!

Olho o relógio de algibeira. Belo ainda, apesar das idas e vindas. É meio dia. O sol está a pino cozinhando a moleira dos poucos que não usam chapéu. Quase todos usam alguma coisa para a proteção, inclusive as mulheres dos seringueiros que amarram panos ou lenços à cabeça.

Há dois navios de médio porte ancorados no pequeno porto, o Envira e o Sobral Santos. O desembarque é feito através do Palanque, um ancoradouro simpático, bem desenhado, elegante, que recebe os recém-chegados mais ilustres, inclusive nós que temos esse privilégio porque, a esta hora, nenhuma embarcação está por aportar.

- Isto aqui é muito parecido com a civilização. - Foi o que eu disse ao cumpadi Estácio, que nada entendeu. Então, prometi a mim mesmo não mais fazer comentário algum que seja para glosar a pequena e mais velha cidade do alto Rio Acre.

Eu e o patrão, Seu João, usamos ternos quase iguais, bege claro e amassados um quanto o outro. A grande maioria dos homens assim está trajada. São nordestinos na superior maioria. Os nossos gestos são praticamente os mesmos. Lenço passado na cara suada. Mexida no chapéu de massa. Apanhar a ou as malas e seguir para a Hospedaria Santo Antônio, logo ali, depois de um casarão verde que dizem ser um hospital. Em verdade, bate a exaustão e a vontade de tomar banho e estirar-me numa rede à sombra para um bom sono depois da bóia.

- Que folga a minha! - É o que penso.

O almoço é servido meia hora depois. Está uma verdadeira beleza. Há pirarucu fresco e salgado, jabá com jerimum, carne de porco frita e de boi cozida. Vem alguma pouca verdura de uma horta do colégio das freiras; estas vêm a ser as mesmas que viajaram comigo até a Boca do Lago.

A construção da estalagem é simples, mas em alvenaria. Há no meu aposento duas janelas e uma porta larga. Por ali corre um ventinho leve que me convida a atar a rede preguiçosa pensada anteriormente.

É um sono tranquilo embalado por sonhos que me levam de volta a Belém do Pará, a base a partir da qual alcei voo rumo à minha aventura quase inconsequente.

Às quatro, ainda o sol está bem forte. Depois de um banho, parto no rumo do comércio que fica logo ali bem perto. A intenção é rever os amigos portugueses, principalmente os mais simples, com os quais tive contato no navio.

Um velho provérbio árabe assalta-me as ideias. Penso que nenhuma pessoa é tão desprovida de amigos para não encontrar um suficientemente sincero que lhe diga verdades desagradáveis. Eu, então, ainda não tenho nenhum desses. Talvez seja isto o que me faz falta.

Passo por um mercado público atravancado de quinquilharias próprias para enganar os seringueiros. Numa esquina, está um comerciante vestido em camisa de punho e calça branca, com óculos pincinê e cara de turco. Avisto um grupo de homens, também quase todos de terno branco e chapéu de massa, a disputarem festiva partida de gamão. À porta de uma farmácia, então, está de pé e garboso o bom amigo português Eurico Gomes Fonseca.

- Dá-me um abraço, ó cearense! Como estás lá por aquelas bandas? - É o cumprimento efusivo do amigo de viagem.

De lá, subimos a Rua Seis de Agosto rumo à Rua Dezessete de Novembro, na mesma direção. Na próxima esquina, a uns duzentos metros, encontro Tomás Gomes Fonseca, o outro amigo, irmão do primeiro.

Como esse mundão amazônico aproxima pessoas que moram tão distantes umas das outras e, mesmo por isso, tão pouco se veem. Coisa de Deus!

José Cláudio Mota Porfiro é xapuriense, escritor, poeta, boêmio, professor, irmão do Manoel Gibiri e mais um tantão de coisas. Escreve no blog Impressões Gerais.

Saneamento

Governo do Acre vai investir R$ 267 milhões.

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Agência de Notícias do Acre

O governador Tião Viana entregou na manhã de ontem, 13, a carta-consulta ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos de R$ 267 milhões em saneamento ambiental integrado em 16 municípios do interior do Acre.

O documento foi entregue ao superintendente da área de infraestrutura social do BNDES, Ricardo Ramos, que estava acompanhado de outros dirigentes da instituição. A meta do governo é atender com captação e tratamento de água 28.663 domicílios, beneficiando aproximadamente 115 mil pessoas. O esgotamento sanitário deve chegar a 34.838 domicílios e atender 140 mil pessoas.  

A ampliação da cobertura do saneamento integrado irá reduzir o número de doenças causadas pela poluição de água e solo. O objetivo é ampliar o índice de atendimento urbano de coleta e tratamento de esgoto de 20% para 70%, em Rio Branco, e de 0% para 90% no interior do Estado. Quanto ao fornecimento de água na área urbana, a expectativa é elevar de 60% para 95% o índice de atendimento.  

“Queremos chegar em 2014 como referência no serviço de saneamento, esgoto e abastecimento de água. Esses são determinantes sociais apontados pela Organização Mundial de Saúde. Para mim, essa não é uma questão política, mas uma opção de vida”, afirmou Tião Viana.  

A proposta de financiamento está inserida no Programa Integrado de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PIDS), que vem sendo executado nos últimos anos, e teve como base a formatação inovadora de políticas públicas alinhadas aos programas e projetos do plano de governo no período de 1999 a 2014. Dentro do PIDS, a administração de Tião Viana vem priorizando ações voltadas para o desenvolvimento econômico e a manutenção e ampliação da infraestrutura urbana. “Estamos muito otimistas. O BNDES tem sido grandes aliado do desenvolvimento do Acre”, disse o governador.

Na audiência realizada na sede do banco, no Rio de Janeiro, Tião Viana também apresentou proposta de formalização de parceria para a realização de estudos técnicos, objetivando a viabilidade financeira do Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento do Acre (Depasa). Ele estava acompanhado pelo secretário de Planejamento, Márcio Veríssimo; o diretor-presidente do Depasa, Gildo César; o secretário de Comunicação, Leonildo Rosas; e pelo assessor especial Ocirodo Júnior.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Mais grave do que palmadas

“Considero um desperdício de energia política essa lei da palmada, quase impossível de aplicar sem que ocorram aberrações, quase impossível de encarar com respeito e seriedade.”

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Lya Luft

Não gosto do politicamente correto: ele muitas vezes tem um ranço de hipocrisia. Não devo dizer que alguém é negro, mas os próprios negros falam em raça negra, cultura negra etc. Não seria muito mais respeitoso usar o termo habitual, assim como dizemos branco, japonês, alemão, turco, polonês? O politicamente correto em muitos casos, como neste, aumenta a discriminação. Será politicamente incorreto, daqui a pouco, dar uma palmada num menino travesso demais? Sou contra qualquer violência, mas me assombra a tal lei da palmada, ainda esperando aprovação no Senado: considero a tal lei uma excrescência a mais na nossa legislação e na nossa cultura. E é perigosa, numa sociedade que vai ficando denuncista e policialesca, cada vez maiores seus olhões de big brother.

Mil dúvidas me ocorrem. Quem vai avaliar o que é palmada forte, bofetada humilhante no rosto ou aviso carinhoso, leve tapa sobre uma bundinha bem acolchoada de fraldas? Quem vai, sobretudo, denunciar? Penso que haverá filas de acusadores: a vizinha invejosa, a funcionária ofendida, a ex-mulher vingativa, o ex-marido raivoso. Receio que, se aprovada e efetivada, ela não vá ser aplicada, como tantas leis tolas entre nós ( e algumas úteis, que não deveriam ser ignoradas). Ou, se aplicada, vá desencadear uma onda de confusões, inseguranças, injustiças, intromissões indevidas. Aberta a porta para um controle nada democrático, uma ditatorial interferência do estado na vida familiar e nas relações pessoais mais próximas.

Esse o grande perigo, essa a cara feia de tal novidade. Parece que se criou no país até mesmo um “plano nacional de convivência familiar”, no mínimo bizarro. Para nos ensinar a ser mais gente, seria preciso, em lugar de intervir em nossas casas e se intrometer em nossa vida, dar condições de sermos menos agressivos por ignorantes ou estressados. Isso significa, em lugar de um olho intrometido e humilhante, mais segurança, saúde, moradia e educação – ah, a educação, esse botão que aperto mil vezes ao dia e tanto comento.

Será que os políticos não têm coisa mais importante a fazer além de inventar uma lei tão antidemocrática, antipedagógica e anti-qualquer-bom senso, como, por exemplo, votar leis que têm a ver com o bem-estar do cidadão comum? Desengavetar e fazer funcionar tantos projetos trancados por incompetência ou desinteresse, exercer a verdadeira política, resgatar tanto dinheiro empregado em outras coisas ou desparecido em frestas de mesas-de-não-trabalho de muita gente por aí?

Não é uma lei invasiva que vai nos tornar melhores pais, melhores educadores, melhores pessoas. É a cultura, são as condições sociais, econômicas e culturais, é a educação que informa direito, é a construção de nossa identidade pessoal, nossa bagagem de valores, os elementos básicos que os governos nos oferecem para que a gente possa evoluir. Em resumo, é a arquitetura de nós mesmos enquanto povo e indivíduos decentes – incluindo como tratamos, criamos, amamos, educamos quem depende de nós.

Considero um desperdício de energia política essa lei da palmada, quase impossível de aplicar sem que ocorram aberrações, quase impossível de encarar com respeito e seriedade. Além de querermos infantilizar eternamente nossos jovens dando-lhes privilégios como a meia-entrada até quase 30 anos, quando deveriam estar estabelecidos, com família formada, crescendo na profissão, vida em pleno funcionamento, ainda queremos nos meter nas casas, nos quartos, na vida pessoal doa adultos, vigiando-os como se fossem crianças arteiras. Bem mais graves do que uma ocasional palmada (não falo em surra, bofetada, sofrimento físico) são, de parte dos pais, a frieza, a futilidade, o desinteresse, a falta de uma autoridade amorosa, de vigilância e cuidado. A humilhação verbal, a crítica constante, a ironia. A lista é longa. Que o novo ano nos traga um pouco mais de bom-senso e de bom humor, e verdadeiro interesse por coisas que verdadeiramente precisam dele.

Lya Luft é escritora e colunista da revista Veja.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A invasão dos porcos

Jairo Salim de Lima

Esta é mais uma história que só poderia acontecer no principado de Xapuri. Os fatos aqui relatados são históricos e recheados de pormenores que outros chamariam de licença poética. Se a memória da Deise e do Augusto não falha, a tal invasão aconteceu no ano de 1928.

Naquela época o principado era um pequeno ajuntamento de fortes e bravos. Homens e mulheres que fincaram suas raízes no chão das fagáceas e euforbiáceas para construir o futuro. Havia libaneses recém-chegados, portugueses instalados e arigós espalhados e por vir. Neste balaio edificava-se uma sociedade fraterna, alegre e recheada de causos.

Estradas não havia. Mas tinham chatas* e batelões. O Rio Acre era a via transporte e quando enchia era uma beleza: o boto perdia a maninha e o barranco ficava miúdo.
As ruas eram de terra e sem energia elétrica. Quando chegava embarcação com gado para o curre, era uma farra:

- Corre que lá vem o boi brabo!

Os carnavais nesta época eram charmosos e elitizados. Mas o rancho popular compensava. O Zeca Torres comandava a banda e muitos bambas seguiam os seus passos, como o Roldão e o Aurélio Abuache. O Clóvis Melo e o Zé Manduca formavam a dupla de zaga do time dente-de-leite do América e o Prezado (Antônio Zaine) soltava pepeta na Major Salinas.

Nesta época, o Padre José ainda treinava para ser sacristão, a Carmem Veloso era estudante interna no Colégio das Freiras e o grande empreendedor era Sadala Cury.

Eu quase me esqueci das queixadas. Vamos lá.

De acordo com os relatos, numa manhã tranquila - como, aliás, são todas as manhãs em Xapuri, os libaneses jogavam gamão na sinuca do Tuffic. Os portugueses, reunidos na Limitada, falavam da terrinha. E os arigós, trabalhavam para os dois grupos.

Como se fosse uma visagem, assim, do nada, um bando de queixadas apontou pelos lados da Sibéria. A quantidade de animais e o barulho que faziam eram medonhos. Fosse o Padre José diria algo do tipo: Era tanta queixada que o ponteiro estava na beira do Rio Acre enquanto o rabeta ainda atravessava o Rio Iaco, lá pelas bandas de Sena Madureira. Parece até, que a Maria de Belém ouviu o barulho delas quando cosia no Seringal Porvir, perto de Brasiléia.

Aqueles que testemunharam os fatos confirmam: era um bando de queixadas como ninguém jamais vira ou veria. Pois elas caíram na água com beira, e atravessaram o rio sem dó. Foi um corre-corre danado, um Deus no acuda: era gente se escondendo; subindo nas árvores; trancando portas e janelas. As queixadas entraram em casas e quintais, destruíram hortas e plantações. Enquanto uns se escondiam, outros armados com paus e pernamancas, mandavam o porrete nas invasoras. Até o velho Tuffic derrubou quatro das grandes.

A tempestade de queixada durou um dia inteiro.

Quando tudo parecia calmo, aparecia um bicho perdido e recomeçava a caçada. Depois do vendaval, havia animal morto em toda parte. Foi um susto danado!
Eu fico pensando na turma retirando carcaça de queixada da cozinha, do quintal, da privada. Dizem que os moradores de Xapuri comeram carne de queixada até o Natal de 29. Outros dizem ainda que, um bando de queixadas como aquele, é coisa de caboquinho da mata, curupira ou fruto de imaginação fértil. Mas é verdade mesmo. O fato aconteceu.

Há relatos recentes dando conta que, em 2006, outro bando de queixadas resolveu visitar Xapuri. Desta feita, talvez por memória genética, não atravessaram o rio.

Sabe-se que, chegaram à beira da água; olharam a cara do Abdon; tomaram um susto; deram meia-volta e se embrenharam nas matas do João de Arruda, morrendo de medo. Eu acho que é invenção do Quinha (Aurélio) e do Boi (Raimundo), mas eles juram que não.

Fonte: blog História Multimídia de Xapuri.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Terra sem Lei

Família brasileira é expulsa de terras por autoridades bolivianas

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O casal de produtores rurais Raimundo Barroso de Azevedo, 54, e Francisca Pereira da Costa, 35, está em busca do apoio das autoridades brasileiras depois de ser violentamente expulso, no mês de outubro do ano passado, de uma colocação localizada na Bolívia, na área de fronteira com o Brasil, cuja compra foi efetuada há oito anos.

Com farta documentação em mãos referentes à compra das terras, o casal afirma que foi vítima de uma trama engendrada por outro brasileiro, que possuiria dupla nacionalidade, para se apossar de suas terras, contando para isso com a cumplicidade de terceiros e da própria justiça boliviana.

Segundo Raimundo Barroso, popularmente conhecido em Xapuri como Raimundo Sancho, esse brasileiro é aposentado no Brasil pelo INSS por motivo de invalidez (ele seria deficiente visual), mas possui  duas colocações nas quais trabalha na coleta de castanha, ambas localizadas em terras bolivianas.

O agricultor afirma que, na base do suborno, o seu desafeto conseguiu falsificar uma série de documentos e levantar testemunhas que propiciaram uma ação judicial cujo objeto era a posse de cerca de 500 hectares de terras de onde o casal retirava o sustento dos 8 filhos.

A ação na justiça boliviana teve o pior desfecho possível para Raimundo Sancho e Francisca Pereira. Além de ser totalmente desfavorável ao casal, o juiz determinou o imediato despejo dos brasileiros que estão acampados nas terras de uma filha do agricultor, no lado brasileiro da fronteira.

Raimundo e Francisca denunciam também que durante a ação de despejo executada pela justiça boliviana houve violência, abuso de autoridade e até assédio sexual a uma das filhas do casal, uma garota de apenas 14 anos de idade.

“Casa comigo que eu resolvo todos os problemas do seu pai”, teria dito à garota um sujeito que seria do setor de imigração da Bolívia.

Outra filha do casal, de 13 anos, foi obrigada a iscar anzóis para que um policial boliviano pescasse na beira do rio, para onde levou a garota sem a autorização dos pais.

Francisca Pereira, que na chegada da polícia estava na companhia apenas das crianças, diz que a residência foi invadida e que os filhos homens tiveram armas de fogo encostadas na cabeça para que informassem onde estavam escondidas as armas do agricultor.

A comida que ela acabara de fazer para o almoço foi devorada pelos policiais que chegaram a tomar um prato da mão de uma criança. Móveis e objetos pessoais foram danificados ao serem jogados no terreiro e uma cômoda onde eram guardadas as roupas dos filhos do casal chegou a ser confiscada pelos bolivianos que eram comandados por um juiz.

A foto é de Alexandre Lima, editor de O Alto Acre.

Salve, salve, São Sebastião

Começa hoje, em Xapuri, o novenário do santo padroeiro da cidade, São Sebastião, uma das maiores festas religiosas do Acre. A primeira novena será celebrada, como de costume, na praça que leva o nome do santo, no centro histórico de Xapuri, margem do rio Acre.

Até o próximo dia 20, data maior da festa, a cidade viverá seus dias mais movimentados e o seu momento anual mais importante: a celebração de uma manifestação que remonta do começo do século passado e que desde então caminha lado a lado com a história da cidade.

Nos próximos dias, o blog estará trazendo informações sobre os preparativos, mostrando histórias e personagens que fazem parte da festa que há 110 anos movimenta a fé dos xapurienses no santo protetor contra as guerras e pestes.

Salve, salve, São Sebastião.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

“Eficiência”

A Eletrobrás Distribuição Acre enviou no final da manhã desta terça-feira, 10, anúncio à emissora de rádio local, informando que o fornecimento de energia elétrica seria suspenso nesta quarta-feira, 11, no período das 6 às 10 horas da manhã.

A emissora, no entanto, não pode retransmitir o comunicado pelo fato de que o apagão que pretendia ser anunciado para a manhã seguinte foi antecipado, dessa vez sem anúncio nenhum, para a tarde do mesmo dia, esta bendita terça-feira de escuridão.

Posto esta nota logo após o retorno da energia, que faltou às 13h30 e deu o ar da graça apenas às 16h15. Segundo informações de funcionários que prestam serviços à empresa em Xapuri, 4 equipes estão na cidade tentando resolver os apagões.

Vamos exercitar nossa fé.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Haitianos

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A praça Hugo Poli, em Brasileia, fronteira acreana com a Bolívia, está tomada por mais de 1200 refugiados haitianos. Eles deixaram para trás seu país, lugar devastado por uma guerra civil e um terremoto, e chegam ao Brasil carregando, apesar do sofrimento, grandes esperanças.

Leia na Agência de Notícias do Acre.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Exposição Chico Mendes

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A exposição Chico Mendes: O Homem da Floresta, continua na Biblioteca da Floresta. Os três andares do prédio foram  preparados para abrigar painéis, instalações e caracterização de lugares e do cotidiano dos povos da floresta.

Quando: Segunda a sexta-feira, de 8 às 21 horas; Sábado, de 14 às 20 horas; Domingos e feriados, de 16 às 20 horas
Quanto: Entrada franca
Onde: Biblioteca da Floresta (Via Parque da Maternidade, s/nº - Centro), Rio Branco.

Fonte: Agência de Notícias do Acre.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Rio Acre

Aqui.

“Oportunidade”

O IFAC/Campus Xapuri oferece neste período de férias cursos de extensão para comunidade interna e externa. São oferecidos quatro cursos, sendo dois na área de línguas estrangeiras, voltados para os servidores e alunos e dois abertos também para a comunidade externa, trabalhadores e estudantes.

As aulas de Inglês e Espanhol se iniciaram nesta segunda-feira, 09, e atingirão um público de mais de 40 pessoas.

Os outros dois cursos, de Informática Básica e Agroextrativismo e Mercado, cujas aulas iniciarão na quarta-feira, 11, ainda estão com inscrições abertas. Todos os cursos são gratuitos e serão ministrados por docentes da instituição.

Segundo o Diretor de Ensino do campus, Prof. Paulo Teixeira, os cursos serão uma oportunidade de oferecer à toda comunidade da região um aprendizado fora do período letivo, durante as férias dos estudantes e trabalhadores.

Fonte: Site do Ifac/Xapuri.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Corrupção

Documentos apontam suspeita de fraude em licitação da prefeitura de Cruzeiro do Sul

Os promotores do Ministério Público Estadual têm em mãos uma grave denúncia contra a prefeitura de Cruzeiro do Sul. Trata-se de documentos que apontam suposta fraude em licitação pública na compra de asfalto. A empresa J. B. Correia e CIA LTDA. foi beneficiada indevidamente com dispensa de licitação. Os valores envolvidos chegam a quase R$ 360 mil.

No dia 28 de fevereiro de 2011, o gabinete do prefeito Vagner Sales (PMDB) recebeu despacho com a cotação de preços das empresas Petrobras Distribuidora SA e Alternativa Distribuidora Ltda. Os preços da tonelada de asfalto entre uma e outra é muito discrepante, o que habilitou a estatal a fornecer o material para pavimentação asfáltica da cidade.

Onze dias depois, o prefeito Vagner Sales assinou o decreto de número 58 autorizando a compra, com dispensa de licitação, de cimento asfáltico, emulsão asfáltica e asfalto diluído da Petrobras, sediada na cidade de Manaus, no Amazonas.

No dia 4 de abril, o Diário Oficial do Estado publicou a dispensa de licitação autorizada pela prefeitura de Cruzeiro do Sul. Mas, um detalhe chamou a atenção do economista Rafael Dene, autor do levantamento: a autorização de compra incluía a empresa J. B. Correia e CIA LTDA.

Em dois despachos, o prefeito Vagner Sales autorizava a empresa a fornecer, junto com a Petrobras, parte dos insumos exigidos para a pavimentação asfáltica no município. Com apenas uma canetada de Sales, a empresa faturou dois contratos – um de R$ 74,5 mil e outro de R$ 283,4 mil.

“Como a dispensa de licitação fora dada para a estatal brasileira, a J. B. Correia foi incluída indevidamente no processo de compra e venda”, sustenta Rafael Dene.

Sem resposta

Dene protocolou a denúncia no Ministério Público Estadual (MPE) de Cruzeiro do Sul, junto com várias outras contra o prefeito. A primeira delas, por suspeita de nepotismo, ainda não recebeu resposta do MPE.

A lentidão do MPE de Cruzeiro é tamanha nesses casos, que o economista pensa em recorrer ao Ministério Público Federal contra o prefeito Vagner Sales.

“O que está em jogo é dinheiro público, e o prefeito Vagner Sales foi eleito para gerir bem esses recursos”, conclui Dene.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Boate facebook

Flagra do Xapuri em Destaque. Será que o povo vai curtir?

Dengue

Xapuri receberá R$ 19.814,02 para combate à doença.

O Ministério da Saúde aprovou 4 projetos municipais contra dengue, que garantirão ao Acre um adicional de R$ 500 mil contra a doença. No país, 1.159 cidades foram selecionadas. A medida permitirá que os municípios recebam 20% a mais do que os repasses regulares do Teto de Vigilância e Promoção à Saúde. Ao todo, serão R$ 92,8 milhões adicionais. Os planos incluem a qualificação das ações de prevenção e controle da doença. Mais de 100 milhões serão beneficiadas.

O número de municípios selecionados é 17% maior do que os 989 previstos em outubro, quando foi lançando o conjunto de ações estratégicas para enfrentamento da dengue neste verão. “Os municípios selecionados assinam um termo de adesão. É um comprometimento, junto com o ministério da Saúde, de ampliar as ações de combate ao mosquito transmissor, a vigilância dos casos e notificações. e organização da assistência aos pacientes”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Até o final de novembro, foram notificados 742.364 casos suspeitos de dengue em todo o país. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma redução de 25%. De janeiro a novembro de 2010, foram registrados 985.720 casos suspeitos da doença. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste também registraram diminuição nos casos de dengue: A maior redução - de 77% - foi registrada na Região Centro-Oeste. Foram 211.695 casos, em 2010, contra 48.524, em 2011.

A Dengue possui quatro sorotipos de vírus (DENV 1, DENV 2, DENV 3 E DENV 4). As atividades de vigilância virológica em 2011, destacam o predomínio da circulação do sorotipo DENV 1 no país. Foram constatadas, porém, uma circulação importante dos tipos DENV 2 e DENV 4. Esse cenário, associado às condições ambientais, que permitem a manutenção do mosquito Aedes aegypti, alerta para a possibilidade de persistência da transmissão em níveis elevados do vírus no verão de 2012.

Os valores obedecem ao que foi estabelecido pela Portaria nº 2.557/2011, que aprova as diretrizes para execução e financiamento destas ações. A portaria se junta a outras nove publicadas em dezembro: 2.929, 2.987 publicadas nos dia 12 e 15 respectivamente; 3.019 e 3.022, publicadas no dia 22 de dezembro e as portarias 3.207, 3.210, 3.211 e 3.212 publicadas na última sexta-feira (30).

Esses recursos correspondem a um acréscimo de 20% do Piso Fixo de Vigilância e Promoção à Saúde que já é repassado rotineiramente para os municípios. Os recursos serão transferidos do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos do Distrito Federal e Municipais de Saúde.

Informações da Agência Saúde.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sementes de girassol

Frei Betto

No próximo ano, fecharei a minha caixa de Pandora e farei passarinhar todos os bons propósitos que desafiam a minha fé. Recolherei num jardim de tulipas essa tristeza d¹alma que definha o meu ego arrastado pela vaidade.

No próximo ano, soterrarei de perdões o meu mal-querer e de afagos a sórdida tendência de apostar na desgraça alheia. Erguerei a minha taça à vitória do outro e brindarei de louvores as conquistas dos que invadem a minha reserva de caça. Serei dom e não dor.

No próximo ano, fecharei as asas da ambição e, vazio de desejos, cavarei túneis no mais profundo de mim mesmo para deixar fluir as águas da plenitude.

No próximo ano, desviarei o olhar da lascívia que esgarça o meu espírito e os ouvidos aos tambores que me impedem de dançar na contramão. Não buscarei senão os odores suaves da brisa matinal e darei ao meu paladar o que amarga a língua e adoça o espírito.

No próximo ano, porei em prática sábias lições de vida: pão que se guarda endurece o coração; a cabeça pensa onde os pés pisam; o contrário do medo não é a coragem, é a fé. Sairei à rua repleto de silêncio, grávido do ser que me transfigura em morada divina.

No próximo ano, segredarei aos peregrinos os três aforismos de meu bem-viver: Deus tem sabor de justiça; a vida trafega a bordo do paradoxo; a morte é verbo e não se conjuga no presente, é sempre pretérito ou futuro.

No próximo ano, espalharei em meu peito sementes de girassol e cobrirei a cabeça com ervas aromáticas, para que a minha pele transpire luz e a minha boca profira perfumes. Não me privarei de suculentas alegrias e só darei a meu corpo o que empanturra o espírito.

No próximo ano, cultivarei cada um de meus cabelos brancos, modelarei de gorduras a flacidez de minhas carnes e preservarei cioso as rugas que maquiam de sabedoria o meu rosto. Serei belo como o tronco nodoso de uma velha castanheira que, retorcida de braços, abraça o Sol para em seus pés irradiar sombras.

No próximo ano, tratarei o semelhante com a reverência dos anjos e lavarei as portas de minha cidade para acolher em festa os que trazem boas-novas. No contorno dos dias, amarrarei fitas brancas e escovarei a boca da noite até limpar a garganta de sonâmbulas aflições.

No próximo ano, não permitirei à língua servir de passarela ao mal- dizer, nem darei ouvidos a quem insiste em violar meu silêncio. Voarei sereno como os albatrozes que, todas as manhãs, impedem que o fragor das ondas fira a pele porosa das praias.

No próximo ano, não me deixarei iludir pelos profetas da desgraça, nem me hipnotizar pelos que pincelam de cores vivas os cemitérios. Ficarei atento ao olhar perplexo cravado no rosto encardido dos que suplicam uma côdea de pão e um gole de paz.

No próximo ano, trocarei minhas horas preciosas por horas ociosas e, recostado num banco de parque, darei milho aos pombos e cantarei laudes com os mendigos que, deitados na grama, escarnecem da agonia do tempo. Banharei a minha pele na lagoa pontilhada de moedas faiscantes de prata e, boca aberta sob o chafariz, beberei até embriagar-me de insensatez.

No próximo ano, violarei todas as regras da civilidade torpe que me engravata de cabrestos e rasgarei as etiquetas que me fazem perder horas em cuidados supérfluos. Arrancarei do pulso as algemas do relógio que me escravizam ao ritmo implacável de minutos e segundos.

No próximo ano, serei irresponsavelmente feliz, liberto dessa onipotência que recobre de fúria a minha excessiva fragilidade. Confessarei a mim mesmo os meus pecados e, crucificado numa roda- gigante, ressuscitarei com a inocência das crianças que sorriem prenhes de vertigens.

No próximo ano, serei cidadão de um país governado por um cavaleiro que chegue montado num burrico e tenha as mãos calosas como quem cavou as entranhas da terra. Não darei lugar aos príncipes revestidos de palavras vãs, nem porei a minha confiança nos arautos surdos ao clamor dos desvalidos.

No próximo ano, farei de Deus o meu pai e o meu pão, e abrirei em laços o meu abraço, até transmutar solitários em solidários. Amarei sobre todas as coisas, para que a minha riqueza, despojada de bens, seja farta em afetos. Fecharei os olhos para ver melhor e, ao crepúsculo, serei consumido e consumado pelas chamas que ardem no lado avesso do meu ser.

Frei Betto é escritor, autor de "Entre todos os homens" (Ática), entre outros livros.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Receita de ano novo

Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

Novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.